“ELIZE: SOMBRAS DE UMA MULHER”, 2026,
Brasil, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Felipe Vellasco, seguindo
roteiro assinado por Raphael Montes e Mariana Torres. Filme conta a história
daquele que foi um dos crimes mais chocantes já ocorridos no Brasil. Em 2012,
Elize Matsunaga (Lorena Comparato) assassinou e esquartejou o marido Marcos
Kitano Matsunaga (Henrique Kimura), um rico empresário da indústria
alimentícia. O filme mostra a trajetória de Elize desde que trabalhava como
garota de programa até casar com um de seus “clientes”, Marcos, diretor e herdeiro
da fábrica Yoki, e por fim presa e condenada. Aos poucos, Marcos foi revelando
sua verdadeira personalidade, um marido violento e infiel, frequentador de
casas noturnas de prostituição, onde acabou arrumando uma amante fixa. Elize
descobriu tudo e, ao confrontar Marcos, foi ameaçada de internação num hospital
psiquiátrico, além de um divórcio que garantiria a guarda da filha para ele.
Foi a gota d’água para Elize perder a cabeça e assassinar o marido. Como tudo
no filme é baseado nos fatos reais mostrados no documentário “Elize Matsunaga –
Era Uma Vez um Crime”, de 2021, não há como pensar que ela teve alguma razão em
cometer o crime, haja vista o comportamento agressivo e violento de Marcos.
Vale destacar a atuação espetacular da atriz luso/brasileira Lorena Comparato
como Elize. De valer o ingresso. Elenco: Lorena Comparato, Julia Konrad,
Denise Weinberg, Henrique Kimura, Ana Julia Dorigon, julia Shimura, Flora
Sandyá, Erica Montanheiro, Marat Descartes, Arthur Toyoshima, Edson Kameda e
Gui Dantas.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
sábado, 1 de agosto de 2026
“CONSPIRADORES” (“LOS
CREYENTES”), 2026, Espanha, 1h46m, em cartaz na Netflix,
direção de Roger Gual, seguindo roteiro assinado por Carlos Monteiro Castiñeira
e Darío Madrona. Trata-se de um suspense cuja história é centrada numa dúvida
cruel: a mulher morreu num acidente ou foi assassinada? A vítima é a mãe de
Ruth (Stéphanie Magnin), que há dois anos vive em Berlim, onde trabalha como bartender
numa discoteca. Quando recebe a notícia, Ruth retorna à sua cidade natal na
Espanha. Segundo seu pai Martín (José Coronado) e a polícia local, a mãe bebeu
demais e caiu no banheiro, bateu com a cabeça e morreu. Ruth não acredita em
acidente. Pior, passa a desconfiar do própria pai, que mostra um comportamento
estranho e agressivo, pois está consumido por teorias da conspiração, acusando a indústria
farmacêutica de todos os males do mundo, inclusive utilizando crianças para
pesquisas. Esse comportamento maluco é compartilhado por uma mulher,
ex-policial, que Ruth acredita ser também amante do pai. E por aí vai a
história, até que no desfecho trágico tudo será esclarecido. Apesar da presença
sempre marcante do veterano ator José Coronado, o filme não me convenceu. Entre
os prós e contras, fiquei com os contras. Elenco: José Coronado,
Stéphanie Magnin, Fanny Gautier, Mabel Del Pozo, Celine Fortenbacher, Alberto
Olmo, Israel Ruiz, Álvaro Gallego, María Prendes e Olaya López.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
“HAMNET: A VIDA ANTES DE
HAMLET” (“HAMNET”), 2025, coprodução Inglaterra/Estados Unidos,
2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta chinesa Chloé Zhao (“Normadland”),
que também assina o roteiro com Maggie O’Farrel, autora do livro cuja história
é adaptada. O filme recebeu inúmeros prêmios e indicações ao Oscar 2026 em oito
categorias (venceu a de Melhor Atriz, para Jessie Burckley). Tudo gira em torno
da peça “Hamlet”, considerada a obra principal do poeta e dramaturgo inglês
William Shakespeare (1564-1616). Como nasceu a ideia de conceber a peça? O filme explica conduzindo o espectador à
vida particular de Shakespeare na cidade de Strafford, onde nasceu e mais tarde
casou com Agnes Hathaway, com a qual teve três filhos, Judith, a mais velha, e
os gêmeos Judith e Hamnet. Tempos difíceis, trágicos. Para sustentar a família,
William dava aulas de latim. Depois partiu para Londres tentar a carreira de
dramaturgo. Aí veio a peste bubônica, que matou Hamnet aos 11 anos de idade. A
situação degringolou para uma forte crise no casamento, Agnes se queixando que
o marido nunca estava presente. O grand finale é a primeira apresentação
da peça “Hamlet” em Londres, com a presença de Agnes. Emocionante. Segundo o
material de divulgação, o roteiro obedece parcialmente os fatos históricos da
vida de Shakespeare, com alguma concessão à ficção. De qualquer modo, trata-se de um
filme de altíssima qualidade dramática e técnica. Elenco: Jessie Burckley, Paul
Mescal, Joe Alwyn, Emily Watson, Jacobi Jupe, Olivia Lynes, David Wilmot, Freya
Hannah-Mills, Dainton Andreson, Elliot Baxter, Bodhi Rae Breathnach, Jack
Shalloo, Sam Woolf e Hera Gibson.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
“MISSÃO REFÚGIO” (“SHELTER”), 2026,
coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 1h47m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Ric Roman Waugh (“Invasão ao Serviço Secreto”, “Destruição Final: O Último
Refúgio”), seguindo roteiro assinado por Ward Parry. Filme de ação com o
brucutu Jason Statham, que interpreta Michael Mason, um ex-agente especial do
serviço secreto inglês que vive escondido numa das Ilhas Hébridas, na Costa da
Escócia. Ele saiu de cena depois de se negar a assassinar uma pessoa, entrando
na lista negra do serviço secreto (M16). Ele deu um jeito de ser considerado
morto e desaparecido. Isolado numa pequena ilha onde funcionava um farol, ele
só recebia a visita de um antigo companheiro e sua sobrinha, Jessie (Bodhi E. Breathnach,
que estreou como atriz no filme “Hamnet, a Vida Antes de Hamlet”), responsáveis
por levar alimentos para Mason. Um dia, porém, a embarcação naufraga perto da
ilha e Mason consegue salvar a menina, que passou a morar com ele. A situação começa
a se complicar quando Mason e Jessie vão ao continente para comprar remédios e
alimentos. Mason é filmado por uma câmera da farmácia e, feito o reconhecimento
facial pelo serviço secreto, ele e a menina passam a correr risco de vida.
Não resta alternativa senão fugir, o que rende muito suspense e inúmeras cenas
de ação. O filme é bom, mas longe de apresentar motivos para uma recomendação entusiasmada. Elenco:
Jason Statham, Bodhi R. Breathnach, Michael Shaeffer, Anna Crilly, Bill Nighy,
Harriet Walter, Eugenia Caruso, Celine Buckens, Naomi Ackie, Bally Gill,
Bronson Webb, Laurent Buson, Tomi May, Rodaid Findlay, Bryan Vigier, Daniel
Mays e Ryan Fletcher.
