“QUEM MATOU MEU FILHO?” (“MEASURE
OF REVENGE” – já vi sites nomeando o filme como “Vingança
Sem Limites"), 2024, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de
Jordan Galland, seguindo roteiro assinado por Shirley Heng, Julian Lee e Kenny
Walakandou. Você com certeza já deve ter assistido a um filme muito ruim com um
ou mais atores famosos. Talvez devido a uma questão contratual, amizade com o
diretor ou, pior, por falta de dinheiro. Não sei em que categoria se encaixa a veterana
atriz norte-americana Melissa Leo, de 65 anos, que já ganhou um Oscar de Melhor
Atriz Coadjuvante em 2011 por “The Figfhter” e uma indicação ao Oscar de Melhor
Atriz em 2009 por “Rio Congelado”. Nestes e outros filmes ela sempre se
destacou como uma ótima atriz. Não dá para entender, portanto, que ela tenha
resolvido participar como personagem principal em um filme tão ruim como o
suspense “Quem Matou Meu Filho?”. Na história, ela é Lillian Cooper, uma
respeitada atriz de teatro com trajetória dedicada às peças de William
Shakespeare. Seu filho, Curtis Cooper (Jake Weary) é um jovem cantor e
compositor de muito talento, mas que se envolve com drogas. Recém-saído de um
período de recuperação, ele volta para casa e, repentinamente, acaba morrendo
de overdose. Lillian fica desesperada e acredita que ele foi assassinado por
algum traficante que injetou uma dose maior. Em meio a ridículas alucinações
envolvendo seus personagens no teatro, Lillian vai por conta própria à caça dos
responsáveis. A atuação de Melissa Leo é simplesmente patética, constrangedora,
forçada ao limite do normal, o que torna o filme ainda mais decepcionante. Fuja
a galope! Elenco: Melissa Leo,
Jake Weary, Bella Thorne, Adrian Martinez, Annapurna Sriran, Benedict Samuel,
Kevin Corrigan, Michael Potts, Mod Sun, Roma Maffia, Jamie Jackson, Jasmine
Carmichael, Gemma Massot, Brooker Garrett, Ray Rosario, Ivan Martin e Tristão
Darius.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
domingo, 16 de agosto de 2026
“AUDI VS. LANCIA: CORRIDA PELA
GLÓRIA” (“RACE FOR GLORY: AUDI VS LANCIA”), 2024, coprodução
Itália/Inglaterra, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Stefano Mordini, que
também assina o roteiro com Riccardo Scamarcio (astro do filme) e Filippo Bologna.
Nunca fui fã do automobilismo esportivo, principalmente de rallies. “Audi vs.
Lancia” é baseado nos fatos reais ocorridos em 1983, quando as marcas italiana e
a alemã disputaram mais um Campeonato Mundial de Rally. A equipe Audi Sport
GmbH, liderada por Roland Gumpert (Daniel Brühl), tinha uma grande vantagem
pela avançada tecnologia baseada na tração nas quatro rodas, enquanto a equipe
Lancia, chefiada por Cesare Fiorio (Riccardo Scamarcio) utilizava veículo com
tração traseira. Para suprir essa desvantagem, Fiorio inventava situações nada
honestas para prejudicar a equipe adversária, como, por exemplo, encher um
trecho da estrada com sal grosso imitando neve, obrigando o time alemão a
utilizar pneus especiais, o que prejudicou o desempenho do Audi. Enfim, o filme
mostra os bastidores daquele campeonato, as reuniões das equipes, algumas das
provas e a infraestrutura exigida para cada equipe poder disputar o campeonato
com alguma chance de vencer. As filmagens ocorreram na Itália e na Grécia em algumas
estradas que serviram para o campeonato mundial daquele ano. Resumo da ópera: “Audi
vs. Lancia” é um filme indicado somente para os amantes do automobilismo esportivo.
