“QUO VADIS, AIDA?”, 2020,
Bósnia e Herzegovina, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de
Jasmila Zbanic (“Sarajevo, Meu Amor”). Não sei como deixei de assistir a esta pequena
obra-prima na época em que foi lançada e que concorreu ao Oscar 2021 na
categoria de Melhor Filme Estrangeiro, além de receber inúmeras premiações em
festivais pelo mundo afora, além de conseguir incríveis 100% de aprovação no
rigoroso site Rotten Tomatoes. Também foi eleito o Filme do Ano pela European
Film Awards (EFA). Sua primeira
exibição aconteceu durante o 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza,
causando um grande impacto junto à crítica especializada e ao público.
Realmente, trata-se de um filme bastante impactante. A história é baseada em
fatos reais ocorridos em 1995 quase no final da guerra civil que atingiu os
territórios da antiga Iugoslávia desde 1992. O pano de fundo é o genocídio de 8
mil bósnios muçulmanos assassinados pelas tropas sérvias na cidade de Srebrenica
(Leste da Bósnia), episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Srebrenica”.
Dentro desse cenário trágico, o filme destaca o sofrimento de uma mãe de
família contratada como intérprete pelas forças de paz da ONU. Ela é
interpretada pela atriz sérvia Jasna Duricic, cujo desempenho é magistral, de
aplaudir de pé. Sem dúvida, ela é a alma do filme, sendo premiada como Melhor
Atriz também pela Academia Europeia de Cinema. “Quo Vadis, Aida?” revela, de
forma realista, um retrato doloroso e impactante daquele episódio do conflito, a ponto
de merecer o seguinte comentário de um crítico profissional: “Não é um filme
fácil de assistir. É desesperador e devastador, que deixa o espectador
completamente esgotado, exausto e horrorizado”. Foi justamente o que senti ao
assistir a esta verdadeira pérola do cinema. Não deixe de ver.
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
quarta-feira, 25 de setembro de 2024
“O PROTETOR: CAPÍTULO FINAL” (“THE
EQUALIZER 3”), 2023, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento, “Sete Homens e um
Destino” e a trilogia “O Protetor”), seguindo roteiro assinado por Richard
Wenk. Como garante o título, este é o último filme da trilogia “The Equalizer”,
iniciada em 2014, sempre com o ator Denzel Washington como o ex-agente da CIA
Robert McCall, que na verdade sempre agiu como assassino profissional e, ao
mesmo tempo, defensor dos fracos e oprimidos. É o que também acontece neste
terceiro filme. Sua última missão aconteceu no sul da Itália, que terminou com
o assassinato de toda uma quadrilha de mafiosos. Só que McCall saiu ferido e
acabou desacordado dentro de um carro, sendo socorrido por um médico que o
levou para sua casa na pequena cidade de Altamonte, região da Calábria, sul da
Itália. Restabelecido do ferimento, ele costuma caminhar pela cidade, fazendo
amizades com os moradores. Quando está prestes a voltar para os Estados Unidos
para curtir sua aposentadoria, ele testemunha a ação violenta de mafiosos da temida
Camorra contra comerciantes locais. Robert não se conforma com a situação e
resolve enfrentar, sozinho, os mafiosos. O filme não economiza na violência e
dá gosto, e até prazer, ver o ex-agente tratar os mafiosos com requintes de crueldade.
Aí que entra a já conhecida competência do ator Denzel Washington, cuja
presença é o maior trunfo desse ótimo filme de ação. Pena que é o último da franquia. Completam o elenco Dakota Fanning,
Sonia Ben Ammar, Gaia Scodellaro, David Denman, Andrea Dodero, Andrea
Scarduzio, Eugenio Mastrandea e Melissa Leo. Filmaço!
“GUERRA AO CARTEL” (“SHRAPNEL”), 2023, Estados Unidos, 1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de William Kaufman (“The Channel”, “Santos e Pecadores”), seguindo roteiro assinado por Johnny Martin Walters e Chad Law. Traduzido, o título original é “Estilhaços”, o que traduz melhor o que acontece na tela. Não deu para contar, mas não lembro de assistir a um filme com tantos tiros. Acho que a munição gasta no filme daria para municiar um exército durante uma guerra. Quem gosta de tiros e pancadaria vai gostar de “Guerra ao Cartel”. Vamos à história. O ex-fuzileiro naval Sean Beckwith (Jason Patric) agora é um pacato fazendeiro no Texas, onde mora com a esposa e duas filhas adolescentes. Quando uma delas atravessa a fronteira com o México e desaparece misteriosamente em Ciudad Juarez, Sean convoca um ex-companheiro de farda para a missão de resgatar a moça, provavelmente sequestrada por uma quadrilha de traficantes. Completam o elenco Cam Gigandet, Kesia Elwin, Emily Perry, Mauricio Mendoza, Guilhermo Iván e Megan Elizabeth Kelly. É um bom filme de ação, com ritmo frenético que prende a atenção até o desfecho. O que destoa no quadro geral é o ator Jason Patric, que não muda de expressão o filme inteiro, nem nos momentos de maior tensão. Aliás, descobri sem querer que Patric é filho de Jason Miller, aquele ótimo ator que fez o papel do padre Damien Carras no clássico de terror “O Exorcista” (1973). Ou seja, nem sempre “tal pai, tal filho”. Ah, recomendo que você vista um colete à prova de balas se for assistir.
