
sexta-feira, 17 de agosto de 2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018
“HONRA AO MÉRITO” (“THANK YOU FOR YOUR SERVICE”) – já vi capinha de DVD do mesmo filme com o título “Marcas
da Guerra” – 2017, EUA, estreia na direção de Jason Dean Hall. Um dos melhores
filmes que já vi sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), distúrbio
ou perturbação mental que
atinge,
principalmente, os soldados que retornam de uma frente de guerra. Um aspecto
que valoriza ainda mais esse filme é o fato de ter sido baseado em fatos reais
narrados no livro escrito pelo jornalista David Finkel, do Jornal Washington
Post. A história é centrada em três soldados que voltaram do Iraque após um
período de um ano e três meses. Traumatizados com o que viram e com o que
vivenciaram, eles têm pesadelos diários, dificuldade de se socializar, inclusive
com a própria família, e muitos deles com tendências suicidas. O personagem
principal é o sargento Adam Schumann (Miles Teller), que se sente responsável
por alguns fatos trágicos ocorridos com seu pelotão. O filme revela, de uma
forma contundente, um fato um tanto desconhecido para nós: o governo
norte-americano não valoriza muito os seus veteranos de guerra – sinta a ironia
do título original. São milhares de soldados que precisam de ajuda psicológica
e que entram numa fila pior que o nosso SUS para comprovar que realmente
estiveram numa zona de guerra e precisam de ajuda. O ator Miles Teller, do espetacular “Whiplash:
Em Busca da Perfeição, de 2014, comprova mais uma vez sua competência, num
papel que exige um forte tom dramático. O filme é muito bom, sério,
esclarecedor, um gol de placa do estreante diretor Jason Dean Hall, mais
conhecido como excelente roteirista. É dele, por exemplo, o roteiro do ótimo “Sniper Americano”, de
2014.
domingo, 12 de agosto de 2018
O drama alemão “EM
PEDAÇOS” (“AUS DEM NICHTS”), 2017, roteiro e direção do turco radicado na
Alemanha Fatih Akin, conta a história de Katja Sekerci (Diane Kruger), uma
mulher atingida por uma terrível tragédia: a morte de seu marido Nuri Sekerci
(Numan Acar) e do filho Rocco num atentado terrorista. No início das
investigações, a polícia descobre que o marido de Katja,
um imigrante turco, havia cumprido pena por tráfico de drogas e, a partir daí,
passa a desconfiar que o assassinato tem a ver com alguma vingança de
traficantes. Enquanto a polícia investiga, Katja entra em depressão, passa a
beber e a usar drogas, contando apenas com o apoio de sua amiga Birgit (Samia
Chancrin) e do advogado amigo da família Danilo Fava (Denis Moschitto). Depois
de algum tempo, a polícia alemã consegue prender os terroristas, um jovem casal
ligado ao movimento neonazista. Eles vão a julgamento e são defendidos pelo
advogado Vertidiger Haberbeck (o ótimo Johannes Krisch), enquanto a acusação fica
a cargo do advogado Danilo. O resultado do julgamento é anunciado e Katja não
se conforma, o que a leva a planejar uma vingança com as próprias mãos. A parte
final do filme é repleta de suspense, culminando com um desfecho dos mais surpreendentes
e chocantes. A atuação da atriz alemã Diane Kruger como a viúva arrasada é
sensacional, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de
Cannes. O filme é ótimo, como comprovam a conquista do Globo de Ouro como
Melhor Filme Estrangeiro e a indicação como representante da Alemanha ao Oscar
2018. Como ganhou o Globo de Ouro, esperava-se que ficasse entre os cinco
finalistas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, o que, surpreendentemente, não
aconteceu. Resumo da ópera: um filmaço!