“KRAVEN, O CAÇADOR” (“KRAVEN
THE HUNTER”), 2024, Estados Unidos, 2h7m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de J.C. Chandler (“O Ano Mais Violento”, “Operação Fronteira”),
seguindo roteiro assinado por Richard Wenk, Arthur Marcum e Matthew Hollaway. Este
é o sexto filme do Universo Homem-Aranha, da Sony Pictures. O personagem Kraven
é um dos vilões das cinco histórias anteriores. “Kraven, o Caçador” mostra como
nasceu o anti-herói, o fato de ter ficado órfão de mãe e ser criado, junto com
o irmão mais novo, Dmitri, por um pai sádico e violento, Nicolai Kravinoff
(Russell Crowe), poderoso chefe da máfia russa. Quando acompanhava o pai numa
caçada na África, ele ainda era o jovem Sergei Kravinoff. Atacado por um leão,
Sergei ficou gravemente ferido e foi cuidado por uma jovem feiticeira, que lhe
curou com uma poção mágica. Além disso, uma gota de sangue caída do leão penetrou
em um dos seus ferimentos. Com isso, Sergei se transformou num homem com
instinto animal, agindo como tal. Ou seja, virou um predador e logo uma lenda, sendo chamado de “Kraven, O Caçador”. No filme, porém, ele deixou de
lado a fama de vilão, transformando-se em defensor dos animais e caçador dos bandidos,
incluindo o próprio pai. Há que se destacar as primorosas cenas de ação, uma
delas em especial, numa perseguição nas ruas de Londres. Embora muita gente
tenha criticado o filme, eu gostei. E recomendo. Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Fred Hechinger, Levi
Miller, Ariana DeBose, Russell Crowe, Alessandro Nivola, Christopher Abbott,
Diana Babnivova, Murat Seven, Yuri Kolokolnikov, Billy Barratt, Tom Reed, Guillaume
deLaunay e Masha Vasyukova.
sábado, 25 de julho de 2026
“O CORPO QUE HABITO” (“KOBIETA
Z...”), 2023, coprodução Polônia/Suécia, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção da dupla Michal Englert e Malgorzata Szumowska. Mais daqueles
filmes pouco divulgados e que você descobre meio escondido. A história é
centrada num jovem que cresce, casa, tem filhos, mas que desde sempre sentia um
lado feminino pronto a aflorar. O filme acompanha a trajetória desse personagem
durante 45 anos, ao final dos quais ele resolve assumir em definitivo como
mulher, trocando seu nome Andrzej para Aniela – interpretados respectivamente
por Mateusz Wieclawek e Malgorzata Hajeska-Krzusztofik. Sua esposa Iza (Bogumila
Bajor na juventude e Joanna Kulig na fase adulta) não desconfiou que o marido
escondia esse segredo. Afinal, teve dois filhos com ele. De início, o choque
foi enorme e ela fica revoltada, assim como os pais de Andrzej, que o expulsam
de casa. Sem lugar para morar e sem emprego fixo – vivia de “bicos”, ele chegou
a morar numa pensão para travestis e depois num convento. Resumo da ópera: o
filme é um retrato humano e sensível da transição de gênero, e de um processo de
autodescoberta que o roteiro explora com enorme competência, transformando “O
Corpo que Habito” num excelente drama. Um lembrete final: não confunda este
filme com “A Pele que Habito”, do espanhol Pedro Almodovar. Elenco: Malgorazata
Hajeska-Krzusztofik, Joana Kulig, Mateusz Wieclawek, Marta Nieradkiewicz, Renata
Dancewicz, Tomasz Schuchardt, Jacek Braciak, Pola Gonciarz, Jerzy Bonczak, Anna
Tomaszeska, Bogumila Bajor e Piotr Bondyra.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
“DESEJO” (“DESEO”), 2026,
coprodução México/Espanha, 1h39m, em cartaz na Netflix, direção de Teresa
Simone, seguindo roteiro assinado por Giulia Cardamone e Vanessa Miklos.
Suspense com pitadas de erotismo bem comportado, contando a história da
advogada Lucero (Ludwika Paleta), uma mulher casada de meia idade, mãe de dois
adolescentes, que se apaixona pelo técnico de natação de sua filha, Matías (o
ator espanhol Óscar Casas, irmão do também ator Mario Casas). Depois de muito sexo,
Lucero é obrigada a cortar relações com o rapaz por conta de uma chantagem, mas
ele não aceita a rejeição, afirmando que está apaixonado. A situação começa a ficar complicada quando Matías
resolve se vingar namorando a filha de Lucero. Tragédia à vista, não dá outra.
O filme é repleto de defeitos, mas tem como trunfo o desempenho e a beleza da atriz
Ludwika, nascida na Polônia e radicada no México desde os três anos de idade.
Ela carrega o filme nas costas com uma forma física admirável aos 47 anos de
idade. Elenco: Ludwika Paleta, José María Yazpik, Óscar Casas, Leonardo
Ortizgris, Pilar Pascual, Matias Coronado, Ivana Salomón, Gabi Zamora, Jaydy
Michel, Giovani Florido, Ángel Lópes-Silva, Cedma Morales, Viviane Delgado e
Mónika Sánchez.
terça-feira, 21 de julho de 2026
“A VOZ DE HIND RAJAB” (“SAWT
HIND RAJAB”), 2025, Tunísia, 1h30m, em cartaz na Netflix,
roteiro e direção da cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania (“As 4 Filhas de
Olfa”). Trata-se de um drama impactante e comovente que reproduz a trágica
ocorrência verificada na Faixa de Gaza em janeiro de 2024. Como retaliação aos
atentados praticados por terroristas do Hamas no de 7 de outubro do ano
anterior, o exército de Israel ocupou Gaza com o objetivo de capturar os
terroristas e tentar resgatar os reféns. O filme é todo ambientado na central
de comunicação dos voluntários do Crescente Vermelho, organização que presta
ajuda humanitária à população palestina em situação de perigo. Omar (Motaz
Malhees), um dos voluntários, recebe uma ligação desesperada de uma menina de cinco
anos presa dentro de um carro com seis mortos de sua família. “Por favor,
venham até mim, por favor, venham. Estou com medo”, ela suplicava em meio a um
grande tiroteio. Comovidos com a situação da menina, os voluntários Omar, Rana
(Saja Kilani), Mahdi (Amer Hlehel) e Nisreen (Clara Khoury) dedicaram toda parte
do seu tempo a conversar com ela e a tranquilizá-la, dizendo que logo haverá
uma ajuda. Importante destacar que os áudios da menina são originais, o que
torna a situação ainda mais angustiante para o espectador. O filme é excelente,
traduz com perfeição a angústia e o desespero do pessoal da Crescente Vermelho
em tentar salvar Hindi Rajab. O filme estreou no 82º Festival de Veneza, sendo
ovacionado por 23 minutos pela plateia, ganhando o Grande Prêmio do Júri. Também
concorreu ao Oscar 2026 na categoria Melhor Filme Internacional representando a
Tunísia. Para concluir, lembro que Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara,
Alfonso Cuarón e Jonathan Glazer são alguns dos produtores do filme, aquela mesma turma de Hollywood que não gosta de Trump e de Israel.
sábado, 18 de julho de 2026
“CHRISTY – UM NOVO ROUND” (“CHRISTY”), 2025,
Estados Unidos, 2h15m, em cartaz na HBO Max, direção do cineasta australiano David
Michôd (“Reino Animal”, “War Machine”), que também assina o roteiro com
Katherine Fugate e Mirrah Folkes. Trata-se da cinebiografia de Christy Martin Salters
(Sydney Sweeney), considerada a pioneira do boxe profissional nos Estados
Unidos. Nascida na pequena cidade de Itmann, Virgínia Ocidental, ela se
destacava como jogadora de basquete nos campeonatos universitários, apesar da
baixa estatura (1m64). Convidada a treinar boxe pelo técnico James Martin (Ben Foster)
no final dos anos 80, ela mostrou que tinha coragem, talento e garra para subir no ringue - nos treinos, ela costumava nocautear os sparrings homens. No decorrer dos anos 90 ela
se consagrou, sendo apresentada ao famoso empresário do boxe Don King, que
ajudou a alavancar sua carreira. O filme não apenas destaca Christy no esporte,
mas também na sua conturbada vida pessoal. Problemas com a família e mais tarde
com o seu violento e possessivo marido James Martin, que quase a matou. Recuperada,
ela voltou ao boxe e, em 2009, conquistou o título mundial feminino na
categoria meio-médio. Enfim, uma trajetória incrível, valorizada ainda mais
pelo fantástico desempenho da atriz Sydney Sweeney e as ótimas cenas de luta. Um filmaço! Elenco:
Sydney Sweeney, Ben Foster, Jess Gabor, Naomi Graham, Coleman Pedigo, Merritt
Wever, Ethan Embry, Tony Cavalero, Katy O’Brian, Brayan Hibbard, Anthony
Buisseret, Chad Coleman, Valyn Hall e Stephanie Baur.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
“BLUE MOON – MÚSICA E SOLIDÃO”
(“BLUE MOON”), 2025, Estados Unidos, 1h40m, em cartaz na HBO
Max, direção de Richard Linklater, seguindo roteiro assinado por Robert Kaplow.
