segunda-feira, 7 de julho de 2025

 

“MEU NOME ERA EILEEN” (“EILEEN”), 2023, Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês William Oldroyd, seguindo roteiro assinado por Luke Goebel, marido de Ottessa Moshfegh, autora do livro “Eileen”, de 2015, no qual a história do filme é baseada. Trata-se de um suspense bem ao estilo daqueles que consagraram Alfred Hitchcock, incluindo reviravoltas e o mesmo tipo de trilha sonora. Enfim, uma história sinistra cuja tensão aumenta a cada cena. Estamos nos anos 60 do século passado e somos apresentados a Eileen Dunlop (Thomasin Mackenzie), funcionária de um centro de detenção juvenil em Boston. Filha de um pai alcóolatra, Eileen vive um cotidiano triste e solitário, sem amigos ou namorados. Esse comportamento muda quando chega ao centro de detenção a psicóloga Rebecca St. John (Anne Hathaway), um tipo de mulher (literalmente) fatal, loira à Marilyn Monroe. Logo pinta uma amizade entre a psicóloga e Eileen, feliz da vida por alguém dar-lhe atenção. Aos poucos, porém, Eileen fica obcecada pela psicóloga, imitando seus trejeitos e o modo de fumar. Parece que a amizade vai acabar entre lençóis, mas o caso é somente de manipulação, como será comprovado nos minutos finais. Tudo tem a ver com um jovem detido depois de ter assassinado o pai. Rebecca resolve investigar o caso e chega à conclusão que a mãe do garoto também tem culpa no cartório. Uma reviravolta passa a conduzir a história, com muita tensão até o desfecho. Ótimas atuações de três atrizes valorizam esse excelente suspense: Thomasin McKenzie, Anne Hathaway e Marin Ireland no papel de Rita Polk, mãe do jovem assassino. Trocando em miúdos, “Meu Nome Era Eileen” é um suspense de muita qualidade.   

domingo, 6 de julho de 2025

“THE OLD GUARD 2”, 2025, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Victoria Mahoney, seguindo roteiro assinado por Sarah L. Walker. Sequência do filme de 2020, mais uma aventura dos guerreiros imortais da Graphic Novel criada por Greg Ricka e Leandro Fernandez. Liderada por Andy (Charlize Theron), o grupo de guerreiros novamente tentarão salvar o mundo. Desta vez, a vilã é Discord (Uma Thurman), a primeira dos imortais. Andy, também conhecida como Androma of Scythia, descobre que se tornou mortal e que nessa aventura terá que se cuidar para não morrer. Ao contrário do primeiro filme, este tem menos ação e mais papo furado, mas o resultado final não é decepcionante – o primeiro é bem melhor. Completam o elenco, entre outros, Ngô Thanh Vân, Kiki Layne, Henry Golding, Chiwetel Ejiofor, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari e Luca Marinelli. Impossível não destacar a presença da atriz sul-africana Charlize Theron, cada vez mais bonita e competente, ainda em grande forma física aos 49 anos. Só ela vale o ingresso. Conforme o desfecho deu a entender, vem mais uma sequência por aí, não sei quando. Uma confissão: esse tipo de filme não me agrada, pois não engulo esse negócio de guerreiros imortais etc. Imagino uma plateia de jovens nerds, aqueles que vão para o cinema vestidos como os personagens. Tô fora!     

sábado, 5 de julho de 2025

K.O. (utilizadas inicialmente nas lutas de boxe, as duas letras significam nocaute, do inglês “knockout”), 2025, França, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Antoine Blossier (“O Pequeno Órfão”, “A Presa”). Começa o filme com uma luta de MMA. Bastien (Ciryl Gane) vence a luta por nocaute, mas seu adversário morre no ringue. Traumatizado, Bastien abandona as lutas e se isola. Até o dia em que, três anos depois,  Emma (Anne Azoulay), viúva do lutador morto, o procura para ajudá-la a encontrar o filho adolescente Léo (Maleaume Paquin), que presenciou um assassinato e agora é perseguido por uma gangue da pesada chamada de “Os Manchours”, que domina o submundo do crime em Marselha. Juntamente com a capitã de polícia  Kenza (Alice Belaïdi), Bastien tentará encontrar o garoto. Essa procura termina em grandes pancadarias, muitos tiros e sangue jorrando. As cenas de ação são ótimas. Não é para menos, pois o ator Ciryl Gane, um brutamontes de 1,93m, é um ex-lutador de UFC, Muay Thai e especialista em artes marciais mistas. Este é o seu primeiro papel como protagonista. Ele já havia participado de outros filmes como personagem secundário em “Covil de Ladrões 2”, “Resgate em Medellin” e nas séries “Validé” e “O Ringue”. Tudo bem que Ciryl Gane é o astro do filme, mas quem realmente dá um show é a atriz Alice Belaïdi como a policial brava e esquentada que não tem medo de cara feia. Trocando em miúdos, “K.O.” é mais um ótimo filme francês de ação.      