sábado, 11 de agosto de 2018
“EUTANÁSIA” (“Armomurhaaja” – pesquisei a tradução
literal: “A Graça de Assassino"), 2017, Finlândia, roteiro
e direção de Teemu Nikki. Trata-se de
uma comédia de humor negro centrada num mecânico de meia-idade, Veijo Haukka
(Matti Onnismaa), que utiliza as dependências de sua oficina para sacrificar
animais domésticos. As pessoas levam seus bichinhos para Veijo porque ele cobra
o “serviço” muito mais barato do que a veterinária do vilarejo. Ele utiliza dois
métodos: um tiro na cabeça do animal ou asfixia por gás. O solitário e esquisito
Veijo é metido a psicólogo de bichos. Ele analisa cada um deles antes de sacrificá-lo
e diz se ele foi feliz ou não, bem tratado ou não. Em meio a esse trabalho,
Veijo faz visitas ao pai que está para morrer e encontra tempo para ter um caso
com a enfermeira do hospital, uma jovem completamente biruta. Além disso, o
filme ainda destaca um grupo de alienados neonazistas que se intitulam “matadores
de negros”. Que fique claro que a matança dos animais não é explícita, mas
apenas sugerida. Mesmo assim, não é nada agradável imaginar o que acontece. Na verdade,
o filme é mórbido demais, desagradável de assistir. Mesmo assim, depois de
estrear no Festival de Toronto 2017, venceu os prêmios de Melhor Roteiro e
Melhor Música no Jussi 2018, o Oscar finlandês, onde também foi indicado como
Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante. Aqui no Brasil, foi exibido
na programação da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro
de 2017. Só para espectadores com estômago forte.
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
“O FANTASMA DA SICÍLIA” (o título original ficou sendo “Sicilian Ghost Story”,
talvez para facilitar a entrada do filme nos países de língua inglesa – achava mais legal se o título fosse em italiano, "Il Fantasma Della Sicilia" em tradução literal), 2017, Itália, escrito e dirigido por Fabio Grassadonia e Antonio Piazza,
os mesmos de “Salvo” (2013). O pano de fundo é o assustador predomínio da Máfia na Sicília
nos anos 80. O garoto Giuseppe, de 13 anos, some misteriosamente numa floresta
próxima ao vilarejo onde mora. Na verdade, como se poderá verificar no
transcorrer da história, o adolescente foi sequestrado pela máfia siciliana em
represália às delações de seu pai, também integrante da organização criminosa.
Para amenizar o contexto trágico, Grassadonia e Piazza construíram o roteiro
baseados no romance entre Giuseppe (Gaetano Fernandez) e Luna (a estreante
Julia Jedlikowska). Os dois tinham uma
ligação muito forte de amizade que depois se transformou em paixão juvenil
antes do desaparecimento do garoto. Durante os dois anos seguintes, Luna jamais
esqueceu de Giuseppe, tentando encontrá-lo de tudo o que é jeito. O filme vira
uma fábula diante da fantasia de Luna em imaginar o encontro com seu grande amor,
em cenas que os diretores transformaram em bela poesia visual. O filme é bom,
mas talvez arrastado demais. Nos créditos finais aparece a explicação de
que o filme é dedicado a Giuseppe Di Matteo (1981-1996), um jovem sequestrado e
assassinado pela máfia siciliana, o caso real em que a história é baseada. “O Fantasma da Sicília”
foi escolhido para abrir a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2017, além de ter conquistado o prêmio de melhor roteiro no Festival de Sundance (EUA). Por aqui, foi exibido, também em 2017, durante a programação do Festival do Cinema Italiano, realizado em oito cidades brasileiras.
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
“EM BUSCA DA LIBERDADE” (“ON WINGS OF EAGLES”), 2017, China/EUA, roteiro e direção da dupla Stephen
Shin e Michael Parker. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a vida do corredor
escocês Eric Liddell, medalha de ouro nos 400 metros da Olimpíada de Paris, em
1924. Uma parte da biografia de Liddell já havia sido apresentada em “Carruagem
de Fogo”, Oscar de melhor filme em 1981. No filme “Em Busca da Liberdade”, o
enfoque é dado ao trabalho de missionário presbiteriano que Liddell desenvolveu
na China anos depois da medalha de ouro, dando aulas para crianças das
comunidades pobres. Em 1941, porém, quando a China é invadida pelo Japão, Liddell
sofrerá na pele as consequências da guerra, sendo preso e muitas vezes
torturado num campo de concentração japonês destinado a norte-americanos e
britânicos. Vale a pena assistir porque a história é bastante interessante,
principalmente por apresentar o empenho de um astro do esporte num esforço de
solidariedade humana. Um exemplo e tanto!
