sábado, 22 de junho de 2024

“MISSÃO IMPOSSÍVEL – ACERTO DE CONTAS Parte 1” (“MISSION IMPOSSIBLE – DEAD RECKONING Parte One”), 2023, Estados Unidos, 2h43m, em cartaz na Netflix, direção de Christopher McQuarrie, que também assina o roteiro com a colaboração de Erki Jendresen. Este é o 7º filme da franquia, iniciada em 1996, trazendo como figura central, em todos, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise). Confesso que resolvi assistir com a esperança da chegada da Parte 2, prometida para este ano, mas adiada para 2025 devido à recente greve de roteiristas e atores de Hollywood. Vou aguardar ansiosamente a sequência. Nesta Parte 1, Hunt e sua equipe do IMF, Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), Benji Dunn (Simon Pegg) e Luther Stickell (Ving Rhames), têm a missão de recuperar as duas partes de uma chave que pode acionar uma nova e aterrorizante arma de inteligência artificial capaz de reescrever a realidade. Ou seja, quem tomar posse dela poderá dominar o mundo. Também fazem parte do elenco Esai Morales, Shea Whigham, Cary Elwes, Hayley Atwell, Pom Klementieff, Vanessa Kirby, Henry Czerny, Indira Verma, Charles Parnell, só para citar os mais conhecidos. O filme garante uma ação eletrizante do começo ao fim, com cenas espetaculares. Não dá para perder! E aí esperar a Parte 2 com um bom estoque de pipoca e rezar para que Tom Cruise tenha saúde para encarar outras sequências.  

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quinta-feira, 20 de junho de 2024

“ENCONTRO FATAL” (“L’IMPASSE”), 2022, França, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo (o filme foi feito para ser exibido pela TV), direção de Delphine Lemoine, seguindo roteiro assinado por Laurent Mondy, Olivier Lècot e Aurélie De Gubernatis. Suspense policial centrado na relação entre uma conceituada psiquiatra, a dra. Estelle Hamon (Gwendoline Hamon), e seu paciente e ex-namorado Thomas Cassagne (Thierry Neuvic). A história começa com a morte de um psiquiatra na clínica onde Estelle trabalha, depois de uma discussão da vítima com Thomas. Numa atitude impensada, Estelle foge com Thomas para o interior e os dois se transformam em fugitivos da polícia. A trama envolve antigos fatos do passado, como a morte misteriosa do pai de Thomas e de sua ex-mulher. O que complica ainda mais é que Estelle é casada e tem um filho adolescente. Fica difícil acreditar que ela tenha abandonado a família e seu emprego pela aventura incerta com um paciente, o que foi uma forçada de barra do roteiro, que é repleto de falhas. As situações não têm a menor credibilidade, somando-se o elenco muito fraco, atuando no piloto automático. Enfim, não dá para recomendar, o que é uma grande decepção em se tratando de um exemplar do excelente cinema francês.  

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quarta-feira, 19 de junho de 2024

 

“BASMA”, 2024, Arábia Saudita, 1h45m, em cartaz na Netflix (produção original), roteiro e direção de Fatima AlBanawi. Trata-se de um drama familiar centrado na jovem saudita Bassouma, que toda família chama de Basma (AlBanawi), que retorna dos Estados Unidos para sua cidade natal Jeddah, na Arábia Saudita, depois de concluir o curso de engenheira ambiental numa universidade de Los Angeles. O reencontro com sua família não é dos mais agradáveis, pois sua mãe acaba de se separar do pai (Yassir Alsasi), um sujeito mentalmente desequilibrado que sofre de delírios paranoicos, que passou a morar sozinho longe da família. Com pena, Basma resolve viver um tempo com o pai, que um dia foi um cientista famoso, professor de universidade. O filme destaca a relação de Basma com o pai problemático e com os demais membros da família que se afastaram do convívio com ele por causa de sua condição mental. Fatima finalmente chega à mesma conclusão, que o pai realmente precisa de cuidados médicos. “Basma” é um filme simples e simpático, seguindo as regras da tradição e da cultura locais, que não permitem cenas de nudez, sexo e consumo de drogas, bem diferente do cinema ocidental ou asiático. Lembra até mesmo os filmes indianos no que se refere à trilha sonora, com aquelas músicas, para nós, ocidentais, irritantes e muitas vezes fora do contexto da história. Temos de levar em conta que o cinema da Arábia Saudita é recente. Para vocês terem uma ideia, o primeiro feito no país foi em 2006. Portanto, falta muito para se consolidar. Por isso mesmo acredito que “Basma” é um filme interessante para os cinéfilos de carteirinha conhecerem um novo estilo de cinema. E avaliar o talento da atriz e agora roteirista/diretora Fatima AlBanawi, cujo primeiro filme, “Barakkah com Barakah”, de 2016, foi um grande sucesso de bilheteria.                            

