“O CORPO QUE HABITO” (“KOBIETA
Z...”), 2023, coprodução Polônia/Suécia, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção da dupla Michal Englert e Malgorzata Szumowska. Mais daqueles
filmes pouco divulgados e que você descobre meio escondido. A história é
centrada num jovem que cresce, casa, tem filhos, mas que desde sempre sentia um
lado feminino pronto a aflorar. O filme acompanha a trajetória desse personagem
durante 45 anos, ao final dos quais ele resolve assumir em definitivo como
mulher, trocando seu nome Andrzej para Aniela – interpretados respectivamente
por Mateusz Wieclawek e Malgorzata Hajeska-Krzusztofik. Sua esposa Iza (Bogumila
Bajor na juventude e Joanna Kulig na fase adulta) não desconfiou que o marido
escondia esse segredo. Afinal, teve dois filhos com ele. De início, o choque
foi enorme e ela fica revoltada, assim como os pais de Andrzej, que o expulsam
de casa. Sem lugar para morar e sem emprego fixo – vivia de “bicos”, ele chegou
a morar numa pensão para travestis e depois num convento. Resumo da ópera: o
filme é um retrato humano e sensível da transição de gênero, e de um processo de
autodescoberta que o roteiro explora com enorme competência, transformando “O
Corpo que Habito” num excelente drama. Um lembrete final: não confunda este
filme com “A Pele que Habito”, do espanhol Pedro Almodovar. Elenco: Malgorazata
Hajeska-Krzusztofik, Joana Kulig, Mateusz Wieclawek, Marta Nieradkiewicz, Renata
Dancewicz, Tomasz Schuchardt, Jacek Braciak, Pola Gonciarz, Jerzy Bonczak, Anna
Tomaszeska, Bogumila Bajor e Piotr Bondyra.





















