quinta-feira, 29 de maio de 2025

 

“SUPERBOYS DE MALEGAON” (“SUPERBOYS OF MALEGAON”), 2024, Índia, 2h07m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Reema Kagti, que também assina o roteiro com a colaboração de Varun Grover e Shoaib Nazeer. Em 2008, o documentário “Supermen of Malegaon” contou uma incrível história ocorrida na cidade indiana de Malegaon, onde, na segunda metade dos anos 90, um cineasta amador reuniu alguns amigos para realizar um filme. Pois é neste documentário que  se inspirou “Superboys de Malegaon”. Misturando cenas de comédias de Buster Keaton e dos filmes de pancadaria de Jackie Chan, a turma conseguiu realizar um filme que agradou a população da cidade – lembrando que o cinema era uma das únicas diversões de Malegaon. A equipe técnica do filme, liderada pelo cineasta amador Nasir Shaikh, faria outro filme, mas sem alcançar o sucesso do primeiro. Dessa forma, o grupo de amigos se separou e cada um foi para o seu lado. Em 2010, quando um dos integrantes da equipe ficou gravemente doente, os amigos voltaram a se encontrar e resolveram realizar outro filme, uma sátira do Super-Homem de Hollywood, cujo papel principal foi destinado justamente ao amigo doente terminal. Sensível, divertido e comovente, simples ao extremo, “Superboys de Malegaon” é uma grata surpresa do cinema indiano independente, com um elenco em sua maioria constituído por amadores recrutados entre a população da cidade. O filme estreou no Festival de Toronto (Canadá), em setembro de 2024, recebendo elogios tanto da crítica como do público. Matt Zoller Seitz, do site rogerebert.com, escreveu: “É um dos filmes mais acessíveis e divertidos sobre o impulso criativo que você verá”. Quem assistiu ao filme chileno “A Contadora de Filmes”, de 2023, comentado neste blog, e gostou, vai gostar ainda mais deste filme indiano, o qual recomendo como um dos filmes mais interessantes do cinema indiano. Mais uma singela homenagem ao cinema. 

terça-feira, 27 de maio de 2025

 

“HISTÓRIAS QUE É MELHOR NÃO CONTAR” (“HISTORIAS PARA NO CONTAR”), 2022, Espanha, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Cesc Gay (“Truman”, “O Que os Homens Falam”). O que me levou a assistir foi o ótimo elenco (veja no fim do comentário). São cinco pequenas histórias do cotidiano de pessoas como a gente e que se envolvem em situações das mais variadas, todas levadas com humor. Impossível não lembrar de Nelson Rodrigues e sua série de crônicas intitulada “A Vida Como Ela É”, que ele escreveu de 1951 a 1961 no jornal carioca Última Hora. No filme espanhol, a primeira história acompanha uma jovem esposa atraída por um outro homem. Na segunda, um homem desiludido com seu último relacionamento é forçado por amigos a conhecer outras mulheres. No terceiro, um grupo de amigas atrizes escondem segredos uma da outra. No quarto, um professor universitário vive o fim de um relacionamento com uma aluna bem mais jovem. E no último, o mais fraco, um homem casado resolve contar para a esposa um caso que teve com uma amiga dela. A cereja do bolo é realmente o elenco: José Coronado, Javier Cámara, Chico Darín (filho do ator argentino Ricardo Darín), Antonio de La Torre, Alejandra Onieva, Alexandra Jiménez, Maribel Verdú, Verónica Echegui, Ana Castillo e Maria León, só para citar os mais conhecidos. Trocando em miúdos, trata-se de um filme bem leve e divertido.  

segunda-feira, 26 de maio de 2025

“A FONTE DA JUVENTUDE” (“FOUNTAIN OF YOUTH”), 2025, Inglaterra, 2h5m, em cartaz na Apple TV, direção de Guy Ritchie, seguindo roteiro assinado por James Vanderbilt. Filme de aventura que segue, como tantos outros, no vácuo da franquia Indiana Jones. Neste “A Fonte da Juventude”, o Indiana da vez é o arqueólogo Luke Purdue (John Krasinski), um caçador de tesouros que não titubeia em roubar obras de arte para conseguir seus objetivos. Luke agora quer encontrar a mitológica e lendária Fonte da Juventude. Para isso, porém, terá de decifrar um misterioso código que supostamente revelaria o local desse verdadeiro tesouro. Com esse objetivo, Luke, com o patrocínio de um milionário (Domhnall Gleeson), contrata um time de especialistas, entre as quais sua própria irmã Charlote Pardue (Natalie Portman), parceira de outras aventuras, e seu sobrinho adolescente Thomas (Benjamin Chivers), um garoto muito esperto. O grupo descobre que as pistas estão numa Bíblia antiga que afundou com um navio no século XVI e também codificadas em seis obras de arte de pintores famosos. Até o desfecho, Luke e sua turma enfrentarão muitos perigos, entre os quais a perseguição inclemente de uma máfia poderosa ligada, acredite, ao Vaticano. Além disso, Luke também é procurado por ter roubado algumas obras de arte de museus famosos. Completam o elenco Eiza González, Stanley Tucci, Carmen Ejogo e Arian Moayede. Mais um bom filme de ação do cineasta inglês Guy Ritchie, que já havia deixado sua marca em filmes como “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”.    

