quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Depois de “O Sexto Sentido”, de 1999, o então jovem diretor indiano M. Night Shyamalan foi aclamado como um futuro gênio do cinema. Em seguida, porém, escreveu e dirigiu filmes medianos e de qualidade duvidosa, como “Corpo Fechado”, “A Vila”, “Sinais” e “A Dama na Água”, entre outros. No seu mais recente filme, “A VISITA” (“The Visit”), EUA, 2015, Shyamalan experimenta um terror mais explícito. Becca (Olivia DeJonge) e seu irmão Tyler (Ed Oxebould), jovens adolescentes, são enviados pela mãe (Kathryn Hahn) para passar uma semana na fazenda dos avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), com os quais não tem contato há 15 anos, depois de uma briga familiar que a obrigou a sair de casa. Logo que chegam, Becca e Tyler percebem que algo de muito estranho está acontecendo e resolvem, claro, investigar. E só no último dia, depois de uma semana de muita tensão, acabam descobrindo um grande segredo e terão que correr para se salvar. O diretor indiano utiliza o recurso da câmera amadora, como em “A Bruxa de Blair”, e dá a entender que quem a manuseia é Becca e o irmão. Como terror, até que o filme funciona, pois proporciona suspense e alguns bons sustos. Nada a mais, porém, que justifique uma recomendação entusiasmada. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

 

 “SEGUNDA CHANCE” (“EN CHANCE TIL”), 2014, Dinamarca, é um drama bastante pesado, com altas doses de suspense, muita tensão e reviravoltas. Mais um bom filme dinamarquês a ser visto. Andreas (Nikolaj Coster-Waldau, da série Game of Thrones) é policial, casado com Anna (Maria Bonnevie) e pai de um bebê. Ao atender a uma chamada de briga doméstica, Andreas e seu parceiro Simon (Ulrich Thomsen) encontram Tristan (Nikolaj Lie Kaas) e Sanne (May Andersen) completamente drogados e fazendo o maior escândalo. Tristan é um ex-presidiário que acabou de sair da cadeia. Os policiais encontram o bebê do casal em péssimas condições. A cena é chocante. Por causa de uma tragédia pessoal envolvendo sua esposa e seu filho Alexander, Andreas acabará se ligando ao casal de drogados, numa trama que deixará o espectador ansioso para descobrir o que acontecerá no final. O elenco, constituído por alguns dos melhores atores dinamarqueses do momento, é o grande trunfo do filme, ainda mais valorizado pela direção de Susanne Bier, consagrada com o Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro pelo excelente “Em um Mundo Melhor”.                 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A comédia dramática francesa “EM UM PÁTIO DE PARIS” (“DANS LA COUR”), 2014, começa de forma leve, até engraçada, mas, aos poucos, vai adquirindo tons dramáticos, culminando num desfecho trágico. A história: por causa de uma crise depressiva, o músico quarentão Antoine (Gustave Kervern) abandona sua banda de rock e vai trabalhar como zelador de um antigo edifício em Paris. Com seu jeito bonachão, cativa os moradores, fazendo amizade com alguns deles, como Mathilde (Catherine Deneuve), esposa do síndico e também depressiva, e Stéphane (Pio Marmai), um ex-jogador de futebol agora viciado em drogas. Antoine terá uma ligação mais forte com Mathilde. Um é mais depressivo que o outro e, juntos, tentarão superar seus traumas. Mais do que uma comédia dramática, trata-se de uma comédia melancólica, como melhor definiu o crítico Rubens Ewald Filho. O filme é muito bom e a presença da diva Catherine Deneuve é um motivo a mais para uma visita. O roteiro e a direção levam a assinatura do diretor tunisiano Pierre Salvadori, que já concebeu filmes bem mais leves, como as comédias românticas “Uma Doce Mentira” e “Amar não tem Preço”.  

