sábado, 28 de setembro de 2024

 

“SOLO UNA VEZ”, 2021, Espanha, 1h21m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Guilhermo Ríos Bordón. Trata-se de um drama daqueles que, conforme vai avançando, transforma-se numa espécie de punição ao espectador, que tentará chegar ao final só com muita boa vontade. A história é centrada na dra. Laura (Ariadna Gil, casada na vida real com o ator Viggo Mortensen), diretora de um centro especializado no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. Seus laudos colaboram com a polícia nas investigações e nos processos contra os agressores. O roteiro destaca o atendimento a Pablo (Álex Garcia Fernández) e Eva (Silvia Alonso), um jovem casal envolvido numa briga doméstica que acabou na polícia, ela acusando o marido de agressão. A dra. Laura ouve primeiro o acusado, no caso Pablo, que nega a acusação. Depois ela ouve Eva, que confirma tudo. Depois ouve os dois juntos, mas até chegar a essa parte, o filme deslancha na base de muito blá blá blá irritante e repetitivo, seguindo num ritmo bastante lento. Duas situações paralelas transcorrem no dia a dia da terapeuta. A primeira diz respeito à sua filha, que reclama do descaso do pai, ex-marido da médica. A segunda situação envolve um marido cuja esposa era paciente da clínica. Revoltado – o filme não explica a razão -, o homem tenta intimidar a terapeuta diariamente, até mesmo na base da violência. Trocando em miúdos, o resultado final é decepcionante. Uma pena que a experiente atriz espanhola Ariadna Gil, de tantos bons filmes, um deles o clássico “O Labirinto do Fauno”, tenha concordado em participar desse verdadeiro abacaxi. Desta vez, o cinema espanhol pisou na bola, ou melhor, "pisó la pelota".       

               

                     

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

“QUO VADIS, AIDA?”, 2020, Bósnia e Herzegovina, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jasmila Zbanic (“Sarajevo, Meu Amor”). Não sei como deixei de assistir a esta pequena obra-prima na época em que foi lançada e que concorreu ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, além de receber inúmeras premiações em festivais pelo mundo afora, além de conseguir incríveis 100% de aprovação no rigoroso site Rotten Tomatoes. Também foi eleito o Filme do Ano pela European Film Awards (EFA). Sua primeira exibição aconteceu durante o 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza, causando um grande impacto junto à crítica especializada e ao público. Realmente, trata-se de um filme bastante impactante. A história é baseada em fatos reais ocorridos em 1995 quase no final da guerra civil que atingiu os territórios da antiga Iugoslávia desde 1992. O pano de fundo é o genocídio de 8 mil bósnios muçulmanos assassinados pelas tropas sérvias na cidade de Srebrenica (Leste da Bósnia), episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Srebrenica”. Dentro desse cenário trágico, o filme destaca o sofrimento de uma mãe de família contratada como intérprete pelas forças de paz da ONU. Ela é interpretada pela atriz sérvia Jasna Duricic, cujo desempenho é magistral, de aplaudir de pé. Sem dúvida, ela é a alma do filme, sendo premiada como Melhor Atriz também pela Academia Europeia de Cinema. “Quo Vadis, Aida?” revela, de forma realista, um retrato doloroso e impactante daquele episódio do conflito, a ponto de merecer o seguinte comentário de um crítico profissional: “Não é um filme fácil de assistir. É desesperador e devastador, que deixa o espectador completamente esgotado, exausto e horrorizado”. Foi justamente o que senti ao assistir a esta verdadeira pérola do cinema. Não deixe de ver.                     

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

“O PROTETOR: CAPÍTULO FINAL” (“THE EQUALIZER 3”), 2023, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento, “Sete Homens e um Destino” e a trilogia “O Protetor”), seguindo roteiro assinado por Richard Wenk. Como garante o título, este é o último filme da trilogia “The Equalizer”, iniciada em 2014, sempre com o ator Denzel Washington como o ex-agente da CIA Robert McCall, que na verdade sempre agiu como assassino profissional e, ao mesmo tempo, defensor dos fracos e oprimidos. É o que também acontece neste terceiro filme. Sua última missão aconteceu no sul da Itália, que terminou com o assassinato de toda uma quadrilha de mafiosos. Só que McCall saiu ferido e acabou desacordado dentro de um carro, sendo socorrido por um médico que o levou para sua casa na pequena cidade de Altamonte, região da Calábria, sul da Itália. Restabelecido do ferimento, ele costuma caminhar pela cidade, fazendo amizades com os moradores. Quando está prestes a voltar para os Estados Unidos para curtir sua aposentadoria, ele testemunha a ação violenta de mafiosos da temida Camorra contra comerciantes locais. Robert não se conforma com a situação e resolve enfrentar, sozinho, os mafiosos. O filme não economiza na violência e dá gosto, e até prazer, ver o ex-agente tratar os mafiosos com requintes de crueldade. Aí que entra a já conhecida competência do ator Denzel Washington, cuja presença é o maior trunfo desse ótimo filme de ação. Pena que é o último da franquia. Completam o elenco Dakota Fanning, Sonia Ben Ammar, Gaia Scodellaro, David Denman, Andrea Dodero, Andrea Scarduzio, Eugenio Mastrandea e Melissa Leo. Filmaço!                      