sexta-feira, 23 de maio de 2025

“SING SING”, 2024, Estados Unidos, 1h47, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Greg Kwedar, que também assina o roteiro com a colaboração de Clint Bentley. Indicado a vários prêmios em festivais pelo mundo afora, inclusiva a três categorias do Oscar 2025 (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Canção e Melhor Ator - Colman Domingo), o filme é baseado em fatos reais ocorridos na penitenciária de segurança máxima Sing Sing, no estado de Nova York. A história é toda centrada num grupo de teatro formado por presos que se inscreveram no RTA (Rehabilitation Through the Arts), ou Reabilitação Através das Artes, programa instituído em várias prisões dos Estados Unidos com grande sucesso. Para se ter uma ideia, enquanto a média nacional de reincidência nas prisões chega a 60%, entre os participantes do RTA esse número fica abaixo de 5%. Voltemos ao filme. O grupo de teatro de Sing Sing começa a ensaiar uma peça que recebeu o título de “Breakin’ The Mummy’s”, escrita por um de seus integrantes, Divine G (Colman Domingo), tendo como diretor voluntário Brent Buell (Paul Raci), dois dos poucos atores profissionais, sendo que os demais integrantes do elenco são ex-presos de Sing Sing que participaram do RTA quando estiveram presos. Ao mesmo tempo dramático e sensível, o filme acompanha os ensaios do grupo, buscando explorar o lado psicológico de cada um de seus participantes, seus traumas, remorsos, dúvidas e expectativas. Acima de tudo, demonstra a importância do companheirismo como fator fundamental para a readaptação social. Enfim, um filme impactante, sincero na sua proposta. Vale a pena conferir.    

quinta-feira, 22 de maio de 2025


“FIGHT OR FLIGHT” – foi com esse título, original, que o filme chegou à Prime Vídeo, podendo ser traduzido por “Lutar ou Fugir” -, 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h41m, direção de James Madigan (“Homem de Ferro 2”, “Transformers: O Despertar das Feras”), seguindo roteiro assinado por Brooks McLaren e DJ Cotrona. Comédia de ação das melhores, com um show de atuação do ator Josh Hartnett como Lucas Reyes, um ex-agente do FBI caído em desgraça depois de uma operação mal sucedida dois anos aantes. Depois disso, ele resolve morar em Bangkok, capital da Tailândia. Seu único contato com o ocidente é uma outra ex-agente, Katherine Brunt (Kate Sackhoff), que agora trabalha como executiva de uma empresa de alta tecnologia. Ela telefona para Lucas a fim de contratá-lo para identificar e prender um hacker e assassino profissional de codinome “The Ghost” (“O Fantasma”), que embarcaria num voo comercial de Bangkok para São Francisco, nos Estados Unidos, levando um equipamento com poder suficiente para transformar o mundo da tecnologia. Só que no avião, entre centenas de passageiros, estão assassinos contratados das máfias russa, italiana e chinesa, além de terroristas muçulmanos, todos com o objetivo de matar “O Fantasma” e roubar o seu equipamento. Recompensas milionárias esperam o autor da façanha. Dessa forma, o enorme avião, de dois andares, vira um verdadeiro campo de batalha, assassinos contra assassinos do começo ao fim. Apesar de muito sangue jorrando, toda a ação é levada no maior bom humor, com cenas hilariantes que divertem o espectador. O diálogo final entre os principais protagonistas dá a entender que haverá uma sequência. Tipo do filme que diverte sem ofender a nossa inteligência. Imperdível!”

terça-feira, 20 de maio de 2025

 

