quarta-feira, 29 de julho de 2015

Morgan Freeman e Diane Keaton encabeçam o elenco do insosso drama “RUTH E ALEX”’ (“5 Flights Up”), 2014, direção de Richard Loncraine. A história é baseada no romance “Heroic Measures”, escrito por Jill Ciment. Embora divulgado como uma comédia dramática, gênero que une humor ao drama, este é mesmo um drama, pois de engraçado tem pouca coisa, ou quase nada. Alex (Freeman) e Ruth (Keaton) são casados e vivem no mesmo apartamento, no Brooklyn, em New York, há 40 anos. Incentivados pela ambiciosa corretora Niece (Cynthia Nixon, de “Sex and The City”), sobrinha de Ruth, louca para ganhar uma gorda comissão, eles decidem vender o apartamento, embora não encontrem razão justificável para isso – dilema que se arrasta até o final do filme, tornando-o ainda mais chato. Entre cenas em flash back que mostram como o romance entre os dois teve início, a rejeição por parte da família de Ruth em relação a Alex – por ele ser negro – e as intermináveis negociações sobre a venda do apartamento e a compra de outro, o filme chega ao seu desfecho tão previsível quanto a evidente falta de química entre os atores principais. Morgan Freeman e Diane Keaton podem ser ótimos atores, mas não funcionam e nem combinam como casal. Se há um motivo para recomendar este filme, ainda não descobri qual.     

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Nos anos 60, o produtor musical e compositor norte-americano Phil Spector (nome artístico de Harvey Philip Spector) alcançou o auge da fama nos anos 60, chegando a colaborar até com os Beatles. Em 2003, Spector foi acusado de ter assassinado a atriz e modelo Lana Clarkson. Depois de dois julgamentos, Spector foi condenado a 19 anos de prisão.     O drama “PHIL SPECTOR”, 2012, escrito e dirigido por David Mamet e produzido pela HBO, conta a história dos bastidores do primeiro julgamento, em 2007. O filme enfoca com destaque o difícil relacionamento de Spector (Al Pacino) com sua advogada Linda Kenney Baden (Helen Mirren). O filme foi feito como uma peça de teatro (David Mamet sempre foi ligado à dramaturgia), é verborrágico demais e lembra, da maneira como feito, aqueles programas da TV a cabo que reproduzem casos policiais e judiciários. A pergunta que não quer calar é o que dois grandes astros e ótimos atores como Al Pacino e Helen Mirren estão fazendo nesse filmeco – Helen substituiu a atriz Bette Midler, que teve hérnia de disco no início das filmagens. O grande Al Pacino, nos últimos anos, tem pisado feio na bola, atuando em filmes medíocres que não condizem com sua competência. Este é mais um deles.
“SÜSKIND”, 2013, Holanda, roteiro e direção de Rudolf van Den Berg. O filme conta a história, baseada em fatos reais, do alemão Walter Süskind, que, a exemplo de Oskar Schindler, foi responsável por salvar mais de mil judeus do Extermínio. Em 1938, Süskind, a mulher e a filha fugiram da perseguição nazista na Alemanha e foram morar na Holanda. Ele queria juntar dinheiro e ir com a família para os EUA. Arrumou emprego de gerente de um teatro em Amsterdam. Só que não deu tempo, pois os alemães invadiram a Holanda. Como era alemão – embora judeu -, Süskind foi cooptado pelos nazistas e ficou responsável pela organização das deportações de judeus holandeses para os campos de concentração. Quando Süskind descobriu que os judeus estavam sendo exterminados, resolveu pelo menos salvar as crianças – conseguiu salvar mais de mil. Além do trabalho corajoso de Süskind – vivido pelo ator Jeroen Spitzeberger -, o filme mostra todas aquelas cenas chocantes de filhos se separando dos pais, os judeus sendo atirados nos vagões de trens, agressões e assassinatos a sangue frio. Como destaque, o filme tem a presença sempre marcante do ator austríaco Karl Markovics (“Os Falsários” e “O Grande Hotel Budapeste”) como o oficial nazista encarregado de “limpar” Amsterdam, deportando todos os judeus residentes na cidade. Ele domina toda cena em que aparece. Quem quiser saber mais detalhes dessa história fantástica - e ver como ela termina - é só assistir a esta ótima produção holandesa.   olHolan      

