domingo, 29 de dezembro de 2013

Nos anos 90, na pequena cidade australiana de Snowtown, a 140 km de Adelaide, um serial killer  mata dezenas de pessoas. A história desse assassino, considerado o maior monstro que já surgiu na Austrália, é mostrada no filme “Os Crimes de Snowtown” (“Snowtown”), de 2011. É um filme bastante desagradável de assistir, pois é realista demais nas cenas de sadismo e tortura. A produção australiana, dirigida por Justin Kurzel, mostra como John, o serial killer, vai viver na casa da namorada, uma mulher separada e com três filhos. John logo se torna o ídolo dos jovens, mas sua personalidade maléfica logo vem à tona. Só para se ter uma ideia, ele promove reuniões com o pessoal do bairro para planejar o assassinato de pedófilos e homossexuais. No meio do papo, o pessoal analisa e avalia várias sugestões de tortura e maneiras de matar. Não recomendo para quem tem estômago fraco. 
“In our Nature”, EUA, 2012, é um filme independente com Zach Gilford, Jena Malone, John Slattery e Gabrielle Union. Trata-se de um drama um tanto arrastado. Há diálogos interessantes, mas muito longos. Seth (Gilford) vai com a namorada (Jena) passar o final de semana na casa de campo do pai, Gil. Seth tem a intenção de pedir a moça em casamento. Só que Gil tem a mesma ideia de passar o final de semana na casa com a namorada bem mais jovem. O encontro dos dois casais vai desencadear uma série de desentendimentos, principalmente entre pai e filho, que não se dão bem há muito tempo. Reconciliá-los torna-se a missão das moças. O quarteto de atores é muito bom, com destaque para Jane Malone.
 

 
Mesmo não sendo tão bom quanto seu homônimo norte-americano, este “O Quarteto” (“Quartet”), de 2012, é uma comédia deliciosa. Trata-se do primeiro filme dirigido por Dustin Hoffman. Mas é no elenco de veteranos que o filme tem seu forte: Maggie Smith, Tom Courtenay, Pauline Collins e Billy Connolly. Eles vivem num asilo para músicos e cantores aposentados e se preparam para a grande apresentação do final de ano, “Rigoletto”. É quando chega a ex-diva da ópera interpretada por Maggie, que continua de nariz empinado mesmo depois de ficar pobre, e alguns fatos do passado precisarão ser revistos. O trabalho agora é convencer a arredia Maggie a participar.    
Misture as estrepolias dos Trapalhões e as confusões dos Três Patetas. Esses ingredientes estão na comédia francesa “A Mentira tem perna curta” (“Les Mythos”), de 2011. E, claro, nesses filmes sempre haverá uma mulher bonita, no caso a atriz belga Stéphanie Crayencour. Ela é filha de um magnata belga e para onde vai sempre tem um séquito de seguranças para protegê-la. Ela decide ir para Paris e, por engano, o assessor do magnata contrata três seguranças da pior qualidade, Moussa (Ralph Amoussou), Nico (Alban Ivanoff) e Karim (William Lebghile), que haviam perdido o emprego de seguranças num supermercado por incompetência. Dá pra rir de algumas situações, mas só vai agradar os fãs de comédias escrachadas.            
“Acima do Silêncio” (“Boven is het stil”), co-produção Holanda/Alemanha, 2013, de Nanouk Leopold, diretora holandesa que também dirigiu o cultuado “Movimento Browniano”. Helmer (Jeroen Willems) é um fazendeiro cinquentão que vive solitário numa pequena fazenda holandesa. Ele trabalha duro na fazenda, já que não tem empregados, e ainda por cima cuida do pai, velho e doente entrevado numa cama. Helmer não se queixa, mas seu semblante não esconde que é infeliz com essa vida. Um clima de tensão vai crescendo durante o filme e você acha que tudo vai acabar numa tragédia. Com a chegada de um jovem ajudante, porém, um segredo do passado de Helmer vai se revelar. Prepare-se: é um filme bastante melancólico, arrastado, feito de silêncios. Mas não deixa de ser interessante. 
“Busca Desesperada” (“Inescapable”),  co-produção Canadá/África do Sul de 2012. Adib (Alexander Siddig) saiu da Síria há mais de 20 anos e agora mora em Toronto (Canadá), onde trabalha numa firma de computação. Um dia, ele recebe um telefonema de Damasco (Síria) informando que sua filha mais velha, Muna, fotógrafa profissional, está desaparecida. Ele tem certeza  que ela foi sequestrada. Adib resolve ir para Damasco procurar a filha e durante essa viagem vai se defrontar com os fantasmas do passado, já que era ligado à Polícia Secreta da Síria, além de rever um grande amor. Um suspense legal, com alguma ação, reviravoltas e muitas intrigas. Marisa Tomei e Joshua Jackson também estão no elenco. 

