quarta-feira, 11 de outubro de 2023

 

“UMA MULHER DE NEGÓCIOS” (“SOCCER MOM MADAM”), 2022, Estados Unidos, 1h27m, direção de Kevin G. Fair, seguindo roteiro de Barbara Marshall. A história é baseada em fatos reais ocorridos na primeira década deste século. A personagem principal é Anna (Jana Kramer), uma viúva com dois filhos para criar e pouco dinheiro para sustentar a família. O jeito foi pedir ajuda à sua prima Letty (Leah Gibson), proprietária de uma casa de massagens. Anna concorda em assumir o cargo de recepcionista, o que inclui fazer faxina nos quartos. Ambiciosa e disposta a vencer na vida, Anna tem a ideia de criar um serviço de prostituição de luxo, atendendo somente clientes de alto poder aquisitivo, incluindo políticos e empresários. Ela recruta uma equipe de moças belíssimas e, em pouco tempo, fica milionária. Para disfarçar o negócio e “lavar” seus lucros, Anna monta um salão de beleza. Tudo vai bem, mesmo que durante o caminho Anna é obrigada a enfrentar os concorrentes e desafetos, na verdade mulheres invejosas que até pouco tempo eram suas colaboradoras. Mesmo avisada de que seu negócio corria riscos de ser denunciado, Anna continuou investindo ainda mais, o que acabou chamando a atenção do FBI. O final, não conto. As atrizes do elenco são muito bonitas, começando por Jana Kramer e Leah Gibson. Outro destaque é Samantha Di Francesco, mais uma beldade do elenco, que conta ainda com Morgan Holmstrom, Matty Finochio, Taylor Dianne Robinson, Toby Levins e Tanya Jade. O filme apresenta uma boa história e, apesar do contexto, não conta com cenas vulgares. Enfim, não ofende nossa inteligência.  

domingo, 8 de outubro de 2023

 

“JOGO JUSTO” (“FAIR PLAY”), 2023, Estados Unidos, 1h53m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Chloé Domont. Suspense psicológico cuja história envolve um casal de namorados que trabalha em um grande escritório que atua na área financeira de fundos de investimentos. Emily Meyers (Phoebe Dynevor, da série "Bridgerton") e Luke Edmunds (Alden Ehrenreich) são analistas e mantêm seu namoro em segredo, pois a empresa não permite que haja relacionamentos amorosos entre funcionários. Tudo caminha na normalidade até que abre uma vaga de gestor, para a qual todo mundo do escritório acreditava que o preferido seria Luke. Puro engano. O dono da empresa (Eddie Marsan) promove Emily. Aparentemente, Luke aceita a situação, mas aos poucos o relacionamento entra em crise. A situação encontrada para o desfecho não é das melhores, comprovando que o filme tem começo e meio, mas não um fim satisfatório para o espectador. Também estão no elenco Rich Sommer, Sebastian de Souza, Sia Alipour e Brandon Bassir. Assim definiu o filme o crítico de cinema do Chicago Sun Times: “Um thriller psicossexual intenso e sórdido no mundo das altas finanças”. Eu acrescentaria que se trata da história de um romance alimentado de paixão e ódio. Trocando em miúdos, “Jogo Justo”, que teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance (EUA), pode ser visto como um bom suspense.     

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

 

“CAMALEÕES” (“REPTILE”), 2023, Estados Unidos, 2h16m, produção original e distribuição Netflix, estreia na direção de Grant Singer (mais conhecido como diretor de vídeos musicais), seguindo roteiro assinado por Benjamin Brewer e Benicio Del Toro (ator do filme). Suspense policial de muito mistério e repleto de reviravoltas. Prende a atenção do espectador até o final, o que já é um mérito. O filme começa com o assassinato de uma jovem corretora de imóveis, cujo namorado Will Grady (Justin Timberlake) é dono da imobiliária. Tom Nichols (Benicio Del Toro), um detetive veterano e durão, fica encarregado de investigar o caso. A lista de suspeitos é grande, a começar do próprio namorado da vítima, além de um viciado em drogas (Michael Pitt) e o ex-marido da vítima, um sujeito também envolvido com o tráfico de drogas. Uma surpreendente reviravolta está reservada para o final. Destaque especial para a participação da atriz (ex-patricinha) Alicia Silverstone, ainda em forma apesar da idade, e da veterana Frances Fisher, atriz de clássicos como “Titanic” e “Os Imperdoáveis", entre outros. “Camaleões” estreou com boas criticas no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Realmente, trata-se de um bom suspense. Recomendo.        

