quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

 

“DESLIZANDO PELA VIDA” (“UR SPAR”), 2022, Suécia, em cartaz na Netflix, 1h49m, direção de Marten Klingberg, seguindo roteiro assinado por Maria Karlson. Embora trate de alguns assuntos sérios, como divórcio, alcoolismo, crise familiar e natalidade, trata-se de uma comédia. Não daquelas de fazer gargalhar, mas apenas com algumas poucas situações de humor. A personagem central é Lisa (Katia Winter), uma mulher desequilibrada, alcoólatra e amante de baladas e sexo sem compromisso. Por esse comportamento, que um dia a levou a dormir em uma delegacia de polícia, Lisa corre o risco de perder a guarda compartilhada da filha, que mora com o pai e a madrasta. Desesperada com a situação, Lisa recorre ao irmão Daniel (Fredrick Halgren), um sujeito bonachão e viciado em malhação, mas que está em crise com a esposa Klara (Rakel Wärmländer) por conta de não conseguirem o sonho de ter um filho. Daniel promete ajudar a irmã, mas com algumas condições: ela terá de parar de beber e treinar com ele para a “Vasa Race”, uma das corridas de esqui mais desafiadoras da Suécia, uma prova anual tradicional de cross-country com uma distância de 90 km. Lisa tentará vencer esse desafio, treinando muito sempre pensando em voltar a ver a filha. “Deslizando pela Vida”, mesmo com alguns defeitos, é uma boa opção para uma sessão da tarde, sem merecer uma indicação entusiasmada.                    

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

 

“A PORTEIRA” (“THE DOORMAN”) – encontrei em alguns sites a tradução – equivocada – para “A Protetora", 2020, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção do cineasta japonês Ryûhei Kitamura, seguindo roteiro de Lior Chefetz e Joe Swanson, baseado na história criada por Greg Williams e Matt McAllester. Muita gente envolvida para um resultado tão fraco. Lá pelo meio do filme você já percebe que você já viu essa história antes. Lembrei na hora: “Duro de Matar”, que consagrou Bruce Willis. Lembra que ele luta com terroristas no interior de um edifício de luxo. Pois é, neste “A Porteira”, o herói é, na verdade, uma heroína também “Dura de Matar”, o que poderia ser o melhor título. A sargento Ali (Ruby Rose), das forças especiais da Marinha, atuava como segurança da Embaixada dos EUA na Romênia, quando em determinado dia o comboio que levava a família do embaixador foi atacado por terroristas. Ali não conseguiu salvar a família, mas matou todos os terroristas. Esta cena inicial é a melhor de todo o filme. O incidente deixou muitos traumas em Ali, que abandonou a Marinha e foi morar em Nova York. Aqui, ela consegue um emprego de porteira no The Carrington, um edifício de luxo onde, por coincidência – e que coincidência! – moram seu ex-cunhado com os dois filhos. O prédio está quase que praticamente desabitado, pois grande parte dos moradores mudou-se provisoriamente por conta das reformas estruturais efetuadas no edifício. Eis que, do nada, uma quadrilha invade o prédio em busca de quadros de pintores famosos que estariam escondidos no interior das paredes e que teriam sido roubados há mais de 30 anos em Berlim por um dos moradores. Os bandidos são chefiados por um colecionador de arte, Victor Dubois (Jean Reno). Já dá para imaginar que história maluca vem por aí. É claro e previsível que Ali enfrentará os bandidos utilizando sua experiência como ex-militar, mas apanhará muito até o desfecho, como Bruce Willis. Resumo da ópera, trata-se de uma cópia escrachada de “Duro de Matar”. Só que Willis era forte e Ali muito franzina para encarar tanta porrada. Em todo caso, dá para assistir numa sessão da tarde com pipoca, dando um bom descanso para seus neurônios. O elenco é uma verdadeira ONU: Ruby Rose é australiana; Jean Reno é francês; Aksel Hennie é norueguês, além de norte-americanos, japoneses, dinamarqueses e romenos. Fora o diretor, japonês.                   

domingo, 12 de fevereiro de 2023

 

“O PÁLIDO OLHO AZUL” (THE PALE BLUE EYE”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 2h,08m, direção de Scott Cooper, que também assina o roteiro, baseado no romance homônimo de Louis Bayard, lançado em 2003. A história é ambientada em 1830. Trata-se de um filme policial psicológico, ou seja, nada de tiros, pancadarias ou perseguições. O detetive Augustus Landor (Christian Bale) é contratado pela Academia Militar dos Estados Unidos, que ficaria famosa como West Point, no Estado de Nova York, para investigar o possível assassinato de um cadete da corporação, encontrado enforcado com o peito aberto e sem coração. Landor estava afastado da polícia e recluso depois da morte da mulher e a fuga da filha. Para ajudá-lo na investigação, Landor conta com a colaboração do cadete Edgar Allan Poe (Harry Melling), ele mesmo, o grande escritor que se tornaria anos depois. Um adendo: Poe realmente serviu em West Point, mas sua participação como ajudante do detetive é pura ficção, como revelou o diretor Cooper em uma entrevista. Mais um assassinato seria cometido com o mesmo modus operandi, levando Landor e Poe a acreditar que os responsáveis estão aparentemente ligados a rituais de ocultismo. O roteiro bem elaborado por Scott Cooper garante o suspense até o desfecho, quando então a história apresenta uma surpreendente e inimaginável reviravolta. O elenco ainda conta com Lucy Boynton, Gillian Anderson, Robert Duvall, Timothy Spall, Toby Jones, Hadley Robinson e Charlotte Gainsbourg. Um elenco de peso, convenhamos. Outro grande destaque do filme é a direção de arte, principalmente os cenários, figurinos e a fotografia de Masanobu Takayanagi. Trocando em miúdos, um prato cheio para quem curte filmes de suspense e mistério.                    