Misto de comédia dramática e humor negro, “A Estranha Família de Igby” (“Igby goes down”), de 2002, dá a oportunidade, a quem interessar, de assistir a um ótimo filme. Além disso, é delicioso conferir também o início da carreira de atores como Kieran Culkin, Claire Danes, Amanda Peet e Ryan Phllippe. É a história do jovem Igby (Culkin) e de seu irmão (Ryan), filhos de um pai esquizofrênico (Bill Pullman) e de uma mãe (Susan Sarandon) que está à beira da morte com câncer.  Os dois jovens vão morar longe dos pais e terão a oportunidade de amadurecer na prática. Igby é menos certinho que o irmão e, por isso, vai passar por situações difíceis e outras bastante prazerosas, como dividir os lençóis com Amanda Peet e Claire Danes. Aliás, ambas estão bem bonitas e sensuais.

São raras as comédias românticas que demonstram um mínimo de inteligência. “Um beijo a mais” (“The last kiss”) é uma dessas exceções. Trata-se de uma produção americana de 2006 com Zach Braff, Jacinda Barret, Casey Affleck, Tom Wilkinson e Blythe Canner. A trama envolve os relacionamentos amorosos de quatro amigos. Cada qual com seus problemas, tudo levado no maior bom humor e em ritmo de comédia. Ninguém está livre de uma crise conjugal parece ser a mensagem principal do filme. Quem parece estar de bem com a vida e com a mulher é o personagem de Zach, prestes a ser pai. Até que aparece uma estudante assanhada para atiçar o rapaz. Como a carne é fraca (não deve ser Friboi), o cara entra na maior enrascada. As situações são ótimas e você vai rir bastante. 
 “Dose Dupla” (“2 Guns”), de 2013, é um filme de ação com Denzel Washington, Mark Wahlberg, Paula Patton, Bill Paxton, Fred Ward e Edward James Olmos.  Bobby (Denzel) é um policial da Narcóticos e Stig (Wahlberg) é agente do setor de inteligência da Marinha. Só que um não sabe da verdadeira identidade do outro.  Os dois trabalham juntos há dez meses e tentam se infiltrar no cartel de drogas de um traficante mexicano (Olmos). Não dá certo e eles então resolvem roubar um banco – não se deve levar a sério o enredo um tanto fantasioso. No meio, até a CIA quer o dinheiro roubado. Tem bastante ação, humor, tiros, pancadaria e mulher bonita (a morenaça Paula Patton está irresistivelmente sensual). Programa para curtir com um saco de pipoca na mão.  
“O Jogo Mortal” (“The Deadly Game”) é um suspense policial inglês com trama bastante intrincada. Criminoso (Tony Stephens) se vê naquela situação “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Ele é perseguido por um policial violento e sem escrúpulos (Rufus Swell) e por um chefe mafioso poderoso (Gabriel Byrne). Conchavos e intrigas não faltam. Os ambientes são todos chiques, não tem pobreza no filme. Os policiais se locomovem numa Range Rover, todo mundo almoça e janta em restaurantes cinco estrelas. E a única personagem feminina do filme é a da maravilhosa atriz espanhola Elsa Pataki. Enfim, o filme é muito bom, prende a atenção até o fim e tem suas reviravoltas, como todo bom policial deve ter. 


“O pecado de Hadewijch” (“Hadewijch”), produção francesa de 2009, não é muito fácil de ver. É um tanto arrastado, triste. Mas é um filme muito forte. Conta a história da adolescente Celine (Julie Sokolowski), estudante de Teologia que pretende ser freira. Só que ela não segue as regras do convento. A madre a envia para casa (na verdade uma mansão, já que o pai é um importante ministro francês). Celine é católica fervorosa, mas diz que sente a falta da presença de Deus. Ela então conhece um jovem desocupado africano que a apresenta ao irmão, professor da religião muçulmana. Celine, mais perdida do que cego em tiroteio, arrasta suas asas para o Islã. E aí, tudo é possível. O filme é baseado na história verídica da cristã holandesa Badewijch de Antuérpia, que viveu no século 13.  

