terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

 

O ABISMO (AVGRUNDEN), 2024, coprodução Suécia/Finlândia, 1h43m, em cartaz na Netflix, direção de Ricard Holm, que também assina o roteiro com Robin Sherlock Holm e Nicola Sinclair. Uma falha geológica na área de uma mina exploradora de minério de ferro na cidade de Kiruna – norte da Suécia – provoca desabamentos e abre fendas no solo, causando um grande pânico na população. Na verdade, parte da cidade está afundando (com as devidas proporções, lembra o que está acontecendo em Maceió), como já havia ocorrido na própria Suécia em 1961, na cidade de Dalarna. A experiente Frigga (Tuva Novotny), chefe de segurança da mina, assume a responsabilidade de administrar a situação e sua primeira providência é evacuar a cidade. A segunda, ingressar na mina com uma equipe e avaliar os danos e suas possíveis consequências. O momento não poderia ser pior para a vida particular de Frigga, cujo filho adolescente está desaparecido, a filha namora uma colega de escola e ela mesma vive assediada pelo ex-marido, que não aceita a separação e não quer que a ex leve para casa um novo namorado. Crises familiares à parte, “O Abismo” garante momentos de alta tensão, muito suspense e cenas bastante realistas, garantidas por efeitos especiais bem elaborados. Trocando em miúdos, um bom entretenimento.        

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

 

A AVÓ (LA ABUELA), 2021, Espanha, 1h40m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Paco Plaza, que também assina o roteiro com a colaboração de Carlos Vermut. O cineasta espanhol é especialista em filmes de terror e suspense, tendo em seu currículo sucessos como “A Freira”, “Irmã Morte” e “A Possessão de Veronica”, entre outros. Neste “A Avó”, na minha opinião o melhor, o terror é mais psicológico, embora garanta bons sustos. Garanto: seus pelos da nuca vão se arrepiar. A história tem poucos protagonistas e é praticamente toda ambientada em um apartamento. Despontando para o sucesso na carreira de modelo em Paris, a jovem Susana (Almudena Amor) é obrigada a suspender seus trabalhos em Paris e voltar para Madrid, onde sua avó Pilar (Vera Valdez – veja no final do comentário informações sobre a atriz, nascida no Brasil). Depois que seus pais morreram, Susana foi criada por Pilar e, portanto, resolve cuidar dela. No dia a dia, porém, Susana começa a perceber que sua avó, mesmo doente, parece ter ligação com o sobrenatural, fato ligado ao seu passado, quando teve relacionamento amoroso com outra mulher. Os acontecimentos fantasmagóricos levam Susana a achar que está ficando louca. E dá-lhe sustos. Também estão no elenco Karina Kolokolchykova, Alba Bonnin, Chacha Huang, Maru Valdivielso, Laura Del Sol, Vicky Peña e Marina Campos. Conforme prometi, escrevo sobre Vera Valdez, na verdade nascida no Rio de Janeiro em 1936 como Vera Barreto Leite. Nos anos 50, ela foi para a Europa e lá se consagrou como modelo da Christian Dior, Chanel e Schiaparelli. Na época, chegou a namorar com os cineastas Louis Malle e Roger Vadim. Ao voltar para o Brasil, na década de 60, trabalhou no cinema (“As Cariocas”, “O Homem Nu” e “A Volta do Bandido da Luz Vermelha”. Também fez teatro (“Navalha na Carne”, “Rei da Vela” e outros). Ela casou com Pedro Moraes, filho de Vinícius, com o qual teve a filha Mariana de Moraes. Voltando a falar de “A Avó”, trata-se de um filme que prende a atenção do começo ao fim, garantindo um entretenimento dos melhores – pelo menos para quem gosta de tomar sustos.     

 

              

sábado, 17 de fevereiro de 2024

 

