quinta-feira, 12 de junho de 2025

“A NOITE DAS BRUXAS” (“A HAUNTING IN VENICE”), 2023, coprodução Inglaterra/Estados Unidos/Itália, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kenneth Branagh, que também assina o roteiro com Michael Green. Este é o terceiro filme da trilogia adaptada para o cinema pelo ator e cineasta inglês Kenneth Branagh da obra da escritora Agatha Christie. O primeiro foi “Assassinato no Expresso Oriente (2017), e o segundo “Morte no Nilo” (2022), sempre com Branagh atuando no papel do inspetor Hercule Poirot. “A Noite das Bruxas” foi adaptado do livro “Hallowe’en Party”, de 1969. A história é ambientada em 1947, quando Poirot curte sua aposentadoria em Veneza, protegido pelo seu guarda-costas italiano Vitale Portfloglio (Ricardo Scamarcio). Mas seu descanso não durará muito. Ao receber a visita de sua amiga Ariadne Oliver (Tina Fey), uma escritora de romances de mistério, ele aceita participar de uma sessão espírita na casa da cantora lírica Rowena Drake (Kelly Reilly). A convidada especial é a misteriosa médium sra. Reynolds (Michelle Yeoh). Rowena promoveu a reunião para tentar se comunicar com a filha, que morreu afogada meses antes. Após o encerramento da sessão, porém, mais uma morte misteriosa acontece, levando Poirot a acreditar que o assassino está entre os convidados. E por aí vai a história, quando o responsável pelas mortes será revelado adivinha por quem? Poirot, claro. Completam o ótimo elenco Tina Fey, Camille Cottin, Jamie Dornan, Rowan Robinson, Kyle Allen e Emma Laird. O filme é ótimo, destacando-se a primorosa direção de arte, fotografia (Haris Zambarloukos), cenários, figurinos e, em especial, a vista aérea de Veneza na cena que antecede os créditos finais, um espetáculo visual de levantar da poltrona e aplaudir de pé. Trocando em miúdos, “A Noite das Bruxas” fecha com chave de ouro a trilogia de Kenneth Branagh. Imperdível!    

terça-feira, 10 de junho de 2025

“FÚRIA PRIMITIVA” (“MONKEY MAN”), 2024, coprodução Estados Unidos/Canadá/Índia/Cingapura, 2h1m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Dev Patel, que também assina o roteiro com a colaboração de Paul Angunawela e John Collee. Este filme de ação marca a estreia do ator inglês de origem indiana Dev Patel no roteiro e direção (a história foi criada por ele). Como ator, ele é conhecido por filmes como “Quem Quer Ser um Milionário”, “Lion: Uma Jornada para Casa” e “A Lenda do Cavaleiro Verde”, entre outros. Em “Fúria Primitiva”, ambientado na Índia, ele vive o papel de Kid, um jovem que cresceu com o trauma de ter visto a mãe e toda a população do vilarejo em que morava assassinada por policiais a mando de um poderoso político. Para se sustentar, Kid participa de lutas clandestinas, nas quais usa uma máscara de gorila – seus adversários usam máscaras de outros animais. Enfim, um zoológico sangrento no ringue. Quando tenta iniciar uma vingança contra aqueles que assassinaram sua mãe, Kid é ferido com gravidade e acaba sendo acolhido por uma comunidade Hijra, constituída por pessoas transgênero, intersexo e eunucos, todas devotas da deusa Bahuchara Mata – pesquisei no Google, e essa comunidade realmente existe. Curado de seus ferimentos, Kid aspira um pó mágico – tipo espinafre do Popeye - que lhe dá força e coragem para consumar seu objetivo de vingança. Com sangue nos olhos e uma enorme raiva reprimida, lá vai nosso herói atrás dos assassinos, principalmente o chefe de polícia Rana Singh (Sikandar Kher) e o próprio Baba Shakt (Makarand Deshpande), o poderoso líder político. A violência corre solta até o final, com muita ação, pancadaria e sangue jorrando. As cenas são muito bem realizadas. Como já aconteceu com outros filmes cujo herói parte para a vingança na base da violência, os críticos profissionais logo o comparam com o personagem John Wick, que ficou famoso com o ator Keanu Reeves. Assim aconteceu também com este “Fúria Primitiva”, já chamado de “o novo John Wick” e ainda com o recém-lançado “Bailarina”, cuja heroína é uma mulher, papel da atriz cubana Ana de Armas. Trocando em miúdos, “Fúria Primitiva” faz jus ao título, com muita ação e violência.      

sábado, 7 de junho de 2025

 