“Simplesmente uma Mulher” (“Just like a woman”), de 2013, lembra muito “Thelma & Louise”, filme de 1991 com Susan Sarandon e Geena Davis. Marilyn (Sienna Miller) sofre uma desilusão amorosa e Mona (a iraniana Golshifteh Farahani) é maltratada pela sogra árabe pelo fato de não poder ter filhos. As duas resolvem fugir dos problemas e pegar a estrada para sair de Chicago. Para faturar uma graninha, se apresentam em números de dança do ventre em bares de quinta categoria. Uma delas – não vou dizer qual – é acusada de assassinato e passa a ser procurada pela polícia. O filme nada mais é do que um road movie, que se salva pela beleza e charme da dupla de protagonistas, principalmente Sienna Miller. Se você gosta de road movies, prefira rever “Thelma & Louise”, que ainda por cima tem Brad Pitt em início de carreira.
 “Faça chuva ou faça sol” (“Come rain, come shine”), produção inglesa de 2010 feita para TV, conta a história de Don, um velho estivador aposentado que vive tranquilamente com a esposa num subúrbio de Londres.  Ele morre de orgulho pelo filho, que trabalha no ramo imobiliário e está nadando em dinheiro. A filha vive um relacionamento tempestuoso e problemático com um imigrante africano. Com o tempo, o filho perde tudo e é obrigado a morar com a esposa e o filho na casa dos pais. Aí a coisa pega. O filho revela-se um picareta e mulherengo e o relacionamento familiar transforma-se num drama e num cenário conflituoso que não têm tamanho. O elenco, à frente David Janson e Alison Steadman,  é um tanto desconhecido para nós. Você vê o filme e se pergunta: “Até que ponto seremos capazes de nos sacrificar por amor aos nossos filhos?”. Veja o filme e responda.
“Trem Noturno para Lisboa” (“Comboio Noturno para Lisboa” ou “Night Train do Lisbon”) conta a história de um professor de Latim, Raimund Gregorius (Jerome Irons) em Berna, Suíça, que fica obcecado por um escritor português chamado Amadeu de Prado, depois de encontrar um livro escrito pelo gajo nos pertences de uma garota que tentou o suicídio e que ele salva. O professor resolve ir para Lisboa e conhecer melhor a vida do escritor, falecido há muitos anos. O enredo tem como pano de fundo a ditadura de Salazar. O elenco é sensacional. Além de Irons, tem Bruno Ganz, Melanie Laurent, Charlotte Rampling, Christopher Lee, Lena Olin, Martina Gedeck e Jack Huston. A direção é do sueco Bille August. Um filme muito interessante para quem tem um gosto mais refinado.  
“A Marca” (“Twisted”), de 2004, tem como protagonistas principais a linda Ashley Judd, Samuel L. Jackson e Andy Garcia. Depois de prender um criminoso procurado há tempos, a policial Jéssica (Ashley) é promovida a inspetora do Depto. de Homicídios. Só que ela tem um defeito: é meio ninfomaníaca, chegada num sexo casual. De uma hora para outra, seus parceiros de cama começam a aparecer mortos. Ela começa a investigar os crimes e, no final do filme, vai encarar uma nua e cruel realidade, numa reviravolta que ninguém espera e que valoriza ainda mais esse bom drama policial que vale a pena ser revisto, ainda mais pela presença de Ashley Judd em grande forma. 

“Temporada de Caça” (“Killing Season”), 2013, reúne John Travolta e Robert De Niro. Travolta faz um soldado sérvio que, 18 anos depois do término da Guerra da Bósnia, vai para os EUA atrás do oficial do Exército dos EUA, Benjamim Ford (De Niro) para se vingar. Encontram-se - ninguém explica como o sérvio encontra o oficial -perto da cabana onde Benjamim mora, no meio da floresta. Segue um longo e interminável embate entre os dois, que se revesam em torturar um ao outro, em cenas que caberiam bem num filme trash. Travolta está ridículo tentando falar inglês com sotaque sérvio. E pior: fizeram uma maquiagem nele que ficou parecendo um boneco de ventríloquo. Apesar da presença dos dois grandes astros, o filme é muito fraco.