“O CASO ASUNTA” (“EL CASO ASUNTA”), 2024, Espanha, minissérie de 6 episódios em cartaz na Netflix, direção de Carlos Sedes e Jacobo Martínez, seguindo roteiro assinado por Ramón Campos e Gema R. Neira. A história é baseada em fatos reais ocorridos a partir de 2013 na cidade de Santiago de Compostela. Começa com o misterioso desaparecimento da adolescente Asunta Basterra (Iris Wu), de 13 anos, filha adotiva do casal Rosario Porto (Candela Peña) e Alfonso Basterra (Tristán Ullua). O caso chega à polícia local, que designa os agentes Javier Ríos (Carlos Blanco) e Cristina Cruces (María León) para iniciar as investigações, sob a supervisão do Juiz Malvar (Javier Gutiérrez). Logo no início das buscas o corpo da menina é encontrado sem vida à beira de uma estrada rural. Os primeiros indícios sugerem que o casal esteja envolvido no crime, que teve grande repercussão na mídia, provocando comoção em todo o país. Rosario e Alfonso, que sempre negaram o crime, apresentam comportamento estranho e ficam presos até o julgamento, cujo resultado deixo de lado para o espectador aguardar o desfecho da minissérie. Completam o elenco Vianessa Castaños, Alicia Borrachero, Raúl Arévalo, Francesc Orella e Judith Fernándes. Fora o interesse evidente sobre a história, pouco divulgada por aqui, a minissérie não acrescenta muito mais para merecer uma recomendação entusiasmada.      

segunda-feira, 30 de junho de 2025

 

“EM ALGUM LUGAR DO QUEEN’S” (“SOMEWHERE IN QUEENS”), 2023, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ray Romano, que também assina o roteiro com Mark Stegemann. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo comediante Ray Romano, que também atua no filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada na família ítalo-americana Russo, cujo patriarca, Dominick Russo (Tony Lo Bianco), é proprietário de uma empresa de reformas e consertos de residências. Seus dois filhos e netos trabalham na empresa. Enfim, uma família tradicional que atua há muitos anos no condado do Queens. Em meio às inúmeras festas da família, seja batizados, aniversários ou casamentos, lá está todo mundo se divertindo, comendo e dançando. Leo Russo (Ray Romano), um dos filhos de Dominick, casado com Angela (Laurie Metcalf), acompanha de perto a performance do seu filho Matthew, de 18 anos, nas quadras de basquete. Seu sonho é que Matthew consiga uma bolsa de estudos numa universidade, facilitada por seu desempenho no basquete. Só que Matthew se apaixona por Dani (Sadie Stanley), o que pode significar um desvio de rumo em seu objetivo de conquistar a bolsa. Essa complicação domina o enredo até o desfecho, envolvendo a família Russo inteira. E sabem como é família italiana, todo mundo quer dar palpite em tudo. O filme é agradável, leve, tem humor e romance na medida certa, transformando “Em Algum Lugar do Queen’s” num ótimo entretenimento. Este foi o último filme do veterano ator Tony Lo Bianco, que faleceu um ano depois do final das filmagens.

domingo, 29 de junho de 2025

“HOMEM COM H”, 2025, Brasil, 2h09m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Esmir Filho (“Os Famosos e os Duendes da Morte”, série “Boca a Boca”). Cinebiografia do cantor Ney Matogrosso, baseada no livro “Ney Matogrosso: A Biografia”, escrito por Julio Maria e lançado em 2021. Gostem dele ou não, o fato é que Ney Matogrosso fez e continua fazendo um grande sucesso, principalmente nos palcos pelo Brasil afora, cantando e dançando mesmo agora, aos 83 anos. Todo mundo conhece o artista Ney Matogrosso, mas poucos conhecem Ney de Souza Pereira, o cidadão nascido em Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, filho de Antônio Matogrosso (Rômulo Braga), um militar de carreira ultraconservador da Aeronáutica. O menino Ney sofreu nas mãos do pai, apanhou muito dele e por causa dele fugiu de casa aos 18 anos, alistando-se como cadete na própria Aeronáutica. O filme destaca o início da carreira de Ney como cantor do grupo Secos & Molhados, ponto de partida para o seu sucesso solo, já como Ney Matogrosso. “Homem com H” também relembra a perseguição que o artista sofreu dos censores da ditadura militar, principalmente na segunda metade dos anos 70. Eles ordenaram a Ney que evitasse rebolar e reduzir os movimentos sensuais. Ney não obedeceu e manteve, corajosamente, o seu estilo polêmico e ousado. Outro destaque da cinebiografia é o espaço dedicado a seus vários amantes nos anos 80, um deles o cantor e compositor Cazuza (Jullio Reis). Ney viu todos eles morrerem durante a epidemia de HIV, do qual saiu milagrosamente ileso. As cenas de sexo são fortes, podem incomodar, mas são bem realizadas. Um dos maiores trunfos é, sem dúvida, o desempenho impressionante do ator pernambucano Jesuíta Barbosa na pele do astro, principalmente nos palcos. Outro fator que alavancou o filme nas bilheterias e na audiência da Netflix foi a saborosa trilha sonora com 15 músicas – “Rosa de Hiroshima”, “Bandido Corazón”, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Sangue Latino” e “Homem com H”, só para citar algumas. Completam o elenco Bruno Montaleone, Lara Tremouroux, Carol Abras e Hermila Guedes. Trocando em miúdos, mais uma ótima cinebiografia para curtir na telona ou na telinha. Imperdível!  

