quinta-feira, 18 de junho de 2026

 

“A CAIXA AZUL” (“LA CAJA AZUL”), 2026, Argentina, 1h23m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Martín Hodara (“Neve Negra”, “O Sinal”), que também assina o roteiro com Cesar Sodero. Trata-se de um suspense psicológico repleto de reviravoltas, mas levado num ritmo muito lento. Acostumada a aplicar golpes junto com o namorado, Lara (Luisana Lopilato) vê uma oportunidade de ouro quando entra num aplicativo de encontros e começa a se comunicar com Pablo (Gustavo Bassani), herdeiro de uma fortuna e que vive isolado numa propriedade rural na Patagônia. Os dois começam a sair juntos e a gente acaba acreditando que está começando um romance. Pelo que acontece na telinha, você acha que Lara está se apaixonando por Pablo, e vice-versa. Ledo engano. Numa surpreendente reviravolta perto do desfecho, a história é virada de cabeça para baixo. Até que a história convence, mas o final é decepcionante. Na minha opinião, o roteiro poderia criar várias alternativas para incrementar a história, mas não foi o que aconteceu, deixando o filme num patamar muito longe da qualidade habitual do cinema argentino. Como curiosidade, destaco o fato de que a atriz argentina Luisana Lopilato é casada com o cantor canadense Michael Bublé desde 2011. Elenco: Luisana Lopilato, Gustavo Bassani, Fabian Novell, Pedro Merlo, Silvana Goldemberg, Jean Pierri Noher e Tini Goyogana.

quarta-feira, 17 de junho de 2026


“SKINCARE” (a Netflix manteve o título original), 2024, Estados Unidos, 1h37m, direção de Austin Peters (sua estreia em um longa-metragem), que também assina o roteiro com Sam Freilich e Deering Regan. Trata-se de um suspense psicológico com pitadas de humor negro, baseado num caso real ocorrido em 2013 envolvendo a esteticista Dawn DaLuise, que teve sucesso realizando tratamentos faciais em celebridades de Hollywood. Ela foi acusada e presa por ter elaborado um plano de assassinato por encomenda cuja vítima era seu concorrente. No filme, a personagem principal é Hope Goldman (Elizabeth Banks), esteticista de grande sucesso em Los Angeles, figura presente em programas de TV e redes sociais. Ela dominava o mercado feminino até a chegada de Angel Vergara (o ator mexicano Luis Gerardo Méndez), que abriu sua clínica estética bem em frente da clínica de Hope. Ao mesmo tempo, começam a circular pelas redes sociais mensagens anônimas insinuando que Hope é uma profissional do sexo, entre outros ataques à sua honra. Com sangue nos dentes, ela decide enfrentar toda essa situação com a ajuda de Jordan Weaver (Lewis Pullman), um pilantra que se diz coach e mestre em artes marciais. A confusão está formada, incluindo várias reviravoltas e um final, para mim, decepcionante, pois o roteiro não define de forma clara quem fez isso ou aquilo. Nem a ótima atuação de Elizabeth Banks salva o filme. Elenco:  Elizabeth Banks, Lewis Pullman, Luis Gerardo Méndez, Michelá Jaé Rodriguez, Natan Fillion, Erik Palladino, Manuel Olazábal, John Billingsley, Jesse Saler, Medalion Rahimi, Wendie Malick, James Logan, Georgia Leva e Lucy Barrett.     

segunda-feira, 15 de junho de 2026

“HALLOW ROAD: CAMINHO SEM VOLTA” (“HALLOW ROAD”), 2025, Inglaterra, 1h20m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Babak Anvari (“Sob a Sombra”, “Passei por Aqui”), seguindo roteiro assinado por William Gillies. O suspense começa de madrugada. Maddie (Rosamund Pike) e Frank Finch (Matthew Rhys) recebem o telefonema da filha Alice. Desesperada, a jovem de 17 anos diz que atropelou uma mulher numa estrada isolada. Os pais saem em socorro da filha e durante o trajeto – que deve durar cerca de uma hora - tentam ajudá-la a fazer o certo, primeiro orientando-a a socorrer a vítima. Como Maddie é paramédica de ambulância, orienta a filha a fazer os procedimentos da Reanimação Cardiopulmonar (RCP). No meio desse atendimento chegam duas pessoas ao local do acidente. Maddie e Frank ficam desesperados, pensando no que pode acontecer com a filha. Até o desfecho, o filme segue mostrando apenas os pais no carro falando no celular, o que exige muita paciência por parte do espectador. Ou seja, muita conversa, pouca ação e diálogos que algumas vezes revelam conflitos familiares. Você fica esperando alguma revelação no final, o que não acontece. Nem dois atores excelentes como Matthew Rhys e Rosamund Pike conseguiram segurar esse suspense. Não dá para recomendar.       

“AS CORES DO MAL: PRETO” (“KOLORY ZLA: CZERN”), 2026, Polônia, 1h52m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Adrian Panek. Trata-se do segundo filme adaptado da trilogia “Cores do Mal”, da romancista Malgorzata Oliwia Sobczak. O primeiro foi “As Cores do Mal: Vermelho”, de 2024 (comentado aqui no blog). São histórias de suspense policial. Em “Cores do Mal: Preto”, o promotor Leopold Bilski (Jakub Gierszal), o mesmo do primeiro filme, é deslocado de Varsóvia para a pequena cidade de Kartuzy, na região da Kashúbia, norte da Polônia, para investigar o assassinato de uma criança. Durante as investigações, outra criança some misteriosamente, o que indica uma nova investida do mesmo assassino. Tudo parece estar relacionado com um coral da igreja local, que ao longo dos anos foi perdendo alguns de seus jovens integrantes. Ou então com uma lenda famosa na região que dava conta da existência de vampiros. De qualquer forma, o filme leva o espectador a esperar um desfecho surpreendente, o que não é muito o caso. Na cena final, abrupta e sem sentido, fica claro que haverá uma terceira versão. Fica a dúvida qual a cor será usada no título. Elenco: Jakub Gierszal, Marianna Zydek, Beata Scibakówna, Adam Bobik, Robert Gonera, Piotro Zurawski, Jan Salasinski e Julian Swiezewski.           

sexta-feira, 12 de junho de 2026

“MÉXICO 1986”, em cartaz na Netflix, 2026, México, 1h36m, direção de Gabriel Ripstein, que também assina o roteiro com Daniel Krauze. Esta é uma ótima dica para assistir em meio aos jogos da Copa do Mundo de Futebol deste ano. Baseada em fatos reais, a história conta como o México conseguiu conquistar o direito de sediar a Copa do Mundo de Futebol em 1986. Tudo em ritmo de comédia, uma sátira sobre corrupção, poder e ambição. Enfim, os podres que cercam esse grande evento antes, durante e depois. Com a desistência da Colômbia em sediar a Copa de 1986 por motivos econômicos, Estados Unidos e Canadá se candidataram, mas não contavam com a astúcia de um simples funcionário da Federação Mexicana de Futebol (FEMEXFUT), Martín De La Torre (Diego Luna), o principal personagem da história. Com a ideia fixa de colocar o México na disputa, De La Torre tentou convencer o presidente da FEMEXFUT, mas não conseguiu. Numa jogada de mestre, ele recorreu ao empresário Emílio Azcárraga, magnata da Televisa, convencendo-o a bancar o evento. Depois de conseguir derrubar o presidente da Federação, De La Torre conseguiu ser o representante do México na reunião da FIFA na Suíça, vencendo a concorrência dos Estados Unidos e do Canadá. Claro que, para isso, precisou distribuir algumas malas de dinheiro. Em setembro de 1985, um violento terremoto atingiu o México, matando milhares de pessoas. Um representante da FIFA foi checar os danos, mas não resistiu às chantagens etílicas de De La Torre. Enfim, “México 1986” dá uma bela ideia de como são feitas as escolhas dos países-sede. Diego Luna dá um show no papel de De La Torre, assim como a bela atriz Karla Souza arrasa como sua amante. O filme é ótimo, esclarecedor e muito divertido. Elenco: Diego Luna, Karla Souza, Daniel Giménez, Memo Villegas, Alejandro Speitzer, Davor Tomic, Genevieve Fleming, Alexandre Rodrigues, Álvaro Guerrero, Frank Crudele, Alfredo Huereca, Diana Sedano e Enrique Arreola.             