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

 

“UM DIÁRIO PARA JORDAN: MEMÓRIAS DE AMOR E PERDA” (“A JOURNAL FOR JORDAN”), 2022, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Denzel Washington, seguindo roteiro assinado por Virgil Williams. A história é baseada em fatos reais, descritos no diário do primeiro sargento Charles Monroe King e no livro de memórias de sua viúva Dana Canedy. Trata-se de um drama comovente centrado no romance de Dana Canedy (Chanté Adams), editora sênior do jornal New York Times, e de Charles Monroe King (Michael B. Jordan), primeiro sargento do exército dos EUA. Eles se conheceram no final da década de 90 e tiveram um filho, Jordan (Jalon Christian, adolescente). Quando Jordan ainda era um bebê, em 2001, aconteceu o atentado contra as torres gêmeas e logo depois a guerra contra o Iraque, para o qual Charles foi enviado no comando de um pelotão. No intervalo de suas missões, ele começou a escrever um diário para o filho, com conselhos de como se tornar uma pessoa decente, digna e honesta, além de valorizar sempre a família. Completam o elenco Tamara Tunie, Marchánt Davis, Jasmine Batchelor, Robert Wisdom, Susan Pourfar, Joey Brooks e Vanessa Aspillaga. Este é o quarto filme dirigido pelo astro Denzel Washington – os outros foram “Voltando a Viver”, de 2002, “O Grande Desafio”, de 2007, e “Um Limite Entre Nós”, de 2016. Trocado em miúdos, “Um Diário para Jordan” é um drama sensível e comovente que merece ser visto.   

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

 

“ALGUÉM AVISA?” (“HAPPIEST SEASON”), 2020, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Clea DuVall, que também assina o roteiro com a colaboração de Mary Holland (atriz do filme). Sabe aqueles filmes de Natal com histórias bem água com açúcar, luzinhas nas casas, corais natalinos, gente fazendo compras, Papai Noel dizendo OH, OH, OH e famílias se confraternizando? Na comédia romântica “Alguém Avisa?”, embora ambientada nos festejos natalinos, o Natal fica em segundo plano, pois o centro da história é um casal de jovens lésbicas, Abby (Kristen Stewart) e Harper (Mackenzie Davis), que vivem juntas há um ano. Como Abby não tem família, Harper a convida para passar o Natal junto com sua família, prometendo anunciar o seu relacionamento, até então escondido dos pais e das duas irmãs. A situação começa a se complicar a partir do momento em que o pai de Harper anuncia que está em plena campanha para prefeito e nenhum fato novo deve ocorrer para prejudicar a imagem de sua família. Diante disso, Harper decide que não é hora de sair do armário, o que provoca desgaste no romance com Abby. Mas não é só isso. O ambiente familiar também está tumultuado por conta das irmãs complicadas de Harper, Sloane (Alison Brie) e Jane (Mary Holland, que também é autora do roteiro). O bom humor está em quase todas as cenas, algumas hilariantes. Kristen Stewart, atriz que surgiu na série “Crepúsculo”, adapta-se perfeitamente ao papel, já que na vida real assumiu seu homossexualismo, sendo até casada. Não sei a preferência sexual da canadense Mackenzie Davis, mas ela e Kristen mostram uma química perfeita. O elenco também conta com Mary Steenburgen, como a mãe de Harper, Aubrey Plaza, como uma antiga namorada de Harper, e Daniel Levy, como o amigo homossexual de Abby. Este foi o segundo filme escrito e dirigido pela atriz Clea Duvall – o primeiro foi “Intervenção”, de 2016. Resumo da ópera, “Alguém Avisa?” é um ótimo entretenimento, leve e divertido.

domingo, 1 de outubro de 2023

 

“AMOR ESQUECIDO” (“ZNACHOR”), 2023, Polônia, 2h20m, produção original e distribuição Netflix, direção de Michal Gazda e roteiro assinado por Marcin Baczynski e Mariusz Kuczewski. O filme é um remake de título homônimo realizado também pelo cinema polonês em 1982, cuja história é baseada no romance “Znachor”, best seller escrito em 1937 por Tadeusz Dolega-Mostowicz. Trata-se de um drama beirando o dramalhão. O conceituado cirurgião Rafal Wilczur (Leszek Lichota) é abandonado pela mulher, que levou junto a filha de 4 anos, à qual ele era muito ligado. Ela foi morar com o amante em uma casa na zona rural. Desesperado, Rafal sai à procura das duas e à noite, numa viela, acaba sendo espancado por dois assaltantes. O médico perde a memória e some do mapa. Seu corpo nunca foi achado. A história dá um salto de 15 anos, chegando a um vilarejo do interior. Lá vive a filha do médico, Marysia (Maria Kowalska, em sua estreia como atriz), agora moça e linda. Ela trabalha como atendente em um bar de estrada decadente e frequentado pelos bêbados do lugar. O conde Leszek Czynski (Ignacy Liss) vai pela primeira vez ao bar e se apaixona por Marysia. Enquanto isso, por uma daquelas coincidências da vida literária, aparece no vilarejo um tal de Antoni Kostra, o médico que perdeu a memória. Ao salvar a vida de um garoto e curar o ombro de um idoso, ele começa a ficar famoso como curandeiro. Ninguém imagina que ele é um médico renomado. Por causa do furto de uma maleta com instrumentos médicos, Antoni é preso. Durante o julgamento, inúmeras testemunhas aparecem para confirmar as suas curas. De qualquer forma, fica a expectativa se a filha o reconhecerá e qual será o destino dos dois. Tudo isso será esclarecido no final. Trocando em miúdos, “Amor Esquecido” é mais um bom drama do cinema polonês, elaborado com muita competência. Recomendo.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