domingo, 20 de dezembro de 2015

“VIRANDO A PÁGINA” (“The Rewrite”), 2015, EUA, é uma comédia romântica que traz no papel principal um dos especialistas no gênero, o galã inglês Hugh Grant. Ele interpreta Keith Michaels, um roteirista que já foi sucesso em Hollywood, tendo até conquistado um Oscar, mas que há muitos anos não emplaca um sucesso. Com muitas dívidas, aceita, muito a contragosto, a sugestão de sua agente para dar aulas de Roteiro na Universidade de Binghamton (Estado de Nova Iorque). Chegando lá, arrumou briga com a coordenadora Mary Weldon (Allison Janney) por causa de Jane Austen, se envolveu com uma aluna, Karen (Bella Heathcote), e se enrabichou por outra aluna mais velha, Holly Carpenter (Marisa Tomei). Destaque para o ator J.K. Simmons, que interpreta o diretor da universidade. Hugh Grant continua com o charme e a competência de sempre, além do ar jovial que sempre encantou suas fãs, embora as rugas denunciem seus 54 anos. A direção é de Marc Lawrence, que já dirigiu Grant em seus três outros filmes, “Letra e Música”, “Cadê os Morgan?” e “Amor à Segunda Vista”. O filme é bastante leve e engraçado. Indicado para uma sessão da tarde com pipoca. Quem quiser conhecer melhor o talento de Grant para a comédia, assista “Mickey Olhos Azuis”, de 1999.                

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ao estrear (fora de competição) no Festival de Cannes 2015, o drama erótico francês “LOVE”, escrito e dirigido pelo argentino Gaspar Noé, provocou enorme polêmica. Não apenas pelas inúmeras cenas de sexo explícito e pelo cartaz obsceno (foto), mas por ter sido feito para ser visto em 3D. O filme é muito fraco e foi, com justiça, execrado pelo público e pelos críticos. Por que uma produção tão medíocre consegue espaço num festival importante como Cannes?  A história: Murphy (o ator norte-americano Karl Glusman, de “Tropas Estelares”) recebe um telefonema da mãe de sua ex-namorada Electra (Aomi Muyock). Ela diz que a filha está desaparecida e que está muito preocupada. O telefonema desencadeou em Murphy um processo de depressão profunda, causada pelas lembranças dos momentos dele com Electra. Momentos recheados de sexo, experiências com novos parceiros e diálogos com a profundidade de um pires. Aliás, as camisinhas utilizadas pelo ator têm mais conteúdo do que o filme inteiro. Do trio central de protagonistas, o único ator profissional é Glusman. A suíça Muyock é modelo, assim como a dinamarquesa Klara Kristin, a outra ponta do triângulo amoroso. O argentino Gaspar Noé já havia criado polêmica em 2002, quando apresentou, também em Cannes, o drama “Irreversível”, com a diva Monica Bellucci. Enfim, um filme descartável, como as camisinhas de Murphy.

sábado, 12 de dezembro de 2015

“OS 33” (“The 33”), uma co-produção EUA/Chile, 2014, reconstitui o drama vivido por 33 mineiros que ficaram soterrados abaixo de 700 metros abaixo do nível do mar durante mais de dois meses, em 2010, numa mina de ouro e cobre situada no deserto chileno do Atacama. O mundo inteiro acompanhou, minuto a minuto, as tentativas de resgate, a agonia das famílias e o emocionante desfecho daquela que se anunciava como uma tragédia consumada. Um fato tão espetacular não poderia ter sido deixado de lado por Hollywood. A diretora mexicana Patricia Riggen foi contratada para tocar o projeto e se inspirou, para escrever o roteiro, no livro do jornalista norte-americano Hector Tobar. Riggen contou com um elenco de astros como Antonio Banderas, Juliette Binoche, Mario Casas, Gabriel Byrne, James Brolin, Lou Diamond Phillips e, vá lá, Rodrigo Santoro. Embora mais pareça um modelo num editorial de moda no deserto, o ator brasileiro até que está bem como o ministro chileno da Energia Laurence Golborne, responsável pela coordenação do trabalho de resgate. O papel de Juliette Binoche, como irmã de um dos mineiros soterrados, era para ser de Jennifer Lopez, que desistiu na última hora. Aliás, o tapa que Binoche deu na cara de Santoro não foi truque, doeu mesmo, segundo o ator. O filme é muito bem feito, inclusive as cenas iniciais de muita tensão que mostram como o acidente aconteceu. As cenas do final do resgate também são muito comoventes. Não recomendado para espectadores com claustrofobia.   