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Quem conhece um pouco de História sabe que o estopim para a eclosão da Primeira Guerra Mundial foi o atentado que matou o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg, em Sarajevo, capital da Bósnia, em junho/1914. No drama histórico austríaco “SARAJEVO 1914” (“DAS ATTENTATT: SARAJEVO 1914”), 2014, filme feito para a TV, o enfoque principal é dado às investigações para descobrir e prender os autores. O policial Leo Pfeffer (Florian Teichmeister) é encarregado de comandar os trabalhos. Ele vai chegar aos assassinos, todos sérvios e integrantes da facção terrorista “Mão Negra”. Pfeffer também descobrirá que, por trás dos atentados, havia outros interesses em jogo, o principal deles justamente o início da guerra. Outros fatos que os livros de História não ensinam são revelados no filme, como o interesse da Alemanha em tomar posse da Bósnia e utilizar seu território para a construção de uma ferrovia Berlim-Bagdá. O filme também abre espaço para revelar que já havia, na época, um forte preconceito contra os judeus e os eslavos. A primorosa reconstituição de época é outro trunfo desse ótimo filme, dirigido por Andreas Prochaska. Uma verdadeira aula de História. Imperdível!  

terça-feira, 21 de julho de 2015

“ISMAEL”, 2013, Espanha, direção do argentino Marcelo Piñeyro (“Plata Quemada”). Aliás, este é o primeiro filme espanhol dirigido por Piñeyro. A história: Félix (Mario Casas) teve um caso com uma imigrante nigeriana (Ella Kweku) que resultou no nascimento de Ismael. A moça e o filho sumiram da vida de Félix, que agora é professor de um colégio para adolescentes problemáticos. Oito anos depois, o garoto Ismael (Larsson do Amaral) foge de casa, em Madrid, pega um trem e vai para Barcelona com o objetivo de conhecer o pai biológico. O menino só tem como referência um endereço encontrado numa carta enviada à sua mãe por Félix. Trata-se do endereço da mãe de Félix, Nora (Belén Rueda). O primeiro contato, portanto, é com a avó, que, mesmo contra vontade, acaba levando o menino para encontrar o pai. Enquanto isso, a mãe de Ismael e o seu atual marido Luís (Juan Diego Botto) pegam estrada para buscar o filho. O cenário está preparado para situações embaraçosas e conflitantes, como o reencontro dos antigos amantes e a vontade de Ismael de morar com o pai biológico. O drama é simpático, agradável de assistir, não apelando para um sentimentalismo exagerado e ainda reservando espaço para o bom humor. O filme tem um motivo a mais para ser visto: a presença da ótima atriz espanhola Belén Rueda (“Sétimo”), que ilumina e valoriza cada cena em que aparece.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

“KUMIKO – A CAÇADORA DE TESOUROS” (“Kumiko, The Treasure Hunter”), 2014, é um drama do cinema independente norte-americano. Um filme bastante interessante, aliás, que conquistou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Sundance/2014. A história: Kumiko (a bela atriz japonesa Rinko Kikuchi) mora num pequeno apartamento em Tóquio e trabalha como subalterna num escritório onde o chefe vive pegando no seu pé. Ela é bastante solitária e depressiva. Na verdade, também tem um parafuso a menos. Num passeio à praia, ela entra numa caverna e acha enterrada uma fita VHS com o filme “Fargo”, dos irmãos Ethan e Joel Coen, grande sucesso de 1996. Kumiko fica obcecada pela história do filme, a ponto de estudá-lo detalhadamente. Numa das cenas fundamentais de “Fargo”, um homem enterra uma mala com dinheiro perto de uma cerca de arame perto de umas árvores. Mesmo sabendo que é um filme, Kumiko acredita que a mala ainda está lá, à disposição de quem se dispor a desenterrá-la. Ela então viaja para os EUA e parte para encontrar o “tesouro”. Nessa caçada, ela recebe a ajuda de um policial, interpretado pelo próprio diretor do filme, David Zellner. Esta segunda parte do filme, ambientada em cenários semelhantes aos de “Fargo”, não passa de uma fábula originada de um surto criativo da cabeça de Kumiko, mas mesmo assim o espectador é levado a acreditar, assim como a jovem japonesa, que aquilo tudo faz parte do contexto real. Enfim, um filme bastante criativo que vale a pena assistir. Recomendo sem fazer figa.    