sexta-feira, 27 de junho de 2025

“NEFARIOUS”, 2023, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Cary Solomon e Chuck Konzelman. Grata surpresa este ótimo terror psicológico, baseado no livro “A Nefarious Plot” (“Nefarious: O Plano Maligno”) livro de 2016 escrito por Steve Deace. Vamos à história. No dia da sua execução, marcada para as 23 horas, o serial killer Edward Wayne Brady deve passar por uma última avaliação psiquiátrica. Caso seja considerado doente mental, escapará da cadeira elétrica. A avaliação fica a cargo do psiquiatra James Martin (Jordan Belfi) - o psiquiatra que atendia o preso se suicidou. Dr. Martin conversa com o preso tentando descobrir sua verdadeira situação psicológica. Os dois começam a dialogar e Edward parece estar possuído por uma entidade demoníaca, o Nefarious do título. De início, o psiquiatra acha que ele está fingindo, mas se surpreenderá com os fatos que virão à tona logo depois. O embate entre os dois é o maior trunfo do filme, com diálogos em que eles discutem filosofia, humanidade, história e religião, entre outros, temas que Edward - ou Nefarious – demonstra conhecer a fundo. Outro destaque que não se pode negar é o desempenho impressionante do ator Sean Patrick Flanery, tanto falando como o demônio como na pele do serial killer acusado de pelo menos 7 assassinatos, confessando outros quatro para o psiquiatra. Aos 59 anos, Flanery tem um extenso currículo no cinema, embora tenha atuado em filmes pouco convincentes como “Frank & Penelope”, “Nascido para Vencer” e “Energia Pura”, só para citar alguns. Mesmo ambientado em apenas um cenário, ou seja, uma sala de interrogatório, o filme mantém um nível de tensão que prende o espectador na beira da poltrona do começo ao desfecho. Dessa forma, “Nefarious” demonstra que ainda há vida inteligente no cinema independente norte-americano. IMPERDÍVEL, assim mesmo, com letras maiúsculas.       

 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

“ATÉ A ÚLTIMA GOTA” (“STRAW”), 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry. Imagine você acordar e logo receber a notícia de que vai ser despejada por falta de pagamento. Assim começou o dia de Janiyah Witkins (Taraji P. Henson), uma mãe solteira prestes também a perder o emprego cujo salário mal dá para sobreviver e pagar os remédios da filha doente. Já à beira de um ataque de nervos, ela ainda enfrentará muitos problemas, como se envolver numa confusão de trânsito com um policial e ainda ser acusada de assalto. E pior, de homicídio. Desesperada, ela entra na sua agência bancária para descontar um cheque, o que lhe é negado. É a gota d’água (ou a última gota do título) para ela se armar com uma pistola e ameaçar todo mundo, mobilizando a polícia local, a SWAT e até o FBI. O filme lembra muito “Um Dia de Fúria”, com Michael Douglas, um grande sucesso de 1993. A tensão predomina do começo ao desfecho, destacando a excelente atuação da atriz Taraji P. Henson, comprovando a mesma competência que já demonstrou em outros filmes, como o ótimo  “Estrelas Além do Tempo”, (2016), “Proud Mary” (2018) e “A Cor Púrpura” (2023), entre outros. Embora eu tenha gostado de “Até a Última Gota”, me incomodou de novo o fato do cineasta Tyler Perry escalar praticamente todo o elenco com atores negros, embora na maioria dos seus filmes, inclusive neste, ele introduz sempre a questão do racismo nos Estados Unidos, quando quase todas as atrizes apareçam com os cabelos alisados, uma incoerência constante de Perry.                    

segunda-feira, 23 de junho de 2025

 


