quarta-feira, 12 de julho de 2023


“DEIXANDO O AFEGANISTÃO” (“BRATSTVO”), 2021, Rússia, em cartaz no Prime Vídeo, 1h53m, direção de Pavel Lungin, que também assina o roteiro com a colaboração de  Aleksandr Lungin. Não são muitos os filmes sobre a guerra entre União Soviética e o Afeganistão.  Este é o mais recente, cuja história é baseada nas memórias do general Nikolay Kovalyov, agente da KGB na frente afegã. Estamos em 1989, quando as últimas unidades do exército russo deixam o país inimigo depois de dez anos de guerra – a intenção dos russos era implantar o comunismo no Afeganistão, objetivo não concretizado. O filme acompanha os trabalhos de desmobilização da 108ª Divisão de Infantaria. Só que acontece um fato inesperado: um avião russo é abatido e seu piloto, Alexander Vasiliev, acaba sequestrado por guerrilheiros mujahidins. Vasiliev é filho de um general, que ordena aos seus comandados que o resgatem a qualquer custo. Ao mesmo tempo em que mostra a ação sendo planejada e executada, o roteiro destaca a rotina dos soldados russos, com cantorias, muita bebida, corrupção desenfreada e tráfico de armas e drogas, configurando uma crítica ácida e contundente aos invasores russos. Repleta de reviravoltas e traições de lado a lado, a história termina convidando a uma reflexão sobre quem ganha com uma guerra em que não há vencedores, somente vencidos. Exibido em vários festivais mundo afora, “Deixando o Afeganistão” teve uma boa aceitação por parte da crítica especializada, mas não é um filme muito fácil de digerir.                

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terça-feira, 11 de julho de 2023

 

“REI DO RINGUE: A HISTÓRIA DE JEM BELCHER” (“PRIZEFIGHTER: THE LIFE OF JEM BELCHER”), 2022, Inglaterra, 1h47m, direção de Daniel Graham, seguindo roteiro assinado por Matt Hookings, lançamento da Prime Vídeo. Trata-se da adaptação para o cinema da biografia do lutador inglês Jem Belcher (Matt Hookings), que no início do século 19 foi campeão de boxe da Inglaterra. Desde garoto, o ídolo de Jem era o avô Jack Slack (Russell Crowe, ótimo), um beberrão que costumava lutar pelas ruas de Bristol. Jem cresceu e também começou a participar de lutas. Numa delas, derrubou um adversário muito mais forte e chamou a atenção do treinador Bill Warr (Ray Winstone), que o treinou para ser um campeão. O que de fato foi, quando enfrentou o então campeão inglês em Londres. Como a mãe já previra, o sucesso levou Belcher a frequentar a elite da capital inglesa, o que incluiu mulheres e muita bebida. Como na maioria dos filmes que tratam de boxe, a luta decisiva ficou para o desfecho, quando Jem coloca seu título em jogo. Completam o elenco Marton Csokas, Jodhi Mae, Julian Glover, Lucy Martin, Olivia Chenery, Steven Berkoff, Joe Egan e Emily Haigh. Como história baseada em fatos reais, o filme agrada completamente. O que me incomodou em demasia foi a fotografia em tons escuros nas cenas de interiores. A claridade só aparece nas cenas diurnas ao ar livre. Trocando em miúdos, o filme é indicado apenas para os amantes de boxe, que terão a oportunidade de conhecer uma história ambientada nos primórdios do esporte.       

 

sábado, 8 de julho de 2023

 

“ALERTA MÁXIMO” (“PLANE”), 2023, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h48m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta francês Jean-François Righet, seguindo roteiro assinado por Charles Cumming e J.P. Davis. O ator escocês Gerard Butler retorna a mais um filme de ação, gênero que o catapultou para o estrelato. Desta vez, ele é o piloto Brodie Torrance, da empresa Trailblazer Airlines. Seu próximo voo, o 119, decolará de Singapura com destino a Honolulu. Além do copiloto Dele (Yoson An), estão a bordo três comissárias e 19 passageiros, um deles Louis Gaspare (Mike Colter), transportado por um agente do FBI por uma acusação de homicídio. Antes de continuar o comentário, devo citar a famosa Lei de Murphy (aquela que diz “Se algo pode dar errado, dará”), que se aplica com perfeição à história. Logo de cara, o avião entra em uma tempestade e, durante os fortes solavancos, morrem o agente do FBI e uma comissária. Como se não bastasse, um raio atinge a aeronave, afetando todos os seus comandos, o que leva o comandante a decidir por um pouso forçado. Ele escolhe uma terra firme qualquer e consegue pousar. O que não se imagina é que a ilha está nas mãos de violentos milicianos filipinos que lutam contra o governo estabelecido. Desgraça atrás de desgraça, o filme segue com muito suspense e ótimas cenas de ação. Aliás, a ação corre solta desde o início, destacando-se a excelente cena em que o avião é envolvido pela tempestade. De tirar o fôlego! O elenco ainda traz Tony Goldwyn, Daniela Pineda, Evan Dane Taylor e Paul Ben-Victor. Por causa de todos esses ingredientes, “Alerta Máximo” recebeu incríveis 95% de aprovação no rigoroso site Rotten Tomatoes e, entre os críticos, conquistou 74% de avaliações positivas. Imperdível!      

