sexta-feira, 18 de setembro de 2026

“LENDO LOLITA EM TEERÔ (“READING LOLITA IN TEHRAN”), 2024, coprodução Itália/Israel/Inglaterra, 1h47m, dublado, em cartaz na Amazon Prime, direção de Eran Riklis (dos ótimos “Lemon Tree” e “A Noiva Síria”, entre outros), que também assina o roteiro com Marjorie David. A história é baseada no livro de memórias “Reading Lolita in Tehran: Uma Memória em Livros”, da professora e escritora iraniana Azar Nafisi e lançado em 2003. Em 1980, pouco depois de Khomeini assumir o poder, Azar começou a lecionar literatura na universidade de Teerã. Foi quando o governo passou a cortar as liberdades democráticas, o que incluía proibir os livros que Azar queria recomendar às suas alunas. A professora não deixou barato: reuniu algumas alunas em sua própria casa para a leitura de livros que um amigo arrumava clandestinamente. Um deles, claro, “Lolita”, de Vladimir Nabokov. Fazendo isso ela se arriscava a ser presa, pois os esquadrões da moralidade invadiam casas e universidades para prender quem não obedecia a cartilha tirânica do novo governo. O filme é excelente por mostrar toda a realidade sofrida pelo povo iraniano – as mulheres, principalmente – naquela época, não muito diferente do que é ainda hoje. Como curiosidade, destaco que as filmagens ocorreram em Roma, parte delas nos Estúdios da Cinecitta. Claro que não seriam permitidas no Irã. Outro fato curioso é que a atriz Golshifteh Farahani, que interpreta a professora, está proibida a voltar ao país desde que, em 2012, posou nua para a revista francesa Madame Fígaro. Aliás, Farahani já estava radicada na França desde 2008. Elenco:  Golshifteh Farahani, Zar Amir Ebrahimi, Mina Kavani, Reza Diako, Lara Wolf, Arash Marandi, Catayoune Ahmadi, Sina Parvaneh, Bahar Behaghi, Niloufar Davari, Ash Goldh, Abbas Fasaei, Hamid Karimi e Isabella Nefar.   

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 

“PALAVRAS DE GUERRA” (“WORDS OF WAR”), 2025, Inglaterra, 1h57m, em cartaz na Amazon Prime, direção de James Strong, seguindo roteiro assinado por Eric Poppen. Mesmo dublado, impossível não assistir a esta cinebiografia da jornalista Anna Politkovskaya (1958-2006). Nascida nos Estados Unidos, filha de diplomatas soviéticos/ucranianos, ela voltou para a União Soviética ainda criança e depois se destacou como jornalista investigativa. No último jornal em que trabalhou, o Novaya Gazeta, de Moscou, ela foi correspondente durante a segunda guerra da Rússia contra a separatista Chechênia (1999 a 2005). Em seus artigos, ela reportava as atrocidades do exército russo contra os civis chechenos, acusando diretamente o presidente Vladimir Putin pela matança. Corajosa ao extremo, Anna (Maxine Peake) chegou a ser presa, foi envenenada e sobreviveu, e só foi assassinada dentro do elevador de seu edifício no dia 7 de outubro de 2006, coincidentemente o dia do aniversário de 54 anos de Putin. Os assassinos foram presos, mas o mandante até hoje não foi identificado, mas é fácil supor quem seja. Com seu trabalho, Politkovskaya conquistou reputação internacional de heroína do jornalismo e exemplo de coragem. Nos créditos finais, o filme homenageia as dezenas de jornalistas do mundo inteiro que foram assassinados em virtude do seu trabalho. Enfim, “Palavras de Guerra” é um filmaço imperdível. Elenco: Maxine Peake, Ciarán Hinds, Naomi Battrick, Harry Lawtey, Ellie Bamber, Fady Elsayed, Jason Isaacs, Shophie Simnett, Ben Miles, Alec Newman, Lorne Macfadyen, Agni Scott, Lujza Richter e Tomy May.  

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

“GOLPE EXPLOSIVO” (“FUZE”), 2026, Inglaterra, 1h37m, em cartaz na Amazon Prime, direção do cineasta escocês David Mackenzie, seguindo roteiro assinado por Ben Hopkins. Filme de ação que começa com uma proposta interessante. No centro de Londres, num canteiro de obras, operários desenterram uma enorme bomba não detonada, provavelmente lançada pela aviação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Polícia e exército, além de esquadrão antibombas, são avisados e começa a correria geral. O local é interditado e todos os edifícios em torno são evacuados. Não demora muito e a bomba acaba explodindo. Aproveitando o pânico geral, cinco homens penetram numa casa e, quebrando paredes, chegam ao cofre de um banco, roubando joias, dinheiro e barras de ouro. A partir daí, a história dá uma guinada para acompanhar a fuga dos assaltantes, que dão de cara com outra quadrilha, o que resulta na desconfiança de que houve uma traição entre os membros do assalto. Daí pra frente não dá mais para contar com o risco de dar um spoiler. Antes do desfecho, porém, ocorre uma surpreendente reviravolta, quando tudo o que aconteceu é finalmente esclarecido. Como filme de ação, “Golpe Explosivo” não decepciona, mas não dá para fazer uma recomendação entusiasmada. Elenco: Aaron Johnson, Theo James, Saffron Hocking, Gugu Mbatha-Raw, Sam Worthington, Elham Ehsas, Honor Byrne, Luke Marly, Dragos Bocur, Alex Arnald, Nabil Elouahabi, Lauri Duncam, Patrick Peapson, Naveed Khan, Hannah Collins e Joakim Skarli.

domingo, 13 de setembro de 2026

“15 ANOS EM SILÊNCIO” (“15 JAHRE”), 2023, Alemanha, 2h24m, em cartaz na Amazon Prime, roteiro e direção de Chris Kraus. Este foi um dos filmes que mais me impactaram este ano. Criativo e inovador na maneira de conduzir uma história repleta de situações dramáticas que percorrem toda sua duração, muito valorizada pela performance impressionante da atriz Hannah Herzsprung. Seu personagem é Jenny Von Leoben, uma pianista que desde criança demonstrava um talento raro, sendo premiada em vários concursos. Um verdadeiro fenômeno musical. Mas sua trajetória terminaria quando conheceu e começou a namorar um astro do movimento punk alemão. Logo ela estaria envolvida num assassinato, sendo presa e condenada a cumprir 15 anos de prisão. Quando conquista a liberdade, Jenny se envolve novamente numa situação de confronto, quando agride um policial que acabava de matar um leão – uma cena surreal inventada pelo roteiro. Ela é detida e enviada para uma instituição ligada a uma igreja que acolhe e tenta proteger pessoas problemáticas. E Jenny é problemática demais, desequilibrada, agressiva e depressiva. Nesse meio tempo ela conhece o imigrante sírio Omar (Hassan Akkouch), que teve o braço decepado pelos terroristas do ISIS. Ele também era pianista. Aos poucos, os dois vão se completando, cada um com seus traumas. Para resumir a história, eles acabam participando de um programa de TV chamado Unicórnio, destinado a descobrir novos talentos entre pessoas deficientes mentais e físicas. É aqui que ela vai dar de cara com o ex-namorado punk, responsável por sua prisão. Tudo faz crer que ela não tentará uma vingança, mas deixo ao espectador adivinhar o que acontecerá no desfecho. Ah, um aviso importante: o filme não deve agradar a qualquer público, mas garanto que é muito bom. Elenco: Hannah Herzsprung, Albrecht Schuch, Hassan Akkouch, Adele Neuhaurser, Christian Friedel, Stefanie Reinsperger, Katharina Schüttler, Ninia Legrande, Marc Limpach, Désirée Nosbusch, Samuel Koch, Mariam Hage, Kim Girschner e Carmen Geutjes.       