 

terça-feira, 18 de junho de 2024

“ALMA DE CAÇADOR” (“HEART OF THE HUNTER”), 2024, África do Sul, 1h47m, em cartaz nas Netflix, direção de Mandla Dube (“Silverton: Cerco Fechado”), seguindo roteiro assinado por Deon Meyer e Willem Grobler. Embora a África do Sul já tenha produzido alguns bons filmes, ainda está longe da Nigéria, cuja produção cinematográfica está entre as maiores do mundo, ranking liderado pela Índia. “Alma de Caçador”, baseado no romance homônimo escrito por Deon Meyer em 2004, é um filme de ação com pano de fundo político. Às vésperas das eleições presidenciais, o favorito é um tal de Mtima (Sisanda Henna), um político corrupto e sanguinário. Diante desse quadro, Zuko Khumalo (Bonko Cosma Khoza), um ex-agente especial e assassino profissional, é recrutado por uma organização para investigar o passado de Mtima e denunciar suas falcatruas. Para isso, conta com a ajuda do prestigiado jornalista investigativo Mike Bressler (Deon Coetzee), do principal jornal sul-africano. Ao aceitar a missão, Zuko coloca em risco não só a própria vida, como a da esposa e do filho, e será perseguido pelos capangas de Mtima até o final. O filme é falado em inglês e africâner, duas das doze línguas oficiais da África do Sul. O enredo é bem elaborado, o suspense garante tensão do começo ao fim, destacando ótimas cenas de ação. A respeito do filme, um crítico profissional escreveu que se trata de “Um filme sul-africano americanizado”, o que na verdade foi um elogio, pois "Alma de Caçador" garante um bom programa na telinha.                          

 

domingo, 16 de junho de 2024


“CASAMENTO MORTAL” (“UNE CONFESSION”), 2023, França, 1h26m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Hélène Fillières, que também assina o roteiro com a colaboração de John Wainwright e Claud Scasso. Trata-se de um suspense policial - somente na TV francesa -, cuja história começa com uma morte misteriosa. Maud Duberry (Catherine Frot) cai de um penhasco e morre. Foi empurrada pelo marido, Jean Duberry (Laurent Gerra)? O casal de meia idade vivia uma relação conflituosa há anos e, claro, o marido se transforma no principal suspeito, ainda mais que uma testemunha o viu no penhasco olhando a vítima caída sem tomar qualquer atitude. Esse jogo psicológico, entre acusado, polícia e supostas testemunhas se arrasta até o desfecho, num ritmo bastante lento, entediante e, em certos momentos, irritante, com muitas cenas em flashback. O desenrolar da trama parece caminhar para um final surpreendente, com a revelação definitiva do que realmente aconteceu. Triste ilusão... Portanto, não espere muito de “Casamento Mortal”, nem mesmo grandes atuações. Completam o elenco Théo Augier (Benjamin, o filho), Diane Rouxel, Antoine Duléry e Lola Dewaere.                        

 

sábado, 15 de junho de 2024

“NOVEMBRO: PARIS ATACADA” (“NOVEMBRE”) – na divulgação oficial aparece “Paris Atacado”, talvez um erro de digitação -, 2023, França, 1h46m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Cédric Jimenez, que também assina o roteiro com Olivier Demangel. Já conhecia o diretor Cédric Jimenez de outros filmes, como o ótimo “Bac Nord: Sob Pressão”, de 2021. Um craque dos filmes de suspense e ação. Em “Novembre”, ele dá um show de suspense para contar o trabalho das equipes  antiterrorismo e da polícia parisiense para identificar e prender os responsáveis pelos vários atentados à bomba ocorridos na capital francesa em 2015, que resultaram em 112 mortos e dezenas de feridos. A história é toda baseada em fatos reais, acompanhando as investigações por cinco dias, entre vigilância ininterrupta a locais suspeitos, prisões e interrogatórios. O ritmo é alucinante, destacando com realismo o estresse pelo qual passaram as autoridades francesas naqueles dias. Enfim, um filmaço. No elenco, destaque para Jean Dujardin (“O Artista”), Anaïs Demoustier, Sandrine Kiberlain, Jérémie Renier, Lyna Khoudri, Cédric Kahn, Sofian Khammes, Sami Outalbali, Stéphane Bak e Sarah Afchain.                     