domingo, 22 de setembro de 2024
“IMACULADA” (“IMMACULATE”), 2024,
Estados Unidos/Itália, 1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Michael
Mohan (“Observadores”), seguindo roteiro assinado por Andrew Lobel. Nunca fui muito
fã do gênero terror, embora tenha assistido a excelentes filmes, como “O
Abominável Dr. Phibes” (1971), com Vincent Price, aqueles filmes de Drácula com
Christopher Lee, e os clássicos “Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski, “O
Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, e “O Exorcista” (1973), de William
Friedkin, só para citar alguns. “Imaculada” chega para dar alguns bons sustos e
confirmar a excelente fase da atriz Sydney Sweeney, mas a história e o modo como
foi levado às telas deixaram muito a desejar. Depois de um acidente na infância
que quase a matou, a jovem norte-americana Cecilia resolve dedicar-se a servir
a Deus como agradecimento por ter escapado da morte. Dessa forma, ela ingressa
em um convento na Itália como noviça. Pouco tempo depois, sem nenhuma
explicação, ela acorda grávida. Um verdadeiro milagre para o pessoal do
convento. Ou seja, ela deve ser a mãe de Jesus. Aos poucos, porém, Cecilia
descobre segredos aterradores e se convence de que está sendo vítima de uma
farsa. Haja sustos, sangue jorrando e violência. Completam o elenco Álvaro
Morte, Benedetta Porcaroli, Giulia Heathfield Di Renzi, Simona Tabasco, Dora
Romano e Giorgio Colangeli. Trocando em miúdos, trata-se apenas de mais um
filme de terror, sem grandes novidades, muito longe daqueles filmes que citei
no começo do comentário. Assista se quiser.
sábado, 21 de setembro de 2024
“BANDIDO” (“BANDIT”), 2022,
Canadá/Estados Unidos, 2h06m, em cartaz na Netflix, direção de Allan Ungar (“Encurralados”,
“London Calling”), seguindo roteiro assinado por Kraig Wenman, Robert Knuckle e
Ed Arnold. Baseado em fatos reais descritos no livro "The Flying Bandit", o filme conta as peripécias de Gilbert
Galvan Jr., um ladrão que ficou famoso depois de cometer mais de 60 assaltos –
a maioria contra bancos e joalherias – em várias cidades do Canadá na segunda metade dos anos 80 do século passado. Sua ficha
criminal começa em Michigan (EUA). Depois de escapar de uma prisão, ele se
refugia no Canadá utilizando nova identidade, Robert Whiteman. Em todos os seus
roubos, Gilbert/Robert, interpretado por Josh Duhamel, jamais machucou alguém,
aspecto de que se orgulhava. Outra de suas características era utilizar
disfarces diferentes a cada assalto. Chegou até mesmo a frequentar cursos de
maquiagem para aperfeiçoar os seus métodos. O filme destaca a associação de
Robert com um mafioso canadense (Mel Gibson), além de seu romance com Andrea
(Elisha Cuthbert), com quem se casaria e teria filhos. O filme também acompanha
o trabalho da polícia canadense na tentativa de prender o assaltante. Completam
o elenco Nestor Carbonell, Swen Temmel e Haley Webb. O filme é muito bom, tem
ação, suspense e humor, além de um ritmo capaz de segurar a atenção do espectador
até o desfecho. Com seu carisma de galã e cara de bom moço, o ator Josh Duhamel
esbanja competência e é, sem dúvida, um dos responsáveis pelo excelente
resultado final. Trata-se, portanto, de um ótimo entretenimento. Um filmaço.
Não deixe de assistir.
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
“ASSASSINO POR ACASO” (“HIT
MAN”), 2023, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de Richard Linklater (“Antes do Amanhecer”, “Boyhood”), que também
assina o roteiro com a colaboração de Glen Powell, ator que atua no filme. Um
misto de comédia, suspense e romance, “Assassino por Acaso” conta uma história
vagamente baseada em fatos reais, relatados pelo jornalista Skip Hollandsworth
numa reportagem publicada em 2001 pela Revista Texas Monthly sobre um assassino
profissional disfarçado que ajudou a polícia de Houston a prender 60 pessoas. No
filme, o tal assassino profissional é Gary Johnson (Glen Powell, de “Top Gun:
Maverick", “Todos Menos Você”), um professor universitário de psicologia e
filosofia que também trabalha para a polícia fazendo-se passar por um assassino
profissional. As pessoas o contratam para executar um inimigo, seja ele o
marido, a esposa, o sócio ou o cunhado. A negociação é gravada e o contratante
imediatamente preso em flagrante. Tudo transcorre na maior normalidade até que
Gary conhece Madison (Adria Arjona, de Morbius”, “Pisque Duas Vezes), uma bela
mulher que quer contratá-lo para assassinar o marido abusivo. Só que o marido
aparece morto logo depois, mas não foi Gary quem o matou. Quem foi, então?
