sábado, 2 de julho de 2016

Imagine você lá em Londres no dia 8 de maio de 1945, comemorando com os ingleses o “Dia da Vitória”, ou seja, a derrota dos alemães e o fim da Segunda Grande Guerra. A produção inglesa “UMA NOITE FORA DO PALÁCIO” (“A Royal Night Out”), 2015, proporciona essa verdadeira viagem no tempo. O cenário de toda a ação é este, mas a história do filme é centrada nas princesas irmãs Elizabeth (Sarah Gadon), que alguns anos mais tarde seria coroada Rainha Elizabeth II, e Margaret (Bel Powley). Elas queriam ir para as ruas, incógnitas, para se juntar à multidão. E foi o que fizeram, com a devida autorização dos pais, o Rei George VI (Rupert Everett) e a Rainha Mãe Elizabeth (Emily Watson), e com a companhia de dois oficiais do Exército. Nas ruas, as princesas confraternizaram, fizeram amizades, dançaram e visitaram lugares pouco adequados para moças da realeza. A saída delas do Palácio de Buckingham, naquela noite, realmente aconteceu, mas os roteiristas Kevin Hood e Trevor de Silva, além do diretor Julian Jarrold (“Amor e Inocência”), certamente criaram fatos fantasiosos para dar maior sabor à história, como o namorico de Elizabeth com o aviador Jack (Jack Reynor) ou a bebedeira da princesa Margaret. O filme tem muito de conto de fadas e é muito agradável de assistir. Recomendo. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

“DEMÊNCIA” (“Dementia”), 2015, EUA, direção de Mike Testin. Trata-se de um filme de suspense cuja história é centrada em George Lockhart (Gene Jones), um setentão veterano e herói da Guerra do Vietnã. Ele sofre um AVC e os médicos também constatam o início de uma demência. Seu filho Jerry (Peter Cilella) e a neta Shelby (Hassie Harrison) resolvem então contratar uma enfermeira. Eis que surge Michelle (Kristina Klebe), aparentemente um anjo de pessoa. Shelby é a única a desconfiar da enfermeira. A partir daí, os fatos que se desenrolam até o desfecho trágico estão todos relacionados com o passado de George e a Guerra do Vietnã. Aliás, muito mal explicados. O filme é um suspense de quinta categoria, elenco fraco, história que não se sustenta, tensão superficial e uma solução para o desfecho pra lá de lamentável, com cenas constrangedoras. Nem a surpreendente revelação no final, causando uma reviravolta na história, consegue salvar. Não dá para indicar. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A produção cinematográfica da Romênia é bastante acanhada em comparação com outros países. Produz cerca de 10 filmes por ano, no máximo. Mas, se perde na quantidade, ganha na qualidade. Posso citar dois exemplos recentes: “Instinto Materno” e “Casamento Silencioso”. Na maioria deles, o pano de fundo tende a ser a política do país pós-comunismo. Não é o caso de um filme que resgatei de 2006: “AMOR LOUCO” (“LEGATURI BOLNAVICIOASE”), escrito e dirigido por Tudor Giurgiu. Trata-se da adaptação do romance homônimo escrito por Cecília Stefaneson. A história: Alex (Joana Barbu) sai da distante cidade de Pietrosita, zona rural da Romênia, e vai estudar na capital Bucareste. Na faculdade, faz amizade com Kiki (Maria Popistasu). Começam a namorar em segredo. Kiki, porém, passa a se revelar emocionalmente desequilibrada, além de manter um relacionamento muito estranho com o irmão Sandu (Tudor Chirila), beirando o incestuoso. O caldo engrossa quando Alex resolve levar Kiki para passar uns dias em sua cidade interiorana. Tratado de forma novelesca, o que me fez lembrar “Malhação”, com muito papo furado, o filme pode encantar o público mais jovem. O que eu mais gostei, porém, foi da interpretação das duas atrizes principais. Ah, também de bom posso citar o fato de que, ao contrário da maioria dos filmes que envolvem relacionamentos homossexuais, as (poucas) cenas de sexo não são apelativas. Pelo menos isso. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

