sábado, 8 de março de 2025

 

“OS ASSASSINATOS DE BUCKINGHAM” (“THE BUCKINGHAM MURDERS”), 2024, Índia, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção de Hansal Mehta (“Omertá”, "Quando Bangladesh Chorou”), seguindo roteiro de Aseem Arrora, Raghav Raj Kakker e Kashyap Kakker. Embora seja indiano, ou seja, produzido por Bollywood, o filme é todo ambientado na Inglaterra, falado em inglês e hindi, assim como o elenco e equipe técnica é formada por indianos e ingleses. A personagem principal é a detetive Jass Bhamra (Kareena Kapoor, uma das atrizes mais conhecidas do cinema indiano), da polícia de Londres. Quando ocorre o assassinato de um adolescente na cidade de Buckinghamshire, Jass é designada para ajudar o detetive local, Hardik Patel (Ash Tandon), a encontrar os responsáveis pela morte do garoto. Uma investigação dolorida para Jass, que pouco tempo antes viu seu filho ser assassinado e arrasta esse trauma até agora. A vítima de Buckinghamshire é filho adotivo de uma família de indianos, cuja comunidade é grande na cidade. O roteiro coloca à frente do espectador vários suspeitos, mas o verdadeiro somente será revelado no final. Aliás, um desfecho surpreendente. Só como informação adicional, a criação da detetive Jass Bhamra foi inspirada na personagem de Kate Winslet na minissérie “Mare of Easttown”, de 2021. Resumindo, “Os Assassinatos de Buckingham” é um bom suspense, mas não oferece nenhum grande motivo para merecer uma indicação entusiasmada.          

quinta-feira, 6 de março de 2025

“O REFORMATÓRIO NICKEL” (“NICKEL BOYS”), 2024, Estados Unidos, 2h20m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ramell Ross. A história é baseada no livro “The Nickel Boys”, escrito por Colson Whitehead, lançado em 2019 e premiado com o Pulitzer. Indicado ao Oscar 2025 em duas categorias, Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, o filme não é muito fácil de digerir, principalmente pela forma com que o cineasta resolveu adotar para filmar a história. Segundo o material de divulgação, o romance foi inspirado em fatos reais ocorridos nos anos 60 do século passado no Dozier School for Boys, localizado na Flórida. Não sei se o diretor Ramell Ross teve um surto de criatividade psicodélica ou resolveu incorporar o estilo maluco do intragável cineasta Terrence Malick, outro autor de filmes sem pé nem cabeça. De forma surreal, com enquadramentos esquisitos, personagens que dialogam com a câmera e reprodução de fotos e vídeos da época, o filme coloca em discussão temas como o racismo e a violência que imperavam nos Estados Unidos naquela década efervescente. Os personagens principais da história são os adolescentes Elwood (Ethan Herisse) e Turner (Brandon Wilson), que ficam amigos e confidentes no reformatório. Se o diretor Ramell Ross tivesse o bom senso de contar a história de forma normal, o filme certamente seria bem melhor de assistir. Mas ele preferiu arriscar em uma maneira de filmar totalmente foram dos padrões, pensando que é um gênio. No meu entender, fracassou redondamente, pois o filme é muito chato, arrastado, insuportável. Alguns críticos profissionais afetados elogiaram, mas nem suas indicações ao Oscar foram capazes de me sensibilizar. Uma coisa é certa: é preciso muita paciência para chegar até o final.         

segunda-feira, 3 de março de 2025

“BASTION 36”, 2025, França, 2h4m, em cartaz na Netflix (que manteve o título original), direção de Olivier Marchal, que também escreveu o roteiro inspirado no livro “Flic Requiem”, de Michel Tourscher. A assinatura do cineasta Olivier Marchal é aval garantido para um bom filme policial de ação (leia no fim do comentário alguns filmes dirigidos por ele). Este “Bastion 36” não é dos seus melhores, mas mantém alguns aspectos do seu estilo, como muita pancadaria, violência extrema, perseguições eletrizantes e, principalmente, corrupção policial. A história é centrada no capitão Antoine Cerda (Victor Belmondo, neto do falecido ator Jean-Paul Belmondo), comandante da Brigada de Investigações de Paris. Perito em artes marciais, ele complementa seu salário participando de lutas clandestinas. Depois de uma delas, ele entra numa briga de rua e nocauteia dois homens. O caso chega ao conhecimento dos seus superiores, que resolvem transferi-lo para outra delegacia. Logo depois, dois de seus ex-colegas são assassinados, um outro ex-colega desaparece e sua namorada também policial sofre um atentado e fica em estado crítico. Por conta própria, Antoine começa a investigar para tentar descobrir quem são os responsáveis por tudo isso. Será que foi o crime organizado ou gente da própria polícia? Tudo será esclarecido no desfecho, mantendo o suspense e a atenção do espectador. Como disse no começo, não é o melhor de Marchal, nem muito menos o pior. Do diretor recomendo filmes como “36”, “Bronx”, “Pacto de Sangue”, “Carbono”, “MR-73”, “Overdose” e a série “Marselha em Perigo”.            