A SOGRA (PRISLA V NOCI), 2023, República Tcheca, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção dos cineastas Tomas Pavlicek e Jan Vejnar. Trata-se de uma ótima comédia, pelo menos para quem tem ou teve uma sogra legal. Para os que têm ou tiveram uma sogra chata e invasiva, o filme pode ser encarado como de puro terror. De mala e cuia, a viúva sessentona Valerie (Simona Peková) chega de surpresa à casa do filho Jirka (Jirí Rendl), pedindo para passar uma noite. Se fosse apenas uma noite já teria sido um horror, mas a mulher foi ficando, ficando... De início, Aneta (Annette Nesvadbova), esposa de Jirka, teve pena da sogra e se esforçou para agradá-la. Ledo (Ivo) engano. Valerie começou a interferir no dia a dia do jovem casal, mudando os objetos de lugar, sujando a cozinha e ocupando o banheiro por horas, além de invadir o quarto do casal bem na hora do sexo. Não bastasse, passou a jogar na cara do filho que o apartamento ainda era dela, embora seu falecido marido tenha doado a Jirka, além de dar ordens e convidar gente estranha para dentro de casa. Confusão instalada, Jirka e Aneta começaram a se desentender, sem saber como se livrar da velha. O filme é bem divertido, embora o desfecho seja um tanto incompreensível e mal acabado, mas nem isso prejudicou o resultado final. Recomendo.                      

domingo, 22 de junho de 2025

 

EXPIAÇÃO (SWIETY), 2023, coprodução Polônia/Hungria, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Sebastian Buttny. Trata-se de um suspense policial com pano de fundo político e religioso. A história é baseada em fatos reais, ou seja, as consequências do roubo da estátua de Santo Adalberto na catedral da cidade de Gniezno, na Polônia. O ano é 1986 e o caso teve grande repercussão no país, pois Santo Adalberto, também conhecido como Wojciech, foi uma figura central na história do país, um missionário e bispo célebre por difundir o cristianismo entre os povos eslavos no século 10. O tenente Andrzej Baran (Mateusz Kosciukiewicz), da Milícia dos Cidadãos, ficou encarregado de investigar a autoria do roubo. Durante o seu trabalho, porém, ele começou a receber pressão de setores da Igreja, autoridades policiais e do governo comunista por intermédio do Ministério da Segurança Pública (SB), o equivalente polonês da KGB. Até o desfecho o espectador acompanhará todo o trabalho do tenente Andrzej, suas idas e vindas ao local do roubo e ainda uma série de interrogatórios que o ajudarão na solução do caso. Uma das cenas mais poderosas do filme é aquela em que acontece a reconstituição do roubo, acompanhada por policiais, padres, imprensa e centenas de devotos do Santo Adalberto. O roteiro não facilita o entendimento da história para o espectador, tornando EXPIAÇÃO um filme não destinado ao grande público, mas é muito interessante e bem feito.             

sábado, 21 de junho de 2025

“O ÚLTIMO RESPIRO” (“LAST BREATH”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do Norte, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alex Parkinson (“Lucy, O Chimpanzé Humano”, A Vida dos Leopardos”), que também assina o roteiro ao lado de Mitchel LaFortune e David Brooks. O filme conta uma história incrível de sobrevivência ocorrida em setembro de 2012. Uma equipe de mergulhadores profissionais sai do porto da cidade de Aberdeen, na Escócia, a bordo do navio “Bibby Topaz”, para realizar uma manutenção periódica de equipamentos localizados em águas profundas do Mar do Norte. Enquanto dois mergulhadores descem numa “gaiola” para fazer o serviço, a embarcação, devido ao mau tempo e mar agitado, sofre problemas no sistema de posicionamento dinâmico, ficando praticamente à deriva. Nessa hora, o cordão de sustentação de um dos mergulhadores se parte e ele fica praticamente isolado nas profundezas, preso num equipamento a cerca de 100 metros de profundidade e restando apenas 10 minutos de oxigênio. Pouco tempo para que o seu resgate seja possível. Somente 29 minutos depois que o seu oxigênio terminou é que um outro mergulhador consegue puxá-lo de volta à gaiola. Dado inicialmente como morto, o mergulhador consegue literalmente ressuscitar, um verdadeiro milagre que nem a ciência e os especialistas conseguem explicar. “O Último Respiro” conta toda essa história com muita competência, destacando as primorosas imagens submarinas e uma tensão que leva o espectador a eriçar os pelos da nuca. O elenco conta com Finn Cole, Woody Harrelson, Simu Liou, Cliff Curtis, Myanna Buring, Bobby Raisnbury, Djimon Hounsou e Mark Bonnar. A ideia do filme surgiu depois que o próprio diretor Alex Parkinson realizou o documentário “Last Breath”, em 2019, contando a história sob o ponto de vista jornalístico, provando que o mergulhador profissional é uma das profissões mais perigosas do mundo. Trocando em miúdos, “O Último Respiro” é um filmaço! Para encerrar, lembro que após o desfecho aparecem imagens de alguns dos personagens reais que viveram aquela grande aventura.                 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