 

 

 

                

 

 

                   

                    

quinta-feira, 6 de julho de 2023

 

“CHAMAS DA FÚRIA” (“DAS FLAMMENMÄDCHEN”), 2021, Áustria, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Catalina Molina, cineasta argentina radicada em Viena (Áustria). Trata-se de um suspense policial que entrega o vilão – no caso, a vilã - já no começo do filme. Resta ao espectador aguardar pelas respostas: Por que ela fez o que fez e como a polícia agirá para chegar até ela? Estamos em Salzburgo, famosa por ser a cidade natal de Mozart. Um incendiário já colocou fogo em casas, celeiros, barracões, provocando medo na população, apesar de que o fogo só consumiu imóveis abandonados, ou seja, em nenhum dos casos houve vítimas. Franziska “Franzi” Hilmayr (Stefanie Reinsperger), chefe da polícia local, não conseguiu nenhuma pista e, por isso mesmo, recebeu o reforço do agente federal Merana (Manuel Rubey) para ajudar nas investigações. O caso se complicou ainda mais quando mais uma casa abandonada é destruída por um incêndio, mas desta vez havia um cadáver carbonizado, justamente o filho do chefe dos bombeiros. A incendiária é Sophie (Annika Wonner), uma adolescente problemática órfã de mãe e filha de um alcóolatra. E por aí vai a história, repleta de reviravoltas, algum suspense e pouca substância. Ou seja, um filme que merece entrar na categoria dos esquecíveis, sem qualquer atrativo que mereça uma recomendação entusiasmada.     

segunda-feira, 3 de julho de 2023

 

“O PROTOCOLO DE AUSCHWITZ” (“THE AUSCHWITZ REPORT”), 2021, coprodução Eslováquia/Alemanha/ República Tcheca/Polônia, 1h36m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta eslovaco Peter Bebjak, que também assina o roteiro juntamente com Jozef Pastéka e Tomás Bombik. O filme relembra mais um acontecimento histórico importante ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial envolvendo o campo de concentração de Auschwitz, ao sul da Polônia, considerando o maior símbolo do holocausto perpetrado pela Alemanha Nazista. Dois jovens judeus eslovacos, Freddy (Noel Czuczor) e Walter (Peter Ondrejicka), prisioneiros do campo, conseguem fugir em 1944 e atravessar a fronteira para chegar à Eslováquia. Eles levavam documentos e relatórios denunciando as barbaridades praticadas em Auschwitz, apresentando-os às autoridades eslovacas, aos representantes dos países aliados e até à Cruz Vermelha Internacional. Por incrível que pareça, os dois foram desacreditados, ou seja, ninguém foi capaz de acreditar que as barbaridades descritas fossem verdadeiras, o que, naturalmente, causou mais mortes até o final da guerra, em maio de 1945. A história do filme se desenrola em três fases. A primeira, mostrando o dia a dia do campo de concentração, com cenas chocantes e perturbadoras. A segunda etapa acompanha a fuga de Freddy e Walter pela floresta até chegar à Eslováquia, ajudados por membros da resistência polonesa.  A terceira e última etapa apresenta os dois fugitivos tentando convencer as autoridades dos terríveis acontecimentos ocorridos em Auschwitz e também em Birkenau. Há que se destacar a estética desenvolvida pelo diretor Peter Bebjak, utilizando várias posições da câmera – há planos de cabeça para baixo -, muito diferente e mais criativa do que estamos acostumados a ver. Ponto para a coragem do diretor. Embora recebido com restrições pela crítica especializada, o filme foi selecionado para representar a Eslováquia na disputa do Oscar 2022 de Melhor Filme Estrangeiro. Eu gostei, mas alerto que não é um filme muito fácil de digerir. Se você assistir, não desligue antes dos créditos finais, pois neles aparecem falas legendadas de líderes mundiais sobre vários temas, incluindo o nosso glorioso presidente Jair Bolsonaro.      

 

 

 

                

 

 

                   

                    

quinta-feira, 29 de junho de 2023


 

