
domingo, 22 de dezembro de 2013

Sabe aquele filme pra guardar no lado esquerdo do
peito? Pois é, esse filme é "O Verão do Skylab" ('Le
Skylab"), de 2011, o quinto dirigido pela diretora/atriz francesa Julie
Delpy. Conta o encontro de uma grande família em torno do aniversário de uma
bisavó na Bretanha. A família é grande, muitos tios, primos, cunhados, filhos
etc. O Skylab do título é referência à 1ª estação espacial norte-americana, que
em 1979 (ano em que se passa a história) ameaçava cair sobre a Bretanha (caiu
no Oceano Índico). Você vai adorar os personagens, desde as crianças até os
adultos. A trilha sonora é uma delícia. Um filme sensível, nostálgico, alegre,
divertido. Enfim, imperdível!
"Jag Etter Vind" - alguém traduziu aqui por "De Volta ao Começo" - é um
belo drama norueguês de 2013. Anna volta para sua cidade natal, depois de 10 anos,
para o enterro da avó. Ela vai se confrontar com o avô mal-humorado, curar
algumas feridas do passado, desvendar alguns segredos da família e rever um
antigo amor. O cenário das locações é um dos pontos altos da produção. Um filme
sensível como poucos.
"Um porco em Gaza" ("Le cochon de
Gaza") é uma co-produção França/Bélgica/Alemanha, de 2011,
uma comédia que conta a história de Jaafar, um pescador palestino residente na
Faixa de Gaza. Pobre e azarado, devendo o aluguel de casa, ele um dia
"pesca" um porco na rede. Como esse animal é considerado impuro tanto
por palestinos como por israelenses, Jaafar passa por várias situações cômicas
para escondê-lo, ainda mais que começa a ganhar dinheiro contrabandeando o
esperma do porco para fazendeiros de um assentamento israelense. O filme tem
muitos outros lances legais. A mulher de Jaafar, por exemplo, assiste na TV a
novela brasileira "Avenida Brasil" junto com um soldado israelense de
um posto fronteiriço perto da sua casa. Dá pra imaginar?

Sexo, drogas,
rock-in-roll, drama, suspense. Enfim,
o filme "Plush" reúne tudo isso. É um filme norte-americano
recém-lançado no circuito e conta a história de uma estrela do rock que, embora
casada e com dois filhos, tem caso com o guitarrista da banda. O marido
descobre, o amante fica obsessivo e aí a coisa desanda. O filme é bem-feito e
tem na direção a mesma diretora de "Crepúsculo" e "A Garota da
Capa Vermelha", Catherine Hardwicke. No elenco, Emily Browning, Cam
Gigandet e Xavier Samuel. Tentei descobrir o que significa a palavra "Plush"
e não descobri. Pra resumir: é um filme bem legal.
Nunca fui muito fã de filmes de terror. Pra tomar
susto, basta olhar o meu extrato bancário... Mas quando o filme é bem feito,
vale a pena conferir. Por isso, recomendo "Invocação do Mal" ("The
Conjuring"), 2013, um filmaço do gênero, sem efeitos especiais (o que
estraga qualquer filme) e muitos sustos. De eriçar os pelos da nuca. Melhor
ainda: baseado em fatos reais. Conta a história da família Perron (casal e
cinco filhas), que em 1971 foi morar numa casa na cidade de Harrisville, em
Rhode Island (EUA). Fantasmas são despertados e a família chama um casal de
especialistas em forças sobrenaturais. Os mais conhecidos do elenco: Patrick
Wilson, Lili Taylor e Vera Farmiga.



A convivência diária e a amizade por anos entre
pessoas ou famílias podem desencadear paixões e amores inusitados. E conflitos,
claro. É só assistir "Amor sem Pecado" ("Adore") que
você vai comprovar tudo isso. Não vou entrar em detalhes para não estragar as
surpresas, mas a co-produção França/Austrália é um filmaço imperdível. Os cenários são deslumbrantes. Tem a
direção da francesa Anne Fontaine e conta no elenco com as belas e competentes
Robin Wright e Naomi Watts, ambas em grande forma, física e artística. A história é baseada no livro "As Avós",
de Doris Lessing. Obrigatório para quem curte cinema de qualidade.
Esqueça tudo o que você já
leu no noticiário sobre casos de bullyng. No filme mexicano "Depois de Lúcia" ("Después
de Lucía"), de 2012, você vai ver o que é um bullyng levado ao extremo.
Depois da morte da mãe, a jovem Alejandra e o pai mudam-se de Puerto Vallarta
para a Cidade do México. E é no novo colégio que ela vai encontrar o inferno. O
que fazem com a jovem é mais do que bullyng: é maldade pura. O pior é que deve
haver casos semelhantes no mundo inteiro, inclusive por aqui. Aviso que não é
um filme agradável. Muito abuso físico e psicológico Mas é um filme
interessante. Tanto que até ganhou o Prêmio "Um Certo Olhar" no
Festival de Cannes. Se você tem estômago fraco, não veja.