JERRY E MARGE TIRAM A SORTE GRANDE (JERRY E MARGE GO LARGE), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Dave Frankel (“O Diabo Veste Prada”, “Marley & Eu”), seguindo roteiro assinado por Brad Copeland. Baseado em fatos reais, ou seja, o filme relembra a incrível história do aposentado Jerry Selbee (Bryan Craston) e sua esposa Marge Selbee (Annette Bening), moradores de uma pequena e pacata cidade do Michegan, que entre 2003 e 2012, ganharam cerca de US$ 26 milhões apostando na Loteria Windfall, de Massachusetts. Para ganhar, Jerry descobriu uma brecha matemática na loteria, de forma a garantir os prêmios de acordo com a quantidade de bilhetes comprados. Jerry e a esposa chegaram a criar uma empresa (GS Investment Strategies LLC) para administrar os prêmios e distribuir pelos sócios, todos moradores da pequena cidade. No meio do caminho haveria, porém, um estudante universitário gênio da matemática que descobriu o método e passou a concorrer com Jerry. Confusão formada. Completam o elenco Uly Schlesinger, Rainn Wilson, K.D. O’Hair, Tori Kelly, Anna Camp, Larry Wilmore, Jake McDorman e Michael McKean. Levado num tom de comédia, o filme tem produção simples, roteiro enxuto e poucos trunfos a apresentar, a não ser a dupla de protagonistas principais, Annette Bening e Bryan Craston. Daí surgiu uma dúvida: por que dois atores tão talentosos, famosos e premiados, toparam participar de um filme de tão pouca repercussão. Annette Bening, por exemplo, é uma das favoritas ao Oscar 2024 de Melhor Atriz por “Nyad”, este sim uma produção à altura do seu talento (por esse papel, recebeu o Globo de Ouro). Annette também teve outras três indicações ao Oscar, por “Os Imorais” (1990), “Beleza Americana" (1999) e “Adorável Júlia (2004), pelo qual ganhou o Globo de Ouro. No caso de Bryan Craston, se destacou na série de grande sucesso “Breaking Bad”, conquistando vários Emmys e um “Globo de Ouro”. Em 2016, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por “Trumbo”. Voltando a “Jerry e Marge Tiram a Sorte Grande”, não espere muito, mas não chega a decepcionar. Trata-se apenas de um filme leve, agradável de assistir, mas fica longe de uma recomendação entusiasmada.      

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A CONFERÊNCIA (DIE WANNSEEKONFERENZ), 2022, Alemanha, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Matti Geschonneck, seguindo roteiro assinado por Magnus Vattrodt e Paul Mommertz. O filme apresenta um fato da maior importância da história mundial ligado à Segunda Grande Guerra. No dia 20 de janeiro de 1942, representantes do alto escalão do regime nazista se reuniram em uma mansão à beira do lago Wannsee, próximo a Berlim, para planejar o assassinato em massa de milhões em toda a Europa. Convidados por Reinhard Heydrich, chefe da polícia de segurança de Hitler, estavam lá 15 líderes da SS, do NSDAP (Partido Nacional Socialista) e ministros do governo alemão. O tema colocado em discussão foi a “Solução Final da Questão Judaica”, ou seja, qual o destino que deveriam dar aos judeus presos em toda a Europa. O objetivo comtemplaria pelo menos 11 milhões de judeus. O filme é verborrágico demais, mas não poderia ser diferente, já que a conferência foi feita com discussões, sugestões, apresentação de relatórios etc. O roteiro é bastante fiel aos fatos, já que foi baseado na ata da reunião escrita por Adolf Eichmann, aquele mesmo que seria capturado anos depois pelo Mossad (serviço secreto de Israel) na Argentina e executado em 1962. É preciso ter estômago forte para ouvir tanta maldade, tanto ódio destilado contra os judeus. Mesmo dentro desse contexto pesado demais, o filme foi sucesso em vários festivais internacionais de cinema, entre os quais o do Rio de Janeiro, o Riga International Film Festival e o Norwegian International Film Festival. Para quem curte fatos históricos mundiais, como eu, trata-se de um filme obrigatório, repleto de informações importantes, uma verdadeira aula de História.     

  

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

O MAURITANO (THE MAURITANIAN), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 2h10m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do escocês Kevin MacDonald, cineasta que ficou conhecido, principalmente, por dirigir filmes elogiados como “O Último Rei da Escócia” e “Intrigas de Estado”. O roteiro é assinado por Rory Hainese e Sohrab Noshirvani. Pena que esse drama está meio escondidinho na Prime Vídeo, pois é um grande filme. Conta a história de Mohamedou Ould Slahi (o ótimo ator francês de descendência argelina Tahar Rahim), nascido na Mauritânia (país do noroeste africano). A história começa em 2002, quando os Estados Unidos estavam empenhados em prender os envolvidos no atentado de 11 de setembro de 2001. Entre eles estava o mauritano, acusado de colaborar com os terroristas. Ele foi preso em seu país e depois levado para a prisão de Guantánamo, base militar norte-americana em Cuba. Mesmo sem uma prova contundente, Mahamedou ficou preso de 2002 a 2016, sofrendo as mais bárbaras torturas. Toda essa história foi contada por ele no livro “O Diário de Guantánamo”, cujo conteúdo serviu como base para o roteiro. Durante o período em que esteve preso, Mahamedou recebeu a assistência jurídica de duas advogadas, Nancy Hollander (Jodie Foster, que ganhou o “Globo de Ouro” pelo papel) e Teri Duncan (Shailene Woodley). O ator inglês Benedict Cumberbatch ficou com o personagem Stuart Couch, promotor militar encarregado de buscar provas para condenar o mauritano. O filme é muito bom, impactante, realista, merece ser visto. Simplesmente imperdível!    

sábado, 10 de fevereiro de 2024

 