Completam o elenco Austin Amelio, Molly Kate Bernard e Evan Holtzman. Trocando
em miúdos, o filme até que prende a atenção, mas peca demais pelos diálogos
pouco criativos e piadas sem graça, além da canastrice do ator Glen Powell, que
como comediante e galã é um ótimo roteirista.
terça-feira, 17 de setembro de 2024
“A GAROTA DE MILLER” (“MILLER’S
GIRL”), 2024, Estados Unidos, 1h34m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção da jovem cineasta Jade Bartlett (é sua estreia em longas).
Trata-se de um drama bastante tenso, mas com um ritmo arrastado, repleto de
citações literárias e verborrágico demais. O professor Jonathan Miller (Martin
Freeman, o Bilbo da saga “O Hobbit”) reconhece em sua aluna adolescente Cairo
Sweet (Jenna Ortega, da série “Wandinha” e “Os Fantasmas Ainda se Divertem”) um
talento especial como escritora. Essa admiração transforma-se aos poucos num
jogo de sedução, no qual a jovem praticamente se entrega ao seu professor, que
é casado com a também escritora Beatrice (a atriz polonesa Dagmara Dominczyk,
esposa na vida real do ator Patrick Wilson). Algumas cenas dão a ideia de que
professor e aluna realmente tiveram um caso, o que não fica tão evidente com o
transcorrer da trama. O pano de fundo da história é claramente sexual, principalmente
nas citações literárias, a maioria delas dos livros do norte-americano Henry
Miller (1891-1980), considerado por muitos um escritor pornográfico. O filme
foi massacrado pela crítica especializada, mas a atriz Jenna Ortega saiu em sua
defesa: “É uma obra de arte e que, por isso mesmo, nem sempre será confortável”.
Não foram apenas os críticos que não gostaram do filme. Algumas instituições
conservadoras ligadas à produção cinematográfica criticaram o fato de um ator
de 52 anos (Martin Freeman) beijar em cena uma atriz 31 anos mais jovem (Jenna
Ortega, de 21 anos, mas no papel de adolescente no filme). Entre mortos e
feridos, não há muito a se destacar. Pelo contrário, trata-se de um filme não
muito fácil de digerir.
domingo, 15 de setembro de 2024
“O ROUBO DE 88” (“HEIST 88”), 2023,
Estados Unidos, 1h24m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Menhaj Huda,
cineasta nascido em Bangladesh radicado na Inglaterra (“Comedown”, “Juventude
Rebelde”, “Meghan: Um Amor Real”), seguindo roteiro assinado por Dwayne
Johnson-Cochran (não confundir com o ator). Trata-se de uma história real
baseada no ladrão de bancos Armand Moore, que em 1988 armou e executou um plano
para roubar US$ 80 milhões do Banco Nacional de Chicago. Cabe aqui lembrar que
na época os bancos não eram informatizados e as transferência de valores acontecia
somente por telefone, utilizando-se um código secreto, sendo que havia a
necessidade de duas aprovações por parte dos funcionários dos bancos. No filme,
o personagem de Moore ganhou o nome de Jeremy Horne, interpretado
magistralmente por Courtney B. Vance. No filme, Horne convence quatro jovens funcionários
do Banco Nacional de Chicago a participar do roubo, além de dois antigos parceiros de outros
crimes. O roteiro privilegia toda a fase de planejamento do crime, mostrando,
inclusive, a vida particular de cada um dos jovens cúmplices, seus problemas de
relacionamento com as respectivas famílias e, por fim, a exagerada ganância pela
montanha de dinheiro que terão direito. O ótimo elenco é
composto basicamente por atores negros: além de Courtney B. Vance, atuam Precious
Way, Xavier Clyde, Bentley Green, Keith David, Keesha Sharp e Nican Robinson. Trocando
em miúdos, um filme bastante interessante que merece ser visto.
