sábado, 26 de outubro de 2024

 

“LOBISOMENS” (“LOUPS-GAROUS”), 2024, França, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção de François Uzan, da série Lupin (não confundir com o também cineasta francês François Ozon), seguindo roteiro assinado por Philippe Des Pallières, Céleste Balin e Hervé Marly. Unindo aventura, fantasia e comédia, “Lobisomens” é uma grande surpresa como entretenimento inteligente e de muita qualidade. A história é inspirada no jogo de tabuleiro “Les Loups-Garous De Thiercelieux”, da Osmodee. Começa o filme e a família de Jérôme (Franck Dubosc) resolve jogar o tal jogo do tabuleiro encontrado no sótão da casa do vovô Gilbert (Jean Reno). Para o espanto geral, em determinando momento toda a família é transportada no tempo, indo parar em 1497 num vilarejo medieval chamado Millers Hollow. Imagine a confusão. Para piorar, o tal vilarejo vem sendo atacado todas as noites por três lobisomens. Só que tem um detalhe: cada integrante da família transportada no tempo acorda com um superpoder. A filha Clara (Lisa do Couto), por exemplo, consegue ficar invisível, o avô Gilbert com uma força descomunal, Jérôme passa a ler a mente dos outros, e assim por diante. Completam o elenco Suzanne Clément, Bruno Gouery, Grégory Fioussi e Raphaël Romand. A ambientação medieval, os cenários, os figurinos, tudo é muito convincente, assim como alguns efeitos especiais. Outro destaque é o humor inteligente, valorizado pelas situações inusitadas. Uma delas, quando surge um personagem gay que ficará famoso como cientista, pintor e escultor.  Trocando em miúdos, você e toda a sua família irão se divertir muito do começo ao fim. “Lobisomens” é uma ótima comédia. Não deixe de ver.                           

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

“ASSALTO BRUTAL” (“NAPAD”), 2024, Polônia, 1h55m, em cartaz na Netflix, direção de Michal Gazda (“Confie Em Mim”), seguindo roteiro assinado por Bartosz Staszczyszyn e Dana Lukasinska. Trata-se de um suspense policial cuja história é baseada em dois famosos assaltos a bancos ocorridos na Polônia. O primeiro deles no dia 19 de agosto de 1962 na cidade de Wotów.  O segundo, em março de 2001, em Varsóvia, quando os assaltantes assassinaram três funcionários e um segurança. Em “Assalto Brutal”, ambientado nos anos 90, os criminosos roubam um banco e matam três funcionárias e um segurança, tal qual o assalto de 2001. Só que os roteiristas tiveram a ideia genial de criar um veterano detetive que estava afastado por questões ideológicas – serviu ao governo comunista na década de 80 para prender membros do Solidariedade. Pois é justamente esse detetive, Tadeusz Gadacz (Olaf Lubaszenko), o maior trunfo do filme. Usando a psicologia – e às vezes violência – ele consegue chegar aos criminosos. Não espere muita ação, mas as estratégias adotadas pelo veterano policial compensam a ausência de perseguições, tiroteios e pancadarias. Também estão no elenco Jedrzej Hycnar, Wiktoria Gorodecka e Magdalena Boczarska. Eu gostei muito de “Assalto Brutal”, a mesma opinião que tiveram alguns críticos profissionais, que já o consideram o melhor filme polonês de 2024.                       

         

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

“ABIGAIL”, 2024, coprodução Estados Unidos/Irlanda, 1h53m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Tyler Gillet e Matt Bettinelli-Olpin (“Pânico”, “Pânico 6”, “Casamento Sangrento”), seguindo roteiro assinado por Stephen Sheilds e Guy Busick. Terror ao estilo Terrir, ou seja, terror com comédia. Muitos sustos, sangue jorrando, mordidas no pescoço, explosão de corpos. Se você for assistir, não leve nada muito a sério, mas tenha uma certeza: a diversão está garantida. Vamos à história. Um grupo de marginais trapalhões é contratado para sequestrar uma menina de 12 anos, Abigail (Alisha Weir), filha de um mafioso ricaço. A intenção é pedir 50 milhões pelo resgate. O sequestro dá certo e Abigail é levada para um casarão isolado. É aqui que acontece toda a ação da história, que de repente terá uma reviravolta surpreendente e inusitada: a menina é uma vampira. O ritmo é alucinante, os efeitos especiais muito bem realizados. Um toque especial é dado pela trilha sonora. Toda vez que vai atacar, a menina ensaia passos de balé ao som de “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky. Um achado da produção. Completam o elenco Melissa Barrera, Angus Cloud, Kathryn Newton, Kevin Durand, Dan Stevens, Giancarlo Esposito, William Catlett e participação especial de Matthew Goode. “Abigail” é muito divertido. Não perca!                      