quinta-feira, 13 de junho de 2024

“TERRA DE SANTOS E PECADORES” (“IN THE LAND OF SINNERS AND SAINTS”), 2023, Irlanda, 1h46m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Robert Lorenz, seguindo roteiro assinado por Mark Michael McNally e Terry Loane. Estamos em 1974, a Irlanda vivendo a violência dos atentados praticados pelo IRA (Exército Republicano Irlandês). Um desses atentados, em Dublin, é mostrado no início do filme, no qual também são mortas algumas crianças. Os terroristas fogem e se escondem na pequena cidade litorânea de Glen Colm Cille. A chefona desse grupo é a sádica e violenta Doireann McCann (Kerry Condon, ótima). O caminho deles, porém, vai cruzar com Finbar Murphy (Liam Neeson), um ex-herói de guerra que agora faz bicos como assassino de aluguel. Ao contrário dos últimos filmes do ator Liam Neeson, repletos de ação, este é mais comedido, mais reflexivo, embora tenha alguma violência. Neeson está literalmente em casa, pois é irlandês. Completam o elenco – em sua grande maioria irlandeses – Ciarán Hinds, Niamh Cusack, Jack Gleeson, Desmond Eastwood, Colm Meaney, Sarah Greene e Conor MacNeill. Além da boa história e do ótimo elenco, mais um destaque são os cenários naturais do litoral da Irlanda, valorizados por vistas panorâmicas deslumbrantes. O filme estreou com elogios no Festival de Cinema de Veneza, confirmando o carisma do ator Liam Neeson como mocinho defensor dos fracos e oprimidos.                    

quarta-feira, 12 de junho de 2024

 

"UNABOMBER: TERRORISTA” (“TED K”), produzido em 2021, mas lançado somente em 2023, Estados Unidos, 2h02m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção do cineasta independente Tony Stone. Mais do que um filme, este drama é um relato documental que mais parece um estudo psicológico do terrorista Theodore John Kaczynski, que nos anos 70 e 80 assustou a população norte-americana com suas cartas-bomba enviadas pelo correio e que causaram a morte de três pessoas e ferimentos em outras 23. Logo chamado de “Unabomber”, ele escolhia como seus principais alvos lojas de informática, escritórios de companhias aéreas e faculdades de Ciência. Kaczynski não era um qualquer. Aos 16 anos, ingressou na Universidade de Harvard, formando-se em Matemática. Logo em seguida, foi contratado pela Universidade da Califórnia-Berkeley como seu mais jovem professor. Ele tinha um QI de 167, ou seja, um gênio, mas desistiu de tudo e foi morar isolado em uma pequena casa de madeira na Floresta de Lincoln, em Montana, onde viveu até ser preso pelo FBI em 1998 – morreria na prisão em 2023. O ator sul-africano Sharlto Copley interpreta o “Unabomber”, com uma atuação brilhante. Em sua estreia no Festival de Berlim, o filme foi aclamado pela crítica. Eu também gostei, mas adianto que não é muito fácil de digerir, pois destaca, em quase toda sua duração, uma narração detalhada de como funcionava a mente perturbada de um gênio que se perdeu no radical ativismo ecológico, desprezando a sociedade moderna e a tecnologia que se deslumbrava naquela época. De qualquer forma, o filme é muito interessante, talvez mais ideal para ser exibido em aulas nas faculdades de psiquiatria e psicologia.                    

 

domingo, 9 de junho de 2024

 

“SOB AS ÁGUAS DO SENA” ("SOUS LA SEINE”), 2024, França, 1h44m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Xavier Jens. Como teste final para a organização dos Jogos Olímpicos de Paris, agora em 2024, a prefeitura da capital francesa anuncia a realização de uma etapa do Campeonato Mundial de Triatlo, cuja prova de natação ocorrerá no Rio Sena. Poucos dias antes, porém, um grupo ativista ambiental descobre que um gigantesco tubarão está livre, leve e solto no Rio Sena. Em total silêncio para não causar pânico na população, a bióloga marinha Sophia (Bérénice Bejo) e mergulhadores da polícia parisiense tentam capturar o animal, um espécime de mais de 7 metros de comprimento. Depois de uma tentativa frustrada nas catacumbas do rio, Sophia e a polícia recorrem à prefeita de Paris (Anne Marivin) e pedem para adiar a competição, caso contrário muitas mortes ocorrerão. Claro, a política nega o pedido alegando não poder perder um investimento já feito, além de nem mesmo acreditar que haja um tubarão no Sena. Tragédia plenamente anunciada. O filme é repleto de absurdos, aqui incluída a própria história – Jacques Custeau deve ter se revirado no caixão. As cenas submarinas também não contribuem, além de um elenco pobre de qualidade, mesmo com a participação da atriz argentina naturalizada francesa Bérénice Bejo, indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante em 2012 pelo filme “O Artista”, também pelo qual ganhou o “César” (Oscar francês) como Melhor Atriz. Trocando em miúdos, “Sob as Águas do Sena” é um filme bem difícil de recomendar, embora na "democracia relativa" em que vivemos o espectador é livre para escolher.                     