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Em seus últimos filmes, Al Pacino não conseguiu papeis à altura do seu enorme e reconhecido talento. Em “NÃO OLHE PARA TRÁS” (“DANNY COLINS”), 2015, EUA, porém, ele finalmente se redime, dando um show de interpretação na pele de Danny Colins, um veterano astro da música folk. Em 1971, quando surgiu como grande revelação no cenário musical dos EUA, Colins deu uma entrevista em que diz temer a influência da indústria fonográfica sobre o seu talento de compositor. Depois dessa entrevista, ninguém menos do que John Lennon escreveu uma carta para ele incentivando-o a continuar compondo e a não se deixar levar pelo poder das gravadoras. Só que a carta só chegará a Collins muitos anos depois, o que o fará repensar sobre o rumo que tomou - e poderia ter tomado - sua carreira e sua vida particular. No final da carta, Lennon pede que Collins ligue para ele para conversar. Collins não teve essa oportunidade. O roteiro e a direção são do estreante Dan Fogelman, que baseou sua história num personagem que realmente existiu, o cantor e compositor inglês Steve Tilston, ao qual foi destinada a carta de Lennon, fato que realmente aconteceu. Espere os créditos finais para conhecê-lo. O filme é ótimo, valorizado por um elenco em que se destacam Annette Bening, Jennifer Garner, Christopher Plummer e Bobby Carnavale, e ainda pela ótima trilha sonora, com muito John Lennon. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

“O CORO” (“Boychoir”), 2014, EUA, é um drama escrito por Ben Ripley e dirigido pelo canadense François Girard (“O Violino Vermelho”). O roteiro foi inspirado em fatos reais ocorridos ao longo dos últimos anos na American Boychoir School, de Nova Jersey, que possui um dos corais de meninos mais respeitados do mundo. A história toda é centrada no jovem Stet (Garrett Wareing), de 11 anos, que possui um talento vocal nato. Ele é um garoto problemático, briguento na escola, filho de mãe solteira. Quando fica órfão, é enviado para uma escola de música para meninos cantores. O regente é o professor Carvelle (Dustin Hoffman), que, de início, rejeita Stet pelo seu comportamento arredio, indisciplinado. Mas, aos poucos, Carvelle percebe que o garoto tem muitas qualidades. A relação conflituosa entre mestre e discípulo é um dos atrativos do filme. A trilha sonora vai de Handel, Vivaldi e Mozart, ou seja, da melhor qualidade. Além de Hoffman e Wareing, estão no elenco Kathy Bates, Josh Lucas e Debra Winger. Aliás, quem é fã de Debra vai curtir sua excelente fase madura, aos 60 anos, conservando a competência e a beleza que a consagraram em filmes como “A Força do Destino”, “Laços de Ternura” e “O Céu que nos Protege”, entre outros. “O Coro” é um ótimo programa para quem curte cinema e música de qualidade. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O ator Jason Bateman, de tantas comédias, surpreende num papel dramático em “O PRESENTE” (“The Gift”), 2015, EUA/Austrália, um suspense psicológico dos melhores. Ele interpreta Simon, um executivo em ascensão, casado com Robyn (Rebecca Hall). O casal vive um momento feliz com a nova casa e a expectativa, quem sabe, de um bebê. Tudo vai bem até a chegada de Gordo (Joel Edgerton), um antigo colega de escola de Simon. Com a fama de esquisito desde o colégio, Gordo vai se aproximando do casal e, principalmente de Robyn – aquele tipo de assédio meio assustador. Aos poucos, Robyn começa a desconfiar de que algo de muito grave deve ter acontecido no passado para que Gordo não desista do  casal. Ela vai investigar e tentar descobrir o que realmente aconteceu. Não dá para falar muito mais para não estragar as surpresas, uma delas relacionada ao título do filme e revelada no final. Boa estreia do ator australiano Joel Edgerton no roteiro e na direção de um longa. Edgerton, Jason Bateman e Rebecca Hall estão muito bem em seus papeis. Rebecca prova mais uma vez que, além de muito bonita, é ótima atriz. O filme é levado de forma contida, a tensão crescendo aos poucos, sem grandes sustos ou histerismos. Um bom programa para quem gosta de curtir um suspense. 
“BEIJEI UMA GAROTA” (“Toute première Fois”), 2014, roteiro e direção de Noémie Saglio e Maxime Govare, é mais uma boa comédia francesa - atualmente, seja qual for o gênero, são os franceses que estão fazendo o melhor cinema. Jérémie Deprez (Pio Marmai) é um empresário bem sucedido, homossexual convicto e mantém um relacionamento amoroso há uma década com Antoine (Lannick Gautry). Ambos são felizes, moram juntos e estão de casamento marcado. Só que um dia – aliás, uma noite -, depois de uma bebedeira, Jérémie dá uma “escorregada” e acaba na cama com Adna (Adrianna Gradziel), uma bela sueca, divertida e radicalmente liberal. A partir desse “acidente”, porém, Jérémie passa a questionar sua homossexualidade, a relação com Antoine entra em crise e o casamento, já marcado, corre o risco de não acontecer. O filme tem uma levada de comédia romântica, com direito a happy end e cerimônia de casamento no final, mas é muito divertido. Destaque para a sueca Adrianna Gradziel, que faz sua estreia no cinema, assim como estrearam na direção Saglio e Govare.  filme foi exibido aqui no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês. Entretenimento garantido.  