“MARIA CALLAS” (“MARIA”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, coprodução Estados Unidos/Alemanha/Chile/Itália, 2h3m, direção do cineasta chileno Pablo Larraín, seguindo roteiro assinado por Steven Knight. Larraín já havia dirigido outras cinebiografias de mulheres importantes, “Jackie”, de 2016, sobre Jacqueline Kennedy Onassis, e “Spencer”, de 2021, sobre Diana, princesa de Gales. “Maria Callas” revê os últimos dias da soprano Maria Callas (1923-1977), nascida na Grécia como Maria Anna Cecilia Sofia Kalogerópulos. Desde o início dos anos 70, Callas (Angelina Jolie), que já havia parado de cantar, vive reclusa numa mansão em Paris tendo apenas a companhia de seu mordomo Ferruccio (Pierfrancesco Favino) e sua governante Bruna (Alba Rohrwacher), além de dois cachorros. Viciada em remédios, ela pouco se alimenta e costuma ter alucinações, algumas delas responsáveis pelos melhores momentos do filme. Callas vive deprimida, não gosta de ouvir os seus discos e jamais perdeu a arrogância, tratando todos como cidadãos de segunda classe. Coisas de diva. O filme destaca também alguns fatos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial quando Callas ainda adolescente juntamente com a irmã cantam para oficiais nazistas. Callas jovem é interpretada por Angelina Papadopoulou. “Maria Callas” também relembra como o empresário grego Aristóteles Onassis (Haluk Gilginer) consegue seduzí-la, a conversa que ela teve "face to face" com o então presidente norte-americano John Kennedy e suas tentativas fracassadas de voltar a cantar. A atriz Angelina Jolie dá conta do recado, embora bonita demais para interpretar a feiosa Callas. Completam o elenco Valeria Golina (Yakinthi Callas, irmã de Maria), Haluk Bilginer (Aristóteles Onassis), Caspar Phillipson (John F. Kennedy), Stephen Ashfield (o pianista Jeffrey Tate) e Suzie Kennedy (Marilyn Monroe). A famosa soprano já havia sido tema de uma cinebiografia sob a direção de Franco Zeffirelli em 2002 (“Callas Forever”), com Fanny Ardant no papel principal. Em 2014, no filme “Grace de Mônaco”, foi a vez da atriz espanhola Paz Veja interpretar Callas. Acho que só, fora os inúmeros documentários sobre as apresentações da cantora nos principais teatros do mundo. Após o desfecho, antes e durante os créditos finais são exibidos vídeos com a verdadeira Callas. Aproveito para registrar minha grande  admiração pelo trabalho do cineasta chileno Pablo Larraín, principalmente porque assisti vários de seus filmes, alguns deles excelentes, tais como “No”, “Neruda”, “Spencer, “O Clube” e “O Conde”, este último uma pequena obra-prima, todos eles comentados neste blog. No caso de "Maria Callas", aproveito para elogiar a ótima recriação de época, graças a uma primorosa direção de arte, sem contar, é claro, com a maravilhosa trilha sonora. Filmaço imperdível!

segunda-feira, 19 de maio de 2025

“O DIPLOMATA” (“THE DIPLOMAT”), 2025, Índia, 2h10m, em cartaz na Netflix, direção de Shivan Nair, seguindo roteiro assinado por Ritesh Shah. A história é baseada num fato real ocorrido em 2017. Começa em Kuala Lampur, capital da Malásia, onde a indiana Uzma Ahmed (Sadia Khateeb) conhece o motorista de táxi paquistanês Tahir Ali (Jagjeet Sandhu). Os dois ficam amigos e um tempo depois o taxista convida Uzma a conhecer sua família no Paquistão, mais exatamente na isolada aldeia de Buner, nas colinas da província de Khyber Pakhtunkhwa. A primeira impressão do lugar é a pior possível, mas a coisa irá piorar muito mais quando Tahir obriga Uzma a casar com ele, que já é casado e pai de dois filhos. Além de estuprada, Tahir é violentamente espancada quando reclamava de alguma coisa. Depois de sofrer tanto, ela criou um estratagema genial para convencer o marido a levá-la até o escritório do Alto Comissariado da Índia. Num descuido do marido, ela se esconde no prédio e pede proteção. É aqui que entra em cena o diplomata JP Singh (John Abraham), alto comissário adjunto da Índia. Ele será o responsável pela segurança da moça, ainda mais porque as autoridades paquistanesas acreditam que ela é uma espiã agindo em solo paquistanês. A situação fica ainda pior quando Uzma é obrigada a comparecer numa audiência no tribunal onde deverá encarar o marido agressor. Mas JP Singh, o diplomata do título, não deixará de defender a moça até o fim. Assim como em vários filmes de ação de Bollywood, o ator John Abraham faz novamente o papel de herói, o machão sem medo, atuando com uma pose afetada no mínimo irritante. Mas tudo bem, deixa pra lá, o cara é o maior galã de Bollywood. Quanto ao filme, achei ótimo, principalmente por contar uma incrível história de coragem e sobrevivência.     

sábado, 17 de maio de 2025

“RESGATE IMPLACÁVEL” (“A WORKING MAN”), 2025, Estados Unidos, 1h56m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida”, “Beekeeper”, “Infiltrado”), que também assina o roteiro com Sylvester Stallone. Isso mesmo, o velho Stallone. Trata-se da adaptação para o cinema de um dos livros escritos por Chuck Dixon. Como todo bom filme de ação, “Resgate Implacável” não economiza na pancadaria, nas perseguições e tiroteios, além de muito sangue jorrando, é claro. Levon Cade (o brucutu inglês Jason Statham), um ex-agente de operações secretas do exército dos EUA, agora trabalha numa empresa ligada à construção civil e é o homem de confiança dos donos (Michael Peña e Noemi González). Quando a filha adolescente do casal, Jenni (Arianna Rivas), desaparece misteriosamente, Cade entra em ação para investigar o que aconteceu, e chegará à conclusão de que a moça foi sequestrada por uma poderosa organização comandada pela temida máfia russa. Temida para nós e para a polícia da cidade – que não é nomeada, uma falha (Los Ângeles?) -, menos para Levon Cade, que não tem medo de cara feia. Ele vai irritar os russos, pois assassina um poderoso chefão e dois filhos de outro chefão, além de desafiar uma quadrilha local de traficantes. Até o desfecho, muita ação vai rolar, tornando “Resgate Implacável” um entretenimento de primeira no gênero. Também estão no elenco Eve Mauro, David Harbour, Jason Flemyng, Maximilian Osinski e Isla Gie. Filmaço!