“O CONTADOR 2” (“THE ACCOUNTANT 2”), 2025, Estados Unidos, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Gavin O’Connor, seguindo roteiro assinado por Bill Dubuque. Sequência de “O Contador”, de 2016, do mesmo diretor e com grande parte do elenco original, na época um grande sucesso de bilheteria nos EUA. Só para relembrar, o personagem principal é Christian Wolff (Ben Affleck), um contador que presta serviços para organizações criminosas, paralelamente ao seu escritório legítimo de contabilidade. Neste segundo filme, Christian é contratado pela agente Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson), do Tesouro Americano, para ajudá-la a desvendar o mistério que envolve o assassinato do seu ex-chefe Ray King (J.K. Simmons). Como demonstrará na prática, Christian utiliza métodos politicamente incorretos para obter respostas, incluindo muita violência e chantagens. Para isso, conta com a ajuda do irmão Brax (Jon Bernthal), além de uma equipe de adolescentes gênios em informática. Em comparação com o primeiro filme, este tem mais ação e humor, mas não é melhor do que o primeiro. O roteiro dificulta o entendimento da história, deixando o espectador meio perdido. Não é a única falha. Os diálogos, de tão sem graça e sem conteúdo nenhum, beiram a mediocridade. Mesmo com algumas ótimas cenas de ação, o resultado final é decepcionante.         

quinta-feira, 5 de junho de 2025

“SEM RASTRO” (“IMMERSTILL”), 2023, coprodução Áustria/Alemanha, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Eva Spreitzhofer, que também assina o roteiro em conjunto com Wolf Jakoby. Suspense policial ambientado num vilarejo austríaco fictício durante um rigoroso inverno. Depois de uma festa de carnaval num clube, duas adolescentes desaparecem misteriosamente. Como a polícia local demora para iniciar as buscas, Lisa Schiller (Christina Cervenka), irmã mais velha de uma delas e que acaba de chegar de Viena, pressiona os policiais a tomarem alguma atitude. Durante as buscas iniciais realizadas com a ajuda de moradores, uma das garotas é encontrada morta à beira de um rio. Resta saber onde está a outra, justamente a irmã de Lisa. Como a polícia está mais perdida que cego em tiroteio, ela resolve investigar por conta própria, com a ajuda do jovem policial Patrick Pollanc (Michael Glantshnig), seu ex-namorado. Um dos primeiros suspeitos é Hubert Lipus (Michael Weger), um sujeito de meia-idade conhecido por assediar as mocinhas do vilarejo. Outros suspeitos aparecem pelo meio do caminho, motivando o espectador a adivinhar quem será o provável culpado, revelado apenas no desfecho, numa reviravolta surpreendente. Trocando em miúdos, o filme demora a engrenar, o ritmo é lento e o roteiro pouco criativo, tão frio quanto os cenários.    

terça-feira, 3 de junho de 2025

“O JOGO DA VIÚVA” (“LA VIUDA NEGRA”), 2025, Espanha, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de Carlos Sedes (“O Caso Asunta”, “Fariña), seguindo roteiro assinado por Ramón Campos e Gemar R. Neira. Ótimo suspense espanhol baseado em fatos reais. Em agosto de 2017, o corpo do engenheiro Antonio Navarro Cerdán foi encontrado na garagem de um edifício no Bairro de Patraix, em Valência. Ele havia sido assassinado com sete facadas. O caso, de grande repercussão na mídia espanhola, ficou conhecido como “A viúva negra de Patraix”, já que a viúva, Maria Jesús Moreno, foi apontada como uma das principais suspeitas do crime – não vou dar spoilers sobre o desfecho do caso. Na adaptação da história para o cinema, a viúva é Maje (a ótima Ivana Baquero, de “O Labirinto do Fauno"), uma enfermeira que tem dois empregos, um num hospital e outro em uma casa de repouso. Mesmo noiva do engenheiro Antonio Navarro (Álex Gadea), ela tem um caso com outro homem. Antonio a perdoou. Só que o casamento não segurou o ímpeto baladeiro da moça, que continuou saindo com as amigas para dançar e, pior, colecionar amantes. Quando o marido é encontrado morto, Maje fica arrasada, mas acaba caindo na desconfiança da inspetora Eva (Carmen Machi), encarregada de investigar o caso, que também aponta como suspeitos os amantes da viúva. Numa trama bem urdida, graças ao primoroso roteiro e uma história envolvente, além do ótimo elenco, “O Jogo da Viúva” é um excelente entretenimento, um filmaço!  


segunda-feira, 2 de junho de 2025

 

“MÁFIA S.A.” (“MAFIA INC.”), 2020, Canadá, 2h15m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Grou, seguindo roteiro assinado por Sylvain Guy. O tema Máfia já gerou inúmeros filmes, dois deles verdadeiras obras-primas do cinema: “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Posso garantir que “Máfia S.A.” também é um dos melhores. É violento e ao mesmo tempo nostálgico, com uma trilha sonora de primeira. A história, fictícia, é baseada no livro “Mafia Inc.: The Long, Bloody Reign of Canada’s Sicilian Clan” (“Máfia S.A.: O Longo e Sangrento Reinado do Clã Siciliano do Canadá”), dos jornalistas Andre Cédilot e André Noël. A família Paternò, comandada com mão de ferro por Don Frank Paternò (o ator italiano Sergio Castellitto, ótimo), que durante os anos 90 do século passado dominava o crime organizado em Montreal, no Canadá. Seu braço direito é o sanguinário e violento Vincente ‘Vince’ Gamache (Marc-André Grondin), originário de outra família mafiosa, os Gamache. Em meio às inúmeras desavenças e traições nesse núcleo mafioso, o filme destaca também um lance ousado de Don Frank, que reúne outras famílias mafiosas para investir num grande projeto: uma ponte que ligaria a Sicília ao continente italiano. Enfim, “Máfia S.A.” é mais um grande filme sobre a máfia italiana.    