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

“THEEB”, 2014, Jordânia, marca a estreia do diretor inglês de família jordaniana Naji Abu Nowar na direção de longas. Ele também é responsável pelo roteiro, que conta a aventura vivida pelo jovem Theeb, filho mais moço de uma família de  beduínos que vive na Província de Hejaz (região a oeste da Arábia Saudita). Seu pai, um xeique já falecido, era o chefe da tribo.  Toda a ação acontece durante o ano de 1916, em plena 1ª Guerra Mundial. Theeb (Jacir Eid Al-Hwietat) e o irmão mais velho Hussein (Hussein Salameh) são recrutados para guiar o oficial inglês Edward (Jack Fox) numa expedição cujo objetivo é encontrar um poço romano. Durante a viagem, feita no meio de um deserto inóspito (o cenário inteiro do filme), eles enfrentarão muitos perigos, o maior deles um ataque de violentos e sanguinários rebeldes. Mas a fome e a sede também são inimigos mortais. Um detalhe exemplifica bem o sentimento dos beduínos com relação aos ocidentais e suas modernidades. Ao invés de elogiarem a ferrovia construída pelos ingleses, os habitantes locais ignoram os benefícios que a obra trará e a consideram uma intrusão demoníaca. Chamam os trens, por exemplo, de “burros de ferro”. O filme é muito bom, mas passa longe de conter um apelo comercial, o que certamente dificultará sua exibição no circuito normal de cinemas.  