sexta-feira, 16 de maio de 2025

 

“A AVALIAÇÃO” (“THE ASSESSMENT”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, coprodução Inglaterra/EUA/Alemanha, 1h54m, direção de Fleur Fortune, seguindo roteiro assinado por Dave Thomas, John Donnelly e Nell Garfath-Cox. Trata-se de uma ficção científica ambientada num futuro, aparentemente, bem distante. Devido à escassez de recursos naturais e a consequente falta de alimentos, o governo (não há menção a algum país) instituiu um programa de controle de natalidade, obrigando os casais a ingerir uma substância esterilizante a fim de controlar o crescimento populacional desorganizado. Nesse país do futuro, as crianças são geradas fora do útero com o material genético do casal. Para que isso aconteça é necessário que o casal candidato seja submetido a uma rigorosa avaliação psicológica para saber se são capazes de arcar com a responsabilidade da paternidade. Mia (Elizabeth Olsen) e Aaryan (Himesh Patel) formam o casal escolhido para o teste. Eles são enclausurados numa casa isolada à espera de Virgínia (Alicia Vikander), a avaliadora responsável por aprovar ou não a pretensão do casal. Na verdade, Mia e Aaryan são submetidos a um verdadeiro tormento psicológico durante uma semana até o resultado final. Também estão no elenco Minnie Driver, Nicholas Pinnock, Malaya Stern Takeda, Charlotte Ritchie, Benny Opoku-Arthur, Leah Harvey e Indira Varma. Este foi o primeiro longa-metragem dirigido pela cineasta francesa Fleur Fortune, mais conhecida como diretora de curtas e vídeos musicais. “A Avaliação” é um filme perturbador, pesado, repleto de situações no mínimo aberrantes. Os personagens parecem sofrer de deficiência mental. Tudo é muito maluco. Imagino até que os atores devem ter se esforçado para não rir em determinadas cenas. Resumo da ópera, um verdadeiro martírio para o espectador.    

terça-feira, 13 de maio de 2025

“CAOS E DESTRUIÇÃO” (“HAVOC”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do Norte, 1h47m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta inglês Gareth Evans, considerado um mestre em filmes de ação desde que dirigiu o asiático “Operação Invasão”. Não sei se existe alguém que conta as balas atiradas durante um filme ou se algum programa de computador é capaz de fazer essa contagem. Uma coisa é certa: neste “Caos e Destruição”, a munição gasta daria para abastecer os exércitos de várias guerras, incluindo as duas mundiais. Exagero? Então assista. Teve um momento que eu tive vontade de me esconder atrás da poltrona para não levar um tiro. Vamos à história. Numa negociação de drogas, a situação sai do controle e o filho de uma chefona da máfia chinesa (Yeo Yann Yann) é assassinado e ela jura vingança. Só que o contexto é bastante complicado, pois envolve também policiais corruptos, uma gangue de assaltantes e capangas de um político também corrupto (Forest Witaker), cujo filho é acusado de ter assassinado o filho da chefona mafiosa. Em meio a toda essa confusão está o detetive Walker (o ator inglês Tom Hardy, de "Venom” e “Lendas do Crime”), que decide acabar com essa confusão do seu jeito, ou seja, na base da porrada, além de se comprometer a proteger o filho do político. Completam o elenco Luiz Gúzmán, Justin Cornwell, Jessie Mei Li e Timothy Olyphant. O ritmo alucinante do filme, que vai do começo ao desfecho, também destaca uma série de perseguições nas ruas e estradas, com cenas muito bem feitas e eletrizantes. Resumindo, “Caos e Destruição” é um filmaço no gênero ação, um dos melhores dos últimos anos. Imperdível.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

“BABYGIRL”, 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta holandesa Halina Reijn (“Morte. Morte. Morte.”, “Instinto”). Aos 57 anos, a atriz australiana Nicole Kidman continua firme e forte trabalhando muito, tanto em séries como em filmes para o cinema.  No suspense erótico “Babygirl”, ela tem uma ótima atuação, comprovando mais uma vez sua competência como atriz de talento eclético. Suas cenas de sexo são bastante ousadas. Kidman interpreta a empresária Romy, uma bem sucedida CEO – detesto utilizar esse termo, ao qual atribuo uma afetação ridícula dos moderninhos – de uma empresa de alta tecnologia. Ela é casada com Jacob (Antonio Bandeiras), um diretor de teatro, tem duas filhas e vive, aparentemente, um casamento feliz. O problema é o sexo, pois ela não consegue chegar ao orgasmo com o marido, só conseguindo prazer total assistindo a vídeos pornôs. Quando chega à empresa um novo grupo de estagiários, Romy começa a se interessar por um deles, Samuel (Harris Dickinson), muitos anos mais jovem.  Aí vem uma situação que achei muito forçada, longe da realidade: o estagiário começa a assediar de forma abusiva a empresária. Em qualquer empresa ele seria demitido no ato - ou no caso, antes dele. O caso entre os dois se transforma num jogo sexual à base de dominação psicológica, como se ele estivesse amestrando uma cadela. Quando percebe que o relacionamento está indo longe demais, colocando em risco seu casamento e seu cargo, Romy tenta dar um basta, mas o estrago já havia sido feito e a situação só piora. Por sua primorosa e corajosa atuação, Nicole ganhou a Volpi Cup de Melhor Atriz no Festival de Veneza 2024. Mais uma razão para você assistir a este ótimo thriller erótico.     

