“DEPOIS DA CAÇADA” (“AFTER THE
HUNT”), 2025, coprodução Estados Unidos/Itália, 2h19m, em cartaz
na Prime Vídeo, direção de Luca Guadagnino (“Me Chame pelo Seu Nome”), com
roteiro assinado por Nora Garrett. Numa das primeiras cenas, professores e
alunos do Instituto de Filosofia da Universidade de Yale conversam sobre
comportamento humano, psicologia e, claro, filosofia. Os diálogos são afetados,
recheados de citações filosóficas e muita erudição. Enfim, enfadonhos. Confesso que
tive vontade de desistir, mas continuei firme, mais como curiosidade. E,
afinal, também tem Julia Roberts comandando o elenco. Resumo da história: a
professora Alma Imhoff (Roberts) é procurada pela aluna Magguie (Ayo Edebiri)
que denuncia ter sido estuprada pelo professor Henrik Gibson (Andrew Garfield).
Alma fica sem saber o que fazer, pois Henrik é seu grande amigo e ex-namorado.
A dúvida sobre quem está dizendo a verdade fica ainda maior depois que Alma confronta
Henrik. Em meio a toda essa confusão, Alma ainda é obrigada a conviver com
fortes dores causadas por úlceras não tratadas, o que aumenta ainda mais o seu
estresse, além do marido passivo, ausente e metódico. Assim como o público e a maioria dos críticos
profissionais, também achei o filme muito chato, apesar do elenco competente,
que conta ainda com Chloë Sevigny (irreconhecível) e Michael Stuhlbarg. Não duvido que Julia Roberts seja indicada ao prêmio de Melhor Atriz do próximo Oscar.
domingo, 23 de novembro de 2025
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
“BELÉN – UMA HISTÓRIA DE
INJUSTIÇA” (“BELÉN”), 2015, Argentina, 1h40m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Dolores Fonzi, que também assina o roteiro juntamente com
Laura Paredes e Agustina San Martín. Este é o segundo filme dirigido pela atriz
Dolores Fonzi, muito conhecida por sua
participação em vários filmes argentinos, entre os quais “Blondi”, o qual
dirige e atua, além dos ótimos “Paulina” e “A Cordilheira”. Em “Belén”, cuja
história é baseada em fatos reais ocorridos em 2014 e descritos no livro “Somos
Belén”, da jornalista Ana Correa, Fonzi é a advogada Soledad Deza, que assume a
defesa de Julieta (Camila Plaate), a “Belén” do título, acusada de cometer
infanticídio. Tudo aconteceu num hospital da cidade de Tucumán, norte da
Argentina, região marcada por um forte conservadorismo religioso. Com dores
abdominais, Julieta estava prestes a ser atendida quando pede para ir ao
banheiro. Quando volta, é imediatamente colocada numa maca, mas no meio do
atendimento chega a polícia e a algema, pois denunciaram que havia um feto no
banheiro. Mesmo negando que o feto era dela, Julieta foi presa, julgada e
condenada por infanticídio. A advogada Soledad Deza, que assume a defesa de Julieta depois que a
primeira advogada desiste do caso, entra com recurso e consegue um novo
julgamento, desta vez com um grande apoio popular, porém a libertação de “Belén”
– codinome dado a Julieta visando preservar sua segurança na penitenciária –
aconteceria somente mais tarde. O filme foi selecionado para representar a Argentina na
disputa do “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar 2026, uma verdadeira consagração
para Dolores Fonzi. Realmente, o filme é ótimo.