domingo, 5 de agosto de 2018
Representante oficial da
Lituânia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o drama “FROST”
(“Serksnas”), escrito e dirigido por Sharunas Bartas, conta a história de
um casal de namorados, Rokas (Mantas Janciaauskas) e Inga (Lyja Maknaviciute),
que aceita o pedido de um amigo para conduzir uma van com ajuda humanitária –
roupas e mantimentos – para a população civil da Ucrânia. Na verdade, o estilo
é de um road movie, saindo da Lituânia,
passando pela região fronteiriça da Polônia, até chegar à Ucrânia. No meio do
caminho, eles encontram vários personagens com os quais conversam sobre a
situação de conflito na Ucrânia e na Crimeia. Um desses personagens é a
jornalista Marianne (participação especial da atriz francesa Vanessa Paradis,
ex-mulher do ator Johnny Depp). A viagem dos namorados transcorre em meio a
cenários gélidos, estradas sob a neve e, provavelmente, a muitos graus abaixo
de zero. É angustiante acompanhar os viajantes por esses cenários melancólicos.
O desfecho transforma-se num suspense de grande tensão, pois Rokas se perde
pelo caminho e vai parar direto na violenta zona de conflito bélico separatista
da Ucrânia. O ritmo do filme é extremamente lento, o que, no resultado final,
não prejudica sua qualidade como cinema. Mas é bom esclarecer: não é um filme
para neófitos. Estreou e foi uma das atrações da Quinzena de Realizadores do
Festival de Cannes 2017.
sábado, 4 de agosto de 2018
“ASSASSINO EM SÉRIE” (“Xin Li Zui Zhi Cheng Shi
Guang”), 2017, China, roteiro e direção de Xu Jizhou
(seu primeiro longa-metragem). Confesso que fiquei em dúvida: assisto ou não
assisto? Afinal, não tinha referências, nem do diretor nem dos atores, ainda
mais um policial chinês. Decidi conferir e, para minha surpresa, acabei
assistindo a um ótimo filme policial, com muita ação, suspense e cenas bastante
criativas – a sequência inicial, uma perseguição na roda gigante de um parque
de diversões, é espetacular. A história é centrada na busca de um serial killer
que se intitula “A Luz da Cidade”, um psicopata metido a justiceiro que mata
pessoas que cometeram crimes e que conseguiram escapar da polícia e da justiça.
Para tentar identificá-lo e prendê-lo, entram em ação o psicólogo criminal Fang
Mu (Chao Deng) e a especialista forense Mi Nan (Liu Shishi). Com seu grande poder de dedução, Fang Mu consegue
chegar a um suspeito dos mais evidentes, mas precisa provar que ele é o
assassino. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho, incluindo uma briga
das mais sangrentas entre o vilão e o mocinho. A história é baseada no livro
homônimo escrito por Mi Lei, um professor de psicologia criminal na China
Police University. Um ótimo programa para quem curte filmes policiais.
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
Mais um filme argentino
para dar inveja a nosotros: “A
CORDILHEIRA” (“La Cordillera”), 2017, roteiro e direção de Santiago
Mitre. Trata-se de um drama político, tendo como pano de fundo uma conferência
dos presidentes latino-americanos no Chile, cujo principal objetivo é discutir
e aprovar um tratado de compra e venda de petróleo entre as nações
participantes. O astro Ricardo Darín é novamente o protagonista principal, no
papel do presidente argentino Hernán Blanco. O filme é quase todo destinado a
mostrar os bastidores da cúpula, as intrigas e negociatas por trás do pano. Participam
da reunião e têm papel de destaque, além do presidente argentino, o presidente do
Brasil, Oliveira Prette, (o ator brasileiro Leonardo Franco), a presidente do
Chile, Paula Sherson (Paulina Garcia), e líderes de outros países, sem falar na
presença, na calada da noite, do representante do governo dos EUA, Dereck McKinnley
(Christian Slater em participação especial), este último apresentado como um