quarta-feira, 10 de junho de 2026

“A SUBSTITUTA” (“BI ROYA”), 2022, Irã, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem cineasta iraniano Arian Vazirdaftari, de 37 anos, mais conhecido como diretor de curtas. Este é o seu segunda longa-metragem – o primeiro foi “Not Yet”, de 2016. “A Substituta” é um suspense psicológico muito interessante e que leva o espectador a tentar decifrar o que está acontecendo na telinha. Tudo começa quando Roya (Tanaz Tabatabaei) encontra uma jovem (Shadi Karamroudi) no meio da rua debaixo de chuva e parecendo estar completamente perdida. Ela lhe oferece ajuda e realmente a moça está totalmente fora do ar, em estado catatônico, não fala e parece não saber nem ao menos quem é e o que está fazendo no meio da rua. Depois de conduzir a jovem até a delegacia, Roya resolve levá-la para casa. Seu marido, Babak (Saber Abar), de início não aceita a situação, pois está prestes a embarcar com Roya para Copenhague, na Dinamarca, onde conseguiu um bom emprego. Ele pede a Roya para deixar a coitada aos cuidados da polícia. Mas Roya bate o pé e acolhe a moça em sua casa e lhe dá o nome de Ziba (Shadi Karamroudi) até ela recordar o verdadeiro. Perto do desfecho, porém, a história dá uma reviravolta surpreendente, que só um psiquiatra é capaz de compreender. Ou pelo menos um gênio da criatividade. Verdade, eu fiquei meio perdido, pois o mundo de Roya vira de cabeça para baixo de uma hora para outra. A história dá uma guinada violenta. De início, pensei que era uma armação do marido para levar, em vez dela, a jovem Ziba, que teria se tornado sua amante. Fica a critério do espectador adivinhar o que aconteceu de verdade e acreditar que tudo o que viu é verdade. Até agora estou tentando entender. Apesar de tudo isso, achei o filme bastante interessante.         

terça-feira, 9 de junho de 2026

“VIZINHOS BÁRBAROS” (“LES BARBARES”), 2025, França, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Julie Delpy, que também assina o roteiro com Matthieu Rumani e Nicolas Slomka. Julie Delpy já demonstrou seu talento como atriz, roteirista e diretora em diversos filmes. Este espaço é pouco para citá-los. Recorram ao Google. Em “Vizinhos Bárbaros”, ela também trabalha como atriz. Como roteirista e diretora, ela conseguiu reunir, mais uma vez com muita competência, comédia e assuntos sérios, como o racismo e a xenofobia. A história é ambientada no pequeno vilarejo de Paimpont, na região da Bretanha. Delpy é a professora Joëlle Lesourd, integrante de uma ONG de direitos humanos que convence o prefeito do vilarejo a receber refugiados da Ucrânia em troca de subsídios do governo francês. Mas tal é a surpresa quando, na verdade, quem chega são refugiados da Síria, o que provoca uma reviravolta e tanto. Parte da população não aceita os refugiados, tratando-os como vizinhos bárbaros. Essa situação perdura até o desfecho da história, quando uma mulher começa a ter as dores do parto na beira de um lago e é ajudada justamente pela médica síria refugiada. Alternando situações de pura comédia e dramas humanos, “Vizinhos Bárbaros” resulta num filme bastante agradável, inteligente e muito elucidativo. Imperdível. Elenco: Julie Delpy, Rita Hayek, Laurent Lafitte, Sandrine Kiberlain, Fares Helou, India Hair, Daniel Moran, Mathieu Demy, Ziad Bakri, Alberto Delpy (pai da diretora), Brigitte Roüan, Franc Bruneau, Dalia Naous, Émilie Gavois-Kahn, Monsieur Fraize e Jean-Charles Clichet.      


domingo, 7 de junho de 2026

“A TESTEMUNHA” (“THE MIDNESS”), 2026, Inglaterra, minissérie em 3 capítulos em cartaz na Netflix, direção de Alex Winckler, seguindo roteiro assinado por Rob Williams. Baseada em fatos reais descritos no livro de memórias “Letting Go”, escrito por Alex Hanscombe, a história começa no dia 15 de julho de 1992, quando Rachel Nickell (Eleanor Williams) é brutalmente assassinada e estuprada no parque Wimbledon Common, em Londres. A única testemunha do crime é o filho da vítima, Alex (o autor do livro), então com 3 anos de idade. A partir dessa tragédia, a minissérie acompanha o trabalho dos investigadores da Scotland Yard para prender o assassino. Um suspeito é preso, mas seria solto depois de acontecer outro crime nos nos mesmos moldes, demonstrando que os investigadores erraram feio. Muitos anos depois é que o verdadeiro assassino seria descoberto. Ao mesmo tempo, a minissérie destaca a dificuldade e o empenho do viúvo André Hanscombe (Jordan Bolger) em criar o traumatizado filho Alex (Max Fincham) e evitar o assédio diário da imprensa, o que o levou a se mudar para a França e depois para a Espanha, onde ambos residem até hoje. Trocando em miúdos, a minissérie é ótima. Elenco:  Jordan Bolger, Max Fincham, Eleanor Williams, Jamie Bisping, Neil Maskell, Kevin Eldon, Mark Stanley, Jonathan Pointing, James Dryden, James Bradshaw, Kerry Gldliman, Claire Rushbrook, Steve Stamp e Paulina Piwko.      

sábado, 6 de junho de 2026



“DE VOLTA A ROMA” (“ROM”), 2024, coprodução Dinamarca, Itália e Suécia, 1h38m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Niclas Bendixen, que também assina o roteiro com Kristian Halken e Christian Torpe. Mais um filme simpático da Prime, indicado para o público mais adulto. Para comemorar os seus 40 anos de casamento, Gerda (Bodil Jørgensen) e Kristoffer (Kristian Halken) viajam para uma segunda lua de mel em Roma. A filha deles é que deu a viagem como presente. Para Gerda, trata-se de sua segunda viagem à cidade italiana, onde esteve quando jovem para estudar artes plásticas. O que seu marido não sabe é que ela teve um caso amoroso com o seu professor Johannes (Rolf Lassgard). Já dá pra imaginar, ou ter certeza, que ela encontrará o antigo amante. Não deu outra. Ao jantar com o marido numa cantina, Gerda dá de cara com Johannes. Apresentações feitas, ele é convidado para sentar à mesa do casal. Gerda, um tanto constrangida pela situação, vê os dois conversarem animadamente. E dá-lhe altas doses de grappa, tantas que os três acabam no apartamento de Johannes. É aqui que Kristoffer começa a desconfiar que houve alguma coisa entre sua esposa e o antigo professor. Quando essa desconfiança é confirmada, a viagem tem tudo para deixar de ser uma lua de mel e sim uma situação conflituosa. Maior destaque do filme é, sem dúvida, o trabalho dos três veteranos atores que interpretam o trio central da história. Os cenários de Roma também valem o ingresso. Trocando em miúdos, é um filme adulto, de encontros e desencontros, mas muito divertido. Elenco: Bodil Jørgensen, Kristian Halken, Rolf Lassgard, Davide Iachini, Martino Duane, Massimo Gagnina, Luigi Vitagliano, Mattia Sonnino, Ludovica Bove, Christian Ginepro e Aglaia Mora.   

sexta-feira, 5 de junho de 2026

“NORMA”, 2023, coprodução Argentina/Uruguai, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Santiago Giralt, que também assina o roteiro com Mercedes Morán (a atriz principal). Começa o filme e Norma (Mercedes Morán) chega das compras e pede ajuda a Rosita, a empregada. Esta se recusa a ajudar, informando que está se demitindo. “Mas você é da família, Rosita”. Rosita responde: “Mas nas festas eu não sento na mesa com a família”, um dos melhores diálogos do filme. Sem sua ajudante, Norma assume os deveres domésticos. Como nunca trabalhou na vida, ela entra na casa dos 60 tendo que se virar sozinha, o que inclui cuidar da mãe gagá. Norma começa a ter insônia e, ao investigar um remédio para resolver o problema, recebe a indicação de que fumar maconha é um bom início. O marido, sempre ausente embora sempre presente, não desconfia de nada. A filha, médica, também não dá a mínima para mãe. A irmã não fala com ela há anos. E por aí vai a Via Crucis de Norma, até o dia em que conhece Judith (Lorena Veja), uma terapeuta lésbica, que lhe renova o estoque de paciência e abre o seu caminho para uma nova vida. Perto do desfecho, porém, ela descobre um tenebroso segredo do marido. Resumindo, “Norma” é um filme indicado para espectadoras de meia idade, simpático e agradável. Elenco: Mercedes Morán, Lorena Vega, Alejandro Awada, Mercedes Scápola, Marco Antonio Caponi, Mirella Pascual, Elvira Onetto, Elizabeth Vernaci e Claudia Cantero.  