sábado, 12 de setembro de 2026

“O FORAGIDO” (“WRONGFULLY ACCUSED”), 1998, Estados Unidos, 1h27m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Pat Proft. Ainda bem que a Netflix resolveu resgatar essa comédia hilariante com o incrível Leslie Nielsen, que já nos fez rir em tantos filmes da década de 80 e 90 (confira no final do comentário). Aqui, ele é Ryan Harrison, um violinista consagrado que se vê numa confusão danada depois de ser acusado de ter assassinado um milionário. Ele é julgado e preso, mas consegue fugir e tentar provar sua inocência, o que comprova a sátira à série “O Fugitivo”, de grande sucesso nos anos 60. “O Foragido” também contém algumas cenas satíricas que remontam a alguns clássicos do cinema, como “Titanic”, “Missão Impossível”, “Baywatch”, “Campo dos Sonhos” e tantos outros. Além de ter um humor pra lá de escrachado, situações absurdas e muita ação, o filme traz no elenco duas das atrizes mais bonitas da época: Kelly LeBrock e Melinda McGraw. Outro destaque é a presença do saudoso ator Richard Creena como o detetive que persegue o violinista. Ele é responsável por algumas das cenas mais hilariantes do filme. Trocando em miúdos, “O Foragido” traz o melhor do humor besteirol, essencial nos dias tenebrosos que vivemos. Eu dei muitas gargalhadas, assim como naqueles filmes escritos e dirigidos também por Pat Proft e com Leslie Nielsen, como “Corra que a Polícia vem Aí!", “Top Gang: Ases Muito Loucos”, “Loucademia de Polícia” e “Todo Mundo em Pânico”, entre tantos outros grandes sucessos das décadas de 80 e 90. Elenco (além dos já citados): Michael York, Sandra Bernhard, Aaron Pearl, Leslie Jones, Gerard Plunkett, Ben Immanuel, Duncan Fraser, John Walsh, Chich Hearn, Maury Hannigan e Guy Bews.         

quarta-feira, 9 de setembro de 2026


“THE ALTO KNIGHTS: MÁFIA E PODER” (“THE ALTO KNIGHTS”), 2025, Estados Unidos, 2h3m, em cartaz na Netflix, direção de Barry Levinson (“Rain Man”, “Bom Dia, Vietnã”, “Bugsy”), seguindo roteiro assinado por Nicholas Pileggi (“Os Bons Companheiros”). Neste novo filme sobre a máfia italiana, baseado em fatos reais, o ator Robert De Niro volta a um de seus personagens que lhe fizeram a fama, o de chefão mafioso. Aliás, de chefões mafiosos, pois De Niro interpreta ao mesmo tempo os lendários Vito Genovese e Frank Costello, que nos anos 50 dominaram Nova Iorque. Os dois cresceram juntos, participaram juntos de muitos crimes e sempre foram muito amigos, casaram e as famílias ficaram amigas. O tempo passou e eles se tornaram chefões. Egos inflados, poder na mão, os dois começaram a sentir inveja um do outro, a ponto de Vito mandar um capanga matar Frank. Só que Frank sobrevive e inicia uma guerra que acabou levando muita gente para a terra dos pés juntos. O filme é muito bom, com uma primorosa recriação de época – cenários, figurinos etc., mas achei um grande defeito: mesmo com maquiagens diferentes, os dois personagens de De Niro ficaram muito parecidos, a ponto de ficar difícil distinguir quem é quem em algumas cenas. Na minha humilde opinião, um dos papeis deveria ser interpretado por outro ator. Esse problema não prejudicou o resultado final, pois o filme é muito bom. Elenco: Robert De Niro, Debra Messing, Kathrine Narducci, Antonio Cipriano, Cosmo Jarvis, Michael Rispoli, Robert Uricola, Bob Glouberman, Belmont Cameli, Louis Mustillo, Sydney Miles, James Ciccone, Matt Servitto, Ed Amatrudo, Bethany Ashton Wolf, Wallace Langham e Jeffrey Grover.      



 

“PEQUENAS COISAS COMO ESTAS” (“SMALL THINGS LIKE THESE”), 2024, coprodução Irlanda/Bélgica, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime, direção do cineasta belga Tim Melants (“Caminhos da Sobrevivência”, “Steve”, Série “Peaky Blinders“, todos com o ator irlandês Cillian Murphy, vencedor do Oscar de Melhor Ator por “Oppenheimer”), seguindo roteiro assinado por Enda Walsh e baseado no livro homônimo escrito por Claire Keegan. Trata-se de um drama pesado baseado em chocantes fatos reais ocorridos na pequena cidade irlandesa de New Ross, condado de Wexford, A história é ambientada em 1985 e seu principal protagonista é o comerciante de carvão Bill Furlong (Cillian Murphy). Um de seus clientes é o Convento “Magdalene Laundries” (Lavanderias de Madalena), cujas freiras católicas exerciam enorme influência na comunidade local. Elas escondiam um segredo estarrecedor: recebiam adolescentes grávidas para expiar seus pecados trabalhando em regime escravo na lavanderia do convento. Seus bebês eram vendidos para famílias abastadas da região. Em meio às suas recordações traumáticas da infância, o carvoeiro descobriu o que acontecia quando achou uma adolescente abandonada como castigo no depósito de carvão. Uma das cenas mais importantes é aquela em que Bill Furlong é chamado para se reunir com a madre superiora, irmã Mary (Emily Watson, ótima como sempre), que tenta chantageá-lo com uma grande soma de dinheiro. Nos créditos finais aparece a razão pela qual o filme foi realizado: “O filme é dedicado às mães de 56.000 jovens que foram enviadas às instituições Magdalene para ‘penitência e reabilitação’ entre 1922 e 1988. E às crianças que foram tiradas delas”. Cillian Murphy, Ben Affleck e Matt Damon estão entre os produtores desse excelente drama IMPERDÍVEL, assim mesmo, com letras maiúsculas. Elenco: Cillian Murphy, Eileen Walsh, Emily Watson, Peter Claffey, Michelle Fairley, Zara Devlin, Clare Dunne, Louis Kirwan, Mark McKenna, Amy De Bhrún, Ella Cannon, Ciarán Hinds, Abby Fitz, Helen Behan e Agnes O’Casey.

domingo, 6 de setembro de 2026

“JOVENS ÁGUIAS” (“ORLETA.GODNO’39”), 2022, Polônia, 1h44m, em cartaz na Amazon Prime, roteiro e direção de Krzysztof Lukaszewicz (“Um Homem de Coragem”, “A Batalha de Monte Cassino”). Já assisti a centenas de filmes com histórias ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial. Este drama histórico polonês é um dos melhores, principalmente por explorar um fato pouco conhecido por aqui, ou seja, a invasão pelo exército russo e depois pelos alemães em setembro de 1939, dando início ao conflito mundial. “Jovens Águias” leva o espectador ao centro da cidade de Grodno, quando a população aguardava a chegada dos russos na esperança de que defendessem a cidade contra os nazistas, ignorando o fato de que Rússia e Alemanha haviam assinado um pacto de não agressão. Os russos, porém, agiram como verdadeiros inimigos dos poloneses, promovendo matança generalizada e estuprando mulheres. O filme destaca a resistência heroica dos poloneses residentes em Grodno, muitos deles judeus. O título “Jovens Águias” refere-se aos jovens que participaram da luta, ajudando os soldados com água, alimentação, remédios e munições. Um deles, Leon Rotman (Feliks Matecki), é o protagonista principal. Com apenas 13 anos, ele chegou a incendiar dois tanques soviéticos. O filme é uma superprodução polonesa digna de se consagrar como um dos mais importantes registros históricos daquele conflito mundial. Imperdível! Elenco: Feliks Matecki, Leszek Lichota, Antoni Pawlicki, Bartolomej Topa, Filip Gurlacz, Jowita Budnik, Andrzej Mastalerz, Anna Oberc, Lukasz Lewandowski, Marta Jarczewska e Piotr Toloczko.      