sujeito arrogante e sem escrúpulos com muitos dólares para comprar votos. O
presidente do Brasil também não é mostrado de forma muito simpática, mas
autoritário e um tanto ignorante (lembraram de alguém?). Em meio ao estresse
político da reunião, onde cada presidente é obrigado a firmar uma posição, o
indeciso presidente argentino ainda tem de administrar as atitudes de sua filha
Marina Blanco (Dolores Fonzi), uma jovem com graves problemas psicológicos. Achei
o filme muito bom e destaco principalmente os cenários deslumbrantes da
Cordilheira dos Andes, um show de visual. Para dar mais crédito à minha opinião sobre o filme, lembro que o jovem
diretor Santiago Mitre, de 37 anos, é o mesmo do excelente “Paulina”. Mas sua
qualidade maior é como roteirista, como provam filmes como “Leonora”, “Elefante
Branco”, “Paulina” e, principalmente, “Abutres”. “A Cordilheira” foi
exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em
outubro de 2017, e participou da mostra “Um Certain Regard” no Festival de
Cannes 2017.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
“A MÚSICA DO SILÊNCIO” (“La
Musica del Silenzio”), 2017, Itália, direção do inglês Michael Radford, que
também escreveu o roteiro com a ajuda de Anna Pavignano. O filme é baseado na
autobiografia do tenor italiano Andrea Bocelli. No filme, seu nome foi substituído
por Amos Bardi – não entendi o porquê. Desde o seu nascimento, em 1958, a
descoberta da doença que o deixará cego anos mais tarde, sua experiência como
cantor de restaurante, sua primeira namorada, suas aulas de música e canto até o sucesso mundial após
vencer o Festival de San Remo, em 1994, o filme acompanha a vida de Bocelli com
uma trilha sonora de altíssima qualidade, principalmente as árias de ópera. O
diretor Michael Radford, como já demonstrara no ótimo “O Carteiro e o Poeta”,
dirige o filme com muita sensibilidade, como a história merece. Afinal, Bocelli
sempre batalhou para conseguir o seu lugar, ganhar seu próprio dinheiro e pagar suas aulas de canto e a Faculdade de Direito que o formou advogado, profissão que nunca exerceu. A
música sempre foi o seu objetivo maior e, como talento lhe sobrava, conquistou um
espaço de destaque no mundo da música. Fazem parte do elenco Toby Sebastian (o
jovem Bocelli), Jordi Mollà (o pai), Luisa Ranieri (a mãe) e Ennio
Fantastichini (o tio e grande incentivador). O verdadeiro Bocelli aparece em
algumas cenas, além de narrar alguns episódios de sua vida. Pena que o vídeo
que assisti é falado em inglês e não na língua original, o italiano. De qualquer
modo, é um filme bastante comovente. Não entendo como não chegou por aqui para ser exibido no circuito comercial. Uma pena, pois é imperdível!
domingo, 29 de julho de 2018
“TUDO COMEÇA NO BROOKLYN” (“First We Take Brooklyn”), 2018, EUA, filme de estreia como roteirista e
diretor do ator israelense Danny A. Abeckaser, que também atua como o
personagem principal. Ele é Mikki, um presidiário que cumpre pena perpétua numa
prisão de segurança máxima em Israel. Numa brecha da lei, seus advogados conseguem
sua libertação após 18 anos preso. Ao sair da penitenciária, Mikki resolve
mudar para Nova Iorque, onde vai morar com seu tio (Eli Danker). Ele procura
emprego e acha um no restaurante de Avi (Guri Weinberg), amigo de seu tio. Só
que tem um porém: Avi é obrigado a pagar uma pesada taxa mensal a uma gangue
russa chefiada por Anatoly (Harvey Keitel). A coisa começa a ficar fora de
controle quando o tio de Mikki é espancado pela gangue. Mikki resolve se vingar e organiza uma gangue para combater os russos. Começa a traficar cocaína, roubada dos russos, é aí a guerra é declarada. Não é nenhuma maravilha como filme, mas garante
um bom entretenimento para uma tarde com pipoca. Ah, e tem no elenco, num papel de destaque, uma das mais bonitas atrizes norte-americanas da atualidade: AnnaLynne McCord, um colírio.