sábado, 14 de setembro de 2024
“O CASAL PERFEITO” (“THE
PERFECT COUPLE”), 2024, Estados Unidos, minissérie da Netflix em
6 episódios, roteiro e direção da experiente cineasta dinamarquesa Susanne Bier
(“Em Um Mundo Melhor”, “Birdbox”). A minissérie é baseada no livro homônimo
escrito em 2018 pela romancista Elin Helderbrand. A família Winbury, dona de
uma imensa propriedade à beira-mar na paradisíaca Ilha de Nantucket (Massachussetts),
cuida dos últimos preparativos para o casamento de Benji Winbury (Billy Howle)
com Amelia Sacks (Eve Hewson, atriz irlandesa filha do cantor Bono, da banda
U2). Os pais do noivo são a escritora Greer Garrison (Nicole Kidman), autora de
inúmeros best-sellers, e Tag Winbury (Liev Schreiber), este último um
aproveitador assumido da fortuna da esposa e um maconheiro crônico. Poucos dias
antes do casamento, porém, um dos convidados é achado morto na praia,
aparentemente vítima de suicídio, já que deixou uma carta escrita de próprio
punho. Amelia, a melhor amiga da vítima, não acredita nessa versão e instiga a
polícia a investigar o caso com rigor. Os detetives Nikki Henry (Donna Lynne
Champlin) e Dan Carter (Michael Beach) interrogam todo mundo da família e os
amigos. Todos eles são suspeitos: o casal proprietário da casa, os três filhos,
a amiga Isabel Nallet (Isabelle Adjani) e até Abby (Dakota Fanning), a esposa
grávida de Thomas (Jack Reynor), o filho mais velho dos Winbury. O mistério e o
suspense caminham juntos até o último episódio, quando a surpreendente verdade
virá à tona. Menos do que a história, o trunfo da minissérie é o excelente elenco,
com destaque para as atuações de Nicole Kidman, Liev Schreiber, Eve Hewson e,
principalmente, Dakota Fanning, irmã da também atriz Elle Fanning. Outra atriz
que merece destaque é Donna Lynne Champlin, a detetive encarregada do caso, que
dá um toque de humor a cada vez que aparece em cena. Trocando em miúdos, “O
Casal Perfeito” é uma minissérie muito agradável de assistir, um ótimo
entretenimento.
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
“ESTRITAMENTE CONFIDENCIAL” (“STRICTLY
CONFIDENTIAL”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, filme de
estreia no roteiro e direção do jovem cineasta inglês Damian Hurley, de apenas
22 anos (filho da atriz Elizabeth Hurley, que atua no filme). A começar pelo
material de divulgação, o resultado final é um tremendo fracasso. A Ilha de
Man, uma dependência britânica situada entre a Irlanda e a Inglaterra, é
apontada como o país originário da produção e, como tal, supostamente serviu de
cenário. Só que a mesma divulgação diz que as filmagens ocorreram no cenário
paradisíaco de Saint Kitts e Nevis, um pequeno país no Caribe. Posta a dúvida,
vamos à história. Um grupo de amigos costuma se reunir nas férias de verão na
tal ilha, onde reside a viúva Lily (Elizabeth Hurley), mãe de Rebecca (Lauren
McQueen) e de Jemma (Genevieve Gaunt). Começa a história um ano depois da morte
de Rebecca, que aparentemente se suicidou. Esse reencontro dos jovens com a mãe
de Rebecca não é muito agradável, principalmente pelas recordações do último
verão. Mia (Georgia Lock), a melhor amiga da falecida, não se conforma com a
alegação de suicídio e resolve investigar por conta própria o que realmente
aconteceu. O suspense prometido no começo não deslancha, descambando para cenas
constrangedoras de erotismo, diálogos pífios e situações sem o menor sentido. O
elenco é muito ruim, ninguém se destaca. Pelo contrário. A atriz Georgia Lock,
por exemplo, passa o filme inteiro com uma irritante cara de choro. Elizabeth
Hurley, a mais experiente, conserva sua beleza e forma física aos 58 anos, mas sua atuação é
das mais pífias. Completam o elenco Genevieve Gaunt, Freddie Thorp, Max Parker,
Agi Nanjosi, Amber Townsend, Pear Chiravara e Llyrio Boateng. Não fui só eu
que não gostou do filme. A crítica especializada também detestou. O crítico Mike
McGranaghan, por exemplo, o comparou aos thrillers cafonas exibidos pelas
TVs a cabo no início dos anos 90. Como você deve ter percebido, o resultado
final de “Estritamente Confidencial” é realmente decepcionante.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
“UM MAU ATOR” ("UM ACTOR MALO”), 2024,
México, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jorge Cuchi, cineasta
porto riquenho radicado no México. O suposto estupro de uma atriz durante uma
cena de sexo é o ponto de partida desse drama mexicano muito interessante. A
história é quase que totalmente encenada num set de filmagem. O ator Daniel Zavala
(Alfonso Dosal) aparentemente se entusiasma numa cena na cama com a atriz
Sandra Navarro (Fiona Palomo). Como a ação se passa sob os lençóis, não dá para
verificar com certeza que o ator abusou da moça, que jura de pés juntos (depois
da cena, claro) que o ator se aproveitou da situação para tornar o ato mais realista
do que necessário. Pelo menos é o que garante a atriz. Mas ele nega o estupro.
