sábado, 18 de julho de 2026

 

“CHRISTY – UM NOVO ROUND” (“CHRISTY”), 2025, Estados Unidos, 2h15m, em cartaz na HBO Max, direção do cineasta australiano David Michôd (“Reino Animal”, “War Machine”), que também assina o roteiro com Katherine Fugate e Mirrah Folkes. Trata-se da cinebiografia de Christy Martin Salters (Sydney Sweeney), considerada a pioneira do boxe profissional nos Estados Unidos. Nascida na pequena cidade de Itmann, Virgínia Ocidental, ela se destacava como jogadora de basquete nos campeonatos universitários, apesar da baixa estatura (1m64). Convidada a treinar boxe pelo técnico James Martin (Ben Foster) no final dos anos 80, ela mostrou que tinha coragem, talento e garra para subir no ringue - nos treinos, ela costumava nocautear os sparrings homens. No decorrer dos anos 90 ela se consagrou, sendo apresentada ao famoso empresário do boxe Don King, que ajudou a alavancar sua carreira. O filme não apenas destaca Christy no esporte, mas também na sua conturbada vida pessoal. Problemas com a família e mais tarde com o seu violento e possessivo marido James Martin, que quase a matou. Recuperada, ela voltou ao boxe e, em 2009, conquistou o título mundial feminino na categoria meio-médio. Enfim, uma trajetória incrível, valorizada ainda mais pelo fantástico desempenho da atriz Sydney Sweeney e as ótimas cenas de luta. Um filmaço! Elenco: Sydney Sweeney, Ben Foster, Jess Gabor, Naomi Graham, Coleman Pedigo, Merritt Wever, Ethan Embry, Tony Cavalero, Katy O’Brian, Brayan Hibbard, Anthony Buisseret, Chad Coleman, Valyn Hall e Stephanie Baur.      

sexta-feira, 17 de julho de 2026

“BLUE MOON – MÚSICA E SOLIDÃO” (“BLUE MOON”), 2025, Estados Unidos, 1h40m, em cartaz na HBO Max, direção de Richard Linklater, seguindo roteiro assinado por Robert Kaplow. Na noite de 31 de março de 1943, enquanto o musical “Oklahoma!” era aclamado na Broadway, no bar Sardi’s curtia sua mágoa e frustração o letrista Lorenz Hart (Ethan Hawke), durante anos o parceiro do compositor Richard Rodgers. Juntos, foram responsáveis por alguns dos maiores sucessos da música popular norte-americana, como “Blue Moon”, “The Lady is a Tramp”, “Manhattan”, “My Funny Valentine”, entre outras inúmeras músicas de altíssima qualidade. Para o musical “Oklahama”, Hart foi trocado por Oscar Hammerstein II, motivo do desgosto e da tristeza de Hart, que afogava suas mágoas com o bartender Eddie (Bobby Cannavale). O personagem de Hart retratado no filme é um sujeito patético, egocêntrico e verborrágico demais, embora os diálogos sejam muito bons. Ele abre seu coração dizendo amar Elizabeth Weiland (Margaret Qualley, maravilhosa), que se considera apenas sua amiga, mais uma das frustações do letrista. O filme fica mais animado quando chegam ao bar Richard Rodgers (Andrew Scott) e seus assessores e admiradores, comemorando o sucesso de “Oklahoma”. Hart não é nem notado e, ao se aproximar do antigo parceiro, propõe escrever um novo musical, desesperado para voltar ao cenário musical. Hart não consegue seu intento e volta a beber muito, morrendo poucos meses depois. Enfim, “Blue Moon” poderia servir melhor para uma peça teatral, mas como filme não decepciona, principalmente pelo excelente desempenho do ator Ethan Hawke, que já trabalhou com o diretor Linklater na trilogia “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr do Sol” e “Antes da Meia-Noite”. Para encerrar o comentário, lembro que “Blue Moon”, indicado a duas categorias no Oscar 2026 (Melhor Ator e Melhor Roteiro Original), é destinado a um público muito especial, adulto e qualificado. Elenco: Ethan Hawke, Margaret Qualley, Andrew Scott, Patrick Kennedy, Bobby Cannavale, Cillian Sullivan, Jonah Lees, Simon Delaney, Giles Surridge, Caitrona Ennis e David Rawle.       

segunda-feira, 13 de julho de 2026

“O DRAMA” (“THE DRAMA”), 2026, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção do cineasta norueguês Kristoffer Borgli (“O Homem dos Teus Sonhos”, “Doente de Mim Mesma”). Trata-se de uma comédia romântica com pitadas de suspense, reunindo uma dupla de artistas dos mais badalados atualmente: Robert Pattinson e Zendaya, cujo nome verdadeiro é Zendaya Marree Stoermer Coleman. A história gira em torno do casal de namorados Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya), cujo casamento está marcado para dali a uma semana. Num papo informal com os amigos Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), surge uma pergunta que todos devem responder: “Qual a pior coisa que você já fez?”. Quando chegou a vez de Emma, a resposta chocou a todos, pois ela relembrou um fato chocante de sua adolescência. O caldo entornou para o casal de noivos. Charlie começou a pensar em que fria se meteu. Entre encontros e desencontros, muito papo furado e desavenças, chega finalmente o dia do casamento. Aí a coisa vai pegar. Achei que o filme demora a esquentar, o que acontece realmente somente às vésperas da festa de casamento e suas consequências. Trocando em miúdos, não vejo motivos suficientes para uma recomendação entusiasmada, ainda mais que Zendaya e Robert Pattinson nunca me convenceram como atriz e ator. Elenco:  Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Anna Baryshnikov, Michel Abbott Jr., Sydney Lemmon, Hannah Gross, Jordyn Curet, Dee Nelson, Ken Cheeseman, Damon Gupton, Jordan Raf, Doria Bramante e Jeremy Lewvick.     

“AITA” (“AÑTA”), 2023, coprodução Rússia/República de Sakha,  1h29m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Stepan Burnashev, que também assina o roteiro com Svetlana Taayko. Trata-se de um drama policial ambientado numa remota vila localizada na República de Sakha – também conhecida como Iacútia - região da Síbéria. Aqui vive o povo Sakha, grupo étnico de origem turcomana. Na vila em questão, uma adolescente morre depois de ser estuprada. Encarregado da investigação, o chefe da polícia local, comandante Nikolai Sirditov (Innokenty Lukovtsev), chega à conclusão que um de seus subordinados, o russo Afonya (Andrey Fomin), é o principal suspeito. Diante da revolta da população, que quer fazer justiça com as próprias mãos, o comandante prende Afonya na pequena delegacia, que logo vira alvo dos moradores que querem vingança, o principal deles o pai da jovem vítima, que se chama Aita, daí o título do filme. O suspense gira em torno da proteção ao suspeito e da tentativa de removê-lo para outra cidade visando sua proteção. Mas todas as possibilidades estão fora de cogitação, pois a chuva e o vento impedem qualquer remoção. Perto do desfecho, uma grande reviravolta acontece, valorizando ainda mais este excelente filme russo. Só mais um detalhe interessante: na República de Sakha existe a cidade de Iakusk, considerada a mais fria do mundo, cuja temperatura média é de 60 graus negativos.