“CAMINHOS DO CRIME” (“CRIME 101”), 2026,
Estados Unidos, 2h19m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Bart Layton, que
também assina o roteiro com Peter Straughan. Roteiro, aliás, adaptado do livro “Crime
101”, escrito por Don Winslow. A história, ambientada em Los Angeles, é
centrada no charmoso e elegante ladrão de joias Mike Davis (Chris Hemsworth),
que há anos trabalha para um mafioso chamado “Money” (Nick Nolte). Mike era
conhecido como um ladrão que jamais feria as vítimas e nunca deixava pistas. Encarregado de investigar os roubos, o
detetive Lou Lubesnick (Mark Ruffalo) conseguiu descobrir que o ladrão tinha
como padrão assaltar relojoarias localizadas no entorno da autoestrada 101, também
conhecida como Hollywood Freeway, uma das mais movimentadas de Los Angeles. O
roteiro também coloca em cena personagens que terão importância crucial na
história, como uma corretora de seguros (Halle Berry), um assaltante violento
(o ator irlandês Barry Keoghan, de “Peak Blinders – O Homem Imortal”) e uma
garota (Monica Barbaro) pela qual Mike Davis se apaixona. O filme é ótimo, as
cenas de ação, principalmente as perseguições pelas ruas de LA, são muito bem
feitas, mas destaco que é o primoroso roteiro, repleto de novas situações e
reviravoltas, que segura a atenção do espectador até o desfecho surpreendente. Cabe
aqui lembrar que o roteirista Peter Straughan ganhou o Oscar de Melhor Roteiro
Adaptado por “Conclave”, em 2024. Resumindo, “Caminhos do Crime” é um filmaço. Elenco:
Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Barry Keoghan, Halle Berry, Nick Nolte,
Monica Barbaro, Jennifer Jason Leigh, Devon Bostick, Corey Hawkins, Paul
Adelstein, Crosby Fitzgerald, Tate Donovan, Andra Nechita, Payman Maadi, Peter
Banifaz e Hanako Footman.
sábado, 4 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
“UMA MULHER DIFERENTE” (“UNE
FEMME DIFFÉRENTE”), 2025, França, 1h40m, em cartaz na Netflix,
roteiro e direção de Lola Doillon. Mais um ótimo filme que explora adultos com autismo
(síndrome de Asperger). É tão bom quanto o argentino “Goya”, comentado recentemente
neste blog. No caso do filme francês, o personagem principal é Katia (Jehnny
Beth), 35 asnos, uma mulher aparentemente normal que trabalha como editora de
uma produtora de documentários. Ao produzir um documentário sobre autismo, ela percebe
que tem os mesmos sintomas das pessoas entrevistadas, ou seja, não gostam de
barulho, aglomeração, hipersensíveis à luz etc. Resolve então consultar um
especialista e, depois de vários exames, descobre que é uma pessoa com o mesmo
transtorno. Esse resultado a deixa insegura, a ponto de achar que vai ser
demitida do emprego. Essa confusão mental também irá prejudicar o seu
relacionamento amoroso com o bonachão Fred (Thibaut Evrard), apaixonado por ela
com todos os seus “defeitos”. O filme também destaca o relacionamento conturbado
com a mãe. Só para esclarecer, o autismo foi considerado durante muitos anos
uma doença mental e, como tal, era tratada. Só em 1996 foi reconhecida domo “Transtorno
de Desenvolvimento”. Voltando ao filme, é preciso salientar o excelente desempenho
da atriz Jehnny Beth (“Anatomia de uma Queda”. Resumindo, “Uma Mulher Diferente”
é muito bom, sensível, realista e elucidativo. IMPERDÍVEL, assim mesmo, com
letras maiúsculas. Elenco: Jehnny Beth, Thibaut Evrard, Mireille
Perrier, Irina Muluile, Philippe Le Gall, Emmanuelle Schaaff, Julie Dachez,
Fabienne Cazalis, Jérémy Sanagheal, Mhamed Areski, Sarah Leray, Pierre Ostoya
Magnin e Valentine Moussongo.
terça-feira, 31 de março de 2026
“VALOR SENTIMENTAL” (“AFFEKSJONSVERDI”), 2025,
Noruega, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Joachim Trier (“A Pior
Pessoa do Mundo”, “Oslo, 31 de Agosto”), que também assina o roteiro com a
colaboração de Eskil Vogt. Esse maravilhoso drama psicológico foi o vencedor do
Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional e de tantos outros prêmios em
festivais mundo afora. É daqueles filmes que podemos chamar de uma pequena obra-prima.