 

“O PREÇO DA HERANÇA DA VOVÓ” (“RICCHI A TUTTI I COSTI”), 2024, Itália, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Giovanni Bognetti. Embora a história seja completamente diferente, esta comédia é uma sequência de “O Preço da Família”, de 2022, com o mesmo elenco e o roteirista/diretor. Trata-se da família de Carlo (Christian De Sica, filho do grande ator e diretor Vittorio De Sica), Anna (Angela Fionocchiaro), e os filhos Emilio (Claudio Colica) e Alessandra (Dharma Mangia Woods), agora às voltas com a nova aventura amorosa da matriarca Giuliana (Fioretta Mari), que, beirando os 90 anos, resolveu arrumar um namorado muito mais novo, o pilantrão Nunzio (Antonino Bruschetta), cujo passado revela relacionamentos com idosas ricas na América do Sul. O problema não é o inusitado romance, mas a herança que Giuliana deixará para a família, avaliada em 6 milhões de euros, e que agora corre o risco de cair nas mãos de Nunzio. Anunciado o casamento, prestes a ser realizado na paradisíaca ilha espanhola de Minorca, a família tentará a qualquer custo acabar com a relação e começa a montar um plano para desmascarar o noivo. O filme é leve e divertido, sem ofender nossa inteligência, mas está longe, muito longe, por exemplo, das antigas comédias italianas do diretor Mário Monicelli (1915-2010), tais como “Parente é Serpente”, “Quinteto Irreverente” e “O Incrível Exército de Brancaleone”. Ou daquelas com Nino Manfredi, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi e tantos outros.                  

quinta-feira, 6 de junho de 2024

 


“KALI – O ANJO VINGADOR” (“KALI - L'ANGE DE LA VENGEANCE"), 2024, França, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Julien Seri (“Filhos do Vento”, “Scorpion”), que também assina o roteiro com Cyril Ferment e Pascal Sid. Filme de ação em grande parte filmado no Rio de Janeiro, com elenco metade francês e metade brasileiro, em sua maioria figurantes. A figura central é Lisa (a atriz francesa de origem argelina Sabrina Ouazani), uma ex-agente das forças especiais do exército francês que deixou a profissão depois da morte do filho. Ela decide voltar à ativa depois que seu marido, agente da alfândega francesa, é assassinado durante uma missão no Rio de Janeiro. Com sangue nos dentes, Lisa viaja ao Brasil para descobrir o que aconteceu, saber quem matou o marido e se vingar. Aí ninguém segura a moça, que entra nas favelas do Rio batendo em todo mundo, inclusive nos mais perigosos traficantes. Bate aqui, tortura ali, ela enfim descobre o mandante do crime, o empresário Andres Barbosa (Emílio de Mello), dono de uma empresa que fabrica remédios falsificados. O filme tem inúmeros defeitos, um dos quais é que todo mundo se comunica em inglês ou francês, seja o pessoal da favela ou da polícia. Outra falha gritante é a facilidade com que Lisa entra nos mais lugares mais perigosos e sai sempre ilesa, apenas com um corte aqui e ali. Sempre sozinha, um baita exagero do roteiro. Enfim, é cinema de ação, o que demanda um certo exagero nas cenas. Completam o elenco Philippe Bas, Olivia Côte e Thiago Fragoso. Sabrina Ouazani é uma atriz francesa de respeito, tem bons filmes no currículo, mas dessa vez pagou mico. O filme é muito fraco.                

 

terça-feira, 4 de junho de 2024

 




 