“MIKAELA”, 2025, Espanha, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Calparsoro (“O Aviso”, “O Engregador”, “Até o Céu”) e roteiro direção de Arturo Ruiz. A tal “Mikaela” do título é o nome que as autoridades espanholas deram à violenta nevasca sem precedentes que atingiu e paralisou as estradas na região entre Madrid e Segóvia no feriado religioso do Dia dos Reis, no dia 6 de janeiro. Ou seja, em pleno inverno. Impedidos de circular, os veículos ficaram parados à noite nas estradas. Numa delas, três assaltantes se aproveitam do caos e roubam um carro-forte, matando seus seguranças e fugindo com o dinheiro. O alarme é acionado e chega ao conhecimento do policial veterano Leo (Antonio Resines), que também está preso no enorme congestionamento. Com a ajuda de uma policial novata (Natalia Azahara), Leo parte para a ação contra os assaltantes, que na fuga ainda sequestram um pai de família. Toda a ação é acompanhada pela central de monitoramento da polícia, que orienta a dupla de policiais na perseguição aos assaltantes debaixo de muita neve. A tensão não para até o desfecho, o que torna “Mikaela” um ótimo entretenimento, dosado com algumas boas cenas de ação e humor. Completam o elenco Roger Casamajor, Adriana Torrebejano, Antón Pavel, Cristina Kovani, Patricia Vico, Rocio Muñoz, Bernabé Fernández e Javier Albalá.             

segunda-feira, 16 de junho de 2025

 

“TEMPO DE GUERRA” (“WARFARE”), 2025, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ray Mendoza e Alex Garland (“Guerra Civil”). É um filme para espectadores de estômago forte, ainda mais por ser baseado em fatos reais. O ano é 2006 durante a Guerra do Iraque e o cenário é a cidade de Ramadi,  ocupada por militantes ligados à Al Qaeda. Um pelotão de fuzileiros navais do exército dos Estados Unidos ocupa uma casa estrategicamente localizada para vigiar os movimentos dos guerrilheiros. Só que o tirou saiu pela culatra, pois foram os inimigos que localizaram a casa, colocando-a sob fogo intenso. Uma granada é jogada pela janela e fere gravemente dois soldados. Pelo rádio, os norte-americanos pedem socorro médico e, minutos depois, chega um tanque para resgatar os feridos. Durante o procedimento, uma bomba explode o veículo, matando e ferindo gravemente mais outros soldados. Enfim, uma carnificina, que depois acabou sendo chamada de “a batalha de Ramadi”. O episódio foi vivido pelo co-diretor Ray Mendonza, ex-fuzileiro naval que estava naquele pelotão. Dessa forma, o filme foi realizado de acordo com o relato de Mendonza, mostrando a tensão dos soldados diante da possível invasão da casa pelos terroristas, gerando cenas intensas de violência e suspense. Não tenho dúvida em afirmar que “Tempo de Guerra” é um dos retratos mais viscerais sobre os horrores de uma guerra. Lembrei de um filme bastante semelhante, “Falcão Negro em Perigo”, de 2001, dirigido por Ridley Scott. “Tempo de Guerra” não é melhor, mas é tão bom quanto. É igualmente perturbador, realista e claustrofóbico, com alto nível de tensão. Quanto ao elenco, é formado por atores jovens que dão conta do recado. IMPERDÍVEL!, assim mesmo, em letras maiúsculas.           

domingo, 15 de junho de 2025

 

“UM ÁLIBI” (“AN ALIBI”), 2022, França, 1h30m, em cartaz na Prime  Vídeo, direção de Orso Miret, seguindo roteiro assinado por Emmanuel Mauro e Laurente Roggero. Quem assistir a este suspense vai lembrar na hora do velho ditado popular “Mentira tem Perna Curta”. A história é bem legal, prende atenção até o desfecho, graças a um primoroso roteiro e um ótimo elenco. Quando um grupo de amigos chega à casa da amiga aniversariante Lucie (Sara Martins), o cenário é trágico: ela está morta nos braços do marido Max (Pascal Demolon). Eles chamam a polícia e, percebendo que Max, todo cheio de sangue, poderá ser considerado suspeito, inventam um álibi. Interrogados pela inspetora Garnier (Aurélia Petit), os amigos mantêm o álibi, mas a policial, experiente, não cai na história. Sobra para o marido, que, embora negue ser o culpado, é detido por ser o principal suspeito. O mistério sobre o assassinato só será revelado perto do desfecho, numa reviravolta surpreendente. Completam o elenco Annelise Hesme, Michaël Cohen, Yannick Choirat, Grégori Derangère e Saverio Maligno. Sem dúvida, um filme bastante interessante e agradável de assistir. Um suspense de primeira.      