sábado, 28 de julho de 2018
“SUBMERSÃO” (“Submergence”), 2017, EUA, direção de Win Wenders, com roteiro de Erin
Dignam, que se baseou, para escrevê-lo, no livro homônimo escrito pelo autor
inglês J. M. Ledgard. É uma história de amor, reunindo como personagens
principais a pesquisadora oceanográfica Danielle Flinders (a atriz sueca Alicia
Vikander) e o agente secreto britânico James Moore (o ator escocês James
McAvoy). Antes de suas respectivas missões – ela no Ártico, para estudar as
profundezas do oceano e ele num trabalho de espionagem na Somália -, eles se conhecem
num hotel à beira-mar e durante dias conversam, vão para a cama e, por fim, claro, se
apaixonam perdidamente. Depois que eles se separam para cumprir suas
respectivas missões, o filme praticamente se divide em dois, alternando-se entre
as atividades dela no Ártico e a prisão de Moore logo que ele chega à Somália.
Jihadistas africanos resolvem torturá-lo de forma cruel, mantendo-o na prisão
na pior condição possível. O único elo entre os dois amantes é o mar, uma
forçada de barra do autor da história. O cultuado diretor alemão Win Wenders, de “Paris,
Texas” e “Asas do Desejo”, seus dois melhores filmes, ficou devendo desta vez. E
não sou apenas eu que está dizendo isso. Quando o filme estreou, no Festival Internacional
de Cinema de Toronto/2017, os críticos especializados também não gostaram.
sexta-feira, 27 de julho de 2018

quinta-feira, 26 de julho de 2018
O drama nacional “AOS
TEUS OLHOS”, 2017, Globo Filmes, traz à tona um assunto muito em
evidência: a pedofilia. O filme foi escrito por Lucas Paraízo, cuja inspiração
surgiu da peça teatral “O Princípio de Arquimedes”, do dramaturgo espanhol
Josep Maria Miró. A direção é de Carolina Jabor (filha do Arnaldo), que já
havia mostrado qualidade no excelente “Boa Sorte”, de 2014. A história: Rubens
(Daniel de Oliveira) é um professor de natação de um clube carioca. Todos
gostam dele. Até que um dia um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), revela
à sua mãe Marisa (Stella Rabello) que Rubens o levou ao vestiário e deu-lhe um
beijo na boca. Rubens nega de pés juntos para a diretora do clube, Ana (Malu
Galli), que se vê na posição de um marisco, entre o mar (os pais de Alex) e a rocha (o professor).
Não havia testemunhas e nem câmeras para comprovar o que realmente aconteceu,
mas a vida do professor vira um verdadeiro inferno depois que Marisa denuncia o
fato no WhatsApp e depois no Facebook, promovendo um linchamento virtual dos mais
cruéis. Mas afinal, quem está falando a verdade? Você fica esperando a resposta
no desfecho, mas ela não vem. Cabe ao espectador decidir. “Aos Teus Olhos”
estreou durante o 19º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em outubro
de 2017. Ainda completa o elenco o ator Marco Ricca. Uma informação adicional: Carolina Jabor é casada com Guel Arraes,
badalado diretor da Globo. Uma dica: o drama dinamarquês “A Caça”, de 2012, dirigido
por Thomas Vinterberg, explora o mesmo tema de forma muito mais convincente. Tanto é que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e representou a Dinamarca no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Quem gosta de violência e
pancadaria vai adorar “GUERREIRO DA ESCURIDÃO” (“Underverden” – nos países
de língua inglesa, ganhou o título de “Darkland”), Dinamarca, 2017, direção
do checo Fenar Ahmad, que também escreveu o roteiro juntamente com Adam August.
O médico cirurgião Dr. Zaid (Dar Salim) é bastante conceituado em Copenhague. Vive
um casamento feliz, sua esposa está grávida e, além disso, convive em total harmonia com os
pais, imigrantes iraquianos. Como em toda família, porém, existe uma ovelha
negra, no caso o irmão mais novo de Zaid, Yazin (Anis Alobaidi), metido com
traficantes de drogas. Ameaçado de morte por dever dinheiro a uma gangue, Yazin
recorre a Zaid para conseguir uma grana para pagar a dívida - bem alta, aliás. Zaid se
recusa a ajudar o irmão, que dias depois aparece morto. Aliás, cruelmente
morto, com sinais evidentes de tortura e muito sofrimento. Sentindo-se
responsável pela tragédia, Zaid parte para a vingança, utilizando armas de fogo
e seus conhecimentos de carateca faixa-preta. Ele vai bater e apanhar muito, em
sequências de ação muito bem elaboradas e realistas. O ator iraquiano Dar Salim
já demonstrou sua competência em filmes como os ótimos “O Dublê do Diabo” e “Guerra”.