                     

“GUERRA AO CARTEL” (“SHRAPNEL”), 2023, Estados Unidos, 1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de William Kaufman (“The Channel”, “Santos e Pecadores”), seguindo roteiro assinado por Johnny Martin Walters e Chad Law. Traduzido, o título original é “Estilhaços”, o que traduz melhor o que acontece na tela. Não deu para contar, mas não lembro de assistir a um filme com tantos tiros. Acho que a munição gasta no filme daria para municiar um exército durante uma guerra. Quem gosta de tiros e pancadaria vai gostar de “Guerra ao Cartel”. Vamos à história. O ex-fuzileiro naval Sean Beckwith (Jason Patric) agora é um pacato fazendeiro no Texas, onde mora com a esposa e duas filhas adolescentes. Quando uma delas atravessa a fronteira com o México e desaparece misteriosamente em Ciudad Juarez, Sean convoca um ex-companheiro de farda para a missão de resgatar a moça, provavelmente sequestrada por uma quadrilha de traficantes. Completam o elenco Cam Gigandet, Kesia Elwin, Emily Perry, Mauricio Mendoza, Guilhermo Iván e Megan Elizabeth Kelly. É um bom filme de ação, com ritmo frenético que prende a atenção até o desfecho. O que destoa no quadro geral é o ator Jason Patric, que não muda de expressão o filme inteiro, nem nos momentos de maior tensão. Aliás, descobri sem querer que Patric é filho de Jason Miller, aquele ótimo ator que fez o papel do padre Damien Carras no clássico de terror “O Exorcista” (1973). Ou seja, nem sempre “tal pai, tal filho”. Ah, recomendo que você vista um colete à prova de balas se for assistir.                       

                     

domingo, 22 de setembro de 2024

“IMACULADA” (“IMMACULATE”), 2024, Estados Unidos/Itália, 1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Michael Mohan (“Observadores”), seguindo roteiro assinado por Andrew Lobel. Nunca fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a excelentes filmes, como “O Abominável Dr. Phibes” (1971), com Vincent Price, aqueles filmes de Drácula com Christopher Lee, e os clássicos “Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski, “O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, e “O Exorcista” (1973), de William Friedkin, só para citar alguns. “Imaculada” chega para dar alguns bons sustos e confirmar a excelente fase da atriz Sydney Sweeney, mas a história e o modo como foi levado às telas deixaram muito a desejar. Depois de um acidente na infância que quase a matou, a jovem norte-americana Cecilia resolve dedicar-se a servir a Deus como agradecimento por ter escapado da morte. Dessa forma, ela ingressa em um convento na Itália como noviça. Pouco tempo depois, sem nenhuma explicação, ela acorda grávida. Um verdadeiro milagre para o pessoal do convento. Ou seja, ela deve ser a mãe de Jesus. Aos poucos, porém, Cecilia descobre segredos aterradores e se convence de que está sendo vítima de uma farsa. Haja sustos, sangue jorrando e violência. Completam o elenco Álvaro Morte, Benedetta Porcaroli, Giulia Heathfield Di Renzi, Simona Tabasco, Dora Romano e Giorgio Colangeli. Trocando em miúdos, trata-se apenas de mais um filme de terror, sem grandes novidades, muito longe daqueles filmes que citei no começo do comentário. Assista se quiser.                      

                     

sábado, 21 de setembro de 2024

 

“BANDIDO” (“BANDIT”), 2022, Canadá/Estados Unidos, 2h06m, em cartaz na Netflix, direção de Allan Ungar (“Encurralados”, “London Calling”), seguindo roteiro assinado por Kraig Wenman, Robert Knuckle e Ed Arnold. Baseado em fatos reais descritos no livro "The Flying Bandit", o filme conta as peripécias de Gilbert Galvan Jr., um ladrão que ficou famoso depois de cometer mais de 60 assaltos – a maioria contra bancos e joalherias – em várias cidades do Canadá na segunda metade dos anos 80 do século passado. Sua ficha criminal começa em Michigan (EUA). Depois de escapar de uma prisão, ele se refugia no Canadá utilizando nova identidade, Robert Whiteman. Em todos os seus roubos, Gilbert/Robert, interpretado por Josh Duhamel, jamais machucou alguém, aspecto de que se orgulhava. Outra de suas características era utilizar disfarces diferentes a cada assalto. Chegou até mesmo a frequentar cursos de maquiagem para aperfeiçoar os seus métodos. O filme destaca a associação de Robert com um mafioso canadense (Mel Gibson), além de seu romance com Andrea (Elisha Cuthbert), com quem se casaria e teria filhos. O filme também acompanha o trabalho da polícia canadense na tentativa de prender o assaltante. Completam o elenco Nestor Carbonell, Swen Temmel e Haley Webb. O filme é muito bom, tem ação, suspense e humor, além de um ritmo capaz de segurar a atenção do espectador até o desfecho. Com seu carisma de galã e cara de bom moço, o ator Josh Duhamel esbanja competência e é, sem dúvida, um dos responsáveis pelo excelente resultado final. Trata-se, portanto, de um ótimo entretenimento. Um filmaço. Não deixe de assistir.               

