domingo, 22 de dezembro de 2013

Quem tem mais de 60 vai lembrar: Linda Lovelace foi uma das maiores estrelas do cinema pornô no início da década de 70. Ela virou celebridade quando filmou "Garganta Profunda" ("Deep Throat"), em 1972, um filme que foi o maior sucesso no mundo inteiro. Toda essa história é lembrada no recém-lançado "Lovelace", com a atriz Amanda Seyfried no papel-título. Como não custa lembrar, a personagem no filme vai ao médico para descobrir a razão de sua frigidez. Descobre que o seu Ponto G está localizado na garganta. Daí pra frente dá pra imaginar. O filme original é muito bem-humorado. "Lovelace" é interessante por contar toda essa história. Amanda, de cabelos escuros, não está tão bonita, mas sua entrega ao papel é total.


Sabe aquele filme pra guardar no lado esquerdo do peito? Pois é, esse filme é "O Verão do Skylab" ('Le Skylab"), de 2011, o quinto dirigido pela diretora/atriz francesa Julie Delpy. Conta o encontro de uma grande família em torno do aniversário de uma bisavó na Bretanha. A família é grande, muitos tios, primos, cunhados, filhos etc. O Skylab do título é referência à 1ª estação espacial norte-americana, que em 1979 (ano em que se passa a história) ameaçava cair sobre a Bretanha (caiu no Oceano Índico). Você vai adorar os personagens, desde as crianças até os adultos. A trilha sonora é uma delícia. Um filme sensível, nostálgico, alegre, divertido. Enfim, imperdível!


"Jag Etter Vind" - alguém traduziu aqui por "De Volta ao Começo" - é um belo drama norueguês de 2013. Anna volta para sua cidade natal, depois de 10 anos, para o enterro da avó. Ela vai se confrontar com o avô mal-humorado, curar algumas feridas do passado, desvendar alguns segredos da família e rever um antigo amor. O cenário das locações é um dos pontos altos da produção. Um filme sensível como poucos.


"Um porco em Gaza" ("Le cochon de Gaza") é uma co-produção França/Bélgica/Alemanha, de 2011, uma comédia que conta a história de Jaafar, um pescador palestino residente na Faixa de Gaza. Pobre e azarado, devendo o aluguel de casa, ele um dia "pesca" um porco na rede. Como esse animal é considerado impuro tanto por palestinos como por israelenses, Jaafar passa por várias situações cômicas para escondê-lo, ainda mais que começa a ganhar dinheiro contrabandeando o esperma do porco para fazendeiros de um assentamento israelense. O filme tem muitos outros lances legais. A mulher de Jaafar, por exemplo, assiste na TV a novela brasileira "Avenida Brasil" junto com um soldado israelense de um posto fronteiriço perto da sua casa. Dá pra imaginar? 
Premiado em vários festivais, "A Cor do Paraíso" ("Rang-e Khoda") é um filme iraniano de 1999 dirigido por Majid Majidii. Tem lá seus momentos de poesia, outros comoventes, mas no geral é muito triste. O nome do filme poderia até ser "Desgraça pouca é bobagem". Conta a história de um menino cego que o pai tenta esconder para que ele (o pai) possa casar com uma moça de família islâmica, cuja cultura acha de mau agouro ter por perto uma pessoa com deficiência. Um drama bastante pesado, culminando com uma baita tragédia. 