“TILL – A BUSCA POR JUSTIÇA” (“TILL”), 2022, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na Prime Vídeo (estreou dia 23/06/2023), direção de Chinonye Chukwu, cineasta nigeriana radicada nos EUA, que também assina o roteiro com Michael Reilly e Keith Beauchamp. Baseado em fatos reais, o filme nos leva a 1955, contando uma história chocante de racismo, injustiça e impunidade. Emmett “Bo” Till (Jalyn Hall), de apenas 14 anos, sai de Chicago e viaja para a cidade de Money, no Mississipi, para passar as férias ao lado dos primos. Antes da viagem, sua mãe, Mamie Till-Mobley (Danielle Deadwiler), o alerta sobre como deve se comportar, pois lá em Money o racismo é muito forte. Não adiantou muito o conselho. Em uma loja de conveniência, “Bo” fala para a recepcionista (branca) que ela parece uma artista de cinema e, logo depois, ainda assobia um “fiu fiu”. Quatro dias depois, “Bo” é sequestrado da casa dos tios por dois homens brancos. Não passou muito tempo e o cadáver do garoto é encontrado inchado, com marcas de torturas e uma bala na cabeça. Começa o inferno de Mamie, que viaja para Money a fim de resgatar o corpo do filho e levá-lo para ser enterrado em Chicago. Ela insiste que, durante o velório, o menino seja exposto em caixão aberto para que as pessoas, e principalmente os repórteres fotográficos, vejam e registrem o estado em que ficou o filho. O caso teve ampla repercussão na mídia, sensibilizando a opinião pública dos Estados Unidos. Por causa do testemunho de um jovem negro, a polícia de Money consegue prender os dois responsáveis pelo assassinato do menino. Mamie resolve comparecer ao julgamento, sendo obrigada a presenciar um clima totalmente favorável aos assassinos, incluindo testemunhos falsos e, pior, ver o júri de 12 homens brancos inocentarem os acusados. Depois de tudo o que aconteceu, Mamie se transformou numa importante ativista pelos direitos civis dos negros. A atriz Danielle Deadwiler dá um show de interpretação, merecedora não só de uma indicação, mas da premiação do Oscar 2023, mas foi esquecida injustamente, pela Academia. Mas houve quem reconhecesse o seu impressionante trabalho, como a Britsh Academy of Film and Television Arts, que lhe concedeu o prestigiado Prêmio Bafta de melhor atriz. Completam o elenco de “Till” uma irreconhecível Whoopi Goldberg como a avó do garoto morto (ela é uma das produtoras do filme), Haley Bennett, Sean Patrick Thomas, Jayme Lawson, Jaylin Webb, Frankie Faison e Sean Michel Weber. Não tenho dúvida em afirmar que “Till” é o melhor lançamento do ano da Prime Vídeo. IMPERDÍVEL - assim mesmo, com maiúsculas.   

 

 

 


domingo, 25 de junho de 2023

 

“O PACTO” (“THE COVENANT”), 2023, Estados Unidos, 2h03m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Guy Ritchie, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn Davies. Filmaço de ação ambientado em 2018 no Afeganistão, três anos antes dos Estados Unidos retirarem suas tropas daquele país, no qual estiveram desde 2001. A história é centrada no sargento John Kinley (Jake Gyllenhaal), comandante de um batalhão encarregado de encontrar e destruir depósitos de explosivos do Talibã. O perigo rondava a cada missão, que às vezes resultava em emboscadas e mortes. Em uma delas, morreu o intérprete. Para as próximas missões, Kinley entrevistou e contratou um novo intérprete, Ahmed (o ator iraquiano Dar Salim). Numa das missões mais perigosas, Kinley é ferido gravemente e teria sido preso pelos talibãs não fosse a coragem de Ahmed, que o levou de volta à base distante cerca de 100 quilômetros, grande parte deles percorrido em uma maca de madeira levada com grande esforço pelo intérprete. O sargento é levado de volta aos Estados Unidos e Ahmed é obrigado a se esconder com sua esposa e filho, pois virou inimigo número 1 dos talibãs. Kinley se sentiu obrigado a retribuir o ato heroico de Ahmed, voltando ao Afeganistão para tentar resgatá-lo e levá-lo a salvo aos EUA. Completam o elenco Alexander Ludwig, Antony Starr, Jason Wong, Bobby Schofield, Emily Beecham e Swen Temmel. O filme é repleto de muito suspense e inúmeras ótimas cenas de ação, valorizando uma história incrível de coragem e solidariedade. Nos créditos finais, são mostradas várias fotos dos personagens reais, o que dá a entender que a história é verídica, embora os materiais de divulgação omitam esse fato. Trocando em miúdos, “O Pacto” é ótimo. Assista e confira.             

sábado, 24 de junho de 2023

 

“O FIM DA VERDADE” (“DAS ENDE DER WAHRHEIT”), 2019, Alemanha, 1h45m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção de Philipp Leinemann. Suspense cuja história envolve espionagem e terrorismo. Martin Behrens (Ronald Zehrfeld), especialista em Oriente Médio da agência de inteligência alemã BND consegue informações sobre o paradeiro de um terrorista islâmico cuja base está localizada no (país fictício) Zahiristão. Segundo Behrens, os terroristas planejam um atentado na Alemanha. Para evitá-lo, Behrens passa a informação à CIA, que, utilizando drones, invade o território do Zahiristão e mata o chefe terrorista. Integrantes do mesmo grupo prometem vingança e, durante um atentado em um restaurante de Munique, matam várias pessoas, incluindo a jornalista Aurice Köhler (Antje Traue), namorada de Behrens. Em meio a esses acontecimentos, Behrens resolve agir de forma isolada, quando descobre que a verdade não é exatamente aquela demonstrada pelos fatos, e sim o que uma surpreendente reviravolta revelará, ou seja, uma conspiração de alguns integrantes do próprio governo alemão. Também estão no elenco Alexander Fehling, Claudia Michel, Katharina Lorenz, Axel Prahl e Alipeza Bayram. Como a maioria dos filmes de espionagem, o roteiro, de início, não é de fácil compreensão, exigindo um pouco de esforço da nossa inteligência, mas aos poucos as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. De qualquer forma, é um excelente filme no gênero, movimentado e repleto de suspense. Imperdível.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

