sábado, 25 de julho de 2026

 

“O CORPO QUE HABITO” (“KOBIETA Z...”), 2023, coprodução Polônia/Suécia, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da dupla Michal Englert e Malgorzata Szumowska. Mais daqueles filmes pouco divulgados e que você descobre meio escondido. A história é centrada num jovem que cresce, casa, tem filhos, mas que desde sempre sentia um lado feminino pronto a aflorar. O filme acompanha a trajetória desse personagem durante 45 anos, ao final dos quais ele resolve assumir em definitivo como mulher, trocando seu nome Andrzej para Aniela – interpretados respectivamente por Mateusz Wieclawek e Malgorzata Hajeska-Krzusztofik. Sua esposa Iza (Bogumila Bajor na juventude e Joanna Kulig na fase adulta) não desconfiou que o marido escondia esse segredo. Afinal, teve dois filhos com ele. De início, o choque foi enorme e ela fica revoltada, assim como os pais de Andrzej, que o expulsam de casa. Sem lugar para morar e sem emprego fixo – vivia de “bicos”, ele chegou a morar numa pensão para travestis e depois num convento. Resumo da ópera: o filme é um retrato humano e sensível da transição de gênero, e de um processo de autodescoberta que o roteiro explora com enorme competência, transformando “O Corpo que Habito” num excelente drama. Um lembrete final: não confunda este filme com “A Pele que Habito”, do espanhol Pedro Almodovar. Elenco: Malgorazata Hajeska-Krzusztofik, Joana Kulig,  Mateusz Wieclawek, Marta Nieradkiewicz, Renata Dancewicz, Tomasz Schuchardt, Jacek Braciak, Pola Gonciarz, Jerzy Bonczak, Anna Tomaszeska, Bogumila Bajor e Piotr Bondyra.      

“MANUAL PRÁTICO DA VINGANÇA LUCRATIVA” (“HOW TO MAKE A KILLING”), 2026, coprodução Estados Unidos/França/Inglaterra, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de John Patton Ford (“Emily, a Criminosa”), que também assina o roteiro com Robert Hamer e João Dighton. Primeiro é preciso destacar a engenhosa trama criada pelo roteiro, o tom de comédia com pitadas de humor negro e um elenco bastante afinado. Começa o filme e o personagem principal, Becket Redfellow (Glen Powell), está numa cela do corredor da morte conversando com um padre. É durante essa conversa que a história é contada intercalada com os fatos em flashback. Aos 18 anos, sua mãe Mary (Nell Williams) fica grávida de um músico e acaba expulsa pelo pai, Whitelaw Redfellow (Ed Harris), patriarca de uma família multibilionária, perdendo o direito à sua parte da herança. Mary fica pobre mas cria Becket com a esperança de, no futuro, conseguir a parte que lhe cabe do patrimônio da família. Becket cresceu ouvindo da mãe um pedido muito especial: “Prometa que você não vai desistir até que você tenha o estilo de vida certo”. Já adulto, Becket seguiu o conselho da saudosa genitora e partiu para buscar sua parte da imensa herança dos Redfellow, calculada em torno dos 28 bilhões de dólares. Só que havia um problema: 7 parentes com esse direito e que não contavam com a astúcia de Becket para planejar engenhosas formas de matar seus oponentes. A graça da história está justamente na criatividade de Becket. Mas no meio da matança eis que surge no seu caminho a bela e sedutora Julia (Margaret Qualley), esposa de uma das vítimas em potencial e que terá importância fundamental para o desfecho da história. Aliás, a atriz Margaret Qualley, filha da também atriz Andie MacDowel, continua arrasando quando aparece na tela, seja em “Blue Moon”, “A Substância” ou “Honey, Não”. Trocando em miúdos, “Manual Prático...” é ótimo, saboroso de assistir, um filmaço! Mais uma atração especial: na trilha sonora, a música "Take Me Back To Piauí", de Juca Chaves. Elenco: além dos já citados, Jessica Henwick, Bill Camp, Topher Grace, Zach Woods, Rafferty Law, Grady Wilson, Bianca Amato, Adrian Luks, James Freche Ville, Alexander Hanson e Sean Cameron Michael.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

“DESEJO” (“DESEO”), 2026, coprodução México/Espanha, 1h39m, em cartaz na Netflix, direção de Teresa Simone, seguindo roteiro assinado por Giulia Cardamone e Vanessa Miklos. Suspense com pitadas de erotismo bem comportado, contando a história da advogada Lucero (Ludwika Paleta), uma mulher casada de meia idade, mãe de dois adolescentes, que se apaixona pelo técnico de natação de sua filha, Matías (o ator espanhol Óscar Casas, irmão do também ator Mario Casas). Depois de muito sexo, Lucero é obrigada a cortar relações com o rapaz por conta de uma chantagem, mas ele não aceita a rejeição, afirmando que está apaixonado. A situação começa a ficar complicada quando Matías resolve se vingar namorando a filha de Lucero. Tragédia à vista, não dá outra. O filme é repleto de defeitos, mas tem como trunfo o desempenho e a beleza da atriz Ludwika, nascida na Polônia e radicada no México desde os três anos de idade. Ela carrega o filme nas costas com uma forma física admirável aos 47 anos de idade. Elenco: Ludwika Paleta, José María Yazpik, Óscar Casas, Leonardo Ortizgris, Pilar Pascual, Matias Coronado, Ivana Salomón, Gabi Zamora, Jaydy Michel, Giovani Florido, Ángel Lópes-Silva, Cedma Morales, Viviane Delgado e Mónika Sánchez.     

terça-feira, 21 de julho de 2026

“A VOZ DE HIND RAJAB” (“SAWT HIND RAJAB”), 2025, Tunísia, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção da cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania (“As 4 Filhas de Olfa”). Trata-se de um drama impactante e comovente que reproduz a trágica ocorrência verificada na Faixa de Gaza em janeiro de 2024. Como retaliação aos atentados praticados por terroristas do Hamas no de 7 de outubro do ano anterior, o exército de Israel ocupou Gaza com o objetivo de capturar os terroristas e tentar resgatar os reféns. O filme é todo ambientado na central de comunicação dos voluntários do Crescente Vermelho, organização que presta ajuda humanitária à população palestina em situação de perigo. Omar (Motaz Malhees), um dos voluntários, recebe uma ligação desesperada de uma menina de cinco anos presa dentro de um carro com seis mortos de sua família. “Por favor, venham até mim, por favor, venham. Estou com medo”, ela suplicava em meio a um grande tiroteio. Comovidos com a situação da menina, os voluntários Omar, Rana (Saja Kilani), Mahdi (Amer Hlehel) e Nisreen (Clara Khoury) dedicaram toda parte do seu tempo a conversar com ela e a tranquilizá-la, dizendo que logo haverá uma ajuda. Importante destacar que os áudios da menina são originais, o que torna a situação ainda mais angustiante para o espectador. O filme é excelente, traduz com perfeição a angústia e o desespero do pessoal da Crescente Vermelho em tentar salvar Hindi Rajab. O filme estreou no 82º Festival de Veneza, sendo ovacionado por 23 minutos pela plateia, ganhando o Grande Prêmio do Júri. Também concorreu ao Oscar 2026 na categoria Melhor Filme Internacional representando a Tunísia. Para concluir, lembro que Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Alfonso Cuarón e Jonathan Glazer são alguns dos produtores do filme, aquela mesma turma de Hollywood que não gosta de Trump e de Israel.