“Meu Irmão, o Diabo” (“My Brother the Devil”), de 2012, é o filme de estreia da jovem diretora Sally El Hosaini. E que estréia! Faturou inúmeros prêmios em festivais de cinema pelo mundo inteiro em 2012 e 2013, inclusive em Berlim e Sundance. Conta a história de uma família árabe tradicional que mora no bairro egípcio de Londres. Seus dois jovens filhos, Mo e Rashid, envolvem-se e têm amizades com o pessoal das gangues formadas, em sua maioria, por descendentes de imigrantes. A admiração de Mo em relação ao irmão mais velho, Rashid, vai acabar em decepção depois de um flagrante surpreendente. Realmente, um filme muito bom, impactante, realista. Merece ser visto.
A morte de um transexual e o acidente com um caminhão ocorridos no mesmo local são um mistério e um novo desafio para o xerife Darl (Billy Bob Thornton), da pequena cidade de La Salle, interior da Louisiana. Este é o ponto de partida para o filme policial “Protegido pela Lei” (“The Badge”), de 2002, que conta ainda no elenco com uma turma de “ve teranos” e bons atores como Patrícia Arquette, William Devane e Sela Ward, esta última uma das atrizes mais bonitas e charmosas do cinema. Thornton faz um xerife cínico e canastrão, um papel que lhe cai como uma luva. Mesmo sem os ingredientes tradicionais do gênero policial, ou seja, tiroteios, pancadarias e perseguições de carro, o filme vale a pena.

Quem sofre de claustrofobia jamais poderá assistir a este “Desvio” (“Detour”), filme americano de 2013. Afinal, em  pelo menos 90% do filme o sujeito é filmado confinado dentro de um carro soterrado por uma avalanche do morro que atingiu a estrada. O mais estranho – pra mim a maior falha do filme - é que a estrada fica totalmente bloqueada e não aparecem os bombeiros ou o pessoal da defesa civil para verificar se algum carro ou alguém ficou soterrado. O cara faz de tudo pra sobreviver. Se vai conseguir, só vendo o filme. Quem quiser arriscar a ver, fique à vontade.

“Código de Honra” (“Puncture”), de 2011, é um bom filme de suspense que trata de um assunto bastante sério: os acidentes que ocorrem nos hospitais com médicos e enfermeiras que se picam com agulhas de seringas e acabam se contaminando. Chris Evans (o “Capitão América”) faz um advogado de um pequeno escritório de advocacia que encara uma ação para defender um modesto fabricante de uma seringa totalmente segura que não consegue vendê-la aos hospitais dos EUA por causa da pressão de um gigante farmacêutico. O filme é baseado em fatos reais, o que torna a história ainda mais saborosa. Chris Evans mostra que pode ser um bom ator fora dos filmes de ação.

“Luz do Dia” (“Daglicht”), de 2013, é um suspense muito bom. O filme é holandês e conta a história de uma advogada, mãe solteira, que tem um filho autista e que, sem querer, descobre um segredo cabeludo envolvendo sua mãe. Mas será só a ponta do iceberg. Mais revelações acontecem. Sem o luxo de uma babá para cuidar do filho especial, a advogada o carrega pra tudo que é lado. Até nos momentos de tensão e de perigo, lá estão os dois juntos. A trama segura você na cadeira do começo ao fim. O diretor é Diederik van Rooijen e os principais atores são Fedja van Huet e Derek de Lint. Filmaço!

“Os nomes do amor” (“Le nome des gens”), produção francesa de 2010, é uma comédia romântica. Mas não é uma comédia romântica tradicional.  Embora o foco principal seja a conturbada relação entre Bahia e Arthur Martin, o filme discute a política francesa, a situação dos imigrantes, a situação econômica da Europa etc. Bahia é filha de um imigrante argelino com uma ex-hippie francesa. Ela é ativista de esquerda e tem como hábito tentar converter os direitistas por intermédio de sexo. Ela é desinibida demais, a ponto de andar nua na rua. Parece uma cena surreal, fora do contexto do filme. Essa mania de Bahia fazer o que bem entende, como se pudesse tudo, é irritante. O filme tem alguns diálogos interessantes e situações divertidas. E só. Sara Forestier (Bahia) e Jacques Gamblin (Martin) encabeçam o elenco, sob a direção de Michel Leclerc.