Sexo, drogas, rock-in-roll, drama, suspense. Enfim, o filme "Plush" reúne tudo isso. É um filme norte-americano recém-lançado no circuito e conta a história de uma estrela do rock que, embora casada e com dois filhos, tem caso com o guitarrista da banda. O marido descobre, o amante fica obsessivo e aí a coisa desanda. O filme é bem-feito e tem na direção a mesma diretora de "Crepúsculo" e "A Garota da Capa Vermelha", Catherine Hardwicke. No elenco, Emily Browning, Cam Gigandet e Xavier Samuel. Tentei descobrir o que significa a palavra "Plush" e não descobri. Pra resumir: é um filme bem legal.
Nunca fui muito fã de filmes de terror. Pra tomar susto, basta olhar o meu extrato bancário... Mas quando o filme é bem feito, vale a pena conferir. Por isso, recomendo "Invocação do Mal" ("The Conjuring"), 2013, um filmaço do gênero, sem efeitos especiais (o que estraga qualquer filme) e muitos sustos. De eriçar os pelos da nuca. Melhor ainda: baseado em fatos reais. Conta a história da família Perron (casal e cinco filhas), que em 1971 foi morar numa casa na cidade de Harrisville, em Rhode Island (EUA). Fantasmas são despertados e a família chama um casal de especialistas em forças sobrenaturais. Os mais conhecidos do elenco: Patrick Wilson, Lili Taylor e Vera Farmiga.


"Uma mente assassina” (“Lautlos"), conhecido também por "Soudless", é um filme alemão de 2004. Peguei e assisti por curiosidade e não me arrependi. Um filmaço, um policial psicológico com muita ação e suspense. Assassino profissional acaba se apaixonando por uma eventual testemunha e sofre uma perseguição implacável por parte da polícia. A atriz principal é a loiraça Nadja Uhl e o assassino é feito pelo ator Joachim Król. Quem falou que só Hollywood sabe fazer policial?


Quem já viu alguns filmes russos já sabe: lá vem drama, melancolia, paisagens gélidas em meio à neblina, cenas arrastadas, contemplativas, pessoas sofridas, tristes etc. "Almas Silenciosas", de 2010, não é diferente. Mas quem tiver paciência de seguir adiante, até o fim, vai ver um filme muito interessante, até bonito. Aliás, o filme ganhou prêmio de fotografia no Festival de Veneza de 2010. Os personagens principais seguem algumas tradições dos mérias, uma etnia de origem escandinava, provavelmente ligados aos vikings, o que dá a entender a forma como o personagem principal faz o enterro da esposa.
O diretor grego Costa-Gravas continua em plena forma aos 80 anos. Em seu último filme, de 2012, o francês "O Capital" ("Le Capital"), ele faz uma crítica feroz ao sistema financeiro. Mostra os bastidores e as intrigas de uma disputa de poder dentro de um grande banco francês, envolvendo seu principal acionista, um grupo norte-americano, e a diretoria francesa. "Vamos demitir, pois assim as ações sobem e os acionistas ficam satisfeitos", "Vamos empobrecer mais os pobres e enriquecer ainda mais os ricos", "O dinheiro é um cão que não precisa de carinho", são algumas das frases mais delicadas proferidas pelos milionários engravatados. Numa reunião com os acionistas, o novo presidente diz em seu discurso: "Serei o Robin Hood dos ricos". A plateia de acionistas aplaude de pé. Ótimo elenco num filme espetacular. Só pra lembrar: Gavras dirigiu "Z", "Missing", "A Confissão" e outros filmaços.
A convivência diária e a amizade por anos entre pessoas ou famílias podem desencadear paixões e amores inusitados. E conflitos, claro. É só assistir "Amor sem Pecado" ("Adore") que você vai comprovar tudo isso. Não vou entrar em detalhes para não estragar as surpresas, mas a co-produção França/Austrália é um filmaço imperdível. Os cenários são deslumbrantes. Tem a direção da francesa Anne Fontaine e conta no elenco com as belas e competentes Robin Wright e Naomi Watts, ambas em grande forma, física e artística. A história é baseada no livro "As Avós", de Doris Lessing. Obrigatório para quem curte cinema de qualidade.
Esqueça tudo o que você já leu no noticiário sobre casos de bullyng. No filme mexicano "Depois de Lúcia" ("Después de Lucía"), de 2012, você vai ver o que é um bullyng levado ao extremo. Depois da morte da mãe, a jovem Alejandra e o pai mudam-se de Puerto Vallarta para a Cidade do México. E é no novo colégio que ela vai encontrar o inferno. O que fazem com a jovem é mais do que bullyng: é maldade pura. O pior é que deve haver casos semelhantes no mundo inteiro, inclusive por aqui. Aviso que não é um filme agradável. Muito abuso físico e psicológico Mas é um filme interessante. Tanto que até ganhou o Prêmio "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes. Se você tem estômago fraco, não veja.