         

               

terça-feira, 22 de outubro de 2024

“TWISTERS”, 2024, Estados Unidos, 2h2m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Lee Isaac Chung (“Minari – Em Busca da Felicidade”), seguindo roteiro assinado por Mark L. Smith. Você vai lembrar que já houve um outro filme chamado “Twisters”, de 1996, um grande sucesso na época - a história original foi criada pelo escritor Michael Crichton.  Pois este novo “Twisters” aborda a mesma temática, ou seja, os caçadores de tempestades, ciclones e furacões. A meteorologista Kate Carter (Daisy Edgar-Jones) integra um grupo desses “caçadores” que saem a campo aberto com o objetivo de realizar um experimento para um trabalho de universidade. A área escolhida é a zona rural de Oklahoma, onde esses fenômenos naturais são constantes. Esse trabalho, porém, termina numa grande tragédia, da qual só Kate e Javi (Anthony Ramos) escapam com vida. O filme dá um salto de cinco anos e encontramos Kate trabalhando na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, em Nova York. Um emprego tranquilo, pois ela não é obrigada a ir para o campo enfrentar os furacões. Ao reencontrar o antigo parceiro de equipe, ela decide voltar à ação. Javi a convence a ajudá-lo a testar um novo sistema experimental de rastreamento meteorológico. Onde? Claro, em Oklahoma. Como a previsão prevê a ocorrência de muitos ciclones na região, várias equipes de caçadores de tempestades rumam para lá. É quando surge na história o fanfarrão Tiler Owens (Glen Powell, de “Top Gun: Maverick”), que ficou famoso depois de aparecer nas redes sociais como destemido caçador de ciclones. Sua equipe passa a duelar com a de Kate para disputar quem é o melhor caçador, aquele que consegue prever com precisão onde ocorrerá o melhor furacão. As cenas são incríveis, um verdadeiro show de efeitos especiais, fazendo com o que o espectador se veja em meio às tempestades enfrentando de perto esses violentos desastres naturais que tantas tragédias são capazes de provocar. Também estão no elenco Maura Tierney, David Corenswete e Kiernan Shipka. Entretenimento de primeira, um filmaço!                    

         

               

                     

domingo, 20 de outubro de 2024

“LOBOS” (“WOLFS”), 2024, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, em cartaz na Apple TV+, roteiro e direção de Jon Watts (da trilogia “Homem-Aranha” com Tom Holland). Pelo pouco que sei de inglês, a palavra “Wolf” (Lobo) no plural sempre foi Wolves (Lobos), mas os materiais de divulgação insistiram em “Wolfs”. E agora? Com a participação de dois astros do naipe de Brad Pitt e George Clooney, “Lobos” chegou prometendo uma ótima comédia de ação. Para mim, o resultado final foi uma grande decepção. A história, por si só, é inverossímil de cabo a rabo. O roteiro é confuso, as situações forçadas demais e os diálogos pouco convincentes, além de um humor presente apenas em duas ou três cenas, muito pouco para uma comédia. Sinopse da história: dois solucionadores (Pitt e Clooney) – especialistas em “limpar” a cena de um crime – são convocados ao mesmo tempo, por engano, a ajudar uma fogosa procuradora distrital (Amy Ryan) a se livrar do corpo de um rapaz que ela levara para a suíte de luxo de um hotel. Só que o jovem sofre um acidente e não só a procuradora como a dona do hotel convocam os “faxineiros” para ajudar a mulher a se livrar do corpo. Durante o trabalho, os dois descobrem que a mochila do rapaz está cheia de drogas, as quais, mais tarde descobririam, haviam sido roubadas de um perigoso mafioso. Aí é só confusão até o desfecho, algumas boas cenas de ação e só. Brad Pitt e George Clooney já atuaram juntos em dois bons filmes, “Onze Homens e um Segredo” e “Queime Depois de Ler”. Mas desta vez ficaram devendo.               