Na noite de 31 de março de 1943, enquanto o musical “Oklahoma!” era aclamado na
Broadway, no bar Sardi’s curtia sua mágoa e frustração o letrista Lorenz Hart
(Ethan Hawke), durante anos o parceiro do compositor Richard Rodgers. Juntos,
foram responsáveis por alguns dos maiores sucessos da música popular
norte-americana, como “Blue Moon”, “The Lady is a Tramp”, “Manhattan”, “My
Funny Valentine”, entre outras inúmeras músicas de altíssima qualidade. Para o
musical “Oklahama”, Hart foi trocado por Oscar Hammerstein II, motivo do
desgosto e da tristeza de Hart, que afogava suas mágoas com o bartender Eddie
(Bobby Cannavale). O personagem de Hart retratado no filme é um sujeito
patético, egocêntrico e verborrágico demais, embora os diálogos sejam muito
bons. Ele abre seu coração dizendo amar Elizabeth Weiland (Margaret Qualley,
maravilhosa), que se considera apenas sua amiga, mais uma das frustações do
letrista. O filme fica mais animado quando chegam ao bar Richard Rodgers
(Andrew Scott) e seus assessores e admiradores, comemorando o sucesso de “Oklahoma”.
Hart não é nem notado e, ao se aproximar do antigo parceiro, propõe escrever um
novo musical, desesperado para voltar ao cenário musical. Hart não consegue seu intento e volta a beber muito, morrendo poucos meses depois. Enfim, “Blue
Moon” poderia servir melhor para uma peça teatral, mas como filme não decepciona,
principalmente pelo excelente desempenho do ator Ethan Hawke, que já trabalhou
com o diretor Linklater na trilogia “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr do Sol”
e “Antes da Meia-Noite”. Para encerrar o comentário, lembro que “Blue Moon”,
indicado a duas categorias no Oscar 2026 (Melhor Ator e Melhor Roteiro
Original), é destinado a um público muito especial, adulto e qualificado. Elenco:
Ethan Hawke, Margaret Qualley, Andrew Scott, Patrick Kennedy, Bobby Cannavale,
Cillian Sullivan, Jonah Lees, Simon Delaney, Giles Surridge, Caitrona Ennis e
David Rawle.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
“O DRAMA” (“THE DRAMA”), 2026,
Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção do cineasta
norueguês Kristoffer Borgli (“O Homem dos Teus Sonhos”, “Doente de Mim Mesma”).
Trata-se de uma comédia romântica com pitadas de suspense, reunindo uma dupla
de artistas dos mais badalados atualmente: Robert Pattinson e Zendaya, cujo
nome verdadeiro é Zendaya Marree Stoermer Coleman. A história gira em torno do
casal de namorados Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya), cujo casamento está
marcado para dali a uma semana. Num papo informal com os amigos Rachel (Alana
Haim) e Mike (Mamoudou Athie), surge uma pergunta que todos devem responder: “Qual
a pior coisa que você já fez?”. Quando chegou a vez de Emma, a resposta chocou
a todos, pois ela relembrou um fato chocante de sua adolescência. O caldo
entornou para o casal de noivos. Charlie começou a pensar em que fria se meteu.
Entre encontros e desencontros, muito papo furado e desavenças, chega
finalmente o dia do casamento. Aí a coisa vai pegar. Achei que o filme demora a
esquentar, o que acontece realmente somente às vésperas da festa de casamento e suas
consequências. Trocando em miúdos, não vejo motivos suficientes para uma
recomendação entusiasmada, ainda mais que Zendaya e Robert Pattinson nunca me convenceram como atriz e ator. Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Anna Baryshnikov, Michel Abbott Jr., Sydney Lemmon, Hannah Gross, Jordyn Curet, Dee Nelson, Ken Cheeseman, Damon Gupton, Jordan Raf, Doria Bramante e Jeremy Lewvick.
“AITA” (“AÑTA”), 2023,
coprodução Rússia/República de Sakha, 1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de
Stepan Burnashev, que também assina o roteiro com Svetlana Taayko. Trata-se de
um drama policial ambientado numa remota vila localizada na República de Sakha –
também conhecida como Iacútia - região da Síbéria. Aqui vive o povo Sakha,
grupo étnico de origem turcomana. Na vila em questão, uma adolescente morre
depois de ser estuprada. Encarregado da investigação, o chefe da polícia local,
comandante Nikolai Sirditov (Innokenty Lukovtsev), chega à conclusão que um de seus subordinados, o
russo Afonya (Andrey Fomin), é o principal suspeito. Diante da revolta da
população, que quer fazer justiça com as próprias mãos, o comandante prende
Afonya na pequena delegacia, que logo vira alvo dos moradores que querem
vingança, o principal deles o pai da jovem vítima, que se chama Aita, daí o título do filme. O suspense gira em torno da
proteção ao suspeito e da tentativa de removê-lo para outra cidade visando sua
proteção. Mas todas as possibilidades estão fora de cogitação, pois a chuva e o
vento impedem qualquer remoção. Perto do desfecho, uma grande reviravolta
acontece, valorizando ainda mais este excelente filme russo. Só mais um detalhe
interessante: na República de Sakha existe a cidade de Iakusk, considerada a
mais fria do mundo, cuja temperatura média é de 60 graus negativos.