FANTASMAS DE BEIRUTE (GHOSTS OF BEIRUT), 2023, Estados Unidos, minissérie de quatro capítulos em cartaz na Prime Vídeo, produção original Show Time, direção de Greg Barker, que também assina o roteiro com Avis Issacharoff e Lior Raz, dupla que criou a série “Fauda”, de grande sucesso na década passada. “Fantasmas de Beirute” é baseada em fatos reais e conta a história da caçada ao terrorista libanês Imad Mughniyeh, que durante 25 anos (1982 a 2007) foi o responsável por inúmeros atentados que resultaram em centenas de mortos, seja em embaixadas e bases militares dos Estados Unidos, além da Embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992. Conhecido pelo codinome de Radwan e apelidado de “O Fantasma” pela CIA e pelo Mossad, o famoso terrorista, financiado pelos iranianos, foi um dos fundadores do Hezbollah e da Jihad Islâmica do Líbano. Em fevereiro de 2008, Imad provaria do seu próprio veneno, sendo assassinado em um atentado à bomba em Damasco (Síria), planejado e executado pela CIA e pelo Mossad (serviço secreto de Israel). A minissérie acompanha toda essa história, percorrendo os 25 anos que marcaram a trajetória do terrorista. O elenco conta com Amir Khoury (Imad jovem), Hisham Sulliman (Imad mais velho), Dina Shihabi, Dermot Mulroney, Navi  Megahban, Sarah Oliver, Nick Donadio, Amir Khoury, Hisham Sulliman, Zineb Triki, Hiba Bennani, Yuval Sccharf, Khalid Bem Chegra e Ned Bellamy. No início de cada capítulo são mostrados os depoimentos de vários personagens reais, ex-agentes da CIA e do Mossad, além de jornalistas e políticos (a minissérie foi criada para ser um documentário, mas logo foi ampliada para se transformar em filme, o que foi uma jogada de mestre, pois criaram uma ótima minissérie). Como informação adicional, as filmagens aconteceram em Casablanca (Marrocos), que serviu de cenário para as cenas que, na história, ocorreram em Beirute e Baalbelk (Líbano) e Damasco (Síria). Assistir a esta minissérie é mais uma ótima oportunidade de conhecer e entender o ódio que os árabes têm de Israel e dos Estados Unidos. Imperdível!!!               

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

CAMINHOS DA SOBREVIVÊNCIA (WIL), 2024, Bélgica, 1h54m, em cartaz na Netflix, direção de Tim Mielants, que também assina o roteiro com a colaboração de Carl Joos. Trata-se da adaptação do livro “Wil”, de 2016, do escritor belga Jergen Olyslaegers. A história é ambientada na cidade de Antuérpia, na Bélgica, em 1942, país dominado pelo exército de Hitler. O protagonista principal é Wilfried “Wil” Wils (Stef Aerts), um recruta novato da polícia metropolitana de Antuérpia. Os policiais eram obrigados a obedecer às ordens dos alemães, prestando informações e colaborando com a prisão dos judeus da cidade. “Wil” é testemunha de inúmeras atrocidades dos soldados alemães, como torturas e fuzilamentos de cidadãos belgas, judeus ou não judeus, mas continuou colaborando com os nazistas. O filme denuncia o colaboracionismo de grande parte da população, por covardia e também por uma questão de sobrevivência. Completam o elenco Matteo Simoni, Jan Bijvoet, Kevin Janssens, Gene Bervoets e Annelore Crollet. Trocando em miúdos, trata-se de um filme triste, violento e muito realista, expondo mais um episódio lamentável ocorrido durante a Segunda Grande Guerra. De qualquer forma, um grande filme que merece ser visto.               

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

 

IRMÃ MORTE (HERMANA MUERTE), 2023, Espanha, 1h29m, em cartaz na Netflix, direção de Paco Plaza, que também assina o roteiro ao lado de Jorge Guerricaechevarria. O currículo do cineasta espanhol Paco Plaza apresenta alguns bons filmes de terror, como foi o caso de “Veronica: Jogo Sobrenatural” e “A Avó”. O cara é bom em meter medo e dar sustos. Ele repetiu essa fórmula em “Irmã Morte”, cuja protagonista principal é a Irmã Narcisa, uma novata que chega a um orfanato para dar aula às crianças. Com poderes sobrenaturais, já demonstrados quando tinha apenas 10 anos, Narcisa logo percebe que há alguma coisa estranha e talvez alguns segredos guardados a sete chaves, histórias perturbadoras que aconteceram na época da Guerra Civil Espanhola, quando o orfanato era um convento. Estão no elenco Aria Beldmar (Irmã Narcisa), Almudena Amor, Mar Valdivielso, Consuelo Trujillo, Chelo Vivares e Luísa Merelas. A história prende atenção, mas a coisa desanda de vez no desfecho, com cenas que poderiam ser melhor trabalhadas, sem partir para o exagero de tanto sangue jorrando, transformando o medo em algo risível. De qualquer modo, quem curte filmes de terror certamente não irã se decepcionar.               

