sábado, 17 de janeiro de 2026

 

“SONHOS DE TREM” (“TRAIN DREAMS”), 2025, Estados Unidos, 1h43m, em cartaz na Netflix, direção de Clint Bentley (“Sing Sing”), que também assina o roteiro com Greg Kwedar. A história é baseada no conto homônimo escrito pelo romancista Denis Johnson (1949-2017), finalista do Prêmio Pulitzer de Ficção em 2012. Estamos no início do século XX no interior dos Estados Unidos, época em que as ferrovias estavam se expandindo. A figura central do filme é o lenhador Robert Grainier (Joel Edgerton), que trabalhava duro derrubando árvores e ajudando a construir as ferrovias. Solteirão convicto, ele acaba se apaixonando e casando com Gladys (a dentuça Felicity Jones), com a qual teria uma filha. O trabalho, porém, o levava para longe da família por longos períodos. Depois de uma tragédia, Robert entra em parafuso, começa a delirar e fica depressivo. A partir desse episódio não há muito a comentar, pois a história passa a se concentrar nas lembranças de Robert e sua indefinição sobre o futuro. Narrado pelo ator Will Patton, o filme se arrasta com poucos diálogos, cenas contemplativas da natureza, principalmente árvores – a fotografia, do brasileiro Adolpho Veloso, é excelente, cotada a disputar o Oscar 2026. Tudo lembra muito o estilo irritante, intragável e insuportável do cineasta Terrence Malick. Quem já viu algum filme de Malick sabe do que estou falando. Dá sono em bicho-preguiça. O elenco de “Sonhos de Trem” conta ainda com Kerry Condon, William H. Macy, Alfred Hsing, Nathaniel Arcand e John Deal. Alguns críticos profissionais afetados – os mesmos que adoram Malick - elogiaram o filme, mas eu achei enfadonho, embora tenha gostado muito do visual/fotografia e da atuação de Joel Edgerton e William H. Macy. Para concluir o comentário, sou obrigado a admitir que o tempo de duração (1h43m) pareceu muitas horas a mais.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 

“LIÇÕES DE LIBERDADE” (“THE PENGUIN LESSONS”), 2024, coprodução Inglaterra/Espanha/Estados Unidos, em cartaz na Prime Vídeo, 1h51m, direção de Peter Gattaneo (“Ou Tudo ou Nada”, "Unidas pela Esperança”), seguindo roteiro assinado por Jeff Pope. Sempre valorizei os filmes baseados em histórias reais. Este, em especial, apresenta uma história incrível que realmente merecia ser transformada em filme. É baseada no livro “The Penguin Lessons”, escrito em 2016 pelo professor inglês Tom Michell. Tudo começa em 1976, quando Michell (Steve Coogan) chega a Buenos Aires (Argentina) para dar aulas de inglês no tradicional colégio interno St. George, só para meninos de famílias ricas. Um golpe militar havia sido dado poucos dias antes e Tom logo percebeu que o clima não estava muito confortável. Só se via soldados armados andando pelas ruas com cara de poucos amigos. Vou tentar resumir a história. Num período em que as aulas foram suspensas, o professor viaja até Punta Del Este, no Uruguai, conhece uma moça e vai passear na praia. Aqui, encontra um pinguim preso a uma poça de óleo. Depois de resgatar o bichinho e tirar todo o óleo, ele decide devolvê-lo ao mar. Mas o pinguim volta para o seu salvador, que então decide levá-lo para a Argentina. Resultado: ficam amigos. O bichinho recebe o nome de “Juan Salvador” e logo vira atração na escola. Até o diretor Buckle (Jonathan Price) vira amigo do pinguim. Não é mesmo incrível essa história? O filme também destaca os eventos que marcaram a Argentina naquela época de trevas. Uma das faxineiras da escola é levada pelos militares em plena à luz do dia. O professor presencia a prisão, mas não pode fazer nada. Pouco tempo depois o professor inglês se vê em meio a uma manifestação das Mães de Maio, cujos filhos também foram “sumidos” pelos militares. Enfim, entre momentos sensíveis e bem humorados “Lições de Liberdade” também dá espaço ao drama vivido pelos argentinos. Outro destaque é o artifício utilizado pelo diretor Peter Gattaneo para resolver o problema da língua. Na maioria dos diálogos, os atores são dublados, no caso dos ingleses falando espanhol e no caso dos argentinos falando inglês. Estranhei que esse filme não tenha merecido muita divulgação, mesmo depois que estreou com elogios no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2024. Ainda bem que a Prime resolveu resgatá-lo, assim como fez o professor com o pinguim.        

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

 

“O TANQUE DE GUERRA” (“DER TIGER”), 2025, Alemanha, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Dennis Gansel, que também assina o roteiro com Colin Teevan. Pintou filme sobre a Segunda Guerra Mundial eu já aperto o Play. Desde que iniciei minha vida de cinéfilo, há muito tempo, este é um tema que sempre me atraiu. “O Tanque de Guerra” é um filme bem diferente dos que já vi. Mais psicológico do que na base de explosões, tiros etc. No final do comentário explicarei um fato que, a princípio, confesso que não percebi. Estamos no outono de 1943. A história se concentra em cinco jovens soldados alemães a bordo de um tanque Tiger em missão na frente oriental.  Logo após a batalha de Stalingrado eles tentam atravessar uma ponte, mas são surpreendidos pelo fogo inimigo e pelas explosões que destruíram a ponte. Eles conseguem seguir adiante e recebem uma ordem para cumprir uma difícil missão: resgatar um tal de coronel Paul Von Hardenburg preso num bunker atrás das linhas inimigas. Os soldados serão submetidos a testes que exigem muito sangue frio e coragem, como desmontar minas e atravessar um rio por baixo d’água. As situações são angustiantes e tão bem feitas que levam o espectador a quase sentir o mesmo medo dos soldados, que enfrentam tudo na base da anfetamina – prática comum historicamente comprovada, pelos soldados alemães durante o conflito. No desfecho, quando o capitão Philip (David Schütter), líder dos soldados no tanque, encontra o coronel Paul Von Hardernburg (Tilman Strauss), a gente percebe que o filme tem algo a dizer que não se refere propriamente ao que você viu antes. Eu demorei para entender que aqueles soldados alemães estavam, na verdade, pagando seus pecados num outro plano – o purgatório? – depois de tantos assassinatos praticados contra civis em Stalingrado. A Prime Vídeo começou 2026 nos proporcionando um excelente filme de guerra.