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 

“A MULHER SECRETA” (“DEN HEMMELIGE KVINDE”), 2026, Dinamarca, 1h57m, em cartaz na Netflix, direção de Barbara Topsøe-Rothenborg (“Um Marido Fiel”), seguindo roteiro assinado por Ander Rønnow Klarlund e Jacob Weinreich. Começo meu comentário com uma curiosidade: o filme é baseado no livro “Den Hemmelige Kvinde”, de Anna Ekberg, que nada mais é do que o pseudônimo escolhido pelos dois escritores responsáveis também pelo roteiro. Trata-se de um suspense psicológico marcado por muito mistério e uma surpreendente reviravolta perto do desfecho. Começa o filme com uma mulher (Natalie Madueño) se atirando de uma ponte na Dinamarca e caindo no convês de um navio cargueiro. Ela perde a memória. O filme dá um salto de dois anos e lá está ela morando numa ilha na costa da Noruega. Seu nome é Louise, acaba de ficar noiva e é sócia-proprietária de uma cafetaria com seu noivo Joachim (Pal Suerre Valheim Hagen). Não se lembra de nada do seu passado. Até que um dia aparece um sujeito misterioso dizendo que a verdadeira identidade de Louise é Helene Søderberg, que abandonou a família na Dinamarca há dois anos. Segundo o sujeito, ela era casada com um importante empresário do setor de navegação e trabalhava na área financeira da empresa. Mesmo desmemoriada, Louise – ou Helene – fica interessada em saber se isso tudo é verdade e parte para a Dinamarca com o objetivo de desvendar todo esse mistério. Ela é levada para uma mansão e apresentada para Edmund (Claes Bang), supostamente seu marido, à sua sogra e a seu filho. A amnésia não passou, mas ela começa a ter lampejos muito estranhos. Tão estranhos que resolve investigar a situação com a ajuda do seu noivo. E descobrirá segredos mórbidos envolvendo a morte de seu pai, fundador da empresa de navegação, e outras verdades que a farão se arrepender de ter voltado. Trocando em miúdos, trata-se de um bom suspense, valorizado pelas ótimas atuações da atriz Natalie Madueño, filha de pai espanhol e mãe dinamarquesa, e do ator Claes Bang. Elenco: Natalie Madueño, Claes Bang, Pal Sverre Valheim Hagen, Ingrid Bolsø Berdal, Rasmus Hammerich, Lars Simonsen, Thea Sofie Loch Naess, Stine Praetorius, Stina Ekblad, Mia Jexen e Joen Højerslev.   

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 

“TURBULÊNCIA” (“TURBULENCE”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta suíço Claudio Fäh (“Desespero Profundo”), seguindo roteiro assinado por Andy Mayson. Não recomendo este filme de suspense e ação para quem tem, como eu, medo de altura. Afinal, quase 100% da história é ambientada dentro de um cesto de balão em grande altitude. Vamos ao início. Numa reunião importante de acionistas de uma empresa, um funcionário que acaba de ser demitido comete suicídio depois de ameaçar matar Zach (Jeremy Irvine), um dos proprietários. Traumatizado, Zack vai a um bar tomar umas doses para relaxar. É quando aparece uma bela mulher que se apresenta como Julia (a atriz ucraniana Olga Kurylenko) pedindo para ele pagar uma pedida. Conversa vai, conversa vem, ele conta que ama a esposa Emmy (Hera Hilmar), mas o casamento não anda muito bem, razão pela qual combinou uma segunda lua de mel num resort de luxo nas montanhas Dolomitas, norte da Itália. Chegando lá, o casal aluga um balão para dar um passeio romântico, mas não será bem assim quando de repente surge Julia para passear no mesmo balão. O passeio tem tudo para dar errado devido ao comportamento psicótico de Júlia. Realmente, dá tudo errado. O filme não é nenhuma Brastemp, mas não chega a ser uma geladeirinha de isopor. O maior mérito do roteiro é ter inventado tantas situações dentro de um cesto de balão com quatro pessoas. Repito o alerta: não recomendado para quem tem medo de altura.     

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

 

“13 MINUTOS DE TORMENTA” (“13 MINUTES”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Lindsay Gossling, que também assina o roteiro com Travis Farncombe. Se você ainda não viu um tornado de perto, esse filme dá a sensação exata de uma tragédia anunciada. Na cidade fictícia de Minninnewah (Oklahoma), o sinal de alerta avisa que a população tem apenas 13 minutos para fugir e se esconder nos abrigos subterrâneos. Claro que muitos acham que o alerta é exagerado, como outros que já aconteceram. Terão um final triste. Além da catástrofe, a história destaca tramas paralelas envolvendo quatro famílias, um casal de fazendeiros e um filho homossexual, uma mãe solteira às voltas com a filha adolescente grávida, um casal de imigrantes ilegais e um casal cuja filha deficiente auditiva desaparece entre os destroços. Trocando em miúdos, o filme busca, apesar de ser uma obra ficcional, reproduzir situações relacionadas aos tornados que costumam atingir várias regiões dos Estados Unidos. Uma catástrofe climática que hoje vemos quase que diariamente em nosso planeta. Haja coração! Elenco: Thora Birch, Anne Heche (atriz faleceu em 2022), Amy Smart, Paz Veja, Peter Facinelli, Sofia Vassilieva, Will Peltz, Trace Atkins, Davi Santos, Shaylee Mansfield, Yancey Arias, James Austin Kerr, Tokala Black Elk e Doug Van Liew.   

domingo, 30 de agosto de 2026

 

“NA ZONA CINZENTA” (“IN THE GREY”), 2026, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h38m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do cineasta inglês Guy Ritchie (ex de Madonna). A primeira vez que vi um filme de Guy Ritchie foi em 1998, “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, um filmaço. Minha admiração cresceu ainda mais dois anos depois quando assisti “Snatch – Porcos e Diamantes”. Ele seguiu adiante escrevendo e dirigindo filmes com seu estilo próprio, com muita ação, perseguições, cenas de luta, planos mirabolantes e muito humor. E esta é a receita adotada também em “Na Zona Cinzenta”, com um elenco de primeira (veja no final do comentário). A história envolve o roubo de 1 bilhão de dólares de um grande banco. Bobby Sheen (Rosamund Pike), a principal acionista do banco, contrata uma equipe de mercenários, chefiada por Rachel Wild (Eiza González), para encontrar quem roubou a fortuna. A investigação apontou o poderoso mafioso Manny Salazar (Carlos Bardem, irmão de Javier Bardem), cujo quartel-general fica numa ilha e que conta com um verdadeiro exército para protegê-lo. Durante meses a equipe de mercenários elabora um plano para ingressar na ilha e pegar de volta o dinheiro roubado. É justamente quando o plano começa a ser executado que o filme engrena para uma ação desenfreada até o desfecho. Elenco: Eiza González, Henry Cavill, Jake Gyllenhaal,  Carlos Bardem, Rosamund Pike, Fisher Stevens, Michal Vu, Jason Wong, Mohammed Al Turki, Kojo Attah, Emmet J. Scanlan, Kristofer Hivju, Silvia Naval, Christian Ochea Lavernia, Karlos Klaumannsmoller e Marco Glimne.     

 

 

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“NOVAK DJOKOVIC: LOBO NO INVERNO” (“NOVAK DJOKOVIC: THE WOLF IN WINTER”), 2026, Estados Unidos, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jason Hehir (“The Last Dance”). Nos últimos 20 anos em que se consagrou como um dos maiores tenistas do mundo, o sérvio Novak Djokovic ganha um documentário especial sobre sua trajetória vitoriosa. Djokovic tem no currículo mais de 1.100 vitórias como tenista profissional, 24 títulos de Grand Slam, venceu 40 torneios do Master 1000 e conquistou um ouro olímpico para a Sérvia, além do recorde de permanência de 428 semanas como número 1 do mundo. Um fenômeno. Da infância durante a guerra que envolveu seu país no início dos anos 90, os primeiros treinos nas quadras e seu incrível desempenho profissional, o documentário ainda destaca depoimentos de tenistas como Andre Agassi, Pete Sampras, Boris Becker, Jim Courier e Rafael Nadal, assim como diversos jornalistas esportivos, entre os quais Mary Carillo, Patrick McEnroe, Howard Bryant, Chris Clarey e Matthew Futterman, além, claro, de Djokovic e de sua esposa Jelena. O documentário também destaca a polêmica sobre a vacina contra a Covid-19 que o sérvio se recusou a tomar, o que causou sua eliminação do torneio da Austrália. O documentário é ótimo, vai agradar os fãs do tênis e, em especial, os de Djokovic. Só achei falta das palhaçadas que o sérvio costuma fazer nas quadras. Hoje, aos 39 anos, eles está longe de se aposentar. Continua disputando os principais torneios mais importantes sempre em alto nível.     