domingo, 4 de fevereiro de 2024

 

GRISELDA, 2024, Estados Unidos, minissérie da Netflix em 6 episódios, direção de Andres Baiz, seguindo roteiro assinado por Doug Miro e Ingrid Escajeda. Primeiro grande sucesso da Netflix em 2024. A minissérie conta a história da traficante colombiana Griselda Blanco (1943/2012), que ficou famosa ao comandar o império da droga em Miami na primeira metade dos anos 80 do século passado. Antes disso, na Colômbia, disputou o mercado da cocaína com Pablo Escobar, que teria dito sobre Griselda: “O único homem de quem tive medo é uma mulher chamada Griselda Blanco”. Depois de brigar com Escobar e o cartel de Medellín, ela foi para Miami, onde disputou o mercado da droga com os irmãos Ochoa, também colombianos. Para atingir seu objetivo, Griselda formou um verdadeiro exército de imigrantes ilegais cubanos, recrutou prostitutas da Colômbia para trazer a droga e contratou assassinos que eliminavam quem ela mandava matar. Segundo o Ministério Público e o DEA (Departamento Antidrogas dos EUA), a traficante foi responsável por no mínimo 200 assassinatos – acabou sendo condenada apenas por três. Griselda é interpretada magistralmente pela atriz colombiana Sofía Vergara, naturalizada norte-americana e que, há alguns anos, é um grande sucesso em Hollywood. A bela Sofía está irreconhecível como Griselda, com dentadura postiça, prótese no nariz e lentes de contato escuras. Também estão no elenco Alberto Guerra, Juliana Aidén Martinez, Vanessa Ferlito, Martín Rodriguez, Julieta Restrepo, Christian Tappan e Gabriel Sloyer. A começar do roteiro, gostei muito da minissérie, na qual destaco também a recriação de época, a trilha sonora e as cenas onde a violência impera solta. Imperdível.            

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

MERCY – GOLPE DE MISERICÓRDIA (MERCY), 2023, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Tony Dean Smith, seguindo roteiro de Alex Wright. Filme de ação e suspense com uma história no mínimo inverossímel, repleto de cenas risíveis, para não dizer patéticas. Depois de sua segunda missão no Afeganistão, onde perdeu o marido militar, a médica do exército Michelle (a atriz canadense Leah Gibson) volta aos EUA para trabalhar em um hospital. Em determinado dia que parecia calmo, chegam ao hospital várias pessoas baleadas, resultado de um confronto entre membros da máfia irlandesa e policiais do FBI. Uma das vítimas é justamente um dos filhos de Patrick Quinn (Jon Voight, pai de Angelina Jolie), o poderoso chefão mafioso. Para complicar ainda mais o plantão do hospital, chegam vários integrantes da quadrilha, chefiados por outro filho do manda-chuva, o psicopata Sean Quinn (Jonathan Rhys Meyers). Ele quer resgatar o irmão do pessoal do FBI. Aí que entra em ação a médica militar, que também é perita em artes marciais e sabe manusear armas como ninguém. Para piorar ainda mais a situação, a gangue sequestra o filho da médica. A partir daí, o hospital se transforma num verdadeiro campo de batalha. Muito sangue vai jorrar até o desfecho. Completam o elenco Anthony Bolognese, Anthony Konechny, Caitlin Stryker, Christopher Russell, Mike Dopud, Bradley Stryker, Sebastian Roberts, Bobby L. Stewart e Theresa Wong. Fora o suspense e a ação, o filme oferece alguns momentos risíveis, como aquele em que a heroína aparece no telhado do hospital e os policiais lá embaixo fazem continência. Apesar dos pesares, o filme não é tão ruim quanto parece e não ofende nossa inteligência, embora cause algum incômodo aos nossos neurônios.            

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

 

À ESPREITA (AMBUSH), 2023, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Burman, seguindo roteiro assinado por Johnny Lozano, Michael McClung e Dillon Slack. Fazia algum tempo que eu não assistia a um filme ambientado durante a Guerra do Vietnâ, conflito que já gerou dezenas de filmes, alguns muito bons. Infelizmente, não é o caso de “À Espreita”, cuja história, segundo o material de divulgação, é baseada em fatos reais ocorridos em 1966. Um posto avançado do exército norte-americano sofre uma emboscada pelos vietcongues, que roubam documentos importantes. Com a missão de tentar recuperá-los, um pelotão é formado para a missão. Entre os soldados estão engenheiros responsáveis por fazer a medição de túneis subterrâneos construídos pelos vietcongues. Ou seja, soldados com pouca experiência em combate. O filme é ambientado, em grande parte, justamente na escuridão desses túneis, o que torna o visual da telinha um tanto desagradável. Estão no elenco Aaron Eckhart, Jonathan Rhys Meyers, Connor Paolo, Jason Genao, Mara Lane, Mac Brandt, Jeff Caperton e Patrick Walter. Somando os prós e os contras, “À Espreita” não decepciona, mas também não merece elogios. Ou seja, nada de novo no front. Indicado apenas para quem gosta de filmes de guerra.         