Elenco: Riccardo Scamarcio, Daniel Brühl, Volker Bruch Katie Clarkson-Hill,
Esther Garrel, Rebecca Busi, Gianmaria Martini, Axel Gallois, Giorgio Montanini,
Halley Bennett, Andrea Grugnola, Lapo Elkann, Carlotta Verny, Axel Gallois e
Rosario Terranova.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
“HISTÓRIAS INVISÍVEIS” (“HISTORIAS
INVISIBLES”), 2024, Argentina, 1h57m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Guillermo F. Navarro. Drama argentino baseado em
fatos reais, ou seja, o sequestro de duas jovens por uma organização criminosa
que explora a prostituição. Cecília e Paula não passavam de adolescentes quando
foram sequestradas e obrigadas a se prostituir em boates do mais baixo nível em
outras cidades. Viviam presas e incomunicáveis, vigiadas 24 horas pelos
cafetões. Enquanto isso, os pais das meninas, desesperados pelo sumiço misterioso,
recorriam à polícia para ajudá-los nas buscas. Infelizmente, tanto a polícia
quanto outras autoridades não se esforçam para localizá-las. Graciela (Eleonora
Wexler), a mãe de Paula, logo percebe que não há alternativa senão investigar
por conta própria, o que a levará a correr sério perigo a partir do momento em
que denuncia o caso na mídia. Seguindo pistas aqui e ali, Graciela descobre que
os responsáveis integram uma organização criminosa ligada à prostituição. Com a
ajuda de um amigo advogado, ela tentará encontrar sua filha. Durante esse
período, Graciela ganha espaço na mídia e, com seu esforço, consegue resgatar
55 jovens, menos a sua filha. O filme é de uma dramaticidade intensa e chocante,
uma forte denúncia da corrupção que está por trás de toda essa sujeira, como
exemplifica uma cena que mostra um respeitado juiz, frequentador dessas casas
de sexo, dizendo com a maior cara de pau que irá trabalhar para o fim dessas
organizações criminosas. Enfim, um filme forte que não economiza no drama
dessas meninas. Elenco: Eleonora Wexler, Antonella Ferrari, Vanessa
González, Pablo Pinto, Mariano Bertolini, Pablo Tolosa, Gustavo Alvarez, Guido
Eduardo Borgia, Abril Capitani, Maria de Los Ángeles Cabral, Silvia Del
Castillo, Lis Marcia Viviane de Marco, Mario Jara e Alberto Leiva.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
terça-feira, 11 de agosto de 2026
“AS FREIRAS EXORCISTAS” (“GEOMEUN
SUNYEODEUL”), 2025, Coreia do Sul, 1h54m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Hwon Hyeok-Jae, seguindo roteiro assinado por Hyo-Jin Oh,
Su-Min Park e Kim Woo-Jin. Suspense com pitadas de terror sobrenatural. O jovem
Hee-Joon (Moon Woo-Join) ataca um padre idoso num convento isolado. O padre Paolo
(Lee Jin-Wook), que também é psiquiatra, começa a analisar o garoto e acredita
que com seus remédios poderá curá-lo de sua fúria. As freiras Junia (Song
Hye-Kyo) e Michaela (Jeon Yeo-Been) alertam que o jovem, na verdade, está
possuído por uma força maligna e só com um exorcismo poderá ser salvo das garras do capeta. Elas consultam
um representante do Vaticano, que as proíbe de praticar o exorcismo. Não
satisfeitas, elas recorrem a uma ex-freira católica que agora se dedica aos
rituais do Xamanismo. Também não dá certo e as duas freiras, que também são
irmãs fora do convento, resolvem desobedecer o Vaticano e realizar o exorcismo
por conta própria. Se vai dar certo, deixo a resposta para o espectador
conferir. Ao contrário de outros tantos filmes sobre o tema, este utiliza
poucos efeitos especiais, não assusta tanto e apresenta, como mérito, alguns
diálogos bem escritos sobre religião, fé e possessão demoníaca. Segundo o
material de divulgação, a história é ambientada nos anos 80 e baseada em fatos
reais. Nada mais que mereça uma recomendação entusiasmada.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
1.