         

               

                     

 

“É ASSIM QUE ACABA” (“IT ENDS WITH US”), 2024, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na HBO Max, direção de Justin Baldoni, seguindo roteiro assinado por Christy Hall. Trata-se de um drama romântico que tem como pano de fundo a violência doméstica. A história é baseada no livro homônimo escrito por Collen Hoover, um fenômeno de vendas – só no Brasil foram vendidos mais de um milhão de exemplares. Lily Bloon (Blake Lively) muda-se para Boston com o objetivo de realizar um sonho: abrir uma floricultura. Ela acaba conhecendo Ryle (papel do diretor Baldoni), um neurocirurgião de sucesso. Os dois se apaixonam, mas a relação fica tumultuada por causa do comportamento agressivo de Ryle. Na verdade, ambos carregam traumas de infância, o médico por causa da morte trágica do irmão de seis anos, e Lily por ter testemunhado as agressões do pai contra a mãe. Para piorar a relação, Lily reencontra um antigo namorado, Atlas (Brandon Sklewar), chef de cozinha e dono de um restaurante. Em várias cenas em flashback, o filme recorda o namoro dos dois jovens e como se conheceram. Lily jovem é interpretada por Isabela Ferrer e Atlas jovem por Alex Neustaedter. Completam o elenco Emily Baldoni (mulher do diretor), Amy Morton e Jenny Slate. O grande destaque é, sem dúvida, a presença da diva Blake Lively, esposa do astro Ryan Reynolds desde 2012. Ela toma conta do filme. Quem quiser conhecê-la melhor e admirar seu talento e sua beleza, sugiro assistir à série "Gossip Girl: A Garota do Blog” (2007-2012), “Um Pequeno Favor”, "A Incrível História de Adaline”, “Quatro Amigas e um Jeans Viajante” e “Águas Rasas”. Neste último, um tubarão quer comê-la de qualquer jeito... Trocando em miúdos, “É Assim que Acaba”, por tratar de um tema que enseja polêmica e reflexão, merece ser visto principalmente pelo público mais adulto.                            

 

           

               

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

 

“APARTAMENTO 7a” (“APARTAMENT 7a”), 2024, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na HBO Max, direção de Natalie Erika James (“Relíquia Macabra”), cineasta norte-americana radicada na Austrália, que também assina o roteiro com Skylar James e Christian White. Trata-se da pré-sequência do clássico “O Bebê de Rosemary” (1968), de Roman Polanski. Ou seja, o filme é ambientado em 1965, antes da personagem Rosemary Woodhouse (Mia Farrow) chegar ao Edifício Bramford. No caso de “Apartamento 7a“, a figura central da história é a jovem bailarina Terry Gionoffrio (Julia Garner), que chega a Nova York com o objetivo de se tornar um astro do balé. Porém, ao se acidentar gravemente durante uma apresentação, ela está prestes a desistir do seu sonho quando de repente aparece um casal de idosos para ajudá-la. Margaux Castavet (Dianne Wiest) e seu marido Roman (Kevin McNally) residem no misterioso Edifício Bramford e cedem o apartamento 7a para a moça morar. No edifício também mora o empresário Alan Marchand (Jim Sturgess), justamente aquele que pode contratá-la como bailarina. Como diz o velho provérbio, “Quando a esmola é grande o pobre desconfia”, não deu outra. Terry percebe que tanto o casal de idosos quanto os demais moradores do prédio não têm boas intenções. Ela caiu numa armadilha assustadora. Esse novo terror psicológico não é melhor do que o filme de Polanski, mas não decepciona. Assista sem medo.                       

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

“TEMPESTADE ÁCIDA” (“ACIDE”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Just Philippot (“A Nuvem”), que também assina o roteiro com Yacine Badday. Trata-se de uma ficção cuja história mistura catástrofe ambiental e drama familiar. Enquanto visita sua namorada Karin (Suliane Brahim) no hospital, Michal (Guillaume Canet, marido da atriz Marion Cotillard) recebe o telefonema de sua ex-esposa Élise (Laetitia Dosch) preocupada com a previsão do tempo que anuncia uma tempestade de chuva ácida. Para salvar a ex e a filha adolescente Selma (Patience Munchenbach), Michal terá de enfrentar inúmeros desafios. Diante da uma confusão generalizada gerada pela situações caótica, milhões de franceses tentam fugir dessa tragédia ambiental, mas muitos não conseguem. Essa busca pela salvação garante momentos de alta tensão e muito suspense. Michal, Élise e Selma formam o trio central da história. Nas horas mais difíceis, a adolescente mostra-se histérica e irritante, configurando-se numa personagem bastante desagradável. O pai não fica atrás, pois para se salvar e à família abandona uma mulher e o filho pequeno para morrer no desabamento de uma casa. Não sei se é possível antever uma tragédia desse tipo em nosso mundo real, mas a sinalização feita pelo filme é no mínimo preocupante. Resumo da ópera, “Tempestade Ácida” tem um roteiro um tanto complicado, situações criadas claramente para "encher linguiça" e é arrastado demais. O resultado final é decepcionante. Em todo caso, o alerta está dado.                        