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024


O SEQUESTRO (EL RAPTO), 2023, Argentina, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Daniela Goggi (“Abzurdah”), que também assina o roteiro com Andrea Garrote, atriz do filme. 1983. Fim da Ditadura Militar, assume a presidência Raúl Alfonsin. Com a volta da democracia, presos políticos que estavam exilados retornam para a Argentina. Um deles, o protagonista da história, é Julio Levy (Rodrigo de La Serna, de “Diários da Motocicleta”), que retorna para o país com a mulher e dois filhos. Ele volta a trabalhar na empresa do pai, que atua no mercado imobiliário e de construção civil. Tudo corre bem até que o irmão de Júlio, também diretor da empresa, é sequestrado. A partir desse fato, o mundo de Júlio vira de cabeça pra baixo, pois os sequestradores exigem fortunas em dinheiro sem comprovar que a vítima está viva e a empresa começa a entrar em colapso. Júlio exige que as autoridades tomem alguma providência, chegando a ter uma audiência especial com o presidente Alfonsin. Tudo é muito nebuloso e misterioso, pois na época grupos paramilitares ligados à ditatura militar voltaram a atuar clandestinamente na Argentina, assassinando opositores, autoridades e políticos, além de realizarem vários sequestros. Será que um deles pode ser o do irmão de Júlio? A resposta só aparecerá no desfecho. Completam o elenco Andrea Garrote (a roteirista), Julieta Zylberberg, Germán Palacios, Jorge Marrale, Carlos Garmendia e Tatiana Rodriguez. Trocando em miúdos, “O Sequestro” é mais um excelente suspense com pano de fundo político, gênero que o cinema argentino domina com muita competência. O filme foi visto por aqui durante a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível.       


domingo, 28 de janeiro de 2024

 

“O ENGENHEIRO” (“THE ENGINEER”), 2023, Estados Unidos/Israel, em cartaz no Prime Vídeo, 1h33m, direção do israelense radicado nos EUA Danny A. Abeckaser, seguindo roteiro assinado por Kosta Kondilopoulos. Quem está interessado em saber um pouco mais sobre o conflito Israel/Palestina não deve perder este drama baseado em fatos reais ocorridos na segunda metade da década de 90 do século passado. Depois de vários atentados praticados por homens-bomba, principalmente em Telavive, com dezenas de mortos, as autoridades israelenses chegam ao nome do terrorista palestino Yahya Ayyash, também conhecido como “O Engenheiro”, especialista em construir bombas e por recrutar soldados dispostos a se suicidar pela causa. Em um desses atentados, morre a filha do senador norte-americano David Adler (Robert Davi), que contrata o mercenário Avi (Angel Bonanni), ex-agente do Mossad (serviço secreto de Israel), para encontrar e matar o terrorista. Ao mesmo tempo, o Mossad convoca de volta um de seus principais agentes, Etan (Emile Hirsch), para comandar a caçada ao temido terrorista. Antigos colegas de Mossad, Avi e Etan se juntam para a difícil missão. Ainda estão no elenco Adam Haloon, Angel Bonnanni, Danny A. Abeckaser (o próprio diretor), Luna Mansour e Stefanie Yunger. Sou fã desse tipo de filme e, portanto, gostei muito. Recomendo.       

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

 

“SOM DA LIBERDADE” (“SOUND OF FREEDOM”), 2023, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz no Prime Vídeo, direção do mexicano Alejandro Gómez Monteverde, que também assina o roteiro com a colaboração de Rod Barr. Considerado o filme mais polêmico do ano, principalmente em razão dos temas abordados – tráfico humano e pedofilia -, “Som da Liberdade” é baseado em fatos reais ocorridos em 2013 tendo como protagonista Tim Ballard, na época agente especial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (HOMELAND). Segundo a história mostrada, Ballard teria sido o responsável pelo resgate de mais de uma centena de crianças sequestradas por uma rede colombiana de exploração sexual. Outra polêmica envolvendo o filme foi a denúncia feita pelos jornalistas investigativos do American Crime Journal, segundo a qual grande parte dos fatos relatados foi criada pela imaginação do diretor e do roteirista. Polêmicas à parte, o filme foi sucesso de bilheteria, porém é muito fraco como obra cinematográfica, mas poderoso como denúncia de um dos crimes mais hediondos da atualidade, a exploração do sexo infantil. Fazem parte do elenco Jim Caviezel (“A Paixão de Cristo”), Cristal Aparicio, Eduardo Verástegui, Bill Camp, Mira Sorvino, Gerardo Taracena e Yessica Perryman.           

