terça-feira, 27 de janeiro de 2026

“RAINHA DO CARVÃO” (“MISS CARBÓN”), 2025, coprodução Argentina/Espanha, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção de Agustina Macri e roteiro assinado por Erika Halvorsen e Mara Pescio. A história é baseada em fatos reais ocorridos na primeira década deste século. O/a personagem principal é Carla Antonella Rodríguez, a primeira mulher transgênero a ser admitida como funcionária numa empresa mineradora localizada no vilarejo de Río Turbio, na Patagônia argentina, um frio danado. Rejeitada/o pelos pais, “Carlita” foi colocada/o para fora de casa e vivia perambulando pelas ruas, dormindo em albergues e casas de amigos. Ainda homem (?), ela conseguiu trabalhar como mecânico na empresa mineradora Yacimientos Carboníferros Río Turbio (YCRT). Trabalhava no interior da mina de carvão e pegava no pesado, mas não tinha o respeito dos seus colegas de trabalho, que o tratavam como bichinha e viado. Ela costumava dizer: “O carvão não discrimina, os homens sim”. Mas ele/ela não se importou. Nas horas vagas de trabalho, Carlita frequentava um clube noturno que funcionava também como prostíbulo recheado de travestis. Carlita se enturmou com o grupo e logo decidiu se submeter a uma operação de mudança de sexo. Com isso, a contragosto, foi transferida para o escritório, pois a empresa não admitia mulheres na mina. Quando a identidade de gênero passou a ser reconhecida pelo Estado argentino (Lei de Identidade de Gênero, de 2012), Carlita assumiu de vez o nome de Carla Antonella Rodríguez e batalhou muito para voltar a trabalhar no interior da mina, apoiada (quem diria?), pelos seus próprios antigos colegas homens. Sem dúvida, uma história muito interessante de perseverança e coragem. Carlita é interpretada de maneira magistral pela atriz e ativista  trans Lux Pascal (irmã do ator latino do momento em Hollywood, Pedro Pascal), que ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes 2025. Completam o elenco Laura Grandinetti, Paco León, Simone Mercado, Jorge Román e Romina Escobar. Outro destaque são os cenários gelados da Patagônia, de um branco deslumbrante. Enfim, “Rainha do Carvão” é um filme muito interessante que merece ser assistido.         

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