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

 

“7 MULHERES E UM MISTÉRIO” (“7 DONNE E UN MISTERO”), 2021, Itália, em cartaz na Netflix, 1h23m, roteiro e direção de Alessandro Genovesi. Trata-se de um remake do filme francês “Oito Mulheres”, de 2002, comédia baseada em uma peça teatral escrita por Robert Thomas. Não vi a versão original francesa, dirigida pelo grande François Ozon, muito elogiada pela crítica, mas gostei muito da nova versão italiana, com um elenco muito especial. Sem falar que a língua italiana se encaixa com perfeição na comédia. Resumo da história: em uma  luxuosa mansão,  o patriarca da família é encontrado morto com uma facada nas costas. Sete mulheres, todas ligadas ao falecido, têm motivos suficientes para se tornarem suspeitas. O suspense está no jogo psicológico montado pelo roteiro para alimentar a dúvida: quem é a assassina? A amante, a esposa, uma das filhas, a nova empregada... E assim o suspense está garantido até o desfecho, quando a verdade surpreendente vem à tona. O elenco é muito especial, com atrizes do maior gabarito: Margherita Buy, Micaela Ramazzotti, Sabrina Impacciatore, Luisa Ranieri, Ornella Vanoni, Benedetta Porcaroli e Diana Del Bufalo. Alguém deve ter notado o nome de Ornella Vanoni. É ela mesma, aquela cantora de grande sucesso nos anos 60, vencedora de vários festivais de San Remo. Aos 89 anos, ainda está firme e forte. Além do elenco afiado, outro trunfo do filme é a primorosa direção de arte, principalmente a decoração interna da mansão, os figurinos e a fotografia. Trocando em miúdos, trata-se de um suspense cômico, envolvente e muito divertido. Uma delícia de comédia. Imperdível!                   

 

“IMERSÃO” (“INMERSIÓN”), 2021, Chile/México, 1h28m, em cartaz na Netflix, direção de Nicolas Postiglione, que também assina o roteiro com a colaboração de Moisés Sepúlveda. Trata-se de um drama familiar que aos poucos se encaminha para um thriller psicológico. Produção simples, elenco enxuto e um roteiro que pouco oferece em criatividade, mas garante um bom suspense. Ricardo (Alfredo Castro) leva suas duas filhas, Teresa (Consuelo Carreño) e Claudia (Mariela Mignot), para visitar uma velha casa da família à beira de um lago no sul do Chile. A embarcação de Ricardo navega pelo lago quando surge no meio do caminho um pequeno bote com três pescadores pedindo socorro. Pensando na segurança das filhas, Ricardo passa direto, o que revolta Teresa e Claudia, que obrigam o pai a voltar e socorrer quem estava pedindo ajuda. A partir daí, pai e filhas já não se entendem mais, iniciando-se o conflito familiar. A situação fica meio sinistra, já que ao voltar para socorrer os pescadores, Ricardo só encontra dois. Esquisito. Não dá para contar mais para não correr o risco de estragar as surpresas. O que posso dizer é que o filme garante um bom suspense, valorizado pela trilha sonora e pelas situações criadas com o objetivo de preparar o espectador para um final trágico, o que realmente acontece. Não há dúvida de que a presença do veterano ator chileno Alfredo Castro é o principal trunfo do filme. Castro é hoje o principal ator chileno, tendo no currículo bons filmes como “No”, “O Clube”, “Tony Manero” e “Tenho Medo Toureiro”, entre tantos outros. “Imersão” estreou durante a programação do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (México), além de ter sido vista aqui no 50º Festival de Cinema de Gramado. Em ambos, conquistou vários prêmios e elogios da crítica especializada. Recomendo, com a ressalva de que não é um filme para qualquer público.                   

domingo, 5 de fevereiro de 2023

 

“O PREÇO DA FAMÍLIA” (“NATALE A TUTTI I COSTI”), 2022, Itália, em cartaz na Netflix, 1h30m, roteiro e direção de Giovanni Bognetti. Deliciosa e divertida comédia italiana recentemente lançada pela Netflix. O foco central da história é o “ninho vazio” vivido pelo casal de meia idade Carlo (Christian De Sica, filho do grande ator e diretor Vittorio De Sica) e Anna (Angela Finocchiaro). Sentindo-se abandonados pelos filhos Emilio (Claudio Colica) e Alessandra (Dharma Mangia Woods), o casal inventa que ganhou uma herança de seis milhões de euros de uma tia acaba de falecer. Dessa forma, Carlo e Anna conseguem atrair a atenção dos filhos, ao mesmo tempo em que arrumam as maiores confusões, o que compreende ainda inventar uma doença grave para Carlo. São inúmeras as situações hilariantes, como aquelas em que Carlo e Anna são obrigados, pela farsa, a parecerem milionários, envolvendo até o aluguel de uma Ferrari. Para divertir ainda mais o espectador, o filme destaca a presença de uma avó meio maluca, Giuliana (Fioretta Mari). O elenco é excelente, o roteiro muito bem elaborado e uma história que, além de engraçada, nos obriga a refletir no que se refere às relações familiares. Nesses tempos tenebrosos de guerra e instabilidade política e econômica, nada melhor do que curtir “O Preço da Família”. Diversão garantida. Não perca!                    