domingo, 19 de julho de 2015

Não lembro se “SHINER”, direção de John Irvin, foi exibido por aqui na época em que foi lançado, em 2001. Trata-se de um drama inglês dos melhores e com uma grande atuação de Michael Caine. Ele é Billy “Shiner” Simpson, um famoso promotor de lutas de boxe, trambiqueiro e prepotente. Ele só anda acompanhado de seus fiéis guarda-costas, Jeff “Stoney” Stone (Frank Harper) e Mel (Andy Serkis). “Shiner” se acha o dono de tudo e quem tiver a coragem de contrariá-lo vai acabar nas mãos – nos punhos, aliás – dos seus dois capangas. “Shiner” tem um filho lutador de boxe em início de carreira, Eddie “Golden Boy” Simpson (Matthew Marsden). O sonho de “Shiner” é ver o filho campeão mundial dos meio-pesados e, para isso, promove uma grande luta com o campeão norte-americano da categoria. O filme gira em torno dessa luta. Até ela acontecer, o filme esbanja bom humor, principalmente quando mostra a truculência e os métodos adotados pelos hilários capangas de “Shiner” para defender o chefe. Depois que a luta termina, com a derrota do “Golden Boy”, o poderoso promotor desconfia que houve marmelada e passa a investigar o que realmente aconteceu. Aí a história fica dramática, com direito a um assassinato misterioso e a uma reviravolta no final. Um dos destaques do elenco é o já na época veterano ator Martin Landau. Mas é realmente Michael Caine que dá show. Ótima diversão!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Se você tem algum tipo de preconceito contra o cinema asiático, deixe-o de lado e assista “UM DIA DIFÍCIL” (“Kkeutkkaji Ganda”). O filme sul-coreano é diversão pura. Trata-se de um thriller policial eletrizante, com muita ação, suspense e humor. E um roteiro bastante inteligente. O detetive Ko Gun-Soo (Lee Sun-Kyun) sai do enterro de sua mãe e, no caminho, atropela um homem. Como tinha bebido, resolve ficar quieto. E o que fazer com o cadáver do homem atropelado? Gun-Soo tem a “brilhante” ideia de escondê-lo no próprio caixão onde está sua mãe. A confusão só está começando. Ele recebe um telefonema anônimo de alguém que diz ter visto o atropelamento e começa a chantageá-lo. Em meio a toda essa confusão, Gun-Soo ainda é investigado pela Corregedoria da Polícia, que descobre em sua mesa dinheiro proveniente talvez da venda de drogas. As coisas pioram quando ele descobre a identidade do homem atropelado. Gun-Soo corre pra lá e pra cá para tentar se livrar dos problemas, mas acaba se complicando cada vez vez mais. E o espectador acompanha tudo muito atento, pois não há espaço para conversa fiada com tanta ação e suspense, além de uma boa dose de pancadaria. Méritos para o diretor Seong-Hoon Kim, que também escreveu o roteiro. O filme estreou no Festival de Cannes 2014 e foi bastante elogiado. Portanto, prepare um bom pote de pipoca e curta esse ótimo entretenimento.   