domingo, 2 de março de 2025

“INVASÃO DE LUA DE MEL” (“LUNE DE MIEL AVEC MA MÈRE”), 2025, França, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Nicolas Cuche, que também assina o roteiro com Laurent Turner e Laure Hennequart. Trata-se de uma comédia francesa, remake do filme espanhol “Lua de Mel com a Minha Mãe”, de 2022, que também está na Netflix. Como não assisti a comédia espanhola, fico isento de fazer uma comparação, mas posso afirmar que a versão francesa é bem divertida, mas irregular no ritmo. Tudo começa quando Lucas (Julien Frison) é abandonado pela noiva Élodie (Camille Aguilar) em pleno altar. A viagem de lua de mel para as paradisíacas ilhas Maurício já estavam pagas. Como não conseguiu o reembolso, Lucas aceitou ir com a própria mãe Lily (Michèle Laroque). Os valores acertados com o resort compreendiam uma série de mordomias, somente concedidas a casais em lua de mel. Dessa forma, Lucas e a mãe se registram como um casal. Claro que a diferença de idade é logo percebida pelos funcionários do resort como também pelos demais hóspedes, gerando algumas situações bem engraçadas. Do meio para o fim, porém, o filme perde o ritmo inicial, mas sem prejudicar o resultado final. Também estão no elenco Kad Merad, Margot Bancilhon, Gilbert Melki e Rossy De Palma. Programa ideal para dar um período de descanso aos neurônios.     

sábado, 1 de março de 2025

“PRESSÃO MÁXIMA” (“CESTA DO TMY”), 2023, República Tcheca, 1h20m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jirí Svoboda. A história é baseada no livro “The Little Girl”, de Martin Goffa. Começa quando um homem invade um banco de arma na mão e faz vários reféns, entre eles duas crianças e o ministro das Relações Exteriores do país. Aparentemente sua intenção é assaltar o banco. Mas aos poucos o espectador ficará sabendo quem é ele e os motivos que o levaram a esta atitude tresloucada. A polícia e a tropa de elite logo chegam e cercam o quarteirão. Enquanto o suspense rola solto dentro do banco, o sujeito ameaçando matar um e outro, o roteiro dá espaço para vários flashbacks que explicam o seu surto de violência. O espectador fica sabendo que o homem é um renomado cientista, cuja filha adolescente acabara de morrer de overdose de drogas. Vladimir (Matej Hádek) culpa o sistema judiciário do país por abrandar as penas dos traficantes – como acontece com a maioria dos países ocidentais (aqui, nem se fala). Resumindo, Vladimir, com sua atitude, quer chamar a atenção das autoridades e dos legisladores. A polícia tenta negociar a soltura dos reféns e, para isso, recruta uma ex-namorada de Vladimir. O clima de tensão segue firme até o desfecho, consagrando um filme acima da média. Concluindo, é impossível não se sensibilizar com a situação de Vladimir, principalmente quem é pai nos dias de hoje.                