                     

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

“ASSASSINO POR ACASO” (“HIT MAN”), 2023, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Richard Linklater (“Antes do Amanhecer”, “Boyhood”), que também assina o roteiro com a colaboração de Glen Powell, ator que atua no filme. Um misto de comédia, suspense e romance, “Assassino por Acaso” conta uma história vagamente baseada em fatos reais, relatados pelo jornalista Skip Hollandsworth numa reportagem publicada em 2001 pela Revista Texas Monthly sobre um assassino profissional disfarçado que ajudou a polícia de Houston a prender 60 pessoas. No filme, o tal assassino profissional é Gary Johnson (Glen Powell, de “Top Gun: Maverick", “Todos Menos Você”), um professor universitário de psicologia e filosofia que também trabalha para a polícia fazendo-se passar por um assassino profissional. As pessoas o contratam para executar um inimigo, seja ele o marido, a esposa, o sócio ou o cunhado. A negociação é gravada e o contratante imediatamente preso em flagrante. Tudo transcorre na maior normalidade até que Gary conhece Madison (Adria Arjona, de Morbius”, “Pisque Duas Vezes), uma bela mulher que quer contratá-lo para assassinar o marido abusivo. Só que o marido aparece morto logo depois, mas não foi Gary quem o matou. Quem foi, então? Completam o elenco Austin Amelio, Molly Kate Bernard e Evan Holtzman. Trocando em miúdos, o filme até que prende a atenção, mas peca demais pelos diálogos pouco criativos e piadas sem graça, além da canastrice do ator Glen Powell, que como comediante e galã é um ótimo roteirista.              

terça-feira, 17 de setembro de 2024

“A GAROTA DE MILLER” (“MILLER’S GIRL”), 2024, Estados Unidos, 1h34m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da jovem cineasta Jade Bartlett (é sua estreia em longas). Trata-se de um drama bastante tenso, mas com um ritmo arrastado, repleto de citações literárias e verborrágico demais. O professor Jonathan Miller (Martin Freeman, o Bilbo da saga “O Hobbit”) reconhece em sua aluna adolescente Cairo Sweet (Jenna Ortega, da série “Wandinha” e “Os Fantasmas Ainda se Divertem”) um talento especial como escritora. Essa admiração transforma-se aos poucos num jogo de sedução, no qual a jovem praticamente se entrega ao seu professor, que é casado com a também escritora Beatrice (a atriz polonesa Dagmara Dominczyk, esposa na vida real do ator Patrick Wilson). Algumas cenas dão a ideia de que professor e aluna realmente tiveram um caso, o que não fica tão evidente com o transcorrer da trama. O pano de fundo da história é claramente sexual, principalmente nas citações literárias, a maioria delas dos livros do norte-americano Henry Miller (1891-1980), considerado por muitos um escritor pornográfico. O filme foi massacrado pela crítica especializada, mas a atriz Jenna Ortega saiu em sua defesa: “É uma obra de arte e que, por isso mesmo, nem sempre será confortável”. Não foram apenas os críticos que não gostaram do filme. Algumas instituições conservadoras ligadas à produção cinematográfica criticaram o fato de um ator de 52 anos (Martin Freeman) beijar em cena uma atriz 31 anos mais jovem (Jenna Ortega, de 21 anos, mas no papel de adolescente no filme). Entre mortos e feridos, não há muito a se destacar. Pelo contrário, trata-se de um filme não muito fácil de digerir.           