 

“O ACUSADO” (“ACCUSED”), 2023, Inglaterra, 1h28m, lançamento da Netflix, com direção de Philip Barantini, seguindo roteiro assinado por Barnaby Boulton e James Cummings. O jovem Harri Bhavsar (Chaneil Kular, de “Sex Education”), filho de imigrantes paquistaneses radicados em Londres, está prestes a viver momentos terríveis e de alta tensão. No caminho da casa dos pais, ele pega o metrô da capital inglesa e, perto do seu ponto de destino, fica sabendo que um atentado terrorista havia ocorrido na estação onde entrou no trem. Várias pessoas morreram e logo a notícia se espalha pelo noticiário das emissoras de TV e pelas redes sociais. Já na casa dos pais, que viajaram no dia seguinte em férias, Harri descobre que é o principal suspeito do atentado, conforme filmagens feitas pelas câmeras do metrô. Nas redes sociais, os ingleses prometem vingança e farão de tudo para encontrar Harri antes da polícia. Harri fica totalmente descontrolado, não sabe o que fazer. Ele até liga para a polícia dizendo-se inocente, mas sua ligação não é levada a sério. Até que dois sujeitos encontram o endereço e vão atrás dele. A primeira vítima é Flinn, o cachorro da família. E por aí vai o suspense, com momentos realmente de alta tensão, até o surpreendente desfecho. Completam o elenco Nila Aalia, Nitin Ganatra, Frances Tomelty, Lauryn Ajofo, Jay Johnson, Robbie O’Neil e Kimberley Marren. “O Acusado” prende a atenção, levando o espectador a desejar chegar até o final para ver o que vai acontecer. Não é nenhuma Brastemp, mas fica longe de uma geladeira de isopor.                  

 

Embora o título seja propício para definir o atual clima aqui no Brasil, “ONDA DE CALOR” (“HEATWAVE”), 2022, é um suspense policial norte-americano, 1h40m, um dos mais recentes lançamentos da Netflix, com direção de Ernie Barbarash e roteiro assinado por Chris Sivertson. Com pitadas de erotismo lésbico, nada do chocante e muito menos explícito - mas as atrizes são lindas -, a história é centrada em Claire Valens (Kat Graham, atriz nascida na Suíça), que trabalha em um grande escritório imobiliário. Com seu talento profissional, ela logo se transforma no “braço direito” do chefe, o empresário Scott Crane (Sebastian Roché). Solteirona disponível, Claire conhece Eve (Merritt Patterson), com a qual começa um relacionamento amoroso. Mal sabe Claire que Eve é a esposa do seu chefe e, quando descobre, a situação se complica. Não demora muito e Scott Crane é encontrado morto. Os detetives Parker (Roger Cross) e Arlo Leonard (Cardi Wong) iniciam as investigações e logo vários suspeitos viram alvo da polícia, entre os quais Claire e a esposa do falecido, além de alguns funcionários do escritório. O mistério só será revelado no desfecho, com uma surpreendente reviravolta. Também estão no elenco Jacqueline Breakweel, Alicia Hannah, Kayla Wallace e Aren Buchholz. A história até que prende a atenção, mas o filme está longe de merecer uma indicação entusiasmada.                

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

 

“BELA VINGANÇA” (“PROMISING YOUNG WOMEN”), 2020, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Emerald Fennell. Este suspense foi indicado em cinco categorias ao Oscar 2021 (veja no final deste comentário), vencendo o de Melhor Roteiro Original, justiça feita à atriz inglesa Emerald Fennel em seu filme de estreia no roteiro e direção. A história é centrada em Cassandra (Carey Mulligan), que abandonou a faculdade de medicina e agora é atendente em uma pequena cafeteria. À noite, ela sai pelos bares da cidade fingindo-se de bêbada para atrair as atenções dos homens que querem se aproveitar do seu estado e levá-la para a cama. Ela se vinga dos mal intencionados, mudando o comportamento a ponto de ser comparada com uma psicopata. Aos poucos, o espectador percebe que sua intenção é uma vingança declarada ao que fizeram com sua amiga Nina Fisher há 7 anos. Sua vingança será ainda mais maligna quando ela consegue identificar os responsáveis diretos pela tragédia ocorrida com Nina, incluindo a reitora da faculdade, um advogado e estudantes de medicina, incluindo o seu namorado. A cereja do bolo, ou seja, a bela vingança propriamente dita, está reservada para o desfecho, valorizando ainda mais a ótima história. Além da atriz inglesa Carey Mulligan, completam o ótimo elenco Alfred Molina, Laverone Cox, Alison Brie, Chris Lowell, Bo Burnham, Clancy Crow, Molly Shannon, Adam Brody, Jennifer Coolidge, Lorna Scott e Christopher Mintz-Plasse. “Bela Vingança” foi indicado ao Oscar 2021 nas categorias Melhor Roteiro Original – foi o vencedor -, Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan, premiada com o Globo de Ouro), Melhor Direção e Melhor Edição. A deliciosa trilha sonora também merecia pelo menos uma indicação. Enfim, "Bela Vingança" é um ótimo entretenimento.               