 

           

               

                     




terça-feira, 15 de outubro de 2024

 

“A CASA MÓRBIDA” (“HOUSE OF SPOILS”), 2024, Estados Unidos, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, direção e roteiro assinados por Bridget Savage Cole e Danielle Krudy (“Afunde o Navio”). Sem querer ser infame – embora querendo, como diria Chaves -, os autores da história viajaram na maionese ao misturar gastronomia com o sobrenatural. Nesse caso específico, acho que a receita não funcionou. Após ser demitida de um conceituado restaurante, uma chef (Ariana DeBose) aceita comandar a cozinha de um novo restaurante localizado fora da cidade. Um desafio e tanto, já que o lugar é uma mansão abandonada em péssimas condições. Enquanto trabalha na restauração do imóvel e na construção da nova cozinha, a chef – seu personagem não tem nome, o que achei uma grande falha – começa a perceber que segredos macabros envolvem o lugar, entre os quais a existência de uma bruxa cozinheira e uma horta pouco convencional. Toda a história gira em torno do trabalho da chef, como a criação de um novo cardápio, a contratação de funcionários para a cozinha, reuniões com o investidor etc. No papel da chef, a atriz Ariana DeBose, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2022 pelo filme “Amor, Sublime Amor”, se esforça para dar conta do recado, mas sua atuação é pífia. Ariana, aliás, é mais conhecida como cantora e dançarina de musicais, no cinema e na Broadway. Completam o elenco Arian Moayed, Barbie Ferreira e Martin Csokas. Resumindo, o resultado final é decepcionante.                      

 

           

               

                     

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

“PRISIONEIRO DO CAOS” (“STRUL”), 2024, Suécia, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção de Jon Holmberg, seguindo roteiro escrito por Tapio Leopold. Comédia de ação, trata-se de remake de um filme também sueco de 1988 com o mesmo título. Conny (Filip Berg) trabalha como vendedor numa loja de eletrodomésticos. Ao realizar a entrega de um aparelho de TV numa casa, ele acaba envolvido numa trama de assassinato, vai preso e condenado a 18 anos de cadeia. Na penitenciária ele se envolve com uma turma de bandidos que planeja fugir por um túnel cavado na lavanderia da cadeia. Em liberdade, Conny tentará provar sua inocência e, para isso, conta com a ajuda da detetive novata e atrapalhada Ayla (Shirin Golchin). Totalmente filmado nos cenários urbanos de Estocolmo (o visual é um dos trunfos do filme), o filme tem bastante ação, momentos de humor e ritmo alucinante, prendendo a atenção do espectador do começo ao desfecho. Boa diversão na telinha.               

 

domingo, 13 de outubro de 2024

 

“OS INFALÍVEIS" (“LES INFAILLIBLES”), 2024, coprodução França/Bélgica, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Frédéric Forestier (“Asterix nos Jogos Olímpicos”), seguindo roteiro assinado por Kevin DeBonne. Comédia de ação bastante movimentada e divertida. A polícia parisiense não consegue prender os integrantes de uma quadrilha especializada em assaltar carros-fortes. O Ministro do Interior e a prefeita de Paris decidem colocar sangue novo na polícia. Com esse objetivo, recrutam a detetive Alia Samani (Inès Rag), que tem se destacado no combate ao crime na perigosa Marselha com seus métodos inusitados. Como seu parceiro, convocam o detetive Hugo Beaumont (Kevin DeBonne), um policial atrapalhado escolhido única e exclusivamente por ser sobrinho da prefeita (Stéphanie Van Vyve). Essa dupla maluca terá pela frente não apenas assaltantes sanguinários e bem armados, mas também a desconfiança dos policiais da capital francesa. Afinal, Alia é baixinha e gordinha, e seu novo parceiro conhecido por suas trapalhadas. Como já é previsível, claro que eles terão sucesso em sua empreitada, mas causarão muita confusão até isso acontecer. Também estão no elenco Bacuir Baccour, Moussa Maaskri, Loriane C. Klupsch e Philippe Résimont. Destaque para o desempenho da comediante Inès Rag, conhecida na França por sua participação em comédias e shows de stand-up. “Os Infalíveis” garante um entretenimento de primeira.               