domingo, 1 de junho de 2025

“CORAÇÃO DELATOR” (“CORAZÓN DELATOR”), 2025, Argentina, 1h29m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Marcos Carnevale. Trata-se de um drama romântico leve, sensível e muito agradável de assistir. Conta uma história simples sem pretensão de chegar a um filme cult. Juan Manuel (Benjamín Vicuña) é proprietário de uma grande empresa da construção civil em Buenos Aires. Solteiro, vive num casarão às vezes visitado por uma namorada de ocasião. Tudo vai às mil maravilhas até que um dia ele sofre um infarto. Ele precisa de um transplante de coração. O doador acaba sendo um trabalhador humilde residente na periferia da capital argentina, casado e pai de um menino. A cirurgia é um sucesso e Juan Manuel se recupera rapidamente. Como acontece na maioria desses casos, o receptor do órgão quer saber quem é o doador. Mal sabe ele que o bairro onde o doador morava é alvo de desapropriação por parte de sua empresa. Fingindo ser primo do padre da paróquia, Juan vai ao bairro e conhece a viúva do seu doador, Valeria (Julieta Díaz). Mais do que previsível, os dois se apaixonam. Ao interagir com o pessoal do bairro, Juan começa a rever os seus conceitos. O maior trunfo do filme é a química entre o casal protagonista. Benjamín Vicuña é um ator simpático que já mostrou seu talento principalmente no recente “O Silêncio de Marcos Tremmer”, outro ótimo filme argentino. A atriz Julieta Díaz é conhecida pelas comédias “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho” e “2 mais 2”. O cineasta Marcos Carnevale comprova mais uma vez o seu talento, tendo em seu currículo pequenas obras-primas do cinema argentino, como “Elsa & Fred”, “Inseparáveis” e “Coração de Leão”, quando também dirigiu Julieta Diaz. Trocando em miúdos, “Coração Delator” é um filme que toca o coração, emociona e diverte.    

quinta-feira, 29 de maio de 2025

 

“SUPERBOYS DE MALEGAON” (“SUPERBOYS OF MALEGAON”), 2024, Índia, 2h07m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Reema Kagti, que também assina o roteiro com a colaboração de Varun Grover e Shoaib Nazeer. Em 2008, o documentário “Supermen of Malegaon” contou uma incrível história ocorrida na cidade indiana de Malegaon, onde, na segunda metade dos anos 90, um cineasta amador reuniu alguns amigos para realizar um filme. Pois é neste documentário que  se inspirou “Superboys de Malegaon”. Misturando cenas de comédias de Buster Keaton e dos filmes de pancadaria de Jackie Chan, a turma conseguiu realizar um filme que agradou a população da cidade – lembrando que o cinema era uma das únicas diversões de Malegaon. A equipe técnica do filme, liderada pelo cineasta amador Nasir Shaikh, faria outro filme, mas sem alcançar o sucesso do primeiro. Dessa forma, o grupo de amigos se separou e cada um foi para o seu lado. Em 2010, quando um dos integrantes da equipe ficou gravemente doente, os amigos voltaram a se encontrar e resolveram realizar outro filme, uma sátira do Super-Homem de Hollywood, cujo papel principal foi destinado justamente ao amigo doente terminal. Sensível, divertido e comovente, simples ao extremo, “Superboys de Malegaon” é uma grata surpresa do cinema indiano independente, com um elenco em sua maioria constituído por amadores recrutados entre a população da cidade. O filme estreou no Festival de Toronto (Canadá), em setembro de 2024, recebendo elogios tanto da crítica como do público. Matt Zoller Seitz, do site rogerebert.com, escreveu: “É um dos filmes mais acessíveis e divertidos sobre o impulso criativo que você verá”. Quem assistiu ao filme chileno “A Contadora de Filmes”, de 2023, comentado neste blog, e gostou, vai gostar ainda mais deste filme indiano, o qual recomendo como um dos filmes mais interessantes do cinema indiano. Mais uma singela homenagem ao cinema. 

terça-feira, 27 de maio de 2025

 

“HISTÓRIAS QUE É MELHOR NÃO CONTAR” (“HISTORIAS PARA NO CONTAR”), 2022, Espanha, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Cesc Gay (“Truman”, “O Que os Homens Falam”). O que me levou a assistir foi o ótimo elenco (veja no fim do comentário). São cinco pequenas histórias do cotidiano de pessoas como a gente e que se envolvem em situações das mais variadas, todas levadas com humor. Impossível não lembrar de Nelson Rodrigues e sua série de crônicas intitulada “A Vida Como Ela É”, que ele escreveu de 1951 a 1961 no jornal carioca Última Hora. No filme espanhol, a primeira história acompanha uma jovem esposa atraída por um outro homem. Na segunda, um homem desiludido com seu último relacionamento é forçado por amigos a conhecer outras mulheres. No terceiro, um grupo de amigas atrizes escondem segredos uma da outra. No quarto, um professor universitário vive o fim de um relacionamento com uma aluna bem mais jovem. E no último, o mais fraco, um homem casado resolve contar para a esposa um caso que teve com uma amiga dela. A cereja do bolo é realmente o elenco: José Coronado, Javier Cámara, Chico Darín (filho do ator argentino Ricardo Darín), Antonio de La Torre, Alejandra Onieva, Alexandra Jiménez, Maribel Verdú, Verónica Echegui, Ana Castillo e Maria León, só para citar os mais conhecidos. Trocando em miúdos, trata-se de um filme bem leve e divertido.  