sábado, 10 de maio de 2025

 

“UM LUGAR BEM LONGE DAQUI” (“WHERE THE CRAWDADS SING”), 2022, Estados Unidos, 2h05m, em cartaz na Netflix, direção de Olivia Newman (“Minha Primeira Luta”), seguindo roteiro de Lucy Alibar, baseado no romance homônimo escrito por Delia Owens. Trata-se de uma mistura de drama, romance e suspense, começando pela misteriosa morte de um rapaz de uma família conceituada da pequena cidade de Barkley Cove, na Carolina do Norte. A jovem Kya Clark (Daisy Edgar-Jones), moradora de uma cabana isolada numa zona de pântanos perto da cidade, é acusada e presa como suspeita do suposto assassinato – pode ter sido acidente. A primeira parte da história é dedicada às tristes lembranças de Kya sobre sua família. Por causa de seu pai violento, a mãe e os três filhos homens fogiram de casa. Só ficou a pequena Kya, que logo depois é abandonada pelo pai. Ela sobrevive sozinha, e quando tenta socializar com a população do vilarejo é discriminada e até insultada como “A garota fedida do brejo”. Sem conseguir uma vaga na escola, Kya cresce estudando e desenhando insetos, conchas, borboletas, aves e outros pequenos espécimes que vivem nos pântanos – a autora da história, além de escritora, é também zoóloga. Mais tarde, Kya até consegue publicar alguns livros com essas ilustrações. Adulta e bonita, Kya chama a atenção de dois jovens da cidade, seu amigo de infância Tate Walker (Taylor John Smith) e o arrogante e violento Chase Andrews (Harris Dickinson), este último a vítima do suposto homicídio. Kya é levada a julgamento no tribunal da cidade, sendo defendida pelo advogado Tom Milton (David Strathairn). A adaptação para o cinema foi muito bem feita e o resultado final do filme é bastante satisfatório, não só pela história em si, mas também pelo ótimo desempenho da atriz inglesa Daisy Edgar-Jones, de 26 anos, que ficou conhecida por suas atuações em séries como “Normal People” e “War of the Worlds – A Arte da Guerra”.

 

 

“CILADA” (“ATRAPADOS”), 2025, Argentina, minissérie de seis episódios em cartaz na Netflix, direção de Miguel Cohan e Hernán Goldfrid, que também assinam o roteiro com a colaboração de Ana Cohan, Maria Meira e Gonzalo Salaya. Esta é mais uma adaptação de um livro do escritor norte-americano Harlan Coben, especialistas em dramas policiais. A história, ambientada na cidade de Bariloche, é centrada na jornalista investigativa Ema Garay (Soledad Villamil, de "O Segredo dos seus Olhos"), que não costuma ser muito ética em seu trabalho, pois muitas vezes acusa pessoas que depois comprovam ser inocentes. Quando uma adolescente de 16 anos desaparece, Garay acusa Leo Mercer (Alberto Ammann), que é obrigado a fugir para não ser preso. Enquanto a polícia investiga o caso, vários personagens surgem na história, todos possíveis suspeitos, o que motiva o espectador a adivinhar quem será o verdadeiro culpado. Paralelamente à investigação policial, Ema Garay tenta por conta própria comprovar sua acusação contra Leo Mercer, mas aos poucos acaba acreditando que talvez tenha cometido um erro grave. Completam o elenco Juan Minujin, Carmela Rivero, Fernan Miras, Mike Amigorena e Matías Recalt. Trocando em miúdos, “Cilada” tinha um material muito bom em se tratando de um romance de Harlan Coben, mas não soube explorá-lo a contento. A qualidade do resultado final ficou bem longe de outras adaptações da obra de Coben para séries televisivas e para o cinema.  

quarta-feira, 7 de maio de 2025

 