“MANGA” (“MANGO”), 2025,
Dinamarca, 1h36m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta iraniano Mehdi Avaz
(“Toscana”, “Uma Linda Vida”), seguindo roteiro assinado por Milad Schwartz
Avaz. Com apenas 10 minutos de filme você já sabe o que vai acontecer. Tudo
muito previsível, um clichê da maioria das comédias românticas. A história é
centrada em Laerke (Josephine Park), uma mulher de meia idade que trabalha para
uma grande corretora, papel de Paprika Steen. Laerke fica responsável de viajar
para Málaga, na Espanha, com o objetivo de comprar um terreno para construir um
grande hotel. Só que esse terreno é ocupado por uma grande plantação de mangas,
cujo proprietário é o viúvo Alex (Dar Salim). A negociação deve ser fácil, pois
Alex está afundado em dívidas. Só que ele rejeita todas as ofertas, já que a
plantação preserva a memória de uma tragédia que resultou na morte de sua
esposa. Trocando em miúdos, “Manga” é uma comédia romântica bastante simpática,
tem um bom elenco de atores bem conhecidos do cinema dinamarquês e belos
cenários do campo. Para relaxar numa tarde com pipoca.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
“O NAUFRÁGIO DO HEWELIUSZ” (“HEWELIUSZ”), 2025,
Polônia, minissérie de cinco episódios em cartaz na Netflix, direção de Jan
Holoubek e roteiro assinado por Kasper Bajon, baseado em fatos reais ocorridos
em janeiro de 1993. O cargueiro “MS Jan Heweliusz”, que saiu de Swinoujscie, na
Polônia, para Ystad, na Suécia, naufragou no Mar Báltico, matando 55 dos seus
64 ocupantes, a maioria por hipotermia. Nas investigações sobre as causas do
acidente, chegou-se à conclusão de que os culpados seriam o capitão e sua
tripulação, mesmo que tenha sido registrada uma tempestade violenta com ventos
de 180 km/h, dificultando o controle da embarcação. Os três primeiros capítulos
são dedicados a mostrar os momentos que antecederam o naufrágio, as tentativas
infrutíferas de salvamento e o desespero dos tripulantes na hora fatal. As
cenas são angustiantes e realistas, levando o espectador a sofrer junto com as
pessoas querendo se salvar. Nos dois capítulos finais, a minissérie destaca o
julgamento que determinará quem foram os culpados pela tragédia: a empresa
proprietária do navio, que não realizou a manutenção necessária ou um erro
humano, ou seja, do capitão e da tripulação. Neste último caso, a empresa fica
livre de indenizar as famílias das vítimas. Participam do elenco alguns dos
nomes mais conhecidos do cinema polonês, tais como Magdalena Rózczka, Jacek
Koman, Borys Szyc, Mia Goti (não confundir com a inglesa Mia Goth), Michalina
Labacz, Michal Zurawski e Anna Dereszowska. Aos que costumam enjoar no mar,
aconselho a tomar um Dramin antes de ligar o play. Trocando em miúdos, a minissérie
é ótima.
domingo, 16 de novembro de 2025
“A CAÇA” (“THE HUNTED”), 2024,
em cartaz na Prime Vídeo, 1h35m, coprodução Inglaterra/França/Bélgica, direção
do cineasta francês Louis Lagayette (“The Hole”, “Tigres e Hienas”), que também
assina o roteiro com Jérôme Genevray. Com problemas no motor, um barco lotado
de refugiados do Sudão e outros países da África fica à deriva no Mar Mediterrâneo.
Quando os passageiros estão quase perdendo as esperanças, surge um iate luxuoso
que os resgata, levando-os para uma ilha. Aqui, são acolhidos, tomam banho,
recebem roupas limpas e jantam na companhia da dona da mansão (Marlene
Kaminsky) e outros convidados. Na hora lembrei daquele ditado que diz “Quando a
esmola é grande, até o santo desconfia”. Não deu outra. No dia seguinte, dopados,
os refugiados são avisados que serão caçados e terão 10 minutos para correr e
se esconder pela ilha. Só que os caçadores não contavam que Wael (Lily Banda) é
uma ex-soldado treinada no Sudão, que até o desfecho tentará se manter viva e
ajudar os companheiros caçados. Não há muito mais a comentar. Só lamentar o
decepcionante elenco de ilustres desconhecidos, as cenas de ação mal feitas e
uma história que permanece inexplicável, pois fica devendo a explicação de quem
é quem entre os caçadores e, principalmente, a proprietária da mansão. O
resultado final é decepcionante. Como garantido pela nossa democracia relativa,
fique à vontade para assistir ou não.
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
“A ÚLTIMA SESSÃO DE FREUD” (“FREUD’S
LAST SESSION”), 2023, coprodução Estados
Unidos/Irlanda/Inglaterra, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção
de Matthew Brown (“O Homem que Viu o Infinito”). Londres, setembro de 1939. Em
seus últimos dias de vida, o psicanalista Sigmund Freud recebe a visita do
escritor e professor universitário irlandês C.S. Lewis, que mais tarde ficaria
famoso pela autoria de “Crônicas de Nárnia”, entre outros romances. Esse
encontro fictício foi imaginado pelo psiquiatra Armand Nicholi no livro “The Question of God: C.S. Lewis and Sigmund Freud Debate God, Love, Sex and The Meaning of
Life”, que mais tarde seria adaptado para o teatro na peça “Freud’s Last
Session”, do dramaturgo Mark St. Germain. Agora, o tema acabou virando o filme
que comento neste espaço. Aliás, um filme excelente, não muito fácil de
digerir, pois é integralmente feito de diálogos em que Freud e C.S. Lewis
discutem temas como amor, sexualidade, filosofia, espiritualidade, religião, a existência
de Deus, o futuro da humanidade. Enfim, conversas do mais alto nível entre dois
dos mais importantes cérebros do século XX, com direito a uma participação especial,
também fictícia, do escritor J.R.R. Tolkien (“O Senhor dos Anéis”). Em meio aos
diálogos, o filme destaca cenas de batalha da 1ª Guerra Mundial, motivo
principal dos traumas de C.S. Lewis, que lutou no conflito. Estão no elenco Anthony Hopkins (Freud),
Matthew Goode (Lewis), Liv Lisa Fries (Anna Freud), Jody Balfour (Dorothy
Burlingham, amante de Anna), Sephen Campbell Moor (J.R.R. Tolkien), Jeremy
Northam (Ernest Jones) e Orla Brady (Nanie Moore). Trocando em miúdos, um filme
que passa longe de um entretenimento leve, mas de muita qualidade.
