“RAINHA DO CARVÃO” (“MISS
CARBÓN”), 2025, coprodução Argentina/Espanha, 1h34m, em cartaz na
Netflix, direção de Agustina Macri e roteiro assinado por Erika Halvorsen e
Mara Pescio. A história é baseada em fatos reais ocorridos na primeira década
deste século. O/a personagem principal é Carla Antonella Rodríguez, a primeira mulher transgênero a ser admitida como funcionária
numa empresa mineradora localizada no vilarejo de Río Turbio, na Patagônia
argentina, um frio danado. Rejeitada/o pelos pais, “Carlita” foi colocada/o
para fora de casa e vivia perambulando pelas ruas, dormindo em albergues e
casas de amigos. Ainda homem (?), ela conseguiu trabalhar como mecânico na
empresa mineradora Yacimientos Carboníferros Río Turbio (YCRT). Trabalhava no
interior da mina de carvão e pegava no pesado, mas não tinha o respeito dos
seus colegas de trabalho, que o tratavam como bichinha e viado. Ela costumava
dizer: “O carvão não discrimina, os homens sim”. Mas ele/ela não se importou. Nas
horas vagas de trabalho, Carlita frequentava um clube noturno que funcionava
também como prostíbulo recheado de travestis. Carlita se enturmou com o grupo e
logo decidiu se submeter a uma operação de mudança de sexo. Com isso, a
contragosto, foi transferida para o escritório, pois a empresa não admitia
mulheres na mina. Quando a identidade de gênero passou a ser reconhecida pelo
Estado argentino (Lei de Identidade de Gênero, de 2012), Carlita assumiu de vez
o nome de Carla Antonella Rodríguez e batalhou muito para voltar a trabalhar no
interior da mina, apoiada (quem diria?), pelos seus próprios antigos colegas
homens. Sem dúvida, uma história muito interessante de perseverança e coragem.
Carlita é interpretada de maneira magistral pela atriz e ativista trans Lux Pascal (irmã do ator latino do
momento em Hollywood, Pedro Pascal), que ganhou o prêmio de Melhor Atriz no
Festival de Cannes 2025. Completam o elenco Laura Grandinetti, Paco León,
Simone Mercado, Jorge Román e Romina Escobar. Outro destaque são os cenários
gelados da Patagônia, de um branco deslumbrante. Enfim, “Rainha do Carvão” é um
filme muito interessante que merece ser assistido.
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
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