 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

“A CASA DO ENGANO” (“BLACKWATER LANE”), 2024, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jeff Celentano, seguindo roteiro assinado por Elizabeth Fowler. Trata-se de um suspense baseado em livro da escritora inglesa B.A. Paris. Um casal acaba de se mudar para uma mansão isolada nos arredores de Londres, antiga moradia de uma família tradicional. Certa noite, ao retornar de um happy hour, Cassandra (Minka Kelly) resolve cortar caminho por uma estrada de terra chamada “Blackwater Lane”, quando vê um veículo no acostamento com uma mulher na direção. Como chovia muito, Cassandra seguiu em frente para casa, mas não comentou o fato com o marido Matthew (Dermot Mulroney). Tal foi sua surpresa quando, no dia seguinte, viu o jornal da TV noticiando o encontro de uma mulher morta num veículo naquela estrada. Daí para a frente, a vida de Cassandra vira um inferno: interrogatório na polícia, telefonemas enigmáticos e visões perturbadoras. Não bastasse, Matthew acha que ela voltou a ter problemas psiquiátricos, pois já havia sido internada por causa disso. O espectador é levado a acreditar em Matthew, quando na verdade a história era bem outra, revelada numa reviravolta perto do desfecho. Enfim, um suspense bem elaborado e que vale a pena assistir. E como é bonita a atriz Minka Kelly... Elenco: Minka Kelly, Dermot Mulroney, Maggie Grace, Alan Calton, Natalie Simpson, Pandora Clifford, Edward Baker-Duly, Einar Haraldsson, Kris Johnson, Sally Blouet, Judah Cousin, Henry William Galpin e Joanne Gray.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

“VIDA PRIVADA” (“VIE PRIVÉE”), 2025, França, 1h47m, em cartaz na HBO Max, direção de Rebecca Zlotowski (“Os Filhos dos Outros”, “A Prima Sofia”, “Além da Ilusão”), que também assina o roteiro ao lado de Ana Berest e Gaëlle Macé. Filme mistura drama, comédia e suspense, com um elenco de primeira, tendo à frente a norte-americana Jodie Foster, falando um francês perfeito. Ela é a dra. Lilian Steiner, uma psicanalista renomada na França, mas uma tragédia coloca em dúvida sua competência. Paula Cohen-Solal (Viriginie Efira), uma de suas pacientes mais antigas, comete suicídio – pelo menos é o que indica o relatório policial e a autópsia. Lilian, porém, não acredita nisso e passa a investigar, por conta própria, suspeitando do marido da vítima, Simon Chohen-Aolal (Mathieu Amalric), e da filha esquisita Velérie (Luàna Bajrami). O ex-marido da médica, Gabriel Haddad (Daniel Auteuil), resolve ajudá-la, resultando em situações hilariantes que me fizeram lembrar um filme de 1993 dirigido por Woody Allen, “Um Misterioso Assassinato em Manhattan”, quando Allen e a namorada Diane Keaton se metem nas maiores encrencas. Além do excelente elenco, “Vida Privada” conta com um primoroso roteiro que mantém a atenção do espectador do começo ao fim. Recomendo. Elenco: Jodie Foster, Mathieu Amalric, Daniel Auteuil, Virginie Efira, Luàna Bejrami, Vicente Lacoste, Sophie Guillemin, Frederick Wiseman, Irène Jacob, Noam Morgensztern, Aurore Clément, Park Ji-Min, Emma Ravier e Jean Chevalier.     

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

“SACRIFÍCIO DE SANGUE” (“BLODSOFFER”), 2026, Suécia, minissérie de cinco capítulos na Netflix, direção de Kristoffer Nyholm (“O Mistério do Farol”), seguindo roteiro assinado por George Kay, criador de “Lupin”. A história é ambientada em Estocolmo durante o verão, estação em que o sol quase não se põe e a escuridão nunca chega por completo. O detetive Thomas Berg (Jakob Offebro) é encarregado de investigar o bárbaro assassinato de dois policiais que foram atender a uma ocorrência numa casa de veraneio. Uma semana depois, no mesmo dia e horário, outra chamada igual de uma mulher pedindo socorro. Os dois policiais que foram ao local determinado também foram brutalmente assassinados. Sem conseguir alguma pista, o detetive Thomas Berg resolve pedir ajuda ao seu pai, o ex-detetive aposentado Alfred Berg (Peter Andersson). Ambos trabalharão em conjunto para conseguir montar o  verdadeiro quebra-cabeça em que se transformou o caso. A minissérie, em capítulos de apenas 45 minutos cada um, é bastante instigante no sentido da expectativa sobre os responsáveis pelos crimes. É mais um jogo psicológico. Não há pancadaria, tiros e perseguições, muito menos romance ou sexo. Só o mistério rondando a polícia da capital sueca. Recomendo – se haverá uma segunda temporada, não descobri. Elenco: Jacob Offebro, Peter Andersson, Electra Hallman, Magnus Krepper, Irina Björklund, Magnos Hulth, Alexander Abdallah, Henrik Norlén, Anders Mossling, Jacob Fahlstedt, Alva Peedu Järmén, Lisette T. Pagler, Lotta Aldgard, Linn Bergstam e David Tainton.   

domingo, 23 de agosto de 2026

“SINFONIA DE GUERRA” (“THE CHORAL”), 2025, Inglaterra, 1h53m, em cartaz na HBO Max, direção de Nicholas Hytner (“A Senhora da Van”, “As Bruxas de Salém”), seguindo roteiro assinado por Alan Bennett e Stephen Beresford. O ano é 1916, em plena Primeira Guerra Mundial. A história é ambientada na pequena cidade inglesa fictícia de Ramsden (Condado de Yorkshire). O tradicional coral da cidade começa a ser desfalcado de seus principais cantores e do seu maestro, todos voluntários ou convocados para lutar na frente ocidental. O desafio para as autoridades municipais, responsáveis pela administração do coral, é contratar um novo maestro e recrutar cantores jovens não recrutados. Apesar dos muitos contras, o contratado foi o maestro Henry Guthrie (Ralph Fiennes), que voltou da Alemanha depois de 7 anos trabalhando como maestro. Ele ficou encarregado de comandar as audições que selecionariam os demais integrantes. A intenção era apresentar “Paixão Segundo São Mateus”, de Sebastian Bach, consagrado compositor alemão. Ele acabou sendo rejeitado por sua nacionalidade, sendo substituído pelo compositor inglês Edward Elger. A obra escolhida foi “O Sonho de Gerôncio”. O filme acompanha os ensaios e algumas tramas paralelas, como a viúva que virou prostituta para sobreviver e um ex-cantor do coral que voltou sem um braço. O filme tem uma primorosa recriação de época – cenários e figurinos -, uma requintada trilha musical, algumas pitadas de humor e, claro, a presença sempre marcante do ator Ralph Fiennes. Eu gostei muito e recomendo. Elenco: Ralph Fiennes, Simon Russell Beale, Roger Allam, Mark Addy, Jacob Dudman, Robert Emms, Amara Okereke, Thomas Howes, Alun Armstrong, Lyndsey Marshal, Ron Cook, Emily Fairn, Reuben Bainbridge, Carolyn Pickles e Oliver Chris.    

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

“23.000 VIDAS” (“23.000 LEBEN”), 2026, Alemanha, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Markus Goller, seguindo roteiro assinado por Oliver Ziegenbalg e Michele Cinque. Drama que explora um dos temas mais discutidos da atualidade: a questão dos imigrantes que fogem de seus países na África para tentar uma nova vida na Europa. Um tema bem indigesto, mas aqui o que vale é a coragem, obstinação, sacrifício e amor ao próximo de um grupo de jovens alemães empenhados em salvar essas vítimas da violência e da pobreza, principalmente oriundos da Líbia e da Nigéria. A história é ambientada nos anos de 2016 e 2017, quando vários jovens berlinenses fundaram a ONG “Jugend Rettet” (“Juventude ao Resgate”) e conseguiram comprar um pequeno navio, o “Iuventa”, graças às doações feitas por empresários e famílias de alto poder aquisitivo. Durante aqueles dois anos, eles foram responsáveis por resgatar e salvar 23.000 refugiados que se arriscavam em botes de borracha tentando atravessar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa. Além da história em si, o filme teve o mérito de discutir a polêmica questão dos refugiados reunindo as opiniões de quem é a favor de dar abrigo a esses imigrantes e de quem é contra. Difícil chegar a uma opinião, mas realmente o principal destaque da história é, sem dúvida, a questão humanitária. Nesse contexto, é impossível deixar de reconhecer o valoroso trabalho dos jovens alemães. Resumo da ópera, “23.000 Vidas” é emocionante. Elenco: Louis Hofmann, Mala Emde, Katharina Stark, Frederick Lau, Luisa-Céline Gaffron, Trevor Magaya, Stefan Mehren, Maria Dragus, Omid Memar, Kathy Etoa, Joone Dankou, Franka Potente, Katja Remann e Eleonora Romandini,      