domingo, 24 de setembro de 2023

 

“O CONDE” (“EL CONDE”), 2023, Chile, 1h50m, lançamento da Netflix, direção de Pablo Larraín, que também assina o roteiro juntamente com Guillermo Calderón. Trata-se de uma fábula macabra, satírica, fantasiosa e bem-humorada centrada no personagem do ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1915-2006), agora como vampiro, interpretado por Jaime Vadell. O filme começa narrando a trajetória “vampiresca” de Pinochet, iniciada na França durante o período da Revolução Francesa, no século 18, até chegar ao Chile, quando derrubou Salvador Allende e em seguida governou como ditador até 1990. Pinochet agora mora num casarão isolado na Patagônia, com a esposa Lucía (Gloria Münchmeyer) e o também vampiro e fiel mordomo Fyodor Krassnoff (Alfredo Castro). Depois de 250 anos voando por aí, matando gente para beber o sangue, Pinochet confessa que está cansado e decide que quer morrer. Sabedores da intenção do pai, seus cinco filhos vão visitá-lo em seu refúgio, ávidos para se aproveitar de uma suposta herança milionária. Em meio à confusão familiar que se instala no casarão, surge no cenário a jovem Carmencita (Paula Luchsinger), que se apresenta como contadora, mas na verdade é uma freira designada para assassinar Pinochet. O roteiro do filme também conta com um forte componente político, principalmente nas reflexões sobre o seu período como ditador, com direito a uma inusitada e surpreendente visita da dama de ferro inglesa Margaret Tatcher (Stella Gonet), agradecida pelo fato de Pinochet ter ajudado a Inglaterra durante a Guerra das Malvinas. Além da ótima história, “o Conde” apresenta uma estética que remonta aos grandes clássicos do terror, como fotografia em preto e branco, mansão gótica e cenários enfumaçados. Além disso, é falado em espanhol, inglês e francês. Também estão no elenco Antonia Zeggers, Diego Muñoz, Catalina Guerra e Amparo Noguera. A estreia mundial de “O Conde” aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Veneza 2023, quando foi indicado para premiações em diversas categorias, conquistando o “Leão de Ouro” de Melhor Roteiro. Muito pouco para um grande filme, tanto que acredito que será indicado como representante do Chile para disputar o Oscar 2024 como Melhor Filme Internacional. Termino o comentário afirmando que “O Conde” é a cereja do bolo da Netflix, com certeza seu melhor lançamento de 2023 e, sem dúvida, mais um gol de placa do diretor chileno Pablo Larraín, que possui no currículo excelentes filmes como "No" (indicado para o Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro), "O Clube" (vencedor do Globo de Ouro), "Neruda", "Spencer" e "Jackie", entre outros, todos comentados aqui no blog. Trocando em miúdos, "O Conde" é IMPERDÍVEL, assim mesmo com letras maiúsculas.                

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

 

“CAÇA MORTAL” (“THE SILENCING”), 2020, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h33m, em cartaz na Netflix, primeiro filme dirigido pelo cineasta belga Robin Pront nos Estados Unidos, com roteiro de Micah Ranum. Trata-se de um suspense policial centrado na investigação dos assassinatos de garotas adolescentes em uma região montanhosa dos Estados Unidos ou do Canadá – um absurdo o filme não dar referências sobre o local. O tal serial killer sequestra as moças e desaparece com elas. A história começa quando uma das garotas aparece morta dentro de um rio. Quem comanda as investigações é a xerife Alice Gustafson (Annabelle Wallis). O primeiro suspeito que aparece é justamente o irmão da policial, um jovem problemático chamado Brooks (Hero Fiennes Tiffin). Outro que aparece no cenário é Rayburn Swanson (Nikolaj Coster-Waldau), um ex-caçador responsável por uma área de proteção florestal cuja filha de 14 anos desapareceu há 5 anos. É ele quem vê pela primeira vez, através de câmeras instaladas na floresta, o assassino agir, utilizando uma camuflagem cheia de plantas, um disfarce bem ridículo que lembra o Rambo. Seu modus operandi é inusitado: uma arma especial que atira flechas. Nem a reviravolta perto do desfecho salva esse filme, repleto de situações mal explicadas e uma história pra lá de mirabolante. O ator dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, de “Game of Thrones, é o único que se salva em meio ao elenco um tanto medíocre. Também do lado negativo destaco a fraca atuação da atriz inglesa Annabelle Wallis, que é bonita e frágil demais para uma policial que precisa ser durona no meio de tantos machos valentes. Trocando em miúdos, “Caça Mortal” não é motivo para uma recomendação entusiasmada.               