O drama biográfico “REDENÇÃO” (“Machine Gun Preeacher”), EUA, 2011, direção de Mark Foster (“Guerra Mundial Z”, “007 – Quantun of Solace” e “O Caçador de Pipas”), conta a incrível história do norte-americano Sam Childers (o ator escocês Gerard Butler, de "300"), um ex-viciado em drogas que se tornou pastor da igreja pentecostal, depois um construtor de sucesso e, por fim, voluntário na África, ajudando crianças no Sudão e em Uganda, países envolvidos em sangrentas guerras civis. A história começa nos anos 90, quando aconteceu a conversão de Sam. Em 1998, depois de ouvir uma palestra de um pastor voluntário sobre os problemas enfrentados pela população pobre da África, Sam resolve viajar para Uganda com o objetivo de reconstruir as casas destruídas pela guerra. Durante esse trabalho, Sam se comove com a situação das crianças órfãs no sul do Sudão e resolve ajudá-las, construindo um orfanato (“Angels of East Africa”). Casado com Lynn (Michelle Monaghan), que o levou para a igreja, e pai de Paige (Madeline Carrol), Sam enfrentou muitos desafios na África e chegou até a pegar em armas para enfrentar os sanguinários mercenários do perigoso Grupo LRA. Nos créditos finais, o verdadeiro Sam Childers é apresentado em fotografias. Ainda no elenco, Michael Shannon e Katy Baker. Um belo filme e uma história que merece ser conhecida.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

“FIM DE SEMANA EM PARIS” (“Le Week-End”), 2013, Reino Unido, roteiro de Hanif Kureishi e direção de Roger Michell. Trata-se de uma comédia dramática, mas, no geral, é um filme melancólico sobre o desgaste de um casamento. Os professores universitários ingleses Nick Burrows (Jim Broadbent) e Meg (Lindsay Duncan) resolvem comemorar o 30º aniversário de casamento passando um final de semana em Paris. A ideia é relembrar a lua de mel que passaram na “Cidade Luz”, incluindo reservas no mesmo hotel. Só que, aos poucos, Nick e Meg percebem que a relação está um tanto desgastada. Não são mais o marido e a esposa apaixonados de trinta anos atrás. Nas andanças do casal pela capital francesa, eles discutem a relação, alternando alguns momentos românticos e outros de desentendimentos. O convite para jantar na casa de um ex-aluno de Nick, Morgan (Jeff Goldblum), provocará uma repentina mudança no relacionamento do casal. O roteiro força a barra em algumas cenas, como aquela em que Nick e Meg saem correndo pelas ruas de Paris (um casal normal de meia idade não faria isso nem teria esse fôlego) e outra onde eles fogem de um restaurante sem pagar. De qualquer forma, a dupla de atores é excelente e o cenário deslumbrante. Paris à noite é uma festa para os olhos, compensando alguns momentos tediosos do filme.                    