sábado, 8 de agosto de 2026
“INDÚSTRIA DO PRAZER” (“THE
BUSINESS OF PLEASURE”) – Por curiosidade, fui atrás da tradução do
título em português para o macedônio: “Industrija Na Zadvolkstvoto”. O filme é
de 2024 e está em cartaz na Prime Vídeo, tem a duração de 1h37m e foi escrito e
dirigido por Goce Cvetanovski. Esta é uma pequena amostra do pouco conhecido
cinema da Macedônia, hoje uma república independente desde 1991, quando se separou
da Iugoslávia. Bem, chega de história e vamos ao que interessa. “Indústria do
Prazer” tem como personagem central a jornalista investigativa Eleni (Slagana
Vujosevic), empenhada em denunciar uma rede de exploração sexual que trafica
jovens de outras cidades e de outros países se prostituir na capital Skopje. A jornalista conta conta com a ajuda de dois
amigos para se infiltrar na organização, cujo chefão é filho de uma importante
autoridade do país. A corrupção corre solta e o perigo ronda a jornalista e
seus dois amigos por mexerem com gente poderosa. Nem a polícia ousa prender os
cafetões. O suspense até que funciona do começo ao fim, mas o roteiro não ajuda muito, resultando num filme pouco convincente. Em todo caso, vale conferir mais um raro exemplar do cinema
macedônio, tão pouco divulgado por aqui. Elenco: Slagana Vujosevic, Eleni Dekids, Musa Isufi,
Damjan Cvetanovski, Ismail Kasumi, Mendim Murtezi, Avni Dalipi, Egzona Salihu e
Osman Ahmeti.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
“SEM NADA A PERDER” (“JUSQU’AU
BOUT”), 2026, França, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de
Nawell Madani e Ludovic Colbeau-Justin, seguindo roteiro assinado por Walid
Afkir e Mohamed Benyekhlef – o roteiro original foi escrito por Pablo Meher.
Trata-se de um drama comovente, com altas doses de suspense e ação. Jada
(Nawell Jadani, a própria diretora do filme) e seu marido Paul (Guillaume Gouix) sonham em ter um
filho. Depois de muitas tentativas sem êxito, eles finalmente resolvem gerar um
bebê por meio da doação de embriões, culminando com o nascimento de um menino. Tudo
vai às mil maravilhas até que, aos 7 anos, o garoto é diagnosticado com
leucemia agressiva – nessa fase, o casal já estava separado. O tratamento com
quimioterapia não dá resultado e, segundo os médicos, somente um transplante de
medula óssea poderá salvar o menino. A partir daí Jada entra em desespero e vai
lutar até o fim, mesmo arriscando sua vida, para conseguir encontrar outra
criança que seja compatível para o transplante. Um grande empecilho surge à sua
frente: a identidade de potenciais doadores é preservada em segredo oficial.
Jada, porém, não desiste, e vai à luta. Não vou contar o que acontece no desfecho
para não estragar a surpresa. A atriz belga Nawell Madani carrega o filme nas
costas, mostrando que também é craque no drama – ela é mais conhecida como atriz
de comédias. Elenco: Nawell
Madani, Guillaume Gouix, Nicolas Briançon, Paul Fouré, Steve Tientcheu, David
Salles, Magida Ghomari, Sarah Stern, Aissatou Diallo Sagna, Manmathan Basky,
Fodil Benderbal, Lilia Genovesio, Benjamin Chaouat, Vivien Lefloc’h, Olivier Sa,
Clémentine Poidatz e Adrien Saint-Joré.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
“À PROCURA DA PERFEIÇÃO” (“THE
CHAPEL”), 2023, Bélgica, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção de Dominique Deruddere. A história é centrada na jovem pianista Jennifer
Rogiers (Taeke Nicolaï), selecionada para disputar o rigoroso Concurso Rainha
Elisabeth (“Queen Elisabeth Competition”), realizado em Bruxelas (Bélgica). O
concurso existe, mas a história contada no filme é uma ficção. Jennifer Rogiers
e seus adversários, jovens músicos de talento, ficam alojados numa mansão
isolada sem qualquer contato com familiares, amigos e muito menos com a
imprensa. Celulares são proibidos. É claro que com o transcorrer dos dias e a proximidade das
apresentações o clima é de muita ansiedade e expectativa. Entre os
competidores, obrigados a conviver durante as refeições, há um clima de
rivalidade e guerra psicológica. Jennifer prefere ficar em seu quarto praticando
do que socializar. Por isso, não é uma figura benquista no grupo. Para
justificar esse comportamento, o filme mostra alguns fatos que marcaram sua
infância, como a educação rigorosa da mãe, as bebedeiras do pai e as brigas
violentas dos dois, às quais a menina era obrigada a presenciar, além de um trágico acontecimento que marcará sua vida para sempre. Tudo isso
traumatizou a garota e fez com que ela demonstrasse um comportamento arredio e antissocial.