quinta-feira, 12 de junho de 2025

“A NOITE DAS BRUXAS” (“A HAUNTING IN VENICE”), 2023, coprodução Inglaterra/Estados Unidos/Itália, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kenneth Branagh, que também assina o roteiro com Michael Green. Este é o terceiro filme da trilogia adaptada para o cinema pelo ator e cineasta inglês Kenneth Branagh da obra da escritora Agatha Christie. O primeiro foi “Assassinato no Expresso Oriente (2017), e o segundo “Morte no Nilo” (2022), sempre com Branagh atuando no papel do inspetor Hercule Poirot. “A Noite das Bruxas” foi adaptado do livro “Hallowe’en Party”, de 1969. A história é ambientada em 1947, quando Poirot curte sua aposentadoria em Veneza, protegido pelo seu guarda-costas italiano Vitale Portfloglio (Ricardo Scamarcio). Mas seu descanso não durará muito. Ao receber a visita de sua amiga Ariadne Oliver (Tina Fey), uma escritora de romances de mistério, ele aceita participar de uma sessão espírita na casa da cantora lírica Rowena Drake (Kelly Reilly). A convidada especial é a misteriosa médium sra. Reynolds (Michelle Yeoh). Rowena promoveu a reunião para tentar se comunicar com a filha, que morreu afogada meses antes. Após o encerramento da sessão, porém, mais uma morte misteriosa acontece, levando Poirot a acreditar que o assassino está entre os convidados. E por aí vai a história, quando o responsável pelas mortes será revelado adivinha por quem? Poirot, claro. Completam o ótimo elenco Tina Fey, Camille Cottin, Jamie Dornan, Rowan Robinson, Kyle Allen e Emma Laird. O filme é ótimo, destacando-se a primorosa direção de arte, fotografia (Haris Zambarloukos), cenários, figurinos e, em especial, a vista aérea de Veneza na cena que antecede os créditos finais, um espetáculo visual de levantar da poltrona e aplaudir de pé. Trocando em miúdos, “A Noite das Bruxas” fecha com chave de ouro a trilogia de Kenneth Branagh. Imperdível!    

terça-feira, 10 de junho de 2025

“FÚRIA PRIMITIVA” (“MONKEY MAN”), 2024, coprodução Estados Unidos/Canadá/Índia/Cingapura, 2h1m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Dev Patel, que também assina o roteiro com a colaboração de Paul Angunawela e John Collee. Este filme de ação marca a estreia do ator inglês de origem indiana Dev Patel no roteiro e direção (a história foi criada por ele). Como ator, ele é conhecido por filmes como “Quem Quer Ser um Milionário”, “Lion: Uma Jornada para Casa” e “A Lenda do Cavaleiro Verde”, entre outros. Em “Fúria Primitiva”, ambientado na Índia, ele vive o papel de Kid, um jovem que cresceu com o trauma de ter visto a mãe e toda a população do vilarejo em que morava assassinada por policiais a mando de um poderoso político. Para se sustentar, Kid participa de lutas clandestinas, nas quais usa uma máscara de gorila – seus adversários usam máscaras de outros animais. Enfim, um zoológico sangrento no ringue. Quando tenta iniciar uma vingança contra aqueles que assassinaram sua mãe, Kid é ferido com gravidade e acaba sendo acolhido por uma comunidade Hijra, constituída por pessoas transgênero, intersexo e eunucos, todas devotas da deusa Bahuchara Mata – pesquisei no Google, e essa comunidade realmente existe. Curado de seus ferimentos, Kid aspira um pó mágico – tipo espinafre do Popeye - que lhe dá força e coragem para consumar seu objetivo de vingança. Com sangue nos olhos e uma enorme raiva reprimida, lá vai nosso herói atrás dos assassinos, principalmente o chefe de polícia Rana Singh (Sikandar Kher) e o próprio Baba Shakt (Makarand Deshpande), o poderoso líder político. A violência corre solta até o final, com muita ação, pancadaria e sangue jorrando. As cenas são muito bem realizadas. Como já aconteceu com outros filmes cujo herói parte para a vingança na base da violência, os críticos profissionais logo o comparam com o personagem John Wick, que ficou famoso com o ator Keanu Reeves. Assim aconteceu também com este “Fúria Primitiva”, já chamado de “o novo John Wick” e ainda com o recém-lançado “Bailarina”, cuja heroína é uma mulher, papel da atriz cubana Ana de Armas. Trocando em miúdos, “Fúria Primitiva” faz jus ao título, com muita ação e violência.      

sábado, 7 de junho de 2025

 

