quarta-feira, 8 de abril de 2026

 

“O PREÇO DE UM CORPO” (“SZELÍD” ou “GENTLE”), 2022, Hungria, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de László Csuja e Anna Nemes. O fisiculturismo nunca foi minha praia. Nunca fui adepto da modalidade e jamais assisti a alguma competição. É claro que tem gosto pra tudo. Este drama húngaro chegou meio tímido ao streaming, mas é um filme muito interessante. A figura central da história é a fisiculturista Edina (Eszter Csonka), treinada pelo seu marido Ádám (György Turós), um ex-campeão mundial. O filme acompanha o cotidiano de muito sacrifício de Edina, seu treinamento exaustivo, injeções, suplementos, remédios e uma dieta de faquir, contrariando o que o corpo de um atleta exige. Mas o campeonato mundial está chegando e ela representará seu país. Portanto, qualquer sacrifício valerá a pena, se a saúde não for afetada. O custo financeiro dessa parafernália é alto e o casal tem que se desdobrar em esforços para bancar as despesas. Escondida do marido, Edina chega a se prostituir através de um site de encontros. O filme é muito triste, realista demais, mas muito interessante. Um dos fatores que mais me tocou foi o fato de que a atriz e fisiculturista também na vida real Eszter Csonka é muito feia, masculinizada demais e com o corpo todo desfigurado. Mesmo com tudo isso, consegue sensibilizar o espectador pela sua coragem de se expor. Aviso aos navegantes: não é um filme muito fácil de digerir.

terça-feira, 7 de abril de 2026

 

“LINDAS E LETAIS” (“PRETTY LETHAL”), 2026, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Vicky Jewson (“Close”, “Born of War”), seguindo roteiro assinado por Kate Freund. Quem conhece um pouco de cinema sabe que filmes trash são aqueles geralmente de baixo orçamento com histórias absurdas que buscam chocar ou divertir pelo grotesco (humor negro), além de muito sangue jorrando. “Lindas e Letais” é um bom exemplo desse gênero cultuado por poucos. Cinco jovens bailarinas saem dos Estados Unidos rumo à Hungria, onde na capital Budapeste disputarão uma importante competição internacional. O ônibus que está levando o grupo quebra no meio de uma floresta. As cinco bailarinas e a técnica decidem abandonar o ônibus e procurar um telefone para pedir resgate. Encontram um casarão que serve como pousada, restaurante e casa de shows, mas a frequência é péssima, formada por delinquentes e alguns ciganos da pior qualidade. Por uma incrível coincidência que só o cinema é capaz de criar, a dona do estabelecimento é uma ex-dançarina clássica, a misteriosa Devora Kasimer (Uma Thurman). As cinco bailarinas são simplesmente presas na casa e têm que se defender da melhor maneira possível para sobreviver até o final da história. Em ótima forma física, o quinteto resolve ensaiar movimentos transformando o balé clássico numa arte marcial, e a partir de então a matança é brava. Mas tem seus momentos de humor, quando uma das bailarinas é torturada por um psicopata. Com um alicate ele arranca a unha do dedão da moça, que dando risada diz a ele que já perdeu inúmeras unhas e já não sente mais dor. Trocando em miúdos, o filme garante muito suspense e ação, sustos e risadas. Enfim, um bom entretenimento pelo menos para os que gostam de filmes trash. Elenco: Uma Thurman, Maddie Ziegler, Iris Apatow, Lana Condor, Millicent Simmonds, Avantika Vandanapu, Lydia Leonard, Julian Krenn, Tamás Hagió, Miklós Béres, Péter Végh, Krisztián Csákvári, Kate Freund, TamáS Szabó Sipos e Bela Orsányi.

domingo, 5 de abril de 2026

 

“INTELIGÊNCIA HUMANA” (“HUMINT”), 2026, Coreia do Sul, 1h59m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Ryoo Seung-Wan. Trata-se de um filme de espionagem com bastante suspense e ação. No cardápio da história, muita política,  corrupção, tráfico de drogas e de pessoas, contrabando e prostituição. Ainda abalado pelo assassinato de uma importante informante, à qual prometera proteger, um agente do serviço secreto da Coreia do Sul é enviado para uma perigosa missão na cidade russa de Vladivostok visando descobrir quem estaria envolvido no tráfico de metanfetamina que chegava à Coreia do Sul via Coreia do Norte. Segundo o governo sul-coreano, a invasão da droga no país é uma estratégia de seu inimigo do norte para desestabilizar a sociedade sul-coreana. O agente descobriu o envolvimento de uma poderosa máfia russa, além do cônsul da Coreia do Norte em Vladivostok. De início, o espectador pode ficar meio perdido na história, com tantos personagens, mas aos poucos conseguirá entendê-la. É a partir da segunda metade do filme que a ação começa pra valer, com muitos tiros e sangue jorrando. Cenas muito bem feitas. O filme é muito bom e ainda conta com um excelente elenco constituído de artistas populares do cinema sul-coreano, como Zo In-Sung, Park Jeong-Min e Shin Sae-Kyeong. “Inteligência Humana” alcançou o primeiro lugar no ranking global entre as 973 plataformas de streaming do mundo. Não é qualquer filme que consegue essa marca.