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

 


“GAIOLA MENTAL” (“MINDCAGE”), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Netflix, direção de Mauro Borrelli (“Invasão Alienígena”), que também assina o roteiro com Reggie Keyohara III. Suspense psicológico que conta a história de um serial killer que resolve assassinar prostitutas com requintes macabros. Os detetives Jake Doyle (Martin Lawrence) e Mary Kelly (Melissa Roxburgh, de “Manifest”), encarregados do caso, logo percebem que se trata de um imitador do famoso serial killer Arnaud Lefevre, “O Artista” (John Malkovich), preso há cinco anos pelo próprio policial Doyle e que agora está no corredor da morte prestes a ser executado. Como psicóloga formada, Mary Kelly tenta compreender a mente de Lefevre e, talvez dessa forma, chegar ao assassino atual. Este é um dos primeiros protagonistas sérios vividos pelo ator Martin Lawrence, mais acostumado a participar de comédias, algumas de sucesso, como “Os Bad Boys”. De qualquer forma, ele não faz feio ao interpretar o detetive que carrega dentro de si um grande segredo que será revelado no desfecho, numa reviravolta surpreendente. Também estão no elenco Robert Knepper, Jeremy Turner, Laura Shatkus e Neb Chupin. O filme não é nenhuma Brastemp, mas também não chega a ser um cooler de isopor. Vale para uma sessão da tarde com pipoca.     

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

 

“BABILÔNIA” (“BABYLON), 2022, Estados Unidos, 3h09m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem cineasta Damien Chazelle (“La La Land: Cantando Estações”, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Diretor, e o sensacional “Whiplash: Em Busca da Perfeição”. Ou seja, um aval e tanto para “Babilônia”, mais uma maravilhosa homenagem à 7ª arte, o Cinema. Chazelle nos conduz a um mergulho profundo e alucinante nos bastidores dos grandes estúdios de cinema na segunda metade da década de 1920, época da transição do cinema mudo para o falado. Os principais personagens são a candidata a atriz Nellie Laroy (Margot Robbie), o imigrante mexicano Manny Torres (Diego Calva), que chega de mansinho a Hollywood e depois se transforma num grande produtor, e Jack Conrad (Brad Pitt), um astro do cinema mudo que começa a não ter mais sucesso depois do cinema falado. O elenco conta ainda com as participações de Jovan Adepo, Li Jun Li, Phoebe Tonkin, Samara Weaving, Tobey Maguire Olivia Wilde, Eric Roberts (irmão da Júlia), Lukas Haas, Katherine Waterston, Jewan Smart, Olivia Hamilton, Gaia Gerber e Spike Jonze. Convenhamos, um elenco de primeira, valorizando ainda mais esse grande filme. Destaque também para a direção de arte e fotografia de Linus Sandgren e a vibrante e saborosa trilha sonora de Justin Hurwitz, o mesmo de “La La Land”. Dos vários filmes que homenagearam o cinema, o meu preferido ainda é “Cinema Paradiso”, do italiano Giuseppe Tornatore, com um estilo mais romântico. “Babilônia” também é espetacular, mais pulsante, repleto de situações saborosas, dramáticas e cômicas na dose certa. “Babilônia” é simplesmente sensacional, embora alguns críticos profissionais tenham considerado o filme uma "caricatura exagerada de Hollywood". "Babilônia" conta com dois grandes trunfos; as espetaculares atuações da atriz australiana Margot Robbie, linda e talentosa, um show, e do ator Brad Pitt, agora mais amadurecido, que também rouba as cenas em que aparece. IMPERDÍVEL, assim mesmo, com maiúsculas.     

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024


“LIFT – ROUBO NAS ALTURAS” (“LIFT”), 2023, Estados Unidos, 1h44m, produção original e distribuição Netflix, direção de F. Gary Gray (“Código de Conduta”), que também assina o roteiro com Daniel Kunka. É um filme de ação com bastante humor. Para não ser preso juntamente com sua quadrilha de criminosos internacionais, Cyrus Whitaker (Kevin Hart), se associa à CIA e à Interpol para planejar e executar uma missão inusitada: roubar, em pleno voo, US$ 500 milhões em barras de ouro que serão transportadas por um Boing 777 durante o trajeto de Londres a Zurique. As barras de ouro destinam-se a um terrorista psicopata (redundância?), responsável por várias ações trágicas na Europa. Além de Kevin Hart, estão no elenco Gugu Mbatha-Raw, Sam Worthington, Vincent D’Onofrio, a atriz espanhola Úrsula Corberó, Billy Magnussen, Viveik Kalra e a atriz chinesa NS Yoon-g. Trocando em miúdos, com exceção de algumas boas cenas de ação, como a da perseguição de lanchas pelos canais de Veneza e o roubo nas alturas, “Lift” é apenas mais um bom filme de ação para curtir numa sessão da tarde.     