segunda-feira, 26 de maio de 2025

“A FONTE DA JUVENTUDE” (“FOUNTAIN OF YOUTH”), 2025, Inglaterra, 2h5m, em cartaz na Apple TV, direção de Guy Ritchie, seguindo roteiro assinado por James Vanderbilt. Filme de aventura que segue, como tantos outros, no vácuo da franquia Indiana Jones. Neste “A Fonte da Juventude”, o Indiana da vez é o arqueólogo Luke Purdue (John Krasinski), um caçador de tesouros que não titubeia em roubar obras de arte para conseguir seus objetivos. Luke agora quer encontrar a mitológica e lendária Fonte da Juventude. Para isso, porém, terá de decifrar um misterioso código que supostamente revelaria o local desse verdadeiro tesouro. Com esse objetivo, Luke, com o patrocínio de um milionário (Domhnall Gleeson), contrata um time de especialistas, entre as quais sua própria irmã Charlote Pardue (Natalie Portman), parceira de outras aventuras, e seu sobrinho adolescente Thomas (Benjamin Chivers), um garoto muito esperto. O grupo descobre que as pistas estão numa Bíblia antiga que afundou com um navio no século XVI e também codificadas em seis obras de arte de pintores famosos. Até o desfecho, Luke e sua turma enfrentarão muitos perigos, entre os quais a perseguição inclemente de uma máfia poderosa ligada, acredite, ao Vaticano. Além disso, Luke também é procurado por ter roubado algumas obras de arte de museus famosos. Completam o elenco Eiza González, Stanley Tucci, Carmen Ejogo e Arian Moayede. Mais um bom filme de ação do cineasta inglês Guy Ritchie, que já havia deixado sua marca em filmes como “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”.    

sexta-feira, 23 de maio de 2025

“SING SING”, 2024, Estados Unidos, 1h47, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Greg Kwedar, que também assina o roteiro com a colaboração de Clint Bentley. Indicado a vários prêmios em festivais pelo mundo afora, inclusiva a três categorias do Oscar 2025 (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Canção e Melhor Ator - Colman Domingo), o filme é baseado em fatos reais ocorridos na penitenciária de segurança máxima Sing Sing, no estado de Nova York. A história é toda centrada num grupo de teatro formado por presos que se inscreveram no RTA (Rehabilitation Through the Arts), ou Reabilitação Através das Artes, programa instituído em várias prisões dos Estados Unidos com grande sucesso. Para se ter uma ideia, enquanto a média nacional de reincidência nas prisões chega a 60%, entre os participantes do RTA esse número fica abaixo de 5%. Voltemos ao filme. O grupo de teatro de Sing Sing começa a ensaiar uma peça que recebeu o título de “Breakin’ The Mummy’s”, escrita por um de seus integrantes, Divine G (Colman Domingo), tendo como diretor voluntário Brent Buell (Paul Raci), dois dos poucos atores profissionais, sendo que os demais integrantes do elenco são ex-presos de Sing Sing que participaram do RTA quando estiveram presos. Ao mesmo tempo dramático e sensível, o filme acompanha os ensaios do grupo, buscando explorar o lado psicológico de cada um de seus participantes, seus traumas, remorsos, dúvidas e expectativas. Acima de tudo, demonstra a importância do companheirismo como fator fundamental para a readaptação social. Enfim, um filme impactante, sincero na sua proposta. Vale a pena conferir.    

quinta-feira, 22 de maio de 2025


“FIGHT OR FLIGHT” – foi com esse título, original, que o filme chegou à Prime Vídeo, podendo ser traduzido por “Lutar ou Fugir” -, 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h41m, direção de James Madigan (“Homem de Ferro 2”, “Transformers: O Despertar das Feras”), seguindo roteiro assinado por Brooks McLaren e DJ Cotrona. Comédia de ação das melhores, com um show de atuação do ator Josh Hartnett como Lucas Reyes, um ex-agente do FBI caído em desgraça depois de uma operação mal sucedida dois anos aantes. Depois disso, ele resolve morar em Bangkok, capital da Tailândia. Seu único contato com o ocidente é uma outra ex-agente, Katherine Brunt (Kate Sackhoff), que agora trabalha como executiva de uma empresa de alta tecnologia. Ela telefona para Lucas a fim de contratá-lo para identificar e prender um hacker e assassino profissional de codinome “The Ghost” (“O Fantasma”), que embarcaria num voo comercial de Bangkok para São Francisco, nos Estados Unidos, levando um equipamento com poder suficiente para transformar o mundo da tecnologia. Só que no avião, entre centenas de passageiros, estão assassinos contratados das máfias russa, italiana e chinesa, além de terroristas muçulmanos, todos com o objetivo de matar “O Fantasma” e roubar o seu equipamento. Recompensas milionárias esperam o autor da façanha. Dessa forma, o enorme avião, de dois andares, vira um verdadeiro campo de batalha, assassinos contra assassinos do começo ao fim. Apesar de muito sangue jorrando, toda a ação é levada no maior bom humor, com cenas hilariantes que divertem o espectador. O diálogo final entre os principais protagonistas dá a entender que haverá uma sequência. Tipo do filme que diverte sem ofender a nossa inteligência. Imperdível!”