“À Procura da Perfeição” é, portanto, um relato dramático sobre a grande
pressão à qual são submetidos aqueles jovens virtuosos que almejam chegar ao
Olimpo da música. Elenco: Taeke Nicolaï, Renee Vanderjeugd, Ruth
Becquart, Kevin Janssens, Anne Coesens, Abigal Abraham, Lydia Indjova, Tine
Reymer, Anton Kouzemin, Igor Jurinic, Ina Geerts, Yuka Hashimoto, Oscar Louis
Högström, Willy Thomas, George Van Dam, Zachary Shadrin, Tess Bryant e Pierre
Bokma.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
“ELIZE: SOMBRAS DE UMA MULHER”, 2026,
Brasil, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Felipe Vellasco, seguindo
roteiro assinado por Raphael Montes e Mariana Torres. Filme conta a história
daquele que foi um dos crimes mais chocantes já ocorridos no Brasil. Em 2012,
Elize Matsunaga (Lorena Comparato) assassinou e esquartejou o marido Marcos
Kitano Matsunaga (Henrique Kimura), um rico empresário da indústria
alimentícia. O filme mostra a trajetória de Elize desde que trabalhava como
garota de programa até casar com um de seus “clientes”, Marcos, diretor e herdeiro
da fábrica Yoki, e por fim presa e condenada. Aos poucos, Marcos foi revelando
sua verdadeira personalidade, um marido violento e infiel, frequentador de
casas noturnas de prostituição, onde acabou arrumando uma amante fixa. Elize
descobriu tudo e, ao confrontar Marcos, foi ameaçada de internação num hospital
psiquiátrico, além de um divórcio que garantiria a guarda da filha para ele.
Foi a gota d’água para Elize perder a cabeça e assassinar o marido. Como tudo
no filme é baseado nos fatos reais mostrados no documentário “Elize Matsunaga –
Era Uma Vez um Crime”, de 2021, não há como pensar que ela teve alguma razão em
cometer o crime, haja vista o comportamento agressivo e violento de Marcos.
Vale destacar a atuação espetacular da atriz luso/brasileira Lorena Comparato
como Elize. De valer o ingresso. Elenco: Lorena Comparato, Julia Konrad,
Denise Weinberg, Henrique Kimura, Ana Julia Dorigon, julia Shimura, Flora
Sandyá, Erica Montanheiro, Marat Descartes, Arthur Toyoshima, Edson Kameda e
Gui Dantas.
sábado, 1 de agosto de 2026
“CONSPIRADORES” (“LOS
CREYENTES”), 2026, Espanha, 1h46m, em cartaz na Netflix,
direção de Roger Gual, seguindo roteiro assinado por Carlos Monteiro Castiñeira
e Darío Madrona. Trata-se de um suspense cuja história é centrada numa dúvida
cruel: a mulher morreu num acidente ou foi assassinada? A vítima é a mãe de
Ruth (Stéphanie Magnin), que há dois anos vive em Berlim, onde trabalha como bartender
numa discoteca. Quando recebe a notícia, Ruth retorna à sua cidade natal na
Espanha. Segundo seu pai Martín (José Coronado) e a polícia local, a mãe bebeu
demais e caiu no banheiro, bateu com a cabeça e morreu. Ruth não acredita em
acidente. Pior, passa a desconfiar do própria pai, que mostra um comportamento
estranho e agressivo, pois está consumido por teorias da conspiração, acusando a indústria
farmacêutica de todos os males do mundo, inclusive utilizando crianças para
pesquisas. Esse comportamento maluco é compartilhado por uma mulher,
ex-policial, que Ruth acredita ser também amante do pai. E por aí vai a
história, até que no desfecho trágico tudo será esclarecido. Apesar da presença
sempre marcante do veterano ator José Coronado, o filme não me convenceu. Entre
os prós e contras, fiquei com os contras. Elenco: José Coronado,
Stéphanie Magnin, Fanny Gautier, Mabel Del Pozo, Celine Fortenbacher, Alberto
Olmo, Israel Ruiz, Álvaro Gallego, María Prendes e Olaya López.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
“HAMNET: A VIDA ANTES DE
HAMLET” (“HAMNET”), 2025, coprodução Inglaterra/Estados Unidos,
2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta chinesa Chloé Zhao (“Normadland”),
que também assina o roteiro com Maggie O’Farrel, autora do livro cuja história
é adaptada. O filme recebeu inúmeros prêmios e indicações ao Oscar 2026 em oito
categorias (venceu a de Melhor Atriz, para Jessie Burckley). Tudo gira em torno
da peça “Hamlet”, considerada a obra principal do poeta e dramaturgo inglês
William Shakespeare (1564-1616). Como nasceu a ideia de conceber a peça? O filme explica conduzindo o espectador à
vida particular de Shakespeare na cidade de Strafford, onde nasceu e mais tarde
casou com Agnes Hathaway, com a qual teve três filhos, Judith, a mais velha, e