“THE LESSON” (o título original foi mantido pela Prime Vídeo), 2023, coprodução Inglaterra/Alemanha, 1h42m, direção de Alice Troughton e Monica Moore-Suriyage, seguindo roteiro assinado por Alex Mackeith. Trata-se de um suspense psicológico que começa de forma a não parecer um filme do gênero. Só aos poucos é que a gente percebe que algo de ruim vai acontecer, antecipando alguma situação que poderá terminar em tragédia. O jovem candidato a autor Liam Sommers (o ator irlandês Daryl McCormack) é contratado para orientar o adolescente Bertie (Stephen McMillan) nos estudos de literatura com o objetivo de torná-lo apto para os exames de ingresso à Universidade de Oxford. JM Sinclair (Richard E. Grant, de “Saltburn”), pai do garoto, é um romancista consagrado e ídolo literário de Liam. Logo que chega à mansão onde mora o escritor, seu filho e a esposa Hélène (Julie Delpy), Liam é instalado na casa de hóspedes da mansão. Ele almoça e janta com a família e é tratado como um novo integrante, mas a convivência começa a tornar evidente que algum trauma do passado afeta as relações de pai, mãe e filho. As cenas vão transcorrendo com lentidão, destacando-se apenas diálogos que privilegiam a erudição de fatos literários, o que para muitos espectadores pode ser uma grande chatice. A cada cena que passa fica a sensação de que alguma coisa vai acontecer. Resumo da ópera, não é um filme para qualquer público, pois exige um tanto de paciência para chegar até o final.         

 

domingo, 2 de junho de 2024

 

“AS CORES DO MAL: VERMELHO” (“KLORY ZLA. CZERWIEN”), 2024, Polônia, 1h51m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Adrian Panek. Suspense policial que chega direto na Netflix (29/05/2024), sem ser exibido nos cinemas. O filme é uma adaptação do livro homônimo da escritora polonesa Malgorzata Oliwia Sobzak. O ponto de partida da história é a descoberta do corpo de uma jovem na praia de Trójmiasto, região de Gdansk. A vítima apresenta vestígios de um crime sádico, incluindo estupro e a retirada dos lábios. A moça é identificada como Monika (Zofia Jastrzebska), filha da juíza Helena Bogucka (Maja Ostaszewska). O jovem promotor Leopold Bilski (Jakub Gierszel) é encarregado do caso. Um crime com as mesmas características foi praticado há vários anos e é a partir daí que o promotor começa a seguir uma pista ligada a uma danceteria chamada “O Estaleiro”, último lugar onde Monika foi vista com vida. Dessa forma, o proprietário do local torna-se o principal suspeito, mas haverá uma surpreendente reviravolta perto do desfecho. Trocando em miúdos, não é um filme que mereça uma indicação entusiasmada. Contribuíram para tal um roteiro bem fraco e o elenco sem nenhum destaque. Até dá para entender por quê não foi exibido nos cinemas. Uma pisada de bola do cinema polonês.            

“JOIKA – UMA AMERICANA NO BOLSHOI” (“THE AMERICAN”), 2024, coprodução Estados Unidos/Nova Zelândia/Polônia, 1h51m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção do cineasta neozelandês James Napier Robertson. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a trajetória da bailarina norte-americana Joy Womack. Em 2009, aos 15 anos, Joika, como ficou conhecida, foi aceita no programa de treinamento da Academia Bolshoi de Moscou. Seu maior sonho era se tornar a primeira bailarina da companhia de ballet mais famosa do mundo. O filme mostra as dificuldades encontradas por Joika (papel da jovem e promissora atriz norte-americana Talia Ryder) logo em sua chegada à academia russa, principalmente a rejeição das outras bailarinas e o rigor nos treinamentos da instrutora Tatiyana Volkova (Diane Kruger). Joyka era persistente, enfrentou todos os desafios com muita coragem, chegando até mesmo a denunciar, alguns anos depois, a influência política, sexual e xenofóbica adotada na escolha das bailarinas. Rejeitada pelo Bolshoi, Joika foi escolhida como dançarina principal do Universal Ballet e do Kremlin Ballet Theatre de Moscou, além de participações de destaque na Ópera e Ballet Nacional de Sofia, Ópera e Ballet de Cracóvia e Paris Ópera Ballet. O filme é muito bom e merece ser visto, mesmo por aqueles que não apreciem o tema. Para os que apreciam, trata-se de um filmaço.        