quarta-feira, 3 de junho de 2026

“DEPARTAMENTO K: SEM LIMITES” (“DEN GRAENSELØSE”), 2024, Dinamarca, 2h06m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ole Christian Madsen (“Prague”, “Flame & Citron”), seguindo roteiro assinado por Jacob Weis. Este é o quinto filme da franquia de livros “Departamento Q”, do escritor dinamarquês Jussi Adler-Olsen. Eu assisti apenas “Guardiões das Causas Perdidas”, de 2013, aliás muito bom. “Sem Limites” também é um bom suspense policial envolvendo a equipe do Departamento Q, sediado em Copenhague e chefiado pelo detetive Carl Mørck (Ulrich Thomsen). A nova missão é desvendar a misteriosa morte de uma jovem na Ilha de Bornholm. As investigações apontam vários suspeitos, entre eles um professor de artes, da qual a vítima era aluna, e os líderes de uma seita adoradora do sol cujo líder convoca suas seguidoras a fazer sexo. A detetive Rose (Sofie Torp), da equipe de Mørck, infiltra-se na seita e é submetida a uma lavagem cerebral, correndo perigo de vida se descobrirem que ela é policial. A história também evoca o passado do detetive Mørck, surpreendido pela revelação de que um jovem que acaba de morrer de overdose é seu filho e, para piorar, também adepto da seita maluca. Enfim, o filme é bastante movimentado, repleto de reviravoltas e muito suspense. Eu gostei e recomendo. Elenco: Ulrich Thomsen, Afshin Firouzi, Sofie Torp, Hedda Stiernstedt, Joachim Fjelstrup, Rasmus Bjerg, Peter Mygind, Marie Hammer Boda, Søren Malling, Helle Fagralid, Mette Lysdahyl e Josefine Tvermoes.       

segunda-feira, 1 de junho de 2026

“BUGONIA”, 2025, coprodução Inglaterra, Estados Unidos, Irlanda e Coreia do Sul, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Yorgos Lanthimos, seguindo roteiro assinado por Will Tracy. Quem conhece o cineasta grego sabe que seus filmes não são convencionais e, portanto, menos comerciais. Cito alguns deles: “Pobres Criaturas”, “Tipos de Gentileza” e “A Lagosta”. No caso de “Bugonia”, trata-se, na verdade, de uma adaptação livre do filme sul-coreano “Save The Green Planet!” (título original: "Jigureul Jikygora!"), de 2003. O que predomina em “Bugonia” é o bizarro, o humor negro, o nonsense das situações e dos diálogos. Bem, vamos à história. Dois primos que se dedicam à apicultura resolvem sequestrar a CEO de uma grande empresa fabricante de produtos químicos, acreditando que ela é uma alienígena que pretende destruir nosso planeta. No porão onde está presa, ela tenta convencer a dupla de que não é uma alienígena. Aqui, os diálogos não têm o menor sentido, coisa de malucos conversando. A coisa desanda de vez quando aparece um policial que na juventude abusara sexualmente de um dos primos. E dá-lhe violência, sangue jorrando e um desfecho com uma reviravolta surpreendente e fantasiosa. Apesar de tudo, “Bugonia” recebeu quatro indicações ao Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora. Saiu de mãos abanando.  Para encerrar, você deve ter ficado curioso(a) em saber o significado de Bugonia. Pesquisei: a palavra é derivada do grego antigo e traduzida como “nascimento do boi”; descreve um ritual que envolvia sacrificar uma vaca para que abelhas surjam espontaneamente do seu corpo. Tudo tão maluco quanto o próprio filme. Elenco: Emma Stone, Jesse Plemons, Aidan Delbis, Stavros Halkias e Alicia Silverstone.      

quarta-feira, 27 de maio de 2026

“A GERAÇÃO DO MAL” (“PIKTUJU KARTA”), 2022, Lituânia, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Emilis Velyvis, que também assina o roteiro com Jonas Banys. Sabe aquele filme que você vê escondidinho no streaming sem muita badalação e que não dá muita vontade de assistir, principalmente porque o título traduzido dá ideia de que é de terror? Foi o que aconteceu comigo com relação a este drama de suspense político lituano. Felizmente, porém, resolvi assistir, pois é um filmaço do começo ao fim, um dos melhores que vi este ano. A história é ambientada numa pequena cidade da Lituânia, onde ocorrem três misteriosos assassinatos: um procurador-geral, um padre e um juiz, todos eles com sinais de tortura sádica. O comissário Gintas Krasauskas (Vytautas Kaniusonis) começa a investigar cada um dos casos, mas não chega a nenhuma conclusão. Aliás, pelo contrário, ela acaba sendo acusado de um dos crimes, pois a esposa de uma das vítimas é sua amante. Perto do desfecho é revelado que os crimes estão relacionados a um episódio ocorrido em 1990 com o fim da União Soviética, quando agentes da KGB eliminaram um informante. O roteiro funciona com perfeição, incluindo os flashbacks que fazem a história voltar no tempo, o suspense predomina a cada cena, o elenco é ótimo, a fotografia é primorosa e, para culminar, a trilha sonora é perfeita. Enfim, um filme surpreendente do começo ao desfecho, talvez o melhor filme lituano dos últimos anos. Não deixe de ver. Elenco: Vytautas Kaniuswonis, Ingeborga Dapkunaite, Ainis Storpirstis, Saulius Siparis, James Tratas, Aldona Vilutyte, Valdotas Martinaits, Marius Siparis, Greta Peirovskyté, Arnoldas Eisimantas, Gytis Pintulis e Sonata Visockaite.     

segunda-feira, 25 de maio de 2026

“PRIMEIRO AS DAMAS” (“LADIES FIRST”), 2026, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta inglesa Thea Sharrock (do ótimo “Pequenas Cartas Obscenas”, “Como Eu Era Antes de Você”), seguindo roteiro assinado por Katie Silverman e Natalie Krisnky. A história foi inspirada no filme francês de 2018 “Je Ne Suis Pas Um Homme Facile”, de Éléonore Pourriat. Na nova versão, Damien Sachs (Sacha Baron Cohen) é diretor de uma grande agência de propaganda, onde os homens ocupam os principais cargos. Mulherengo de carteirinha, arrogante e machista convicto, Damien trata as funcionárias da agência como mulheres inferiores. Até que um dia, ao se distrair vendo uma bela jovem na rua, ele bate com a cara num poste e desmaia. Quando acorda, o seu mundo está virado de cabeça para baixo. As mulheres ocupam os mais altos cargos na agência, como por exemplo a recepcionista Felicity (Fiona Shaw, ótima), que agora é presidente da agência, e a faxineira Glenda (Kathryn Hunter), que virou diretora da área financeira. No lugar de Damien como diretora de criação, está Alex Fox (Rosamund Pike), sua ex-subalterna, personagem que terá importância vital na reviravolta que acontece pouco antes do desfecho. A ideia do enredo é ótima, já aproveitada pelo filme francês, que não vi e, portanto, não posso opinar. Achei que esta nova versão não soube como aproveitá-la, apesar do excelente elenco. De qualquer forma, “Primeiro as Damas” não deixa de ser uma comédia satírica muito interessante. Elenco: Sacha Baron Cohen, Rosamund Pike, Emily Mortimer, Charles Dance, Tom Davis, Weruche Opia, Katheryn Hunter, Fiona Shaw, Richard E. Grant, Red Tennant, Dani Moseley, Maddie Rice, Jordan Metcalf e Paulo Chahidi.

sábado, 23 de maio de 2026

“JACK RYAN: GUERRA FANTASMA” (“JACK RYAN: GHOST WAR”), 2026, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Andrew Bernstein, seguindo roteiro assinado por Aaron Rabin, John Krasinski e Noah Oppenheim. Três anos depois do fim da série de grande sucesso em suas quatro temporadas (2018 a 2023), baseada nos livros do escritor norte-americano Tom Clancy (1947-2013), o agente Jack Ryan (John Krasinski) volta à ação neste filme para ajudar a CIA a eliminar um esquema de terrorismo nuclear que ameaça o mundo. Confesso que tive muita dificuldade em entender o enredo e os inúmeros personagens - quem é quem na história. É preciso uma dose de paciência e um esforço mental para entender o que está acontecendo na telinha, mas as cenas de ação, principalmente as de perseguição, compensam o desconforto. Além disso, tem a presença marcante da bela atriz Sienna Miller como agente do M16 e os cenários feéricos e suntuosos de Dubai, capital do Emirado de Dubai, onde a história é quase toda ambientada. Só por esses dois aspectos o filme acaba sendo um ótimo entretenimento. O filme termina com o agente Jack Ryan sendo promovido a vice-diretor da CIA, o que dá a entender que haverá uma ou mais sequências. Elenco: John Krasinski, Wendell Pierce, Sienna Miller, Michael Kelly, Max Beesley,  Betth Gabriel, Douglas Hodge, JJ Feild, Adam Bernett, Dominic Mafham, Nick Adamson, James Allen, Ashley Dyke e McKenna Bridger.  