sexta-feira, 10 de julho de 2026
“MÃE EM FÚRIA” (“RUSHED”), 2021,
Estados Unidos, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Vibeke Muasya (“Lost
In Africa”), seguindo roteiro assinado por Siobhan Fallon Hogan, também atriz
principal do filme. Ela interpreta Barbara O’Brien, uma mãe católica irlandesa
bastante rigorosa com os filhos, principalmente no que se refere a preceitos
religiosos e à educação. Barbara é uma mãe sempre presente – cuida da casa, prepara
o café da manhã para o marido e leva os três filhos mais novos para a escola, enquanto Jimmy (Jay
Jay Warren), o filho mais velho, está na faculdade. Ela faz questão de ligar
para Jimmy todos os dias. Na faculdade, o jovem e mais alguns novos alunos são
submetidos a um trote constrangedor, promovido pelos alunos mais velhos
integrantes de uma fraternidade, instituição ridícula muito comum nas universidades
norte-americanas. Num dos trotes, Jimmy é obrigado a tomar doses cavalares de
álcool, além de ingerir uma droga colocada em sua bebida. Resultado: entra em
coma irreversível, morrendo pouco depois. Revoltada, Barbara sai a campo para
buscar o depoimento de outras mães que perderam o filho durante esses trotes. Ela
viaja sozinha visitando cidades e estados. Chega até a confrontar um senador
pedindo que faça uma lei para acabar com esse tipo de constrangimento a que são
submetidos os novos alunos. Por enquanto, ela trabalha na questão do protesto
cívico. Até o dia em que, assistindo a um vídeo onde aparece um veterano fazendo
xixi na cabeça de Jimmy. Ela então vira uma fera, planejando – e executando -
uma vingança digna de mãe contra o responsável por aquele constrangimento e,
provavelmente, pela morte do seu filho. Para não dar spoiler sobre o que
acontece depois, paro por aqui meu comentário. “Mãe em Fúria” é um bom drama,
valorizado pelo desempenho fenomenal da atriz Siobhan Fallon Hogan que,
confesso, não me lembro de tê-la visto em outros filmes. Elenco: Siobhan Fallon Hogan, Jay Jay Warren, Robert
Patrick, Lily Rosenthal, Jack Weary, Peri Gilpin, Kevin Anderson, Fat Nick,
Jared Sandler, Phil Villapiano e Jordan Lage.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
“PAIXÃO DE ESCRITÓRIO” (“OFFICE ROMANCE”), 2026, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês Ol Parker (“Ingresso para o Paraíso”, “Mamma Mia”, “Imagine Eu e Você”), seguindo roteiro assinado por Brett Goldstein e Joe Kelly, este último criador da série “Ted Lasso”. Mais uma comédia romântica repleta de clichês, com a diferença de contar no elenco com a diva Jennifer Lopez, com muitas cenas para exaltar sua beleza aos 56 anos, comprovada na cena em que ela aparece de biquini numa praia. Realmente, ainda um corpaço. Ela é Jackie Cruz, a presidente (recuso-me a escrever CEO, mais um anglicismo que detesto) da fictícia Cruz Airlines, no filme uma das mais importantes empresas aéreas dos Estados Unidos, fundada por seu pai, Jack Cruz (Edward James Olmos). No dia a dia da empresa, Jackie é uma dirigente durona, todo mundo tem medo dela, menos sua assistente direta, Sydney (Betty Gilpin), responsável pelos momentos de maior humor. A empresa impõe uma política rígida com relação a namoros entre os funcionários. Mas é só chegar o advogado Daniel Blanchflower (Brett Goldstein) para quebrar a regra, e justamente envolvendo a presidente da empresa. Achei as situações amorosas muito forçadas, pois Goldstein não tem o mínimo atrativo para o papel de um galã. Ainda mais para conquistar um mulherão como Jennifer Lopez. Em todo caso, trata-se de um filme leve, que não ofende nossa inteligência, mas passa longe de uma recomendação entusiasmada. Elenco: Jennifer Lopez, Brett Goldstein, Betty Gilpin, Amy Sedaris, Tony Hale, Rick Hoffman, Jodie Wittaker, Mary Wiseman, Tony Plana, Roger Bart, Edward James Olmos, Lisa Gilroy, Will Sasso, Donald Elise Watkins, Alli Stooker e Mo Welch.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
“GRAND FINALE” (“FÚLTT HÚS”), 2025,
Islândia, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Sigurjón
Kjartansson (“Desajustados”). Pena que esta ótima comédia não tenha sido divulgada
como deveria. Está meio escondida no catálogo da Prime. Pena, porque é uma
comédia bem divertida, leve e simpática, contando ainda com o auxílio de uma
trilha sonora de primeira. Vamos à história. A orquestra de câmara de Reykjavik
(capital da Islândia), constituída por seis músicos e seus instrumentos de
cordas, já não atrai público para os seus concertos. Precisava de alguma novidade
interessante e urgente para trazer de volta o sucesso de outrora. Coincidentemente, o violoncelista Klemens (Hilmir Snaer Guonason), de fama internacional, resolve
abandonar suas apresentações pelo mundo e voltar para sua terra natal. Ele é
convidado a se juntar ao conjunto de câmara de Reykjavik. E aceita. Era a
novidade que faltava para impulsionar a pequena orquestra e garantir os subsídios do
governo. Nos primeiros ensaios, Klemens demonstra uma atitude inconveniente com
as mulheres, assediando-as com a maior cara de pau. Não há o que fazer a
respeito por enquanto, pois um grande concerto está marcado para dali a alguns
dias. Será o tal Gran Finale do título. E, garanto, você vai morrer de rir com as
situações ocorridas nos bastidores antes e durante a grande apresentação, que
contará com as presenças do presidente da Islândia, da ministra da Cultura, do
prefeito da capital e outras importantes autoridades. Não perca! Elenco:
Hilmir Snaer Guonason, Ilmur Kristjánsfóttir, Jón Gnarr, Vivian Ólafsdóttir,
Helga Braga Jónsdóttir, Guojón Davio Karlsson, Margrét Jónsdóttir, Halldor
Gylfason, Hannes Oli Ágústsso e Unnur Osp Stefánsdóttir.
domingo, 5 de julho de 2026
“NUREMBERG”, 2025,
coprodução Estados Unidos/Hungria (as filmagens ocorreram em Budapeste, capital
húngara), 2h29m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de James
Vanderbilt (“Casamento Sangrento”, “Conspiração e Poder”). Para escrever o
roteiro, Vanderbilt se baseou no livro “The Nazi and the Psychiatrist”, escrito
por Jack El-Hai e lançado em 2013. Mais do que um excelente filme, trata-se de
uma verdadeira aula de história. O foco principal é o julgamento de 22 oficiais
nazistas acusados de crimes de guerra, principalmente a morte de judeus nos
campos de concentração. O julgamento ocorreu logo depois do final da Segunda
Guerra Mundial na cidade alemã de Nuremberg. O personagem central é o psiquiatra
do exército norte-americano Douglas Kelley (Rami Malek, o ator dentuço que interpretou
Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”), convocado para avaliar a aptidão
mental dos prisioneiros alemães, principalmente Herman Göring (Russell Crowe),
braço direito de Hitler e seu sucessor natural no governo nazista. Além das
cenas de tribunal – as imagens dos campos de concentração são chocantes -, o
filme mostra os bastidores da organização do julgamento e o trabalho do
psiquiatra tentando desvendar o que se passava na cabeça daqueles monstros
assassinos, responsáveis pelo assassinato de 6 de milhões de judeus durante o
conflito. “Nuremberg” é um filmaço. Elenco: Russell Crowe, Rami Malek,
Michael Shannon, Leo Woodall, Colin Hanks, Lydia Peckham, Lotte Verbeek, John
Slatter, Andreas Petschmann, Wrenn Schmidt, Tom Keune, Richard E. Grant, Dieter
Riesle e Peter Jordan.
sexta-feira, 3 de julho de 2026
PECADORES (SINNERS), 2025, Estados
Unidos, 2h18m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção de Ryan Coogler (”Creed”,
“Pantera Negra”). Inicio meu comentário informando que este é o recordista de
indicações (16) em toda a história do Oscar, recorde que pertencia
anteriormente a “All About Eve”, “Titanic” e “La La Land”, com 14 indicações. Ganhou
em quatro categorias: Melhor Roteiro Original, Melhor Ator (Michael B. Jordan),
Melhor Cinematografia e Melhor Trilha Sonora Original. A história é ambientada
em 1932 na região do Delta do Mississippi. Os irmãos gêmeos Smoke e Stack (interpretados por Jordan), retornam de Chicago, onde trabalharam como capangas de mafiosos, para sua cidade natal e
com os bolsos cheios de dólares. Quando chegam à cidade, adquirem um celeiro abandonado
e o transformam em um clube para apresentações musicais e pista de dança. A
noite de inauguração é um sucesso. Muito público e blues da melhor qualidade.