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

“FERAS NO LIMITE” (“LA FIERA”), 2026, Espanha, 1h53m, em cartaz na Netflix, direção de Salvador Calvo, seguindo roteiro assinado por Alejandro Hernández. Trata-se de um filme dedicado aos amantes dos esportes radicais. A história é baseada em fatos reais envolvendo cinco amigos que se dedicavam a arriscar a vida praticando escaladas em montanhas, saltos com paraquedas e o mais perigoso de todos: praticar o BASE Jump utilizando o “wingsuit”,  macacão especial com membranas de tecido entre os braços e as pernas. Com esse equipamento, saltando do pico de uma montanha, de um avião ou de um arranha-céu, o cara chega a voar a uma velocidade que pode chegar aos 200 km/h antes de abrir o paraquedas. Coisa de maluco. Carlos Suárez, Darío Barrio, Armando Del Rey, Álvaro Bultó e Manolo Chana são os personagens principais que desafiaram os limites do voo, sendo considerados os pioneiros da Espanha nesse tipo de esporte radical. Cada um deles tem uma “fera” oculta, o que os levou a enfrentar essa verdadeira loucura. Apenas um deles sobreviveu. O filme é uma overdose de adrenalina, muito suspense e ação. E imaginar que tudo isso acontecem mesmo valoriza ainda mais esse filme. Mais um destaque são os cenários onde as cenas foram filmadas, nas regiões montanhosas da Espanha e Suíça. Filmaço! Elenco: Carlos Cuevas (Suárez), Miguel Ángel Silvestre (Barrio), Miguel Bernardeau (Del Rey6), José Manoel Poga (Chana), David Marcé (Bultó), Stéphanie Magnin, Candela González, Paloma Bloyd, Ana Gracia, Núria Casas, Alex Hafner, Jorge Blanco Bello, Carles Francino e Nüll Garcia.   

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

“QUEM MATOU MEU FILHO?” (“MEASURE OF REVENGE” – já vi sites nomeando o filme como “Vingança Sem Limites"), 2024, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jordan Galland, seguindo roteiro assinado por Shirley Heng, Julian Lee e Kenny Walakandou. Você com certeza já deve ter assistido a um filme muito ruim com um ou mais atores famosos. Talvez devido a uma questão contratual, amizade com o diretor ou, pior, por falta de dinheiro. Não sei em que categoria se encaixa a veterana atriz norte-americana Melissa Leo, de 65 anos, que já ganhou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2011 por “The Figfhter” e uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 2009 por “Rio Congelado”. Nestes e outros filmes ela sempre se destacou como uma ótima atriz. Não dá para entender,  portanto, que ela tenha resolvido participar como personagem principal em um filme tão ruim como o suspense “Quem Matou Meu Filho?”. Na história, ela é Lillian Cooper, uma respeitada atriz de teatro com trajetória dedicada às peças de William Shakespeare. Seu filho, Curtis Cooper (Jake Weary) é um jovem cantor e compositor de muito talento, mas que se envolve com drogas. Recém-saído de um período de recuperação, ele volta para casa e, repentinamente, acaba morrendo de overdose. Lillian fica desesperada e acredita que ele foi assassinado por algum traficante que injetou uma dose maior. Em meio a ridículas alucinações envolvendo seus personagens no teatro, Lillian vai por conta própria à caça dos responsáveis. A atuação de Melissa Leo é simplesmente patética, constrangedora, forçada ao limite do normal, o que torna o filme ainda mais decepcionante. Fuja a galope! Elenco:  Melissa Leo, Jake Weary, Bella Thorne, Adrian Martinez, Annapurna Sriran, Benedict Samuel, Kevin Corrigan, Michael Potts, Mod Sun, Roma Maffia, Jamie Jackson, Jasmine Carmichael, Gemma Massot, Brooker Garrett, Ray Rosario, Ivan Martin e Tristão Darius.   


domingo, 16 de agosto de 2026

“AUDI VS. LANCIA: CORRIDA PELA GLÓRIA” (“RACE FOR GLORY: AUDI VS LANCIA”), 2024, coprodução Itália/Inglaterra, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Stefano Mordini, que também assina o roteiro com Riccardo Scamarcio (astro do filme) e Filippo Bologna. Nunca fui fã do automobilismo esportivo, principalmente de rallies. “Audi vs. Lancia” é baseado nos fatos reais ocorridos em 1983, quando as marcas italiana e a alemã disputaram mais um Campeonato Mundial de Rally. A equipe Audi Sport GmbH, liderada por Roland Gumpert (Daniel Brühl), tinha uma grande vantagem pela avançada tecnologia baseada na tração nas quatro rodas, enquanto a equipe Lancia, chefiada por Cesare Fiorio (Riccardo Scamarcio) utilizava veículo com tração traseira. Para suprir essa desvantagem, Fiorio inventava situações nada honestas para prejudicar a equipe adversária, como, por exemplo, encher um trecho da estrada com sal grosso imitando neve, obrigando o time alemão a utilizar pneus especiais, o que prejudicou o desempenho do Audi. Enfim, o filme mostra os bastidores daquele campeonato, as reuniões das equipes, algumas das provas e a infraestrutura exigida para cada equipe poder disputar o campeonato com alguma chance de vencer. As filmagens ocorreram na Itália e na Grécia em algumas estradas que serviram para o campeonato mundial daquele ano. Resumo da ópera: “Audi vs. Lancia” é um filme indicado somente para os amantes do automobilismo esportivo. Elenco: Riccardo Scamarcio, Daniel Brühl, Volker Bruch Katie Clarkson-Hill, Esther Garrel, Rebecca Busi, Gianmaria Martini, Axel Gallois, Giorgio Montanini, Halley Bennett, Andrea Grugnola, Lapo Elkann, Carlotta Verny, Axel Gallois e Rosario Terranova.      

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

 

“HISTÓRIAS INVISÍVEIS” (“HISTORIAS INVISIBLES”), 2024, Argentina, 1h57m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Guillermo F. Navarro. Drama argentino baseado em fatos reais, ou seja, o sequestro de duas jovens por uma organização criminosa que explora a prostituição. Cecília e Paula não passavam de adolescentes quando foram sequestradas e obrigadas a se prostituir em boates do mais baixo nível em outras cidades. Viviam presas e incomunicáveis, vigiadas 24 horas pelos cafetões. Enquanto isso, os pais das meninas, desesperados pelo sumiço misterioso, recorriam à polícia para ajudá-los nas buscas. Infelizmente, tanto a polícia quanto outras autoridades não se esforçam para localizá-las. Graciela (Eleonora Wexler), a mãe de Paula, logo percebe que não há alternativa senão investigar por conta própria, o que a levará a correr sério perigo a partir do momento em que denuncia o caso na mídia. Seguindo pistas aqui e ali, Graciela descobre que os responsáveis integram uma organização criminosa ligada à prostituição. Com a ajuda de um amigo advogado, ela tentará encontrar sua filha. Durante esse período, Graciela ganha espaço na mídia e, com seu esforço, consegue resgatar 55 jovens, menos a sua filha. O filme é de uma dramaticidade intensa e chocante, uma forte denúncia da corrupção que está por trás de toda essa sujeira, como exemplifica uma cena que mostra um respeitado juiz, frequentador dessas casas de sexo, dizendo com a maior cara de pau que irá trabalhar para o fim dessas organizações criminosas. Enfim, um filme forte que não economiza no drama dessas meninas. Elenco: Eleonora Wexler, Antonella Ferrari, Vanessa González, Pablo Pinto, Mariano Bertolini, Pablo Tolosa, Gustavo Alvarez, Guido Eduardo Borgia, Abril Capitani, Maria de Los Ángeles Cabral, Silvia Del Castillo, Lis Marcia Viviane de Marco, Mario Jara e Alberto Leiva.            