O filme teve sua primeira exibição no Festival Internacional de Moscou, sendo elogiado
tanto pelo público como pela crítica especializada. Eu gostei e recomendo.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
“12 HERÓIS” (“12 Strong”), EUA, 2018, direção do dinamarquês Nicolai Fuglsig.
O filme é baseado em fatos reais, ou seja, a primeira missão militar dos
Estados Unidos logo após o atentado contra as Torres Gêmeas, em setembro de
2001. Com o objetivo de dar uma pronta resposta ao ataque perpetrado por
terroristas da Al-Qaeda a mando de Osama Bin Laden, as Forças Especiais dos EUA
designaram 12 soldados de elite, sob o comando do capitão Mitch Nelson (Chris
Hemsworth), para ingressar no Afeganistão, tentar destruir algumas bases dos
talibãs e, quem sabe, descobrir o paradeiro de Bin Laden. Ao serem
desembarcados, os soldados norte-americanos se uniram a uma tropa afegã
insurgente comandada pelo General Dostum (David Negahban). E lá foram eles, alguns
montados a cavalo, em busca dos terroristas talibãs. A partir daqui, haverá
muito enfrentamento, tiros e explosões em excelentes sequências de ação. Tudo o
que você verá na telinha foi baseado no livro “12 Heróis – As Forças Especiais
que fizeram História”, escrito pelo jornalista Doug Stanton, também autor do roteiro adaptado para o cinema. Para garantir a
veracidade dos fatos mostrados no filme, o diretor Fuglsig contou com a colaboração
direta dos próprios 12 soldados que participaram daquela ação. Realmente, eles
foram muito corajosos para encarar a perigosa missão e, exatamente por isso
talvez, o filme tenha exagerado no tom patriótico, como é feitio de Hollywood. Também
estão no elenco Michael Shannon, Michael Peña, a atriz espanhola Elsa Pataky e William Fichiner.
domingo, 22 de julho de 2018

sábado, 21 de julho de 2018
“O PODER DA MÚSICA” (“Una Vida: A Fable of Music
and The Mind”), 2014, EUA, drama independente
dirigido por Richie Adams, baseado no livro homônimo escrito pelo neurocientista
Nicolas Bazan, que ajudou a escrever o roteiro. O dr. Álvaro Cruz (o ator português
Joaquim de Almeida), conceituado neurologista, acaba de perder a mãe que sofria
do Mal de Alzheimer. Abalado pela repentina morte, dr. Cruz resolve dar um
tempo no seu trabalho e passa a perambular pelas ruas de Nova Orleãns, no French Quarter, onde conhece
a cantora Una Vida (Aunjanue Ellis), que se apresenta com o violonista Stompleg
(um velho e alquebrado Bill Cobbs). Com sua experiência, dr. Cruz percebe que Una
Vida apresenta um quadro parecido com o de sua mãe, ou seja, ela está sofrendo
do mal de Alzheimer. Com a amizade e a convivência com a dupla de artistas, dr.
Cruz chega à conclusão de que Una Vida tem os efeitos da doença atenuados
quando canta ou ouve música e resolve tratá-la da melhor forma possível, mesmo
sabendo que a cura é impossível. A dedicação do dr. Cruz em tratar de Una Vida é
o foco principal do filme, que tem tudo para emocionar os espectadores mais
sensíveis. O ator Joaquim de Almeida aceitou o papel porque teve um caso de Alzheimer na família.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
“DJANGO”, 2016, França, primeiro
filme dirigido por Etienne Comar. A história é baseada no livro “Folles of
Django”, escrito em 2012 por Alexis Salatko, responsável pelo roteiro adaptado
para o cinema. O “Django” do título refere-se ao lendário guitarrista de jazz
Django Reinhardt (1910-1953), que durante as décadas de 30 e 40 dominou o
cenário musical da Europa com o “Quintette du Hot Club de France” – quando da
sua fundação, em 1934, o grupo tinha como integrante o violinista Stéphane
Grappelli. O filme limita-se a enfocar os primeiros anos da década de 40, durante a
Segunda Guerra Mundial, quando Django – já muito famoso na época - e sua
família, por suas raízes ciganas, foram perseguidos pelos nazistas na França. Django,
interpretado com maestria pelo ator Reda Kateb, era conhecido como “O Pai do
Jazz na Europa” e tinha como uma de suas características principais o fato de
tocar com apenas dois dedos da mão esquerda, por causa de um ferimento causado
por queimaduras durante um incêndio quando tinha 18 anos. Os alemães adoravam o
músico, mas mesmo assim acabaram por persegui-lo. Embora contra sua vontade,
Django foi obrigado a se apresentar na Alemanha para a alta cúpula nazista,
pensando que, com isso, deixariam sua família e seus amigos ciganos em paz.