                     

domingo, 15 de setembro de 2024

 

“O ROUBO DE 88” (“HEIST 88”), 2023, Estados Unidos, 1h24m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Menhaj Huda, cineasta nascido em Bangladesh radicado na Inglaterra (“Comedown”, “Juventude Rebelde”, “Meghan: Um Amor Real”), seguindo roteiro assinado por Dwayne Johnson-Cochran (não confundir com o ator). Trata-se de uma história real baseada no ladrão de bancos Armand Moore, que em 1988 armou e executou um plano para roubar US$ 80 milhões do Banco Nacional de Chicago. Cabe aqui lembrar que na época os bancos não eram informatizados e as transferência de valores acontecia somente por telefone, utilizando-se um código secreto, sendo que havia a necessidade de duas aprovações por parte dos funcionários dos bancos. No filme, o personagem de Moore ganhou o nome de Jeremy Horne, interpretado magistralmente por Courtney B. Vance. No filme, Horne convence quatro jovens funcionários do Banco Nacional de Chicago a participar do roubo, além de dois antigos parceiros de outros crimes. O roteiro privilegia toda a fase de planejamento do crime, mostrando, inclusive, a vida particular de cada um dos jovens cúmplices, seus problemas de relacionamento com as respectivas famílias e, por fim, a exagerada ganância pela montanha de dinheiro que terão direito. O ótimo elenco é composto basicamente por atores negros: além de Courtney B. Vance, atuam Precious Way, Xavier Clyde, Bentley Green, Keith David, Keesha Sharp e Nican Robinson. Trocando em miúdos, um filme bastante interessante que merece ser visto.            

                     

sábado, 14 de setembro de 2024

“O CASAL PERFEITO” (“THE PERFECT COUPLE”), 2024, Estados Unidos, minissérie da Netflix em 6 episódios, roteiro e direção da experiente cineasta dinamarquesa Susanne Bier (“Em Um Mundo Melhor”, “Birdbox”). A minissérie é baseada no livro homônimo escrito em 2018 pela romancista Elin Helderbrand. A família Winbury, dona de uma imensa propriedade à beira-mar na paradisíaca Ilha de Nantucket (Massachussetts), cuida dos últimos preparativos para o casamento de Benji Winbury (Billy Howle) com Amelia Sacks (Eve Hewson, atriz irlandesa filha do cantor Bono, da banda U2). Os pais do noivo são a escritora Greer Garrison (Nicole Kidman), autora de inúmeros best-sellers, e Tag Winbury (Liev Schreiber), este último um aproveitador assumido da fortuna da esposa e um maconheiro crônico. Poucos dias antes do casamento, porém, um dos convidados é achado morto na praia, aparentemente vítima de suicídio, já que deixou uma carta escrita de próprio punho. Amelia, a melhor amiga da vítima, não acredita nessa versão e instiga a polícia a investigar o caso com rigor. Os detetives Nikki Henry (Donna Lynne Champlin) e Dan Carter (Michael Beach) interrogam todo mundo da família e os amigos. Todos eles são suspeitos: o casal proprietário da casa, os três filhos, a amiga Isabel Nallet (Isabelle Adjani) e até Abby (Dakota Fanning), a esposa grávida de Thomas (Jack Reynor), o filho mais velho dos Winbury. O mistério e o suspense caminham juntos até o último episódio, quando a surpreendente verdade virá à tona. Menos do que a história, o trunfo da minissérie é o excelente elenco, com destaque para as atuações de Nicole Kidman, Liev Schreiber, Eve Hewson e, principalmente, Dakota Fanning, irmã da também atriz Elle Fanning. Outra atriz que merece destaque é Donna Lynne Champlin, a detetive encarregada do caso, que dá um toque de humor a cada vez que aparece em cena. Trocando em miúdos, “O Casal Perfeito” é uma minissérie muito agradável de assistir, um ótimo entretenimento.           

                     

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

 

“ESTRITAMENTE CONFIDENCIAL” (“STRICTLY CONFIDENTIAL”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, filme de estreia no roteiro e direção do jovem cineasta inglês Damian Hurley, de apenas 22 anos (filho da atriz Elizabeth Hurley, que atua no filme). A começar pelo material de divulgação, o resultado final é um tremendo fracasso. A Ilha de Man, uma dependência britânica situada entre a Irlanda e a Inglaterra, é apontada como o país originário da produção e, como tal, supostamente serviu de cenário. Só que a mesma divulgação diz que as filmagens ocorreram no cenário paradisíaco de Saint Kitts e Nevis, um pequeno país no Caribe. Posta a dúvida, vamos à história. Um grupo de amigos costuma se reunir nas férias de verão na tal ilha, onde reside a viúva Lily (Elizabeth Hurley), mãe de Rebecca (Lauren McQueen) e de Jemma (Genevieve Gaunt). Começa a história um ano depois da morte de Rebecca, que aparentemente se suicidou. Esse reencontro dos jovens com a mãe de Rebecca não é muito agradável, principalmente pelas recordações do último verão. Mia (Georgia Lock), a melhor amiga da falecida, não se conforma com a alegação de suicídio e resolve investigar por conta própria o que realmente aconteceu. O suspense prometido no começo não deslancha, descambando para cenas constrangedoras de erotismo, diálogos pífios e situações sem o menor sentido. O elenco é muito ruim, ninguém se destaca. Pelo contrário. A atriz Georgia Lock, por exemplo, passa o filme inteiro com uma irritante cara de choro. Elizabeth Hurley, a mais experiente, conserva sua beleza e forma física aos 58 anos, mas sua atuação é das mais pífias. Completam o elenco Genevieve Gaunt, Freddie Thorp, Max Parker, Agi Nanjosi,  Amber Townsend, Pear Chiravara e Llyrio Boateng. Não fui só eu que não gostou do filme. A crítica especializada também detestou. O crítico Mike McGranaghan, por exemplo, o comparou aos thrillers cafonas exibidos pelas TVs a cabo no início dos anos 90. Como você deve ter percebido, o resultado final de “Estritamente Confidencial” é realmente decepcionante.        