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Uma das frases mais famosas criadas pelo jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues foi “NINGUÉM AMA NINGUÉM... POR MAIS DE DOIS ANOS”. A frase virou o título de um ótimo filme nacional, produzido em 2015 e dirigido por Clóvis Mello. A história adapta cinco contos do livro “A Vida como Ela é”, que reúne as crônicas escritas por Nelson no Jornal Última Hora na década de 50. O filme envolve os bastidores do casamento de cinco casais jovens da classe média carioca. O adultério é o tema de todos. Num episódio, o marido é o traidor. No outro, a mulher. Marido cafetina a mulher. Mulher se vinga do amigo do marido que não quis nada com ela. Marido trai a patroa com a empregada. As mulheres são todas lindas... e carentes. As situações são tratadas com muito bom humor, embora algumas terminem em tragédia. Uma das frases mais engraçadas é dita pelo marido durante o velório da esposa: “Ela era uma mulher tão séria e fiel que só tomava injeção no braço”. O que mais gostei, porém, foi a primorosa recriação de época, como os cenários, a decoração dos escritórios e das casas, os figurinos e ainda os nomes de alguns personagens que hoje parecem ridículos, mas que eram comuns naqueles anos: Asdrubal, Orozimbo, Juventino etc. O elenco também é ótimo: Gabriela Duarte, Marcelo Faria, Ernani Moraes, Pedro Brício, Branca Messina, Juliane Trevisol e até Luana Piovani numa ponta, além da morena Lidi Lisboa, de fechar o comércio da 25 de Março e adjacências.
Deus existe e mora em Bruxelas (Bélgica). Este é o ponto de partida da comédia belga “O NOVÍSSIMO TESTAMENTO” (“Le Tout Nouveau Testemant”), 2015, 113 minutos. Aqui, Deus (Benoît Poelvoorde) é casado e tem uma filha de 10 anos. É um cinquentão rabugento, beberrão e fumante inveterado. Passa o dia de pijama na frente do computador, inventando catástrofes naturais, guerras e graves acidentes, além de tramar de que forma cada um dos habitantes da Terra deve morrer. A filha de Deus, Ea (Pili Groyne), com a ajuda do irmão JC, resolve interferir nos projetos do Pai, alterando os programas do computador divino. Dessa forma, envia mensagens, via internet, aos celulares das pessoas, informando da data que cada uma vai morrer. Daí para frente, só confusão. Claro que é uma fantasia, um filme surreal, escrito e dirigido por Jaco Van Dormael (“O Oitavo Dia”). O Vaticano e os católicos mais fervorosos não devem ter gostado. Claro que, se a história envolvesse Maomé, diretor e produtores já teriam sido assassinados. Não achei o filme ofensivo, pois entendi que não passa de uma brincadeira. Apenas uma comédia ousada e irreverente. O filme representou a Bélgica na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. No elenco, além de Poevoorde, estão Yolande Moreau, Catherine Deneuve e François Damiens. Um filme mais interessante do que bom.   

terça-feira, 21 de junho de 2016

Eleito o Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, além de premiado com o Melhor Roteiro no Festival de Cannes e vencedor do Globo de Ouro, o drama russo “LEVIATÔ, direção de Andreï Zviaguintsev (“Elena” e “O Retorno”), causou grande polêmica na Rússia. As autoridades não gostaram e dificultaram sua exibição comercial. Afinal, o filme escancara o que o país de Putin tem de pior atualmente, ou seja, corrupção deslavada, abuso de poder, policiais irresponsáveis e incompetentes, além da aliança sórdida entre a Igreja (Ortodoxa) e o Estado. Ao mesmo tempo, apresenta um painel social nada recomendável, principalmente ao mostrar os russos como beberrões crônicos – todos os personagens passam o filme bebendo rios de vodka. Ambientada em Teriberka, pequena cidade litorânea ao Norte da Rússia, a história é centrada no mecânico Kolia (Aleksey Serebryakov), ameaçado pela prefeitura local de ter sua casa desapropriada. O prefeito corrupto Vadim Cheleviat (Roman Madianov) quer o terreno para construir um luxuoso empreendimento. Kolia resolve lutar na Justiça e, para isso, pede ajuda a um amigo advogado de Moscou, Dmitriy (Vladimir Vdovitchenkov). A história do filme é toda baseada nessa luta inglória e suas consequências, como um grande conflito familiar envolvendo Kolia e sua bela esposa Lilya (Elena Lyadova), o filho do casal e ainda Dmitriy. Um dos melhores filmes da década. Imperdível! 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O suspense australiano “VISÕES DO PASSADO” (“Backtrack”), 2015, roteiro e direção de Michael Petroni (mais conhecido como roteirista de “A Menina que Roubava Livros”), traz no papel principal o ator Adrien Brody (“O Pianista”). Ele é o psicólogo Peter Bower, que há anos vive atormentado por lembranças trágicas, como a morte de sua filha Evie, de 12 anos, e um antigo acidente ferroviário que matou 47 pessoas, quando ele ainda era um adolescente. Em meio a muitos sustos, aparição de fantasmas e outros clichês do gênero, Peter resolve procurar o Dr. Duncan Steward, um renomado psiquiatra, que resolve ajudá-lo. Peter começa a desconfiar que está ficando louco e a acreditar que seus pacientes e as pessoas que o cercam não passam de criaturas do outro mundo. Parece que tudo pode estar relacionado com o acidente ferroviário. Seguindo conselho do Dr. Duncan e seu próprio instinto, Peter volta à cidade natal para tentar decifrar e relembrar o que realmente aconteceu no dia do acidente ferroviário, além de se confrontar com o pai, um policial aposentado com um comportamento muito misterioso. O estilo do filme lembra um pouco o clássico “O Sexto Sentido”, só que com muito mais personagens, ação e sustos. Para uma sessão da tarde ou numa noite chuvosa, até que funciona como entretenimento.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