 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

“O LUTADOR DE AUSCHWITZ” (“MISTRZ”), 2022, Polônia, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Maciej Barczewski. A história é baseada em fatos reais. O personagem principal é Tadeusz Pietrzykowski (1917-1991), soldado polonês preso pelos alemães na invasão da Polônia. Em 1940, ele e outros prisioneiros, em sua maioria judeus, foram os primeiros a chegar ao recém-inaugurado campo de concentração de Auschwitz, em 1940. Antes de ingressar no exército, Pietrzykowski era um campeão de boxe da categoria peso-galo (entre 57 e 61 quilos). Para entreter os soldados alemães no campo de concentração e conseguir rações alimentares adicionais, as quais dividia com os outros presos, “Teddy” começou a participar de algumas lutas, primeiro contra prisioneiros, depois contra soldados alemães. Não perdeu nenhuma, embora tenha lutado com oponentes de maior peso, como foi o caso do peso-pesado alemão Schally Hottenbach, ”O Martelada”, também nocauteado pelo polonês. O filme não se concentra apenas no boxeador e nas suas lutas. As cenas de maior impacto são aquelas que mostram o tratamento cruel dado aos prisioneiros, as torturas às quais eram submetidos e os assassinatos a sangue frio. As mais chocantes são aquelas que mostram as filas formadas por homens, mulheres e crianças para ingressarem nos chamados “recintos de banho”, quando na verdade caminhavam para a morte por gás. Enfim, “O Lutador de Auschwitz” é um filme obrigatório, embora muito triste e impactante. Mas faz parte de um capítulo negro da história mundial e que, por isso mesmo, deve ser visto.              

 

domingo, 23 de fevereiro de 2025

“PISCINA INFINITA” (“INFINITY POOL”), 2023, coprodução Canadá/Hungria/França, 1h58m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Brandon Cronenberg (filho do renomado e polêmico cineasta canadense David Cronenberg). Alerto de cara, trata-se de um filme de terror maluco, indigesto, sem pé e cabeça, tronco e membros. Um casal viaja de férias para uma ilha (fictícia) chamada La Tolqa. Ele é James Foster (Alexander Skarsgard), um escritor em crise de criatividade com apenas um livro publicado. Ela é Ern Foster (Cleopatra Coleman), de família rica e, aparentemente, a fonte de dinheiro que sustenta o casal. Eles se hospedam num resort e conhecem outro casal, Gabi Bauer (Mia Goth) e Alban Bauer (Jalil Lespert). Segundo as regras estabelecidas pelo governo da ilha, os turistas hospedados no resort não podem sair de suas imediações. Os dois casais, porém, alugam um carro e resolvem sair escondidos para conhecer melhor os lugares naturais da ilha. Na volta, à noite, o veículo atropela um homem na estrada. Como Foster é quem dirigia, ele é preso e condenado à morte, a não ser que pague para que seja criado um clone para morrer no seu lugar. Aí começa toda a loucura na telinha, todo mundo cheirando a fumaça de uma erva alucinógena. O diretor deve ter cheirado também, pois o filme se transforma num caleidoscópio psicodélico, com imagens de entortar os olhos. Ou seja, nada compreensíveis. Como curiosidade, descobri que as filmagens foram realizadas no resort Amadria Park, em Sibenik, Croácia, e em locações da Hungria. Para resumir o que é esse filme separei dois comentários de críticos profissionais. Michael O’Sullivan, do The Washington Post: “Um enredo de revirar os olhos. Brandon, o diretor, herdou alguns dos piores excessos do pai: violência fetichista e sexualização gratuita”. David Rooney, do The Hollywood Reporter: “Filme carece de substância e tem enredo bobo, superficial, frio e úmido”. Modestamente, como cinéfilo amador, também resolvi colocar minha colher nesse angu: “O filme é ridículo, realizado única e exclusivamente para causar polêmica. Enfim, um filme totalmente dispensável”.             

 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

“MORTE ANTES DO CASAMENTO” (“ZGON PRZED WESELEM”), 2025, Polônia, 1h46m, direção de Tomasz Konecki e Iwona Ogonowska-Konecka, seguindo roteiro escrito por Hanna Wesierska e Karolina Szymczyk-Majchrzak. Comédia leve, simpática e agradável de assistir. Numa pequena cidade do interior, o gerente de uma fábrica de laticínios é encontrado morto e a dúvida é quem o substituirá, gerando uma acirrada disputa entre os funcionários, um deles Mirek (Tomasz Kapolak), o mais antigo e, portanto, o mais indicado. Só tem um problema: a situação financeira da empresa é preocupante. Como se não bastasse, Maja (Natalia Iwanska), filha de Mirek, chega à cidade para apresentar seu noivo, o holandês Milosz (Gamou Fall), que por ser negro de início não agrada a família, mas Maja anuncia que vai se casar com ele nos próximos dias. Graças ao roteiro esperto, todas essas situações rendem bons momentos de humor. Alguns deles, porém, dispensáveis, como a cena em que as mulheres descem um morro virando cambalhotas. Dispensável e sem graça. Entretanto, o filme como um todo agrada como comédia, proporcionando um entretenimento leve e divertido. Completam o elenco Agnieszka Suchora, Paulina Garazka, Waleria Gorobets, Natalia Sitarska  e Antoni Pauwlicki, só para citar os mais conhecidos.              