 

           

               

                     

“NAPOLEÃO” (“NAPOLEON”), 2023, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 2h38m, em cartaz na Apple TV+, direção de Ridley Scott, seguindo roteiro assinado por David Scarpa. Indicado para disputar o Oscar 2024 em três categorias (Melhor Figurino, Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais), o épico de Ridley Scott foi esnobado pela Academia. Também por historiadores, críticos e pelo público. Discordo, pois achei o filme excelente, não só pelo roteiro histórico, como também pelas cenas espetaculares de batalhas. O filme relata a rápida ascensão de Napoleão Bonaparte (1769-1821), de simples oficial de artilharia do exército francês até ser coroado imperador. Além disso, explora sua vida particular, principalmente seu tumultuado romance e casamento com Josephine, além de sua competência como estrategista militar. Historiadores apontaram alguns erros históricos no roteiro, como a presença de Napoleão durante a decapitação de Maria Antonieta. Nesse dia (16 de outubro de 1793), segundo os historiadores, Napoleão estava a 800 quilômetros de Paris, em Toulon, lutando contra os ingleses. Outro erro apontado foi durante a cena em que Napoleão estava no Egito, quando um tiro de canhão do exército francês atingiu o topo de uma pirâmide. Isso realmente nunca aconteceu. Embora contestado, “Napoleão” é um grande filme, comprovando que o cineasta Ridley Scott, aos 86 anos, continua em grande forma. Só para lembrar, Scott é responsável por alguns clássicos memoráveis do cinema, como “Thelma & Louise” (1991), “Blade Runner” (1982), “Gladiador” (2000) e o meu preferido, “Falcão Negro em Perigo” (2001), entre tantos outros. Em “Napoleão”, Scott contou no elenco com Joaquin Phoenix (Napoleão), Vanessa Kirby (Josephine), Tahar Rahim, Ruper Everett, Ben Miles, Ian McNeice, Mark Bonnar e Catherine Walker. Trocando em miúdos, um filmaço!          

 

           

               

                     

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

“THE KILLER” (não ganhou tradução em português), 2024, Canadá/Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de John Woo, seguindo roteiro assinado por Josh Campbell e Brian Helgeland. Quem é cinéfilo sabe que o cineasta chinês é um dos grandes mestres dos filmes de ação. Já provou isso em “A Outra Face” (1997), “Fervura Máxima” (1992), “Alvo Duplo” (1986), “Missão Impossível 2” (2000), verdadeiros clássicos do gênero, entre tantos outros. O recente “The Killer” é o remake do filme do mesmo nome dirigido também por Woo em 1989. A história, totalmente ambientada em Paris, é centrada na assassina profissional Zee (a bela e sensual atriz inglesa Nathalie Emmanuel), também conhecida como a “Rainha dos Mortos” no submundo do crime na capital francesa. Quando é recrutada, geralmente pelo pessoal da máfia, ela sempre pergunta se sua futura vítima merece morrer. Ou seja, Zee só mata gente ruim. Até que um dia, ao assassinar um grupo de traficantes dentro de uma boate, ela sente pena da jovem cantora Jenn Clark (Diana Silvers), que no meio do tiroteio acaba ficando cega. Zee desrespeitou a ordem de não deixar nenhuma testemunha viva. Ao mesmo tempo, o detetive Sey (Omar Sy, de "Intocáveis" e "Lupin") investiga todos esses casos de matança e vai atrás de Zee. Nesse vai e vem, muita gente morre pelo caminho, num show incessante de coreografias mortais, especialidade de John Woo. Completam o elenco Sam Worthington, Eric Cantona, Said Taghmaoui, Tchéky Karyo e Grégory Montel. Trocando em miúdos, o novo “The Killer” tem muita ação e prende a atenção do espectador até o sangrento desfecho. John Woo ainda em grande forma.             

           

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

“O DIÁRIO” (“EL DIARIO”), 2024, México, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alba Gil e Emma Bertrán, que também assinam o roteiro juntamente com Pamela Pons. O filme é um misto de terror psicológico e suspense sobrenatural. Recém-divorciada, Olga (Irene Azuela) aluga uma casa para morar com a filha Vera (Isabella Arroyo), de 8 anos. No sótão, Olga descobre um baú com objetos e um diário pertencentes aos antigos moradores. A aparição repentina de vultos circulando pela casa e o comportamento estranho da criança levam Olga a ler o tal diário, que, para sua surpresa e aflição, parece ter sido escrito por um ou uma serial killer. Os fatos narrados no diário são perturbadores, de fazer eriçar os pelos da nuca, pois descrevem torturas físicas que culminam com a morte de forma cruel. Assustada, Olga procura ajuda do terapeuta Carlos (Leonardo Ortizgris), que, ao invés de procurar um padre exorcista ou uma mãe de santo, decide consultar uma grafóloga, que talvez pela caligrafia consiga desvendar o mistério. Em meio a essa situação desesperadora, Olga ainda tem que administrar o assédio do ex-marido, que pretende assumir a guarda da criança. Embora o clima de tensão predomine do começo ao fim, prendendo a atenção do espectador, não há um desfecho muito satisfatório, o que acabou prejudicando o resultado final. Trocando em miúdos, só indico para os fãs de carteirinha do gênero terror que não sejam muito exigentes.           