“LONGLEGS – VÍNCULO MORTAL” (“LONGLEGS”), 2024, EUA, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ozgood Perkins. Com o avanço da idade, o ator Nicolas Cage está cada vez mais canastrão, até mesmo disfarçado com uma maquiagem que o tornou irreconhecível neste drama policial recheado de suspense, terror e sobrenatural. Na verdade, uma história bem maluca, difícil de digerir.  A agente Lee Harker (Maika Monroe), uma novata no FBI que adota uma postura catatônica e convive com uma intuição à beira da vidência. Ela consegue enxergar situações que os outros agentes não conseguem. Por isso, caiu nas graças do seu chefe, o agente William Carter (Blair Underwood), que a indica para resolver o caso de um serial killer que há anos assassina famílias inteiras. Graças ao trabalho de Harker, o FBI chega ao principal suspeito, um maluco conhecido como Longlegs (Cage), que é preso e submetido a um interrogatório. E adivinha quem vai interrogá-lo: isso mesmo, a agente Harker. O FBI chega à conclusão de que o psicopata tem alguém que trabalha para ele, um assassino tal qual o próprio. O caso começa a tomar uma conexão com satanismo, práticas ocultistas e lavagem cerebral. Numa grande reviravolta, a conclusão revela fatos assustadores da infância de Harker. Completam o elenco Alicia Witt, Kiernan Shipka, Erin, Boyes, Lisa Chandler, Dakota Daulby e Michelle Choi-Lee. Como afirmei no início do comentário, você não reconhecerá Nicolas Cage, que atua debaixo de uma maquiagem carregada e próteses, além de uma cabeleira desgrenhada e suja que chega aos ombros. Para concluir, o resultado final de “Longlegs” chega perto de uma grande bobagem cinematográfica.  

segunda-feira, 5 de maio de 2025

 

“EXPLOSÃO NO TREM-BALA” (“SHINKANSEN DAIBAKUHA”) - nos países de língua inglesa, "Bullet Train Explosion" -, 2025, Japão, 2h14m, em cartaz na Netflix, direção de Shinji Higuchi (“Shin Godzilla”), seguindo roteiro assinado por Kazuhiro Nakaha e Norichika Ôba. Um trem-bala sai de uma cidade do interior do Japão com destino a Tóquio oara cumprir uma distância de cerca de 600 quilômetros. Durante o trajeto estão previstas paradas em várias estações. Só que terroristas entram no circuito e ameaçam explodir o trem se a velocidade ficar abaixo dos 100 km por hora. De início, as autoridades acham que é um trote, mas os terroristas mostram que estão falando a verdade. Para comprovar, explodem um trem de carga e avisam: querem 100 bilhões de yenes para não provocar a explosão do trem-bala. Ou seja, os 340 passageiros do trem-bala correm um tremendo risco de vida. Diante da situação crítica, o governo japonês, juntamente com os diretores da empresa JR East – dona do trem-bala -, engenheiros ferroviários, policiais e bombeiros montam um gabinete de crise e entram numa corrida contra o tempo para achar uma solução. A prioridade é salvar os passageiros e impedir que o trem-bala chegue a Tóquio, pois explodindo na capital os danos serão muito maiores. O espectador acompanha o drama dos passageiros e a enorme tensão que domina as autoridades na medida em que o trem-bala avança em sua viagem. O filme é um primor de imagens, as cenas de ação são impressionantes. Vale lembrar que esse tipo de situação já foi tema de filmes como “Velocidade Máxima”, de 1994, quando Keanu Reeves não pode diminuir a velocidade de um ônibus, e ainda o filme também japonês “Trem-Bala”, de 1975. Trocando em miúdos, “Explosão no Trem-Bala” garante muita tensão, suspense e ação do começo ao fim. Imperdível!

sexta-feira, 2 de maio de 2025

“EXTERRITORIAL”, 2025, Alemanha, 1h39m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Cristian Zübert. Começa o filme com Sara Wulf  (Jeanne Goursaud, da série ”Bárbaros”) entrando no consulado dos Estados Unidos em Frankfurt com seu filho Josh. Ex-soldada das forças especiais da Alemanha, viúva de um soldado norte-americano, ela queria solicitar um visto de trabalho para os Estados Unidos, onde havia uma oferta de emprego. Mas o que seria uma solução virou um verdadeiro inferno. O filho dela sumiu misteriosamente dentro do consulado e ela entrou em desespero. Quando pediu que os seguranças a ajudassem a encontrar o menino, eis que vem a desagradável surpresa. As câmeras de segurança mostravam que Sara entrara sozinha no consulado. A explicação dada pelo administrador Erik Kynch (Dougray Scott), chefe da segurança: Sara sofre de alucinações causadas pelo Transtorno de Estresse Pós-Traumático depois de uma missão militar no Afeganistão. Detida numa sala, a ex-soldada consegue fugir e ainda ajudar uma imigrante russa (papel de Lera Abova) também presa no consulado. Toda a ação transcorre dentro do prédio do consulado, Sara tentando achar o filho desaparecido e descobrir porque está sendo perseguida. Muito suspense vai rolar até o desfecho, quando tudo o que aconteceu será esclarecido. Trocando em miúdos, “Exterritorial” não é daqueles filmes que a gente recomenda com entusiasmo, mas não chega a decepcionar.   