terça-feira, 14 de julho de 2015

“THE EICHMANN SHOW”, 2014, é um drama inglês, baseado em fatos reais, produzido pela BBC, mostrando os bastidores da cobertura jornalística do julgamento do nazista Adolf Eichmann, um dos idealizadores e organizadores do extermínio judeu. O julgamento foi iniciado em abril de 1961 e durou 4 meses. O enfoque principal do filme é o trabalho de uma equipe de TV autorizada pelo primeiro-ministro David Ben-Gurion, de Israel, a filmar todo o julgamento (Não ao vivo. As fitas eram enviadas por avião para o mundo inteiro. Só as emissoras de rádio transmitiram ao vivo). O produtor Milton Fruchtman (Martin Freeman) reuniu uma equipe de técnicos de TV israelenses e convidou para comandá-la o diretor norte-americano Leo Hurwitz (Anthony LaPaglia), na época desempregado por estar na lista negra de Hollywood – acusado de comunista, assim como outros diretores, roteiristas e artistas. Para não atrapalhar o andamento do julgamento, as câmeras de filmagem foram instaladas em paredes construídas poucos dias antes no prédio do tribunal em Jerusalém, ficando invisíveis para o público. O filme reproduz imagens da época, tanto do julgamento como dos campos de concentração. As cenas são chocantes. Só para lembrar, muita gente, na época, não acreditava que o Holocausto realmente existiu. As imagens dos campos de concentração chocaram o mundo. O filme mostra também a disputa pela audiência mundial, pois o julgamento de Eichmann concorreu com reportagens sobre o primeiro astronauta no espaço – o russo Yuri Cagarin – e o desenrolar da revolução cubana. O julgamento de Eichmann acabou vencendo a partir dos depoimentos chocantes dos sobreviventes – também mostrados no filme, dirigido por Paul Andrew Williams (do comovente “Canção para Marion"). Ótimo filme para quem curte os bastidores de fatos históricos. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Jean Dujardin (de “O Artista”) e Gilles Lellouche, dois dos principais atores franceses da atualidade, encabeçam o elenco de “A CONEXÃO” (“Le French”), 2014, filme policial baseado em fatos reais. A história começa em 1975, quando o juiz Pierre Michel é designado para Marselha com a missão de combater a French Connection, como era chamada a organização criminosa que traficava grandes quantidades de heróina para a Europa e, principalmente, para os Estados Unidos. Durante suas investigações, o magistrado descobre que o chefão do tráfico é Gartan Zampa (Gilles Lellouche). Mas não será tão fácil obter provas para condenar o poderoso traficante, tendo ainda que lidar com policiais e políticos corruptos. O trabalho dura anos e Pierre Michel não desiste até provar a culpa de Zampa, trabalho que colocará o juiz e sua família em grande perigo. O filme, dirigido por Cédric Jimenez, ainda tem no elenco Guilhaume Gouix, Benoit Magimel, Céline Sallette e Mélanie Doutey. Mais um bom filme do cinema francês.  
No drama inglês “A TEORIA DE TUDO” (“The Theory of Everything”), o ator Eddie Redmayne tem uma das atuações mais impressionantes da história do cinema. Pelo papel do físico Stephen Hawking, Redmayne ganhou o Oscar 2015 de Melhor Ator. Escolha incontestável. Ele está perfeito, a ponto do próprio Hawking, num e-mail enviado ao diretor James Marsh, dizer que pensou que estava assistindo a si mesmo no filme. A história começa em 1963, quando Hawking, então com 21 anos, estudava Cosmologia na Universidade de Cambridge e conhece a estudante de Arte Jane Wide (Felicity Jones), sua futura esposa. Naquele mesmo ano começam a aparecer os primeiros sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O diagnóstico dos médicos não era muito animador: deram-lhe, no máximo, mais dois anos de vida. Erraram feio, pois o físico está vivo até hoje, com 72 anos (2015). Jane e Hawking casaram e tiveram 3 filhos. A história do filme é baseada no livro biográfico escrito pela própria Jane, que não escondeu o caso com Jonathan (Thomas Cox), com quem passaria a viver depois de se separar do físico. O filme recebeu 5 indicações para o Oscar 2015 (Filme, Ator, Atriz, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora). Conquistou apenas o de “Melhor Ator”, embora a atriz Felicity Jones esteja ótima no papel de Jane. Um drama triste e comovente que não pode deixar de ser visto.  