terça-feira, 20 de maio de 2025

 

“MARIA CALLAS” (“MARIA”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, coprodução Estados Unidos/Alemanha/Chile/Itália, 2h3m, direção do cineasta chileno Pablo Larraín, seguindo roteiro assinado por Steven Knight. Larraín já havia dirigido outras cinebiografias de mulheres importantes, “Jackie”, de 2016, sobre Jacqueline Kennedy Onassis, e “Spencer”, de 2021, sobre Diana, princesa de Gales. “Maria Callas” revê os últimos dias da soprano Maria Callas (1923-1977), nascida na Grécia como Maria Anna Cecilia Sofia Kalogerópulos. Desde o início dos anos 70, Callas (Angelina Jolie), que já havia parado de cantar, vive reclusa numa mansão em Paris tendo apenas a companhia de seu mordomo Ferruccio (Pierfrancesco Favino) e sua governante Bruna (Alba Rohrwacher), além de dois cachorros. Viciada em remédios, ela pouco se alimenta e costuma ter alucinações, algumas delas responsáveis pelos melhores momentos do filme. Callas vive deprimida, não gosta de ouvir os seus discos e jamais perdeu a arrogância, tratando todos como cidadãos de segunda classe. Coisas de diva. O filme destaca também alguns fatos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial quando Callas ainda adolescente juntamente com a irmã cantam para oficiais nazistas. Callas jovem é interpretada por Angelina Papadopoulou. “Maria Callas” também relembra como o empresário grego Aristóteles Onassis (Haluk Gilginer) consegue seduzí-la, a conversa que ela teve "face to face" com o então presidente norte-americano John Kennedy e suas tentativas fracassadas de voltar a cantar. A atriz Angelina Jolie dá conta do recado, embora bonita demais para interpretar a feiosa Callas. Completam o elenco Valeria Golina (Yakinthi Callas, irmã de Maria), Haluk Bilginer (Aristóteles Onassis), Caspar Phillipson (John F. Kennedy), Stephen Ashfield (o pianista Jeffrey Tate) e Suzie Kennedy (Marilyn Monroe). A famosa soprano já havia sido tema de uma cinebiografia sob a direção de Franco Zeffirelli em 2002 (“Callas Forever”), com Fanny Ardant no papel principal. Em 2014, no filme “Grace de Mônaco”, foi a vez da atriz espanhola Paz Veja interpretar Callas. Acho que só, fora os inúmeros documentários sobre as apresentações da cantora nos principais teatros do mundo. Após o desfecho, antes e durante os créditos finais são exibidos vídeos com a verdadeira Callas. Aproveito para registrar minha grande  admiração pelo trabalho do cineasta chileno Pablo Larraín, principalmente porque assisti vários de seus filmes, alguns deles excelentes, tais como “No”, “Neruda”, “Spencer, “O Clube” e “O Conde”, este último uma pequena obra-prima, todos eles comentados neste blog. No caso de "Maria Callas", aproveito para elogiar a ótima recriação de época, graças a uma primorosa direção de arte, sem contar, é claro, com a maravilhosa trilha sonora. Filmaço imperdível!

segunda-feira, 19 de maio de 2025

“O DIPLOMATA” (“THE DIPLOMAT”), 2025, Índia, 2h10m, em cartaz na Netflix, direção de Shivan Nair, seguindo roteiro assinado por Ritesh Shah. A história é baseada num fato real ocorrido em 2017. Começa em Kuala Lampur, capital da Malásia, onde a indiana Uzma Ahmed (Sadia Khateeb) conhece o motorista de táxi paquistanês Tahir Ali (Jagjeet Sandhu). Os dois ficam amigos e um tempo depois o taxista convida Uzma a conhecer sua família no Paquistão, mais exatamente na isolada aldeia de Buner, nas colinas da província de Khyber Pakhtunkhwa. A primeira impressão do lugar é a pior possível, mas a coisa irá piorar muito mais quando Tahir obriga Uzma a casar com ele, que já é casado e pai de dois filhos. Além de estuprada, Tahir é violentamente espancada quando reclamava de alguma coisa. Depois de sofrer tanto, ela criou um estratagema genial para convencer o marido a levá-la até o escritório do Alto Comissariado da Índia. Num descuido do marido, ela se esconde no prédio e pede proteção. É aqui que entra em cena o diplomata JP Singh (John Abraham), alto comissário adjunto da Índia. Ele será o responsável pela segurança da moça, ainda mais porque as autoridades paquistanesas acreditam que ela é uma espiã agindo em solo paquistanês. A situação fica ainda pior quando Uzma é obrigada a comparecer numa audiência no tribunal onde deverá encarar o marido agressor. Mas JP Singh, o diplomata do título, não deixará de defender a moça até o fim. Assim como em vários filmes de ação de Bollywood, o ator John Abraham faz novamente o papel de herói, o machão sem medo, atuando com uma pose afetada no mínimo irritante. Mas tudo bem, deixa pra lá, o cara é o maior galã de Bollywood. Quanto ao filme, achei ótimo, principalmente por contar uma incrível história de coragem e sobrevivência.     