sábado, 4 de fevereiro de 2023

 

“NARVIK” (“KAMPEN OM NARVIK – HITLERS FØRSTE NEDERLAG”), 2022, Noruega, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Erik Skjoldbjaerg, que também assina o roteiro com Christopher Grondahl. Mais um incrível e trágico episódio, baseado em fatos reais, ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Narvik é uma cidade portuária localizada no extremo norte da Noruega, perto da fronteira com a Suécia. Antes e no início do conflito, Narvik era o principal porto por onde era embarcado minério de ferro sueco com destino à Alemanha para utilização na fabricação de armamentos. Portanto, era uma cidade estratégica, principalmente para os nazistas, que invadiram e ocuparam a cidade. Logo depois aconteceria a resistência, reunindo soldados noruegueses, ingleses e franceses. Dessa forma, de abril a junho de 1940, ocorreu a famosa "Batalha de Narvik", depois da qual a cidade foi retomada e os alemães expulsos. Em 62 dias, 64 navios foram afundados e 86 aeronaves abatidas, resultando na morte de 8.500 soldados. Durante esse período, a população civil de Narvik sofreu as consequências. É dentro desse contexto que se desenrola o roteiro do filme, destacando como personagem principal - fictícia - a família Tofte, formada pelo casal Gunnar (Carl Martin Eggesbø) e Ingrid (Kristine Hartgen) e o filho Ole (Christoph Gelfert Mathiesen). Gunnar atua como soldado no front de batalha, enquanto Ingrid, funcionária do principal hotel da cidade, como fala alemão, é recrutada para servir de intérprete de um oficial nazista. Porém, para salvar a vida do filho, é obrigada a cometer uma traição. De forma bastante realista, o filme acompanha o sofrimento da população civil da cidade e os esforços para expulsar os alemães. As cenas de batalha são muito bem realizadas, utilizando cenários que parecem reais. Por isso tudo, e também pelo fato histórico de grande importância, já que foi considerada a primeira derrota de Hitler na Segunda Guerra, “Narvik” é, sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix. Imperdível!                         

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

 

“CAÇA IMPLACÁVEL” ("LAST SEEN ALIVE”), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Brian Goodman, seguindo roteiro assinado por Marc Frydman. Depois de ganhar fama como galã fortão no épico “300”, em 2006, o ator escocês Gerard Butler virou atração em vários filmes de ação, tais como “Invasão a Londres”, “Invasão ao Serviço Secreto”, “Fogo Cruzado” e tantos outros. Sua mais recente atuação foi neste “Caça Implacável”, no qual ele interpreta Will Spann, um rico empresário do setor imobiliário. Começa o filme e ele está no carro com a esposa Lisa (Jaimie Alexander), levando-a para a casa dos pais dela. Em crise conjugal, ela pede um tempo para pensar na vida. No meio do caminho, Will estaciona o carro em um posto para abastecer e Lisa vai até à loja de conveniência comprar uma garrafa de água. Num piscar de olhos e ela simplesmente desaparece. Will fica aflito e, mesmo sem a ajuda mais efetiva da polícia, sai na “caça implacável” da mulher. Muito suspense até ele conseguir uma pista. E, depois, muita violência, pancadaria, tiros e explosões. O filme termina e você não entende como um corretor imobiliário pode ser tão bom de briga e de pontaria. Enfim, é Gerard Butler, novamente no papel de herói macho. Também estão no elenco Ethan Embry, Russell Hornsby, Bruce Altman, Michael Irby, Dani Deetté, David Kallaway e Cindy Hogan. Dá pra ver numa sessão da tarde com pipoca, não ofende nossa inteligência e nem exige muito dos neurônios.     

domingo, 29 de janeiro de 2023

 

“A BABÁ” (NANNY”), 2022, Estados Unidos, 1h39m, produção original e distribuição Amazon Prime Video, roteiro e direção de Nikyatu Jusu (seu longa-metragem de estreia). Trata-se de um suspense/terror de poucos sustos e sem muita ação. É mais um suspense psicológico. Aisha (Anna Diop, da série “Titãs”) é uma imigrante ilegal do Senegal que chega aos Estados Unidos (Nova Iorque) para tentar ganhar dinheiro, ajudar a família no país africano e pagar a passagem para o filho vir morar com ela. Aisha trabalha como babá de Rose (Rose Decker), filha de um casal de classe média alta, protagonizado por Amy (Michelle Monaghan) e Adam (Morgan Spector), cujo casamento vive uma crise - financeira e conjugal. Aisha vive tendo pesadelos e alucinações, vê aranhas subindo a parede, sonha com um monstro marinho. Pelo que eu entendi, tudo isso causado por um tal de “Anansi” – o homem-aranha da cultura africana. Além dessa situação sofrida, mais a saudade que sente do filho, Aisha vira uma pessoa desagradável, depressiva, baixo astral. E por aí segue a história, a gente esperando acontecer algo de importante, mas nada, a não ser no desfecho, quando Aisha fica sabendo de um fato trágico. O filme é de uma lentidão incômoda, prejudicada ainda mais pela história fraca. Com exceção da presença da bela morena e boa atriz Anna Diop e das rápidas aparições de Michelle Monaghan, o filme não apresenta nenhum outro atrativo que motive uma indicação. Fiquei surpreso ao saber que ganhou o Grande Prêmio do Júri na categoria Drama no Festival de Sundance 2022. Se eu fosse jurado, não teria meu voto.      