quarta-feira, 12 de agosto de 2026


“A ÚLTIMA CASA” (“THE LAST HOUSE”), 2026, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta francês Louis Leterrier (“Truque de Mestre”, “Carga Explosiva”  1 e 2, "Velozes e Furiosos” 10), seguindo roteiro assinado por Matthew Robinson. Filme mais recente do ator brasileiro Wagner Moura depois de "O Agente Secreto". Trata-se de um misto de suspense, ficção científica, sabrevivência e terror, uma história apocalíptica que ninguém deseja viver. Jason (Moura) e sua esposa Ann (Greta Lee, de “Vidas Passadas”), vivem com os dois filhos menores numa casa situada num bairro pacato em alguma cidade norte-americana. De repente, como num passe de mágica, eles não conseguem mais sair. As portas e janelas foram misteriosamente trancadas, assim como ocorre com as casas vizinhas. Os meses vão se passando, a chuva não para e os alimentos começam a faltar. Jason, assim como o inventor Pardal dos gibis, inventa de tudo para garantir a sobrevivência da família, como, inclusive, jogar armadilhas pela chaminé para caçar bichos, assim como criar uma horta no andar térreo. A chuva continua a cair pesado, a casa começa a ser inundada, uns monstros aparecem vindo de onde ninguém sabe. Serão alienígenas, monstros do mar? E assim a família vai sobrevivendo durante anos sem entender o que está acontecendo, até o final trágico, quando o espectador é que não entende absolutamente nada. O filme foi um dos mais vistos da Netflix em nada menos do que 88 países nos três primeiros dias, apesar das críticas desfavoráveis. Os críticos consultados pelo site Rotten Tomatoes, por exemplo, resultaram em apenas 27% de aprovação. O Screen Rant foi mais direto: “Não demora muito para perceber que o filme deu terrivelmente errado”. Cabe agora ao espectador conferir e dar sua nota. Elenco: Wagner Moura, Greta Lee, Riley Chung, Noah Alexander Sosnowski, Emma Ho, Gabriel Barbosa, Audrey Anderson, Arden Sho, Sid Edwards, Eveline Reynolds-Boison, Lewis Goody, Nancy Baldwin, Tawny Fontana e Jed Aukiou




terça-feira, 11 de agosto de 2026

“AS FREIRAS EXORCISTAS” (“GEOMEUN SUNYEODEUL”), 2025, Coreia do Sul, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Hwon Hyeok-Jae, seguindo roteiro assinado por Hyo-Jin Oh, Su-Min Park e Kim Woo-Jin. Suspense com pitadas de terror sobrenatural. O jovem Hee-Joon (Moon Woo-Join) ataca um padre idoso num convento isolado. O padre Paolo (Lee Jin-Wook), que também é psiquiatra, começa a analisar o garoto e acredita que com seus remédios poderá curá-lo de sua fúria. As freiras Junia (Song Hye-Kyo) e Michaela (Jeon Yeo-Been) alertam que o jovem, na verdade, está possuído por uma força maligna e só com um exorcismo poderá ser salvo das garras do capeta. Elas consultam um representante do Vaticano, que as proíbe de praticar o exorcismo. Não satisfeitas, elas recorrem a uma ex-freira católica que agora se dedica aos rituais do Xamanismo. Também não dá certo e as duas freiras, que também são irmãs fora do convento, resolvem desobedecer o Vaticano e realizar o exorcismo por conta própria. Se vai dar certo, deixo a resposta para o espectador conferir. Ao contrário de outros tantos filmes sobre o tema, este utiliza poucos efeitos especiais, não assusta tanto e apresenta, como mérito, alguns diálogos bem escritos sobre religião, fé e possessão demoníaca. Segundo o material de divulgação, a história é ambientada nos anos 80 e baseada em fatos reais. Nada mais que mereça uma recomendação entusiasmada.         

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 

1.

“SONG SUNG BLUE – UM SONHO A DOIS” (“SONG SUNG BLUE”), 2025, Estados Unidos, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Craig Brewer, que também assina o roteiro com a colaboração de Greg Kohs. Baseado em fatos reais ocorridos a partir da metade dos anos 80 e num documentário de 2008, o filme apresenta a trajetória do casal Mike Sardina (Hugh Jackman) e Claire Sardina (Kate Hudson), cantores que saíram do ostracismo para o sucesso depois de se unirem para formar a “Lightning & Thunder”, banda-tributo ao cantor e compositor Neil Diamond. Antes de se conhecerem, Mike e Claire cantavam pelos bares da cidade de Milwaukee (Estado de Wisconsin), ele imitando o cantor pop Don Ho, ela imitando a cantora country Patsy Cline. Depois do primeiro contato eles se apaixonaram e casaram, ao mesmo tempo em que se apresentavam, já com sucesso, em outras cidades e abrindo shows como o da banda Pearl Jam, em 1995. Quatro anos depois, uma tragédia: Claire é atropelada e perde a perna abaixo do joelho, interrompendo a fase de sucesso. Ao mesmo tempo, Mike começa a apresentar problemas cardíacos. Não demora muito e eles voltam a se apresentar, até que Mike sofre um infarto fatal. A trilha original do filme resgata os grandes sucessos de Neil Diamond, o que torna “Song Sung Blue” um filme agradável de se ver e ouvir. Aliás, vale aqui lembrar que o diretor Craig Brewer já nos brindou com grandes filmes musicais, tais como “Footllose: Ritmo Contagiante”, de 2011, “Ritmo de um Sonho”, de 2005, e “Dolemite is My Name”, de 2019, entre tantos outros. Por sua interpretação de Claire, Kate Hudson (filha da também atriz Goldie Hawn) foi indicada para Melhor Atriz no Oscar 2026. Enfim, “Song Sung Blue” é um filme obrigatório para aqueles que passaram dos 50 e curtiram as músicas de Neil Diamond. Também tem humor, romance e drama. Imperdível. Elenco: Kate Hudson, Hugh Jackman, Ella Anderson, Hudson Hensley, King Princess, Jim Belushi, Michael Imperioli, Fisher Stevens, John Beckwith, Mustafa Shakir, Jayson Warner Smith, Jim Conroy, Sean Allan Krill, Darius Rose, Kena Anae e Shyaporn Theerakulstit.       




sábado, 8 de agosto de 2026

“INDÚSTRIA DO PRAZER” (“THE BUSINESS OF PLEASURE”) – Por curiosidade, fui atrás da tradução do título em português para o macedônio: “Industrija Na Zadvolkstvoto”. O filme é de 2024 e está em cartaz na Prime Vídeo, tem a duração de 1h37m e foi escrito e dirigido por Goce Cvetanovski. Esta é uma pequena amostra do pouco conhecido cinema da Macedônia, hoje uma república independente desde 1991, quando se separou da Iugoslávia. Bem, chega de história e vamos ao que interessa. “Indústria do Prazer” tem como personagem central a jornalista investigativa Eleni (Slagana Vujosevic), empenhada em denunciar uma rede de exploração sexual que trafica jovens de outras cidades e de outros países se prostituir na capital Skopje. A jornalista conta conta com a ajuda de dois amigos para se infiltrar na organização, cujo chefão é filho de uma importante autoridade do país. A corrupção corre solta e o perigo ronda a jornalista e seus dois amigos por mexerem com gente poderosa. Nem a polícia ousa prender os cafetões. O suspense até que funciona do começo ao fim, mas o roteiro não ajuda muito, resultando num filme pouco convincente. Em todo caso, vale conferir mais um raro exemplar do cinema macedônio, tão pouco divulgado por aqui. Elenco:  Slagana Vujosevic, Eleni Dekids, Musa Isufi, Damjan Cvetanovski, Ismail Kasumi, Mendim Murtezi, Avni Dalipi, Egzona Salihu e Osman Ahmeti.   

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

“SEM NADA A PERDER” (“JUSQU’AU BOUT”), 2026, França, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Nawell Madani e Ludovic Colbeau-Justin, seguindo roteiro assinado por Walid Afkir e Mohamed Benyekhlef – o roteiro original foi escrito por Pablo Meher. Trata-se de um drama comovente, com altas doses de suspense e ação. Jada (Nawell Jadani, a própria diretora do filme) e seu marido Paul (Guillaume Gouix) sonham em ter um filho. Depois de muitas tentativas sem êxito, eles finalmente resolvem gerar um bebê por meio da doação de embriões, culminando com o nascimento de um menino. Tudo vai às mil maravilhas até que, aos 7 anos, o garoto é diagnosticado com leucemia agressiva – nessa fase, o casal já estava separado. O tratamento com quimioterapia não dá resultado e, segundo os médicos, somente um transplante de medula óssea poderá salvar o menino. A partir daí Jada entra em desespero e vai lutar até o fim, mesmo arriscando sua vida, para conseguir encontrar outra criança que seja compatível para o transplante. Um grande empecilho surge à sua frente: a identidade de potenciais doadores é preservada em segredo oficial. Jada, porém, não desiste, e vai à luta. Não vou contar o que acontece no desfecho para não estragar a surpresa. A atriz belga Nawell Madani carrega o filme nas costas, mostrando que também é craque no drama – ela é mais conhecida como atriz de comédias. Elenco:  Nawell Madani, Guillaume Gouix, Nicolas Briançon, Paul Fouré, Steve Tientcheu, David Salles, Magida Ghomari, Sarah Stern, Aissatou Diallo Sagna, Manmathan Basky, Fodil Benderbal, Lilia Genovesio, Benjamin Chaouat, Vivien Lefloc’h, Olivier Sa, Clémentine Poidatz e Adrien Saint-Joré.    