Só que tem um detalhe que ninguém poderia imaginar: a casa recebe a visita de
um grupo de vampiros. Isso mesmo, vampiros, comandados por um tal de Remmick. É
claro que a situação só tende a piorar e, realmente, a noite não termina bem. O
filme é bastante movimentado, tem muito suspense e sangue jorrando, mas talvez tenha
sido superestimado com relação às premiações. Não merecia tanto, mas tem suas
qualidades, principalmente a história, a trilha sonora, o humor negro e algumas
atuações excelentes, como é o caso de Michael B. Jordan. O racismo também é um
dos temas abordados. Elenco: Jordan,
Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O’Connell, Saul Williams, Andrene Ward,
Dave Maldonado, Lola Kirke, Jack O’Connell, Delroy Lindo, Percy Bell, Omar
Benson, Jayme Lawson e Sam Malone.
terça-feira, 30 de junho de 2026
“UMA BATALHA APÓS A OUTRA” (“ONE
BATTLE AFTER ANOTHER”), 2025, Estados Unidos, 2h42m, em cartaz na
HBO Max, roteiro e direção de Paul Thomas Anderson. A história foi adaptada do
livro “Vineland”, escrito por Thomas Pynchon e lançado em 1993. Se não o melhor,
este é, sem dúvida, um dos melhores filmes de 2025, o que pode ser comprovado
pelas inúmeras premiações (veja no fim do comentário). A história começa com a movimentação
de um grupo de guerrilheiros ativistas de extrema esquerda intitulado “French
75”, assaltando bancos e invadindo um centro de detenção para libertar dezenas de imigrantes. Pois foi
a política imigratória implementada pelo governo “tirano” dos EUA o principal
motivo para a criação do French 75. Pat Calhoun (Leonardo DiCaprio) e sua
namorada Perfídia Beverly Hills (Teyana Taylor) faziam parte da cúpula do grupo
terrorista e, por isso mesmo, eram caçados pelo exército norte-americano. Steven
J. Lockjaw (Sean Penn), um dos oficiais do exército, é responsável pela
perseguição. Ele consegue capturar Perfídia e a obriga a delatar os
companheiros. Calhoun consegue fugir com a filha ainda bebê e se esconde com o
nome falso de Bob Ferguson numa pequena cidade da Califórnia chamada Baktan
Cross. A história pula 16 anos e o bebê já é a adolescente Willa Ferguson
(Chase Infiniti), educada com tanto rigor pelo pai que não a deixa nem ter um
celular. Enquanto isso, Steven Lockjawn, agora coronel, vive um dilema. Ele tem
o sonho de pertencer a uma sociedade secreta de supremacistas brancos chamada “Christmas
Adventures”. Só que tem um grande problema: a adolescente Willa pode ser sua
filha e de Perfídia, uma mulher negra. Embora o contexto seja sério, há espaço
para muitas situações de humor, quase todas com Leonardo DiCaprio como pai histérico
sempre à beira de um ataque de nervos. Trocando em miúdos, o filme é tão bom
que você não sente a sua longa duração. É bastante movimentado e filmado num
ritmo quase alucinante. Méritos para o diretor Paul Thomas Anderson, cujo
currículo apresenta filmes de alta qualidade como “Trama Fantasma”, “Sangue Negro”, “Boogie
Nights” e “O Mestre”, entre outros. Com relação às premiações, “Uma Batalha
Após a Outra” recebeu 13 indicações ao Oscar 2026, vencendo em nada menos do
que seis: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Penn), Melhor Diretor, Melhor
Roteiro Adaptado, Melhor Montagem e Melhor Elenco. Também recebeu premiações
importantes do Globo de Ouro, Actors Awards, Critics’ Chose Awards, BAFTA e National
Board of Review. Elenco: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Chase Infiniti,
Teyana Taylor, Benicio Del Toro, Regina Hall, Alana Haim, Shayna McHayle, Wood Harris,
Paul Grimstad, Brooklyn Demme, Sachi Diserafino, Melissa Dueñas, Starletta
Dupois, Otillia Gupta, Tony Goldwyn e James Raterman.
sábado, 27 de junho de 2026
“A DESCONHECIDA” (“LA DESCONOCIDA”), 2026,
Espanha, 1h49m, em cartaz na Netflix, direção de Gabe Ibáñez (“Agente do Futuro”),
seguindo roteiro assinado por Lara Sendim. A história é baseada no romance
homônimo escrito por Rosa Montero e Olivier Truc e lançado em 2023.Trata-se de
um suspense policial tendo como ponto de partida o encontro de uma mulher amordaçada e amarrada dentro
de um contêiner no porto de Barcelona. Com o corpo cheio de hematomas, fruto
talvez de tortura, a moça é levada a um hospital, onde é interrogada pela
polícia. Ela não lembra de nada. A detetive Anna Ripoll (Candela Peña) é encarregada
de investigar o caso. Tudo é muito misterioso, assim como a participação do
detetive Quique Zarate (Pol López), alvo de investigação da corregedoria da polícia.
Os dois estrarão unidos para resolver o caso, ao que tudo indica esteja
relacionado com o tráfico de seres humanos. Aparentemente tem gente da própria polícia
envolvida, o que colocará a dupla de policiais em risco de vida. Tudo tem a ver
com uma tal de Lúcia (Kira Miró), irmã da desconhecida. O roteiro não facilita
para o espectador, que se vê enredado numa trama muito complicada. Destaque
negativo é a escolha da ótima atriz espanhola Candela Peña para protagonizar
uma policial. Baixinha, desconjuntada e mal vestida, além de gordinha, ela não
tem nada a ver com uma policial que inspire respeito. Aliás, os demais policiais vistos no filme não
passam de figuras sem qualquer condição de impor respeito. Trocando em miúdos,
trata-se de um suspense pouco convincente. Elenco: Candela Peña, Ana
Rujas, Pol López, Manolo Solo, Kira Miró, Esther Noya, Pilar Nogales, Luka
Peros, David Vert, Ren Hanami, Carlos Troya, Marc Soler e Yolanda Sey.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
A atriz sueca Josephine
Bornebusch produziu, escreveu o roteiro, dirigiu e atuou no drama familiar “O
QUE TIVER QUE SER” (“SLÄPP TAGET”), 2024, Suécia, 1h50m, em cartaz
na Netflix. Ela já havia escrito e dirigido outros filmes, entre os quais “Bebê
Rena” e “Welcome to Sweden”. Como atriz, trabalhou em muitos outros. É uma
excelente atriz, uma das melhores do cinema sueco. Em “O Que Tiver que Ser” ela
interpreta Stella, uma mulher de meia idade com dificuldades no casamento com a
apático marido terapeuta Gustav (Pal Sverre Valheim Hagen), além de aguentar a
rebeldia da filha adolescente e cuidar do filho hiperativo de 5 anos. Em seu
consultório, Gustav aconselha casais em conflito, afirmando que a comunicação
entre os dois é a base sólida para um casamento feliz. O que ele não faz em casa com Stella. Quando
ela reclama disso, ele simplesmente diz que fica falando e ouvindo os seus
pacientes o dia inteiro e que em casa ele quer sossego e silêncio. Quando ele propõe
divórcio, Stella pede um período de paz e sugere que toda família viaje para
acompanhar a filha que disputará uma competição de Pole Dance. A viagem
dará oportunidade para que o casal se entenda, mas pelo jeito não haverá conciliação,
pelo menos no início da viagem. “O Que Tiver que Ser” é um drama intimista de
muita qualidade, sensível e comovente. Não deixe de assistir. Elenco: Josephine
Bornebusch, Pal Sverre Valherim Hagen, Sigrid Johson, Loca Zackow, Leon
Mentori, Toni Daniel Sen, Niklas Falk, Mathias Lithner, Olle Jacobsson, Irma
Jämhammar, Kannu Kiviaho, Lotta Karlsson, Lotten Roos e Olle Tikkakoski.
terça-feira, 23 de junho de 2026
“O COLETIVO” (“THE COLLECTIVE”), 2023, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Tom DeNucci (“O Golpe”, “Johnny & Clyde”), com roteiro assinado por Matthew Rogers e Jason Jones. Mais um filme que deve agradar quem curte filmes de ação, pois não economiza em pancadaria e tiros. Vou resumir a história. Agentes deixaram a CIA para criar uma agência clandestina chamada “Coletivo”. Fora do controle do governo, a agência tem maior liberdade de ação, atuando com agentes treinados para matar. No comando está o ex-agente Liam (Don Johnson, pai da atriz Dakota Johnson), um sujeito durão que não permite falhas dos seus comandados. A nova missão é prender um poderoso traficante de seres humanos, um tal de Miro (Paul Ben-Victor) – ele promove leilões para milionários comprarem mulheres bonitas e rapazes. Hugo (Tyrese Gibson) é o mais experiente agente do “Coletivo”, mas talvez o mais conhecido pela turma do crime. Por causa, disso Liam resolve escalar para a missão o novato Sam (Lucas Tillo), que passou fácil pelo rigoroso treinamento da agência. Muitos tiros e pancadarias depois, Sam consegue chegar ao leilão principal com o objetivo de não só eliminar o poderoso traficante e sua quadrilha, mas também resgatar as pessoas que serão leiloadas e ainda um informante utilizado pela “Coletivo”. Como escrevi no início do comentário, o filme garante muita ação, mas não mais que isso. Elenco: Lucas Till, Don Johnson, Ruby Rose, Mercedes Moné, Paul Ben-Victor, Tyrese Gibson, Eric Lutes, Michael Zuccola, Brett Azar, Megan Danielle Gerald, John Fiore, Darryl Marsh, Julia Terranova e James Wilcox.