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ao contrário do que o título sugere, “SAMBA”, 2014, França, não tem nada a ver com o nosso tradicional ritmo. Samba Cissé (o simpático Omar Sy, de “Intocáveis”) é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos em Paris. Trabalha em restaurantes como limpador de pratos e seu sonho é um dia ser “chef” de cozinha. Como imigrante ilegal, porém, ele acaba detido e ameaçado de ser deportado. É quando conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), a nova integrante de uma Ong que ajuda os imigrantes, com a qual faz amizade. Alice está afastada de seu trabalho de executiva de uma grande empresa por causa de um episódio de estresse, e o trabalho na Ong faz parte do seu tratamento. Samba (pronuncia-se Sambá) também conhece Wilson (o ótimo Tahar Rahim), outro imigrante com problemas, que se diz brasileiro. Embora trate de uma questão delicada e bastante atual como é a situação dos imigrantes na França, o filme tem uma levada de comédia, o que ameniza o contexto dramático. Duas das cenas mais divertidas têm como trilha sonora Gilberto Gil e Jorge Benjor. O filme foi escrito e dirigido por Eric Toledano e Olivier Nakache, dupla responsável pelo imperdível “Intocáveis”. O bom elenco conta ainda com Izïa Higelin, Issaka Sawadogo, Liya Kebedeen. Mais um filme francês de qualidade. Não perca!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Depois de “O Exorcista”, dirigido por William Friedkin em 1973, nenhum outro filme sobre exorcismo conseguiu assustar tanto a plateia. O pessoal continua tentando, mas o resultado final sempre fica muito distante do original. É o caso, por exemplo, deste “EXORCISTAS DO VATICANO” (“The Vatican Tapes”), 2014, EUA, mais um que nada acrescenta de novidade ao gênero. A jovem Angela Holmes (Olivia Taylor Dudley) fere o dedo ao cortar o seu bolo de aniversário. O ferimento infecciona depois que um corvo dá uma bicada no seu dedo e, partir daí, o comportamento da moça muda completamente. Para pior, é claro, incluindo assassinatos e outras situações que só uma possessão maligna pode provocar. Ao desconfiar que é exatamente o que está acontecendo com a moça, o Padre Lozano (Michael Peña) entra em contato com o Vaticano e relata o caso. O Cardeal Bruun (Peter Andersson), especialista em exorcismo, viaja para os EUA com o objetivo de investigar a possuída. Ele chega à terrível conclusão de que o Anticristo assumiu o corpo da moça e que será preciso eliminá-lo para salvar a humanidade. O final do filme é sinistro, deixando a seguinte mensagem: o Anticristo pode estar entre nós. Sai pra lá, capeta!!! 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

“ENCONTRO MARCADO” (“5 to 7”), 2015, roteiro e direção de Victor Levin (“Ironias do Amor” e “Quase me Apaixono”). Trata-se de uma charmosa e simpática comédia romântica ambientada em Nova Iorque e valorizada por um elenco de primeira: Anton Yelchin, a bela atriz francesa Bérénice Marlohe, o também francês Lambert Wilson, Olivia Thirlby e as participações especiais de Glenn Close e Frank Langella. Os cenários da Big Apple também fornecem charme e glamour ao filme, como as cenas no Museu Guggenheim, no Restaurante Carlyle, no Hotel St. Regis e no Central Park. Tudo filmado com muita classe e bom gosto. O jovem candidado a escritor Brian (Yelchin), de 24 anos, conhece Arielle (Bérénice), de 33 anos, casada com um diplomata francês, Valery (Wilson). Brian e Arielle tornam-se amantes, com a concordância do marido dela. O casal francês é totalmente liberal, tanto que ele também tem uma amante, a editora Jane (Olivia). Há, porém, um acordo que deve ser respeitado: os encontros devem acontecer sempre entre 5 e 7 horas da tarde (daí o título), horário ideal para o adultério, segundo os franceses. Só que Brian se apaixona perdidamente, a ponto de apresentar a amante para seus pais (Close e Langella) num jantar que se transforma num dos momentos mais engraçados do filme. Ao pressionar Arielle, propondo que ela se separe do marido e dos dois filhos, Brian coloca a amante na difícil situação de decidir entre a segurança de um casamento de anos e um futuro totalmente incerto com um jovem nove anos mais moço. Quem quiser saber qual foi a decisão de Arielle, só vendo o filme, que, aliás, é ótimo.   