 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

“RESGATE EM AMSTERDÔ (“BLACK LOTUS”), 2024, coprodução Estados Unidos/Holanda, 1h30m, lançamento da Prime Vídeo, direção do búlgaro Rodor Chapkanov, seguindo roteiro assinado por Tad Daggerhart. Quando vi que nos créditos aparecia o ator norte-americano Frank Grillo, já desconfiei que lá vem mais um abacaxi.  Afinal, nunca assisti a um filme de ação bom que tivesse Grillo como ator. Aliás, a maioria deles é muito ruim. Minha desconfiança inicial com relação a “Resgate em Amsterdã” se confirmou plenamente. A história é fraca, o elenco é horrível e as cenas de ação lamentáveis, chegando ao risível. Já começa pelo herói do filme, o grandalhão Rico Verhoeven, um kickboxer profissional holandês que, como ator, é um verdadeiro desastre, parecendo um sujeito com deficiência mental. Seu papel é o de Matteo Donner, um ex-soldado das forças especiais do exército holandês, traumatizado depois da morte de John (Roland Møller), seu colega de farda e amigo pessoal, durante uma missão no Exterior. Anos depois, ele volta a Amsterdã para visitar Helene (Marie Dompnier), a viúva do seu amigo, e a filhinha Angie (Pippi Casey). Helene está casada agora com Paul (Peter Franzén), um importante executivo do mercado financeiro que rouba dinheiro de um de seus mais importantes clientes, o mafioso Saban (ele, Frank Grillo). Com o objetivo de reaver seu dinheiro, Saban sequestra Angie. Aí que entra no circuito Matteo Donner (Verhoeven), que promete resgatar a menina. A polícia de Amsterdã também quer resolver o caso do sequestro, tendo no comando das investigações a detetive Shira (a atriz israelense Rona-Lee Shim’on, da série “Fauda”). A cena do desfecho é tão ruim que chega a ofender nossa inteligência. Concluo afirmando que, quando criei este blog, assumi o compromisso de indicar aqueles filmes que merecem ser vistos, assim como apontar aqueles aqueles que não merecem ser vistos, o que é o caso de "Resgate em Amsterdã".     

 

 

“LANSKY – UMA HISTÓRIA DE MÁFIA” (“LANSKY”), 2021, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Netflix, direção de Eytan Rockaway (“Estranha Escuridão”), que também assina o roteiro com Robert Rockaway. Não é de hoje que sou fã de filmes envolvendo a Máfia, principalmente nos EUA. Os melhores continuam sendo “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Agora chega à Netflix mais um muito bom, cuja história é toda centrada em Meyer Lansky (1902-1983), um mafioso tão importante no mundo do crime quanto Al Capone e Lucky Luciano. Lansky, um judeu nascido na Rússia, fundou a máfia judia, que logo associava-se às máfias irlandesas e italianas. Lansky foi um dos responsáveis pela instalação de cassinos nos EUA, principalmente em Las Vegas. Também explorou cassinos em Cuba na época do ditador Fulgêncio Batista. E ainda foi um dos fundadores do Sindicato Nacional do Crime – existiu mesmo, acredite. O ponto de partida do filme acontece em 1981, quando o jornalista David Stone (Sam Worthington) é contratado por Lansky para escrever sua biografia. À medida em que o mafioso conta sua história para Stone, as cenas vão se alternando em flashbacks, relembrando a juventude de Lansky, seu ingresso na Máfia, seu tumultuado casamento e um mistério que levou o FBI a persegui-lo até a morte: o destino dos US$ 300 milhões que o mafioso teria escondido das autoridades. Para tentar descobrir, o FBI chega a cooptar o jornalista para fornecer detalhes das entrevistas feitas com Lansky. O papel do mafioso na velhice é do ator Harvey Keitel, cuja atuação é um dos maiores trunfos do filme. Na juventude, Lansky é vivido por John Magaro. Completam o elenco AnnaSophia Robb, Minka Kelly, David James Elliott e David Cade. Trocando em miúdos, “Lansky” é excelente. Imperdível!  

domingo, 26 de maio de 2024

 

“ESTA NOITE, VOCÊ DORME COMIGO” (“DZISIAJ SPISZ ZE MNA”; nos países de língua inglesa, “Tonight You Are Sleeping With Me”), 2023, Polônia, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção de Robert Wichrowski, seguindo roteiro assinado por Anna Janyska. Trata-se da adaptação do romance homônimo de Anna Szczypczynska. É um drama centrado na jornalista Nina Szklarska (Roma Gasiorowska), uma quarentona bem casada e com duas filhas. Com o casamento indo aos trancos e barrancos, ela reencontra um antigo namorado do tempo da faculdade, bem mais novo do que ela. Quando o marido viaja a trabalho para a Islândia, os antigos namorados ficam com o caminho livre para relembrar a paixão de dez anos atrás. Mas eis que o dilema da traição ataca Nina: pedir o divórcio ou continuar casada em prol da família? Claro que quiser a resposta terá que assistir esse drama açucarado com cara de novelão. A divulgação do filme erra feio ao vender o produto como um filme erótico. Longe disso. Qualquer novela brasileira é muito mais ousada. Termino o comentário recorrendo a Hamlet: “Ver ou não ver, eis a questão”. Portanto, a opção é sua.   