“13 HORAS: OS SOLDADOS SECRETOS DE BENGHAZI” (“13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi”), 2015, EUA, 2h24m. A história é baseada em fatos reais, ocorridos no dia 11 de setembro de 2012 em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia. Terroristas islâmicos atacam a embaixada dos EUA e, na mesma noite, tentam invadir um complexo secreto da CIA. Em ambos, correm risco de vida vários funcionários norte-americanos, incluindo o embaixador e outras autoridades. Para defendê-los, apenas seis soldados de uma empresa de segurança particular, sem qualquer apoio militar, o que gerou muitas críticas à então Secretária de Defesa Hilary Clinton. O filme mantém um forte clima de tensão e suspense do começo ao fim, com muita ação, tiros, explosões, perseguições, em cenas muito bem realizadas pelo diretor Michael Bay (da franquia “Transformers” e “Sem Dor, Sem Ganho”). No elenco, o mais conhecido é o ator John Krasinski (“Caminho para o Coração” e “Licença para Casar”), que interpreta Jack da Silva, um dos soldados da equipe. O roteiro, escrito por Chuck Hogan, é baseado no livro “13 Hours”, de Michael Zuckoff. Enfim, um prato cheio para quem gosta de filmes de ação baseados em fatos reais.  Dá arrepios só de imaginar que tudo o que o filme mostra aconteceu de verdade. Filmaço! Ah, na mesma linha de filmes de ação e suspense, recomendo "Falcão Negro em Perigo", de 2001, dirigido por Ridley Scott. 

     

quinta-feira, 16 de junho de 2016

“CINCO GRAÇAS” (“Mustang”), 2015, marca a estreia em longas da diretora Deniz Gamze Ergüven. Embora a diretora, equipe técnica e todo o elenco sejam turcos, trata-se de uma produção francesa. Aliás, disputou o Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro como candidato oficial da França. É um belo drama que tem como pano de fundo a condição feminina sob as rígidas regras e preceitos da religião islâmica. O cenário é um vilarejo na Turquia, a 1.000 km de Istambul. Toda a história é centrada em cinco irmãs adolescentes que, no último dia de aula antes das férias, vão à praia com seus colegas. Tomam banho de mar e brincam com os meninos. Tudo na maior inocência. Só que no vilarejo corre a história de que elas estavam se esfregando nos meninos. O pai delas, um islâmico ultraconservador, resolve então trancafíá-las em casa, colocando grades e cadeados em todas as portas. A prisão não é suficiente. Ele quer casá-las como manda a tradição: casamentos arranjados. Assim consegue com uma, com duas e com três. As duas mais novas se revoltam e resolvem planejar uma fuga para Istambul. O filme é ótimo, o elenco feminino é excelente e a história tem todos os ingredientes para agradar a qualquer público.  

 

terça-feira, 14 de junho de 2016

“À BEIRA-MAR” (“BY THE SEA”), 2015, roteiro e direção de Angelina Jolie. Ao contrário dos dois filmes anteriores que dirigiu (“Na Terra de Amor e Ódio” e “Invencível”), Jolie adotou neste um tom mais intimista, introspectivo, lembrando o estilo dos filmes europeus, principalmente italianos e franceses, das décadas de 60 e 70. A história, ambientada justamente nos anos 70, começa com a chegada do casal Roland (Brad Pitt) e Vanessa (Angelina Jolie), vindos de Nova Iorque, a um resort isolado no litoral da França (as filmagens aconteceram na praia de Gozo, a segunda maior ilha de Malta). Ele, um escritor em crise, procura inspiração para um novo livro. Ela, numa fase crítica de depressão pré-suicídio. O casamento dos dois, depois de 14 anos, também está em crise. Ele passa o dia bebendo no bar de Michel (Niels Arestrup), com o qual joga conversa fora e desabafa seus problemas. Ela fica o tempo todo no quarto do hotel, lendo e fumando. Essa rotina muda quando Vanessa passa a se relacionar com Lea (Mélanie Laurent) e François (Melvil Poupand), casal que chega ao hotel para passar a lua de mel. Angelina e Brad Pitt, que não contracenavam juntos deste “Sr. e Sra. Smith”, estão sempre em cena, juntos ou separados, e o desempenho de ambos é excelente. O filme é muito bom, mas melhor ainda é o cenário paradisíaco em que as filmagens aconteceram, valorizado pela excelente fotografia do austríaco Christian Berger (“A Fita Branca”).        