quarta-feira, 30 de abril de 2025

“COVIL DE LADRÕES 2: PANTERA” (“DEN OF THIEVES 2: PANTERA”), 2025, Estados Unidos, 2h10m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Christian Gudegast (“Invasão a Londres”, “Alerta Máximo”). Não vi o primeiro, que aliás está disponível também na Prime, e portanto não posso dizer qual o melhor. Este segundo manteve a dupla principal de protagonistas (Gerard Butler e O’Shea Jackson Jr.), além do mesmo diretor e equipe técnica. A história deste segundo filme é baseada num caso real, o famoso roubo de diamantes ocorrido em 2003 na cidade holandesa de Antuérpia. No filme, uma gangue intitulada “Os Panteras” planeja roubar diamantes valiosos no edifício World Diamond, em Nice (França), um deles o famoso “Octopus”. Em Los Angeles (EUA), o policial Nick (Butler) vê imagens de vídeo de outro roubo na Europa onde aparece seu antigo conhecido, o marginal Donnie (“O’Shea”). Nick segue para a Europa com a intenção de prendê-lo, e logo descobre que Donnie está planejando um outro golpe com “Os Panteras”. Nick consegue entrar para a gangue, chefiada por uma mulher, a exótica Jovana (Evin Ahmad). O filme dedica uma grande parte de sua duração ao planejamento do assalto ao World Diamond Center, um dos edifícios mais seguros da Europa. A partir do momento do assalto, o filme se transforma num grande suspense, repleto de ação e muitas reviravoltas. Completam o elenco Salvatore Esposito, Orli Shuka, Dino Kelly e Nazmiye Oral. Confesso que não gostei da atuação do astro escocês Gerard Butler, um tanto canastrão e com desempenho muito forçado. Apesar dos pesares, “Covil de Ladrões 2” é um bom entretenimento, cujo desfecho dá a entender que vem por aí o número 3. Aguardemos.

sábado, 26 de abril de 2025

“MESTRES DO ASSALTO” (“CARJACKERS”), 2025, França, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kamel Guemra (“Bala Perdida”, série “Marselha em Perigo”), que também assina o roteiro com a colaboração de Morade Aissaoui e Sledge Bidounga. Não é de hoje que o cinema francês nos brinda com ótimos filmes de ação. Este “Mestres do Assalto” é mais um deles. Muita ação, perseguições, tiroteios, suspense. Enfim, tem tudo para agradar os fãs do gênero. A história é centrada em quatro amigos, duas mulheres e dois homens, que se empregam em hotéis de luxo para roubar clientes ricos. No filme, eles estão empregados em um hotel de luxo na cidade de Nice, capital da Riviera Francesa, também conhecida como Côte d’Azur. Ou seja, os cenários, principalmente vistos do alto, são deslumbrantes. Depois que um cliente é assaltado, a direção do hotel decide contratar Elias (Frank Gastambide), um detetive particular que nas horas vagas também é um matador profissional. Quando o quarteto resolve assaltar um mafioso russo, Elias consegue uma pista e, a partir dela, descobre a identidade dos quatro assaltantes, mas não será fácil capturá-los. É esta caça que gera as melhores cenas de ação, que seguem ininterruptas até o desfecho. Completam o elenco Zoé Marchal (filha do cineasta Olivier Marchal, craque em filmes de ação), Mylène Jampanoï, Alassane Diong, Florence Fauquet, Wendy Grenier e Colin Bates. Resumo da ópera: mais um ótimo filme francês de ação.   

quarta-feira, 23 de abril de 2025

“EM FUGA” (“9 BULLETS”), 2022, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Gigi Gaston. De início, o filme não me interessou muito, mas depois que vi nos créditos a presença da atriz inglesa Lena Headey resolvi assistir e comentar. Depois que atuou como a personagem Cersey Lannister na série “Game of Thrones” e no filme “300”, Lena deu uma sumida. Este seu retorno me motivou. “Em Fuga” é um filme de suspense e ação que não convence do começo ao fim, repleto de furos e situações forçadas sem nenhuma credibilidade. Salve-se a presença de Lena Headey, que aos 51 anos continua bonita e ainda em grande forma física. No filme, ela é Gypsy, uma dançarina que é a grande atração em um bar espelunca de beira de estrada. Quando seus vizinhos são assassinados, ela acolhe o menino sobrevivente de 11 anos, Sam (Dean Scott Vazquez) e o coloca sob sua proteção, já que o garoto esconde informações sobre os assassinos em seu celular. Coincidência das coincidências, o chefe da gangue que matou a família é justamente um ex-namorado de Gypsy, o truculento Jack (Sam Worthington). Gypsy pega a estrada com o garoto para fugir de Jack e aí o filme se transforma num verdadeiro road movie, com direito a uma participação especial de Barbara Hershey, outra atriz que também andava meio sumida. Completam o elenco Cornelia Guest, Emma Holzer, Chris Mullinax, Martin Sensmeier, Stephanie Arcila e Colleen Camp. Para encerrar, lembro mais um furo homérico na história, quando Gypsy diz ao garoto que tem 9 vidas, assim como os gatos. Ora, não eram sete? Vários outros filmes também exploraram o tema "mulheres protegem crianças", mas nenhum foi melhor do que "Gloria", de 1980, com Gina Rowlands dirigida pelo seu marido, John Cassavetes. Quanto a "Em Fuga", o resultado final pode não decepcionar, mas fica bem longe de uma recomendação entusiasmada.   

