sábado, 4 de abril de 2026

“CAMINHOS DO CRIME” (“CRIME 101”), 2026, Estados Unidos, 2h19m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Bart Layton, que também assina o roteiro com Peter Straughan. Roteiro, aliás, adaptado do livro “Crime 101”, escrito por Don Winslow. A história, ambientada em Los Angeles, é centrada no charmoso e elegante ladrão de joias Mike Davis (Chris Hemsworth), que há anos trabalha para um mafioso chamado “Money” (Nick Nolte). Mike era conhecido como um ladrão que jamais feria as vítimas e nunca deixava pistas.  Encarregado de investigar os roubos, o detetive Lou Lubesnick (Mark Ruffalo) conseguiu descobrir que o ladrão tinha como padrão assaltar relojoarias localizadas no entorno da autoestrada 101, também conhecida como Hollywood Freeway, uma das mais movimentadas de Los Angeles. O roteiro também coloca em cena personagens que terão importância crucial na história, como uma corretora de seguros (Halle Berry), um assaltante violento (o ator irlandês Barry Keoghan, de “Peak Blinders – O Homem Imortal”) e uma garota (Monica Barbaro) pela qual Mike Davis se apaixona. O filme é ótimo, as cenas de ação, principalmente as perseguições pelas ruas de LA, são muito bem feitas, mas destaco que é o primoroso roteiro, repleto de novas situações e reviravoltas, que segura a atenção do espectador até o desfecho surpreendente. Cabe aqui lembrar que o roteirista Peter Straughan ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “Conclave”, em 2024. Resumindo, “Caminhos do Crime” é um filmaço. Elenco: Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Barry Keoghan, Halle Berry, Nick Nolte, Monica Barbaro, Jennifer Jason Leigh, Devon Bostick, Corey Hawkins, Paul Adelstein, Crosby Fitzgerald, Tate Donovan, Andra Nechita, Payman Maadi, Peter Banifaz e Hanako Footman.       

quinta-feira, 2 de abril de 2026

“UMA MULHER DIFERENTE” (“UNE FEMME DIFFÉRENTE”), 2025, França, 1h40m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Lola Doillon. Mais um ótimo filme que explora adultos com autismo (síndrome de Asperger). É tão bom quanto o argentino “Goya”, comentado recentemente neste blog. No caso do filme francês, o personagem principal é Katia (Jehnny Beth), 35 asnos, uma mulher aparentemente normal que trabalha como editora de uma produtora de documentários. Ao produzir um documentário sobre autismo, ela percebe que tem os mesmos sintomas das pessoas entrevistadas, ou seja, não gostam de barulho, aglomeração, hipersensíveis à luz etc. Resolve então consultar um especialista e, depois de vários exames, descobre que é uma pessoa com o mesmo transtorno. Esse resultado a deixa insegura, a ponto de achar que vai ser demitida do emprego. Essa confusão mental também irá prejudicar o seu relacionamento amoroso com o bonachão Fred (Thibaut Evrard), apaixonado por ela com todos os seus “defeitos”. O filme também destaca o relacionamento conturbado com a mãe. Só para esclarecer, o autismo foi considerado durante muitos anos uma doença mental e, como tal, era tratada. Só em 1996 foi reconhecida domo “Transtorno de Desenvolvimento”. Voltando ao filme, é preciso salientar o excelente desempenho da atriz Jehnny Beth (“Anatomia de uma Queda”. Resumindo, “Uma Mulher Diferente” é muito bom, sensível, realista e elucidativo. IMPERDÍVEL, assim mesmo, com letras maiúsculas. Elenco: Jehnny Beth, Thibaut Evrard, Mireille Perrier, Irina Muluile, Philippe Le Gall, Emmanuelle Schaaff, Julie Dachez, Fabienne Cazalis, Jérémy Sanagheal, Mhamed Areski, Sarah Leray, Pierre Ostoya Magnin e Valentine Moussongo.     