segunda-feira, 13 de junho de 2016

“CONSPIRAÇÃO E PODER” (“Truth”), 2015, conta a história de uma das maiores gafes jornalísticas dos EUA (no jargão jornalístico brasileiro, a famosa "barriga"). Aconteceu às vésperas das eleições presidenciais de 2004. Uma equipe do programa “60 Minutes”, da CBS News, descobriu um documento que denunciava George W. Bush, então presidente e candidato à reeleição, como uma espécie de desertor da Guerra do Vietnã, no início dos anos 70. Ele teria sido favorecido por amigos influentes de sua família para não ser enviado para lutar naquela guerra. A equipe de jornalistas era chefiada pela produtora Mary Papes (Cate Blanchett). Sua missão era verificar a autenticidade do documento, um trabalho árduo de jornalismo investigativo. Ela e sua equipe chegaram finalmente à conclusão de que tinham um material confiável e bombástico na mão e convenceram a direção da CBS News a divulgar a denúncia. O âncora Dan Rather (Robert Redford), na época um grande astro do jornalismo televisivo norte-americano, ficou encarregado de apresentar os fatos em rede nacional. Logo depois, porém, houve um desmentido feito justamente pela pessoa que entregou o documento à equipe da TV. Aí o caldo engrossou para o lado da CBS News, que teve de se explicar à opinião pública. Sobrou, é claro, para Mary e sua equipe e até para o astro Dan Rather. Toda história é baseada no livro “Truth and Duty: the Press, the President and the Privilege of Power”, escrito pela própria Mary Papes. A adaptação ficou a cargo do roteirista James Vanderbilt, que também foi responsável pela direção. A história é muito interessante e vale a pena ser conferida, mas o maior destaque do filme é mesmo a atriz australiana Cate Blanchett, com mais um desempenho fantástico. Depois que ganhou o Oscar de Melhor Atriz por “Blue Jasmine”, em 2014, ela se transformou numa das mais poderosas atrizes de Hollywood. Prova disso é que, a seu pedido, para não ficar longe da família, o filme inteiro foi rodado na Austrália. Também estão no elenco Dennis Quaid, Topher Grace, Elizabeth Moss, Bruce Greewood, Stacy Keach e Dermot Mulroney.     

domingo, 12 de junho de 2016

“MINHA QUERIDA DAMA” (“MY OLD LADY”), 2014, EUA/França, roteiro e direção de Israel Horovitz. Não sei por que, mas o filme chegou por aqui com mais uma tradução: “Uma Senhora Herança”. A divulgação do filme, aliás, o trata como comédia, mas na verdade é um drama. Tem alguns momentos de humor, mas só no começo. Baseada na peça de teatro “My Old Lady”, escrita pelo próprio Horovitz e encenada com sucesso na Broadway, a história é centrada em Mathias Gold (Kevin Kline), um nova-iorquino fracassado afundado em dívidas. Para tentar sair do buraco, ele resolve vender uma casa em Paris que seu pai havia deixado de herança. Ele viaja para a capital francesa, gastando o que lhe restava de grana, mas, ao chegar, tem a surpresa de encontrar morando na casa a idosa Mathilde (Maggie Smith) e sua filha Chloé (Kristin Scott Thomas). Por causa de uma antiga lei francesa intitulada “Viager”, Mathias não pode vender a casa enquanto Mathilde estiver viva. Ao mesmo tempo em que busca soluções judiciais para conseguir vender a propriedade e resolver seus problemas financeiros, Mathias faz amizade com a mãe e a filha, culminando com revelações surpreendentes sobre o passado do antigo proprietário da casa, ou seja, seu pai. A adaptação para a tela ficou teatral demais, o que acabou comprometendo o resultado final. Pode ter funcionado no palco, mas na telinha ficou devendo. Mesmo tendo no elenco a tríade Kevin Kline, Kristin Scott Thomas e Maggie Smith, artistas consagrados e da mais alta qualidade, não há motivos para uma recomendação entusiasmada. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