Fazia
tempo que eu não via um filme tão forte. Não forte pornográfico, mas forte na
sua mensagem. "Desligados"
("Disconnect") é um filme americano de 2012 que faz a gente refletir
sobre os perigos que corremos ao nos expormos demais pela Internet, seja quando
entramos em chats de bate-papo, usamos cartão de crédito/débito para compras ou
para pagar apostas de jogos, ou pornografia. As consequências, como mostra o
filme, podem terminar em tragédia. São três histórias narradas em paralelo e
que caminham num clima de grande suspense até um final arrebatador. O diretor
Henri-Alex Rubin, jovem de 39 anos, é craque. O elenco também é uma atração à
parte: Jason Bateman, Hope Davis, Paula Patton, Andrea Riseborough e Alexander
Skarsgard. É muito bom. Se você tiver filhos adolescentes, veja com eles.
Quem conhece a obra de François Ozon sabe que o jovem diretor francês
(46 anos) é um dos mais brilhantes, criativos e geniais do cinema atual. "Dentro da Casa" ("Dans
la maison"), lançado no ano passado, é uma pequena obra-prima. Um filme
inteligente, intrigante, um suspense psicológico de altíssimo nível, com
destaque para os diálogos sobre literatura entre o professor e aluno. Não vou
entrar em detalhes para não estragar as surpresas. O elenco só tem fera:
Fabrice Luchini, Kristin Scott Thomas (pra mim, a atriz mais charmosa do
cinema) e Emmanuelle Seigner. O ator Ernest Umhauer, que faz o aluno
"adotado" pelo professor, é excelente. "Dentro de Casa" é um filmaço, pra mim o melhor de Ozon.

"Um final de semana em Hyde Park" ("Hyde Park on Hudson") é uma produção
inglesa de 2012, com Bill Murray e Laura Linney. Murray interpreta o
ex-presidente Roosevelt e Linney sua prima - e amante. Roosevelt, mesmo vítima
da poliomielite, era o maior mulherengo. O filme é baseado nos diários de Deise
Suckley, sua prima, que entrega o romance. No tal final de semana de que fala o
título, em junho de 1939, Roosevelt recebe a visita do Rei George VI e da
Rainha Elizabeth, da Inglaterra. Essa visita tem momentos hilariantes, como aquele
em que o presidente dos EUA apresenta, num piquenique, o hot-dog aos visitantes
reais. Os diálogos de bastidores são ótimos. Num deles, o Rei George diz a Roosevelt: "Odeio minha gagueira". Roosevelt responde: "Odeio minha poliomielite". Um filme que vale a pena ser
visto.
"Inch'Allah" é uma produção canadense de 2012. Um dos melhores
filmes que já vi sobre o conflito israelenses x palestinos. Chloé, uma jovem
médica canadense, mora em Jerusalém com uma amiga judia e trabalha num posto
médico de uma organização humanitária que atende palestinos em Ramallah, do outro
lado da fronteira. Convive, portanto, com os dois lados da encrenca, tem amigos
judeus e palestinos. Chega uma hora em que ela resolve sair de cima do muro e
ajudar um dos lados. Do início ao fim, o filme transmite o clima de tensão
típico daquela região. De um lado, os ataques terroristas, do outro, a
repressão. O filme tem como protagonista principal a ótima atriz canadense
Evelyne Brochu. A diretora Anaïs Barbeau-Lavalette é a mesma do também
imperdível "Incêndios", de 2010.
"A Caminho de Kandahar"
("Saar e Gandehar") é uma co-produção França/Irã 2001. Conta a
história, baseada em fatos reais, da jornalista afegã Nafas, que está refugiada
no Canadá desde a revolução dos talibãs, em 1996. Depois de receber uma carta
da irmã mais nova, que ficou no Afeganistão, ameaçando se matar, Nafas tenta
voltar clandestinamente pela fronteira do Irã. Como é jornalista, está proibida
de entrar no país. O filme é um drama meio road-movie, meio documentário, e
quem acompanhar a viagem de Nafas vai conhecer muito das tradições, costumes e
tragédias do povo afegão. Só a protagonista que faz Nafas, Niloufar Pazira, é
atriz. O diretor, considerado "cult", é o iraniano Mohsen Makhmalbaf.
Vale a pena ver para entender como era viver no Afeganistão dos talibãs.

Não curto curtas. Há quem curta. Pois sem querer e sem saber que era, peguei um curta para assistir. Chama-se "Death of a Shadow" ("Morte de uma Sombra", ou, no original, "Dood van een Schaduw"). Tem 20 minutos e concorreu ao Oscar 2013 para Melhor Curta-Metragem de Ação. É uma produção belga e conta uma história maluca. Um cara é contratado para captar 10 mil sombras de pessoas mortas. Detalhe: tem que ser na hora das respectivas mortes. Mais um detalhe: o "fotógrafo" é um soldado morto na 1ª Guerra Mundial. E por aí vai a maluquice. Se fizerem uma avaliação psiquiátrica no diretor Tom Van Avermaet, acho que ele não sai tão cedo do hospício.


O Rio
Mississipi serve como cenário para "Amor
Bandido" ("Mud"), um drama muito bem feito e dirigido por
Jeff Nichols ("O Abrigo"). É a história de dois adolescentes que se
tornam amigos de um cara (Mud) que é procurado por assassinato. O galã Matthew
McConaughey faz o Mud. Os dois meninos, principalmente Tye Sheridan (Ellis),
são ótimos atores e são a alma do filme, que fala de amadurecimento, fim da
inocência e amizade. O elenco tem ainda Reese Witherspoon, Sam Shepard e
Michael Shannon. No decorrer do filme a tensão vai aumentando e você vai
sentindo que a coisa pode não acabar bem. Um filmaço que merece ser conferido.
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