Desde criança, a inglesa Enid Blyton escrevia história infantis. Tinha uma imaginação fértil e era muito criativa. Mais tarde, dos anos 40 aos 70, tornou-se escritora famosa e vendeu milhões de livros na Inglaterra e no mundo inteiro. Na vida real, porém, tinha um gênio complicado. Adorava crianças, mas detestava as próprias filhas. Também maltratava o primeiro marido, a quem traiu, e também o segundo. Esse lado tenebroso da escritora é o tema central do filme "Enid", produção da TV inglesa (2009) com a atriz Helena Bonham Carter. Essa história, a caracterização de época e o desempenho de Bonham Carter tornam o filme bastante interessante.


Fazia tempo que eu não via um filme tão forte. Não forte pornográfico, mas forte na sua mensagem. "Desligados" ("Disconnect") é um filme americano de 2012 que faz a gente refletir sobre os perigos que corremos ao nos expormos demais pela Internet, seja quando entramos em chats de bate-papo, usamos cartão de crédito/débito para compras ou para pagar apostas de jogos, ou pornografia. As consequências, como mostra o filme, podem terminar em tragédia. São três histórias narradas em paralelo e que caminham num clima de grande suspense até um final arrebatador. O diretor Henri-Alex Rubin, jovem de 39 anos, é craque. O elenco também é uma atração à parte: Jason Bateman, Hope Davis, Paula Patton, Andrea Riseborough e Alexander Skarsgard. É muito bom. Se você tiver filhos adolescentes, veja com eles. 
Quem conhece a obra de François Ozon sabe que o jovem diretor francês (46 anos) é um dos mais brilhantes, criativos e geniais do cinema atual. "Dentro da Casa" ("Dans la maison"), lançado no ano passado, é uma pequena obra-prima. Um filme inteligente, intrigante, um suspense psicológico de altíssimo nível, com destaque para os diálogos sobre literatura entre o professor e aluno. Não vou entrar em detalhes para não estragar as surpresas. O elenco só tem fera: Fabrice Luchini, Kristin Scott Thomas (pra mim, a atriz mais charmosa do cinema) e Emmanuelle Seigner. O ator Ernest Umhauer, que faz o aluno "adotado" pelo professor, é excelente. "Dentro de Casa" é um filmaço, pra mim o melhor de Ozon.
Quando foi lançado, em 2007, não tive vontade de assistir "Paranoid Park", dirigido por Gus Van Sant. Afinal, a história girava em torno de skatistas adolescentes na cidade de Portland. O tema não me atraiu e acabei não vendo. No começo deste ano, depois de ver o ótimo "Inquietos", do mesmo diretor, peguei por curiosidade este "Paranoid Park". É um filme bastante interessante, tem suspense psicológico, imagens muito bonitas e algumas homenagens especiais, como à trilha sonora de Nino Rotta para "Amarcord", obra-prima de Fellini. Gus Van Sant também fez, entre outros, "Gênio Indomável" e "Milk". O melhor de todos, pra mim, ainda é "Inquietos".