 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

“FORÇA DA NATUREZA – THE DRY 2” (“FORCE OF NATURE: THE DRY 2”), 2024, Austrália, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Robert Connolly (“Segredos do Passado”). A história é baseada no livro “Force Of Nature”, de Jane Harper, também autora do roteiro juntamente com o diretor. Trata-se de um suspense policial com pouca ação, sem tiros, sem pancadarias, sem perseguições. Começa com um grupo de cinco mulheres participando de um ridículo roteiro corporativo, ou seja, funcionárias de uma empresa tentando se integrar e trabalhar em equipe. A missão delas é fazer uma longa caminhada no meio de uma floresta, enfrentando subidas e descidas íngremes, mosquitos, aranhas, noites frias etc. Sem experiência em enfrentar tal tipo de desafio, as moças acabam perdidas. Quando conseguem voltar da caminhada, uma delas simplesmente sumiu. O desaparecimento da moça é comunicado à polícia, que envia os agentes Aaron Falk (Eric Bana) e Carmen Cooper (Jacqueline McKenzie) para investigar o caso. Entre inúmeros flashbacks mostrando as cinco mulheres na floresta, o filme destaca os interrogatórios dos policiais com as quatro sobreviventes. Muito blá blá blá e pouco conteúdo. Aparece até a possibilidade da moça desaparecida ser uma informante da polícia sobre um esquema de lavagem de dinheiro. E finalmente chega o desfecho, que todo espectador ficou torcendo para chegar logo, pois o filme é muito fraco. Participam também do elenco Anna Torv, Sisi Stringer, Debora-Lee Furness, Richard  Roxburg, Jeremy Lindsay Taylor, Ash Ricardo, Robin McLeavy e Lucy Ansell.                    

 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

 

“CONTRATO PERIGOSO” (“THE CONTRACTOR”), 2022, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta sueco Tarik Saleh (“Metropia”, “O Garoto dos Céus”, “Tommy”), seguindo roteiro de J.P. Davis. Filme de ação trazendo o ator Chris Pine como James Harper, fuzileiro naval dispensado das Forças Especiais dos EUA depois de um exame de sangue. Atolado em dívidas e preocupado em sustentar a mulher e o filho, ele concorda em participar de uma missão para uma organização secreta paramilitar comandada por Rusty Jennings (Kiefer Sutherland). Juntamente com o ex-companheiro de exército Mike (Ben Foster) e outros dois mercenários, Harper vai para Berlim com o objetivo de se apoderar de uma fórmula secreta referente supostamente a uma arma química que  seria utilizada por terroristas islâmicos. Depois de concluída a missão, o grupo de Harper é cercado pela polícia berlinense, e apenas ele e Mike conseguem escapar, se escondendo no que parece ser um túnel de esgoto. Depois de ficar perambulando por Berlim, Harper consegue retornar aos Estados Unidos, quando descobrirá uma trama das mais sórdidas que o levará a uma vingança. Ou seja, uma reviravolta no enredo que colocará tudo nos seus devidos eixos. O filme conta com ainda no elenco com a atriz alemã Nina Hoss numa participação especial, Fares Fares e Eddie Marsan. Como filme de ação, “Contrato Perigoso” até que funciona, mesmo que a história não seja muito convincente.                   

 

sábado, 15 de fevereiro de 2025

 

“O ASSASSINO DO CALENDÁRIO” (“DER HEIMWEG”), 2024, Alemanha, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Adolfo J. Kolmerer, seguindo roteiro assinado por Susanne Schneider. A história é baseada no livro “Walk Me Home”, best-seller escrito por Sebastian Fitzek. Jules (Sabin Tambrea), atendente de um serviço telefônico de apoio à segurança de mulheres solitárias a caminho de suas casas à noite e de madrugada, recebe a ligação de uma mulher desesperada que diz estar sendo seguida pelo Assassino do Calendário. Ela se identifica como Klara (Luise Heyer) que, depois ficaremos sabendo, é esposa de Martin (Friedrich Mücke), um funcionário do alto escalão do governo alemão prestes a ser nomeado secretário. Martin costuma agredir Klara, além de colocá-la frequentemente em situações constrangedoras, como numa ida a um clube exclusivo, onde ela é agredida e estuprada. Enquanto conversa com Jules, Klara é perseguida por um homem misterioso cuja identidade só será revelada ao espectador no desfecho. Confesso que não entendi grande parte da história e a motivação dos personagens com relação às suas atitudes. A fotografia, sombria e escura o tempo todo, também dificulta o entendimento e torna o filme ainda mais desagradável. Isso mesmo, desagradável, angustiante e incompreensível. Faço uma exceção à ótima atuação da jovem atriz Luise Heyer, talvez o único ponto positivo desse suspense alemão. Não vou recomendar, ressaltando, porém, que a democracia também faz parte do cinema: assiste quem quiser.                     