sábado, 17 de maio de 2025

“RESGATE IMPLACÁVEL” (“A WORKING MAN”), 2025, Estados Unidos, 1h56m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida”, “Beekeeper”, “Infiltrado”), que também assina o roteiro com Sylvester Stallone. Isso mesmo, o velho Stallone. Trata-se da adaptação para o cinema de um dos livros escritos por Chuck Dixon. Como todo bom filme de ação, “Resgate Implacável” não economiza na pancadaria, nas perseguições e tiroteios, além de muito sangue jorrando, é claro. Levon Cade (o brucutu inglês Jason Statham), um ex-agente de operações secretas do exército dos EUA, agora trabalha numa empresa ligada à construção civil e é o homem de confiança dos donos (Michael Peña e Noemi González). Quando a filha adolescente do casal, Jenni (Arianna Rivas), desaparece misteriosamente, Cade entra em ação para investigar o que aconteceu, e chegará à conclusão de que a moça foi sequestrada por uma poderosa organização comandada pela temida máfia russa. Temida para nós e para a polícia da cidade – que não é nomeada, uma falha (Los Ângeles?) -, menos para Levon Cade, que não tem medo de cara feia. Ele vai irritar os russos, pois assassina um poderoso chefão e dois filhos de outro chefão, além de desafiar uma quadrilha local de traficantes. Até o desfecho, muita ação vai rolar, tornando “Resgate Implacável” um entretenimento de primeira no gênero. Também estão no elenco Eve Mauro, David Harbour, Jason Flemyng, Maximilian Osinski e Isla Gie. Filmaço!

sexta-feira, 16 de maio de 2025

 

“A AVALIAÇÃO” (“THE ASSESSMENT”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, coprodução Inglaterra/EUA/Alemanha, 1h54m, direção de Fleur Fortune, seguindo roteiro assinado por Dave Thomas, John Donnelly e Nell Garfath-Cox. Trata-se de uma ficção científica ambientada num futuro, aparentemente, bem distante. Devido à escassez de recursos naturais e a consequente falta de alimentos, o governo (não há menção a algum país) instituiu um programa de controle de natalidade, obrigando os casais a ingerir uma substância esterilizante a fim de controlar o crescimento populacional desorganizado. Nesse país do futuro, as crianças são geradas fora do útero com o material genético do casal. Para que isso aconteça é necessário que o casal candidato seja submetido a uma rigorosa avaliação psicológica para saber se são capazes de arcar com a responsabilidade da paternidade. Mia (Elizabeth Olsen) e Aaryan (Himesh Patel) formam o casal escolhido para o teste. Eles são enclausurados numa casa isolada à espera de Virgínia (Alicia Vikander), a avaliadora responsável por aprovar ou não a pretensão do casal. Na verdade, Mia e Aaryan são submetidos a um verdadeiro tormento psicológico durante uma semana até o resultado final. Também estão no elenco Minnie Driver, Nicholas Pinnock, Malaya Stern Takeda, Charlotte Ritchie, Benny Opoku-Arthur, Leah Harvey e Indira Varma. Este foi o primeiro longa-metragem dirigido pela cineasta francesa Fleur Fortune, mais conhecida como diretora de curtas e vídeos musicais. “A Avaliação” é um filme perturbador, pesado, repleto de situações no mínimo aberrantes. Os personagens parecem sofrer de deficiência mental. Tudo é muito maluco. Imagino até que os atores devem ter se esforçado para não rir em determinadas cenas. Resumo da ópera, um verdadeiro martírio para o espectador.    