sexta-feira, 22 de maio de 2026

“RESGATE EM GRANDE ALTITUDE” (“CLEANER”), 2025, Inglaterra, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta neozelandês Martin Campbell, seguindo roteiro assinado por Simão Uttley, Paulo Andrew Williams e Matthew Orton. Filme de ação não indicado para quem tem medo de altura, pois praticamente 100% das cenas acontece lá no alto de um arranha-céu no centro de Londres. O edifício pertence a uma grande empresa de energia. Joey Locke (Daisy Ridley), uma ex-militar do exército inglês, trabalha como limpadora de janelas do arranha-céu, um trabalho que exige conhecimentos de alpinismo e muita coragem. Ela está no seu turno de trabalho quando ativistas radicais de um grupo chamado “Earth Revolution” invadem uma festa de gala e fazem 300 reféns, incluindo uma ministra de Estado e poderosos empresários. Joey assiste tudo de camarote, pendurada num andaime com defeito. Para alertar a polícia, ela forja um incêndio numa das janelas. Claro que logo chegam várias viaturas policiais e dos bombeiros. Inicialmente, o protesto do grupo ambientalista seria pacífico, mas um de seus integrantes é um violento psicopata que começa uma matança e ameaça explodir o edifício com todo mundo lá dentro. Joey terá de se virar sozinha, pois os policiais são impedidos de entrar. Não bastasse esse sufoco, o irmão autista da moça está no edifício. As cenas de ação são ótimas, de tirar o fôlego, principalmente aquelas em que a ex-militar é obrigada a andar pelas janelas sem proteção alguma. O diretor Campbell comprova mais uma vez que é especialista em filmes de ação, lembrando que ele dirigiu “007 Cassino Royale”, “007 Contra GoldenEye”, “A Profissional", “Limite Vertical”, “A Máscara do Zorro” e “Anjos do Deserto”, entre outros. “Resgate em Grande Altitude” não foi bem recebido pela maioria dos críticos profissionais. Vou nadar contra essa maré afirmando que eu gostei, pois o filme tem muito suspense e ação. Elenco: Daisy Ridley, Taz Skylar, Mateus Tuck, Clive Owen, Ruth Gemmell, Flavia Watson, Kate Nichols, Ray Fearon, Stella Stocker, Lee Boardman, Celine Arden, Andreea Diac, Atanas Srebreve e Rufus Jones.  

terça-feira, 19 de maio de 2026

“O VOTO DE IRENA” (“IRENA’S VOW”), 2023, coprodução Canadá/Polônia, 2h01m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta canadense Louise Archambault, seguindo roteiro assinado por Dan Gordon. Mais uma história real de muita coragem e solidariedade durante a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, a heroína é a polonesa Irena Gut Opdyke (1918/2003), uma enfermeira que, aos 19 anos, trabalhava num hospital durante a invasão dos nazistas. Com o hospital praticamente destruído durante um bombardeio, Irena (Sophie Nélisse) vai trabalhar numa fábrica de munições e depois como garçonete em um hotel frequentado por oficiais nazistas. Um deles, o major Eduard Rügemer (Dougray Scott), a leva para trabalhar como governanta em sua mansão tomada de uma família polonesa rica. Eduard gostava de oferecer festas a seus colegas oficiais, acompanhados de suas amantes. Irena cuidava de tudo, inclusive do cardápio e das bebidas. Um dia ela conhece 12 judeus que prestavam serviços aos alemães costurando suas roupas e uniformes no gueto de Tarnopol. Quando os nazistas resolvem eliminar todos os judeus da cidade, Irena resolve esconder os 12 judeus na adega da mansão. E assim foi durante 8 meses, quando enfim eles conseguiram fugir. Claro, com a ajuda de Irena. Mais uma história emocionante ocorrida durante o maior conflito do Século XX. Sem dúvida, um filme que merece ser visto. Ah, aviso que aguardem os créditos finais, pois neles são apresentados os principais personagens reais da história. Elenco: Sophie Nélisse ("A Garota que Roubava Livros”), Dougray Scott, Maciej Nawrocki, Agata Turkot, Filip Kosior, Eliza Rycembel, Aleksandar Milicevic, Irena Melcer, Krzysztof Szczepaniek, Erik Kulme, Rafal Mohr, Marcel Sabat, Andrzej Seweryn e Sharon Azrieli.     

segunda-feira, 18 de maio de 2026

"MINHA ESTRANHA FAMÍLIA” (“HVOR KRAGERNE VENDER”), 2021, Dinamarca, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Lisa Jespersen, Tem aquele ditado que diz “Família só é boa no álbum de retrato”. Pensei nele enquanto assistia este drama dinamarquês com boas pitadas de humor. Depois que foi morar na capital Copenhague para trabalhar como escritora, Laura (Rosalinde Mynster) ficou alguns anos sem voltar para a casa dos pais, na verdade uma pequena fazenda, e só voltou por causa do casamento do seu irmão. A gente logo percebe, nos diálogos com a mãe, o pai e o irmão, que Laura era e continua sendo a  ovelha negra da família e as lembranças da época de juventude não eram nada agradáveis. Por exemplo, ela sofria bullying por parte de suas colegas no colégio. Para piorar ainda mais a situação, Laura descobre que a noiva do seu irmão é justamente a colega que mais a atormentava no colégio. O cenário para o casamento, portanto, não é nada bom. Antes do grande evento, a gente percebe o clima pesado reinante nos almoços e jantares, com muita troca de acusações e pouca gentileza. Aí chega a festa de casamento, reunindo amigos no celeiro todo decorado da fazenda. Na hora dos discursos, Laura toma o microfone e faz uma acusação grave contra a noiva, criando um clima insuportável. Para se ter uma ideia de como a personagem de Laura é desagradável, basta citar o título que foi dado ao filme na Itália: “Persona Non Grata”. Posso garantir que o filme é muito bom e merece ser visto. Elenco: Rosalinde Mynster, Anne Sophie Wanstrup, Jesper Groth, Thomas Hwan, Jens Jørn Spottag, Adam Ild Rohweder, Bodil Jørgensen, Knud Romer, Pascal Miralles, Mathilde Eusebius, Abba Juul e Mathias Broe.      


sábado, 16 de maio de 2026


“TOUCH” (“SNERTING”), 2024, coprodução Islândia/Inglaterra, 2h01m, em cartaz na Netflix, direção de Baltasar Kormákur (“O Jogo do Predador”, “Vidas à Deriva”), que também assina o roteiro com a colaboração de Olaf Olafsson. A história foi adaptada do livro “Touch”, do romancista islandês Ólafur Jóhann Ólafsson. Sensível, emocionante e romântico, o filme é centrado em Kristófer (Egill Olafsson), um idoso aposentado que vive solitário na Islândia depois da morte da esposa. Quando recebe um diagnóstico desfavorável sobre sua saúde, ele resolve relembrar do seu primeiro grande amor na época (1969) em que estudava na London School of Economics, em Londres. Ativista político de esquerda, o jovem Kristófer (Pálmi Kormákur Baltasarsson, filho do diretor) desiste da universidade e vai trabalhar como lavador de pratos no restaurante japonês Nippon, onde conhece Miko (Mitsuki “Koki” Kimura, filha do dono. Os dois se apaixonam e, por um tempo, vivem uma grande paixão. Um dia, porém, ele vai trabalhar e encontra o restaurante fechado. Miko e a família resolveram voltar para o Japão. Cinquenta anos depois, o velho Kristófer vai para o Japão tentar encontrar Miko e, quem sabe, reviver seu grande amor. O rigoroso site Rotten Tomatoes ouviu inúmeros críticos sobre o filme. A soma das notas chegou a um resultado de 93% de aprovação. O site também deu sua opinião: “Traçando a passagem do tempo com leveza, o comovente drama do diretor Baltasar Karmákur é uma reflexão melancólica sobre a própria vida”. Garanto: o filme é ótimo, emocionante (foi o representante da Islândia na disputa do Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional). Elenco:  Egill Olafsson, Pálmi Kormákur Baltasarsson, Mitsuki “Koki” Kimura, Masahiro Motoki, Yoko Narahashi, Ruth Sheen, Meg Kubota, Sigurdur Ingvarsson e Akshaye Khanna.  