“CEMITÉRIO DO ESPLENDOR” (“Rak ti Khon Kaen”), 2015, Tailândia, roteiro e direção de Apichatpong Weerasethakul. Neste seu mais recente filme, o cineasta tailandês retoma os temas que já havia explorado no abominável “Tio Boonme, que pode recordar Vidas Passadas” (Palma de Ouro em Cannes/2010, um absurdo): vidas passadas, espíritos, sonhos, mediunidade, deuses, filosofia de vida, religião etc. O filme é ambientado num pequeno hospital onde antes funcionava uma escola infantil, numa floresta no interior da Tailândia. Nesse hospital, estão internados 27 soldados acometidos de uma rara doença do sono. Uns dormem o tempo todo, outros acordam de vez em quando. Quem domina a cena é Jenjira (Jenjira Pongpas), uma mulher de meia-idade voluntária no hospital, e Keng (Jarinpattra Ruengram), uma jovem médium. Elas conversam o tempo todo sobre diversos assuntos, um deles o fato de que a escola, hoje hospital, foi construída em cima de um cemitério onde estão enterrados os corpos de antigos reis e rainhas. No hospital, Keng tenta decifrar os sonhos e desejos dos soldados dorminhocos, enquanto Jenjira se afeiçoa por um dos soldados, Itt (Banlop Lomnoi), com o qual costuma ter longas conversas. Assim como os soldados, há grandes chances do espectador dormir durante o filme.     

terça-feira, 7 de junho de 2016

“O CONVITE” (“The Invitation”), 2015, EUA, direção de Karyn Kusama (“A Garota Infernal”, com Megan Fox). Trata-se de um suspense, quase um terror. Aqui, não há monstros, e nem necessidade deles, pois os verdadeiros monstros são os próprios seres humanos. O casal Eden (Tammy Blanchard) e David (Michiel Huisman) convida um grupo de amigos para jantar. Entre os convidados, Will (Logan Marshal Green), ex-marido de Eden, além de Pruitt (John Carroll Lynch), que anos antes assassinara a esposa, “acidentalmente”, diz ele. Os demais convidados também são esquisitos. Já nos aperitivos a gente percebe um clima de tensão no ar, prenunciando que a reunião não acabará bem. A coisa piora quando os anfitriões exibem um vídeo de um guru charlatão que prega a morte como a solução para todos os problemas. Depois disso, o clima entre os convidados fica ainda pior. A tensão aumenta, as pessoas ficam cada vez mais inquietas e aí a coisa desanda de vez. E não há como escapar, pois os anfitriões trancam todas as portas. Como suspense, o filme até que funciona. Nada mais que mereça uma indicação entusiasmada. Recomendo apenas para os fãs do gênero.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