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

 

 

“UM MAU ATOR” ("UM ACTOR MALO”), 2024, México, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jorge Cuchi, cineasta porto riquenho radicado no México. O suposto estupro de uma atriz durante uma cena de sexo é o ponto de partida desse drama mexicano muito interessante. A história é quase que totalmente encenada num set de filmagem. O ator Daniel Zavala (Alfonso Dosal) aparentemente se entusiasma numa cena na cama com a atriz Sandra Navarro (Fiona Palomo). Como a ação se passa sob os lençóis, não dá para verificar com certeza que o ator abusou da moça, que jura de pés juntos (depois da cena, claro) que o ator se aproveitou da situação para tornar o ato mais realista do que necessário. Pelo menos é o que garante a atriz. Mas ele nega o estupro. A situação acaba numa grande confusão, pois Sandra convoca um advogado e o ministério público para denunciar o colega, que também chama uma advogada. Daniel se desespera com a situação, não só pela possibilidade de estragar sua carreira como também afetar o seu casamento. Como se não bastasse, a cena em questão é vazada para as redes sociais, gerando um grande escândalo e protestos violentos das feministas de plantão. Enfim, toda essa situação leva o espectador a acreditar num desfecho nada agradável. O filme é um tanto arrastado, mas sem jamais perder a tensão e o suspense. Recomendo.    

                     

sábado, 7 de setembro de 2024

 

“VISÕES” (“VISIONS”), 2023, França, 2h03m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Yann Gozlan (“O Homem Ideal”, “Asfalto de Sangue”), que também assina o roteiro com Michel Fessler. Trata-se de um suspense psicológico centrado em Estelle Vasseur (a atriz alemã Diane Kruger), uma comandante de avião casada com Guillaume (Mathieu Kassovitz), um renomado médico-cirurgião. Os dois vivem um casamento aparentemente consolidado e rotineiro, ela viajando pelo mundo e ele trabalhando num hospital. Até que um dia, após chegar ao aeroporto para mais uma viagem, Estelle reencontra Anna Dale (Marta Nieto), com a qual viveu um romance lésbico há 20 anos. Bastou esse encontro para Estella reativar os sentimentos antigos. Papo vai, papo vem, as duas voltam a se relacionar. Enquanto Estella se apaixona novamente pela antiga namorada, Anna não leva a nova relação a sério. Obcecada pela amante, Estella começa a vigiá-la, quando descobre que ela mantém um relacionamento com a empresária Johana Van Damaker (Amira Casar). Em meio a essa situação, Guillaume começa a desconfiar da sanidade de Estella, cujas visões, desde jovem, costumam atingir o patamar de vidência, já que algumas realmente se concretizam. Diante desse quadro, o espectador é levado a acreditar que nem todas as situações que vê na tela são reais ou frutos da imaginação de Estelle, que começa a apresentar sintomas de desequilíbrio. O suspense fica por conta da expectativa do que pode acontecer no desfecho, ou seja, uma tragédia se avizinha. Dito e feito. Não é um filme muito fácil de digerir, mas a presença forte da atriz Diane Kruger garante um bom resultado.    

                     

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

“PLANO A” (“PLAN A”), 2022, coprodução Alemanha/Israel, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção dos irmãos israelenses Doron e Yoav Paz. (“A Lenda de Gole”, “Jerusalém”). Já li inúmeros livros e assisti a muitos filmes sobre a Segunda Grande Guerra, mas não conhecia a história desse drama baseado em fatos reais descritos no livro “Nakam”, da historiadora israelense Dina Porat. A história, ambientada na Alemanha logo após o final do conflito, relembra a atuação de um grupo de judeus motivados a se vingar dos nazistas depois do Holocausto, em sua maioria sobreviventes dos campos de concentração. Um deles, Max (Augusto Diehl), ingressou no Nakam – nome do grupo – disposto a se vingar da morte de sua família. Havia uma dissidência no grupo. Uns eram a favor de só eliminar oficiais e soldados nazistas que praticaram crimes. Outra vertente, mais radical, queria uma vingança “olho por olho, dente por dente”, ou seja, eliminar 6 milhões de alemães, o mesmo número de judeus mortos nos campos de concentração. Max resolve ingressar no grupo mais radical, que planejava envenenar os sistemas de água de várias cidades alemãs. Completam o elenco Sylvia Hoeks, Michael Aloni, Ishai Golan, Oz Zehavi e Yoel Rozenkier. Resumo da ópera, trata-se de um filme bastante importante como documento histórico. É pesado demais, mas realista como exige o contexto. Quem curte a História não deve perder.     