 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

 

“ABISMOS” (“DAS MÄDCHEN AUS DEM BERGSEE”), 2020, Áustria, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h30m, roteiro e direção da cineasta Mirjam Unger. Antes de iniciar o comentário, informo que a tradução literal do título original em alemão é “A Garota do Lago da Montanha”, que tem mais a ver com a história do que a tradução feita para o português. O filme começa com a investigação sobre a morte de uma jovem encontrada morta no fundo de um lago. Amarrada ao corpo, uma mochila contendo pedras, o que dá a ideia de parecer suicídio. A investigação cabe à detetive Lisa Kuen (Patricia Aulitzky), que logo descobre que a vítima é uma garota de programa. O trabalho da polícia prossegue com alguns suspeitos na mira. De repente, em uma reviravolta, o caso caminha para um drama familiar envolvendo justamente a detetive Lisa e suas memórias de infância. O filme garante um certo suspense com relação à expectativa da descoberta do assassino. Fora isso, o ritmo é lento, não há tiros, explosões, perseguições ou pancadarias. Ou seja, um policial morno, sem muitos atrativos típicos do gênero. O maior destaque cabe aos cenários deslumbrantes das montanhas, graças a uma fotografia bastante competente. Também estão no elenco Anna Thalbach, Antonia Moretti, Maresi Riegner, Bettina Mittendorfer, Reinhard Forcher e Fritz Egger. Apesar dos pesares, “Abismos” foi premiado durante o Romy Gala 2021, da TV austríaca, como Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora. Dá pra ver numa sessão da tarde com pipoca.     

 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

 

“VENTO SELVAGEM” (“WILD IS THE WIND”), 2022, África do Sul, 12h03m, em cartaz na Amazon Prime Video, primeiro longa-metragem produzido, escrito e dirigido por Fabian Medea. Trata-se de um thiller policial centrado em dois policiais corruptos, um deles envolvido com um poderoso traficante. Quando uma moça branca, bonita, jovem e rica, é encontrada morta, os detetives Vusi Matsoso (Mothusi Magano) e John Smit (Frank Rautembach) ficam encarregados da investigação. Um dos principais suspeitos é o ex-namorado da moça, Sonnyboy (Nicolus Moitoi), por coincidência um dos traficantes da gangue de Mongo (Brendon Daniels), justamente o poderoso chefão que negocia drogas com o policial Matsoso. Sonnyboy é preso, mas se diz inocente. Caso ele confesse o crime, os dois policiais ganham uma recompensa em dinheiro, o que poderá tirá-los das dívidas. Aí a coisa se complica, pois os exames periciais apontam para um tal de Wilhelm (Chris Chameleon), também suspeito de outros crimes. O roteiro proporciona uma boa narrativa, com algumas reviravoltas no decorrer da trama, sempre destacando o latente racismo que ainda impera na sociedade local. Apesar de alguns méritos, há inúmeras situações que ofendem a inteligência do espectador, uma delas logo no início do filme. Um motorista é detido na estrada pela dupla de policiais por alta velocidade. No porta-malas, uma jovem se debate, fazendo barulho e pedindo socorro, mas os policiais não ouvem. São surdos? O desfecho também é decepcionante. O resultado final, porém, até que é satisfatório em se tratando de um filme policial.    

 

                           

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

 

Uma das principais atrações do Festival Varilux de Cinema Francês em 2022, chega à Netflix o drama “O DESTINO DE HAFFMANN” (“ADIEU MONSIEUR HAFFMANN”), 2021, coprodução França/Bélgica, direção de Fred Cavayé (“À Queima-Roupa”, “Tudo Por Ela”), que também assina o roteiro com Sarah Kaminsky. Trata-se da adaptação para o cinema da peça homônima escrita em 2016 pelo ator e dramaturgo Jean-Philippe Daguerre. No início da ocupação de Paris pelos alemães, o joalheiro judeu Joseph Haffmann (Daniel Auteuil) envia sua esposa e filhos para a então zona livre da França. Ele fica na capital para resolver a questão da joalheria. Resolve “vendê-la” para o seu assistente François Mercier (Gilles Lellouche). O negócio ficou acertado de forma que, quando a guerra acabasse, Haffmann voltaria para assumir de novo a joalheria. Dessa forma, Mercier e a esposa Blanche (Sara Giraudeau) mudam-se para a casa de Haffmann, em cima da joalheria. Diante do cerco dos nazistas a Paris, Haffmann não consegue fugir e volta para a joalheria, já com o nome do assistente na placa da fachada. Mercier entra em acordo com Haffman sobre sua permanência na casa, obrigando-o a cumprir determinadas tarefas, uma delas envolvendo a própria esposa. Nesse meio tempo, a joalheria passa a ser frequentada por oficiais nazistas, que compram joias para dar de presente às suas amantes francesas. O filme segue em ritmo lento, mas longe do entediente, já que a história reserva uma boa dose de suspense e algumas surpreendentes reviravoltas. Não bastasse isso, o filme conta com dois dos melhores atores do cinema francês da atualidade, Daniel Auteuil e Gilles Lellouche, além da ótima atriz Sara Giraudau. No Festival Du Film de Sarlat (França) 2021, “O Destino de Haffmann” conquistou os prêmios de Melhor Filme e de Melhor Atriz (Giraudeau). Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix este ano.  