sábado, 28 de novembro de 2015

“UM AMOR A CADA ESQUINA” (“She’s Funny that Way”), 2015, direção de Peter Bogdanovich, lembra as boas comédias clássicas de Hollywood. Melhor: a começar da trilha sonora que acompanha os créditos iniciais (jazz dos anos 30/40), as situações, o ritmo, os diálogos, personagens neuróticos, tudo lembra também as melhores comédias de Woody Allen. A história: Isabella Patterson (Imogen Poots) é uma garota de programa contratada para passar a noite com Arnold Albertson (Owen Wilson), um famoso diretor de teatro da Broadway. Ela conta que seu grande sonho é ser atriz. Ele fica com pena da moça e oferece U$ 30 mil para ela largar a profissão e tentar realizar o seu sonho. Pouco tempo depois, quando Arnold está montando o elenco para uma peça, quem aparece para um teste? Isabella. Só que uma das atrizes da peça é justamente a esposa de Arnold, Delta Simmons (Kathryn Hahn). A partir daí, a confusão está formada, envolvendo ainda um veterano ator apaixonado por Delta, um juiz cliente da garota de programa, também apaixonado por ela, uma terapeuta à beira de um ataque de nervos e um produtor teatral que também se apaixonada por Isabella. No ótimo elenco, ainda estão Jennifer Aniston, Illeana Douglas, Rhys Ifans e Will Fort. Quentin Tarantino aparece numa ponta no final do filme. Depois de muitos anos sem dirigir um longa, Bogdanovich (“A Última Sessão de Cinema, “Lua de Papel”) acerta em cheio, garantindo um entretenimento divertido e inteligente. Enfim, uma comédia que o cinema norte-americano estava devendo faz tempo. IMPERDÍVEL!

 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

“A GATINHA ESQUISITA” (“Das Merkwürdige Kätzchen”), 2013, é um filme alemão que marca a estreia no roteiro e direção do jovem suíço Ramon Zürcher. Não há história. O filme mostra o cotidiano de uma família de Berlim cujos integrantes são bastante esquisitos, aqui incluídos uma gata e um velho vira-lata preto. Toda a ação é desenvolvida no interior de um apartamento, onde o casal, os filhos, a avó, vizinho, prima e tia entram e saem toda hora, num vai e vem incessante. A menina grita quando qualquer aparelho eletrônico é ligado; o pai trafega medindo a pressão arterial; a filha mais velha joga cascas de laranja no chão e não entende porque elas caem com a parte branca para cima. E por aí vai, tudo muito surreal. A maioria dos diálogos não tem o mínimo nexo. Alguns deles são de uma espantosa profundidade filosófica. Quer um exemplo? A esposa comenta com o marido: “Gatos são as minhas cebolas”. Eis que o marido responde: “As cebolas são meus gatos”, e os dois acabam gargalhando. Ainda bem que o filme dura apenas 72 minutos. Exibido em festivais do mundo inteiro, o filme dividiu a opinião dos críticos, uns elogiaram, outros acharam deplorável. Em todo caso, existe gosto pra tudo, e esta produção alemã deve agradar quem curte filmes esquisitos. Aliás, nessa família, os humanos são muito mais esquisitos do que a pobre gatinha.  

 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Você já assistiu a algum faroeste dinamarquês? Agora surgiu a chance, com “A SALVAÇÃO” (“The Salvation”), 2014, direção de Kristian Levring. A história é ambientada em 1870 nos EUA. Os irmãos Jon (Mads Mikkelsen) e Peter (Mikael Persbrandt), ex-soldados do exército dinamarquês, chegaram à América sete anos antes para fazer fortuna. Não fizeram. Tornaram-se pequenos fazendeiros, donos de uma propriedade perto da cidade de Black Creek. Depois de sete anos, a mulher e o filho de Jon chegam aos EUA. Na diligência em que viajam para a fazenda, dois malfeitores assassinam a mulher e o filho de Jon. O dinamarquês não perdoa: mata os dois. Só que um deles é o irmão querido do chefão da região, Delarue (Jeffrey Dean Morgan), que parte para a vingança. O elenco é uma verdadeira miscelânea de nacionalidades. Mikkelsen é dinamarquês, Persbrandt é sueco, Eva Green e Éric Cantona franceses, Jonathan Pryce inglês. O único norte-americano é o vilão da história, Dean Morgan. A bela Eva Green, aliás, entra muda e sai calada, mesmo porque teve a língua cortada pelos índios. Para culminar, o final é forçado e constrangedor. Ah, as filmagens aconteceram em locações na África do Sul. Quem quiser arriscar, fique à vontade. Saudades daquele velho oeste, John Wayne, Clint Eastwood, Giuliano Gemma...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