sábado, 11 de julho de 2015

“UM VERÃO NA PROVENÇA” (“Avis de Mistral”), 2014, França. Ao saber que sua filha Emily (Raphaëlle Agogué) atravessa uma grave crise no casamento e está prestes a se separar, Irène (Ana Galiena) resolve levar seus três netos para passar as férias de verão em Provença (o nome original francês é Provence). Só que tem um problema: Léa (Chloé Jouannet), Adrien (Hugo Dessioux) e o pequeno Théo (Lukas Pelissier) não conhecem o avô Paul (Jean Reno). O motivo: quando ficou grávida pela primeira vez, Emily brigou com o pai e fugiu de casa. Nunca mais se falaram e praticamente perderam o contato. De início, Paul detestou a ideia de Irène, mas aos poucos vai se entendendo com os netos. A aproximação entre avô e os netos é justamente o foco principal da história. O filme é dirigido por Rose Bosch (do impactante e ótimo “Amor e Ódio”). A cena em que Paul e Irène reencontram os antigos amigos motoqueiros de estrada é emocionante. Outro destaque do filme é a trilha sonora, que vai de Simon e Garfunkel a Deep Purple, passando por Bob Dylan. Outra grande sacada da diretora Bosch foi explorar e mostrar algumas das festas folclóricas tradicionais da região de Provence, colocando os protagonistas para participar. Enfim, um filme muito interessante, sensível e comovente, levado com muito bom humor. Programão!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Parece que Hollywood desaprendeu a fazer boas comédias. Você se lembra de alguma recente que valha a pena? Nos últimos anos, é o cinema francês que tem produzido os melhores filmes do gênero. Mais um exemplo para comprovar essa afirmação é “QUE MAL EU FIZ A DEUS?” (“QU’EST-CE QU’ON A FAIT AU BOn DIEU?”), 2014, escrito e dirigido por Philippe de Chauveron. Conta a história dos Verneuil, que formam uma família católica conservadora de classe média alta. Claude Verneuil (Christian Clavier), chefe do clã, é casado com Marie (Chantal Lauby). O casal tem quatro filhas: Isabelle, Odile, Laure e Ségolène. Tudo vai às mil maravilhas até que elas começam a se casar. Para desespero dos pais, uma casa com um empresário judeu, outra com um advogado argelino muçulmano, outra com um chinês gerente de banco. Sobrou a filha mais nova, que reserva outra “boa” surpresa para os pais. Os encontros em família sempre acabam mal, cada um querendo defender o seu ponto de vista com relação à religião, política, situação dos imigrantes, racismo etc. As discussões acabam criando situações hilariantes, tudo na base de diálogos inteligentes e do mais fino humor. É riso do começo ao fim, num ritmo alucinante. Comédia divertidíssima. Simplesmente imperdível! 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

“O OLHAR DO AMOR” (“The Look of Love”), 2013, Inglaterra, direção de Michael Winterbottom. Baseado em fatos reais, o filme conta a história do empresário Paul Raymond (Steve Coogan, de “Philomena”), conhecido também pelos apelidos de “The King of Soho” e “Barão da Pornografia”. Uma espécie de Hugh Hefner inglês, mas muito mais ousado. A partir dos anos 50, com seu jeito agressivo de empreender, Raymond construiu um verdadeiro império empresarial baseado na exploração do erotismo, criando revistas como Only Men, Club International e Mayfair, além de produzir shows musicais e peças de teatro onde a nudez feminina era obrigatória e grande chamariz. O enfoque principal do filme, porém, é a vida pessoal do empresário, que largou a esposa Jean (Anna Friel) para ficar com Fiona Richmond (Tamsin Egerton), uma das maiores estrelas de Raymond. Festas regadas a champanhe e cocaína, orgias sem fim, valia tudo no mundo em torno do empresário, cujo número de amantes só foi menor que sua conta bancária. Nem mesmo a morte da filha Debbie (Imogen Poots) por overdose, no início dos anos 90, foi capaz de diminuir a ganância de Raymond, que chegou a ser considerado o homem mais rico da Inglaterra. Raymond também investia no mercado imobiliário e no comércio. O filme é ótimo e, entre seus maiores trunfos, estão o roteiro bem estruturado, o elenco, a recriação de época e, principalmente, a trilha sonora (inclui a música que dá nome original ao filme). Impossível não destacar também a beleza estonteante e a sensualidade da atriz Tamsin Egerton como Fiona. “Um mulherão para seiscentos talheres”, como diria um amigo. Um filmaço!     