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

 

“RUÍDO” (“RUIDO”), 2022, coprodução México/Argentina, 1h45m, em cartaz na Netflix, que assina a produção original, direção de Natalia Beristáin, seguindo roteiro assinado por Alo Valenzuela e Diego Enrique Osorno, este último jornalista investigativo muito conceituado e respeitado no México. Mais do que um drama bastante sensível, “Ruído” é um poderoso filme-denúncia sobre o desaparecimento de milhares de mulheres e homens atingidos pela violência proveniente dos poderosos cartéis de drogas e tráfico humano. Enfim, uma violência que impera há anos no México, com a omissão/colaboração dos governantes e da própria polícia. O foco central, porém, é o sofrimento dos familiares dos desaparecidos e sua incessante busca por uma notícia do ente querido. Julia (Julieta Egurrola), artista plástica de renome, procura a filha Gertrudes há 9 meses. Ela é a principal protagonista da história. Cansada de ouvir respostas vazias das autoridades, Julia junta-se a grupos de mães que se ajudam psicologicamente e que ainda têm esperanças de encontrar o ente querido vivo, nem que para isso tenham que subornar os policiais e outras autoridades. Para divulgar o seu drama, Julia conta ainda com a colaboração da jornalista Abril Escobedo (Teresa Ruiz). O filme acompanha o drama de Julia e de familiares que tiveram seus maridos, filhos e filhas desaparecidos, provavelmente vítimas de poderosos traficantes. Também destaca os protestos do movimento “Nenhuma a Menos”, que exige ação das autoridades e que, para isso, precisam fazer o máximo “ruído” possível, razão do título. Trata-se, portanto, de um drama bastante pesado e comovente, valorizado pelo ótimo desempenho da veterana atriz mexicana Julieta Egurrola (ela é mãe da própria diretora Natalia Beristáin, que emplaca seu terceiro longa-metragem). Importante destacar ainda a participação, no elenco, de inúmeras mulheres que sofrem o dilema de ter entes queridos desaparecidos. Ao lado dos créditos finais aparecem fotos de dezenas de desaparecidos. Trocando em miúdos, “Ruído” é um filme triste, mas poderoso como denúncia.        

sábado, 14 de janeiro de 2023

 

“A LUTA DE UMA VIDA” (“THE SURVIVOR”), 2022, em cartaz na Amazon Prime Video, 2h10m, coprodução Canadá/Hungria/EUA, direção de Barry Levinson, com roteiro assinado por Justine Juel Gillmer. A história é baseada em fatos reais descritos no livro homônimo escrito por Alan Scott Haft. Trata-se da incrível história do judeu polonês Hertzka Haft (1925-2007), que fugiu do campo de concentração de Auschwitz perto do final da Segunda Guerra Mundial. Durante o tempo em que ficou prisioneiro, Hertzka foi obrigado a lutar boxe com outros prisioneiros de Auschwitz para entreter os oficiais e os soldados alemães. Ao final do conflito, ele se torna boxeador profissional, chegando aos Estados Unidos alguns anos depois com o nome de Harry Haft. Na época em que foi preso pelos alemães, Hertzka (Ben Foster) vivia um romance com a jovem e bela Leah Krishinsky (a atriz israelense Dar Zuzovsky), também prisioneira dos nazistas. Já nos Estados Unidos, Harry acredita que Leah ainda esteja viva e, por isso, pede a ajuda do jornalista Emory Anderson (Peter Sarsgaard) para divulgar sua história e, dessa forma, atrair a atenção de Leah – se estiver viva. O tempo passa e, sem conseguir notícias, Harry resolve desafiar Rocky Marciano, um lutador em franca ascensão. Ele consegue chegar ao ringue com Marciano e apanha feio, mas consegue a divulgação que queria. Em meio à dúvida de que Leah ainda esteja viva, Harry acaba se apaixonando por Miriam (Vick Krieps), funcionária daquele escritório de imigrantes judeus. O filme destaca em flashbacks o que aconteceu com Hertzka em Auschwitz e os sérios traumas que ele carregou pelo resto de sua vida. Impressionante o desempenho do ator norte-americano Ben Foster, irreconhecível pela maquiagem que foi obrigado a usar. Merecia, no mínimo, uma indicação ao Oscar. Também estão no elenco Danny DeVito, John Leguizamo, Billy Matgnussen e Anthony Molinari. Não devemos esquecer do excelente trabalho do veterano cineasta Barry Levinson, que volta a dirigir um filme depois de sete anos. Aos 80 anos, ainda mostra grande forma. Só lembrando, Levinson ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 1989 por “Rain Man”. Também fazem parte do seu extenso currículo filmes como “Bom Dia, Vietnã”, Bugsy” e “Ruas da Liberdade”. Talvez a pandemia de Covid tenha prejudicado a carreira de “A Luta de Uma Vida” nos cinemas, mas graças à Amazon Prime Video chega até nós esse maravilhoso drama biográfico. IMPERDÍVEL, assim mesmo, com maiúsculas.       