“CAKE – UMA RAZÃO PARA VIVER” (“Cake”), EUA, 2014, direção de Daniel Barnz. A advogada Claire Simmons (Jennifer Aniston), traumatizada por uma tragédia, cujas sequelas também afetaram seu corpo, faz parte de um grupo terapêutico de pessoas que sofrem de problemas psicológicos e dores crônicas. O suicídio ronda a mente dessas mulheres, e uma delas concretizou o ato, Nina (Anna Kendrick). Claire, que também pensa em fazer o mesmo, resolve investigar a fundo as razões que levaram Nina a cometer o suicídio. Para isso, se aproxima do viúvo, Roy (Sam Worthington). Mas quem realmente segura as pontas é a empregada mexicana de Claire, Silvana (a ótima Adriana Barraza). O relacionamento entre patroa e empregada resulta nos melhores diálogos e nos momentos de humor do filme, que no geral é um dramalhão daqueles. Aniston atuou sem nenhuma maquiagem e aparece feia e um tanto envelhecida. A idade (45 anos) também já não ajuda muito. Mas seu desempenho é ótimo, tanto que foi indicada ao Globo de Ouro de 2015 na categoria de Melhor Atriz de Filmes Dramáticos – ganhou Julianne Moore por “Still Alice”, que depois também ganharia o Oscar. Se a consagração de Aniston não veio com algum prêmio, pelo menos ficou evidente que ela é uma excelente atriz.                                                                                          
Pura diversão. Assim é “O AGENTE DA U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E.), 2015, EUA, direção do inglês Guy Ritchie. Trata-se de uma paródia bem feita, com muito humor, ação e cenários deslumbrantes, da célebre série de TV dos anos 60. Tudo bem que agora a dupla principal é interpretada por dois bonitões sarados, os atores Henri Cavill (Napoleon Solo) e Armie Hammer (Illya Kuriakin), enquanto que os intérpretes originais – Robert Vaughan e David McCallum – eram mais franzinos e cerebrais. Nesta versão para o cinema, Solo (CIA) e Kuriakin (KGB) recebem a missão de trabalhar em conjunto para se infiltrar numa organização criminosa que ameaça o mundo com uma bomba nuclear. Destaque para a atriz sueca Alicia Vikander. Acostumada a papeis dramáticos (“O Amante da Rainha” e “Anna Karenina”), Alicia arrasa nas cenas de humor, provando que é uma atriz bastante versátil. Do alto de seus 1m90, a atriz francesa Elizabeth Debicki  também está ótima como a vilã Victoria Vinciguerra. A ação corre solta, bem ao estilo do diretor Guy Ritchie, que já provou enorme competência no gênero em ótimos filmes como “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”. Esqueça as mazelas do mundo e embarque nessa divertida aventura cinematográfica.  

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

“HORAS DE DESESPERO” (“No Escape”), 2015, EUA, roteiro e direção de John Erick Dowdle, faz jus ao título. A história é toda ambientada num país fictício do leste asiático, lá pelos lados da Tailândia. O engenheiro Jack Dwyer (Owen Wilson), sua esposa Annie (Lake Bell) e as duas filhas menores chegam ao país e se hospedam num hotel luxuoso. Jack acabara de ser contratado para trabalhar na subsidiária de uma tal empresa Cardiff. Poucas horas depois de chegarem à cidade, ocorre um violento golpe de Estado e a revolta se instala por todo o país. A matança é geral e o alvo passa a ser o hotel onde estão hospedados inúmeros estrangeiros, entre eles a família Dwyer. Daí para frente, o que se vê são realmente horas de desespero, de pura aflição. Jack tentará sobreviver protegendo a família contra os rebeldes, recebendo a ajuda de Hammond (Pierce Brosnan), um homem misterioso com jeito de pilantra. Mesmo com a presença de astros como Brosnan e Owen Wilson, a produção tem jeito de filme B, com ação e suspense de filme A. Aliás, o suspense é uma das especialidades do diretor Dowdle, como provam seus filmes anteriores - “Demônio”, “Assim na Terra como no Inferno” e “Quarentena”. É daqueles filmes para assistir entortando os braços da poltrona. Tensão do começo ao fim. Ou seja, ótimo entretenimento.   