"Um final de semana em Hyde Park" ("Hyde Park on Hudson") é uma produção inglesa de 2012, com Bill Murray e Laura Linney. Murray interpreta o ex-presidente Roosevelt e Linney sua prima - e amante. Roosevelt, mesmo vítima da poliomielite, era o maior mulherengo. O filme é baseado nos diários de Deise Suckley, sua prima, que entrega o romance. No tal final de semana de que fala o título, em junho de 1939, Roosevelt recebe a visita do Rei George VI e da Rainha Elizabeth, da Inglaterra. Essa visita tem momentos hilariantes, como aquele em que o presidente dos EUA apresenta, num piquenique, o hot-dog aos visitantes reais. Os diálogos de bastidores são ótimos.  Num deles, o Rei George diz a Roosevelt: "Odeio minha gagueira". Roosevelt responde: "Odeio minha poliomielite". Um filme que vale a pena ser visto.
 "Inch'Allah" é uma produção canadense de 2012. Um dos melhores filmes que já vi sobre o conflito israelenses x palestinos. Chloé, uma jovem médica canadense, mora em Jerusalém com uma amiga judia e trabalha num posto médico de uma organização humanitária que atende palestinos em Ramallah, do outro lado da fronteira. Convive, portanto, com os dois lados da encrenca, tem amigos judeus e palestinos. Chega uma hora em que ela resolve sair de cima do muro e ajudar um dos lados. Do início ao fim, o filme transmite o clima de tensão típico daquela região. De um lado, os ataques terroristas, do outro, a repressão. O filme tem como protagonista principal a ótima atriz canadense Evelyne Brochu. A diretora Anaïs Barbeau-Lavalette é a mesma do também imperdível "Incêndios", de 2010. 
"A Caminho de Kandahar" ("Saar e Gandehar") é uma co-produção França/Irã 2001. Conta a história, baseada em fatos reais, da jornalista afegã Nafas, que está refugiada no Canadá desde a revolução dos talibãs, em 1996. Depois de receber uma carta da irmã mais nova, que ficou no Afeganistão, ameaçando se matar, Nafas tenta voltar clandestinamente pela fronteira do Irã. Como é jornalista, está proibida de entrar no país. O filme é um drama meio road-movie, meio documentário, e quem acompanhar a viagem de Nafas vai conhecer muito das tradições, costumes e tragédias do povo afegão. Só a protagonista que faz Nafas, Niloufar Pazira, é atriz. O diretor, considerado "cult", é o iraniano Mohsen Makhmalbaf. Vale a pena ver para entender como era viver no Afeganistão dos talibãs.


Não curto curtas. Há quem curta. Pois sem querer e sem saber que era, peguei um curta para assistir. Chama-se "Death of a Shadow" ("Morte de uma Sombra", ou, no original, "Dood van een Schaduw"). Tem 20 minutos e concorreu ao Oscar 2013 para Melhor Curta-Metragem de Ação. É uma produção belga e conta uma história maluca. Um cara é contratado para captar 10 mil sombras de pessoas mortas. Detalhe: tem que ser na hora das respectivas mortes. Mais um detalhe: o "fotógrafo" é um soldado morto na 1ª Guerra Mundial. E por aí vai a maluquice. Se fizerem uma avaliação psiquiátrica no diretor Tom Van Avermaet, acho que ele não sai tão cedo do hospício.

A França, há tempos, está fazendo o melhor cinema do mundo. Mais uma prova disso é o drama "Um Novo Caminho" ("Le Dernier Pour la Route"), de 2009, estrelado por François Cluzet (o tetraplégico de "Intocáveis"). Ele faz o jornalista Hervé, que por iniciativa própria interna-se numa clínica de reabilitação para alcoólatras. O sistema de tratamento é a terapia em grupo. O filme é baseado no livro autobiográfico do jornalista Hervé Chabalier e mostra a convivência entre os internos do grupo de Hervé, as reuniões com psicólogos e médicos e os dramas de cada um. Um filme sério, inteligente e esclarecedor. O elenco é ótimo. François Cluzet é um dos maiores atores franceses da atualidade, ao lado de Daniel Auteuil e Patrice Lucchini. Resumindo, "Um Novo Caminho" é imperdível.  





 
O Rio Mississipi serve como cenário para "Amor Bandido" ("Mud"), um drama muito bem feito e dirigido por Jeff Nichols ("O Abrigo"). É a história de dois adolescentes que se tornam amigos de um cara (Mud) que é procurado por assassinato. O galã Matthew McConaughey faz o Mud. Os dois meninos, principalmente Tye Sheridan (Ellis), são ótimos atores e são a alma do filme, que fala de amadurecimento, fim da inocência e amizade. O elenco tem ainda Reese Witherspoon, Sam Shepard e Michael Shannon. No decorrer do filme a tensão vai aumentando e você vai sentindo que a coisa pode não acabar bem. Um filmaço que merece ser conferido.