 

“MARIYA – O SÍMBOLO DE UMA GUERRA” (“MARIYA. SPASTI MOSKVU”), 2022, Rússia, 1h51m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Wera Michailowna Storoschewa, seguindo roteiro assinado por Elena Rayskaya. Embora tenha pesquisado, não consegui saber se a história, ambientada no início da Segunda Grande Guerra, é verídica ou criada. A personagem central é Mariya Petrova (Mariya Lugovaya), jovem que renuncia à sua fé e ao seu pai, um padre da Igreja Ortodoxa, para servir ao exército soviético como membro da NKVD (Comissariado do Povo dos Assuntos Internos). Ela é recrutada para uma difícil e perigosa missão: resgatar o ícone milagroso da Virgem Maria em uma igreja localizada numa cidade ocupada pelo exército alemão. A ordem veio diretamente do ditador Stalin, que consultou uma vidente que o aconselhou a resgatar o ícone naquela tal cidade, afirmando que, com a posse do objeto sagrado, salvaria Moscou da invasão nazista. Entusiasmada por servir à sua pátria, Petrova enche-se de coragem e parte para a missão quase suicida, recebendo a ajuda de alguns guerrilheiros e do padre Vladimir (Arthur Smolianinove), da igreja que guarda o ícone milagroso. Além dos alemães, Petrova tem de enfrentar o terrível inverno russo, muitas vezes sem água ou comida. As cenas são de um realismo chocante, com muito suspense e cenas fortes que retratam com competência a tragédia que o povo russo foi obrigado a viver por causa das loucuras de Hitler. Fica aqui minha dúvida se Mariya Petrova existiu mesmo ou foi fruto de invenção do roteiro. De qualquer forma, trata-se de uma heroína criada para enaltecer a coragem do povo russo. Recomendo.    

 

 

terça-feira, 20 de junho de 2023

 

“O MATEMÁTICO” (“ADVENTURES OF A MATHEMATICIAN”), 2021, em cartaz na Prime Vídeo, 1h42m, coprodução Alemanha/Polônia/Inglaterra, roteiro e direção do cineasta alemão Thorsten Klein. A história é centrada no matemático judeu polonês Stanislaw Ulam (Philippe Tlokinski), que nos anos 40 participou, com outros renomados cientistas, do ultrassecreto Projeto “Manhattan”, responsável pela criação e construção das bombas atômicas que, pouco mais tarde, arrasariam as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Nascido na Polônia, Stan, como era mais conhecido, chegou aos Estados Unidos em 1931, foi um estudante prodígio na Universidade de Harvard e, logo em seguida, seu professor. Era considerado um gênio em matemática e, por isso mesmo, foi recrutado para a base de Los Álamos, onde um grupo de renomados cientistas, entre eles Robert Oppenheimer (Ryan Gage), desenvolveria a bomba atômica. A ideia inicial do governo norte-americano era utilizá-la contra os nazistas, até que estes, em maio de 1945, se renderam aos aliados. A guerra continuou contra o Japão, que teimava em não se render. Daí, as bombas em Hiroshima e Nakasaki. “O Matemático” revela os bastidores das reuniões de trabalho dos cientistas, suas vidas particulares e depois toda a sua angústia e sentimento de culpa por terem contribuído para a criação de uma arma tão mortífera. O roteiro coloca o polonês Stan Ulam no centro de toda a história, destacando ainda a relação com sua esposa Françoise (a atriz francesa Esther Garrel, irmã do ator Louis Garrel), com o irmão mais novo Adam (Mateusz Wieclawek) e com seu melhor amigo Johnny Von Neumann (Fabian Kociecki), com o qual seria a responsável pela invenção do primeiro computador que daria origem, mais tarde, à era digital. Trocando em miúdos, o filme vale a pena por revelar os detalhes de um fato histórico que teve um papel fundamental para a humanidade. Recomendo.   

 

 

 

                 

 

                   

segunda-feira, 19 de junho de 2023

 