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

 

“SALTBURN”, 2023, Inglaterra, 2h07m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Emerald Fennell. Este é o segundo filme na direção da atriz Emerald (o primeiro foi “Promising Young Woman”, de 2020). “Saltburn” conta a história de uma amizade entre dois estudantes da Universidade de Oxford, Oliver Quick (o ator irlandês Barry Keoghan), pobre e feio, e Felix Catton (Jacob Elordi), rico e bonito. Um determinado dia, Felix convida Oliver para passar alguns dias na mansão de sua família. Chamada de “Saltburn”, a casa de campo é mais do que uma mansão, um verdadeiro palácio. É lá que residem os pais e a irmã de Felix, além de outros agregados. Gente muito esquisita, antipática, esnobe, bizarra. No primeiro contato, Oliver é paparicado pela família Catton, mas aos poucos se revelará como uma pessoa inconveniente, manipuladora, envolvendo todos em sua trama macabra. Embora exaltado por alguns críticos, achei o filme bastante desagradável, metido a cinema de arte, com algumas cenas fortes de sexo homossexual feitas para chocar a plateia. O que não se pode negar é sua qualidade estética, proporcionada por uma fotografia realmente deslumbrante, digna de prêmios - vamos aguardar as indicações ao Oscar 2024. O elenco conta ainda com Rosamund Pike, Richard E. Grant, Alison Oliver, Carey Mulligan (numa aparição surpreendentemente rápida), Paul Rhys e Archie Madekwe. Concluirei meu comentário lembrando que a Emerald Fennel, a diretora, trabalhou em inúmeros filmes como atriz, inclusive nos recentes “Barbie”, e “A Garota Dinamarquesa”, além da série “The Crown”. Tomando como exemplo “Saltburn”, acho que prefiro Emerald como atriz.   

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

 

“MARSELHA EM PERIGO” (“PAX MASSILIA”), 2023, França, minissérie da Netflix em 6 episódios (1ª temporada), direção de Olivier Marchal, que também assina o roteiro juntamente com Kamel Guemra e Edgar Marie. Este é mais um exemplo de que o cinema francês está cada vez melhor quando se trata de filmes de ação do gênero policial, consagrando mais uma vez um especialistta no gênero, o diretor Olivier Marchal. Nesta minissérie, os protagonistas principais são cinco policiais da delegacia de combate ao narcotráfico em Marselha, uma das cidades mais violentas da Europa. Essa equipe é comandada pelo capitão Lyès Benamar (Tewfik Jallab), um cara durão que conhece como poucos o lado obscuro do tráfico de drogas. Dois poderosos traficantes resolvem se enfrentar para ter o domínio dos negócios na cidade: Franck Murillo (Nicolas Duvauchelle) e Ali Saidi (Samir Boitard). Para tentar evitar um banho de sangue na cidade, os policiais de Benamar precisam intervir com o objetivo de prender os dois. Murillo é o mais perigoso, pois conta com um capanga violento e sanguinário, Tarek Hamadi (Moussa Maaskri), também conhecido como “Índio”, pois usa uma trança atrás da cabeça. Não bastasse ter de enfrentar os marginais, Benamar e seus comandados são perseguidos por um policial da corregedoria que não lhes dá trégua. A minissérie não economiza na violência e em cenas de jorrar sangue. Tudo dentro do contexto normal que a gente vê hoje no Rio de Janeiro ou em São Paulo. No caso da França, o perigo está nas periferias, dominadas pelos imigrantes árabes e africanos, gente da pesada. Também estão no elenco Lani Sagoyou, Jeanne Goursaud (talvez a atriz mais bonita do cinema francês atual), Idir Azougli, Florence Thomassin, Diouc Koma e Olivier Barthelemy. A minissérie é ótima e certamente terá uma segunda temporada. Imperdível!   

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

 

“HISTÓRIA DE UM CRIME – O CABELEIREIRO DAS ESTRELAS” (“HISTORIA DE UN CRIMEN: MAURICIO LEAL”), 2023, Colômbia, 1h30m, produção original e distribuição Netflix, roteiro e direção de Jacques Toulemonde Vidal. Baseada em fatos reais, a história relembra um caso que chocou a Colômbia em novembro de 2021: o assassinato do famoso cabeleireiro Mauricio Leal e de sua mãe Marleny Hernández, encontrados mortos lado a lado em uma cama de casal. O salão de Mauricio era frequentado por celebridades, principalmente atrizes do cinema colombiano. Mauricio e a mãe foram brutalmente esfaqueados e, ao lado dos corpos, havia um bilhete de suicídio supostamente escrito por Mauricio. A investigação do caso ficou a cargo da jovem promotora Rebeca, pressionada para resolver o mistério em apenas 20 dias. Yhonier Leal, irmão de Mauricio e também cabeleireiro, era um dos suspeitos, assim como outros que se relacionavam com a família. Não vou contar o final da história para não estragar a surpresa de quem não sabe o que aconteceu no desfecho. Estão no elenco Juana Del Rio (a promotora), G. Alejandro Gomez (Maurício), Johan Velandia (Yhonier) e Myriam de Lourdes (a mãe), além de Ernesto Benjumea e Nelson Camayo. Quem gosta do gênero policial e já assistiu a vários outros filmes realizados mundo afora pode se decepcionar. A começar pelo desempenho do elenco, um pior do que o outro, além de um roteiro que não convence do começo ao fim, principalmente por não saber desenvolver situações de suspense, clichê primordial do gênero policial.    