           

               

                     

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

 

“O CHEF” (“BOILING POINT”), 2022, Inglaterra, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Philip Barantini, que também assina o roteiro com James Cummings. No filme, acompanhamos a tensão que impera nos bastidores de um conceituado restaurante localizado ao norte de Londres numa sexta-feira à noite, com casa lotada e a presença de fregueses ilustres. Filmado inteiramente dentro do restaurante num único plano-sequência, sem cortes, a câmera nervosa do diretor valoriza a sensação de estresse geral, do pessoal da cozinha à equipe que atende às mesas. Todo mundo à beira de um ataque de nervos, principalmente o chef Andy Jones (Stephen Graham, de “O Irlandês”). A tensão começa antes mesmo do restaurante abrir para os clientes, quando um fiscal sanitário faz uma inspeção e reduz a nota da casa de 5 para 3. E dá-lhe estresse. Cliente reclama da comida, outro exige prato que não está no cardápio, chef briga com os cozinheiros, e por aí vai a confusão generalizada. Tensão do começo ao fim, como deve acontecer na realidade dos restaurantes mais badalados do mundo. Resumindo, o filme é ótimo, mas não é para qualquer público. É tão bom que recebeu vários prêmios no British Independente Film Awards e indicações para o BAFTA Awards (o Oscar inglês). Não perca!          

domingo, 6 de outubro de 2024

“RIVAIS” (“CHALLENGERS”), 2024, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta italiano Luca Guadagnino (“Me Chame pelo seu Nome”, “Suspíria: A Dança do Medo”), seguindo roteiro assinado por Justin Kuritzkes. O filme mistura esporte, romance, sexo, drama e um certo suspense.  Trata-se da história de uma amizade conflituosa entre três tenistas: Tashi Duncan (Zendaya, de “Duna”, “Euphoria”), Art Donaldson (Mike Faist) e Patrick Zweig (Josh O’Connor). Eles se conheceram em 2006, quando disputavam torneios amadores. Tashi era considerada um fenômeno nas quadras e logo iria se profissionalizar, enquanto os outros dois, amigos inseparáveis, buscavam um lugar de destaque no tênis profissional. A amizade entre os três acaba virando um triângulo amoroso desde o início. Entre idas e vindas no roteiro, repleto de flashbacks, a história dá um salto até 2019, quando Tashi, depois de abandonar as quadras por causa de uma grave lesão, assume o cargo de técnica de Art, enquanto Patrick, também jogador profissional, luta para conquistar seu primeiro título. Depois de ganhar alguns títulos importantes, Art entra em decadência. Para retomar sua confiança, Tashi o aconselha  a disputar um torneio Challenger, o mais baixo do circuito profissional. Aqui, Art irá enfrentar na final o seu antigo melhor amigo e ex-namorado da sua esposa. Como você já reparou, a amizade é que comanda a história, mas será na quadra que acontecerá uma surpreendente reviravolta. Aliás, a maneira de filmar as cenas dos jogos é bastante interessante, algumas das quais fazem parecer que a bolinha sairá da tela para atingir o espectador. Mesmo que você não seja fã do esporte da bolinha amarela, certamente irá curtir esse drama inovador. Ah, antes de ligar o play, porém, recomendo que tirem as crianças da sala, pois algumas cenas de sexo e nudez são bastante fortes.         

           

               

                     

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

 

“BOXER” (“BOKSER), 2024, Polônia, 2h30m, produção original e distribuição Netflix, direção do cineasta esloveno Mitja Okorn (“A Vida em Um Ano”, “Cartas para M”, “Planet Singles”), que também assina o roteiro juntamente com Ivan Bezmarevic e Lucas Coleman. A história acompanha a trajetória de muitos percalços do lutador de boxe polonês Jedrzej (Erik Kulm Jr.), que no início dos anos 80 resolveu fugir com sua esposa Kasia (Adrianna Chlebicka) da Polônia comunista para a Inglaterra. Seu sonho não era apenas iniciar uma vida nova, mas também treinar para ser um grande campeão de boxe. Nada será fácil para o casal. Somente alguns anos depois, sob a retaguarda de um empresário desonesto, Jedrzej conseguiria algum sucesso. Entretanto, ele não conseguiu manter o juízo. Arrumou uma amante, caiu na farra e acabou na cocaína. A história contada no filme destacou a vida particular do lutador, muito mais do que seu desempenho nos ringues, o que incluiu a relação conflituosa com a esposa e com o seu tio polonês que o ensinou a lutar na Polônia. O elenco conta ainda com a participação de Erik Lubos, Adam Woronowicz e Waleria Gorobets. Apesar da longa duração, “Boxer” vale cada minuto, um entretenimento de muita qualidade. Mais um gol de placa do excelente cinema polonês. Nos créditos finais são destacadas as fotos de vários atletas poloneses que fugiram do então país comunista, inclusive a do boxeador em questão.        