 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

“BOA SORTE, LEO GRANDE” (“GOOD LUCK TO YOU, LEO GRANDE”), 2022, Inglaterra, 1h37m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta australiana Sophie Hyde, seguindo roteiro assinado por Katy Brand. Imagine um filme com apenas dois protagonistas em cena. O cenário é um quarto de hotel. A professora aposentada Nancy Stokes (Emma Thompson) contrata o garoto de programa Leo Grande (Daryl McCormack). O primeiro encontro serve mais para os dois se conhecerem melhor através de muita conversa, confidências e desabafos, quase uma sessão de terapia. O sexo é o tema principal, já que ela relembra a falta dele num casamento morno, sem nenhuma emoção e nenhum orgasmo. Ele responde lembrando o relacionamento com a mãe, que até hoje não sabe que o filho é um garoto de programa. O sexo entre Nancy e Leo fica para o fim. No segundo encontro, no mesmo quarto de hotel, o papo rola com mais desenvoltura, mas o encontro não acaba bem. No terceiro encontro, depois de muita conversa, eles, principalmente ela, se entrega totalmente e é aqui que a veterana atriz inglesa mostra todo o seu enorme talento em algumas cenas que também exigiram muita coragem – cenas de nudez e sexo. Embora o filme mostre apenas um casal em cena do começo ao fim, em nenhum momento o espectador terá sono. Os diálogos são espertos, bem humorados, e os dois atores parecem estar bem à vontade. É um filme direcionado para um público adulto e, certamente, será melhor absorvido pelas mulheres de meia idade, que se colocarão na pele de Nancy. O filme recebeu indicações aos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator no British Academy Film Awards. Emma Thompson também disputou o Globo de Ouro de Melhor Atriz. Resumo da ópera, trata-se de um filme no mínimo interessante que deve ser visto.                 

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

 

“CONSENTIMENTO” (“APRÈS LE SILENCE”), 2022, França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérôme Cornuau (“Chic!”, “Brigadas do Tigre”, “Dissonances”), seguindo roteiro assinado por Raphaëlle Roudaut. A temática do filme é das mais atuais: o assédio sexual, o sexo sem consentimento, ou seja, o estupro. A história é baseada em fatos reais. A professora Marina (Caroline Anglade) vai à polícia denunciar o ex-marido Gregory (Clovis Cornillac), com o qual teve o filho Tom, por violência sexual. Sem apresentar testemunhas, o caso acaba virando “Minha palavra contra a dele”, e o caso é arquivado. Mas Marina segue em frente, ainda mais depois que Gregory ameaça entrar na Justiça com pedido de guarda total de Tom, alegando insanidade mental da ex-mulher e também o fato dela estar desempregada e, portanto, sem conseguir sustentar o filho. Marina tentará de todas as maneiras comprovar sua denúncia, nem que para isso recorra a uma ex-namorada de Gregory, Samia (Samira Laccab) e a atual dele, Chloe (Alice David). O espectador, e, principalmente, a espectadora, aguarda com ansiedade o desfecho do caso. Será que Marina está mentindo? Antes dos créditos finais é apresentado um balanço dos casos de assédio sexual e estupro na França. O filme foi produzido e exibido pela France Télévisions. Não confundir com outro filme francês, este de 2023, também intitulado “Consentimento” (“Le Consentement”).               