A situação acaba numa grande confusão, pois Sandra convoca um advogado e o
ministério público para denunciar o colega, que também chama uma advogada. Daniel
se desespera com a situação, não só pela possibilidade de estragar sua carreira
como também afetar o seu casamento. Como se não bastasse, a cena em questão é
vazada para as redes sociais, gerando um grande escândalo e protestos violentos das
feministas de plantão. Enfim, toda essa situação leva o espectador a acreditar
num desfecho nada agradável. O filme é um tanto arrastado, mas sem jamais perder
a tensão e o suspense. Recomendo.
sábado, 7 de setembro de 2024
“VISÕES” (“VISIONS”), 2023,
França, 2h03m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Yann Gozlan (“O Homem Ideal”,
“Asfalto de Sangue”), que também assina o roteiro com Michel Fessler. Trata-se
de um suspense psicológico centrado em Estelle Vasseur (a atriz alemã Diane Kruger),
uma comandante de avião casada com Guillaume (Mathieu Kassovitz), um renomado
médico-cirurgião. Os dois vivem um casamento aparentemente consolidado e rotineiro,
ela viajando pelo mundo e ele trabalhando num hospital. Até que um dia, após chegar
ao aeroporto para mais uma viagem, Estelle reencontra Anna Dale (Marta Nieto), com
a qual viveu um romance lésbico há 20 anos. Bastou esse encontro para Estella
reativar os sentimentos antigos. Papo vai, papo vem, as duas voltam a se
relacionar. Enquanto Estella se apaixona novamente pela antiga namorada, Anna
não leva a nova relação a sério. Obcecada pela amante, Estella começa a
vigiá-la, quando descobre que ela mantém um relacionamento com a empresária
Johana Van Damaker (Amira Casar). Em meio a essa situação, Guillaume começa a
desconfiar da sanidade de Estella, cujas visões, desde jovem, costumam atingir o patamar de vidência,
já que algumas realmente se concretizam. Diante desse quadro, o espectador é
levado a acreditar que nem todas as situações que vê na tela são reais ou
frutos da imaginação de Estelle, que começa a apresentar sintomas de
desequilíbrio. O suspense fica por conta da expectativa do que pode acontecer
no desfecho, ou seja, uma tragédia se avizinha. Dito e feito. Não é um filme
muito fácil de digerir, mas a presença forte da atriz Diane Kruger garante um
bom resultado.
sexta-feira, 6 de setembro de 2024
“PLANO A” (“PLAN A”), 2022,
coprodução Alemanha/Israel, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção
dos irmãos israelenses Doron e Yoav Paz. (“A Lenda de Gole”, “Jerusalém”). Já
li inúmeros livros e assisti a muitos filmes sobre a Segunda Grande Guerra, mas
não conhecia a história desse drama baseado em fatos reais descritos no livro “Nakam”,
da historiadora israelense Dina Porat. A história, ambientada na Alemanha logo
após o final do conflito, relembra a atuação de um grupo de judeus motivados a
se vingar dos nazistas depois do Holocausto, em sua maioria sobreviventes dos campos de concentração.
Um deles, Max (Augusto Diehl), ingressou no Nakam – nome do grupo – disposto a
se vingar da morte de sua família. Havia uma dissidência no grupo. Uns eram a
favor de só eliminar oficiais e soldados nazistas que praticaram crimes. Outra
vertente, mais radical, queria uma vingança “olho por olho, dente por dente”,
ou seja, eliminar 6 milhões de alemães, o mesmo número de judeus mortos nos
campos de concentração. Max resolve ingressar no grupo mais radical, que
planejava envenenar os sistemas de água de várias cidades alemãs. Completam o
elenco Sylvia Hoeks, Michael Aloni, Ishai Golan, Oz Zehavi e Yoel Rozenkier. Resumo
da ópera, trata-se de um filme bastante importante como documento histórico. É
pesado demais, mas realista como exige o contexto. Quem curte a História não deve
perder.
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
“ASTEROID CITY”, 2023,
Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Wes Anderson, que
também assina o roteiro com Roman Coppola (filho do diretor Francis Ford
Coppola). Quem já assistiu algum filme do cineasta norte-americano Wes Anderson
sabe que seu estilo costuma subverter a normalidade cinematográfica, com filmes
que se destacam por visuais excêntricos, personagens caricatos, histórias que
carecem de lógica e diálogos fora do contexto e que beiram o nonsense. O que não se pode negar é a aparentemente inesgotável criatividade do diretor, cuja
imaginação realmente transcende o comum. Podemos comprovar todo isso nos seus
filmes mais conhecidos, como “The Royal Tenenbaums”, “O Grande Hotel Budapeste”,
“Moonrise Kingdom” e “The Darjeeling Limited”. Como mostra o elenco estrelado
(confira no final do comentário), Anderson mantém um grande prestígio junto aos
estúdios, artistas e produtores. Em “Asteroid City”, Anderson é ainda mais
radical. A história, ambientada nos anos 50 do século passado, é centrada numa
competição acadêmica para jovens cientistas numa cidade fictícia no deserto,
chamada Asteroid City. Na verdade, trata-se da encenação de uma peça de teatro criada
pelo personagem de um dramaturgo, que intercalou as situações principais em atos teatrais. Enfim, não espere nada normal nessa história, como
acontece em todos os filmes de Anderson. Confira o elenco estrelado: Tom Hanks,
Scarlett Johansson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Margot Robbie, Rupert
Friend, Maya Hawke, Edward Norton, Bryan Cranston, Matt Dillon, Jeffrey Wright,
Willem Dafoe, Tilda Swinton, Hope Davis, Steve Carell e Jeff Goldblum, só para
citar os mais conhecidos. Poucos filmes/diretores conseguem a proeza de reunir
tantos astros de renome. Trocando em miúdos, “Asteroid City” é muito
interessante, bem diferente do que costumamos ver no cinema.