Ledo engano. “Django” foi escolhido para ser exibido na abertura do 67º
Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, sendo
recebido pela crítica com alguma indiferença. Eu, ao contrário, adorei. Achei
ótimo. Só para lembrar: o diretor Etienne Comar é mais conhecido como
roteirista de excelentes filmes como “Homens e Deuses”, “Meu Rei” e “Os Sabores
do Palácio”.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
“GRINGO – VIVO OU MORTO” (“Gringo”), 2018, coprodução EUA/Austrália, roteiro de Anthony
Tambakis e Matthew Stone, direção de Nash Edgerton. Um misto de ação e comédia,
com um elenco dos mais estrelados: David Oyelowo, Charlize Theron, Joel
Edgerton (irmão do diretor), Thandie Newton, Sharlto Copley e Amanda Seyfried. Vamos
à história: Harold Soyinka (Oyelowo) ocupa um alto cargo na empresa comandada
pelos sócios Richard Rusk (Edgerton) e Elaine Markinson (Theron), na verdade
dois vigaristas. Harold vive sérios problemas financeiros e, sem querer, descobre
que será demitido e, pior, que sua mulher anda pulando a cerca. Numa viagem de
negócios ao México, Harold imagina ter encontrado a solução para os seus
problemas: inventar o próprio sequestro e arrancar dinheiro de Richard e Elaine.
Aí começa uma grande confusão, que envolverá até uma quadrilha de um cartel de
drogas mexicano. Se Charlize Theron é a bela, a fera é o ator
britânico/nigeriano Oyelowo, que mostra sua grande versatilidade também num
papel cômico. Charlize, linda como sempre, também dá seu show, fazendo o papel
de loira fatal pilantra. Resumo da ópera: o filme consegue alcançar o seu
principal objetivo, que é o de divertir, motivo suficiente para recomendá-lo.
terça-feira, 17 de julho de 2018
“O SOLDADO DESCONHECIDO” (“Tuntematon Sotilas”), 2017, dirigido por Aku Louhimies. É o filme mais
caro já realizado na Finlândia, ao custo de 7 milhões de euros, atores
renomados do país e centenas de figurantes, além de locações com baixas
temperaturas e de difícil acesso, sem falar nas ótimas sequências de ação. Trata-se de um épico de guerra, cuja história é baseada no livro
escrito por Väinö Linna, lançado em 1954, cujo título é o mesmo do original do
filme, sendo adaptado para o cinema com roteiro do próprio diretor. A história
começa em 1941, em meio à Segunda Guerra Mundial, quando o exército finlandês
resolve invadir o território fronteiriço da União Soviética com o objetivo de
reconquistar as regiões tomadas pelos russos, entre elas a Carélia Oriental, durante
a chamada “Guerra de Inverno” (novembro de 1939 a março de 1940). Como a
história nos ensinou, Stalin invadiu a Finlândia com o intuito de conquistá-la,
mas houve uma forte e corajosa resistência dos finlandeses, culminando com o
recuo dos soviéticos e a assinatura de um tratado de paz, que durou pouco.
Então, em 1941, os finlandeses partiram para o contra-ataque, tentando
recuperar os territórios perdidos. Essa missão quase suicida é o foco desse
excelente filme, que, embora tenha a longa duração de três horas, em nenhum
momento é cansativo. Pelo contrário, é recheado de muita ação e suspense,
valorizando um fato histórico mundial da maior importância. Filmaço imperdível!
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