terça-feira, 4 de agosto de 2026

“À PROCURA DA PERFEIÇÃO” (“THE CHAPEL”), 2023, Bélgica, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Dominique Deruddere. A história é centrada na jovem pianista Jennifer Rogiers (Taeke Nicolaï), selecionada para disputar o rigoroso Concurso Rainha Elisabeth (“Queen Elisabeth Competition”), realizado em Bruxelas (Bélgica). O concurso existe, mas a história contada no filme é uma ficção. Jennifer Rogiers e seus adversários, jovens músicos de talento, ficam alojados numa mansão isolada sem qualquer contato com familiares, amigos e muito menos com a imprensa. Celulares são proibidos. É claro que com o transcorrer dos dias e a proximidade das apresentações o clima é de muita ansiedade e expectativa. Entre os competidores, obrigados a conviver durante as refeições, há um clima de rivalidade e guerra psicológica. Jennifer prefere ficar em seu quarto praticando do que socializar. Por isso, não é uma figura benquista no grupo. Para justificar esse comportamento, o filme mostra alguns fatos que marcaram sua infância, como a educação rigorosa da mãe, as bebedeiras do pai e as brigas violentas dos dois, às quais a menina era obrigada a presenciar, além de um trágico acontecimento que marcará sua vida para sempre. Tudo isso traumatizou a garota e fez com que ela demonstrasse um comportamento arredio e antissocial. “À Procura da Perfeição” é, portanto, um relato dramático sobre a grande pressão à qual são submetidos aqueles jovens virtuosos que almejam chegar ao Olimpo da música. Elenco: Taeke Nicolaï, Renee Vanderjeugd, Ruth Becquart, Kevin Janssens, Anne Coesens, Abigal Abraham, Lydia Indjova, Tine Reymer, Anton Kouzemin, Igor Jurinic, Ina Geerts, Yuka Hashimoto, Oscar Louis Högström, Willy Thomas, George Van Dam, Zachary Shadrin, Tess Bryant e Pierre Bokma.     

segunda-feira, 3 de agosto de 2026


“ELIZE: SOMBRAS DE UMA MULHER”, 2026, Brasil, 1h33m, em cartaz na Netflix, direção de Felipe Vellasco, seguindo roteiro assinado por Raphael Montes e Mariana Torres. Filme conta a história daquele que foi um dos crimes mais chocantes já ocorridos no Brasil. Em 2012, Elize Matsunaga (Lorena Comparato) assassinou e esquartejou o marido Marcos Kitano Matsunaga (Henrique Kimura), um rico empresário da indústria alimentícia. O filme mostra a trajetória de Elize desde que trabalhava como garota de programa até casar com um de seus “clientes”, Marcos, diretor e herdeiro da fábrica Yoki, e por fim presa e condenada. Aos poucos, Marcos foi revelando sua verdadeira personalidade, um marido violento e infiel, frequentador de casas noturnas de prostituição, onde acabou arrumando uma amante fixa. Elize descobriu tudo e, ao confrontar Marcos, foi ameaçada de internação num hospital psiquiátrico, além de um divórcio que garantiria a guarda da filha para ele. Foi a gota d’água para Elize perder a cabeça e assassinar o marido. Como tudo no filme é baseado nos fatos reais mostrados no documentário “Elize Matsunaga – Era Uma Vez um Crime”, de 2021, não há como pensar que ela teve alguma razão em cometer o crime, haja vista o comportamento agressivo e violento de Marcos. Vale destacar a atuação espetacular da atriz luso/brasileira Lorena Comparato como Elize. De valer o ingresso. Elenco: Lorena Comparato, Julia Konrad, Denise Weinberg, Henrique Kimura, Ana Julia Dorigon, julia Shimura, Flora Sandyá, Erica Montanheiro, Marat Descartes, Arthur Toyoshima, Edson Kameda e Gui Dantas.  

sábado, 1 de agosto de 2026

 

“CONSPIRADORES” (“LOS CREYENTES”), 2026, Espanha, 1h46m, em cartaz na Netflix, direção de Roger Gual, seguindo roteiro assinado por Carlos Monteiro Castiñeira e Darío Madrona. Trata-se de um suspense cuja história é centrada numa dúvida cruel: a mulher morreu num acidente ou foi assassinada? A vítima é a mãe de Ruth (Stéphanie Magnin), que há dois anos vive em Berlim, onde trabalha como bartender numa discoteca. Quando recebe a notícia, Ruth retorna à sua cidade natal na Espanha. Segundo seu pai Martín (José Coronado) e a polícia local,  a mãe bebeu demais e caiu no banheiro, bateu com a cabeça e morreu. Ruth não acredita em acidente. Pior, passa a desconfiar do própria pai, que mostra um comportamento estranho e agressivo, pois está consumido por teorias da conspiração, acusando a indústria farmacêutica de todos os males do mundo, inclusive utilizando crianças para pesquisas. Esse comportamento maluco é compartilhado por uma mulher, ex-policial, que Ruth acredita ser também amante do pai. E por aí vai a história, até que no desfecho trágico tudo será esclarecido. Apesar da presença sempre marcante do veterano ator José Coronado, o filme não me convenceu. Entre os prós e contras, fiquei com os contras. Elenco: José Coronado, Stéphanie Magnin, Fanny Gautier, Mabel Del Pozo, Celine Fortenbacher, Alberto Olmo, Israel Ruiz, Álvaro Gallego, María Prendes e Olaya López.         

quinta-feira, 30 de julho de 2026

 

“HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET” (“HAMNET”), 2025, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta chinesa Chloé Zhao (“Normadland”), que também assina o roteiro com Maggie O’Farrel, autora do livro cuja história é adaptada. O filme recebeu inúmeros prêmios e indicações ao Oscar 2026 em oito categorias (venceu a de Melhor Atriz, para Jessie Burckley). Tudo gira em torno da peça “Hamlet”, considerada a obra principal do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616). Como nasceu a ideia de conceber a peça?  O filme explica conduzindo o espectador à vida particular de Shakespeare na cidade de Strafford, onde nasceu e mais tarde casou com Agnes Hathaway, com a qual teve três filhos, Judith, a mais velha, e os gêmeos Judith e Hamnet. Tempos difíceis, trágicos. Para sustentar a família, William dava aulas de latim. Depois partiu para Londres tentar a carreira de dramaturgo. Aí veio a peste bubônica, que matou Hamnet aos 11 anos de idade. A situação degringolou para uma forte crise no casamento, Agnes se queixando que o marido nunca estava presente. O grand finale é a primeira apresentação da peça “Hamlet” em Londres, com a presença de Agnes. Emocionante. Segundo o material de divulgação, o roteiro obedece parcialmente os fatos históricos da vida de Shakespeare, com alguma concessão à ficção. De qualquer modo, trata-se de um filme de altíssima qualidade dramática e técnica. Elenco: Jessie Burckley, Paul Mescal, Joe Alwyn, Emily Watson, Jacobi Jupe, Olivia Lynes, David Wilmot, Freya Hannah-Mills, Dainton Andreson, Elliot Baxter, Bodhi Rae Breathnach, Jack Shalloo, Sam Woolf e Hera Gibson.        

segunda-feira, 27 de julho de 2026

“MISSÃO REFÚGIO” (“SHELTER”), 2026, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 1h47m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ric Roman Waugh (“Invasão ao Serviço Secreto”, “Destruição Final: O Último Refúgio”), seguindo roteiro assinado por Ward Parry. Filme de ação com o brucutu Jason Statham, que interpreta Michael Mason, um ex-agente especial do serviço secreto inglês que vive escondido numa das Ilhas Hébridas, na Costa da Escócia. Ele saiu de cena depois de se negar a assassinar uma pessoa, entrando na lista negra do serviço secreto (M16). Ele deu um jeito de ser considerado morto e desaparecido. Isolado numa pequena ilha onde funcionava um farol, ele só recebia a visita de um antigo companheiro e sua sobrinha, Jessie (Bodhi E. Breathnach, que estreou como atriz no filme “Hamnet, a Vida Antes de Hamlet”), responsáveis por levar alimentos para Mason. Um dia, porém, a embarcação naufraga perto da ilha e Mason consegue salvar a menina, que passou a morar com ele. A situação começa a se complicar quando Mason e Jessie vão ao continente para comprar remédios e alimentos. Mason é filmado por uma câmera da farmácia e, feito o reconhecimento facial pelo serviço secreto, ele e a menina passam a correr risco de vida. Não resta alternativa senão fugir, o que rende muito suspense e inúmeras cenas de ação. O filme é bom, mas longe de apresentar motivos para uma recomendação entusiasmada. Elenco: Jason Statham, Bodhi R. Breathnach, Michael Shaeffer, Anna Crilly, Bill Nighy, Harriet Walter, Eugenia Caruso, Celine Buckens, Naomi Ackie, Bally Gill, Bronson Webb, Laurent Buson, Tomi May, Rodaid Findlay, Bryan Vigier, Daniel Mays e Ryan Fletcher.   