domingo, 1 de setembro de 2024
“A LIBERTAÇÃO” (“THE
DELIVERANCE”), 2024, Estados Unidos, em cartaz na Netflix,
1h51m, direção de Lee Daniels (“O Mordomo da Casa Branca”, “Preciosa”, “A Última
Ceia”, ou seja, um cineasta de respeito), que também assina o roteiro com a
colaboração de David Coggeshall. O tema da possessão demoníaca, cujo maior
clássico ainda é “O Exorcista”, de 1973, carregou muitos outros filmes no vácuo,
mas nenhum deles, até hoje, foi capaz de dar tanto medo. “A Libertação”, que
acaba de chegar à Netflix, é o melhor em muitos anos. O terror começa logo que
você fica sabendo que a história é baseada em fatos reais. O caso aconteceu na
pequena cidade de Gary, Indiana, com a família de Latoya Ammons – a quem o
filme é dedicado -, em 2011, quando seus três filhos foram possuídos por uma
entidade maligna. O filme traz a atriz Andra Day como Ebony Jackson, a mãe
solteira que aluga uma casa e vai morar com a mãe (Glenn Close) e os três
filhos. Tal qual o fato real, a casa é assombrada por uma energia sinistra, que
logo se manifesta, para desespero da família de Ebony, que vai sofrer nas mãos
do demônio até o desfecho. Além da assustadora história, o filme conta com um
incrível trabalho de maquiagem e efeitos especiais de muita qualidade. O
desempenho do elenco é outro trunfo, principalmente as atrizes Andra Day e
Glenn Close, que se entregam de corpo e alma aos seus papéis. Também estão no
elenco Aunjanue Ellis-Taylor, Anthony B. Jenkins, Caleb McLaughlin e Demi
Singleton. Os fãs dos filmes de terror vão delirar – literalmente – com o
filme. Não percam!
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
“O MELHOR ESTÁ POR VIR” (“LE
MEILLEUR RESTE À VENIR”), 2020, coprodução França/Bélgica, 1h58m, em
cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Alexandre de La Patellière e Matthieu
Delaporte. Não confundir com o filme recém-lançado com o mesmo título do italiano
Nanni Moretti. No filme francês, uma comédia dramática, a história é centrada na amizade
de Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel), que se conhecem desde
crianças e até hoje são amigos inseparáveis. São personalidades diferentes. Arthur é um sujeito sério, médico pesquisador do Instituto Pasteur, divorciado e com uma filha,
enquanto César nunca teve juízo, vive de empréstimos que dificilmente paga e
cercado de amantes. Enfim, um bon vivant. Quando Arthur leva César para
uma consulta médica e empresta seu cartão do plano de saúde para o amigo, a situação
começa a complicar de vez. Os exames mostram que César tem um grave problema de
saúde e poucos meses de vida. Só que, por causa dos nomes trocados, uma
confusão se instaura. Quando César diz ao amigo que será pai dali a alguns
meses, Arthur não tem coragem de dizer a verdade. Dessa forma, César passa o filme quase inteiro como a
vítima da história, o que resulta em inúmeras situações hilariantes. Aqui cabe
ressaltar a química entre os dois veteranos atores franceses, que têm carisma
especial quando se trata de comédia, embora haja muitas cenas sensíveis e
comoventes. Completam o elenco Zineb Triki e Pascale Arbillot. Impossível não lembrar de um filme muito parecido, "Antes de Partir", de 2007, com Morgan Freeman e o sumido Jack Nicholson. Não posso afirmar que "O Melhor Está por Vir" é um remake, mas está muito próximo de ser. Em todo caso, trata-se de um filme bastante simpático, agradável de assistir.