“O MISTÉRIO DO VINHEDO” (“BRUT
FORCE”), 2022, Estados Unidos, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de Eve Symington. A história é centrada na jornalista Sloane
Sawyer (Lelia Symington, irmã mais nova da diretora), que depois de ser demitida
do jornal onde trabalhava – deu um soco na cara do editor – volta para sua
cidade natal, Santa Lúcia, Califórnia. Ao chegar, percebe que o clima está
pesado, pois os trabalhadores do vinhedo de seu padrasto estão fugindo do assédio truculento de homens não identificados. A polícia não está nem aí. Sloane resolve investigar por conta própria e se
envolve na maior confusão. Ela desconfia que os responsáveis pela situação são
os donos de um outro vinhedo concorrente. Boa de briga, ela não rejeita
pancadaria, mas encontra um tempinho para se envolver com um rapaz metido a
galã. Tal qual não foi sua surpresa ao descobrir que o sujeito é filho da dona
do vinhedo que quer destruir o concorrente. Trocando em miúdos, o filme é
carregado nas costas pela atriz Lelia Symington, em seu primeiro papel como
protagonista principal. Ela dá conta do recado e sua beleza também ajuda. De
maneira geral, o filme não decepciona, mas não motiva uma recomendação
entusiasmada. Elenco: Lelia Symington, Patricia Velasquez, Tyler Posey,
Tate Hanyok, Vico Escorcia, Stelio Savante, Goya Robles, Chase Mullins, Sheila
Korsi, Rick Kleber, Ulysses Montoya, Erik Odom, Vivi Thai, Julian Silva, Carrie
Lynn Certa, Erik Reed e Mary Agnes Shearon.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
“O FRIO DA MORTE” (“DEAD OF
WINTER”), 2025, Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta irlandês Brian Kirk (“Crime sem Saída”), com roteiro assinado
por Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb. Suspense que traz a veterana atriz inglesa
Emma Thompson no papel de uma viúva que se vê envolvida numa série de situações
de perigo. Com o objetivo de atender ao pedido do marido Karl, ela deve ir ao lago
Hilda, norte de Minnesota, jogar as cinzas do falecido. Uma viagem e tanto no
meio de uma forte nevasca. Barb (Thompson) acaba perdida e é obrigada a pedir numa cabana isolada na floresta, sendo recebida por um sujeito misterioso
e mal-encarado. Mais tarde, ela descobriria que no porão da cabana havia uma
adolescente sequestrada. Não vou contar o objetivo do sequestro, mas posso
garantir que não é para pedir nenhum resgate. Envolvida com o caso, Barb terá
pela frente uma psicopata assassina, papel de Judy Greer. Até o desfecho, Barb tentará
salvar a jovem sequestrada e ainda enfrentar a psicopata, mesmo com a
dificuldade física de uma mulher de quase 70 anos. É preciso muito boa vontade
para achar que “O Frio da Morte” é um bom suspense. Emma Thompson, que já ganhou
um Oscar como Melhor Atriz pelo seu desempenho em “Howard’s End”, de 1993, se
esforça ao máximo fisicamente para encarar as cenas de ação. Aliás, pouco
convincentes. De maneira geral, o filme não decepciona, mas fica longe de uma
recomendação entusiasmada. Elenco: Emma Thompson, Judy Greer, Gaia Wise
(filha de Emma na vida real), Marc Menchaca, Lauren Marsden, Lloyd Hutchinson,
Dalton Leeb, Cuán Hosty-Blaney, Bryan O’Byrne e Paul Hamilton.
domingo, 21 de junho de 2026
“O MAQUINISTA” (“ENTRE LA VIE
ET LA MORT”), 2022, coprodução França/Espanha/Bélgica,
1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do cineasta chileno Giordano
Gederlini. Não tem aquele velho ditado que diz que um bom time começa com um
bom goleiro? No caso desse suspense, a coisa já começa mal com o título em
português, completamente equivocado, pois o personagem principal aparece
pilotando um trem no metrô de Bruxelas (Bélgica) apenas alguns segundos, no
começo da história. Um rapaz se joga na frente de sua unidade parecendo um suicídio.
Coincidência das coincidências, o jovem suicida é seu filho, que não via há
anos, desde que deixou a Espanha. Ao investigar o caso, a polícia descobre que
o suposto suicida tinha participado de um grande assalto. Leo Castaneda
(o ator espanhol Antonio de la Torre) é o tal “maquinista” do metrô. Ele se propõe a ajudar a delegada
Viriginie Rivage (Marine Vacth) a descobrir os responsáveis pelo assalto, mas
quem começa a ser investigado é o próprio Leo, cujo passado na Espanha não é
dos mais consagradores. O filme continua repleto de situações um tanto
absurdas, como o fato de que o chefão da polícia de Bruxelas, comissário Keller
Rivage (Olivier Gourmet), é pai da detetive. E não para por aí: as poucas
cenas de ação – lutas principalmente – são no mínimo constrangedoras. Para
concluir meu comentário, digo que entre mortos e feridos, o maior prejudicado é
o espectador que, como eu, resolveu assistir a este fraquíssimo suspense. Elenco:
Antonio de la Torre, Marine Vacth, Olivier Gourmet, Marnick Van Moe, Fabrice Adde,
Tibo Vandenborre, Lila Jones, Alexandre Bouyer, Marie Papillon, Noé Englebert,
Pablo Andres, Wim Willaert e Mathieu Mortelmans.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
quarta-feira, 17 de junho de 2026
“SKINCARE” (a
Netflix manteve o título original), 2024, Estados Unidos, 1h37m, direção de
Austin Peters (sua estreia em um longa-metragem), que também assina o roteiro
com Sam Freilich e Deering Regan. Trata-se de um suspense psicológico com
pitadas de humor negro, baseado num caso real ocorrido em 2013 envolvendo a
esteticista Dawn DaLuise, que teve sucesso realizando tratamentos faciais em
celebridades de Hollywood. Ela foi acusada e presa por ter elaborado um plano
de assassinato por encomenda cuja vítima era seu concorrente. No filme, a personagem
principal é Hope Goldman (Elizabeth Banks), esteticista de grande sucesso em
Los Angeles, figura presente em programas de TV e redes sociais. Ela dominava o
mercado feminino até a chegada de Angel Vergara (o ator mexicano Luis Gerardo
Méndez), que abriu sua clínica estética bem em frente da clínica de Hope. Ao
mesmo tempo, começam a circular pelas redes sociais mensagens anônimas
insinuando que Hope é uma profissional do sexo, entre outros ataques à sua
honra. Com sangue nos dentes, ela decide enfrentar toda essa situação com a
ajuda de Jordan Weaver (Lewis Pullman), um pilantra que se diz coach e
mestre em artes marciais. A confusão está formada, incluindo várias
reviravoltas e um final, para mim, decepcionante, pois o roteiro não define de
forma clara quem fez isso ou aquilo. Nem a ótima atuação de Elizabeth Banks
salva o filme. Elenco: Elizabeth
Banks, Lewis Pullman, Luis Gerardo Méndez, Michelá Jaé Rodriguez, Natan
Fillion, Erik Palladino, Manuel Olazábal, John Billingsley, Jesse Saler,
Medalion Rahimi, Wendie Malick, James Logan, Georgia Leva e Lucy Barrett.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
“HALLOW ROAD: CAMINHO SEM
VOLTA” (“HALLOW ROAD”), 2025, Inglaterra, 1h20m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Babak Anvari (“Sob a Sombra”, “Passei por Aqui”),
seguindo roteiro assinado por William Gillies. O suspense começa de madrugada. Maddie
(Rosamund Pike) e Frank Finch (Matthew Rhys) recebem o telefonema da filha
Alice. Desesperada, a jovem de 17 anos diz que atropelou uma
mulher numa estrada isolada. Os pais saem em socorro da filha e durante o trajeto
– que deve durar cerca de uma hora - tentam ajudá-la a fazer o certo, primeiro
orientando-a a socorrer a vítima. Como Maddie é paramédica de ambulância, orienta
a filha a fazer os procedimentos da Reanimação Cardiopulmonar (RCP). No meio
desse atendimento chegam duas pessoas ao local do acidente. Maddie e Frank
ficam desesperados, pensando no que pode acontecer com a filha. Até o desfecho,
o filme segue mostrando apenas os pais no carro falando no celular, o que exige
muita paciência por parte do espectador. Ou seja, muita conversa, pouca ação e
diálogos que algumas vezes revelam conflitos familiares. Você fica esperando
alguma revelação no final, o que não acontece. Nem dois atores excelentes como
Matthew Rhys e Rosamund Pike conseguiram segurar esse suspense. Não dá para
recomendar.