                           

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

 



“MERGULHO” (“LA CAÍDA”), 2022, Argentina, 1h34m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Lucía Puenzo (“XXY”, “O Médico Alemão”), 1h34m, roteiro assinado por Mónica Herrera, Samara Ibrahim, Tatiana Merenuk e Maréa Renée Prudencio. Drama baseado em fatos reais que aborda temas sensíveis como assédio sexual no esporte e pressão psicológica enfrentada por  atletas de alto nível competitivo. A história é centrada em Mariel (Karla Souza), atleta veterana da equipe olímpica de saltos ornamentais do México. Às vésperas das Olimpíadas de Atenas (2004), a parceira de Mariel sofre um acidente. Braulio (Hernán Mendoza), o treinador, escala a jovem Nadia (Deja Ebergenyi), de 14 anos, para treinar com Mariel, que, de início, não aceita a nova parceira. Talvez um misto de ciúme ou insegurança, já que Mariel disputará sua última olimpíada e quer de qualquer jeito ganhar uma medalha. A relação entre ela e o treinador fica cada vez mais conflituosa, gerando um grande mal estar na equipe. Perto do desfecho, uma revelação bombástica dá uma reviravolta na história, valorizando ainda mais este ótimo drama argentino. Não há dúvida de que a bela atriz mexicana Karla Souza, naturalizada norte-americana, é o principal trunfo do filme. Para o papel de Mariel, ela treinou saltos durante três anos. Sua atuação é primorosa. Só para lembrar, Karla Souza fez grande sucesso ao atuar na série mexicana “Verano de Amor”, em 2009. Dois anos depois, estreou no cinema com o filme “Sem Prada Nem Nada”. Também arrasou no papel de Laurel Castillo na série “How To Get Away With Murder”. Trocando em miúdos, “Mergulho” é um drama poderoso e muito esclarecedor, mais um gol de placa do cinema argentino.     

                           

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

 

“RESISTÊNCIA” (“RESISTANCE”), 2020, em cartaz na Netflix, coprodução Inglaterra/França/Alemanha/EUA, 120 minutos, roteiro e direção do cineasta venezuelano Jonathan Jakubowicz. Filme conta mais um episódio heroico ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, totalmente baseado em fatos reais. Eu já conhecia o mímico francês Marcel Marceau como um dos artistas mais famosos artistas mímicos do Século XX. Só não sabia que ele, ainda jovem, foi um herói francês, responsável pelo salvamento de milhares de crianças órfãs durante o conflito. Marcel juntou-se à Resistência francesa por intermédio de um grupo de escoteiros judeus, entregando-se de corpo e alma à luta contra os nazistas que invadiram a França. Com seus amigos da Resistência, Marcel arriscou a vida levando as crianças através dos Alpes até a Suíça. O elenco é excelente: Jesse Eisenberg, Clémence Poésy, Matthias Schweighöfer, Bella Ramsey, Vich Kerekes, Félix Moati e Karl Markovics. Destaque para as rápidas aparições de Ed Harris e do ator venezuelano Edgar Ramirez, que já havia feito “Mãos de Pedra” dirigido pelo seu conterrâneo Jonathan Jakubowicz. O lado histórico destaca ainda a presença de Klaus Barbie (Schweihöfer), oficial da SS nazista também conhecido como “O Açougueiro de Lyon” ou “O Carniceiro de Lyon. O filme é excelente, retratando um fato histórico da maior relevância e ainda por apresentar um aspecto de Marcel Marceau pouco conhecido por aqui. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.    

                           

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

 

“VINGANÇA E REDENÇÃO” (“WHITE ELEPHANT”), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Jesse V. Johnson, que também assina o roteiro com Erik Martinez e Katharine Lee McEwen. Ao longo dos meus (muitos) anos de cinéfilo amador, aprendi que um bom elenco nem sempre salva um filme. “Vingança e Redenção” comprova a minha tese. No elenco, astros como Bruce Willis, Olga Kurylenko, Michael Rooker e John Malkovich, além do ator mexicano Vadhir Derbve, que querem transformar no novo galã de Hollywood. O filme é todo centrado na policial Vanessa (Olga Kurylenko), que vira alvo de uma gangue depois de testemunhar, ao lado de seu parceiro, o assassinato de um poderoso traficante de drogas. A história também envolve a máfia russa e uma violenta gangue mexicana. Especialista em artes marciais, Vanessa terá de fugir não só dos traficantes, mas de alguns policiais corruptos que também querem sua cabeça. As cenas de ação são simplesmente risíveis, com gente caindo com atraso depois de levar um tiro, figurantes agindo de modo patético e, pior, o sangue jorrando em cascatas visivelmente feito de suco de uva, além de diálogos tão fracos que se tornam risíveis. Aqueles atores que citei atuam no piloto automático e o roteiro não ajuda em nada, pois de repente, no meio do drama, surgem algumas pitadas de humor negro fora do contexto. Trata-se de mais um dos últimos filmes do ator Bruce Willis antes de anunciar sua aposentadoria depois de descobrir que sofre de uma doença incurável (afasia). Um detalhe que eu não conhecia e muita gente não deve saber: Bruce Willis nasceu na Alemanha Ocidental, filho de um soldado norte-americano e de uma alemã. A atriz Olga Kurylenko, ucraniana naturalizada francesa, não convence como uma policial durona, já que é magra e bonita demais para o papel. John Malkovich pouco aparece, mas já dá pra ver que está mais do que na hora de se aposentar. Os únicos que se salvam são Michael Rooker (“Walking Dead, “Guardiões da Galáxia”) e o mexicano Vahir Derbez. Somando os prós e os contras, dá contras de lavada.     