 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

“REALITY”, 2023, Estados Unidos, 1h23m, em cartaz na Netflix, direção de Tina Satter, que também assina o roteiro com a colaboração de James Paul Dallas. Baseada em fatos reais, trata-se de uma adaptação para o cinema da peça de teatro “In This a Room”, escrita por Tina Satter e encenada, com grande sucesso, na Broadway. É quase um documentário, restrito à sala de uma casa, onde os agentes Garrick (Josh Hamilton) e Taylor (Marchánt Davis), do FBI, em 2017, interrogam Reality Winner (Sydney Sweeney), suspeita de fornecer informações confidenciais do governo dos EUA para o site de notícias “The Intercept”. O interrogatório foi gravado e sua transcrição integral serviu como base para o texto da peça e do filme. Os diálogos do interrogatório exigem muita paciência do espectador. Chegam a ser enfadonhos na medida em que os agentes não vão direto ao ponto, ficam rodeando com perguntas aleatórias, tentando minar as defesas de Reality. Verdadeiro manual de persuasão psicológica do FBI. Ainda sobre a história de Reality Winner, presa por espionagem e traição, foi feito um filme em 2024 intitulado “A Informante” (“Winner), em cartaz na HBO Max, muito melhor e mais esclarecedor do que “Reality”. Na dúvida, vá de “A Informante”.           

domingo, 9 de fevereiro de 2025

 

“A ORDEM” (“THE ORDER”), 2024, coprodução EUA/Canadá, 1h56m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Justin Kurzel (“Nitram”, “Snowtown”), seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. A história é baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 80 narrados no livro “The Silent Brotherhood”, de Kevin Flynn e Gary Gerhardt. Encarregado de investigar uma série de assaltos a bancos, carros-fortes, falsificação de dinheiro e atentados à bomba na pequena cidade de Coeur D’Alene (Idaho) e outras cidades da região, o experiente agente do FBI Terry Husk (Judy Law) chega à conclusão de que os crimes estão sendo cometidos por supremacistas brancos integrantes de uma célula neonazista intitulada “A Ordem”. Auxiliado pelo detetive Jamie Bowen (Tye Sheridan) e sua equipe da polícia local, Husk tentará conter os criminosos, cujo principal objetivo é continuar promovendo assaltos e atentados mais violentos e até derrubar o governo federal. O grupo racista é chefiado por Bob Mathews (Nicholas Hoult, de “O Jurado nº 2”), um extremista fanático e violento. “A Ordem” é um filme com muita tensão e violência, conduzido de forma magistral pelo cineasta australiano Justin Kurzel. Garanto: é o melhor lançamento do ano, até agora, da Prime Vídeo. Não perca!       

 

sábado, 8 de fevereiro de 2025

 

“DESAPARECIDOS” (“VANISHING”), em cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução França/Coreia do Sul, 1h28m, direção de Denis Dercourt, que também assina o roteiro com Marion Dessout. A história é baseada no livro “The Killing Room, escrito por Peter May. Famosa por ter inventado uma técnica revolucionária no campo da restauração e identificação de cadáveres danificados, a médica cientista forense francesa Alice Launey (Olga Kurylenko) viaja para Seul (Coreia do Sul) para proferir palestras sobre sua descoberta. Durante esse trabalho ela é procurada pelo detetive Park Jin-Ho (Yoo Yeon-Seok) para ajudá-lo a identificar uma mulher encontrada morta à beira de um rio. As investigações prosseguem e a polícia de Seul, graças à ajuda da médica francesa, chegam à conclusão de que o caso envolve o tráfico de órgãos humanos. Muito suspense até o desfecho, o que prende a atenção do espectador. Além da história em si, desenvolvida por um primoroso roteiro, a presença sempre marcante da atriz ucraniana Olga Kurylenko é o grande trunfo do filme. As imagens de Seul, principalmente as aéreas, são outro destaque. Outro detalhe interessante: o filme é falado em inglês, francês, coreano, mandarim e até em português.  Resumo da ópera: trata-se de um ótimo suspense, muito acima da média. Não perca!      

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

 

“HEREGE” (“HERETIC”), 2024, Estados Unidos, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Scott Beck e Brian Woods (“A Casa do Terror”, “Um Lugar Silencioso”). Terror psicológico cuja história é toda ambientada num cenário único. Reúne três personagens principais: as jovens missionárias sister Barnes (Sophie Tatcher) e sister Paxton (Chloe East), além de Mr. Reed (Hugh Grant), um sujeito solitário e excêntrico. São eles que participarão de toda a trama. Começa com as missionárias chegando num casarão isolado, propriedade de Mr. Reed, aparentemente um homem bastante simpático e receptivo, mas que logo mostrará sua face tenebrosa. Tenebrosa também é a casa, que lembra muito o Bates Motel, de “Psicose”, clássico de 1960 dirigido por Hitchcock. Reparem: o plano que mostra a fachada da casa é praticamente o mesmo, tudo envolto em neblina. Dentro da casa, as missionárias e Mr. Reed conversarão muito sobre religião e questões existenciais. Essas discussões são enfadonhas e chegam a irritar o espectador. A história toda é sem pé nem cabeça, tronco e membros. Não há uma explicação plausível para o que está acontecendo. O resultado final é decepcionante. Não sei se é o caso, mas o ator inglês Hugh Grant, de tantos filmes muito bons, desta vez errou feio na escolha ou está muito precisando de grana. Mais uma vez vou contra a corrente dos comentaristas profissionais, que gostaram do filme. Eu achei muito fraco.