domingo, 20 de abril de 2025

“iHOSTAGE” (a Netflix manteve o título original – hostage quer dizer refém – não tenho ideia do que o “i” quer dizer), 2025, Holanda, 1h40m, direção de Bobby Boermans, que também assina o roteiro com a colaboração de Simon De Waal. Trata-se de um ótimo suspense valorizado ainda mais por ter sido baseado num fato real ocorrido na cidade de Amsterdam (Holanda) em 2022. Um homem bem armado e com um colete supostamente com bombas, invade a loja da Apple Store, localizada na praça Leidseplein, uma das mais movimentadas e importantes de Amsterdam. Ele faz inúmeros reféns, muitos deles no andar superior, quatro trancados numa despensa e apenas um diretamente com ele, um cidadão búlgaro que está em viagem de trabalho na cidade. Uma psicóloga da polícia é designada para negociar com o sequestrador – que depois seria identificado como o imigrante sírio Abdel Rahman Akkad, de 27 anos. Para liberar os reféns, ele exige a absurda quantia de 200 milhões de euros em criptomoedas e um veículo blindado para sua fuga. Se não for atendido, ameaça explodir o prédio. O sequestro se arrasta por angustiantes 5 horas, envolvendo negociações bastante tensas, o que contribuiu para manter o suspense do começo ao fim. Achei muito interessante a abordagem dada aos efeitos psicológicos traumáticos que atingiram alguns dos principais participantes do evento, tanto os reféns quanto o pessoal da polícia. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix em 2025. Imperdível!

 

sábado, 19 de abril de 2025

“CONCLAVE”, 2024, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 2h00m, em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Edward Berger (“Nada de Novo no Front”), seguindo roteiro assinado por Peter Straughan. Indicado ao Oscar 2025 em oito categorias (ganhou a de “Melhor Roteiro Adaptado” e vencedor de vários prêmios no Globo de Ouro e no BAFT, o Oscar inglês), “Conclave” desnuda os bastidores de uma votação para a escolha do novo papa. É sabido que a escolha do papa é um dos eventos mais secretos do mundo. No filme, o personagem central é o cardeal Thomas Lawrence (Ralph Fiennes), encarregado de organizar o conclave por indicação do papa antes de morrer. O espectador é conduzido pelos  meandros do Vaticano, acompanhando os conchavos e as intrigas entre os cardeais, alguns deles assumindo a ambição de ser o novo papa. Administrar toda essa situação leva o cardeal Thomas a um grande estresse, o que o faz rever até mesmo a própria fé. O polêmico desfecho não agradou as autoridades eclesiásticas, merecendo críticas contundentes. Realmente, o final apresenta uma situação chocante para os católicos que, como eu, também não gostaram. Completam o elenco Stanley Tucci, John Lithgow, Carlos Diehz, Sergio Castellitto e Isabella Rossellini, esta última indicada ao Oscar 2025 na categoria “Melhor Atriz Coadjuvante”, o que achei um absurdo, já que ela pouco aparece no filme. Como se vê, o elenco é um dos grandes trunfos do filme. Os cenários, construídos no estúdio de cinema Cinecittà, nos arredores de Roma, também são incríveis, reproduzindo até mesmo detalhes artísticos da Capela Sistina. Para escrever o livro homônimo em 2016 que deu origem ao roteiro do filme, o romancista inglês Robert Harris fez uma acurada pesquisa sobre os bastidores de um conclave, tendo entrevistado, inclusive, um cardeal que participou da última votação. Trocando em miúdos, “Conclave” é um grande filme que chega ao streaming em 2025. Imperdível!  

quinta-feira, 17 de abril de 2025

“SISU – UMA HISTÓRIA DE DETERMINAÇÃO” (“SISU”), 2022, Finlândia, 1h31m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Jalmari Helander (“Caçada ao Presidente”). Estamos nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Ex-comandante do exército finlandês, Aatami Korpi (Jorma Tommila) resolveu isolar-se no deserto da Lapônia com um cavalo e um cachorro. Virou garimpeiro. Depois de achar uma grande quantidade de pepitas de ouro, resolveu voltar para a cidade com o objetivo de vender o ouro. No meio do caminho, porém, ele dá de cara com um pelotão de soldados alemães da Waffen-SS, comandados por um oficial sádico (Aksel Hennie), tentando voltar para a Alemanha através da Noruega, levando como reféns algumas jovens finlandesas. Ao perceberem que Aatami carregava ouro, os alemães decidem roubar a carga. Não sabem, porém, que Aatami é uma lenda em seu país como soldado, capaz de realizar façanhas que um ser humano normal seria incapaz. Enfim, uma fúria humana. A história do filme é justamente contar essa luta violenta e desigual - Aatami contra um batalhão inteiro de soldados alemães – através de cenas de ação muito bem filmadas, num ritmo intenso e repleto de suspense. Há mais ação do que diálogos, o ritmo é intenso, não deixa o espectador respirar. O filme teve uma recepção muito boa por parte da crítica e do público, ganhando uma sequência filmada em 2024, mas que ainda não chegou aos cinemas. Trocando em miúdos, um filmaço!