os gêmeos Judith e Hamnet. Tempos difíceis, trágicos. Para sustentar a família,
William dava aulas de latim. Depois partiu para Londres tentar a carreira de
dramaturgo. Aí veio a peste bubônica, que matou Hamnet aos 11 anos de idade. A
situação degringolou para uma forte crise no casamento, Agnes se queixando que
o marido nunca estava presente. O grand finale é a primeira apresentação
da peça “Hamlet” em Londres, com a presença de Agnes. Emocionante. Segundo o
material de divulgação, o roteiro obedece parcialmente os fatos históricos da
vida de Shakespeare, com alguma concessão à ficção. De qualquer modo, trata-se de um
filme de altíssima qualidade dramática e técnica. Elenco: Jessie Burckley, Paul
Mescal, Joe Alwyn, Emily Watson, Jacobi Jupe, Olivia Lynes, David Wilmot, Freya
Hannah-Mills, Dainton Andreson, Elliot Baxter, Bodhi Rae Breathnach, Jack
Shalloo, Sam Woolf e Hera Gibson.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
“MISSÃO REFÚGIO” (“SHELTER”), 2026,
coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 1h47m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Ric Roman Waugh (“Invasão ao Serviço Secreto”, “Destruição Final: O Último
Refúgio”), seguindo roteiro assinado por Ward Parry. Filme de ação com o
brucutu Jason Statham, que interpreta Michael Mason, um ex-agente especial do
serviço secreto inglês que vive escondido numa das Ilhas Hébridas, na Costa da
Escócia. Ele saiu de cena depois de se negar a assassinar uma pessoa, entrando
na lista negra do serviço secreto (M16). Ele deu um jeito de ser considerado
morto e desaparecido. Isolado numa pequena ilha onde funcionava um farol, ele
só recebia a visita de um antigo companheiro e sua sobrinha, Jessie (Bodhi E. Breathnach,
que estreou como atriz no filme “Hamnet, a Vida Antes de Hamlet”), responsáveis
por levar alimentos para Mason. Um dia, porém, a embarcação naufraga perto da
ilha e Mason consegue salvar a menina, que passou a morar com ele. A situação começa
a se complicar quando Mason e Jessie vão ao continente para comprar remédios e
alimentos. Mason é filmado por uma câmera da farmácia e, feito o reconhecimento
facial pelo serviço secreto, ele e a menina passam a correr risco de vida.
Não resta alternativa senão fugir, o que rende muito suspense e inúmeras cenas
de ação. O filme é bom, mas longe de apresentar motivos para uma recomendação entusiasmada. Elenco:
Jason Statham, Bodhi R. Breathnach, Michael Shaeffer, Anna Crilly, Bill Nighy,
Harriet Walter, Eugenia Caruso, Celine Buckens, Naomi Ackie, Bally Gill,
Bronson Webb, Laurent Buson, Tomi May, Rodaid Findlay, Bryan Vigier, Daniel
Mays e Ryan Fletcher.
“KRAVEN, O CAÇADOR” (“KRAVEN
THE HUNTER”), 2024, Estados Unidos, 2h7m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de J.C. Chandler (“O Ano Mais Violento”, “Operação Fronteira”),
seguindo roteiro assinado por Richard Wenk, Arthur Marcum e Matthew Hollaway. Este
é o sexto filme do Universo Homem-Aranha, da Sony Pictures. O personagem Kraven
é um dos vilões das cinco histórias anteriores. “Kraven, o Caçador” mostra como
nasceu o anti-herói, o fato de ter ficado órfão de mãe e ser criado, junto com
o irmão mais novo, Dmitri, por um pai sádico e violento, Nicolai Kravinoff
(Russell Crowe), poderoso chefe da máfia russa. Quando acompanhava o pai numa
caçada na África, ele ainda era o jovem Sergei Kravinoff. Atacado por um leão,
Sergei ficou gravemente ferido e foi cuidado por uma jovem feiticeira, que lhe
curou com uma poção mágica. Além disso, uma gota de sangue caída do leão penetrou
em um dos seus ferimentos. Com isso, Sergei se transformou num homem com
instinto animal, agindo como tal. Ou seja, virou um predador e logo uma lenda, sendo chamado de “Kraven, O Caçador”. No filme, porém, ele deixou de
lado a fama de vilão, transformando-se em defensor dos animais e caçador dos bandidos,
incluindo o próprio pai. Há que se destacar as primorosas cenas de ação, uma
delas em especial, numa perseguição nas ruas de Londres. Embora muita gente
tenha criticado o filme, eu gostei. E recomendo. Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Fred Hechinger, Levi
Miller, Ariana DeBose, Russell Crowe, Alessandro Nivola, Christopher Abbott,
Diana Babnivova, Murat Seven, Yuri Kolokolnikov, Billy Barratt, Tom Reed, Guillaume
deLaunay e Masha Vasyukova.