 

 

 

“A CHAVE DO PROBLEMA” (“THE LOCKSMITH”), 2023, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicolas Harvard, seguindo roteiro assinado por John Glosser, Chris Lamont, Ben Kabialis e Joe Russo. A história é centrada no ladrão Miller Graham (Ryan Phillippe), preso no começo do filme quanto praticava um roubo, colocando em prática sua especialidade de chaveiro. Dez anos depois ele sai em liberdade condicional disposto a reconstruir sua vida ao lado de Beth Fisher (Kate Bosworth), sua antiga namorada, e de Lindsay (Madeleine Guilbot), filha de ambos. Só que Miller terá que enfrentar um problema: April Reyes (Gabriela Quezada), irmã do parceiro de Miller no roubo, está precisando de dinheiro e exige que ele resolva seu problema. Afinal, o irmão de April foi assassinado durante o roubo com Miller. A situação acaba se complicando ainda mais depois que a polícia começa a perseguir Miller acusando-o de um novo assalto. Se não bastasse tudo isso, Beth Fisher, sua antiga namorada, é uma destacada detetive da polícia local. Embora tenha algum suspense, o filme é de pouca ação, acentuando o ritmo lento e uma história pouco interessante. O roteiro tem alguns furos – não são de bala -, e a trama não deslancha em nenhum momento. Vale destacar no elenco a presença de Ryan Phillippe e Kate Bosworth, que, apesar de bons atores, nunca deslancharam em Hollywood. De qualquer forma, dá para assistir "A Chave do Problema" (o título em português é horrível) sem compromisso com a inteligência.  

domingo, 2 de fevereiro de 2025

“DE SOMBRA E SILÊNCIO” (“NE M Á TAJEMSTVI”), 2023, República Tcheca, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Tomas Masin (“Brothers", “3 Seasons In Hell”), que também assina o roteiro com Alice Nellis. Drama familiar, suspense, policial, tudo junto e misturado, uma história com algumas reviravoltas e um desfecho inesperado. O filme é centrado no veterinário Martin (Marian Mitas), que sofre um grave acidente de trabalho – um coice de cavalo na cabeça, tem lesão cerebral que o faz perder a habilidade de falar, prejudica os movimentos e a compreensão do que os outros falam. O acidente terá consequências no seu casamento com Erika (Jana Plodková) e no relacionamento desta com Dana (Milena Steinmasslová), mãe de Martin. Em meio a este conflito familiar ainda surge em cena Jana (Magdaléna Borová), dona da fazenda onde ocorreu o acidente. Aos poucos, alguns segredos começam a ser revelados, tumultuando a fase de recuperação de Martin, que tenta duas vezes o suicídio e finalmente morre sob circunstâncias bastante misteriosas. O primoroso roteiro alterna cenas em flashbacks com a polícia interrogando as três mulheres da vida de Martin, além de médicos e enfermeiras do hospital onde ele é encontrado morto. A situação prende a atenção do espectador até o incrível e surpreendente desfecho. Premiado em vários festivais europeus, “De Sombra e Silêncio” é, sem dúvida, um dos melhores filmes já produzidos na República Tcheca. Imperdível!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

 