quarta-feira, 8 de julho de 2015

“MAR NEGRO” (“BLACK SEA”), 2014, EUA/Inglaterra, é um thriller de ação e suspense quase que inteiramente ambientado nas profundezas do Mar Negro. Logo após perder o emprego na empresa em que trabalhou durante 30 anos, o comandante Robinson (Jude Law), experiente piloto de submarinos, é contratado por um milionário inglês para encontrar um submarino alemão que teria naufragado no Mar Negro durante a II Guerra Mundial. No interior da embarcação estariam mais de 40 milhões de dólares em barras de ouro. Robinson reforma um submarino praticamente sucateado, recruta marinheiros ingleses e russos para a tripulação e parte para a perigosa aventura. A primeira grande preocupação é a de não ser detectado na superfície pela marinha russa. A segunda é evitar a ganância dos tripulantes, que planejam eliminar uns aos outros para poderem receber uma parte maior. O capitão Robinson tem a difícil missão de administrar toda essa confusão. Daí para  frente, os clichês habituais de um filme envolvendo submarinos: brigas entre a tripulação, acidentes de percurso, mortes, muita tensão etc. Um filme bastante claustrofóbico e sombrio. De qualquer forma, o diretor escocês Kevin MacDonald (“O Último Rei da Escócia”) soube manter o suspense do começo ao fim, o que garante um bom entretenimento. Nada a mais de muito interessante para merecer uma recomendação entusiasmada. Nem mesmo a presença do ótimo ator inglês Jude Law.

sábado, 4 de julho de 2015

Reúna os ingredientes dos melhores filmes de ação que você já viu (no meu caso, os filmes de James Bond, "Matrix", "Missão Impossível" etc.). Acrescente algumas pitadas do estilo de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O resultado será “KINGSMAN: SERVIÇO SECRETO” (“Kingsman: The Secret Service”), 2014, Inglaterra. História: a agência ultrassecreta britânica Kingsman acaba de perder um de seus principais agentes, morto numa missão em algum país árabe. O veterano Harry Hart (Colin Firth) é encarregado de recrutar o novo integrante. Enquanto os testes com os candidatos – que já valem o filme - são realizados, surge o vilão maluco Valentine (Samuel L. Jackson), que ameaça acabar com a população do planeta para salvar o próprio – o planeta. Daí pra frente não dá tempo nem de olhar para o pote de pipoca. É ação o tempo todo, efeitos especiais de primeira e muito humor. O elenco conta ainda com Michael Caine, Taron Egerton, Mark Strong e Sofia Boutella. O diretor é Matthew Vaughn, que dirigiu alguns filmes da série “X-Men”. “Kingsman” é diversão garantida como há muito tempo o cinema não proporcionava. Estão dizendo que vai haver continuação: tomara! Aviso: não desligue quando os créditos finais começarem a aparecer, pois ainda tem mais...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