terça-feira, 31 de março de 2026


“VALOR SENTIMENTAL” (“AFFEKSJONSVERDI”), 2025, Noruega, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Joachim Trier (“A Pior Pessoa do Mundo”, “Oslo, 31 de Agosto”), que também assina o roteiro com a colaboração de Eskil Vogt. Esse maravilhoso drama psicológico foi o vencedor do Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional e de tantos outros prêmios em festivais mundo afora. É daqueles filmes que podemos chamar de uma pequena obra-prima. Admito, porém, que não é para qualquer público, ou seja, longe do comercial. A história envolve o cineasta Gustav Borg (Stellan Skarsgard) e suas duas filhas, Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Llleaas). Depois de muitos anos afastados, os três se reencontram para o velório da mãe. O abandono do lar para se dedicar ao cinema e à vida boêmia rendeu uma rejeição velada por parte das filhas, e Gustav percebeu que precisava fazer alguma coisa para apagar o passado e promover uma reaproximação. A primeira ação foi convidar Nora para o papel principal do seu próximo filme. Nora, uma atriz de teatro muito elogiada pela crítica, recusou o convite. Gustav então convida Rachel Kemp (Elle Fanning), uma jovem atriz que faz sucesso em Hollywood. Enquanto tudo isso acontece, pai e filhas tentam se reconciliar, mas a ausência do pai durante tantos anos persiste como fator de trauma por parte de Nora e Agnes. “Valor Sentimental” é um filme emocional, conduzido com maestria por Joachim Trier (apesar do sobrenome, não tem parentesco com o consagrado cineasta dinamarquês Lars Von Trier). O norueguês Joachim Trier conduz cada cena de forma que os personagens demonstrem sentir emoções contidas à flor da pele. Enfim, um trabalho primoroso na direção de atores. Aliás, o elenco é mesmo sensacional. Trocando em miúdos, “Valor Sentimental” estreou no Festival de Cannes e, ao final da exibição, foi aplaudido durante 20 minutos pela plateia. Entre tantos elogios, indicações e prêmios, um elogio em especial me chamou a atenção: o site “Indiewire”, um dos mais importantes da indústria cinematográfica e de crítica de cinema, colocou o filme na 21ª posição entre os 100 melhores do ano da década de 2020 até agora. Não poderia deixar de destacar o fato de que o nosso "Agente Secreto" disputou o Oscar na mesma categoria. Embora tenha gostado muito dele, lamento dizer que não dá para comparar com o filme norueguês, que é muito melhor e infinitamente superior ao nosso. Elenco: Stellan Skarsgard, Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning, Anders Danielsen Lie, Cory Michael Smith, Lena Endre, Catherine Cohen, Jesper Christensen, Lars Väringer, Andreas Stoltenberg, Pia Borgli e Børn Alexander.    

domingo, 29 de março de 2026

“SERVINDO NAZISTAS” (“FILIP”), 2023, Polônia, 2h05m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Michal Kwiecinski (“Chopin, A Sonata in Paris”), que também assina o roteiro com Michal Matejkiewicz e Anna Gronowska. A história é baseada no romance biográfico “Filip”, do escritor judeu polonês Leopold Tyrman (1920/1985), que viveu uma incrível aventura durante a Segunda Guerra Mundial, parte dela adaptada para o filme. Preso no Gueto de Varsóvia, Filip (Erik Kulm) consegue escapar do massacre nazista que vitimou milhares de judeus. Com a ajuda de um contrabandista, Filip e outros judeus conseguiram fugir para Frankfurt, na Alemanha, com documentos falsos, e conseguiram emprego de garçons num luxuoso hotel frequentado por oficiais alemães. Filip é um grande conquistador, não se importando que na época era proibido ter relações sexuais com mulheres alemãs. Quem fosse surpreendido seria sumariamente executado, como aconteceu com um colega italiano. Filip deixa sua rotina de conquistador quando conhece a jovem Lisa (Carolina Hartig), com a qual resolve fugir para Paris. Trocando em miúdos, o filme é ótimo, com excelente roteiro, um elenco afinado e uma primorosa recriação de época. Por isso mesmo, estranhei que não tenha sido muito divulgado tanto pela mídia como pela Prime Vídeo. Elenco: Erik Kulm, Victor Meutelet, Caroline Hartig, Zoe Straub, Sandra Drzymalska, Gabriel Raab, Bohdan Graczyk, Werner Biermeier, Ondrej Kraus e Sandra Drzymalkska.      

“AGENTE ZETA” (“ZETA”), 2026, Espanha, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Dani De La Torre (“El Desconocido”, “Gun City”), que também assina o roteiro com a colaboração de Oriol Paulo e Jordi Vallejo. Quando 4 ex-agentes secretos do Centro Nacional de Inteligência (CNI) da Espanha são assassinados simultaneamente,  as autoridades espanholas de inteligência resolvem recrutar o agente de codinome Zeta (Mario Casas) para uma missão muito especial: descobrir quem são os assassinos, a motivação e ainda proteger um quinto ex-agente, Salvador Ancares (Luis Zahera). Logo a motivação seria descoberta: trata-se de uma vingança de um crime que aconteceu no final dos anos 80 na Colômbia, durante uma operação intitulada “Ciénaga”. Para a missão, Zeta contará com a colaboração de uma agente da inteligência colombiana cujo codinome é Alfa. O ex-agente Ancares vive escondido na Estônia, com esposa e um filho. Quando Zeta e Alfa vão procurá-lo, descobrem que ele havia fugido para o Brasil, onde chefia uma facção criminosa num morro do Rio de Janeiro. Parece tudo muito complicado. E realmente é. Mas aos poucos a gente vai se familiarizando com a história e tudo fica bem compreensível. ”Agente Zeta” é, sem dúvida, um bom filme de ação, mas peca por criar muitas situações absurdas, como a já citada anteriormente (o ex-agente que mora na Estônia e chefia uma gangue num morro do Rio; haja criatividade). Elenco: Mario Casas, Mariela Garriga, Luiz Zahera, Nora Navas, Nieve de Medina, Amanda Goldsmith, Pilar Gómez, Alejandro Vergara, Samuel López, Christian Tappan, Cristina Umaña, Ricardo de Barreiro, Luisa Vides, David Villamil, Fabián Aguilar, Sarah Cafaro e Miguel Brocca.