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
“KISSUFIM”, 2023, Israel, 1h29m, em cartaz na Netflix, direção de Keren B. Nechmad, que também assina o roteiro com Hadar Arazi e Yonatan Bar-Ilan. A história, ambientada em 1977, acompanha a rotina de um grupo de jovens soldados israelenses que se oferecem para trabalhar como voluntários no Kibutz Kissufim, próximo à fronteira com Gaza. O filme mostra o trabalho dos jovens na fazenda, seu cotidiano repleto de responsabilidades, e as conversas sobre a tensão que vivem num país habituado a sofrer atentados e ameaças de novos conflitos, além do momento político vivido naquele ano, quando Anwar Sadat, presidente do Egito, visita Israel na esperança de iniciar um processo de paz entre árabes e israelenses (doce ilusão!). Mesmo diante desse contexto dramático, os jovens também encontram tempo para se divertir, promovendo festas com muita música, namoros e sexo. Os nomes mais conhecidos do elenco são Swell Ariel Or, Adam Gabay, Tamir Ginsburg, Mili Eshet e Eres Oved. Impossível acompanhar a história sem pensar no fatídico 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram Israel e mataram mais de mil pessoas, sequestrando outras centenas. Pois um dos alvos dos terroristas foi justamente o Kibutz Kissufim. Embora “Kissufim” tenha sido filmado antes desse atentado (afirmação feita nos créditos iniciais), é impossível não sentir um certo desconforto ao imaginarmos que muitas das vítimas dos terroristas sejam iguais aos personagens mostrados na tela. Trocando em miúdos, “Kissufim” não é um grande filme, mas é poderoso a partir do momento em que foi capaz de prenunciar uma tragédia que chocou o mundo. Não deixe de assistir.
domingo, 25 de agosto de 2024
“PANAMÁ” (“PANAMA”), 2022,
Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Neveldine
(mais conhecido como roteirista - “Adrenalina”, “Motoqueiro Fantasma”),
seguindo roteiro assinado por Daniel Adams e William Barber. Estamos em 1989,
pouco antes do exército norte-americano invadir o Panamá e prender o ditador
Manoel Antonio Noriega. James Backer (Cole Hauser), um ex-fuzileiro naval de
elite, é recrutado por seu ex-comandante Stark (Mel Gibson), agora trabalhando
para a CIA, para uma perigosa missão no Panamá. Ele deverá negociar com gente
da pesada a compra de um helicóptero russo que será doado para os rebeldes que
lutam contra o ditador Daniel Ortega na Nicarágua. Pelo menos foi isso que eu
entendi, pois a trama é bem complicada. Para amenizar toda essa confusão, o
filme destina muitas cenas com mulheres bonitas em ambientes luxuosos, frequentados
por gente que circula em torno do poder, como acontece em qualquer ditadura. Nesse
clima de espionagem, como um James Bond qualquer, Becker acaba se apaixonando
por Camila (Kiara Liz), uma bela morena colombiana cujo passado não a torna
muito confiável. Entre algumas reviravoltas e cenas de ação de pouca
credibilidade, o filme caminha para o seu desfecho sem entusiasmar o espectador
mais exigente. Como em seus últimos filmes, o astro Mel Gibson é colocado nos
materiais de divulgação como se ocupasse um personagem importante, quando na
verdade faz um papel quase secundário na história. Resumo da ópera: um filme que
não merece uma indicação entusiasmada.
Mais um desempenho genial do
ator Tom Hanks em “O PIOR VIZINHO DO MUNDO” (“A MAN CALLED OTTO”),
2022, Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta
alemão Mark Foster. Trata-se do remake do excelente “Em Man Som Heter
Ove” (“Um Homem Chamado Ove”), de 2016, representante da Suécia no Oscar como Melhor Filme Internacional. Na adaptação com Tom Hanks, o personagem é
Otto Anderson, um viúvo mal-humorado, rabugento e encrenqueiro, que mora em um
condomínio fechado cercado de vizinhos que tentam manter certa distância do
coroa de 63 anos. O clima começa a mudar quando chega uma família de imigrantes
mexicanos, um casal com duas filhas e a mãe prestes a ter outra criança. Uma
amizade improvável nasce entre Otto e os novos vizinhos. O humor negro é
destacado com as tentativas malsucedidas de suicídio de Otto, deprimido desde a
morte de sua esposa, há seis meses, além da aposentadoria compulsória decretada
pela empresa em que trabalhava. Quando jovem, Otto é interpretado por Truman
Theodore Hanks, filho de Tom na vida real. Completam o elenco Maria Treviño,
Manuel Garcia, Cameron Britton, Juanita Jennings, Peter Lawson Jones e Mack
Bayda, um ator trans que interpreta um personagem tal qual no filme, uma
surpresa para mim sem se tratando da conservadora Hollywood. Trocando em
miúdos, “O Pior Vizinho do Mundo” é muito bom, um entretenimento de primeira,
valorizado pelo carisma de Tom Hanks. Não perca!
