“INESTIMÁVEL” (“JEWEL”), 2022,
África do Sul, 1h20m, em cartaz na Netflix, direção de Adze Ugah, que também
assina o roteiro com Glenrose Ndlovu. Tendo como pano de fundo o tema do Apartheid,
como acontece com a maioria dos filmes sul-africanos, a história é centrada na
fotógrafa profissional Tyra (Michelle Botes), que se desloca da Cidade do Cabo
para Johanesburgo para visitar e fotografar o memorial dedicado às vítimas do massacre
de Sharpeville ocorrido em 1960 (leia no final do comentário). Tyra
conhece a jovem Siya (Nqobile Khumalo), oferecendo uma quantia em dinheiro para
que ela sirva de guia na cidade. Na verdade, Tyra tem outras intenções com a
moça. Tyra assedia Siyas, mas esta tem um namorado tipo machão, e, pior, odeia
os brancos. Tyra, portanto, não vai ter vida fácil. Siya a aconselha a voltar
para a Cidade do Cabo, pois estará correndo perigo, mas Tyra insiste em ficar
por amor a ela. O filme, falado em inglês e africâner, dois dos doze idiomas
oficiais do país, é muito interessante por destacar alguns importantes cultos
religiosos africanos praticados pela população negra, além de ressaltar o
trauma das pessoas com relação ao Apartheid e também ao massacre de
Sharpeville, um bairro na periferia de Johanesburgo. Aconteceu durante uma
manifestação realizada pelo Congresso Pan-Africano (PAC) contra a Lei do Passe,
que obrigava os negros sul-africanos a usarem uma caderneta na qual estava escrito
onde poderiam ir. A polícia nacional da África do Sul, formada por maioria
branca, mandou bala contra os manifestantes, causando a morte de 69 pessoas e
ferimentos em outras 180. Um destaque triste foi a morte da atriz sul-africana
Michelle Botes, em dezembro de 2024, aos 62 anos. Ela era muito conhecida por
participar de muitos filmes e inúmeras séries televisivas. “Inestimável” não é
um filme muito fácil de digerir, mas é forte o suficiente para manter a atenção
do espectador, que poderá conferir um bom exemplar do cinema sul-africano.
sábado, 31 de janeiro de 2026
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