“DEUS BRANCO” (“Fehér Isten”), Hungria, 2014. Começa o filme e você acha que vai assistir a mais um daqueles filmes “sessão da tarde” da Disney. Ledo engano. O filme é sobre a amizade de uma menina com um cachorro. Eles são separados e aí cada um vive o seu drama. O diretor Kornél Mundruczó não economizou nas cenas de crueldade com os bichos, o que inclui espancamentos, brigas sanguinárias de cães em rinhas e matança generalizada. As cenas do treinamento do cão para lutar são chocantes e revoltantes, mostrando como o ser humano pode ser tão cruel. A história: com a viagem da mãe e do padastro para a Austrália, Lili (Zsófia Psotta) vai morar um tempo com o pai biológico. Só que tem um problema: o pai detesta cachorros e Lili tem um enorme, Hagen, um misto de labrador com vira-lata. O pai solta o cachorro pelas ruas de Budapest. Daí pra frente, só drama. Entre as cenas de maior impacto está aquela em que mais de 250 cães correm pelas ruas de Budapeste. Não há efeitos especiais. Os cães, recrutados nas ruas, foram treinados por Teresa Ann Williams, famosa adestradora de Hollywood, e pelo treinador húngaro Arpad Halasz. Fiquem tranquilos os espectadores que se chocam com cenas que mostram crueldade contra animais: as filmagens foram acompanhadas pelo pessoal da Sociedade Protetora dos Animais, garantia de que as cenas de maldade foram forjadas. Além disso, todos os cães foram adotados depois das filmagens. A produção húngara foi uma das mais comentadas durante o Festival de Cannes/2014, recebendo o Prêmio “Um Certain Regard”. O filme também foi selecionado para disputar o Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, mas não foi indicado. O filme é muito interessante e merece ser conferido, principalmente pela cena final, de arrepiar – no bom sentido. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

“SOBREVIVENTE” (“Survivor”), 2014, EUA, é um thriller de ação e suspense com um elenco de primeira: Pierce Brosnan, Milla Jovovich, Angela Bassett, Dylan McDermott e Robert Forster. Milla é Kate Abbott, agente especial do governo norte-americano encarregada de rastrear redes terroristas internacionais e descobrir possíveis planos de atentados. Uma de suas suspeitas recai sobre o Dr. Emil Balan (Roger Rees) e a leva a Londres para seguir uma pista. Lá, descobre que o Dr. Emil planeja um grande atentado em Nova Iorque. Em meio à sua investigação, Kate vai se confrontar com Nash (Brosnan), conhecido também pelo codinome de “O Relojoeiro”, um assassino frio e calculista contratado para executar o plano. Pior: será acusada de um crime que não cometeu, sendo perseguida pela polícia inglesa e também por Nash, que tem a missão de matá-la. O desfecho apoteótico da história será em Nova Iorque na noite de Ano Novo, quando milhões de pessoas correrão o risco de morrer se Kate não agir depressa. O filme, dirigido por James McTeigue (“V de Vingança”), tem uma trama bem elaborada e ação do começo ao fim.  Nada que exija muito esforço do intelecto. Programão para uma sessão com pipoca.   
 

 

sábado, 27 de junho de 2015

“PONTE AÉREA”, 2014, escrito e dirigido pela jovem Júlia Rezende (“Meu Passado me Condena”), é um bom drama romântico nacional. A história reúne Amanda (Letícia Colin) e Bruno (Caio Blat). Eles se conhecem num hotel de Belo Horizonte, onde são obrigados a se hospedar pela companhia aérea cujo voo para São Paulo é cancelado devido ao mau tempo. Na mesma noite, os dois acabam na cama e, a partir daí, viverão um romance tumultuado, principalmente pelas diferenças. Ele mora no Rio, é um artista plástico que vive de bicos como grafiteiro, não tem dinheiro e muito menos ambição. Ela é paulista, trabalha numa grande agência de publicidade e acaba de ser promovida a Diretora de Arte. Nas idas e vindas de uma cidade para a outra, eles se encontram, passam a noite juntos e passeiam como verdadeiros namorados. Ao visitar o pai internado em estado grave em São Paulo, Bruno descobre que tem um irmão pré-adolescente. A descoberta, e depois a morte do pai, mexe com a cabeça de Bruno e a relação com Amanda fica por um fio. Não dá pra contar o final para não estragar as surpresas. De qualquer forma, é um filme interessante e que revela uma bela e excelente atriz, a paulista Letícia Colin. Muita mulher pra pouco homem. Letícia é um mulherão e Blat baixinho, magro e feinho. Coisas inexplicáveis do amor...   