Admito, porém, que não é para qualquer público, ou seja, longe do comercial. A
história envolve o cineasta Gustav Borg (Stellan Skarsgard) e suas duas filhas,
Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Llleaas). Depois de muitos anos
afastados, os três se reencontram para o velório da mãe. O abandono do lar para
se dedicar ao cinema e à vida boêmia rendeu uma rejeição velada por parte das
filhas, e Gustav percebeu que precisava fazer alguma coisa para apagar o
passado e promover uma reaproximação. A primeira ação foi convidar Nora para o
papel principal do seu próximo filme. Nora, uma atriz de teatro muito elogiada
pela crítica, recusou o convite. Gustav então convida Rachel Kemp (Elle
Fanning), uma jovem atriz que faz sucesso em Hollywood. Enquanto tudo isso
acontece, pai e filhas tentam se reconciliar, mas a ausência do pai durante
tantos anos persiste como fator de trauma por parte de Nora e Agnes. “Valor
Sentimental” é um filme emocional, conduzido com maestria por Joachim Trier (apesar
do sobrenome, não tem parentesco com o consagrado cineasta dinamarquês Lars Von
Trier). O norueguês Joachim Trier conduz cada cena de forma que os personagens demonstrem
sentir emoções contidas à flor da pele. Enfim, um trabalho primoroso na direção de
atores. Aliás, o elenco é mesmo sensacional. Trocando em miúdos, “Valor Sentimental”
estreou no Festival de Cannes e, ao final da exibição, foi aplaudido durante 20
minutos pela plateia. Entre tantos elogios, indicações e prêmios, um elogio em
especial me chamou a atenção: o site “Indiewire”, um dos mais importantes da
indústria cinematográfica e de crítica de cinema, colocou o filme na 21ª posição
entre os 100 melhores do ano da década de 2020 até agora. Não poderia deixar de destacar o fato de que o nosso "Agente Secreto" disputou o Oscar na mesma categoria. Embora tenha gostado muito dele, lamento dizer que não dá para comparar com o filme norueguês, que é muito melhor e infinitamente superior ao nosso. Elenco: Stellan
Skarsgard, Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning, Anders
Danielsen Lie, Cory Michael Smith, Lena Endre, Catherine Cohen, Jesper
Christensen, Lars Väringer, Andreas Stoltenberg, Pia Borgli e Børn Alexander.
domingo, 29 de março de 2026
“SERVINDO NAZISTAS” (“FILIP”), 2023,
Polônia, 2h05m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Michal Kwiecinski (“Chopin,
A Sonata in Paris”), que também assina o roteiro com Michal Matejkiewicz e Anna
Gronowska. A história é baseada no romance biográfico “Filip”, do escritor judeu
polonês Leopold Tyrman (1920/1985), que viveu uma incrível aventura durante a
Segunda Guerra Mundial, parte dela adaptada para o filme. Preso no Gueto de
Varsóvia, Filip (Erik Kulm) consegue escapar do massacre nazista que vitimou
milhares de judeus. Com a ajuda de um contrabandista, Filip e outros judeus
conseguiram fugir para Frankfurt, na Alemanha, com documentos falsos, e
conseguiram emprego de garçons num luxuoso hotel frequentado por oficiais
alemães. Filip é um grande conquistador, não se importando que na época era
proibido ter relações sexuais com mulheres alemãs. Quem fosse surpreendido
seria sumariamente executado, como aconteceu com um colega italiano. Filip deixa
sua rotina de conquistador quando conhece a jovem Lisa (Carolina Hartig), com a
qual resolve fugir para Paris. Trocando em miúdos, o filme é ótimo, com
excelente roteiro, um elenco afinado e uma primorosa recriação de época. Por isso
mesmo, estranhei que não tenha sido muito divulgado tanto pela mídia como pela
Prime Vídeo. Elenco: Erik Kulm, Victor Meutelet, Caroline Hartig, Zoe Straub,
Sandra Drzymalska, Gabriel Raab, Bohdan Graczyk, Werner Biermeier, Ondrej Kraus
e Sandra Drzymalkska.
“AGENTE ZETA” (“ZETA”), 2026,
Espanha, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Dani De La Torre (“El Desconocido”,
“Gun City”), que também assina o roteiro com a colaboração de Oriol Paulo e Jordi
Vallejo. Quando 4 ex-agentes secretos do Centro Nacional de Inteligência (CNI)
da Espanha são assassinados simultaneamente, as autoridades espanholas de inteligência
resolvem recrutar o agente de codinome Zeta (Mario Casas) para uma missão muito
especial: descobrir quem são os assassinos, a motivação e ainda proteger um
quinto ex-agente, Salvador Ancares (Luis Zahera). Logo a motivação seria
descoberta: trata-se de uma vingança de um crime que aconteceu no final dos
anos 80 na Colômbia, durante uma operação intitulada “Ciénaga”. Para a missão,
Zeta contará com a colaboração de uma agente da inteligência colombiana cujo codinome
é Alfa. O ex-agente Ancares vive escondido na Estônia, com esposa e um filho.
Quando Zeta e Alfa vão procurá-lo, descobrem que ele havia fugido para o Brasil,
onde chefia uma facção criminosa num morro do Rio de Janeiro. Parece tudo muito
complicado. E realmente é. Mas aos poucos a gente vai se familiarizando com a
história e tudo fica bem compreensível. ”Agente Zeta” é, sem dúvida, um bom
filme de ação, mas peca por criar muitas situações absurdas, como a já citada
anteriormente (o ex-agente que mora na Estônia e chefia uma gangue num morro do
Rio; haja criatividade). Elenco: Mario Casas, Mariela Garriga, Luiz
Zahera, Nora Navas, Nieve de Medina, Amanda Goldsmith, Pilar Gómez, Alejandro Vergara,
Samuel López, Christian Tappan, Cristina Umaña, Ricardo de Barreiro, Luisa
Vides, David Villamil, Fabián Aguilar, Sarah Cafaro e Miguel Brocca.