sábado, 25 de julho de 2026
“O CORPO QUE HABITO” (“KOBIETA
Z...”), 2023, coprodução Polônia/Suécia, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção da dupla Michal Englert e Malgorzata Szumowska. Mais daqueles
filmes pouco divulgados e que você descobre meio escondido. A história é
centrada num jovem que cresce, casa, tem filhos, mas que desde sempre sentia um
lado feminino pronto a aflorar. O filme acompanha a trajetória desse personagem
durante 45 anos, ao final dos quais ele resolve assumir em definitivo como
mulher, trocando seu nome Andrzej para Aniela – interpretados respectivamente
por Mateusz Wieclawek e Malgorzata Hajeska-Krzusztofik. Sua esposa Iza (Bogumila
Bajor na juventude e Joanna Kulig na fase adulta) não desconfiou que o marido
escondia esse segredo. Afinal, teve dois filhos com ele. De início, o choque
foi enorme e ela fica revoltada, assim como os pais de Andrzej, que o expulsam
de casa. Sem lugar para morar e sem emprego fixo – vivia de “bicos”, ele chegou
a morar numa pensão para travestis e depois num convento. Resumo da ópera: o
filme é um retrato humano e sensível da transição de gênero, e de um processo de
autodescoberta que o roteiro explora com enorme competência, transformando “O
Corpo que Habito” num excelente drama. Um lembrete final: não confunda este
filme com “A Pele que Habito”, do espanhol Pedro Almodovar. Elenco: Malgorazata
Hajeska-Krzusztofik, Joana Kulig, Mateusz Wieclawek, Marta Nieradkiewicz, Renata
Dancewicz, Tomasz Schuchardt, Jacek Braciak, Pola Gonciarz, Jerzy Bonczak, Anna
Tomaszeska, Bogumila Bajor e Piotr Bondyra.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
“DESEJO” (“DESEO”), 2026,
coprodução México/Espanha, 1h39m, em cartaz na Netflix, direção de Teresa
Simone, seguindo roteiro assinado por Giulia Cardamone e Vanessa Miklos.
Suspense com pitadas de erotismo bem comportado, contando a história da
advogada Lucero (Ludwika Paleta), uma mulher casada de meia idade, mãe de dois
adolescentes, que se apaixona pelo técnico de natação de sua filha, Matías (o
ator espanhol Óscar Casas, irmão do também ator Mario Casas). Depois de muito sexo,
Lucero é obrigada a cortar relações com o rapaz por conta de uma chantagem, mas
ele não aceita a rejeição, afirmando que está apaixonado. A situação começa a ficar complicada quando Matías
resolve se vingar namorando a filha de Lucero. Tragédia à vista, não dá outra.
O filme é repleto de defeitos, mas tem como trunfo o desempenho e a beleza da atriz
Ludwika, nascida na Polônia e radicada no México desde os três anos de idade.
Ela carrega o filme nas costas com uma forma física admirável aos 47 anos de
idade. Elenco: Ludwika Paleta, José María Yazpik, Óscar Casas, Leonardo
Ortizgris, Pilar Pascual, Matias Coronado, Ivana Salomón, Gabi Zamora, Jaydy
Michel, Giovani Florido, Ángel Lópes-Silva, Cedma Morales, Viviane Delgado e
Mónika Sánchez.