sexta-feira, 15 de maio de 2026

"VÍTIMA 3/19”, 2021, Itália, 120 minutos, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Silvio Soldini (“Pão e Tulipas”), que também assina o roteiro com a colaboração de Davide Lantieri e Doriana Leondeff. Eu poderia citar bons motivos para indicar e elogiar este ótimo suspense italiano. Cito um deles: a atuação primorosa da atriz polonesa Kasia Smutniak. Radicada há vários anos na Itália, ela se firmou como uma atriz de muita qualidade, tendo participado de alguns bons filmes do cinema italiano, entre os quais “Perfeitos Desconhecidos” e “O Colibri”, além da série “Domina”. Em “Vítima 3/19”, ela é Camilla, a principal advogada corporativa de um grande escritório de Milão. Uma verdadeira workaholic. Numa noite chuvosa, ao sair do escritório, ela é atropelada por uma scooter com dois rapazes. O piloto fugiu, deixando o passageiro caído. Camilla quebrou o braço. Ao ser interrogada pela polícia, ela soube que o rapaz da garupa tinha morrido. A partir dessa informação Camilla se sentiu culpada pelo acidente e ficou com a ideia fixa de descobrir a identidade do morto, o que logo se transformou numa obsessão doentia, a ponto de prejudicar o seu trabalho, o relacionamento com a filha adolescente e o caso com o amante casado. Ou seja, sua vida virou de cabeça para baixo. Até resolver todos esses problemas Camilla terá de enfrentas inúmeros desafios. Só para esclarecer, o 3/19 do título refere-se ao dia em que ocorreu o acidente: 19 de março. Trocando em miúdos, o filme é muito bom. Elenco: Kasia Smutniak, Caterina Forza, Anna Ferzetti, Francesco Colela, Paolo Mazzarelli, Giuseppe Cederna, Arianna Scommegna, Alessia Giuliani, Margherita Manino, Martina Sammarco, Antonio Zavatteri, Marcos Piacentini e Carlo Ponta.

terça-feira, 12 de maio de 2026

“DISCURSO OCULTO” (“DOBLE DISCURSO”), 2023, Argentina, 1h53m, em cartaz na Prime Vídeo, direção e roteiro de Hernán Guerschuny (“Recreo”, “Nahir”). Em tempos de eleição, aqui vai uma ótima dica para quem quiser conhecer os bastidores de uma campanha, no caso para a presidência da Argentina. Está tudo lá documentado: as sujeiras, as traições, as mentiras e todo jogo sujo da política. Nada muito diferente daqui. Às vésperas da eleição na Argentina, a equipe do candidato Ricardo Prat (Rafael Ferro) contrata o marqueteiro El Griego (Diego Peretti), que já elegeu muitos políticos, mas que agora trabalha como professor numa universidade. Ele relutou em aceitar, mas foi obrigado em razão da sua péssima situação financeira. Sua missão não será nada fácil, pois o candidato Ricardo Prat, um ex-jogador de hóquei da seleção argentina, é muito ruim com as palavras. Dessa forma, Griego dava instruções pelo ponto eletrônico colocado no ouvido de Pratt quando discursava ou dava entrevistas, como também no debate televisivo com os outros dois candidatos. O trabalho de Griego também seria prejudicado pelas denúncias feitas pela jornalista investigativa Camila Hewell (Julieta Cardinali), antiga aluna de Grego. No desfecho, uma reviravolta surpreendente. Ao assistir "Discurso Oculto", o espectador é levado a conhecer os bastidores de uma campanha presidencial. Como eu escrevi no começo do comentário, um bom filme para entrar no clima da nossa próxima eleição. Elenco:  Diego Peretti, Julieta Cardinali, Magui Bravi, Rafael Ferro, Ailin Zaninovich, Victor Laplace, Franco Rizzaro, Mónica Raiola, Jorge Suárez, Veronica Hassan, Daniel Begino, German Baudino, Luis Margani e Francisco Bertín.  

segunda-feira, 11 de maio de 2026

“HONEY, NÃO!” (“HONEY, DON’T”), 2025, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Etan Cohen, que também assina o roteiro com Tricia Cook. Os irmãos Etan e Joel Cohen já têm seus nomes consagrados como roteiristas e diretores de filmes como “Fargo – Uma Comédia de Erros”, “O Grande Lebowski” e “Onde os Fracos não têm Vez”, marcados com um estilo próprio, baseado em humor negro, situações absurdas e pitadas de noir solar californiano. Quem assistiu a alguns deles sabe do que eu estou falando. Esse estilo caiu nas graças dos críticos profissionais e de uma certa faixa de público, à qual me incluo. Em “Honey, Não!”, a direção coube somente a Etan. A história é centrada na detetive particular Honey O’Donahue (Margaret Qualley), que tenta desvendar o mistério que cerca a morte de algumas pessoas numa pequena cidade. Lésbica assumida, no meio das investigações ela começa um caso com a policial Falcone (Aubrey Plaza), o que resulta em algumas cenas bem quentes de sexo. Entre os vários suspeitos está o reverendo Drew Devlin (Chris Evans), líder de uma igreja local. Drew é conhecido por transar com suas seguidoras mais ardorosas. Enfim, um pilantra. O filme parece ter sido realizado para destacar o charme e a beleza da atriz Margaret Qualley, filha da também atriz Andie MacDowell. Com seu ótimo desempenho, Qualley carrega o filme nas costas. Com igual destaque ela apareceu também em “Era Uma Vez em... Hollywood” e “A Substância”, no qual contracenou com Demi Moore. Eu gostei muito de “Honey, Não!” e recomendo como um filme muito interessante. Elenco: Margaret Qualley, Chris Evans, Aubrey Plaza, Lera Abova, Josh Pafchek, Don Swayse, Talia Ryder, Charlie Dany, Billy Eichner, Christian Antidormi, Kristen Connolly, Lena Hall, Gregg Binkley, Alexander Carstoiu e Kale Browne.   

sexta-feira, 8 de maio de 2026

“THELMA”, 2024, Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Josh Margolin. Comédia bem leve indicada para toda a família, desta vez incluindo os avós. Para escrever a história, o diretor Margolin se inspirou num fato que envolveu sua própria avó, ainda viva aos 103 anos. Há uns anos ela sofreu uma tentativa de golpe. Alguém telefonou fingindo-se de outra pessoa e tentou arrancar dinheiro dela. Só ficou na tentativa, mas Margolin conseguiu criar uma história, com muito humor, de uma idosa que caiu num golpe. Alguém ligou para Thelma Post (June Squibb), uma idosa de 93 anos, fingindo ser seu neto que teria sido preso e pedindo 10 mil dólares para pagar a fiança. Quando chegou à conclusão de que era um golpe, não havia mais o que fazer, a não ser ir atrás do golpista por iniciativa própria, já que a polícia não lhe deu nenhuma esperança. Para ajudá-la, recorreu à ajuda de Ben (Ricardo Roundtree), um antigo amigo também na faixa dos 90 que mora numa casa de repouso. E lá foram os dois, a bordo de uma scooter elétrica, atrás dos bandidos, uma aventura e tanto para dois velhos. A atriz June Squibb, mesmo com as limitações da idade, dá um show de interpretação neste que foi seu único filme como protagonista principal – June ficou conhecida por atuar em papéis secundários em inúmeros filmes, entre os quais “Perfume de Mulher”, “A Idade da Inocência”, “About Schmidt”, “Longe do Paraíso” e “Nebraska”. Neste último, seu trabalho mereceu uma indicação ao Oscar 2014 de “Melhor Atriz Coadjuvante”. Trocando em miúdos, “Thelma” é uma comédia leve e sensível. Elenco: June Squibb, Fred Hechinger, Parker Posey, Clark Gregg, Ricardo Roundtree, Hilda Bouluware, Carol Cetrone, Nicole Byer, Bunny Levine, Chase Kim, Sheila Korsi, Coral Peña e Malcolm McDowell numa participação especial.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