                           

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

 

“LEGADO EXPLOSIVO” (“HONEST THIEF”), 2020, Estados Unidos, em cartaz na Netflix, 1h32m, roteiro e direção de Mark Williams (“Agente das Sombras”). Mais um filme de ação com o veterano ator irlandês Liam Neeson, que desde 2008, com “Busca Implacável”, se transformou em um astro do gênero. Mesmo aos 68 anos, ele ainda dá conta do recado. Desta vez, ele é Tom Carter, um assaltante de bancos bem sucedido, nunca deixou pistas, age sozinho e nunca matou ninguém. A polícia e o FBI o chamam de “Assaltante Fantasma”. Depois de dez anos praticando assaltos, ele consegue juntar 9 milhões de dólares e, incrível, jamais gastou um tostão desse dinheiro. Diz que vive da aposentadoria como fuzileiro naval. Quando conhece Annie (Kate Walsh), ele se apaixona e resolve se entregar ao FBI, prometendo devolver todo dinheiro roubado em troca de uma pena mais leve. Sua intenção é levar uma vida honesta com Annie. Só que dá tudo errado, pois dois agentes do FBI roubam seu dinheiro, matam um colega e acusam Tom pelo assassinato. Daí para a frente, Tom tentará provar sua inocência e ainda proteger sua amada dos vilões. O filme tem algumas boas cenas de ação, com explosões, tiros e perseguições, mas o ritmo não convence como uma atração típica do gênero. Completam o elenco Jai Courtney, Anthony Ramos, Robert Patrick e Jeffrey Donovan. A história carece de credibilidade. Já pensou, você tem 9 milhões de dólares, promete entregar tudo ao FBI e ainda pedir uma pena mais leve. Tudo por causa de uma feiosa cinquentona. O filme depende apenas do desempenho e carisma de Liam Neeson para salvar o entretenimento. Com uma pipoca, até que dá para assistir.    

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

 

“ARREMESSANDO ALTO” (“HUSTLE”), 2022, Estados Unidos, 1h57m, produção Netflix em parceria com o Estúdio Happy Maddison, do ator Adam Sendler, e com a Springhill Company, do craque Lebron James, direção de Jeremiah Zagar, seguindo roteiro assinado por Taylor Materne e Will Fetters. Como já deu pra perceber, o tema do filme é o basquete. Conforme o material de divulgação, trata-se de “um filme feito por fãs do basquete para os fãs do basquete”. O personagem central é Stanley Sugerman (Adam Sandler), um caça-talentos profissional do basquete que viaja o mundo inteiro com o objetivo de descobrir novos valores para a NBA, a maior liga de basquete dos Estados Unidos e do mundo. Stanley é contratado pelo time do Philadelphia 76ers. Chateado por não ter descoberto um talento de peso há vários anos, ele parte para a Europa disposto a apagar as últimas decepções. Pois é numa quadra pública de rua em Madrid que Stanley parece ter descoberto uma joia rara, o jogador amador Bo Cruz (Juancho Hernan Gomez). Nos Estados Unidos, enquanto espera a vez para participar de “peneiras” de clubes profissionais, o atleta espanhol é submetido a treinos rigorosos, lembrando aqueles a que se submetia Rocky Balboa (Sylvester Stallone). No filme de 1976. For o intenso treinamento físico, Cruz também vai encarar muito treino com bola na quadra. Também estão no elenco Queen Latifah como a esposa de Stanley, uma escalação totalmente errada, pois o casal não combina e não tem quem qualquer química entre os atores, Ben Foster, Jordan Hull e uma rápida aparição do veterano Robert Duvall. Além disso, aparecem figurantes de luxo, como ex-astros Shaquille O’Neal, Julius Irving, Charles Barkely, Dick Nowitzki e Boban Marjanovic. Continuo não gostando do ator Adam Sandler nem atuando em dramas e muito menos naquelas tantas comédias sem graça que tive a infelicidade de assistir. “Arremessando Alto” é um filme só para fãs do basquete, o que exclui grande parte do público feminino. De qualquer forma, não me convenceu.    