“O CONTADOR 2” (“THE ACCOUNTANT 2”), 2025, Estados Unidos, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Gavin O’Connor, seguindo roteiro assinado por Bill Dubuque. Sequência de “O Contador”, de 2016, do mesmo diretor e com grande parte do elenco original, na época um grande sucesso de bilheteria nos EUA. Só para relembrar, o personagem principal é Christian Wolff (Ben Affleck), um contador que presta serviços para organizações criminosas, paralelamente ao seu escritório legítimo de contabilidade. Neste segundo filme, Christian é contratado pela agente Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson), do Tesouro Americano, para ajudá-la a desvendar o mistério que envolve o assassinato do seu ex-chefe Ray King (J.K. Simmons). Como demonstrará na prática, Christian utiliza métodos politicamente incorretos para obter respostas, incluindo muita violência e chantagens. Para isso, conta com a ajuda do irmão Brax (Jon Bernthal), além de uma equipe de adolescentes gênios em informática. Em comparação com o primeiro filme, este tem mais ação e humor, mas não é melhor do que o primeiro. O roteiro dificulta o entendimento da história, deixando o espectador meio perdido. Não é a única falha. Os diálogos, de tão sem graça e sem conteúdo nenhum, beiram a mediocridade. Mesmo com algumas ótimas cenas de ação, o resultado final é decepcionante.         

quinta-feira, 5 de junho de 2025

“SEM RASTRO” (“IMMERSTILL”), 2023, coprodução Áustria/Alemanha, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Eva Spreitzhofer, que também assina o roteiro em conjunto com Wolf Jakoby. Suspense policial ambientado num vilarejo austríaco fictício durante um rigoroso inverno. Depois de uma festa de carnaval num clube, duas adolescentes desaparecem misteriosamente. Como a polícia local demora para iniciar as buscas, Lisa Schiller (Christina Cervenka), irmã mais velha de uma delas e que acaba de chegar de Viena, pressiona os policiais a tomarem alguma atitude. Durante as buscas iniciais realizadas com a ajuda de moradores, uma das garotas é encontrada morta à beira de um rio. Resta saber onde está a outra, justamente a irmã de Lisa. Como a polícia está mais perdida que cego em tiroteio, ela resolve investigar por conta própria, com a ajuda do jovem policial Patrick Pollanc (Michael Glantshnig), seu ex-namorado. Um dos primeiros suspeitos é Hubert Lipus (Michael Weger), um sujeito de meia-idade conhecido por assediar as mocinhas do vilarejo. Outros suspeitos aparecem pelo meio do caminho, motivando o espectador a adivinhar quem será o provável culpado, revelado apenas no desfecho, numa reviravolta surpreendente. Trocando em miúdos, o filme demora a engrenar, o ritmo é lento e o roteiro pouco criativo, tão frio quanto os cenários.    

terça-feira, 3 de junho de 2025

“O JOGO DA VIÚVA” (“LA VIUDA NEGRA”), 2025, Espanha, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de Carlos Sedes (“O Caso Asunta”, “Fariña), seguindo roteiro assinado por Ramón Campos e Gemar R. Neira. Ótimo suspense espanhol baseado em fatos reais. Em agosto de 2017, o corpo do engenheiro Antonio Navarro Cerdán foi encontrado na garagem de um edifício no Bairro de Patraix, em Valência. Ele havia sido assassinado com sete facadas. O caso, de grande repercussão na mídia espanhola, ficou conhecido como “A viúva negra de Patraix”, já que a viúva, Maria Jesús Moreno, foi apontada como uma das principais suspeitas do crime – não vou dar spoilers sobre o desfecho do caso. Na adaptação da história para o cinema, a viúva é Maje (a ótima Ivana Baquero, de “O Labirinto do Fauno"), uma enfermeira que tem dois empregos, um num hospital e outro em uma casa de repouso. Mesmo noiva do engenheiro Antonio Navarro (Álex Gadea), ela tem um caso com outro homem. Antonio a perdoou. Só que o casamento não segurou o ímpeto baladeiro da moça, que continuou saindo com as amigas para dançar e, pior, colecionar amantes. Quando o marido é encontrado morto, Maje fica arrasada, mas acaba caindo na desconfiança da inspetora Eva (Carmen Machi), encarregada de investigar o caso, que também aponta como suspeitos os amantes da viúva. Numa trama bem urdida, graças ao primoroso roteiro e uma história envolvente, além do ótimo elenco, “O Jogo da Viúva” é um excelente entretenimento, um filmaço!  


segunda-feira, 2 de junho de 2025

 