“AS CORES DO MAL: PRETO” (“KOLORY
ZLA: CZERN”), 2026, Polônia, 1h52m, em cartaz na Netflix, roteiro
e direção de Adrian Panek. Trata-se do segundo filme adaptado da trilogia “Cores
do Mal”, da romancista Malgorzata Oliwia Sobczak. O primeiro foi “As Cores do
Mal: Vermelho”, de 2024 (comentado aqui no blog). São histórias de suspense
policial. Em “Cores do Mal: Preto”, o promotor Leopold Bilski (Jakub Gierszal), o mesmo do primeiro filme, é deslocado de Varsóvia para a pequena cidade de Kartuzy, na região da
Kashúbia, norte da Polônia, para investigar o assassinato de uma criança.
Durante as investigações, outra criança some misteriosamente, o que indica uma
nova investida do mesmo assassino. Tudo parece estar relacionado com um coral
da igreja local, que ao longo dos anos foi perdendo alguns de seus jovens
integrantes. Ou então com uma lenda famosa na região que dava conta da existência
de vampiros. De qualquer forma, o filme leva o espectador a esperar um desfecho
surpreendente, o que não é muito o caso. Na cena final, abrupta e sem sentido,
fica claro que haverá uma terceira versão. Fica a dúvida qual a cor será usada
no título. Elenco: Jakub Gierszal, Marianna Zydek, Beata Scibakówna,
Adam Bobik, Robert Gonera, Piotro Zurawski, Jan Salasinski e Julian Swiezewski.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
“MÉXICO 1986”, em
cartaz na Netflix, 2026, México, 1h36m, direção de Gabriel Ripstein, que também
assina o roteiro com Daniel Krauze. Esta é uma ótima dica para assistir em meio
aos jogos da Copa do Mundo de Futebol deste ano. Baseada em fatos reais, a
história conta como o México conseguiu conquistar o direito de sediar a Copa do
Mundo de Futebol em 1986. Tudo em ritmo de comédia, uma sátira sobre corrupção,
poder e ambição. Enfim, os podres que cercam esse grande evento antes, durante
e depois. Com a desistência da Colômbia em sediar a Copa de 1986 por motivos
econômicos, Estados Unidos e Canadá se candidataram, mas não contavam com a
astúcia de um simples funcionário da Federação Mexicana de Futebol (FEMEXFUT),
Martín De La Torre (Diego Luna), o principal personagem da história. Com a
ideia fixa de colocar o México na disputa, De La Torre tentou convencer o
presidente da FEMEXFUT, mas não conseguiu. Numa jogada de mestre, ele recorreu
ao empresário Emílio Azcárraga, magnata da Televisa, convencendo-o a bancar o
evento. Depois de conseguir derrubar o presidente da Federação, De La Torre
conseguiu ser o representante do México na reunião da FIFA na Suíça, vencendo a
concorrência dos Estados Unidos e do Canadá. Claro que, para isso, precisou
distribuir algumas malas de dinheiro. Em setembro de 1985, um violento
terremoto atingiu o México, matando milhares de pessoas. Um representante da
FIFA foi checar os danos, mas não resistiu às chantagens etílicas de De La Torre.
Enfim, “México 1986” dá uma bela ideia de como são feitas as escolhas dos
países-sede. Diego Luna dá um show no papel de De La Torre, assim como a bela
atriz Karla Souza arrasa como sua amante. O filme é ótimo, esclarecedor e muito
divertido. Elenco: Diego Luna, Karla Souza, Daniel Giménez, Memo
Villegas, Alejandro Speitzer, Davor Tomic, Genevieve Fleming, Alexandre
Rodrigues, Álvaro Guerrero, Frank Crudele, Alfredo Huereca, Diana Sedano e
Enrique Arreola.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
“A SUBSTITUTA” (“BI ROYA”), 2022,
Irã, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem cineasta
iraniano Arian Vazirdaftari, de 37 anos, mais conhecido como diretor de curtas.
Este é o seu segunda longa-metragem – o primeiro foi “Not Yet”, de 2016. “A
Substituta” é um suspense psicológico muito interessante e que leva o
espectador a tentar decifrar o que está acontecendo na telinha. Tudo começa quando Roya (Tanaz
Tabatabaei) encontra uma jovem (Shadi Karamroudi) no meio da rua debaixo de
chuva e parecendo estar completamente perdida. Ela lhe oferece ajuda e
realmente a moça está totalmente fora do ar, em estado catatônico, não fala e
parece não saber nem ao menos quem é e o que está fazendo no meio da rua. Depois
de conduzir a jovem até a delegacia, Roya resolve levá-la para casa. Seu
marido, Babak (Saber Abar), de início não aceita a situação, pois está prestes
a embarcar com Roya para Copenhague, na Dinamarca, onde conseguiu um bom
emprego. Ele pede a Roya para deixar a coitada aos cuidados da polícia. Mas
Roya bate o pé e acolhe a moça em sua casa e lhe dá o nome de Ziba (Shadi
Karamroudi) até ela recordar o verdadeiro. Perto do desfecho, porém, a história dá uma reviravolta surpreendente,
que só um psiquiatra é capaz de compreender. Ou pelo menos um gênio da
criatividade. Verdade, eu fiquei meio perdido, pois o mundo de Roya vira de
cabeça para baixo de uma hora para outra. A história dá uma guinada violenta. De início, pensei que era uma armação do marido para levar, em vez dela, a jovem
Ziba, que teria se tornado sua amante. Fica a critério do espectador adivinhar
o que aconteceu de verdade e acreditar que tudo o que viu é verdade. Até agora estou tentando entender. Apesar de tudo isso, achei o filme bastante
interessante.
terça-feira, 9 de junho de 2026
“VIZINHOS BÁRBAROS” (“LES
BARBARES”), 2025, França, 1h42m, em cartaz na Netflix,
direção de Julie Delpy, que também assina o roteiro com Matthieu Rumani e
Nicolas Slomka. Julie Delpy já demonstrou seu talento como atriz, roteirista e
diretora em diversos filmes. Este espaço é pouco para citá-los. Recorram ao
Google. Em “Vizinhos Bárbaros”, ela também trabalha como atriz. Como roteirista
e diretora, ela conseguiu reunir, mais uma vez com muita competência, comédia e assuntos sérios, como o racismo e a
xenofobia. A história é ambientada no pequeno vilarejo de Paimpont, na região
da Bretanha. Delpy é a professora Joëlle Lesourd, integrante de uma ONG de
direitos humanos que convence o prefeito do vilarejo a receber refugiados da
Ucrânia em troca de subsídios do governo francês. Mas tal é a surpresa quando,
na verdade, quem chega são refugiados da Síria, o que provoca uma reviravolta e
tanto. Parte da população não aceita os refugiados, tratando-os como vizinhos bárbaros.