 

                           

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

 

“SEGREDOS DO PASSADO” (“THE DRY”), 2021, em cartaz na Amazon Prime Video, coprodução Austrália/EUA/Inglaterra, 1h57m, direção de Robert Connolly, que também assina o roteiro com Harry Cripps. A história é baseada no livro “A Seca”, de Jane Harper, publicado no Brasil em 2019 pela editora Morro Branco. A trama é centrada no agente federal Aaron Falk (Eric Bana), que volta à sua cidade natal, depois de 20 anos, para participar do funeral de um antigo amigo, que suspostamente se suicidou depois de assassinar a esposa e um dos filhos. Aaron resolve ajudar a polícia local na busca da verdade pelo que realmente aconteceu. Ao mesmo tempo, Aaron revive suas lembranças sobre uma tragédia ocorrida há 20 anos, vitimando uma de suas jovens amigas. Entre idas e vindas ao passado, através de inúmeros e cansativos flashbacks, o filme relembra os fatos que antecederam à morte da amiga. Na época, o próprio Aaron foi considerado suspeito, o que resultou na sua saída da cidade. Dessa forma, ele resolve ficar na cidade também para desvendar o mistério de 20 anos atrás, além da auxiliar a polícia a resolver o caso do amigo acusado de matar a família. O filme é muito lento, à beira do entediante, talvez para combinar com o cenário desértico do lugar, onde não chove há exatos 324 dias. Essa lentidão incomoda tanto quanto o fraco desempenho do ator Eric Bana (“Munique”, “Troia”), que passa o filme inteiro com cara de paisagem, sem nenhuma expressão que mostre qualquer emoção. Também estão no elenco Genevieve O’Reilly, Keir O’Donnell, John Polson, Sam Corlett, Bebe Bettencourt, Júlia Blake e Bruce Spence. Por incrível que pareça, o filme foi sucesso de bilheteria nos cinemas da Austrália e até já teve anunciada sua continuação, mais uma vez inspirada em um livro de Harper (“Força da Natureza”). Difícil de acreditar, pois “Segredos do Passado” é fraco, entediante e com uma história pouco convincente.            

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

 

“OS PEQUENOS VESTÍGIOS” (“THE LITTLE THINGS”), 2021, Estados Unidos, 2h08m, em cartaz na Amazon Prime Video, roteiro e direção de John Lee Hancock. Suspense policial que traz um trio de atores consagrados, todos já premiados com o Oscar: Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto. A história, ambientada nos anos 90, é centrada no policial Joe “Deke” Deacon (Washington), ex-detetive de Los Angeles e que agora é delegado adjunto do Condado de Kern. Ele é enviado a Los Angeles para uma simples coleta de provas, mas acaba se envolvendo na investigação da morte de seis mulheres. O modus operandi é o mesmo, o que indica que se trata de um serial killer. Com sua capacidade de captar pequenos vestígios, Deacon ajudará o delegado Jim Baxter (Malek) a resolver as mortes e chegar ao assassino. O ritmo do filme é um tanto lento, não há muita ação e a verborragia corre solta, em intermináveis diálogos de pouca consistência. Denzel Washington e Jared Leto não decepcionam e comprovam, mais uma vez, que são ótimos atores. Rami Malek, porém, chega a irritar fazendo biquinho, o que nos faz lembrar com seu personagem Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”, aí sim sua melhor interpretação, pela qual ganhou o Oscar. Ainda estão no elenco Natalie Morales, Olivia Washington, Sofia Vassilieva, Jason James Bichter e Michael Hyatt. “Os Pequenos Vestígios”, apesar do ótimo trio de atores, não consegue deslanchar nem como policial e muito menos como suspense. O roteiro não ajuda, culminando com um desfecho bastante duvidoso. Enfim, vale apenas pelos três atores.              

 

domingo, 25 de dezembro de 2022

 

“TRÊS CRISTOS” (“THREE CHRISTS”), 2017, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na Netflix, direção de Jon Avnet, que também assina o roteiro com a colaboração de Eric Nazarian. Cinco anos depois de ser lançado nos EUA, chega por aqui, pela Netflix, este bom drama baseado em uma história real ocorrida no final da década de 50 no hospital estadual psiquiátrico Ypsilant, no Michigan. Os fatos que contribuíram para a elaboração do roteiro foram baseados no livro “The Three Christs of Ypsilant”, escrito em 1964 por Milton Rokeach. Vamos à história. Depois de abandonar a universidade, onde era professor, o psiquiatra Alan Stone (Richard Gere) é contratado pelo hospital Ypsilant. Ele é designado para tratar de três pacientes especiais esquizofrênicos que acreditavam ser a reencarnação de Jesus Cristo: Joseph (o ator anão Peter Dinklage), Leon (Walton Goggins) e Clyde (Bradley Whitford). Embora a situação sugira uma comédia, o filme em nenhum momento parte para o humor. Pelo contrário, é tudo levado muito a sério. O dr. Alan Stone resolve enfrentar a direção do hospital no que se refere aos tratamentos tradicionais da época, como choques elétricos, lobotomia, sedação e camisa de força. Stone é favorável à terapia falada, ou seja, prefere condicionar o tratamento à interação com os pacientes por intermédio do diálogo. O ator Richard Gere, embora mantenha o carisma e o charme habituais, aparece envelhecido e pouco convincente no papel do psiquiatra. Também estão no elenco nomes conhecidos como Julianna Margulies, Kevin Pollak, Jane Alexander, Charlotte Hope e Stephen Root. “Três Cristos” é um filme bastante interessante, pois destaca como era o tratamento um tanto desumano aplicado na época aos pacientes psiquiátricos. Filme pode ser indicado, principalmente, para estudantes de psicologia e psiquiatria, embora sirva também como um bom programa para os espectadores comuns.