terça-feira, 13 de maio de 2025

“CAOS E DESTRUIÇÃO” (“HAVOC”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do Norte, 1h47m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta inglês Gareth Evans, considerado um mestre em filmes de ação desde que dirigiu o asiático “Operação Invasão”. Não sei se existe alguém que conta as balas atiradas durante um filme ou se algum programa de computador é capaz de fazer essa contagem. Uma coisa é certa: neste “Caos e Destruição”, a munição gasta daria para abastecer os exércitos de várias guerras, incluindo as duas mundiais. Exagero? Então assista. Teve um momento que eu tive vontade de me esconder atrás da poltrona para não levar um tiro. Vamos à história. Numa negociação de drogas, a situação sai do controle e o filho de uma chefona da máfia chinesa (Yeo Yann Yann) é assassinado e ela jura vingança. Só que o contexto é bastante complicado, pois envolve também policiais corruptos, uma gangue de assaltantes e capangas de um político também corrupto (Forest Witaker), cujo filho é acusado de ter assassinado o filho da chefona mafiosa. Em meio a toda essa confusão está o detetive Walker (o ator inglês Tom Hardy, de "Venom” e “Lendas do Crime”), que decide acabar com essa confusão do seu jeito, ou seja, na base da porrada, além de se comprometer a proteger o filho do político. Completam o elenco Luiz Gúzmán, Justin Cornwell, Jessie Mei Li e Timothy Olyphant. O ritmo alucinante do filme, que vai do começo ao desfecho, também destaca uma série de perseguições nas ruas e estradas, com cenas muito bem feitas e eletrizantes. Resumindo, “Caos e Destruição” é um filmaço no gênero ação, um dos melhores dos últimos anos. Imperdível.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

“BABYGIRL”, 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta holandesa Halina Reijn (“Morte. Morte. Morte.”, “Instinto”). Aos 57 anos, a atriz australiana Nicole Kidman continua firme e forte trabalhando muito, tanto em séries como em filmes para o cinema.  No suspense erótico “Babygirl”, ela tem uma ótima atuação, comprovando mais uma vez sua competência como atriz de talento eclético. Suas cenas de sexo são bastante ousadas. Kidman interpreta a empresária Romy, uma bem sucedida CEO – detesto utilizar esse termo, ao qual atribuo uma afetação ridícula dos moderninhos – de uma empresa de alta tecnologia. Ela é casada com Jacob (Antonio Bandeiras), um diretor de teatro, tem duas filhas e vive, aparentemente, um casamento feliz. O problema é o sexo, pois ela não consegue chegar ao orgasmo com o marido, só conseguindo prazer total assistindo a vídeos pornôs. Quando chega à empresa um novo grupo de estagiários, Romy começa a se interessar por um deles, Samuel (Harris Dickinson), muitos anos mais jovem.  Aí vem uma situação que achei muito forçada, longe da realidade: o estagiário começa a assediar de forma abusiva a empresária. Em qualquer empresa ele seria demitido no ato - ou no caso, antes dele. O caso entre os dois se transforma num jogo sexual à base de dominação psicológica, como se ele estivesse amestrando uma cadela. Quando percebe que o relacionamento está indo longe demais, colocando em risco seu casamento e seu cargo, Romy tenta dar um basta, mas o estrago já havia sido feito e a situação só piora. Por sua primorosa e corajosa atuação, Nicole ganhou a Volpi Cup de Melhor Atriz no Festival de Veneza 2024. Mais uma razão para você assistir a este ótimo thriller erótico.     

sábado, 10 de maio de 2025

 

“UM LUGAR BEM LONGE DAQUI” (“WHERE THE CRAWDADS SING”), 2022, Estados Unidos, 2h05m, em cartaz na Netflix, direção de Olivia Newman (“Minha Primeira Luta”), seguindo roteiro de Lucy Alibar, baseado no romance homônimo escrito por Delia Owens. Trata-se de uma mistura de drama, romance e suspense, começando pela misteriosa morte de um rapaz de uma família conceituada da pequena cidade de Barkley Cove, na Carolina do Norte. A jovem Kya Clark (Daisy Edgar-Jones), moradora de uma cabana isolada numa zona de pântanos perto da cidade, é acusada e presa como suspeita do suposto assassinato – pode ter sido acidente. A primeira parte da história é dedicada às tristes lembranças de Kya sobre sua família. Por causa de seu pai violento, a mãe e os três filhos homens fogiram de casa. Só ficou a pequena Kya, que logo depois é abandonada pelo pai. Ela sobrevive sozinha, e quando tenta socializar com a população do vilarejo é discriminada e até insultada como “A garota fedida do brejo”. Sem conseguir uma vaga na escola, Kya cresce estudando e desenhando insetos, conchas, borboletas, aves e outros pequenos espécimes que vivem nos pântanos – a autora da história, além de escritora, é também zoóloga. Mais tarde, Kya até consegue publicar alguns livros com essas ilustrações. Adulta e bonita, Kya chama a atenção de dois jovens da cidade, seu amigo de infância Tate Walker (Taylor John Smith) e o arrogante e violento Chase Andrews (Harris Dickinson), este último a vítima do suposto homicídio. Kya é levada a julgamento no tribunal da cidade, sendo defendida pelo advogado Tom Milton (David Strathairn). A adaptação para o cinema foi muito bem feita e o resultado final do filme é bastante satisfatório, não só pela história em si, mas também pelo ótimo desempenho da atriz inglesa Daisy Edgar-Jones, de 26 anos, que ficou conhecida por suas atuações em séries como “Normal People” e “War of the Worlds – A Arte da Guerra”.