“A GAROTA DINAMARQUESA” (“The Danish Girl”), 2015, EUA/Reino Unido, direção de Tom Hooper (“O Discurso do Rei”, “Sombras do Passado”, “Os Miseráveis”). Baseado no livro biográfico escrito por David Ebershoff, e, portanto, baseado em fatos reais, o filme conta a história do pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener, que se tornaria a primeira pessoa no mundo a se submeter a uma operação de mudança de sexo. Isso na década de 30, com uma Copenhagen retratada numa maravilhosa recriação de época. Einar (Eddie Redmayne),  começou a gostar de ser mulher ao servir de modelo para sua esposa, a também pintora Gerda (Alicia Vikander). A princípio, Gerda via o marido se vestir de mulher e achava tudo divertido. Mas ele levou a sério, mudou o nome para Lili Elbe e até arrumou um namorado, Henrik (Ben Whishaw), para desespero da esposa. Depois, é claro, quis ser mulher no sentido biológico, sendo operada pelo Dr. Warnekros (Sebastian Koch). Se já em “A Teoria de Tudo”, no qual interpretou o cientista Stephen Hawking, o ator britânico Redmayne havia demonstrado um enorme talento (ganhou o Oscar 2015 de Melhor Ator), neste ele se superou, com uma atuação nada menos do que espetacular. Merecia o bis no Oscar 2016, mas perdeu, injustamente, para Di Caprio, o queridinho da Academia. Justiça foi feita, porém, com a atriz sueca Alicia Vikander, que ganhou o Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante. Ela tem também uma atuação marcante. O filme foi indicado ainda para os prêmios de Melhor Direção de Arte e Figurino. Resumo da ópera: o filme é ótimo e simplesmente imperdível!     
“KAMCHATKA”, 2002, Argentina/Espanha. Ambientado em 1976, logo após o golpe militar na Argentina que deu início a uma violenta ditadura, o filme acompanha o cotidiano de uma família que foge de Buenos Aires e se refugia numa fazenda. O advogado David Vicent (Ricardo Darín) e sua esposa (Cecília Roth) estão sendo procurados pelos militares. Eles e os filhos são obrigados a trocar de nome. O mais velho, de 11 anos, escolhe Harry, por causa de seu grande ídolo, o mágico ilusionista Harry Houdini. A história é toda narrada sob a ótica de Harry, que não entende muito bem o que está acontecendo e nem por que são obrigados a viver fugindo. As barreiras militares nas estradas são a única referência explícita dos novos e tenebrosos tempos. No mais, o filme destaca o amor do casal, a preocupação com os filhos e como uma família é capaz de sobreviver num total anonimato. A família costuma jogar TEG (versão argentina do jogo de tabuleiro WAR), onde aparece um país fictício chamado Kamchatka – na verdade, trata-se de uma península que realmente existe a leste da Rússia. O diretor Marcelo Piñero (“Plata Quemada” e “Cinzas do Paraíso”) recheou o filme de momentos sensíveis e até comoventes, amenizando a carga dramática. É um filme bonito que merece ser visto e revisto, ainda mais porque é valorizado pela presença de Ricardo Darin e Cecília Roth, além do grande Hector Altério.               

domingo, 5 de junho de 2016

“RUA CLOVERFIELD, 10” (“10 Cloverfield Lane”), 2015, EUA. O maior mérito do diretor estreante em longas Dan Trachtenberg foi manter um clima de tensão crescente num filme com apenas três personagens e cuja ação ocorre, em grande parte do filme, num ambiente fechado. A jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) briga com o namorado, junta suas coisas e sai estrada afora. Depois de um acidente no qual quase perde a vida, Michelle acorda confinada num lugar estranho. Como vai descobrir logo depois, ela foi sequestrada – ou “salva” – pelo ex-soldado da Marinha Howard Stambler (John Goodman), um homem esquisito com jeito de psicopata. Michelle está, na verdade, dentro de um abrigo subterrâneo, um bunker todo protegido do ambiente externo. Segundo Howard, houve um ataque com armas químicas (alienígenas?) e a população toda foi dizimada. Howard, portanto, a salvou da morte certa. Michelle descobrirá também que tem a companhia de outro “refém”, Emmett (John Gallagher Jr.), que será seu companheiro de infortúnio. O suspense rola solto durante os 105 minutos de duração desse bom thriller psicológico, cuja receita ainda conta com algumas pitadas de humor negro e ficção científica. A atuação dos três protagonistas principais é ótima, com destaque para o veterano John Goodman. Suspense dos melhores!

            