terça-feira, 21 de julho de 2026
“A VOZ DE HIND RAJAB” (“SAWT
HIND RAJAB”), 2025, Tunísia, 1h30m, em cartaz na Netflix,
roteiro e direção da cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania (“As 4 Filhas de
Olfa”). Trata-se de um drama impactante e comovente que reproduz a trágica
ocorrência verificada na Faixa de Gaza em janeiro de 2024. Como retaliação aos
atentados praticados por terroristas do Hamas no de 7 de outubro do ano
anterior, o exército de Israel ocupou Gaza com o objetivo de capturar os
terroristas e tentar resgatar os reféns. O filme é todo ambientado na central
de comunicação dos voluntários do Crescente Vermelho, organização que presta
ajuda humanitária à população palestina em situação de perigo. Omar (Motaz
Malhees), um dos voluntários, recebe uma ligação desesperada de uma menina de cinco
anos presa dentro de um carro com seis mortos de sua família. “Por favor,
venham até mim, por favor, venham. Estou com medo”, ela suplicava em meio a um
grande tiroteio. Comovidos com a situação da menina, os voluntários Omar, Rana
(Saja Kilani), Mahdi (Amer Hlehel) e Nisreen (Clara Khoury) dedicaram toda parte
do seu tempo a conversar com ela e a tranquilizá-la, dizendo que logo haverá
uma ajuda. Importante destacar que os áudios da menina são originais, o que
torna a situação ainda mais angustiante para o espectador. O filme é excelente,
traduz com perfeição a angústia e o desespero do pessoal da Crescente Vermelho
em tentar salvar Hindi Rajab. O filme estreou no 82º Festival de Veneza, sendo
ovacionado por 23 minutos pela plateia, ganhando o Grande Prêmio do Júri. Também
concorreu ao Oscar 2026 na categoria Melhor Filme Internacional representando a
Tunísia. Para concluir, lembro que Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara,
Alfonso Cuarón e Jonathan Glazer são alguns dos produtores do filme, aquela mesma turma de Hollywood que não gosta de Trump e de Israel.
sábado, 18 de julho de 2026
“CHRISTY – UM NOVO ROUND” (“CHRISTY”), 2025,
Estados Unidos, 2h15m, em cartaz na HBO Max, direção do cineasta australiano David
Michôd (“Reino Animal”, “War Machine”), que também assina o roteiro com
Katherine Fugate e Mirrah Folkes. Trata-se da cinebiografia de Christy Martin Salters
(Sydney Sweeney), considerada a pioneira do boxe profissional nos Estados
Unidos. Nascida na pequena cidade de Itmann, Virgínia Ocidental, ela se
destacava como jogadora de basquete nos campeonatos universitários, apesar da
baixa estatura (1m64). Convidada a treinar boxe pelo técnico James Martin (Ben Foster)
no final dos anos 80, ela mostrou que tinha coragem, talento e garra para subir no ringue - nos treinos, ela costumava nocautear os sparrings homens. No decorrer dos anos 90 ela
se consagrou, sendo apresentada ao famoso empresário do boxe Don King, que
ajudou a alavancar sua carreira. O filme não apenas destaca Christy no esporte,
mas também na sua conturbada vida pessoal. Problemas com a família e mais tarde
com o seu violento e possessivo marido James Martin, que quase a matou. Recuperada,
ela voltou ao boxe e, em 2009, conquistou o título mundial feminino na
categoria meio-médio. Enfim, uma trajetória incrível, valorizada ainda mais
pelo fantástico desempenho da atriz Sydney Sweeney e as ótimas cenas de luta. Um filmaço! Elenco:
Sydney Sweeney, Ben Foster, Jess Gabor, Naomi Graham, Coleman Pedigo, Merritt
Wever, Ethan Embry, Tony Cavalero, Katy O’Brian, Brayan Hibbard, Anthony
Buisseret, Chad Coleman, Valyn Hall e Stephanie Baur.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
“BLUE MOON – MÚSICA E SOLIDÃO”
(“BLUE MOON”), 2025, Estados Unidos, 1h40m, em cartaz na HBO
Max, direção de Richard Linklater, seguindo roteiro assinado por Robert Kaplow.
Na noite de 31 de março de 1943, enquanto o musical “Oklahoma!” era aclamado na
Broadway, no bar Sardi’s curtia sua mágoa e frustração o letrista Lorenz Hart
(Ethan Hawke), durante anos o parceiro do compositor Richard Rodgers. Juntos,
foram responsáveis por alguns dos maiores sucessos da música popular
norte-americana, como “Blue Moon”, “The Lady is a Tramp”, “Manhattan”, “My
Funny Valentine”, entre outras inúmeras músicas de altíssima qualidade. Para o
musical “Oklahama”, Hart foi trocado por Oscar Hammerstein II, motivo do
desgosto e da tristeza de Hart, que afogava suas mágoas com o bartender Eddie
(Bobby Cannavale). O personagem de Hart retratado no filme é um sujeito
patético, egocêntrico e verborrágico demais, embora os diálogos sejam muito
bons. Ele abre seu coração dizendo amar Elizabeth Weiland (Margaret Qualley,
maravilhosa), que se considera apenas sua amiga, mais uma das frustações do
letrista. O filme fica mais animado quando chegam ao bar Richard Rodgers
(Andrew Scott) e seus assessores e admiradores, comemorando o sucesso de “Oklahoma”.