“KRAVEN, O CAÇADOR” (“KRAVEN THE HUNTER”), 2024, Estados Unidos, 2h7m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de J.C. Chandler (“O Ano Mais Violento”, “Operação Fronteira”), seguindo roteiro assinado por Richard Wenk, Arthur Marcum e Matthew Hollaway. Este é o sexto filme do Universo Homem-Aranha, da Sony Pictures. O personagem Kraven é um dos vilões das cinco histórias anteriores. “Kraven, o Caçador” mostra como nasceu o anti-herói, o fato de ter ficado órfão de mãe e ser criado, junto com o irmão mais novo, Dmitri, por um pai sádico e violento, Nicolai Kravinoff (Russell Crowe), poderoso chefe da máfia russa. Quando acompanhava o pai numa caçada na África, ele ainda era o jovem Sergei Kravinoff. Atacado por um leão, Sergei ficou gravemente ferido e foi cuidado por uma jovem feiticeira, que lhe curou com uma poção mágica. Além disso, uma gota de sangue caída do leão penetrou em um dos seus ferimentos. Com isso, Sergei se transformou num homem com instinto animal, agindo como tal. Ou seja, virou um predador e logo uma lenda, sendo chamado de “Kraven, O Caçador”. No filme, porém, ele deixou de lado a fama de vilão, transformando-se em defensor dos animais e caçador dos bandidos, incluindo o próprio pai. Há que se destacar as primorosas cenas de ação, uma delas em especial, numa perseguição nas ruas de Londres. Embora muita gente tenha criticado o filme, eu gostei. E recomendo. Elenco:  Aaron Taylor-Johnson, Fred Hechinger, Levi Miller, Ariana DeBose, Russell Crowe, Alessandro Nivola, Christopher Abbott, Diana Babnivova, Murat Seven, Yuri Kolokolnikov, Billy Barratt, Tom Reed, Guillaume deLaunay e Masha Vasyukova.      

sábado, 25 de julho de 2026

 

“O CORPO QUE HABITO” (“KOBIETA Z...”), 2023, coprodução Polônia/Suécia, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da dupla Michal Englert e Malgorzata Szumowska. Mais daqueles filmes pouco divulgados e que você descobre meio escondido. A história é centrada num jovem que cresce, casa, tem filhos, mas que desde sempre sentia um lado feminino pronto a aflorar. O filme acompanha a trajetória desse personagem durante 45 anos, ao final dos quais ele resolve assumir em definitivo como mulher, trocando seu nome Andrzej para Aniela – interpretados respectivamente por Mateusz Wieclawek e Malgorzata Hajeska-Krzusztofik. Sua esposa Iza (Bogumila Bajor na juventude e Joanna Kulig na fase adulta) não desconfiou que o marido escondia esse segredo. Afinal, teve dois filhos com ele. De início, o choque foi enorme e ela fica revoltada, assim como os pais de Andrzej, que o expulsam de casa. Sem lugar para morar e sem emprego fixo – vivia de “bicos”, ele chegou a morar numa pensão para travestis e depois num convento. Resumo da ópera: o filme é um retrato humano e sensível da transição de gênero, e de um processo de autodescoberta que o roteiro explora com enorme competência, transformando “O Corpo que Habito” num excelente drama. Um lembrete final: não confunda este filme com “A Pele que Habito”, do espanhol Pedro Almodovar. Elenco: Malgorazata Hajeska-Krzusztofik, Joana Kulig,  Mateusz Wieclawek, Marta Nieradkiewicz, Renata Dancewicz, Tomasz Schuchardt, Jacek Braciak, Pola Gonciarz, Jerzy Bonczak, Anna Tomaszeska, Bogumila Bajor e Piotr Bondyra.      

“MANUAL PRÁTICO DA VINGANÇA LUCRATIVA” (“HOW TO MAKE A KILLING”), 2026, coprodução Estados Unidos/França/Inglaterra, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de John Patton Ford (“Emily, a Criminosa”), que também assina o roteiro com Robert Hamer e João Dighton. Primeiro é preciso destacar a engenhosa trama criada pelo roteiro, o tom de comédia com pitadas de humor negro e um elenco bastante afinado. Começa o filme e o personagem principal, Becket Redfellow (Glen Powell), está numa cela do corredor da morte conversando com um padre. É durante essa conversa que a história é contada intercalada com os fatos em flashback. Aos 18 anos, sua mãe Mary (Nell Williams) fica grávida de um músico e acaba expulsa pelo pai, Whitelaw Redfellow (Ed Harris), patriarca de uma família multibilionária, perdendo o direito à sua parte da herança. Mary fica pobre mas cria Becket com a esperança de, no futuro, conseguir a parte que lhe cabe do patrimônio da família. Becket cresceu ouvindo da mãe um pedido muito especial: “Prometa que você não vai desistir até que você tenha o estilo de vida certo”. Já adulto, Becket seguiu o conselho da saudosa genitora e partiu para buscar sua parte da imensa herança dos Redfellow, calculada em torno dos 28 bilhões de dólares. Só que havia um problema: 7 parentes com esse direito e que não contavam com a astúcia de Becket para planejar engenhosas formas de matar seus oponentes. A graça da história está justamente na criatividade de Becket. Mas no meio da matança eis que surge no seu caminho a bela e sedutora Julia (Margaret Qualley), esposa de uma das vítimas em potencial e que terá importância fundamental para o desfecho da história. Aliás, a atriz Margaret Qualley, filha da também atriz Andie MacDowel, continua arrasando quando aparece na tela, seja em “Blue Moon”, “A Substância” ou “Honey, Não”. Trocando em miúdos, “Manual Prático...” é ótimo, saboroso de assistir, um filmaço! Mais uma atração especial: na trilha sonora, a música "Take Me Back To Piauí", de Juca Chaves. Elenco: além dos já citados, Jessica Henwick, Bill Camp, Topher Grace, Zach Woods, Rafferty Law, Grady Wilson, Bianca Amato, Adrian Luks, James Freche Ville, Alexander Hanson e Sean Cameron Michael.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

“DESEJO” (“DESEO”), 2026, coprodução México/Espanha, 1h39m, em cartaz na Netflix, direção de Teresa Simone, seguindo roteiro assinado por Giulia Cardamone e Vanessa Miklos. Suspense com pitadas de erotismo bem comportado, contando a história da advogada Lucero (Ludwika Paleta), uma mulher casada de meia idade, mãe de dois adolescentes, que se apaixona pelo técnico de natação de sua filha, Matías (o ator espanhol Óscar Casas, irmão do também ator Mario Casas). Depois de muito sexo, Lucero é obrigada a cortar relações com o rapaz por conta de uma chantagem, mas ele não aceita a rejeição, afirmando que está apaixonado. A situação começa a ficar complicada quando Matías resolve se vingar namorando a filha de Lucero. Tragédia à vista, não dá outra. O filme é repleto de defeitos, mas tem como trunfo o desempenho e a beleza da atriz Ludwika, nascida na Polônia e radicada no México desde os três anos de idade. Ela carrega o filme nas costas com uma forma física admirável aos 47 anos de idade. Elenco: Ludwika Paleta, José María Yazpik, Óscar Casas, Leonardo Ortizgris, Pilar Pascual, Matias Coronado, Ivana Salomón, Gabi Zamora, Jaydy Michel, Giovani Florido, Ángel Lópes-Silva, Cedma Morales, Viviane Delgado e Mónika Sánchez.