                     

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

 

“ASTEROID CITY”, 2023, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Wes Anderson, que também assina o roteiro com Roman Coppola (filho do diretor Francis Ford Coppola). Quem já assistiu algum filme do cineasta norte-americano Wes Anderson sabe que seu estilo costuma subverter a normalidade cinematográfica, com filmes que se destacam por visuais excêntricos, personagens caricatos, histórias que carecem de lógica e diálogos fora do contexto e que beiram o nonsense. O que não se pode negar é a aparentemente inesgotável criatividade do diretor, cuja imaginação realmente transcende o comum. Podemos comprovar todo isso nos seus filmes mais conhecidos, como “The Royal Tenenbaums”, “O Grande Hotel Budapeste”, “Moonrise Kingdom” e “The Darjeeling Limited”. Como mostra o elenco estrelado (confira no final do comentário), Anderson mantém um grande prestígio junto aos estúdios, artistas e produtores. Em “Asteroid City”, Anderson é ainda mais radical. A história, ambientada nos anos 50 do século passado, é centrada numa competição acadêmica para jovens cientistas numa cidade fictícia no deserto, chamada Asteroid City. Na verdade, trata-se da encenação de uma peça de teatro criada pelo personagem de um dramaturgo, que intercalou as situações principais em  atos teatrais. Enfim, não espere nada normal nessa história, como acontece em todos os filmes de Anderson. Confira o elenco estrelado: Tom Hanks, Scarlett Johansson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Margot Robbie, Rupert Friend, Maya Hawke, Edward Norton, Bryan Cranston, Matt Dillon, Jeffrey Wright, Willem Dafoe, Tilda Swinton, Hope Davis, Steve Carell e Jeff Goldblum, só para citar os mais conhecidos. Poucos filmes/diretores conseguem a proeza de reunir tantos astros de renome. Trocando em miúdos, “Asteroid City” é muito interessante, bem diferente do que costumamos ver no cinema.       

                     



domingo, 1 de setembro de 2024

“A LIBERTAÇÃO” (“THE DELIVERANCE”), 2024, Estados Unidos, em cartaz na Netflix, 1h51m, direção de Lee Daniels (“O Mordomo da Casa Branca”, “Preciosa”, “A Última Ceia”, ou seja, um cineasta de respeito), que também assina o roteiro com a colaboração de David Coggeshall. O tema da possessão demoníaca, cujo maior clássico ainda é “O Exorcista”, de 1973, carregou muitos outros filmes no vácuo, mas nenhum deles, até hoje, foi capaz de dar tanto medo. “A Libertação”, que acaba de chegar à Netflix, é o melhor em muitos anos. O terror começa logo que você fica sabendo que a história é baseada em fatos reais. O caso aconteceu na pequena cidade de Gary, Indiana, com a família de Latoya Ammons – a quem o filme é dedicado -, em 2011, quando seus três filhos foram possuídos por uma entidade maligna. O filme traz a atriz Andra Day como Ebony Jackson, a mãe solteira que aluga uma casa e vai morar com a mãe (Glenn Close) e os três filhos. Tal qual o fato real, a casa é assombrada por uma energia sinistra, que logo se manifesta, para desespero da família de Ebony, que vai sofrer nas mãos do demônio até o desfecho. Além da assustadora história, o filme conta com um incrível trabalho de maquiagem e efeitos especiais de muita qualidade. O desempenho do elenco é outro trunfo, principalmente as atrizes Andra Day e Glenn Close, que se entregam de corpo e alma aos seus papéis. Também estão no elenco Aunjanue Ellis-Taylor, Anthony B. Jenkins, Caleb McLaughlin e Demi Singleton. Os fãs dos filmes de terror vão delirar – literalmente – com o filme. Não percam!        