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

 

“AGRADECIMENTO E DESCULPAS” ("TACK OCH FÖRLĂT”), 2023, Suécia, 1h30m, direção de Lisa Aschan, seguindo roteiro assinado por Marie Østerbye, em cartaz na Netflix. Trata-se de um drama leve, com algumas pitadas de humor, muito simpático e agradável de assistir. Enquanto escovava os dentes antes de dormir, Sara (Sanna Sundqvist), grávida de oito meses, ouve seu marido Daniél (Mattias Ramos) bater na porta do banheiro e anunciar que vai viajar para dar um tempo na relação. Um “boa noite” dos mais desagradáveis, mesmo porque ela não dorme mais na mesma cama que dividiam. Na manhã seguinte, quando Sara entra no quarto para acordar o marido, este não acorda. Sara chama o resgate, que constata: Daniel está morto. Sara reage com frieza, mesmo durante o velório e enterro. Dá para perceber que ela está bastante deprimida e nem o filho fofinho é capaz de colocar alguma alegria na sua vida. Sara começa a encrencar com a sogra (Ia Langhammer), que só quer ajudar. E tem mais: Sara não se dá com a irmã mais velha, Linda (Charlotta Vjorck) e nem com o pai, Timo (Villo Virtanen), que vive em uma casa de repouso. Sozinha e carente, Sara começa a entender que as pessoas à sua volta, mesmo a sogra antipática, só querem ajudar. Aos poucos, ela concorda em esquecer fatos do passado, perdoar quem lhe fez mal e se reaproximar das pessoas, inclusive de sua irmã e de seu pai. Embora intimista e um tanto lento, o filme é bastante sensível, principalmente por instigar uma reflexão sobre relações familiares. Mais um bom lançamento da Netflix. Recomendo.   

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

 

“DRUK – MAIS UMA RODADA" (“DRUK”), 2020, Dinamarca, 1h57m, em cartaz na Netflix, direção de Thomas Vinterberg, que também assina o roteiro com Tobias Lindholm. Este é o filme mais interessante e criativo de Vinterberg (leia no final do comentário a lista de alguns filmes realizados pelo diretor dinamarquês). A história é baseada em uma peça teatral escrita por Vinterberg alguns anos antes. Ida Maria, sua filha adolescente, o incentivou a fazer uma adaptação para o cinema, o que o motivou a concretizar o projeto. A nota triste é que Ida faleceu em um acidente de carro nos primeiros dias da filmagem de “Druk”, mas o cineasta não se deixou abater e concluiu o projeto, com o apoio dos produtores, equipe técnica e elenco. O resultado final não poderia ter sido melhor, pois o filme foi um grande sucesso, recebendo inúmeras premiações, inclusive o Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional. “Druk” conta a história de quatro professores de uma mesma escola que se tornaram amigos íntimos. Com problemas familiares e desmotivados nas salas de aula, eles resolvem partir para a bebida, aplicando na prática uma teoria que consagrava as bebidas alcoólicas como remédios para provocar relaxamento e bem-estar, além de afastar qualquer tipo de depressão. O consumo passou a ser diário, antes, durante e depois das aulas, mas nunca após às 20 horas. Eram litros e litros de conhaque, vodca, vinho e até absinto. Eles acabam exagerando nas doses e chegam até a linha tênue que existe entre diversão e vício. É aqui que o drama fala mais alto, resultando em uma tragédia anunciada. Intercalando drama com algumas situações cômicas, o filme transmite uma mensagem clara de como é difícil conviver com o cotidiano de cara limpa. Trata-se, evidentemente, de uma postura negativa em relação à vida, exigindo uma reflexão filosófica e psicológica por parte dos espectadores. Ou seja, mais um filme polêmico de Vinterberg, que tem no currículo excelentes filmes como “A Caça”, “Submarino”, “Longe deste Insensato Mundo” e o mais polêmico deles, “Festa de Família” (1998), marco inicial do controverso e malfadado movimento Dogma 95, que Vinterberg criou com o cineasta Lars Von Trier. Tudo isso para concluir que “Druk” é mais um filme obrigatório do cinema dinamarquês. No elenco, Mads Mikkelsen (o ator preferido do diretor), Thomas Bo Larsen, Magnus Millang, Lars Ranthe, Maria Bonnevie, Albert Rudbeck Lindhardt, Susse Wold e Frederik Winther Rasmussen. Resumo da ópera: “Druk” é simplesmente imperdível!