Essa situação perdura até o desfecho da história, quando uma mulher começa a
ter as dores do parto na beira de um lago e é ajudada justamente pela médica
síria refugiada. Alternando situações de pura comédia e dramas humanos, “Vizinhos
Bárbaros” resulta num filme bastante agradável, inteligente e muito elucidativo.
Imperdível. Elenco: Julie Delpy, Rita Hayek, Laurent Lafitte, Sandrine
Kiberlain, Fares Helou, India Hair, Daniel Moran, Mathieu Demy, Ziad Bakri,
Alberto Delpy (pai da diretora), Brigitte Roüan, Franc Bruneau, Dalia Naous,
Émilie Gavois-Kahn, Monsieur Fraize e Jean-Charles Clichet.
domingo, 7 de junho de 2026
“A TESTEMUNHA” (“THE MIDNESS”), 2026,
Inglaterra, minissérie em 3 capítulos em cartaz na Netflix, direção de Alex
Winckler, seguindo roteiro assinado por Rob Williams. Baseada em fatos reais descritos
no livro de memórias “Letting Go”, escrito por Alex Hanscombe, a história
começa no dia 15 de julho de 1992, quando Rachel Nickell (Eleanor Williams) é brutalmente
assassinada e estuprada no parque Wimbledon Common, em Londres. A única
testemunha do crime é o filho da vítima, Alex (o autor do livro), então com 3
anos de idade. A partir dessa tragédia, a minissérie acompanha o trabalho dos
investigadores da Scotland Yard para prender o assassino. Um suspeito é preso, mas seria solto depois de acontecer outro crime nos nos mesmos moldes,
demonstrando que os investigadores erraram feio. Muitos anos depois é que o
verdadeiro assassino seria descoberto. Ao mesmo tempo, a minissérie destaca a
dificuldade e o empenho do viúvo André Hanscombe (Jordan Bolger) em criar o traumatizado
filho Alex (Max Fincham) e evitar o assédio diário da imprensa, o que o levou a
se mudar para a França e depois para a Espanha, onde ambos residem até hoje.
Trocando em miúdos, a minissérie é ótima. Elenco: Jordan Bolger, Max Fincham, Eleanor Williams,
Jamie Bisping, Neil Maskell, Kevin Eldon, Mark Stanley, Jonathan Pointing,
James Dryden, James Bradshaw, Kerry Gldliman, Claire Rushbrook, Steve Stamp e
Paulina Piwko.
sábado, 6 de junho de 2026
“DE VOLTA A ROMA” (“ROM”), 2024,
coprodução Dinamarca, Itália e Suécia, 1h38m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Niclas Bendixen, que também assina o roteiro com Kristian Halken e Christian
Torpe. Mais um filme simpático da Prime, indicado para o público mais adulto. Para comemorar os seus 40 anos de casamento, Gerda (Bodil Jørgensen) e
Kristoffer (Kristian Halken) viajam para uma segunda lua de mel em Roma. A
filha deles é que deu a viagem como presente. Para Gerda, trata-se de sua segunda
viagem à cidade italiana, onde esteve quando jovem para estudar artes plásticas.
O que seu marido não sabe é que ela teve um caso amoroso com o seu professor
Johannes (Rolf Lassgard). Já dá pra imaginar, ou ter certeza, que ela encontrará o antigo
amante. Não deu outra. Ao jantar com o marido numa cantina, Gerda dá de cara
com Johannes. Apresentações feitas, ele é convidado para sentar à mesa do
casal. Gerda, um tanto constrangida pela situação, vê os dois conversarem
animadamente. E dá-lhe altas doses de grappa, tantas que os três acabam no
apartamento de Johannes. É aqui que Kristoffer começa a desconfiar que houve alguma
coisa entre sua esposa e o antigo professor. Quando essa desconfiança é confirmada,
a viagem tem tudo para deixar de ser uma lua de mel e sim uma situação conflituosa.
Maior destaque do filme é, sem dúvida, o trabalho dos três veteranos atores que
interpretam o trio central da história. Os cenários de Roma também valem o
ingresso. Trocando em miúdos, é um filme adulto, de encontros e desencontros, mas
muito divertido. Elenco: Bodil Jørgensen, Kristian Halken, Rolf Lassgard,
Davide Iachini, Martino Duane, Massimo Gagnina, Luigi Vitagliano, Mattia
Sonnino, Ludovica Bove, Christian Ginepro e Aglaia Mora.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
“NORMA”, 2023,
coprodução Argentina/Uruguai, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Santiago
Giralt, que também assina o roteiro com Mercedes Morán (a atriz principal).
Começa o filme e Norma (Mercedes Morán) chega das compras e pede ajuda a
Rosita, a empregada. Esta se recusa a ajudar, informando que está se demitindo.
“Mas você é da família, Rosita”. Rosita responde: “Mas nas festas eu não sento
na mesa com a família”, um dos melhores diálogos do filme. Sem sua ajudante, Norma assume os deveres domésticos. Como
nunca trabalhou na vida, ela entra na casa dos 60 tendo que se virar sozinha, o
que inclui cuidar da mãe gagá. Norma começa a ter insônia e, ao investigar um
remédio para resolver o problema, recebe a indicação de que fumar maconha é um
bom início. O marido, sempre ausente embora sempre presente, não desconfia de
nada. A filha, médica, também não dá a mínima para mãe. A irmã não fala com ela
há anos. E por aí vai a Via Crucis de Norma, até o dia em que conhece Judith
(Lorena Veja), uma terapeuta lésbica, que lhe renova o estoque de paciência e
abre o seu caminho para uma nova vida. Perto do desfecho, porém, ela descobre um tenebroso segredo do marido. Resumindo, “Norma” é um filme indicado
para espectadoras de meia idade, simpático e agradável. Elenco: Mercedes
Morán, Lorena Vega, Alejandro Awada, Mercedes Scápola, Marco Antonio Caponi,
Mirella Pascual, Elvira Onetto, Elizabeth Vernaci e Claudia Cantero.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
“DEPARTAMENTO K: SEM LIMITES”
(“DEN GRAENSELØSE”), 2024, Dinamarca, 2h06m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Ole Christian Madsen (“Prague”, “Flame & Citron”),
seguindo roteiro assinado por Jacob Weis. Este é o quinto filme da franquia de
livros “Departamento Q”, do escritor dinamarquês Jussi Adler-Olsen. Eu assisti apenas “Guardiões das Causas Perdidas”, de 2013, aliás muito bom. “Sem Limites”
também é um bom suspense policial envolvendo a equipe do Departamento Q, sediado em Copenhague e chefiado pelo detetive Carl Mørck (Ulrich Thomsen). A nova
missão é desvendar a misteriosa morte de uma jovem na Ilha de Bornholm. As investigações apontam vários suspeitos, entre eles um
professor de artes, da qual a vítima era aluna, e os líderes de uma seita
adoradora do sol cujo líder convoca suas seguidoras a fazer sexo. A detetive
Rose (Sofie Torp), da equipe de Mørck, infiltra-se na seita e é submetida a uma
lavagem cerebral, correndo perigo de vida se descobrirem que ela é policial. A
história também evoca o passado do detetive Mørck, surpreendido pela revelação
de que um jovem que acaba de morrer de overdose é seu filho e, para piorar,
também adepto da seita maluca. Enfim, o filme é bastante movimentado, repleto
de reviravoltas e muito suspense. Eu gostei e recomendo. Elenco: Ulrich
Thomsen, Afshin Firouzi, Sofie Torp, Hedda Stiernstedt, Joachim Fjelstrup,
Rasmus Bjerg, Peter Mygind, Marie Hammer Boda, Søren Malling, Helle Fagralid, Mette
Lysdahyl e Josefine Tvermoes.



