“MÁFIA S.A.” (“MAFIA INC.”), 2020, Canadá, 2h15m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Grou, seguindo roteiro assinado por Sylvain Guy. O tema Máfia já gerou inúmeros filmes, dois deles verdadeiras obras-primas do cinema: “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Posso garantir que “Máfia S.A.” também é um dos melhores. É violento e ao mesmo tempo nostálgico, com uma trilha sonora de primeira. A história, fictícia, é baseada no livro “Mafia Inc.: The Long, Bloody Reign of Canada’s Sicilian Clan” (“Máfia S.A.: O Longo e Sangrento Reinado do Clã Siciliano do Canadá”), dos jornalistas Andre Cédilot e André Noël. A família Paternò, comandada com mão de ferro por Don Frank Paternò (o ator italiano Sergio Castellitto, ótimo), que durante os anos 90 do século passado dominava o crime organizado em Montreal, no Canadá. Seu braço direito é o sanguinário e violento Vincente ‘Vince’ Gamache (Marc-André Grondin), originário de outra família mafiosa, os Gamache. Em meio às inúmeras desavenças e traições nesse núcleo mafioso, o filme destaca também um lance ousado de Don Frank, que reúne outras famílias mafiosas para investir num grande projeto: uma ponte que ligaria a Sicília ao continente italiano. Enfim, “Máfia S.A.” é mais um grande filme sobre a máfia italiana.    

domingo, 1 de junho de 2025

“CORAÇÃO DELATOR” (“CORAZÓN DELATOR”), 2025, Argentina, 1h29m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Marcos Carnevale. Trata-se de um drama romântico leve, sensível e muito agradável de assistir. Conta uma história simples sem pretensão de chegar a um filme cult. Juan Manuel (Benjamín Vicuña) é proprietário de uma grande empresa da construção civil em Buenos Aires. Solteiro, vive num casarão às vezes visitado por uma namorada de ocasião. Tudo vai às mil maravilhas até que um dia ele sofre um infarto. Ele precisa de um transplante de coração. O doador acaba sendo um trabalhador humilde residente na periferia da capital argentina, casado e pai de um menino. A cirurgia é um sucesso e Juan Manuel se recupera rapidamente. Como acontece na maioria desses casos, o receptor do órgão quer saber quem é o doador. Mal sabe ele que o bairro onde o doador morava é alvo de desapropriação por parte de sua empresa. Fingindo ser primo do padre da paróquia, Juan vai ao bairro e conhece a viúva do seu doador, Valeria (Julieta Díaz). Mais do que previsível, os dois se apaixonam. Ao interagir com o pessoal do bairro, Juan começa a rever os seus conceitos. O maior trunfo do filme é a química entre o casal protagonista. Benjamín Vicuña é um ator simpático que já mostrou seu talento principalmente no recente “O Silêncio de Marcos Tremmer”, outro ótimo filme argentino. A atriz Julieta Díaz é conhecida pelas comédias “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho” e “2 mais 2”. O cineasta Marcos Carnevale comprova mais uma vez o seu talento, tendo em seu currículo pequenas obras-primas do cinema argentino, como “Elsa & Fred”, “Inseparáveis” e “Coração de Leão”, quando também dirigiu Julieta Diaz. Trocando em miúdos, “Coração Delator” é um filme que toca o coração, emociona e diverte.    

quinta-feira, 29 de maio de 2025

 

“SUPERBOYS DE MALEGAON” (“SUPERBOYS OF MALEGAON”), 2024, Índia, 2h07m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Reema Kagti, que também assina o roteiro com a colaboração de Varun Grover e Shoaib Nazeer. Em 2008, o documentário “Supermen of Malegaon” contou uma incrível história ocorrida na cidade indiana de Malegaon, onde, na segunda metade dos anos 90, um cineasta amador reuniu alguns amigos para realizar um filme. Pois é neste documentário que  se inspirou “Superboys de Malegaon”. Misturando cenas de comédias de Buster Keaton e dos filmes de pancadaria de Jackie Chan, a turma conseguiu realizar um filme que agradou a população da cidade – lembrando que o cinema era uma das únicas diversões de Malegaon. A equipe técnica do filme, liderada pelo cineasta amador Nasir Shaikh, faria outro filme, mas sem alcançar o sucesso do primeiro. Dessa forma, o grupo de amigos se separou e cada um foi para o seu lado. Em 2010, quando um dos integrantes da equipe ficou gravemente doente, os amigos voltaram a se encontrar e resolveram realizar outro filme, uma sátira do Super-Homem de Hollywood, cujo papel principal foi destinado justamente ao amigo doente terminal. Sensível, divertido e comovente, simples ao extremo, “Superboys de Malegaon” é uma grata surpresa do cinema indiano independente, com um elenco em sua maioria constituído por amadores recrutados entre a população da cidade. O filme estreou no Festival de Toronto (Canadá), em setembro de 2024, recebendo elogios tanto da crítica como do público. Matt Zoller Seitz, do site rogerebert.com, escreveu: “É um dos filmes mais acessíveis e divertidos sobre o impulso criativo que você verá”. Quem assistiu ao filme chileno “A Contadora de Filmes”, de 2023, comentado neste blog, e gostou, vai gostar ainda mais deste filme indiano, o qual recomendo como um dos filmes mais interessantes do cinema indiano. Mais uma singela homenagem ao cinema.