“MINHA QUERIDA SENHORITA” (“MI QUERIDA SEÑORITA”), 2026, Espanha, 1h53m, em cartaz na Netflix, direção de Fernando González Molina (“Paraíso”, “Legado nos Ossos”, “Oferenda da Tempestade”), seguindo roteiro assinado por Alana S. Portero. Trata-se da refilmagem do filme com o mesmo título que causou grande polêmica em 1972 - chegou até a concorrer ao Oscar. Na versão atual, a personagem principal é Adela (Elisabeth Martínez), uma jovem de 25 anos filha única de um casal conservador da cidade de Pamplona. Ela nasceu hermafrodita, ou seja, com órgãos reprodutores de ambos os sexos. Hoje, o termo hermafrodita foi substituído por intersexo. O filme acompanha a jornada de autodescoberta de Adela, indecisa sobre sua opção sexual. O único com o qual podia se abrir é um padre gay, que sempre se propôs a ouvi-la e lhe dar conselhos. Enfim, um bom amigo. Muito alta, ombros largos, meio desconjuntada e longe de ser bonita, Adele até que tinha um admirador, um ex-colega de escola que a beijou num reencontro. Ela gostou, mas nem tanto. Sua primeira paixão verdadeira seria Isabel (Ana Castillo), uma atriz de teatro assumidamente lésbica. Adele se apaixonou de verdade, mas o romance terminaria quando ela resolve se mudar para Madrid e se travestir como homem, com bigode e tudo. Mais uma decepção. Somente no desfecho da história ela assume sua verdadeira identidade. Com todos os seus defeitos, um deles o ritmo um tanto lento, achei o filme muito interessante e faço questão de elogiar o trabalho da atriz estreante Elisabeth Martínez, que se destaca numa primorosa e corajosa interpretação. Como a personagem Adele, Elisabeth também é intersexo. Elenco: Elisabeth Martínez, Ana Castillo, Paco León, Maria Galiana, Nagore Aranburu, Lola Rodríguez, Eneko Sagardoy, Rodrigo Cuevas, Delphina Bianco e Isabel Miguel Hernanz.


domingo, 3 de maio de 2026

 

“SOLDADO DE CHUMBO” (“TIN SOLDIER”), 2025, Estados Unidos, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”, “Conexão Escobar”), que também assina o roteiro com Jess Fuerst e Pablo F. Fenjves. O resultado final deste filme de ação não faz jus ao excelente elenco, encabeçado por Scott Eastwood, Jamie Foxx, Robert De Niro e John Leguizamo. O tema da história, ou seu pano de fundo, é a questão dos soldados que voltam dos campos de batalha com trauma de guerra, também conhecido como TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). No filme, em vez de serem submetidos ao programa oficial do governo norte-americano de atendimento psicológico, muitos soldados preferiram se alistar numa espécie de seita comandada pelo ex-soldado Bokushi (Jamie Foxx), cujo principal objetivo é fazer uma lavagem cerebral nos “fiéis” para depois promover uma vingança contra o governo. Nash Cavanaugh (Scott Eastwood), consegue escapar e depois retorna numa missão para acabar com a seita e também resgatar sua namorada. Assim como a história em si, as cenas de ação não convencem, são superficiais e, pior, filmadas no modo escuro. O bom ator Jamie Foxx aparece com um visual patético, com aquele cabelão anos 70. Seu personagem é histriônico, exagerado, inconveniente e desagradável. Foxx, desta vez, não convenceu. Scott é filho de Clint Eastwood, uma reprodução fiel do jovem Clint, os mesmos olhos, aquele mesmo olhar. É também bom ator. Robert De Niro aparece pouco, mas já dá mostras de que deve logo partir para a aposentadoria das telas. Enfim, a minha opinião, assim como da maioria dos cinéfilos e críticos profissionais, é desfavorável a uma recomendação. Elenco: Scott Eastwood, Jamie Foxx, Robert De Niro, John Leguizamo, Nora Arnezeder, Shamier Anderson, Joey Bicicchi, Rita Ora, Nadia Falegka, Eire Farrell, Shana Leelee Chasman, Alexa Feinstein e Igor Pecenjev.  

sexta-feira, 1 de maio de 2026

“JUNTOS” (“TOGETHER”), 2025, coprodução Austrália/Estados Unidos, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, estreia no roteiro e direção de longas do australiano Michael Shanks. Trata-se de um terror cuja história é centrada no casal de namorados Millie Wilson (Alison Brie) e Tim Brassington (Dave Franco). Ela professora e ele pretendente a estrela da música. De uma hora para outra eles resolvem sair da cidade grande e morar numa casa isolada no interior. Mudança feita, ainda nos primeiros dias eles resolvem fazer uma trilha para conhecer a região em volta. Acabam caindo numa cratera e ali passam a noite. Ele bebe a água de uma fonte subterrânea. No dia seguinte, quando voltam para casa, Tim começa a ter um comportamento muito esquisito. Será que foi por causa da água que bebeu? A partir de então, uma força estranha e sobrenatural toma conta do casal, forçando-o a realizar um ritual que prevê a união dos corpos. Ou seja, eles se encostam e grudam, fazem sexo e grudam. A gosma corre solta e tudo se complica quando um vizinho esquisito surge na história. Eu li uma entrevista do diretor Shanks, na qual ele afirma que “o filme é romântico e triste, mas também engraçado e cruel”. Não vi nada disso. Em todo caso, “Juntos” é um prato cheio para quem gosta de terror escatológico. Elenco:  Alison Brie, Dave Franco (os dois são casados na vida real), Michael Shanks, Demon Herriman, Mia Morrissey, Karl Richmond, Jack Kenny, Aljin Abella, Francesca Walters, Melanie Beddie, Sarah Lang e Tom Considine.

terça-feira, 28 de abril de 2026

 

“O ÚLTIMO GIGANTE” (“EL ÚLTIMO GIGANTE”), 2026, Argentina, 1h42m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Marcos Carnevale. A assinatura “Carnevale” é um aval e tanto para garantir a qualidade de qualquer filme. O cineasta é responsável por alguns dos melhores filmes argentinos dos últimos anos (veja minhas dicas no final do comentário). “O Último Gigante” é um drama familiar de muitas emoções e bastante sensível. Depois de abandonar a mulher e o filho há 28 anos, Julián (o grande Oscar Martinez) sai de Buenos Aires, onde constituiu outra família, e vai procurar a ex Letícia (Inés Estévez) e o filho Bóris (Matias Mayer) em Porto Iguazú, cidade fronteiriça à nossa Foz do Iguaçu. Bóris trabalha como guia turístico no Parque Nacional Iguazú. Por que depois de tanto tempo Julián resolve se aproximar deles? Simples: ele tem uma doença terminal e pouco tempo de vida. Ou seja, ele busca uma reconciliação para talvez talvez ser perdoado pelos erros do passado. De início, Bóris não quer saber dele. Com Letícia (Inés Estévez), a ex-esposa, porém, a receptividade é melhor, pois ela foi muito apaixonada por Julián. Até perto do desfecho, pai e filho tentarão se entender e é aí que acontecem as cenas de maior emoção, com diálogos de grande sensibilidade. O desfecho, entretanto, reserva uma missão muito difícil para Bóris. “O Último Gigante” é mais um grande filme argentino. Elenco: Oscar Martinez, Matias Mayer, Inés Estévez, Luis Luque, Silvia Kutika, Johanna Francella, Alexia Moyano, Javier de Nevares, Ludmila Miol, Gisele Vignatti, Franco Ramírez e Fernando Vergara. Conforme prometi, indico alguns filmes importantes dirigidos por Marcos Carnevale e que assisti e comentei neste blog: “Elsa & Fred”, “Goyo”, “Inseparáveis”, “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho” e “Coração Delator”, todos ótimos.      