                      

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

“O MELHOR ESTÁ POR VIR” (“LE MEILLEUR RESTE À VENIR”), 2020, coprodução França/Bélgica, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte. Não confundir com o filme recém-lançado com o mesmo título do italiano Nanni Moretti. No filme francês, uma comédia dramática, a história é centrada na amizade de Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel), que se conhecem desde crianças e até hoje são amigos inseparáveis. São personalidades diferentes. Arthur é um sujeito sério, médico pesquisador do Instituto Pasteur, divorciado e com uma filha, enquanto César nunca teve juízo, vive de empréstimos que dificilmente paga e cercado de amantes. Enfim, um bon vivant. Quando Arthur leva César para uma consulta médica e empresta seu cartão do plano de saúde para o amigo, a situação começa a complicar de vez. Os exames mostram que César tem um grave problema de saúde e poucos meses de vida. Só que, por causa dos nomes trocados, uma confusão se instaura. Quando César diz ao amigo que será pai dali a alguns meses, Arthur não tem coragem de dizer a verdade. Dessa forma, César passa o filme quase inteiro como a vítima da história, o que resulta em inúmeras situações hilariantes. Aqui cabe ressaltar a química entre os dois veteranos atores franceses, que têm carisma especial quando se trata de comédia, embora haja muitas cenas sensíveis e comoventes. Completam o elenco Zineb Triki e Pascale Arbillot. Impossível não lembrar de um filme muito parecido, "Antes de Partir", de 2007, com Morgan Freeman e o sumido Jack Nicholson. Não posso afirmar que "O Melhor Está por Vir" é um remake, mas está muito próximo de ser. Em todo caso, trata-se de um filme bastante simpático, agradável de assistir.     

                     

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

“KISSUFIM”, 2023, Israel, 1h29m, em cartaz na Netflix, direção de Keren B. Nechmad, que também assina o roteiro com Hadar Arazi e Yonatan Bar-Ilan. A história, ambientada em 1977, acompanha a rotina de um grupo de jovens soldados israelenses que se oferecem para trabalhar como voluntários no Kibutz Kissufim, próximo à fronteira com Gaza. O filme mostra o trabalho dos jovens na fazenda, seu cotidiano repleto de responsabilidades, e as conversas sobre a tensão que vivem num país habituado a sofrer atentados e ameaças de novos conflitos, além do momento político vivido naquele ano, quando Anwar Sadat, presidente do Egito, visita Israel na esperança de iniciar um processo de paz entre árabes e israelenses (doce ilusão!). Mesmo diante desse contexto dramático, os jovens também encontram tempo para se divertir, promovendo festas com muita música, namoros e sexo. Os nomes mais conhecidos do elenco são Swell Ariel Or, Adam Gabay, Tamir Ginsburg, Mili Eshet e Eres Oved. Impossível acompanhar a história sem pensar no fatídico 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram Israel e mataram mais de mil pessoas, sequestrando outras centenas. Pois um dos alvos dos terroristas foi justamente o Kibutz Kissufim. Embora “Kissufim” tenha sido filmado antes desse atentado (afirmação feita nos créditos iniciais), é impossível não sentir um certo desconforto ao imaginarmos que muitas das vítimas dos terroristas sejam iguais aos personagens mostrados na tela. Trocando em miúdos, “Kissufim” não é um grande filme, mas é poderoso a partir do momento em que foi capaz de prenunciar uma tragédia que chocou o mundo. Não deixe de assistir.  

                     

domingo, 25 de agosto de 2024

 

“PANAMÁ” (“PANAMA”), 2022, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Neveldine (mais conhecido como roteirista - “Adrenalina”, “Motoqueiro Fantasma”), seguindo roteiro assinado por Daniel Adams e William Barber. Estamos em 1989, pouco antes do exército norte-americano invadir o Panamá e prender o ditador Manoel Antonio Noriega. James Backer (Cole Hauser), um ex-fuzileiro naval de elite, é recrutado por seu ex-comandante Stark (Mel Gibson), agora trabalhando para a CIA, para uma perigosa missão no Panamá. Ele deverá negociar com gente da pesada a compra de um helicóptero russo que será doado para os rebeldes que lutam contra o ditador Daniel Ortega na Nicarágua. Pelo menos foi isso que eu entendi, pois a trama é bem complicada. Para amenizar toda essa confusão, o filme destina muitas cenas com mulheres bonitas em ambientes luxuosos, frequentados por gente que circula em torno do poder, como acontece em qualquer ditadura. Nesse clima de espionagem, como um James Bond qualquer, Becker acaba se apaixonando por Camila (Kiara Liz), uma bela morena colombiana cujo passado não a torna muito confiável. Entre algumas reviravoltas e cenas de ação de pouca credibilidade, o filme caminha para o seu desfecho sem entusiasmar o espectador mais exigente. Como em seus últimos filmes, o astro Mel Gibson é colocado nos materiais de divulgação como se ocupasse um personagem importante, quando na verdade faz um papel quase secundário na história. Resumo da ópera: um filme que não merece uma indicação entusiasmada.      