           

               

                     

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

“A GRANDE FUGA” (“THE GREAT ESCAPER”), 2023, Inglaterra, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Oliver Parker, seguindo roteiro assinado por William Ivory. A história é baseada num fato real ocorrido no verão de 2014, que acabou nas primeiras páginas dos jornais e teve grande destaque nos telejornais. Bernard Jordan (Michael Caine) fugiu da casa de repouso onde morava com a sua mulher Irene (Glenda Jackson) na cidade de Hove, no condado de East Sussex. Sozinho, ele atravessou o Canal da Mancha até a França para participar das comemorações do 70º aniversário do Dia D (6 de junho de 1944), quando as tropas aliadas invadiram a Normandia para lutar contra os alemães. Enquanto todo mundo na casa de repouso se preocupava com a “aventura” de Bernard, a ponto de pedirem ajuda à polícia, Irene encarou a situação com muita tranquilidade, acreditando que o marido estava simplesmente realizando um sonho. O filme relembra o início do romance entre os dois e ainda a participação dele durante a batalha da Normandia. Completam o elenco Danielle Vitalis, John Standing, Will Fletcher e Laura Marcus. Como não poderia deixar de ser, são os veteranos Michael Caine  e Glenda Jackson os responsáveis pelos melhores momentos do filme. Caine, aliás, anunciou que este foi seu último filme. Aos 91 anos, resolveu se aposentar como ator. A nota triste fica por conta da atriz Glenda Jackson, que morreu em junho do ano passado, aos 87 anos, pouco depois do final das filmagens. Glenda foi uma grande atriz, ganhadora de dois Oscars, primeiro por “Mulheres Apaixonadas” (1970) e, três anos depois, pelo seu desempenho em “Um Toque de Classe”. Confesso que fiquei muito impressionado com a decadência física da atriz, que era muito bonita quando mais jovem. Resumo da ópera, “A Grande Fuga” é um filme muito humano, dramático e sensível, capaz de emocionar e entreter. Não perca!    

           

               

                     

segunda-feira, 30 de setembro de 2024



 

“REBEL RIDGE” (consultei o Google Tradutor: “Cume Rebelde” – não tem nada a ver com o filme), 2024, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Jeremy Saulnier (“Noite de Lobos”). Pela falta de significado do título, a coisa já começa mal. Terry Richmond (o ator inglês Aaron Pierre), um ex-fuzileiro naval, viaja – pasme! – de bicicleta até a pequena cidade de Shelby Spring (Alabama) com o objetivo de levar uma quantia em dinheiro para pagar a fiança de seu primo, preso por porte de drogas. Na estrada, perto da cidade, ele é derrubado por uma viatura policial. Terry acaba detido e tem o dinheiro confiscado pelos policiais, que acreditam ser fruto da venda de drogas. Liberado, Terry agora quer lutar para reaver o dinheiro, quando começa a desconfiar de um esquema de corrupção comandado pelo xerife Sandy Burnne (Don Johnson, pai da atriz Dakota Johnson). Com a ajuda da oficial de justiça Summer (AnnaShophia Robb), Terry tentará lutar contra o esquema corrupto, arriscando a própria vida e da parceira. Completam o elenco James Cromwell, Chelse Bryan, David Denman, Emory Cohen, Oscar Gale, Reid Williams, Steve Zissis e Dana Lee. Anunciado como um thriller com muita ação, “Rebel Ridge” decepciona, pois tem pouca ação, além de um roteiro confuso e mal acabado. E, pior, se arrasta em ritmo lento e enfadonho até o desfecho, sem muito a oferecer ao espectador. Difícil recomendar.           