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

 

“DEPOIS DA CABANA” (“LIEBES KIND”), 2023, Alemanha, minissérie em 6 episódios, produção original da Netflix (estreou no dia 7 de setembro), direção de Jeanette Wagner e Julian Pörksen, seguindo roteiro assinado por Isabel Kleefeld e Kim Riedle. Trata-se de um suspense psicológico cuja história é baseada no best-seller da escritora alemã Romy Hausmann. Depois que uma mulher é atropelada à noite em uma pequena estrada, a polícia quer identificar o atropelador, que não socorreu a vítima, mas teve a decência de solicitar socorro médico. Quando a ambulância chega ao local do acidente, ao lado da vítima está uma menina de 12 anos, identificada mais tarde como Hannah (Naila Schuberth), que seria filha da moça atropelada. Essa ocorrência levou a polícia a acreditar que pode haver uma relação com o desaparecimento misterioso, há 13 anos, de uma moça chamada Lena Beck. A detetive Aida Kurt (Haley Louise Joses) e o agente especial Gerd Bühling (Hans Löw) iniciam as investigações, chegando à conclusão de que um homem estaria sequestrando mulheres, trancando-as com duas crianças em uma casa no meio de um quartel militar abandonado. O cativeiro é descoberto, mas o mistério continuará sem solução até o desfecho. A história realmente prende a atenção, pois apresenta revelações surpreendentes e algumas reviravoltas, resultando numa trama bastante envolvente. Não perca!             

domingo, 17 de setembro de 2023

 

“O REI DAS FUGAS” (“NAJMRO: KOCHA, KREADNIE, SZANUJE”), 2022, Polônia, 1h40m, em cartaz na Netflix, direção de Mateusz Rakowicz (“A Mãe do Ano”, comentado recentemente neste blog), que também assina o roteiro com a colaboração de Lukasz Wieckiewicz. Cinebiografia baseada na história do criminoso polonês Zdzislaw Najmrodzki (1954/1995), que nas décadas de 70 e 80 se notabilizou não apenas pelos seus golpes audaciosos, mas, principalmente, por suas fugas “cinematográficas”. No total, foram 29, incluindo uma pela janela de um tribunal, de um trem, de delegacias e penitenciárias. O filme, ambientado um pouco antes do fim do comunismo e da queda do muro de Berlim, mostra alguns golpes praticados por Zdzislaw (Dawid Ogrodnik) e sua gangue, da qual fazia parte a própria mãe Mira (Dorota Kolok). O investigador-chefe Barski (Robert Wieckiewicz), com seu assistente trapalhão Ujma (Rafal Zawierugha), prendeu o lendário bandido várias vezes. Prendê-lo virou uma obsessão para a dupla de policiais. O roteiro utilizou um tom bem-humorado, perto de uma comédia, para apresentar a trajetória do famoso fujão. O filme é bastante movimentado, divertido e fácil de digerir, tornando-se um ótimo entretenimento. Não perca!         

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

 

“O SEQUESTRO” (“TAKE BACK”), 2022, Estados Unidos, 1h29m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Christian Sesma, seguindo roteiro assinado por Zach Zerries. Zara (Gillian Iliana Waters) vive uma rotina de muito trabalho como advogada e treinos de luta com o técnico e seu marido Brian (Michael Jai White). Tudo vira de cabeça pra baixo, porém, quando ela, especialista em artes marciais, desarma e derruba um homem que ameaçava matar a namorada em uma cafeteria. A ação é filmada e o vídeo começa a aparecer nas redes sociais. Zara vira uma celebridade, o que chama a atenção de um antigo desafeto, o asqueroso Patrick (o ainda mais desfigurado e intragável Mickey Rourke), chefão de uma quadrilha que sequestra meninas para serem vendidas para gangues do tráfico sexual. Zara tenta de todas as maneiras esconder o seu passado de vítima do mesmo Patrick, que agora quer se vingar do que ela lhe causou. Essa vingança chegou até a enteada de Zara, a adolescente Audrey (Priscilla Walker), sequestrada pela gangue de Patrick. Até o desfecho, Zara terá que se livrar de alguns capangas de Patrick e ainda tentar negociar a libertação de Audrey. Completam o elenco Paul Sloan, James Russo, Jessica Uberuaga, Chris Browning, Nick Vallelonga, Jay Giannone, Victoriya Dov e Jay Montalvo. Com exceção de algumas cenas de luta muito bem coreografadas e pitadas de suspense, o filme não traz atrativos que motivem uma recomendação entusiasmada. Como curiosidade, a atriz Gillian Waters é casada na vida real, desde 2015, com o ator Michael Jai White, seu marido no filme.     