“RESGATE 2” (“EXTRACTION 2”), 2023, Estados Unidos, lançamento da Netflix, 2h02m, direção de Sam Hargrave e roteiro de Joe Russo. Filme de ação, assim como o primeiro “Resgate”, também baseado na graphic novel “Ciudad”, criada por Ande Parks, Joe e Anthony Russo, Fernando Leon González e Eric Skillman. O personagem principal é novamente Tyler Rake (Chris Hemsworth, o ator australiano de “Thor”), que deixou de ser um soldado de elite para se transformar em um mercenário letal. No primeiro filme, Rake ficou encarregado de resgatar o filho de um grande empresário indiano. Nesta segunda versão, ele recebe a missão de resgatar uma mulher e seus dois filhos de uma penitenciária na Geórgia – antiga república soviética –, mantidos presos por ordem do marido dela, o violento Zurab (Tornike Gogrichiani), chefão de uma poderosa máfia georgiana. A equipe de Tyler conta com os irmãos mercenários Nik Khan (a atriz iraniana Golshifteh Farahani) e Yaz (Adam Bessa), combatentes de primeira linha. As cenas de ação são muito bem feitas, mas exageradamente mentirosas. Só para citar uma: o herói entra no presídio e enfrenta, sozinho, dezenas de presos e policiais, bate em todo mundo e sai ileso. Tudo bem, Hollywood pode tudo. A cena perto do desfecho, onde o herói luta com o vilão no telhado de vidro de um edifício em Viena (Áustria) é uma das melhores e muito bem realizadas. Para os fãs de filmes de ação, este “Resgate 2” deve agradar em cheio, pois não faltam, do começo ao fim, muita pancadaria, perseguições, explosões e tantos tiros que dá vontade de se esconder atrás da poltrona. Também estão no elenco Olga Kurylenko, Idris Elba, Sinead Phelps e Tina Dalakishvili. Repito: como filme de ação, nota 10. Imperdível! Ah, e já estão falando no “Resgate 3”, que também não vou perder.     

 

 

 

domingo, 18 de junho de 2023

 

“AMOR E MORTE” (“LOVE & DEATH”), 2023, Estados Unidos, minissérie em 7 episódios da HBO Max, direção de Leslie Linka Glatter e Clark Johnson. A história é baseada em fatos reais, narrados no livro escrito por John Bloom e Jim Atkinson, ou seja, o assassinato de uma mulher a machadadas praticado pela ex-amante do marido da vítima. O caso, de grande repercussão nos Estados Unidos, começou em 1978, quando Candy Montgomery (Elizabeth Olsen) começou um relacionamento extraconjugal com Allan Gore (Jesse Plemons), marido de sua amiga Betty (Lily Rabe), que dura cerca de oito meses. Pouco mais de um ano depois, o caso seria descoberto pelo marido de Candy, Pat (Patrick Fugit) e também por Betty. Em junho de 1980, viria ocorrer o assassinado de Betty, encontrada morta por vizinhos, pois Allan estava viajando a negócios. Em sua segunda parte, a minissérie acompanha as investigações da polícia até chegar à principal suspeita, Candy, e destaca também o seu julgamento, cujo resultado é uma grande surpresa, que não revelo aqui para não estragar a expectativa de quem não conhece a história. Também estão no elenco da minissérie Kristen Ritter, Tom Pelphrey, Olivia Grace Applegate, Elizabeth Marvel e Bruce McGill. É justo destacar o desempenho da atriz Elizabeth Olsen, que já demonstrou o seu talento em outras séries, tais como “WandaVision”, de 2021. Agora, em “Amor e Morte”, ela é, sem dúvida, o grande trunfo para o sucesso da minissérie, uma das melhores do ano.        

 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

 

“SAYEN”, 2023, Chile, 1h36m, produção original e distribuição Prime Video, direção de Alexander Witt (“Resident Evil 2: Apocalipse”), seguindo roteiro assinado por Patricio Lynch, Julio Rojas e Carla Stagno. Este talvez seja o primeiro filme de ação feito pelo cinema chileno. Não me lembro de outro. O tema da história está em grande evidência há anos: a exploração dos indígenas pelos homens brancos. No caso de “Sayen”, os brancos representam uma grande corporação internacional que almeja comprar terras ao sul do Chile, nas florestas da Araucanía, para exploração de cobalto. Só que nelas vivem os índios Mapuche, que ser recusam a vendê-las e muito menos deixar que a explorem. Uma grande empresa sediada na Espanha resolve conquistar as terras à força, utilizando mercenários violentos. Quando Ilwen Lemunko (Teresa Ramos), proprietária de uma parte dessas terras, é assassinada ao se negar a vendê-las, sua neta Sayen (Rallen Montenegro) parte para a vingança. Aí ninguém segura a índia vingativa, que se aproveita da vivência nas florestas para ir atrás dos assassinos de sua avó. Entre as cenas de ação, o roteiro destaca mensagens contra os invasores de terras indígenas e ainda coloca em discussão as atitudes que afetam o meio ambiente. Completam o elenco Arón Piper, Roberto García Ruiz, Loreto Aravena, e Enrique Arce. O filme é bastante interessante e esclarecedor, tem boas cenas de ação e um roteiro bem elaborado. Recomento, principalmente, para o público ligado à proteção do meio ambiente.      