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Cansada dos compromissos familiares, dedicando-se anos e anos a servir o marido e os filhos, sem receber ao menos um elogio, é natural que uma mulher de meia idade tenha a vontade de desaparecer da face da Terra. “Minha vontade é sumir!” é a exclamação preferida dessas batalhadoras donas de casa. A comédia dramática “LULU, NUA E CRUA” (“Lulu Femme Nue”), 2013, conta a história de uma dessas mulheres. Só que, ao contrário da maioria, esta resolve mesmo sumir. Lucie, chamada por todo mundo de Lulu, é casada, tem três filhos (uma adolescente e dois meninos gêmeos) e um dia resolve arrumar um emprego. Vai até uma cidade vizinha fazer a entrevista, que dá errado. Não mais do que de repente, ela resolve sumir por uns dias e fica na tal cidade, onde faz amizade e algo mais com Charles (Bouli Lanners), um ex-presidiário. Ela ainda fica amiga de uma idosa, Marthe (Claude Gensac), e de uma atendente de bar, Virginie (Nina Meurisse). Enfim, Lulu usa seu período de liberdade para conhecer pessoas, desfrutar de outras companhias, viver sem compromissos familiares. O filme é muito bom, principalmente pelo excelente trabalho dessa estupenda atriz francesa que é Karin Viard. As mulheres vão adorar a história e, com certeza, imaginar se teriam coragem de fazer o que Lulu fez. A nota triste fica por conta da diretora e roteirista Sólveig Anspach, nascida na Islândia e radicada na França, que faleceu em outubro último aos 54 anos.

domingo, 15 de novembro de 2015

Não fosse a presença de Meryl Streep e a excelente trilha sonora – rock da melhor qualidade – e “RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PRA CASA” (“Ricki and the Flash”), 2015, seria mais um drama familiar mediano. Mas Meryl inunda a tela com sua habitual competência e versatilidade, transformando o filme num bom programa. Ela interpreta Ricki Rendazzo, que há muitos anos abandonou o marido e os três filhos para seguir a carreira de roqueira. Teve algum sucesso, lançou até um disco, mas depois passou a tocar em barzinhos de segunda classe com a banda “The Flash”. Até que um dia seu ex-marido Pete Brummel (Kevin Kline) telefona pedindo ajuda por causa da filha Julie (Mamie Gummer, filha de Meryl na vida real), que entrou em depressão por ter sido abandonada pelo marido. Ao visitar a filha, Ricki também reencontrará seus dois outros filhos, e não será fácil para ela explicar por que ficou tantos anos sem vê-los. Num desabafo perante uma pequena plateia, Ricki diz que se fosse homem seria perdoado. Mas é uma roqueira mulher, e mãe, aí ninguém perdoa. “Mike Jagger teve sete filhos com mulheres diferentes e nunca está presente. Ele é homem, aí todo mundo perdoa", diz ela. O roteiro leva a assinatura de Diablo Cody (pseudônimo de Brook Busey), de “Juno” e “Garota Infernal”, entre outros. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes” e “Filadelfia”). A trilha sonora traz hits de Tom Petty e Bruce Springsteen, entre outros. Repare nas apresentações da banda “The Flash”. O baixista, Rick Rosas, morreu logo após as filmagens. O filme é dedicado a ele.