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

 





“BRINCANDO DE DEUS” (“PLAYING GOD”), 2021, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem e talentoso cineasta Scott Brignac. Como cinéfilo amador, muitas vezes resolvo arriscar e assistir a um filme sem muitas referências. De vez em quando faço uma descoberta interessante e agradável. Foi o que aconteceu quando vi “Brincando de Deus”, um drama com pitadas de humor que me agradou bastante. Resumindo, o filme começa apresentando dois jovens irmãos gêmeos vigaristas, Rachel (Hannah Kasulka) e Micah (Luke Benward). Órfãos desde crianças, eles cresceram praticando pequenos furtos e depois partiram para golpes mais lucrativos. Chega o dia, porém, que os irmãos picaretas recebem a visita, não muito gentil, de um poderoso mafioso – ou será agiota? -, um tal de Vaughn (Marc Menchaca), a quem Micah deve uma grana preta. Caso contrário, a situação também poderá ficar preta para os irmãos. A luz no fim do túnel é o bilionário Ben (Alan Tudyk), que vive um período de luto por causa da morte da filha e fica obcecado em cobrar Deus pela tragédia. Ao ingressar em uma igreja e promover um escândalo, Ben acaba no noticiário, o que chama a atenção dos irmãos. Com a colaboração de um velho amigo, Frank (Michael McKean), Rachel e Micah resolvem dar um golpe no fragilizado bilionário. Golpe muito sujo aliás, pois, entre as muitas enganações, inventam um Deus de carne e osso para conversar com Ben. Aí a confusão está formada, prendendo a atenção do espectador até o final. Hannah Kasulka, além de bonita, é ótima atriz, assim como seu colega de cena Luke Benward, por sinal uma cópia do ator Jim Carrey quando moço. Garanto, o filme é muito interessante, inteligente e delicioso de assistir. Não perca!   

domingo, 10 de setembro de 2023

 

“UM DIA E MEIO” (“EN DAG OCH EN HALV”), 2023, Suécia, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta e ator libanês naturalizado sueco Fares Fares, que também assina o roteiro com a colaboração de Peter Smirnakos. O filme começa com um homem armado entrando em um centro médico e fazendo reféns funcionários e pacientes. A situação chegou ao conhecimento da Força-Tarefa Nacional, que enviou ao local uma equipe sob o comando do oficial Lukas (Fares Fares). Como o negociador oficial da polícia estava trabalhando em outra ocorrência, coube ao próprio Lukas conversar com homem, que logo veremos tratar-se de Artan (Alexej Manvelov), cuja ex-esposa, Louise (Alma Pöysti), é funcionária do centro médico. Artan quer recuperar a guarda da filha Cassandra, ainda um bebê. Artan exige ver a filha, agora aos cuidados dos pais de Louise em um pequeno sítio na zona rural. O policial Lukas solicita um carro para levar Artan e Louise até o sítio. Começa então um road movie, sendo que o carro dirigido por Lukas é o primeiro de um comboio formado por várias viaturas policiais. O suspense aumenta cada vez por causa do revólver sempre apontado para a cabeça de sua ex-mulher e pela expectativa do que irá acontecer quando Artan chegar ao local onde está a filha. “Um Dia e Meio” é um bom suspense, prende a atenção até o desfecho. Segundo os materiais de divulgação, a história é baseada em fatos reais, mas nem tudo. Segundo o próprio diretor, a única cena baseada em fatos reais foi aquela em que Artan invade o centro médico armado com um revólver para exigir a guarda da filha. O restante é fruto da imaginação de Fares Fares e do seu colaborador roteirista. Trocando em miúdos, é um bom suspense que merece ser conferido.  

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

 

“SOMBRAS DE UM CRIME” (“MARLOWE”), 2022, coprodução EUA/Irlanda, 1h49m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Neil Jordan, que também assina o roteiro com a colaboração de William Monahan. Os romances policiais norte-americanos escritos nas décadas de 30 e 40 do século passado resultaram, na mesma época, no surgimento dos chamados filmes noir, gênero que Hollywood cansou de explorar. “Sombras de um Crime” tenta resgatar esse estilo. A história, ambientada em 1939 na cidade de Los Angeles, é baseada no livro “A Loura de Olhos Negros”, de 2014, escrito pelo irlandês John Banville. O personagem principal é Philip Marlowe (Liam Neeson), detetive particular criado nos livros escritos por Raymond Chandler (1888-1959), um dos mais importantes escritores de romances policiais. Em crise de clientes, Marlowe recebe uma inesperada cliente, a loura femme fatale Clare Cavendish (Diane Kruger), que contrata o detetive para encontrar seu desaparecido amante, o vigarista Nico Peterson (François Arnaud). Durante sua investigação, Marlowe terá que se confrontar com um empresário malandro (Danny Huston), com a própria mãe de Clare, uma ricaça interpretada por Jessica Lange, e com gente da pior qualidade, incluindo um rico empresário (Alan Cumming) e uma dupla de traficantes mexicanos. A trama é complicada, o filme é um tanto lento e cansativo, com exceção da ótima direção de arte, uma primorosa fotografia – do espanhol Xavi Giménez – e uma caprichada recriação de época. O ator Liam Neeson não convence como Philip Marlowe, personagem que já foi vivido na tela por grandes atores, entre os quais Humphrey Bogart e Robert Mitchum. O resultado final não é capaz de convencer nem mesmo os fãs do estilo noir.    