 

“PURA PAIXÃO” (“PASSION SIMPLE”), 2020, coprodução França/Bélgica, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta libanesa Danielle Arbid. O roteiro, assinado pela própria Arbid, foi baseado no romance autobiográfico “Simple Passion”, de 1992, da escritora Annie Ernaux – em 2022, Ernaux ganhou o Nobel de Literatura. O filme, selecionado para o Festival de Cannes, é um drama erótico envolvendo a professora universitária de Literatura Hélène August (Laetitia Dosch) e o russo Aleksandr (Sergei Polunin), encarregado da segurança da embaixada russa em Paris. Divorciada e com um filho entrando na adolescência, Hélène se entrega, literalmente, de corpo e alma, a essa paixão desenfreada e intensa, mesmo sabendo que Aleksandr é casado. A paixão logo se transforma em obsessão, principalmente por parte de Hélène. Para ilustrar esse fogo ardente, a diretora libanesa abusa das cenas de sexo, algumas delas muito perto do explícito. A estética do filme, incluindo uma primorosa fotografia, deve agradar, de forma especial, o público que curte o tal cinema de arte – para mim, todo filme é arte -, gênero em que o cinema francês sempre se sobressaiu. Há que se destacar ainda o desempenho da atriz Laetitia Dosch, que aos 42 anos se entrega a um papel difícil e que exige coragem para se expor com tanta entrega e desenvoltura. Outro destaque deve ser atribuído ao ator, dançarino e modelo ucraniano Sergei Polunin, que tem no currículo filmes como “Assassinato no Expresso Oriente” e “Operação Red Sparrow”, entre outros. Também estão no elenco Caroline Ducey, Grégoire Colin, Dounia Sichov, Slimane Dazi e Lou-Teymour Thion. Trocando em miúdos, apesar de não ser um filme muito fácil de digerir, gostei muito, indicando como especiais e de grande beleza as cenas filmadas em Florença, em Moscou e na própria Paris. Para terminar, faço um importante alerta: ANTES DE ASSISTIR, TIRE AS CRIANÇAS DA SALA.    

segunda-feira, 12 de junho de 2023

 

“PADRE JOHNNY” (“JOHNNY”), 2023, Polônia, 1h59m, produção original e distribuição Netflix, estreia na direção do jovem cineasta Daniel Jaroszek, de 34 anos, e roteiro assinado por Maciej Kraszewski. A história deste ótimo drama é baseada em fatos reais, ou seja, na vida do padre polonês Jan Kaczrowski (1977-2016). Mesmo debilitado por várias doenças, uma delas grave, Jan (David Ogrodnik) jamais deixou de se dedicar aos doentes terminais da sua cidade natal, Gdynia. Em 2009, ele fundou o “The Puck Hospice”, um hospital dedicado exclusivamente aos doentes terminais. Aqui, ele conhece o jovem Patryk Galwski (Piotr Trojan), um drogado e marginal condenado a prestar 360 horas de serviço comunitário. O padre e Patryk ficarão amigos, uma relação sensível que ocupará grande parte da narrativa. Embora todo o contexto seja dramático, o filme tem seus momentos de humor, quando, por exemplo, Jan discute com o arcebispo seu chefe, numa das melhores cenas do filme. Não bastasse todo esse trabalho, o padre Jan arrumou tempo de escrever vários livros, nos quais ensina a aproveitar a vida ao máximo e como lidar com as doenças terminais. Seu livro de maior sucesso foi “The Art of Living Without Lies” (“A Arte de Viver Sem Mentiras”). Diagnosticado em 2012 com um glioblastoma - um grave tumor no cérebro -, Jan viria a falecer em 2016. “Padre Johnny” estreou nos cinemas da Polônia em outubro de 2022, tornando-se um grande sucesso de bilheteria. O filme é ótimo, sem dúvida um dos melhores lançamentos do ano pela Netflix. Imperdível!    

domingo, 11 de junho de 2023

 

“TIRO CERTO” (“ONE SHOT”), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de James Nunn, que também assina o roteiro com Jamie Russell. Trata-se de um filme de ação centrado na difícil missão de um esquadrão de elite SEAL da Marinha, chefiada pelo oficial Jake Harris (Scott Adkins), encarregado de resgatar e levar para Washington um prisioneiro ligado ao EI (Estado Islâmico). Segundo a agente Zoe Anderson (Ashley Green), analista da CIA, Amin Mansur (Waleed Elgadi) teria informações sobre um possível atentado terrorista a ser realizado em Washington. Mansur está preso em uma base secreta – na verdade, uma ilha-prisão da CIA - destinada a terroristas. Quando estava quase tudo pronto para a viagem de volta, levando o preso, eis que a base é invadida por dezenas de terroristas sob o comando do sanguinário Hakim Charef (Jess Liaudin). A matança é generalizada, de um lado e de outro, sendo que os mocinhos ficam reduzidos a apenas quatro soldados e a tal analista da CIA. Eu não contei quantos tiros foram dados durante o filme, mas a munição utilizada certamente abasteceria um exército durante uma guerra. Um exagero de tiros. De qualquer forma, o suspense permeia a história e a ação corre solta do começo ao fim, transformando “Tiro Certo” num entretenimento de primeira. Também estão no elenco Ryan Phillippe, Terence Maynard, Emmanuel Imani, Tim Man, Lee Charles e Duncan Casey.      