domingo, 29 de setembro de 2024

“CALOR MORTÍFERO” (“KILLER HEAT”), 2024, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Philippe Lacôte, cineasta nascido na Costa do Marfim e radicado na França, seguindo roteiro assinado por Matt Charman e Roberto Bentivegna. Trata-se de um suspense baseado no conto "O Homem Ciumento", do norueguês Jo Nesbø, que considero um dos melhores escritores de romances policiais da atualidade, pois já li vários de seus livros. Vamos à história. Nick Bali (Joseph Gordon-Levitt), um ex-detetive da polícia de Nova York que trabalha como investigador particular em Atenas (Grécia), é contratado por Penelope Vardakis (Shailene Woodley) para investigar a morte do seu marido, considerada acidente pela polícia. A vítima, Leonides Vardakis, era irmão gêmeo de Elias Vardakis (ambos interpretados pelo ator Richard Madden), herdeiros de uma importante família na Grécia, cuja base empresarial fica na Ilha de Creta. Ao iniciar sua investigação, Nick Bali acaba irritando não só Elias como também a matriarca da família, Audrey Verdakis (Clare Holman). Tudo leva a crer que tem alguma coisa errada na história, o que só será revelada, é claro, no desfecho, com direito a algumas reviravoltas. Completam o elenco Abbey Lee Kershaw, Billy Clements, Manos Gravas, Babou Ceesay e Eleni Vergeti. Infelizmente, o resultado final não é dos melhores. O roteiro é mal elaborado, confuso, não consegue prender a atenção do espectador. O ator Joseph Gordon-Levitt não convence como o detetive concebido para ser um detetive dos filmes noir, ou seja, atormentado, alcoólatra, solitário e mal vestido. Culminou num personagem caricato, patético, muito longe do que o autor queria que parecesse. O roteiro é mal elaborado, confuso, e não cria a tensão necessária para envolver o espectador. Com exceção dos cenários deslumbrantes da Ilha de Creta, nada mais favorece uma indicação. Jo Nesbø não merecia isso.        

               

                     

sábado, 28 de setembro de 2024

 

“SOLO UNA VEZ”, 2021, Espanha, 1h21m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Guilhermo Ríos Bordón. Trata-se de um drama daqueles que, conforme vai avançando, transforma-se numa espécie de punição ao espectador, que tentará chegar ao final só com muita boa vontade. A história é centrada na dra. Laura (Ariadna Gil, casada na vida real com o ator Viggo Mortensen), diretora de um centro especializado no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. Seus laudos colaboram com a polícia nas investigações e nos processos contra os agressores. O roteiro destaca o atendimento a Pablo (Álex Garcia Fernández) e Eva (Silvia Alonso), um jovem casal envolvido numa briga doméstica que acabou na polícia, ela acusando o marido de agressão. A dra. Laura ouve primeiro o acusado, no caso Pablo, que nega a acusação. Depois ela ouve Eva, que confirma tudo. Depois ouve os dois juntos, mas até chegar a essa parte, o filme deslancha na base de muito blá blá blá irritante e repetitivo, seguindo num ritmo bastante lento. Duas situações paralelas transcorrem no dia a dia da terapeuta. A primeira diz respeito à sua filha, que reclama do descaso do pai, ex-marido da médica. A segunda situação envolve um marido cuja esposa era paciente da clínica. Revoltado – o filme não explica a razão -, o homem tenta intimidar a terapeuta diariamente, até mesmo na base da violência. Trocando em miúdos, o resultado final é decepcionante. Uma pena que a experiente atriz espanhola Ariadna Gil, de tantos bons filmes, um deles o clássico “O Labirinto do Fauno”, tenha concordado em participar desse verdadeiro abacaxi. Desta vez, o cinema espanhol pisou na bola, ou melhor, "pisó la pelota".       

               

                     

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

“QUO VADIS, AIDA?”, 2020, Bósnia e Herzegovina, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jasmila Zbanic (“Sarajevo, Meu Amor”). Não sei como deixei de assistir a esta pequena obra-prima na época em que foi lançada e que concorreu ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, além de receber inúmeras premiações em festivais pelo mundo afora, além de conseguir incríveis 100% de aprovação no rigoroso site Rotten Tomatoes. Também foi eleito o Filme do Ano pela European Film Awards (EFA). Sua primeira exibição aconteceu durante o 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza, causando um grande impacto junto à crítica especializada e ao público. Realmente, trata-se de um filme bastante impactante. A história é baseada em fatos reais ocorridos em 1995 quase no final da guerra civil que atingiu os territórios da antiga Iugoslávia desde 1992. O pano de fundo é o genocídio de 8 mil bósnios muçulmanos assassinados pelas tropas sérvias na cidade de Srebrenica (Leste da Bósnia), episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Srebrenica”. Dentro desse cenário trágico, o filme destaca o sofrimento de uma mãe de família contratada como intérprete pelas forças de paz da ONU. Ela é interpretada pela atriz sérvia Jasna Duricic, cujo desempenho é magistral, de aplaudir de pé. Sem dúvida, ela é a alma do filme, sendo premiada como Melhor Atriz também pela Academia Europeia de Cinema. “Quo Vadis, Aida?” revela, de forma realista, um retrato doloroso e impactante daquele episódio do conflito, a ponto de merecer o seguinte comentário de um crítico profissional: “Não é um filme fácil de assistir. É desesperador e devastador, que deixa o espectador completamente esgotado, exausto e horrorizado”. Foi justamente o que senti ao assistir a esta verdadeira pérola do cinema. Não deixe de ver.