 

 

“CILADA” (“ATRAPADOS”), 2025, Argentina, minissérie de seis episódios em cartaz na Netflix, direção de Miguel Cohan e Hernán Goldfrid, que também assinam o roteiro com a colaboração de Ana Cohan, Maria Meira e Gonzalo Salaya. Esta é mais uma adaptação de um livro do escritor norte-americano Harlan Coben, especialistas em dramas policiais. A história, ambientada na cidade de Bariloche, é centrada na jornalista investigativa Ema Garay (Soledad Villamil, de "O Segredo dos seus Olhos"), que não costuma ser muito ética em seu trabalho, pois muitas vezes acusa pessoas que depois comprovam ser inocentes. Quando uma adolescente de 16 anos desaparece, Garay acusa Leo Mercer (Alberto Ammann), que é obrigado a fugir para não ser preso. Enquanto a polícia investiga o caso, vários personagens surgem na história, todos possíveis suspeitos, o que motiva o espectador a adivinhar quem será o verdadeiro culpado. Paralelamente à investigação policial, Ema Garay tenta por conta própria comprovar sua acusação contra Leo Mercer, mas aos poucos acaba acreditando que talvez tenha cometido um erro grave. Completam o elenco Juan Minujin, Carmela Rivero, Fernan Miras, Mike Amigorena e Matías Recalt. Trocando em miúdos, “Cilada” tinha um material muito bom em se tratando de um romance de Harlan Coben, mas não soube explorá-lo a contento. A qualidade do resultado final ficou bem longe de outras adaptações da obra de Coben para séries televisivas e para o cinema.  

quarta-feira, 7 de maio de 2025

 

“LONGLEGS – VÍNCULO MORTAL” (“LONGLEGS”), 2024, EUA, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ozgood Perkins. Com o avanço da idade, o ator Nicolas Cage está cada vez mais canastrão, até mesmo disfarçado com uma maquiagem que o tornou irreconhecível neste drama policial recheado de suspense, terror e sobrenatural. Na verdade, uma história bem maluca, difícil de digerir.  A agente Lee Harker (Maika Monroe), uma novata no FBI que adota uma postura catatônica e convive com uma intuição à beira da vidência. Ela consegue enxergar situações que os outros agentes não conseguem. Por isso, caiu nas graças do seu chefe, o agente William Carter (Blair Underwood), que a indica para resolver o caso de um serial killer que há anos assassina famílias inteiras. Graças ao trabalho de Harker, o FBI chega ao principal suspeito, um maluco conhecido como Longlegs (Cage), que é preso e submetido a um interrogatório. E adivinha quem vai interrogá-lo: isso mesmo, a agente Harker. O FBI chega à conclusão de que o psicopata tem alguém que trabalha para ele, um assassino tal qual o próprio. O caso começa a tomar uma conexão com satanismo, práticas ocultistas e lavagem cerebral. Numa grande reviravolta, a conclusão revela fatos assustadores da infância de Harker. Completam o elenco Alicia Witt, Kiernan Shipka, Erin, Boyes, Lisa Chandler, Dakota Daulby e Michelle Choi-Lee. Como afirmei no início do comentário, você não reconhecerá Nicolas Cage, que atua debaixo de uma maquiagem carregada e próteses, além de uma cabeleira desgrenhada e suja que chega aos ombros. Para concluir, o resultado final de “Longlegs” chega perto de uma grande bobagem cinematográfica.  

segunda-feira, 5 de maio de 2025

 

“EXPLOSÃO NO TREM-BALA” (“SHINKANSEN DAIBAKUHA”) - nos países de língua inglesa, "Bullet Train Explosion" -, 2025, Japão, 2h14m, em cartaz na Netflix, direção de Shinji Higuchi (“Shin Godzilla”), seguindo roteiro assinado por Kazuhiro Nakaha e Norichika Ôba. Um trem-bala sai de uma cidade do interior do Japão com destino a Tóquio oara cumprir uma distância de cerca de 600 quilômetros. Durante o trajeto estão previstas paradas em várias estações. Só que terroristas entram no circuito e ameaçam explodir o trem se a velocidade ficar abaixo dos 100 km por hora. De início, as autoridades acham que é um trote, mas os terroristas mostram que estão falando a verdade. Para comprovar, explodem um trem de carga e avisam: querem 100 bilhões de yenes para não provocar a explosão do trem-bala. Ou seja, os 340 passageiros do trem-bala correm um tremendo risco de vida. Diante da situação crítica, o governo japonês, juntamente com os diretores da empresa JR East – dona do trem-bala -, engenheiros ferroviários, policiais e bombeiros montam um gabinete de crise e entram numa corrida contra o tempo para achar uma solução. A prioridade é salvar os passageiros e impedir que o trem-bala chegue a Tóquio, pois explodindo na capital os danos serão muito maiores. O espectador acompanha o drama dos passageiros e a enorme tensão que domina as autoridades na medida em que o trem-bala avança em sua viagem. O filme é um primor de imagens, as cenas de ação são impressionantes. Vale lembrar que esse tipo de situação já foi tema de filmes como “Velocidade Máxima”, de 1994, quando Keanu Reeves não pode diminuir a velocidade de um ônibus, e ainda o filme também japonês “Trem-Bala”, de 1975. Trocando em miúdos, “Explosão no Trem-Bala” garante muita tensão, suspense e ação do começo ao fim. Imperdível!