Hart não é nem notado e, ao se aproximar do antigo parceiro, propõe escrever um
novo musical, desesperado para voltar ao cenário musical. Hart não consegue seu intento e volta a beber muito, morrendo poucos meses depois. Enfim, “Blue
Moon” poderia servir melhor para uma peça teatral, mas como filme não decepciona,
principalmente pelo excelente desempenho do ator Ethan Hawke, que já trabalhou
com o diretor Linklater na trilogia “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr do Sol”
e “Antes da Meia-Noite”. Para encerrar o comentário, lembro que “Blue Moon”,
indicado a duas categorias no Oscar 2026 (Melhor Ator e Melhor Roteiro
Original), é destinado a um público muito especial, adulto e qualificado. Elenco:
Ethan Hawke, Margaret Qualley, Andrew Scott, Patrick Kennedy, Bobby Cannavale,
Cillian Sullivan, Jonah Lees, Simon Delaney, Giles Surridge, Caitrona Ennis e
David Rawle.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
“O DRAMA” (“THE DRAMA”), 2026,
Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção do cineasta
norueguês Kristoffer Borgli (“O Homem dos Teus Sonhos”, “Doente de Mim Mesma”).
Trata-se de uma comédia romântica com pitadas de suspense, reunindo uma dupla
de artistas dos mais badalados atualmente: Robert Pattinson e Zendaya, cujo
nome verdadeiro é Zendaya Marree Stoermer Coleman. A história gira em torno do
casal de namorados Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya), cujo casamento está
marcado para dali a uma semana. Num papo informal com os amigos Rachel (Alana
Haim) e Mike (Mamoudou Athie), surge uma pergunta que todos devem responder: “Qual
a pior coisa que você já fez?”. Quando chegou a vez de Emma, a resposta chocou
a todos, pois ela relembrou um fato chocante de sua adolescência. O caldo
entornou para o casal de noivos. Charlie começou a pensar em que fria se meteu.
Entre encontros e desencontros, muito papo furado e desavenças, chega
finalmente o dia do casamento. Aí a coisa vai pegar. Achei que o filme demora a
esquentar, o que acontece realmente somente às vésperas da festa de casamento e suas
consequências. Trocando em miúdos, não vejo motivos suficientes para uma
recomendação entusiasmada, ainda mais que Zendaya e Robert Pattinson nunca me convenceram como atriz e ator. Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Anna Baryshnikov, Michel Abbott Jr., Sydney Lemmon, Hannah Gross, Jordyn Curet, Dee Nelson, Ken Cheeseman, Damon Gupton, Jordan Raf, Doria Bramante e Jeremy Lewvick.
“AITA” (“AÑTA”), 2023,
coprodução Rússia/República de Sakha, 1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de
Stepan Burnashev, que também assina o roteiro com Svetlana Taayko. Trata-se de
um drama policial ambientado numa remota vila localizada na República de Sakha –
também conhecida como Iacútia - região da Síbéria. Aqui vive o povo Sakha,
grupo étnico de origem turcomana. Na vila em questão, uma adolescente morre
depois de ser estuprada. Encarregado da investigação, o chefe da polícia local,
comandante Nikolai Sirditov (Innokenty Lukovtsev), chega à conclusão que um de seus subordinados, o
russo Afonya (Andrey Fomin), é o principal suspeito. Diante da revolta da
população, que quer fazer justiça com as próprias mãos, o comandante prende
Afonya na pequena delegacia, que logo vira alvo dos moradores que querem
vingança, o principal deles o pai da jovem vítima, que se chama Aita, daí o título do filme. O suspense gira em torno da
proteção ao suspeito e da tentativa de removê-lo para outra cidade visando sua
proteção. Mas todas as possibilidades estão fora de cogitação, pois a chuva e o
vento impedem qualquer remoção. Perto do desfecho, uma grande reviravolta
acontece, valorizando ainda mais este excelente filme russo. Só mais um detalhe
interessante: na República de Sakha existe a cidade de Iakusk, considerada a
mais fria do mundo, cuja temperatura média é de 60 graus negativos.





