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

 

“REFÉM REBELDE” (“ROGUE HOSTAGE”), 2021, Estados Unidos, em cartaz no Prime Vídeo, 1h34m, direção de Jon Keeyes, seguindo roteiro assinado por Mickey Solis. Um psicopata e dois amigos resolvem se vingar de um empresário famoso, dono de uma rede de supermercados. O motivo? Cerca de 20 anos atrás o empresário Sam Nelson (o intragável John Malkovich) teria denunciado o tio de Eagan Raize (Christopher Backus), que acabou sendo preso, abandonando seus dois sobrinhos ao Deus dará. Tantos anos depois, Eagan resolve se vingar, justamente no dia em que Sam Nelson está inaugurando mais um supermercado. Eagan e seus comparsas invadem a festa e fazem de reféns os funcionários e clientes, entre eles um ex-fuzileiro naval, Angel Snowden (Tyrese Gibson), que agora trabalha como funcionário do conselho tutelar da cidade e sofre de estresse pós-traumático depois de um período no Afeganistão. Apenas com esta pequena sinopse você será capaz de adivinhar o que vai acontecer no desfecho. Também estão no elenco Lauren Vélez, Michael Jai White, Holly Taylor e Brande Bravo. Toda a ação se desenrola dentro do supermercado, mas esse aspecto não significa que o filme é monótono. Até que tem bastante ação e algum suspense, mas não espere muita inteligência do roteiro, repleto de furos e situações pouco convincentes. De qualquer forma, vale como opção para uma sessão da tarde com pipoca.     

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

 

“SEDE ASSASSINA” (“TO CATCH A KILLER”), 2023, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Damián Szifron, que também assina o roteiro com a colaboração de Jonathan Wakeham. Depois de se consagrar com elogios da crítica especializada pelo seu filme “Relatos Selvagens”, indicado ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, o cineasta argentino foi convidado por Hollywood para dirigir este thriller policial, o seu primeiro longa em língua inglesa. O filme começa quente. É véspera de Ano Novo, Baltimore está em festa, a população comemorando, muitos fogos. Só que nem todos eram fogos, e sim os tiros de um atirador de elite que resultaram na morte de 29 pessoas e outras tantas feridas. Lammark (Ben Mendelsohn), diretor do FBI, ficou encarregado do caso e resolveu montar uma equipe para assessorá-lo: um agente experiente, Mackenzie (Jovan Adepo), e uma policial inexperiente e problemática, Eleanor Falco (Shailene Woodley, de “A Culpa é das Estrelas” e a saga “Divergente”). O pessoal do FBI tenta montar o perfil psicológico do atirador, o que resulta em inúmeras discussões entre os agentes, conversas bastante interessantes para o espectador. Não demora muito e o maluco volta a atacar, matando dezenas de pessoas, a maioria policiais, dentro de um shopping center. Pressionado pelo prefeito da cidade e pela promotoria pública, Lammark e sua equipe são afastados do caso, mas não largarão o osso facilmente. “Sede Assassina” é um bom suspense, prende a atenção e motiva os espectadores a torcer pela agente Falco, interpretada com muita competência pela atriz Shailene Woodley. Um filme acima da média.   

sábado, 2 de setembro de 2023

 

“IMPÉRIO DA DOR” (“PAIN KILLER”), 2023, Estados Unidos, minissérie em 6 episódios da Netflix, direção de Peter Berg. O roteiro foi escrito por Micah Fitzerman-Blue e Noah Harpster, que se basearam nos livros “Pain Killer: An Empire of Deceit and The Origin of America’s Opioid Epidemic", de Barry Meier, e “The Family That Builty An Empire of Pain”, de Patrick Raden Keefe. A história traz o relato de uma tragédia que se abateu nos Estados Unidos na década de 90 e início dos anos 2000, ou seja, as milhares de mortes ocorridas pelo consumo do OxyContin, um analgésico viciante à base de morfina fabricado pela Pardue Pharmam, pertencente à família Sackler. O remédio chegou a ser apelidado de “heroína em comprimido”. A minissérie explora três vertentes. A primeira, a ganância do empresário Richard Sackler (Matthew Broderick), dono da farmacêutica, que montou um esquema de representantes bonitas e sensuais para convencer os médicos a receitar o remédio em troca de favores sexuais. A segunda vertente mostra os esforços de Edie Flowers (Uzo Aduba), investigadora da Procuradoria dos EUA em denunciar as mortes ocorridas por causa do remédio. A terceira vertente explora a tragédia que se abateu sobre milhares de famílias cujos entes queridos se viciaram e morreram por overdose. Como exemplo, o roteiro apresenta o caso do mecânico de automóveis Glen Kryger (Taylor Kitsch), que se vicia e acaba morrendo de overdose, depois de perder a oficina, a mulher e o filho pequeno. Casos como esse são relatados no início de cada capítulo em depoimentos de pessoas que tiveram um ente querido morto pelo remédio. Importante ressaltar que todos esses acontecimentos ficaram escondidos do público por mais de uma década, demonstrando o poder da indústria farmacêutica em corromper autoridades, mídia e a classe médica. Também estão no elenco Madelaine West Duchovny (filha dos atores David Duchovny e Lea Leoni), Dina Shihabi, Carolina Bartczak, Mercedes Blanche e Clark Grege. “Império da Dor” é forte, contundente e realista ao máximo e, sem dúvida, deverá sensibilizar a opinião pública sobre essa tragédia.  

