sexta-feira, 8 de maio de 2026

“THELMA”, 2024, Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Josh Margolin. Comédia bem leve indicada para toda a família, desta vez incluindo os avós. Para escrever a história, o diretor Margolin se inspirou num fato que envolveu sua própria avó, ainda viva aos 103 anos. Há uns anos ela sofreu uma tentativa de golpe. Alguém telefonou fingindo-se de outra pessoa e tentou arrancar dinheiro dela. Só ficou na tentativa, mas Margolin conseguiu criar uma história, com muito humor, de uma idosa que caiu num golpe. Alguém ligou para Thelma Post (June Squibb), uma idosa de 93 anos, fingindo ser seu neto que teria sido preso e pedindo 10 mil dólares para pagar a fiança. Quando chegou à conclusão de que era um golpe, não havia mais o que fazer, a não ser ir atrás do golpista por iniciativa própria, já que a polícia não lhe deu nenhuma esperança. Para ajudá-la, recorreu à ajuda de Ben (Ricardo Roundtree), um antigo amigo também na faixa dos 90 que mora numa casa de repouso. E lá foram os dois, a bordo de uma scooter elétrica, atrás dos bandidos, uma aventura e tanto para dois velhos. A atriz June Squibb, mesmo com as limitações da idade, dá um show de interpretação neste que foi seu único filme como protagonista principal – June ficou conhecida por atuar em papéis secundários em inúmeros filmes, entre os quais “Perfume de Mulher”, “A Idade da Inocência”, “About Schmidt”, “Longe do Paraíso” e “Nebraska”. Neste último, seu trabalho mereceu uma indicação ao Oscar 2014 de “Melhor Atriz Coadjuvante”. Trocando em miúdos, “Thelma” é uma comédia leve e sensível. Elenco: June Squibb, Fred Hechinger, Parker Posey, Clark Gregg, Ricardo Roundtree, Hilda Bouluware, Carol Cetrone, Nicole Byer, Bunny Levine, Chase Kim, Sheila Korsi, Coral Peña e Malcolm McDowell numa participação especial.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

“MINHA QUERIDA SENHORITA” (“MI QUERIDA SEÑORITA”), 2026, Espanha, 1h53m, em cartaz na Netflix, direção de Fernando González Molina (“Paraíso”, “Legado nos Ossos”, “Oferenda da Tempestade”), seguindo roteiro assinado por Alana S. Portero. Trata-se da refilmagem do filme com o mesmo título que causou grande polêmica em 1972 - chegou até a concorrer ao Oscar. Na versão atual, a personagem principal é Adela (Elisabeth Martínez), uma jovem de 25 anos filha única de um casal conservador da cidade de Pamplona. Ela nasceu hermafrodita, ou seja, com órgãos reprodutores de ambos os sexos. Hoje, o termo hermafrodita foi substituído por intersexo. O filme acompanha a jornada de autodescoberta de Adela, indecisa sobre sua opção sexual. O único com o qual podia se abrir é um padre gay, que sempre se propôs a ouvi-la e lhe dar conselhos. Enfim, um bom amigo. Muito alta, ombros largos, meio desconjuntada e longe de ser bonita, Adele até que tinha um admirador, um ex-colega de escola que a beijou num reencontro. Ela gostou, mas nem tanto. Sua primeira paixão verdadeira seria Isabel (Ana Castillo), uma atriz de teatro assumidamente lésbica. Adele se apaixonou de verdade, mas o romance terminaria quando ela resolve se mudar para Madrid e se travestir como homem, com bigode e tudo. Mais uma decepção. Somente no desfecho da história ela assume sua verdadeira identidade. Com todos os seus defeitos, um deles o ritmo um tanto lento, achei o filme muito interessante e faço questão de elogiar o trabalho da atriz estreante Elisabeth Martínez, que se destaca numa primorosa e corajosa interpretação. Como a personagem Adele, Elisabeth também é intersexo. Elenco: Elisabeth Martínez, Ana Castillo, Paco León, Maria Galiana, Nagore Aranburu, Lola Rodríguez, Eneko Sagardoy, Rodrigo Cuevas, Delphina Bianco e Isabel Miguel Hernanz.


domingo, 3 de maio de 2026

 

“SOLDADO DE CHUMBO” (“TIN SOLDIER”), 2025, Estados Unidos, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”, “Conexão Escobar”), que também assina o roteiro com Jess Fuerst e Pablo F. Fenjves. O resultado final deste filme de ação não faz jus ao excelente elenco, encabeçado por Scott Eastwood, Jamie Foxx, Robert De Niro e John Leguizamo. O tema da história, ou seu pano de fundo, é a questão dos soldados que voltam dos campos de batalha com trauma de guerra, também conhecido como TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). No filme, em vez de serem submetidos ao programa oficial do governo norte-americano de atendimento psicológico, muitos soldados preferiram se alistar numa espécie de seita comandada pelo ex-soldado Bokushi (Jamie Foxx), cujo principal objetivo é fazer uma lavagem cerebral nos “fiéis” para depois promover uma vingança contra o governo. Nash Cavanaugh (Scott Eastwood), consegue escapar e depois retorna numa missão para acabar com a seita e também resgatar sua namorada. Assim como a história em si, as cenas de ação não convencem, são superficiais e, pior, filmadas no modo escuro. O bom ator Jamie Foxx aparece com um visual patético, com aquele cabelão anos 70. Seu personagem é histriônico, exagerado, inconveniente e desagradável. Foxx, desta vez, não convenceu. Scott é filho de Clint Eastwood, uma reprodução fiel do jovem Clint, os mesmos olhos, aquele mesmo olhar. É também bom ator. Robert De Niro aparece pouco, mas já dá mostras de que deve logo partir para a aposentadoria das telas. Enfim, a minha opinião, assim como da maioria dos cinéfilos e críticos profissionais, é desfavorável a uma recomendação. Elenco: Scott Eastwood, Jamie Foxx, Robert De Niro, John Leguizamo, Nora Arnezeder, Shamier Anderson, Joey Bicicchi, Rita Ora, Nadia Falegka, Eire Farrell, Shana Leelee Chasman, Alexa Feinstein e Igor Pecenjev.