segunda-feira, 27 de abril de 2026

“O JOGO DO PREDADOR” (“APEX"), 2026, coprodução Austrália/Estados Unidos/Canadá/Islândia, 1h35m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta islandês Baltasar Kormákur (“Vidas à Deriva”, “Dose Dupla”), seguindo roteiro assinado por Jeremy Robbins. Começa o filme e lá estão eles pendurados numa montanha de pedra cheia de gelo na Noruega, tentando chegar ao topo. São dois namorados, Sasha (Charlize Theron) e Tommy (Eric Bana), viciados em adrenalina, sempre loucos por uma aventura suicida. Como diz o velho ditado, "Quem procura, acha": Tommy cai lá de cima e por pouco não leva junto a namorada. O filme dá um pulo de três anos e lá estamos acompanhando Sasha a enfrentar a natureza selvagem da Austrália. Como Tommy era australiano (Eric Bana idem), o espectador logo pensa que a moça vai jogar as cinzas do falecido em algum lugar. Mas não, como se verá no desfecho. Para resumir a história, Sasha parte sozinha para um lugar remoto onde há corredeiras e cachoeiras, nas quais pretende se divertir e arriscar a vida a bordo de um caiaque. Doce ilusão, pois sua louca aventura terá a participação de um psicopata, cujo passatempo principal é caçar e matar seres humanos. Repleto de suspense, o espectador acompanhará todo o sofrimento de Sasha para escapar do algoz. Haja fôlego e preparo físico. A atriz sul-africana Charlyze Teron dá conta do recado e, mesmo com cara de dor o filme inteiro, continua linda. O vilão da história é interpretado com muita eficiência pelo ator inglês Taron Egerton. Além de Charyze e Taron, outro destaque são os belos cenários selvagens onde acontece toda a ação. “O Jogo do Predador” é mais um bom lançamento da Netflix. Vale a pena!  Elenco: Charlize Theron, Taron Egerton, Eric Bana, Matt Whelan, Rob Carlton, Duncan Fellows, Bessie Holland, Julia Ohannessian, Niam Hogan, Willow Seager, Zac Garred e Caitlin Stasey.

domingo, 26 de abril de 2026

“MARTY SUPREME”, 2025, Estados Unidos, 2h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Josh Safdie (“Joias Brutas”), que também assina o roteiro com Ronald Bronstein. Segundo o material de divulgação, trata-se de uma “comédia dramática esportiva”, na qual o diretor adotou um estilo narrativo bastante ousado, ritmo acelerado, câmera nervosa. Em sua grande parte, o roteiro foi adaptado de “The Money Player”, livro de memórias de Marty Reisman (1930-2012) um “Zé Ninguém” que se tornou, nos anos 50, um grande jogador de tênis de mesa, conquistando 22 títulos importantes entre 1946 e 2002. No filme ele é Marty Mauser (Timothée Chalamet), cuja vida atribulada e repleta de aventuras, inclusive amorosas, é destacada, mais do que suas vitórias no tênis de mesa. Mauser era aquele cara que dava nó em pingo d’água para conseguir dinheiro. Seu maior sonho era disputar o título mundial em Tóquio, no Japão, onde teria a oportunidade de conseguir uma revanche contra seu principal algoz, o campeão mundial japonês Koto Endo. “Marty Supreme” foi indicado ao Oscar 2026 em 9 categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Roteiro. Saiu de mãos vazias. Em compensação, Timothée Chalamet ganhou o Globo de Ouro como Melhor Ator. O filme também foi eleito um dos melhores filmes de 2025 pelo National Board of Review e pelo American Film Institute. Realmente, é cinema de alta qualidade. Recomendo. Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Koto Kawaguchi, Odessa A’Zion, Larry Sloman, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara (o polêmico cineasta norte-americano), Ralph Colucci, Mariann Tepedino, Devorah Shubowitz, Luke Manley, George Gervin, Fran Drescher, Sandra Bernhard e Emory Cohen.   

sexta-feira, 24 de abril de 2026

“QUEER”, 2024, coprodução Estados Unidos/Itália, 2h16m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta italiano Luca Guadagnino (“Me Chame Pelo Seu Nome”, “Rivais”), seguindo roteiro assinado por Justin Kuritzkes e adaptado do romance homônimo escrito por William S. Burroughs (1914-1997). Antes de mais nada, esclareço ao prezado leitor qual o significado do termo “Queer”, que pode ser traduzido como “estranho” ou “esquisito”, podendo ser definido também como “homossexual”. A história é ambientada no início dos anos 50 do século passado na Cidade do México e reúne pitadas de erotismo, suspense, terror, comédia e romance. Tudo junto e misturado. O personagem principal da história, William Lee (Daniel Craig), alter ego de Burroughs, se encaixa direitinho na categoria Queer homossexual. Oficial da marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial e vivendo como expatriado, Lee é homossexual assumido, alcoólatra, viciado em heroína e fumante inveterado. Seu cotidiano na capital mexicana compreende visitar clubes noturnos destinados aos gays para encontrar parceiros que topem uma transa casual. O sujeiro é um verdadeiro predador sexual. Até que ele conhece o jovem Eugene Allerton (Drew Starkey) e se apaixona. Confesso que foi difícil assistir às fortes cenas de sexo, principalmente levando-se em conta que o ator Daniel Craig foi o último James Bond. Não duvido que Sean Connery e Roger Moore, os dois melhores James Bond machos, tenham se revirado nos caixões, assim como o criador do agente 007, Ian Fleming. Durante suas bebedeiras monumentais e doses caprichadas de heroína, Lee resolve convencer o amante a viajar para o Equador atrás de uma planta alucinógena chamada “Ayahuasca”, ou “Yagé”, cujo consumo seria capaz de levar o usuário a um alto grau de telepatia. Segundo Lee ficou sabendo, a tal droga é estudada há anos por uma tal de doutora Cotter (Lesley Manville, irreconhecível), que vive no meio da selva equatoriana. E para lá parte o casal em busca de uma nova aventura. Ou de mais uma loucura. O maior destaque do filme é, sem dúvida, a interpretação primorosa e muito corajosa do ator inglês Daniel Craig, que se entregou ao papel de corpo e alma. Realmente, ele está sensacional. “Queer” foi nomeado um dos 10 melhores filmes de 2024 pelo National Board of Review, que também premiou Craig como Melhor Ator. Trocando em miúdos, não é um filme fácil, mas tem muitos méritos como cinema de arte. Elenco: Daniel Craig, Drew Starkey, Jason Schwartzman, Lesley Manville, David Lowery, Omar Apollo, Henrique Zaga, Colin Bates, Michaël Borremans, Drew Droege, Ariel Schulman e Lisandro Alonso       

terça-feira, 21 de abril de 2026

“VINGANÇA BRUTAL” (“VENGANZA”), 2026, México, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Rodrigo Valdés, que também assina o roteiro com Djamel Bennecib, Matt Busack e Daniel Krauze. Trata-se do filme de ação mais caro do cinema mexicano, a começar pela contratação de equipes de dublês internacionais, incluindo uma da Bulgária. Realmente, as cenas de ação são bem realizadas. A história é centrada no capitão Carlos Estrada (Omar Chaparro), das forças especiais do exército mexicano. Com sua equipe, ele foi o responsável pela prisão de um militar de alta patente envolvido em corrupção, tráfico de drogas e contrabando de armas. Por essa ação, Estrada foi homenageado e condecorado. Mas nos bastidores da alta cúpula do exército, a prisão de um dos seus principais oficiais não foi bem aceita. Dessa forma, alguns militares resolveram se vingar. Para começar, assassinaram a esposa de Estrada, que depois foi obrigado a se esconder para não ser também morto. No vilarejo em que estava escondido aconteceria um fato inusitado: Estrada ganhou um grande prêmio na loteria. Com esse dinheiro, ele resolveu comprar armas e montar uma equipe de colegas militares fiéis para se vingar da morte da esposa. A partir daí, a violência corre solta e muito sangue irá jorrar na telinha. Tirando de lado a premiação da loteria, até que “Vingança Brutal” apresenta bons atributos de um filme de ação Quem curte o gênero vai gostar. Pelo desfecho, dá até para acreditar que haverá uma sequência. Elenco: Omar Chaparro, Alejandro Speitzer, Paola Núñez, Natalia Solián, Luis Alberti, Vasil Simeonov, Yazua Larios, Lizeth Selene, Gustavo Sánchez Parra, Anna Carrillo, Jose Salof e Gaudi Chris.  

segunda-feira, 20 de abril de 2026

“CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ” (“NAKED GUN”), 2025, Estados Unidos, 1h25m, em cartaz na Netflix, direção de Akiva Schaffer, que também assina o roteiro com Doug Mand e Dan Gregor. Filme repete o estilo que consagrou os 3 filmes originais que divertiram milhões de espectadores entre os anos 1988 e 1994, com o lendário detetive atrapalhado Frank Drebin, interpretado pelo saudoso Leslie Nielsen. O novo filme traz Liam Neeson (o nome é até bem parecido) no papel do detetive Frank Drebin Jr., filho do personagem de Leslie. Ele vai enfrentar um vilão psicopata (Danny Huston) que roubou do cofre de um banco o sofisticado dispositivo chamado PLOT (Dispositivo da Lei Primordial da Resistência), capaz de comandar o comportamento das pessoas, tornando-as violentas, calmas ou obedientes. Em meio às suas investigações, Drebin Júnior conhece a loiraça Beth Davenport (Pamela Anderson, ótima), cujo irmão acaba de morrer num misterioso acidente de carro, também investigado pelo atrapalhado policial. É preciso entrar no clima do besteirol, curtir cenas absurdas e totalmente sem nexo. Aí está o grande mérito do filme, fazer a gente esquecer os tenebrosos tempos em que vivemos, uma oportunidade e tanto para dar descanso aos nossos neurônios. Imperdível!   Elenco: Liam Neeson, Pamela Anderson, Kevin Durand, Danny Huston, Coby Rhodes, Liza Koshy, Paul Walter Hauser, Busta Rhymes, CCH Pounder, Michael Beasley, Eddie Yu, Michael Bisping, Bruce Buffer e a participação especial de Dave Bautista.