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
“A LIGA” (“THE UNION”), 2024,
Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês Julian
Farino, seguindo roteiro assinado por David Guggenheim e Joe Barton. Um filme
de ação e comédia cuja história é centrada nas atividades de um grupo secreto de agentes
intitulado “A Liga”, que presta serviços "por baixo do pano" para a CIA. Começa com um trabalhador
da construção civil (papel de Mark Wahlberg) em New Jersey sendo recrutado por
uma ex-namorada (Halle Berry) para trabalhar como espião numa arriscada missão
na Europa: recuperar documentos sigilosos com a relação de agentes de vários
países do ocidente. Mike (Wahlberg) é levado para a Inglaterra e treinado para
ser um tipo James Bond, uma forçada de barra do roteiro, como tantas outras no transcurso
da história. Aliás, uma história bem complicada, deixando o espectador meio
perdido em vários momentos. A missão se estende por várias capitais da Europa,
com muita pancadaria e ótimas cenas de ação, principalmente as perseguições
numa estrada na costa da Croácia – na verdade, as filmagens aconteceram em
Piran, uma pequena vila costeira na Eslovênia. Completam o elenco J.K. Simmons,
Mike Colter, Alice Lee, Jessica De Gouw, Adware Akinnuoye-Agbage e Jackie Earle
Haley. Trocando em miúdos, trata-se apenas de um filme de ação. Se formos
considerar a história mirabolante e os diálogos de uma mediocridade ofensiva
aos nossos neurônios, “A Liga” favorece o “Desliga”. Por incrível que possa
parecer, deverá haver uma sequência, já que no desfecho o agente Mike é
recrutado para uma nova missão. Por fim, seria injusto não elogiar a beleza da morena Halle Berry, ainda em grande forma aos 58 anos.
terça-feira, 20 de agosto de 2024
“ELA DISSE” (“SHE SAID”), 2022,
Estados Unidos, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta alemã
Maria Schrader (“O Homem Ideal”, a minissérie “Nada Ortodoxa”), seguindo
roteiro assinado por Rebecca Lenkiewicz. A história é baseada em fatos reais
narrados no livro “Ela Disse: Os Bastidores da Reportagem que Impulsionou o #Me
Too”, escrito por Megan Twohey e Jodi Kantor, jornalistas investigativas do
jornal The New York Times. No dia 5 de outubro de 2017, Megan e Jodi publicaram uma
reportagem bombástica, revelando os abusos sexuais praticados há anos pelo
produtor Harvey Weinstein, um dos mais importantes de Hollywood. Com
depoimentos de algumas vítimas de Weinstein, incluindo atrizes importantes como
Rose McGowan, Gwyneth Paltrow e Ashley Judd, a reportagem fez com que outras
mulheres tomassem coragem para denunciar Weinstein, chegando a mais de 80. No
ano seguinte, o produtor seria preso, julgado e condenado a 25 anos de prisão. “Ela
Disse” revela os passos das duas jornalistas do NYT desde que receberam a
primeira denúncia, a procura por novas testemunhas, as reuniões com os editores,
enfim, tudo o que envolveu o intenso trabalho investigativo que culminou com a
revelação de um dos maiores escândalos que já ocorreram em Hollywood. O elenco
é de primeira: Carey Mulligan, Zoe Kazan, Patricia Clarkson, Samantha Morton,
Andre Braugher, Jennifer Ehle, Angela Yeoh e participação especial de Ashley
Judd. Trocando em miúdos, “Ela Disse” é ótimo, tanto que foi eleito um dos
melhores filmes de 2022 pelo American Film Institute. Imperdível!
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
“OS FABELMANS” (“THE FABELMANS”), 2022,
Estados Unidos, 2h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Steven Spielberg,
que assina o roteiro com a colaboração de Tony Kushner. Todo mundo curte há
anos os filmes de Spielberg, um dos grandes de Hollywood, mas poucos conhecem a história de sua vida em
família. Em “Os Fabelmans”, o grande diretor resgata memórias da sua infância e
adolescência, destacando o dia a dia da família - pai, mãe e três irmãs -, o
início de sua paixão pelo cinema ao assistir “O Maior Espetáculo da Terra”, em
1952, o bullying sofrido na escola pelo fato de ser judeu, sua primeira
namorada e até uma confidência muito pessoal e delicada, como a traição de sua
mãe com o melhor amigo do seu pai, sem falar nos primeiros filmes caseiros que
dirigiu. Convém lembrar que os nomes dos personagens são fictícios. O
personagem de Spielberg é Sammy (Mateo Zoryan quando criança e Gabriel Labelle
como adolescente), Michelle Williams interpreta a mãe Mitzi, Paul Dano é Burt
Fabelman, o pai, e Seth Rogan é Bennie Loewy, o amigo da família pelo qual Mitzi
se apaixona, culminando com um divórcio bastante dolorido. Completam o elenco
Judd Hirsch, como o tio meio maluco, e David Lynch como John Ford. O filme foi
indicado em 7 categorias para disputar o Oscar 2023: Melhor Direção, Melhor
Atriz (Michelle Williams), Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante
(Judd Hirsch), Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Direção de Arte. Não
conseguiu nenhuma estatueta, uma injustiça, pelo menos no que diz respeito a Michelle Williams, que dá um show de interpretação e não merecia perder para
Michelle Yeoh, de “Tudo em Todo lugar ao Mesmo Tempo”. Eu considero “Os
Fabelmans” uma bela homenagem ao cinema, assim como “Cinema Paradiso” e outros
tantos. Spielberg, mais uma vez, acertou em cheio.





