  

                     

 

Mais um desempenho genial do ator Tom Hanks em “O PIOR VIZINHO DO MUNDO” (“A MAN CALLED OTTO”), 2022, Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Mark Foster. Trata-se do remake do excelente “Em Man Som Heter Ove” (“Um Homem Chamado Ove”), de 2016, representante da Suécia no Oscar como Melhor Filme Internacional. Na adaptação com Tom Hanks, o personagem é Otto Anderson, um viúvo mal-humorado, rabugento e encrenqueiro, que mora em um condomínio fechado cercado de vizinhos que tentam manter certa distância do coroa de 63 anos. O clima começa a mudar quando chega uma família de imigrantes mexicanos, um casal com duas filhas e a mãe prestes a ter outra criança. Uma amizade improvável nasce entre Otto e os novos vizinhos. O humor negro é destacado com as tentativas malsucedidas de suicídio de Otto, deprimido desde a morte de sua esposa, há seis meses, além da aposentadoria compulsória decretada pela empresa em que trabalhava. Quando jovem, Otto é interpretado por Truman Theodore Hanks, filho de Tom na vida real. Completam o elenco Maria Treviño, Manuel Garcia, Cameron Britton, Juanita Jennings, Peter Lawson Jones e Mack Bayda, um ator trans que interpreta um personagem tal qual no filme, uma surpresa para mim sem se tratando da conservadora Hollywood. Trocando em miúdos, “O Pior Vizinho do Mundo” é muito bom, um entretenimento de primeira, valorizado pelo carisma de Tom Hanks. Não perca!  

  

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

 

“A LIGA” (“THE UNION”), 2024, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês Julian Farino, seguindo roteiro assinado por David Guggenheim e Joe Barton. Um filme de ação e comédia cuja história é centrada nas atividades de um grupo secreto de agentes intitulado “A Liga”, que presta serviços "por baixo do pano" para a CIA. Começa com um trabalhador da construção civil (papel de Mark Wahlberg) em New Jersey sendo recrutado por uma ex-namorada (Halle Berry) para trabalhar como espião numa arriscada missão na Europa: recuperar documentos sigilosos com a relação de agentes de vários países do ocidente. Mike (Wahlberg) é levado para a Inglaterra e treinado para ser um tipo James Bond, uma forçada de barra do roteiro, como tantas outras no transcurso da história. Aliás, uma história bem complicada, deixando o espectador meio perdido em vários momentos. A missão se estende por várias capitais da Europa, com muita pancadaria e ótimas cenas de ação, principalmente as perseguições numa estrada na costa da Croácia – na verdade, as filmagens aconteceram em Piran, uma pequena vila costeira na Eslovênia. Completam o elenco J.K. Simmons, Mike Colter, Alice Lee, Jessica De Gouw, Adware Akinnuoye-Agbage e Jackie Earle Haley. Trocando em miúdos, trata-se apenas de um filme de ação. Se formos considerar a história mirabolante e os diálogos de uma mediocridade ofensiva aos nossos neurônios, “A Liga” favorece o “Desliga”. Por incrível que possa parecer, deverá haver uma sequência, já que no desfecho o agente Mike é recrutado para uma nova missão. Por fim, seria injusto não elogiar a beleza da morena Halle Berry, ainda em grande forma aos 58 anos.  

terça-feira, 20 de agosto de 2024

 

“ELA DISSE” (“SHE SAID”), 2022, Estados Unidos, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta alemã Maria Schrader (“O Homem Ideal”, a minissérie “Nada Ortodoxa”), seguindo roteiro assinado por Rebecca Lenkiewicz. A história é baseada em fatos reais narrados no livro “Ela Disse: Os Bastidores da Reportagem que Impulsionou o #Me Too”, escrito por Megan Twohey e Jodi Kantor, jornalistas investigativas do jornal The New York Times. No dia 5 de outubro de 2017, Megan e Jodi publicaram uma reportagem bombástica, revelando os abusos sexuais praticados há anos pelo produtor Harvey Weinstein, um dos mais importantes de Hollywood. Com depoimentos de algumas vítimas de Weinstein, incluindo atrizes importantes como Rose McGowan, Gwyneth Paltrow e Ashley Judd, a reportagem fez com que outras mulheres tomassem coragem para denunciar Weinstein, chegando a mais de 80. No ano seguinte, o produtor seria preso, julgado e condenado a 25 anos de prisão. “Ela Disse” revela os passos das duas jornalistas do NYT desde que receberam a primeira denúncia, a procura por novas testemunhas, as reuniões com os editores, enfim, tudo o que envolveu o intenso trabalho investigativo que culminou com a revelação de um dos maiores escândalos que já ocorreram em Hollywood. O elenco é de primeira: Carey Mulligan, Zoe Kazan, Patricia Clarkson, Samantha Morton, Andre Braugher, Jennifer Ehle, Angela Yeoh e participação especial de Ashley Judd. Trocando em miúdos, “Ela Disse” é ótimo, tanto que foi eleito um dos melhores filmes de 2022 pelo American Film Institute. Imperdível!