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Embora o título nacional dê ideia de um filme de faroeste ou um policial violento, “RESPOSTA À BALA” (“ANSWERED BY FIRE”) é um drama sério, de fundo político, ambientado no Timor-Leste em 1999. Trata-se de uma co-produção Canadá/Austrália, de 2006, produzida para a TV canadense. A história enfoca o trabalho de uma equipe da ONU (Nações Unidas) designada para organizar e fiscalizar a realização de referendo no Timor-Leste que consultaria a população se queria obter a independência da Indonésia, que dominava, a ferro e fogo, o pequeno país localizado na ilha de Timor, no Sudeste Asiático, desde 1975. Desarmados e em pequeno número, os voluntários da ONU viveram situações de extremo perigo, enfrentando as milícias sanguinárias mantidas e armadas pela Indonésia, além da omissão escancarada dos policiais locais, responsáveis pela segurança do pessoal. A diretora Jessica Hobbs soube manter um angustiante clima de tensão em grande parte do filme, só amaciando no final, com direito a desfecho parecendo novela da Globo. Nos principais papeis estão o ator australiano David Waldman (o “Faramir” de “Senhor dos Aneis”) e a bonita atriz canadense Isabelle Blais. O filme tem o mérito de abordar e reviver um fato histórico e político da maior importância. Um bom programa para quem gosta de História.
“LONGE DOS HOMENS” (“Loin Des Hommes”), 2014, direção de David Oelhoffen, é um drama francês ambientado na Argélia em 1954, ano em que começa a Guerra da Independência do país contra os colonizadores franceses. Num pequeno colégio localizado numa região inóspita, árida e cercada por montanhas, o professor Daru (Viggo Mortensen) dá aulas de francês às crianças do vilarejo. Quando eclode o movimento, as autoridades policiais de uma cidade próxima, ocupadas demais com o início da revolução, pedem a Daru que levem um argelino para ser julgado numa outra cidade. Mohamed (Reda Kateb, ator que lembra, ao mesmo tempo, Anthony Quinn e Mário Moreno, o “Cantinflas”), o argelino, é acusado de ter assassinado um homem. Os parentes da vítima fatal querem vingança e partem no encalço de Mohamed. Em meio a essa perseguição e ao fogo cruzado entre franceses e rebeldes argelinos, Daru e Mohamed percorrem um caminho repleto de perigos. A amizade entre os dois é o grande trunfo do filme. Daru mostra um grande sentido de justiça e Mohamed de lealdade por aquele que o protege. A carga dramática da história foi amenizada pelo roteiro, também escrito por Oelhoffen, que reservou alguns diálogos bem-humorados entre Daru e Mohamed, além de uma fotografia deslumbrante dos cenários desérticos onde o filme é ambientado. É um filme, sem dúvida, bastante sensível, mas indicado apenas a um público mais restrito.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

“A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE (“The Age of Adaline”), 2014, EUA, é um drama romântico com um enredo fantasioso. Aos 27 anos de idade, Adaline Bowman (Blake Lively), nascida no começo do Século XX, sofre um grave acidente de carro, que cai num rio e é atingido por um raio. O efeito é o mesmo de um desfibrilador e ela praticamente ressuscita. E com uma vantagem a mais: a partir dali, não envelhece mais. Os argumentos científicos utilizados para tentar explicar o fenômeno são também fantasiosos. O filme pula para 2014 e lá está ela com a mesma aparência, contracenando com a filha Flemming (Ellen Burstyn) e reencontrando velhos amores, hoje literalmente velhos, como é o caso de William Jones (Harrison Ford), coincidência das coincidências, pai de seu namorado Ellis (Michiel Huisman). O filme é bom, bem produzido e vai agradar principalmente os espectadores mais sensíveis e românticos. A jovem atriz Blake Lively, mais conhecida por atuar na Série “Gossip Girl, tem sua grande chance como protagonista principal. E não decepciona. Além de bonita e charmosa, é muito competente. A direção é de Lee Toland Krieger (de “Celeste e Jesse para Sempre”). A história de Adaline lembra muito outro filme, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, com Brad Pitt, embora neste caso o homem nasce velho e vai rejuvenescendo. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca.