quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 

“LIÇÕES DE LIBERDADE” (“THE PENGUIN LESSONS”), 2024, coprodução Inglaterra/Espanha/Estados Unidos, em cartaz na Prime Vídeo, 1h51m, direção de Peter Gattaneo (“Ou Tudo ou Nada”, "Unidas pela Esperança”), seguindo roteiro assinado por Jeff Pope. Sempre valorizei os filmes baseados em histórias reais. Este, em especial, apresenta uma história incrível que realmente merecia ser transformada em filme. É baseada no livro “The Penguin Lessons”, escrito em 2016 pelo professor inglês Tom Michell. Tudo começa em 1976, quando Michell (Steve Coogan) chega a Buenos Aires (Argentina) para dar aulas de inglês no tradicional colégio interno St. George, só para meninos de famílias ricas. Um golpe militar havia sido dado poucos dias antes e Tom logo percebeu que o clima não estava muito confortável. Só se via soldados armados andando pelas ruas com cara de poucos amigos. Vou tentar resumir a história. Num período em que as aulas foram suspensas, o professor viaja até Punta Del Este, no Uruguai, conhece uma moça e vai passear na praia. Aqui, encontra um pinguim preso a uma poça de óleo. Depois de resgatar o bichinho e tirar todo o óleo, ele decide devolvê-lo ao mar. Mas o pinguim volta para o seu salvador, que então decide levá-lo para a Argentina. Resultado: ficam amigos. O bichinho recebe o nome de “Juan Salvador” e logo vira atração na escola. Até o diretor Buckle (Jonathan Price) vira amigo do pinguim. Não é mesmo incrível essa história? O filme também destaca os eventos que marcaram a Argentina naquela época de trevas. Uma das faxineiras da escola é levada pelos militares em plena à luz do dia. O professor presencia a prisão, mas não pode fazer nada. Pouco tempo depois o professor inglês se vê em meio a uma manifestação das Mães de Maio, cujos filhos também foram “sumidos” pelos militares. Enfim, entre momentos sensíveis e bem humorados “Lições de Liberdade” também dá espaço ao drama vivido pelos argentinos. Outro destaque é o artifício utilizado pelo diretor Peter Gattaneo para resolver o problema da língua. Na maioria dos diálogos, os atores são dublados, no caso dos ingleses falando espanhol e no caso dos argentinos falando inglês. Estranhei que esse filme não tenha merecido muita divulgação, mesmo depois que estreou com elogios no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2024. Ainda bem que a Prime resolveu resgatá-lo, assim como fez o professor com o pinguim.        

 

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