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

 

“A EXTORSÃO” (“LA EXTORSIÓN”), 2023, Argentina, 1h45m, em cartaz na HBO Max, direção de Martino Zaidelis, seguindo roteiro assinado por Emanuel Diez. Trata-se de um suspense bem movimentado, repleto de mistérios e algumas reviravoltas. É daqueles filmes que não deixam você piscar. Veterano piloto da aviação comercial prestes a se aposentar, Alejandro Petrussián (Guilhermo Francella) é obrigado a transportar uma maleta com conteúdo misterioso nos voos que saem de Buenos Aires com destino a Madrid. Na verdade, ele está sendo chantageado. Quem o obriga a fazer o serviço promete revelar à companhia de aviação, caso não obedeça, que não poderá mais voar devido a uma deficiência auditiva, aspecto que ele jamais revelou e que o proibiria de continuar trabalhando. A trama envolve não apenas seus colegas de trabalho e sua namorada, como também o serviço secreto da Argentina e a polícia aeroportuária de Buenos Aires. Como será que o piloto sairá dessa situação? Essa é a pergunta-chave cuja resposta motiva o espectador a ir até o desfecho da história. Completam o elenco Andrea Frigerio, Alberto Ajaka, Pablo Rago, Carlos Portaluppi e Mónica Villa. O veterano ator Guillermo Francella carrega o filme nas costas, comprovando, mais uma vez, que está no mesmo nível do grande Ricardo Darín. Não é para menos. Francella já atuou em vários filmes importantes do cinema argentino. Só para citar alguns, “O Segredo dos Seus Olhos”, “Granizo”, Minha Obra Prima” e “O Clã”. Sem dúvida, “A Extorsão” surge para valorizar ainda mais a carreira de Francella. Um ótimo suspense. Imperdível!  

 

“CRIME NA RODOVIA PARAÍSO” (“PARADISE HIGHWAY”), 2022, Estados Unidos, lançamento da Prime Vídeo, 1h55m, roteiro e direção de Anna Cutto, cineasta norueguesa radicada nos Estados Unidos – é o seu longa de estreia. A história é toda centrada na caminhoneira Sally (Juliette Binoche), que é obrigada a transportar cargas ilícitas para proteger a vida do irmão Dennis (Frank Grillo), que está na prisão e vive ameaçado por gangues da pesada. Sally vive na corda bamba, pois qualquer hora poderá ser presa em algum posto policial na estrada. Se a sua situação já é ruim, piora muito mais depois que é obrigada a dar “carona” a uma garota de 12 anos, Leila (Hala Finley), sequestrada por exploradores sexuais. Ao transportar a menina, Sally entra no radar do FBI, que escala seu agente especial Finley Sterling (Cameron Monaghan) para descobrir o paradeiro da caminhoneira. Para essa missão, Finley conta com a colaboração do ex-agente Gerick (Morgan Freeman), que agora trabalha como consultor do FBI. O filme vira um road movie pelas estradas do interior dos Estados Unidos, com algum suspense e reviravoltas. Completam o elenco Veronica Ferres, Christiane Seidel, Bill Luckett, Diva Tyler e Walker Babington. Embora conte com a presença de Juliette Binoche e Morgan Freeman, quem se destaca é a atriz adolescente Hala Finley, de 14 anos, numa interpretação talentosa que prenuncia o nascimento de uma nova estrela. Tomara que eu não esteja enganado. Estranho mesmo foi ver uma atriz consagrada, a francesa Juliette Binoche, escalada como motorista de caminhão, ainda mais em um filme tão fraco. Afinal, ela já participou de tantos clássicos do cinema europeu (“A Liberdade é Azul”, “Perdas e Danos”, “Cópia Fiel”, “Deixa a Luz do Sol Entrar” e “Acima das Nuvens”, só para citar alguns). Ela também ganhou um Oscar (“Paciente Inglês”), um César (“A Liberdade é Azul”) e um Leão de Ouro (“Cópia Fiel”). Estou pensando até agora como ela topou esse papel. Morgan Freeman, tudo bem, está à beira da aposentadoria, um dinheirinho a mais vai ajudar. Somando os prós e os contras, “Crime na Rodovia Paraíso” tem muito mais contras. Só se sustenta mesmo pela presença dessa dupla de astros e pelo talento da atriz adolescente.