“ALERTA! TEMPORADA DE TUBARÕES” (“L’ANNÉE DU REQUIN”), 2022, França, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção dos irmãos gêmeos cineastas Zoran e Ludovic Boukherma (“Teddy”, “O Homem de Argila”). Numa pequena cidade costeira no sul da França, as férias de verão têm início trágico: um surfista aparece morto, estraçalhado por um tubarão. Para não estragar as férias do vilarejo e o risco para os milhares de turistas que chegam nessa época, uma equipe de policiais marítimos é encarregada de encontrar e matar o tubarão. A chefe dessa equipe é a experiente policial Maja Bordenave (Marina Foïs), também ativista em prol da preservação marinha e meio ambiente. Auxiliada pelos policiais assistentes Engénie (Christine Gautier) e Blaise (Jean-Pascal Zadi), Maja parte para o alto mar em busca do predador. E o encontra, mas, ao invés de matá-lo, o atinge com um dardo sedativo, aprisionando-o numa piscina adaptada. Diante desse fato, Maja se transforma em celebridade em seus últimos dias de trabalho, pois logo depois se aposenta. O tubarão volta ao mar e logo aparece outra vítima fatal. Maja passa a ser chamada de assassina e resolve voltar ao batente decidida a matar o animal. O resultado final do filme francês não é dos melhores, mas serve para uma sessão sem compromisso numa tarde chuvosa. Outro filme francês sobre tubarões é "Sob As Águas do Sena", na Netflix, produção de 2024.  

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

“ELENA SABE” (“ELENA SABE”), 2023, Argentina, 1h44m, em cartaz na Netflix, direção de Anahí Berneri (“Alanis”, “Um Año Sin Amor”), seguindo roteiro assinado por Gabriela Larralde. Trata-se de um drama baseado no romance homônimo de 2007 da consagrada escritora, roteirista e dramaturga argentina Claudia Piñero. O livro foi um grande sucesso de vendas, o que o levou a esta adaptação cinematográfica. Elena (Mercedes Morán) e Rita (Erica Rivas), respectivamente mãe e filha, vivem uma relação conflituosa. Elena sempre foi uma mãe dominadora, amargurada e intransigente. Rita (Miranda de la Serna quando jovem) não tinha vida própria, suas ações sempre comandadas pela mãe autoritária. A situação de Rita piorou ainda mais quando Elena começou a ficar doente, sofrendo de um Mal de Parkinson progressivo. Na verdade, Rita virou a cuidadora da mãe, sem tempo para a vida pessoal. O drama familiar iria complicar ainda mais quando Rita é encontrada morta, enforcada, no campanário da igreja que costumava frequentar. Tudo leva a crer que foi suicídio, mas Elena não acredita. Ela acha que a filha foi assassinada. E por aí vai a história até o desfecho, Elena, mesmo doente, tentando encontrar pistas que levem a um suposto assassino. Completam o elenco Susana Pamín, Marcos Montes, Marcos Ferrante, Agostina Muñoz e Mónica Gonzaga. Embora em ritmo lento e um tanto arrastado, o filme tem alguns trunfos para agradar a plateia, o maior deles o sensacional desempenho da veterana atriz Mercedes Morán, conhecida por atuar em alguns dos melhores filmes argentinos, como “Um Amor Inesperado”, “O Pântano”, “Norma” e “O Anjo”, entre outros. Em “Elena Sabe” ela mostra mais uma vez seu enorme talento.

 

“A GRANDE DESCOBERTA” (“GENOMBROTTET”), 2025, Suécia, minissérie de 4 episódios em cartaz na Netflix, direção de Lisa Siwe, que também assina o roteiro com a colaboração da jornalista Anna Bodin e do genealogista Peter Sjölund, autores do livro “Genombrottet: Sà Löste Släktforskaren Dubbelmordet i Linköping”. A história descrita no livro é baseada em fatos reais ocorridos a partir de 2004, quando ocorreu um duplo homicídio na pequena cidade de Linköping, localizada ao sul da Suécia. Mohamad Ammori, de 8 anos, e Anna-Lena, de 56 anos, foram esfaqueados e mortos numa praça, em plena luz do dia. O detetive John Sundin (Peter Eggers) ficou responsável pela investigação e, por 16 anos, o assassino ficou livre, leve e solto. Até que, em 2020, Sundin tomou conhecimento de um trabalho inovador do genealogista Per Skogkvist (Mattias Nordkvist). Segundo ele, ao pesquisar parentes distantes utilizando bancos de dados genéticos públicos, a polícia poderia identificar um assassino. Confesso que tentei entender essa teoria, explicada no filme, mas minha inteligência limitada não permitiu. De qualquer forma, foi a primeira vez que uma pesquisa genealógica conseguiu desvendar um crime na Europa. Ao contrário da maioria das séries com 8 episódios ou mais, “A Grande Descoberta” não precisa “encher linguiça”. Os quatro episódios preenchem todas as lacunas da história, sem precisar se alongar em tramas paralelas. Termino afirmando que esta é uma minissérie que vale a pena assistir, principalmente por explorar um fato real.