 

 

 

quinta-feira, 8 de junho de 2023

 

“A MÃE DO ANO” (“DZIÉN MATKI”), 2023, Polônia, 1h34m, produção original e distribuição Netflix, direção de Mateusz Rakowicz (“O Rei das Fugas”), que também assina o roteiro com Lukasz M. Maciejewski. A tradução para o português do título original é “Dia das Mães”, o que sugere um filme leve, com crianças brincando no parquinho, mulheres grávidas etc. Que nada! Trata-se de um filme de ação durante o qual predomina muita pancadaria e tiroteios. A mãe a que se refere o título é Nina Nowak (Agnieszka Grochowska, de “Crimes Ocultos”), uma ex-agente das forças especiais polonesas. Quando era da ativa, ela assassinou um chefão da máfia russa, um tal de Dusan Dragan. O filho dele, Igor (Dariusz Chojnacki), quer se vingar e vai atrás de Nina. Como passo inicial da vingança, ele sequestra o filho de Nina, o adolescente Maks (Adrian Delikta), que desde bebê vive com pais adotivos. O sequestro acontece exatamente no Dia das Mães, o que justifica o título original. O diretor Rakowicz ilustra a história com vários personagens excêntricos e caricatos, pequenas doses de humor à base de sátira e muita pancadaria, destacando ótimas cenas de luta estilosas e bem coreografadas. Nina, a heroína da história, parece ter sido tirada de uma revista de quadrinhos, assim como inúmeras cenas e os vilões da história. Trocando em miúdos, trata-se de um filme ideal para uma sessão da tarde com pipoca.     

quarta-feira, 7 de junho de 2023

 

“ESQUEMA DE RISCO – OPERAÇÃO FORTUNE” (“OPERATION FORTUNE – RUSE DE GUERRE”), 2023, coprodução Estados Unidos/Turquia, 1h54m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Guy Ritche, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn Davies. O elenco é de primeira. Só para citar alguns nomes: o brucutu do momento Jason Statham, Hugh Grant, Aubrey Plaza, Josh Hartnett, Carl Elwes e Eddie Marsan. O filme não é tão bom quanto o elenco, mas cumpre seu compromisso de divertir. E muito. Trata-se de um filme de ação com muito humor, repleto de sátira aos filmes de espionagem (James Bond, Missão Impossível etc.). A história começa com o roubo de uma maleta que contém um dispositivo capaz de criar uma nova forma de inteligência artificial capaz de dominar a economia de todos os países do mundo. O agente especial inglês Orson Fortune (Statham) é encarregado de investigar o caso. O principal suspeito é um bilionário traficante de armas, Greg Simmonds (Grant). A estratégia para chegar a Greg inclui o recrutamento do ator Danny Francesco (Hartnett), um astro de Hollywood, para participar da equipe. Isto porque o traficante é um grande fã de Francesco. Só que tem muita gente também disposta a roubar a maleta, como uma terroristas ucranianos, uma máfia turca e uma gangue chefiada por um ex-espião inglês. A confusão está formada. A ação corre solta até o desfecho, com muita pancadaria, tiroteios e perseguições. Tudo realizado com grande competência pelo diretor inglês Guy Ritche, que ficou conhecido depois de dirigir o ótimo “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, de 1998, e em seguida “Snatch: Porcos e Diamantes”, em 2000. Também contribuiu para a fama de Ritche o fato de ser casado, na época, com a diva do pop Madonna. “Esquema de Risco” é, portanto, um ótimo entretenimento, diversão pura. Ah, não desligue antes dos créditos finais, pois ainda é exibida uma cena que define com maestria o espírito de sátira que caracteriza o filme. IMPERDÍVEL!    

domingo, 4 de junho de 2023

 

“SEM CULPA” (“INDEMNITY”), 2022, África do Sul, 2h04m, em cartaz na Amazon Prime, roteiro e direção de Travis Taute. Ainda um pouco desconhecido por aqui, o cinema sul-africano já produziu ótimos filmes. Só para citar alguns: “Hotel Ruanda”, “Invictus” e “Distrito 9”. Sem falar, é claro, da diva Charlyze Theron, a melhor produção do país. Falado em inglês e africâner, duas das línguas oficiais da África do Sul, “Sem Culpa” é mais um bom filme de ação cuja história é centrada em Theo Abrams (Jarrid Geduld), um bombeiro afastado do trabalho depois de um episódio de transtorno de estresse pós-traumático grave, resultado de uma missão para combater um incêndio em uma favela da periferia da Cidade do Cabo. Enquanto isso, sua mulher, a jornalista investigativa Angela Abrams (Nicole Fortuim), trabalha numa reportagem que denunciará uma conspiração envolvendo autoridades governamentais e uma importante empresa fabricante de medicamentos. Um dia, Theo acorda e sua mulher está morta ao seu lado na cama. A polícia chega rápido à casa e prende Theo pelo misterioso assassinato. Ele terá que provar que é inocente, tarefa impossível enquanto estiver preso. Então ele consegue fugir e vai atrás dos responsáveis, o que resulta em inúmeras cenas de ação. Aliás, muito bem executadas. Também estão no elenco Gail Nkoane Mabalane, Susan Danford, André Jacobs e Hannes Van Wyk. Vale a pena conferir este ótimo filme de ação e suspense.    