“STILLWATER - EM BUSCA DA VERDADE” (“STILLWATER”), 2021, Estados Unidos, 2h20m, em cartaz na Netflix, direção de Tom McCarthy (“Spotlight: Segredos Revelados”), que também assina o roteiro com Thomas Bidegain, Marcus Hinchey e Noé Debré. A história é centrada em Bill Baker (Matt Damon), um quarentão norte-americano de Oklahoma cuja filha Allison (Abigail Breslin) está presa há cinco anos em Marselha, na França, acusada de assassinar sua colega de quarto e amante. Ela sempre se declarou inocente. Como faz todos os anos, Bill visita sua filha na penitenciária, mas desta vez uma carta escrita por ela pode ajudar a inocentá-la. Disposto a ajudar a filha, Bill resolve ficar em Marselha e investigar uma pista contida na tal carta, indicando um novo personagem, um tal de Akim, como o verdadeiro assassino. Em meio a esse momento turbulento, Bill ainda terá tempo de viver um romance com Virginie (Camille Cottin), uma atriz de teatro e mãe solteira. Completam o elenco Lilou Siauvaud, Idir Azougli, Moussa Maaskri e Deanna Dunagan. A história de “Stillwater” foi inspirada no caso envolvendo Amanda Knox, uma estudante norte-americana presa na Itália em 2007 acusada de ter assassinado sua colega de quarto, a inglesa Meredith Kercher. Embora um tanto arrastado, “Stillwater” não decepciona, mas também não faz jus a uma indicação entusiasmada, mesmo com a presença do astro Matt Damon. Também não ganhou muitos elogios quando estreou no Festival de Cannes.       

quinta-feira, 23 de maio de 2024

 

“NAHIR – ENTRE A PAIXÃO E AS GRADES” (“NAHIR”), 2024, Argentina, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Hernán Guerschuny, seguindo roteiro assinado por Sofia Wilhelmi. Trata-se de um drama policial baseado em fatos reais, ou seja, o assassinato do jovem Fernando Pastorizzo (Simon Hempe) por sua namorada, a jovem estudante universitária Nahir Galarza (Valentina Zanedre), em 2017, na cidade argentina de Gualeguaychú, província de Entre Ríos. O crime chocou a Argentina, culminando com a condenação, em 2018, de Nahir à pena de prisão perpétua. Num tom quase documental, o filme acompanha a trajetória da moça bem antes do homicídio, quando era uma das meninas mais bonitas da cidade, chegando a concorrer ao concurso de Miss Primavera. Filha do policial Marcelo Galarza (Cesar Bordón), ela sempre foi mimada e muito namoradeira. Mesmo quando namorava Fernando, ela tinha casos com outros rapazes, despertando o ciúme de Fernando. Em dezembro de 2017, Nahir assassinou Fernando com dois tiros utilizando o revólver do pai. Os fatos são descritos em flashbacks, mostrando o que realmente aconteceu naquela noite de dezembro de 2017. Nahir confessou o crime, foi julgada e condenada à prisão perpétua. O filme destaca uma outra versão sobre o caso, mas a culpa foi assumida por Nahir. O filme foi totalmente realizado em locações na periferia de Buenos Aires, pois os moradores de Gualeguaychú, em respeito à família do jovem assassinado, não permitiram as filmagens. Trocando em miúdos, “Nahir” não é daqueles filmes argentinos que a gente acostumou a elogiar, mas não faz feio como documento.    

quarta-feira, 22 de maio de 2024

 

“BEEKEEPER – REDE DE VINGANÇA” (“THE BEEKEEPER”), 2024, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida”, “Marcados Para Morrer”), seguindo roteiro assinado por Kurt Wimmer. “Beekeeper” (apicultor) chega com a promessa de entreter e divertir, além de muita ação. Posso garantir que a promessa é plenamente cumprida. O filme tem um ritmo alucinante do começo ao fim, muita pancadaria e uma história que não ofende nossa inteligência, embora carregada de cenas difíceis de engolir. Mas é um filme de ação e tudo isso é perdoado. Vamos à história: Adam Clay (Jason Statham, o brucutu do momento) foi um agente especial do governo norte-americano, recrutado para missões especiais comandadas por uma organização clandestina chamada “Beekeeper”. Agora aposentado, mora de favor em um celeiro nos fundos de uma casa na zona rural onde vive a idosa Eloise Parker (Phylicia Rashad), que o acolheu como se fosse seu filho. Tudo caminha na maior normalidade até que uma empresa de informática engana a idosa e retira todo o dinheiro da sua conta, grande parte dele de uma entidade que cuida de crianças. Adam não se conforma e vai atrás dos picaretas, prometendo chegar até os chefões. Um deles, porém, é filho da presidente norte-americana. Olha a situação! Só que a vingança de Adam não tem limites e quem cruzar o seu caminho vai sofrer na pele a brutalidade do moço. Muita gente vai para a cidade dos pés juntos. As cenas de ação são ótimas. Como em outros filmes em que atuou, o ator inglês Jason Statham, na vida real especialista em artes marciais, dá plenamente conta do recado. Completam o elenco Jeremy Irons, Jemma Redgrave, Josh Hutcherson, Emmy Raver-Lampman, Minnie Driver, Michael Epp, Taylor James e David Witts. Sem dúvida, um ótimo filme de ação. Não perca!             