quinta-feira, 2 de junho de 2016

“SPECIAL CORRESPONDENTS” (“Correspondentes Especiais”, na tradução literal) é mais uma produção da Netflix, cujo lançamento aconteceu diretamente na TV dia 29 de abril de 2016. Não sei se terá exibição por aqui no circuito comercial, o que seria uma pena se não acontecer. Vamos aguardar. Trata-se de uma comédia escrita e dirigida por Ricky Gervais, que também atua como um dos protagonistas principais. O repórter Frank Bonneville (Eric Bana) e o técnico de som Ian Finch (Gervais) trabalham numa pequena emissora de rádio de Nova Iorque. Com o objetivo de aumentar os índices de audiência, Geoffrey Mallard (Kevin Pollak), diretor da emissora, envia Frank e Ian para o Equador (apesar do mesmo nome, é um país fictício), que vive momentos de tensão por causa de um grupo de guerrilheiros que pretende iniciar uma revolução e derrubar o governo. No caminho do aeroporto, porém, acontece um acidente e Frank e Ian não conseguem embarcar. Não querendo decepcionar seus superiores, os dois resolvem forjar que chegaram ao Equador e montam um estúdio no andar superior de um restaurante. Logo em seguida, começam a transmitir flashes ao vivo, com direito a notícias falsas e sonoplastia especial. A situação rende momentos hilariantes. Enquanto isso, Eleonor Finch (a ótima Vera Farmiga), esposa de Ian, aproveita a situação para ganhar dinheiro e aparecer na mídia. Garanto: é uma comédia bem divertida, o que é raridade hoje em dia.  

terça-feira, 31 de maio de 2016

“O CIDADÃO DO ANO” (“KRAFTIDIOTEN”), 2014, Noruega, direção de Hans Peter Moland, estreou no Festival de Berlim 2014. Trata-se de um filme de ação, recheado de humor negro. Nils Dickman (Stellan Skarsgard) é um trabalhador dedicado e competente. Há muitos anos que sua tarefa é eliminar a neve nas estradas de uma região montanhosa da Noruega. Começa o filme com Nils sendo homenageado pelas autoridades locais com o título de “Cidadão do Ano” em reconhecimento ao seu trabalho. Nils almeja se aposentar e viver uma vida tranquila ao lado da esposa. Tudo vai bem até chegar a notícia de que seu filho Ingvar (Aron Eskeland) aparece morto. Segundo a polícia, a morte foi causada por overdose de drogas. Nils não aceita essa versão oficial e resolve ir atrás da verdade. E parte para a vingança, mesmo depois de descobrir que os responsáveis pertencem à perigosa máfia norueguesa comandada por Greven (Pal Sverre Hagen). A máfia sérvia, chefiada por Papa (o ótimo ator suíço Bruno Ganz), acaba se envolvendo na história e a confusão aumenta ainda mais. O cenário de violência e matança, que lembra o estilo Tarantino, é amenizado por toques de humor negro da melhor qualidade. Após cada execução – e são muitas –, a tela seguinte fica negra, destacando-se uma cruz acompanhada do nome da vítima. Enfim, um ótimo filme de ação que merece ser visto, ainda mais pelo desempenho do ator sueco Stellan Skarsgard, de “Ninfomaníaca” e “Os Vingadores”.

domingo, 29 de maio de 2016

“APRENDENDO COM A VOVÓ” (“Grandma”), EUA, 2015, escrito e dirigido por Paul Weitz (“Entrando numa Fria Maior ainda com a Família” e “Tudo pela Fama”). Embora o título nacional faça parecer que é uma comédia do tipo sessão da tarde, o filme é um drama, incrementado com alguns bons momentos de humor. A poetisa Elle Reid (Lily Tomlin), em depressão após a morte da companheira com quem viveu 38 anos e recém-separada de Olivia (Judy Greer), recebe a visita da neta Sage (Julia Garner), que lhe pede ajuda para financiar um aborto. A avó não tem o dinheiro necessário para pagar o procedimento, mas resolve ajudar Olivia. Avó e neta partem em busca desse dinheiro, recorrendo a antigos amigos e até a um antigo namorado, Karl (Sam Elliott, que de ator machão em filmes de cowboy passou a galã da terceira idade). No meio do caminho, elas também recorrem à mãe de Sage, Judy (Marcia Gay Harden), uma executiva de sucesso que nunca ligou para a filha e cuja relação cm Elle também não era das melhores. Resumo da ópera: trata-se de um filme sério, que aborda com sensibilidade e humor temas como lesbianismo, aborto e relacionamento familiar, valorizado pelo ótimo desempenho das atrizes. Curiosidade: o carro utilizado pela avó para pegar estrada com a neta é um Dodge Royal modelo 1955, pertencente à própria Lily Tomlin. Por esse papel, aliás, ela foi indicada ao Globo de Ouro 2016 como Melhor Atriz. Um filme muito agradável de assistir.