quinta-feira, 1 de junho de 2023

 

“UM FILHO” (“THE SON”), 2022, coprodução Inglaterra/França, 2h03m, em cartaz na Amazon Prime, direção do dramaturgo e cineasta francês Florian Zeller, que também assina o roteiro com a colaboração de Christopher Hampton. Trata-se de mais uma adaptação de uma peça de teatro, “Les Fils”, escrita pelo próprio Florian Zeller, como já havia sido feita com “Meu Pai”, de 2020, que deu o Oscar de melhor ator para Anthony Hopkins. “Um Filho” é mais um drama sensível, centrado nas dificuldades de um pai em se comunicar com o problemático filho adolescente. Peter Miller (Hugh Jackman) é um importante executivo de uma empresa em Nova Iorque, divorciado de Kate (Laura Dern) e agora casado com Beth (Vanessa Kirby), com a qual tem um bebê de poucos meses. Com Kate, ele teve o filho Nicholas (Zen McGrath), um adolescente depressivo que acusa a separação dos pais como indutor de seus problemas psicológicos. Nicholas finge que vai ao colégio, costuma se automutilar e apresenta tendências suicidas. Baita problemão que Peter tenta resolver com muita conversa e tolerância, até que a situação fica tão grave que o garoto é internado em um hospital psiquiátrico. Lógico que tudo isso acaba afetando o relacionamento de Peter com a atual esposa, ainda mais que a ex-mulher tenta uma reaproximação. Tudo isso, junto e misturado, resulta em um drama familiar dos mais pesados e tocantes, devendo arrancar lágrimas dos espectadores mais sensíveis. Embora apareça com destaque nos materiais de divulgação, a presença de Anthony Hopkins não passa de uma ponta rápida como o pai de Peter. Claro, com a intenção evidente de relembrar “Meu Pai”. Trocando em miúdos, “Um Filho” é mais um ótimo drama à disposição no Amazon Prime. Ah, não esqueça de providenciar uma caixa de lenços de papel. Imperdível!

segunda-feira, 29 de maio de 2023

 

“TEMPESTADE” (“SURVIVE”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h48m, direção de Mark Pellington, seguindo roteiro assinado por Richard Abate e Jeremy Ungar. Embora nenhum crítico especializado tenha notado e muito menos o material de divulgação tenha informado, este drama de sobrevivência é uma cópia exata do filme “Depois Daquela Montanha”, de 2017, com Kate Winslet e Idris Alba. A semelhança também está na mediocridade, pois tanto aquele quanto este são muito fracos. “Tempestade” traz como dupla a problemática Jane (Sophie Turner, de “Game of Thrones”) e o bom rapaz Paul (Corey Hawkins), os dois únicos sobreviventes de um acidente aéreo ocorrido nas montanhas. Juntos, assim como a dupla de “Depois Daquela Montanha”, eles tentarão sobreviver a um frio congelante, sem água nem comida. Também estão no elenco Caroline Goodall, Dane Foxx, Lauren Marsden, Lewis Hayes, Makgotso M, Terence Maynard, Jo Stone-Fewings, Marta Kessler e Elliot Wooster. O filme é arrastado demais, tem momentos de puro tédio e pouca ação. Mas o pior mesmo é esconder que é uma cópia de outro filme, o que para mim configura propaganda enganosa. E o filme é mesmo muito fraco e nem a beleza da atriz inglesa Sophie Turner justifica uma recomendação. Passe em branco, como a neve dos cenários.   

 

                 

 

“SANGUE E OURO” (“BLOOD & GOLD”), 2023, Alemanha, em cartaz na Netflix desde o dia 26 de maio, 1h40m, direção de Peter Thorwarth (“A Onda”, “Céu Vermelho-Sangue”), seguindo roteiro assinado por Stefan Barth. Este é, sem dúvida, um dos lançamentos do ano mais interessantes. Trata-se de um drama com toques de comédia e sátira. A história é ambientada em 1945, quando a Alemanha estava prestes a perder a Segunda Guerra Mundial. Começa o filme com o soldado Heinrich (Robert Maaser) fugindo do seu batalhão, pois resolveu desertar. Quando foi preso e prestes a ser enforcado, ele é salvo por uma corajosa fazendeira Elza (Maria Hacke), que o leva para casa e cuida dos seus ferimentos. A perseguição a Heinrich prossegue pelo mesmo batalhão da SS comandado pelo sádico tenente Von Starfeld (Alexander Scheer), o melhor e mais engraçado da sátira. Toda a ação leva os personagens a um pequeno vilarejo onde estaria escondida uma grande quantidade de ouro pertencente a uma família de judeus. Habitantes do vilarejo e os nazistas começam uma guerra sanguinária pelo ouro, o que justifica o título do filme. Realmente, a matança fará jorrar muito sangue, principalmente perto do desfecho, quando toda a ação acontece no interior de uma igreja, bem ao estilo Tarantino. “Sangue e Ouro” é uma boa surpresa do cinema alemão, resultando num ótimo entretenimento. Não perca!