segunda-feira, 20 de maio de 2024

 

 

“VIDAS PASSADAS” (“PAST LIVES”), 2023, coprodução EUA/Coreia do Sul, 1h46m, em cartaz, para alugar, na Prime Vídeo, roteiro e direção de Celine Song, cineasta sul-coreana radicada nos Estados Unidos. É o seu primeiro filme no cinema. Antes, dirigiu a série “A Roda do Tempo”. É um filme sensível e reflexivo, cuja história acompanha a trajetória de vida de dois jovens sul-coreanos, amigos de infância e namoradinhos ginasianos em Seul. Aos 12 anos, Na Young – mais tarde Nora – emigrou com a família para o Canadá e durante mais de uma década não ouviu falar do antigo namoradinho, Hae Sung (Teo Yoo). Até que um dia os dois voltam a se encontrar através da Internet. Conversam diariamente durante meses, mas, à medida que um sentimento mais forte aflora, Nora decide não mais se comunicar com ele, pois precisa também se dedicar à profissão de escritora. Nove anos depois, eles se reencontram, desta vez pessoalmente, em Nova Iorque. Só que ela está casada com o jovem escritor Arthur (John Magaro). Como a própria diretora confessa, a história é baseada em sua experiência pessoal de vida.  Além de ser indicado para disputar o Oscar 2024 de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original, o filme conquistou inúmeros prêmios em importantes festivais mundo afora, entre os quais os de Sundance, Berlim, São Paulo, Rio de Janeiro, Sidney e Jerusalém. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme conseguiu uma taxa de aprovação de 97%, um número raramente atingido. Realmente, o filme é excelente, embora um tanto lento. “Vidas Passadas” comprova mais uma vez a qualidade do atual cinema sul-coreano. Muitos críticos o elegeram como o melhor filme de 2023, no que eu concordo plenamente. Imperdível!          

domingo, 19 de maio de 2024

“ROMA EM CHAMAS” (“ADAGIO”), 2023, Itália, 2h6m, em cartaz na Netflix, direção de Stefano Sollima, que também assina o roteiro ao lado de Stefano Bises. Ao estrear na programação do 80º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro de 2023, o filme dividiu os críticos. Eu fiquei do lado dos que gostaram. O jovem Manuel (Gianmarco Franchini) é preso pela polícia e concorda em fazer um serviço em troca de sua liberdade e do silêncio sobre o seu delito. Afinal, Manuel é filho único de Daytona (o grande Toni Servillo), um poderoso chefão da máfia de Roma agora aposentado e com problemas de demência. No meio de sua missão, ou seja, fotografar uma festa particular à base de cocaína, Manuel fica com medo e acaba se escondendo. Vasco (Adriano Giannini), o chefe corrupto da polícia, sabe que o jovem sabe do esquema de corrupção e então passa a persegui-lo por toda a capital italiana. Daytona sugere que Manuel procure a ajuda de um antigo capanga mafioso, Romeo Cammello (Pierfrancesco Favino, totalmente careca e com as sobrancelhas raspadas, irreconhecível). A caçada ao jovem também envolverá um outro ex-capanga de Daytona, o agora cego Polniuman (Valerio Mastandrea), uma referência bem-humorada ao grande ator norte-americano Paul Newman. O próprio Daytona, apesar do declínio mental, também se envolve na história. Vale destacar que o filme inteiro é ambientado em uma Roma de calor insuportável, constantes apagões de energia e um violento incêndio na floresta que circunda a cidade – daí o título. Além do ótimo elenco, o filme destaca-se também pela qualidade de sua fotografia, a cargo de Paolo Carnera. Lembro que o diretor Stefano Bises tem no currículo a séria “Gomorra”, um grande sucesso, e os filmes “Suburra”, “Sicário – Dia do Soldado” e “Sem Remorso”, estes dois últimos feitos nos Estados Unidos. Outro lembrete interessante é o fato do ator Adriano Giannini, no papel do chefe da polícia, ser filho do grande ator Giancarlo Giannini e da atriz Livia Giampalmo. Resumo da ópera: “Roma em Chamas” é um filmaço!