sábado, 18 de abril de 2026

“JUSTIÇA ARTIFICIAL” (“MERCY”), 2026, Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Timur Bekmambetov, seguindo roteiro assinado por Marco Van Belle. Trata-se de um suspense de ficção científica muito interessante e inteligente. Num futuro próximo (achei 2029 próximo demais), a justiça da cidade de Los Angeles é comandada por um sistema jurídico artificial. Vou tentar explicar. Uma tal juíza chamada Madox (Rebecca Ferguson), na verdade um robô, é responsável por acusar, prender, julgar e condenar marginais. Já condenou 18 à cadeira elétrica e agora inicia o 19º julgamento, o do policial Chris Raven (Chris Pratt), acusado de assassinar a esposa. É aqui que começa o filme, com o policial sendo interrogado pela Madox. Chris terá 90 minutos para provar sua inocência e a inteligência artificial será utilizada para rever os fatos, filmados de maneira a confirmar evidências ou negá-las. O ritmo é alucinante, não permitindo um piscar de olhos por parte do espectador para não perder qualquer detalhe. Acredito que está aqui o melhor mérito do roteiro: prender a atenção de quem está assistindo. Até o desfecho do julgamento ocorrerão várias reviravoltas, tornando “Justiça Artificial” um ótimo e inteligente entretenimento. De quebra, ainda tem a beleza estonteante da atriz sueca Rebecca Ferguson, que nem de robô consegue ser feia. Imperdível. Elenco: Chris Pratt, Rebecca Ferguson, Annabelle Wallis, Kylie Rogers, Kali Reis, Rafi Gavron, Chris Sullivan, Kenneth Choi, Stephen Collins e John Bubniak.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

“MAR PROFUNDO” (“OCEAN DEEP”), 2023, Inglaterra, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Liza Bolton (“O Despertar do Mal”). Trata-se de um psicodrama à base de mistério e com pitadas de sobrenatural. O cientista marinho Rory (Lochlann O’Mearain) desaparece misteriosamente no mar durante um mergulho para seus estudos da flora submarina. Ele trabalha para um laboratório cuja finalidade é encontrar algas e corais que possam contribuir para a produção de remédios. Seu desaparecimento é um enigma e a busca pelo seu corpo é encerrada depois de três meses. Sua esposa, Mara (Connie Nielsen), uma artista plástica amadora, entra em depressão e começa a ter alucinações. Numa delas, vê vazamento por toda casa, o que só existe em sua cabeça. Até o teto da sala vira mar. Aí já é demais. Por trás dessa tragédia, porém, há uma conspiração evidente sobre a intenção dos donos do laboratório, que talvez tenham causado a morte do cientista. O filme não faz jus à carreira consolidada da atriz dinamarquesa Connie Nielsen (“Gladiador”, Anônimo 1 e 2”, “Advogado do Diabo”), que perto dos 60 anos continua bonita e excelente atriz. Mas nem sua presença salva esse drama arrastado que deveria ser chamado, na verdade, de “Sono Profundo”. Por outro lado, é justo elogiar o cenário dos fiordes que serve de fundo para as imagens. Não há menção sobre esse belo local, mas fiz uma pesquisa e descobri que talvez seja o fiorde “Killary Harbour”, na Irlanda. Fora isso, nada a acrescentar para justificar a existência de um filme tão fraco. Elenco: Connie Nielsen, Colin Bennet, Wayne Gordon, Lochlann O’Mearain, Michael Parr, Vivien Mills, Agni Scott, Lee Starkey, Mads Sjødard Pettersen, Anna Walton e Bill Collings.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

“ATAQUE BRUTAL” (“THRASH”), 2026, Estados Unidos, 1h26m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta norueguês Tommy Wirkola (“Noite Infeliz, “Dead Snow”, “Zumbis na Neve”). Com a proximidade do furacão Henry, de categoria 5 (a mais alta), à costa da Carolina do Sul, várias cidades tiveram que ser evacuadas. A história de “Ataque Brutal” é ambientada numa delas, a fictícia Annieville. O maremoto inundou a cidade e rompeu diques, destruindo casas e praticamente tudo que havia na frente. No meio desse caos, um caminhão frigorífico transportando carnes partiu ao meio e jogou todo aquele sangue vermelho em direção ao mar. Não deu outra. Os tubarões invadiram a cidade. Quem não conseguiu fugir terá que assumir o desafio de sobreviver à enchente e aos tubarões. É o caso de uma jovem grávida, que fica presa no seu carro, um casal com três filhos adolescentes, uma jovem com agorafobia (medo de lugares públicos) que não sai de casa há seis meses. O espectador acompanha toda a ação grudado na poltrona, pois o perigo, a cada cena, é sempre constante. Ou seja, o suspense funciona muito bem. A crítica especializada não gostou. Eu gostei, como também o escritor Stephen King, que o elogiou numa entrevista, afirmando que é “O melhor do ano até agora”. Nenhuma surpresa, pois o cineasta norueguês Tommy Wikola é reconhecido como um mestre de filmes de suspense híbridos, que combinam terror, ação e sátira. A filmagem não foi fácil, pois o elenco teve que enfrentar água fria o tempo inteiro, pois o aquecimento provocaria vapor, prejudicando as imagens. Uma das cenas mais impressionantes é aquela em que a jovem grávida tem o nenê na água, cercada de tubarões. Haja coração! Elenco: Phoebe Dynevor, Whitney Peak, Djimon Hounsou, Stacy Clausen, Chai Hansen, Alyla Browne, Amy Mathews, Jon Prasida, Elijah Ungvary, Sami Afuni, Dante Ubaldi, Tayler Coppin, Annabel Mullion e Sian Luxford.  

terça-feira, 14 de abril de 2026

 

“O MENU” (“THE MENU”), 2022, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Mylod, seguindo roteiro assinado pela dupla Will Tracy e Seth Reiss. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro/2022 e dividiu opiniões, tanto do público quanto da crítica especializada. Entre os prós e os contras, os contras ganharam. Nenhuma surpresa, pois o filme é realmente difícil, surreal, bizarro e, na minha opinião, sem nexo. Vamos à “história”. Um restaurante exclusivo instalado numa ilha recebe um grupo de pessoas para curtir um jantar especial. O tal restaurante é famoso pelo cardápio exótico cuja cozinha é comandada pelo excêntrico, misterioso e conceituado chef Slowik (Ralph Fiennes). Os fregueses são um casal de milionários, um astro de cinema e sua namoradinha, uma crítica gastronômica e seu editor, entre outros. O foco recai sobre o casal formado pelos jovens Tyler Ledford (Nicholas Hoult) e Margot Mills (Anya Taylor-Joy), o primeiro um admirador do chef e a moça um tanto deslocada no ambiente. O jantar começa a ser servido, com apresentação especial de Slowik detalhando cada prato. Aliás, um cardápio super-exótico, executado por cozinheiros que parecem robôs. De repente, um dos garçons se suicida na frente dos convidados. O senhor ricaço tem um dos dedos da mão decepado. Situações desse tipo começam a acontecer uma atrás da outra, transformando o jantar em uma noite de horror. Claro, tudo comandado pelo chef psicopata (pelo papel, Ralph Fiennes foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator). Se você quiser relaxar, assistir a algum filme agradável, fuja de “O Menu”. Mas tem muita gente que gosta de filmes malucos. E este é bem doido. Elenco: Ralph Fiennes, Anya Taylor-Joy, Nicholas Hoult, Hong Chau, Paul Adelstein, Janet McTeer, John Leguizamo, Aimee Carrero, Judith Light, Reed Birney, Rebecca Koon, Rob Yang, Mark St. Cyr, Arturo Castro, Peter Grosz e Christina Brucato.