terça-feira, 11 de novembro de 2025
“IL BOEMO”, 2022, em cartaz na Prime Vídeo, coprodução República Tcheca/Itália/Eslováquia, 2h20m, direção de Petr Václav, cineasta tcheco radicado na França, que também assina o
roteiro com a colaboração de Gilles Taurand. Trata-se da cinebiografia do
compositor e maestro tcheco Josef Myslivecek (1737/1781), que teve grande importância
na história da música erudita e da ópera na segunda metade do século 18. O
filme acompanha a chegada de Josef em Veneza, na Itália, para estudar música
com o maestro Finocchietti (Alberto Gracco). Para sobreviver, Josef dava aulas
de violino e piano. Nessa época, então um ilustre desconhecido, o músico tcheco
começou um romance com uma mulher da corte, que o incentivou a compor uma
ópera. Assim começou a fase áurea de Myslivecek, também conhecido pelo apelido
de “Il Boemo”, contratado por vários teatros italianos para dirigir suas
orquestras e compor óperas. O filme dedica espaço para as inúmeras aventuras
amorosas do músico, interpretado pelo ator Vojtech Dyk, também músico e cantor
de profissão. E ainda um encontro muito especial com Wolfgang Amadeus Mozart, um menino prodígio que surpreendeu o musico tcheco reproduzindo com perfeição uma música do maestro que acabara de ouvir. A vida promíscua de Myslivecek teria um resultado trágico depois
que o maestro contraiu sífilis terciária, causando-lhe a morte. Completam o
elenco Elena Radonicich, Barbara Ronchi, Lana Vlady e Federica Vecchio. O filme
é um deleite visual e sonoro. A recriação de época é primorosa, destacando os
cenários e os figurinos, além de uma maravilhosa trilha sonora, um brinde
especial para quem gosta de música erudita. “Il Boemo” representou a República
Tcheca na disputa da categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2023. Imperdível.
domingo, 9 de novembro de 2025
“FRANKENSTEIN”, 2025,
Estados Unidos, 2h29m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta
mexicano Guillermo Del Toro, cujo currículo compreende uma excelente
filmografia, na qual incluo “A Forma da Água”, Oscar de Melhor Filme e Melhor
Diretor em 2018, “O Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo” e a animação “Pinóquio”,
vencedor da categoria no Oscar 2023. Acredito que “Frankenstein” deva ser também indicado para algumas categorias no Oscar 2026. O filme é um deleite visual, ao
estilo romantismo gótico que o cineasta mexicano domina como poucos. Esta nova
adaptação do romance escrito por Mary Shelley em 1818 traz o ator guatemalteco
Oscar Isaac como o médico e cientista Victor Frankenstein, criador do monstro
que tem assustado plateias desde 1931, quando a criatura foi papel de Boris
Karloff. Outras adaptações foram feitas, mas a melhor continuo achando a de
Karloff, quando a criatura tinha a cabeça quadrada e um enorme parafuso no
pescoço, como também foi estilizado em revistas de quadrinhos. Completam o
elenco nesta última versão de Frankenstein a atriz Mia Goth, Jacob Elordi (a
criatura), Christoph Waltz, Felix Kammerer, Charles Dance, David Bradley e Lar
Mikkelsen. Sob a batuta de Guillermo Del Toro, "Frankenstein" ganhou um tratamento estético dos mais primorosos. Não perca!
“HEDDA”, 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Nia DaCosta (“A Lenda de Candyman”, “As Marvels”). Logo nas primeiras cenas percebi que os diálogos eram bem teatrais. Acertei em cheio, pois depois verifiquei que se tratava de uma releitura da peça “Hedda Gabler”, escrita em 1891 pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. A adaptação é provocativa e moderna, sendo toda a ação ambientada numa única noite em que Hedda Gabler (Tessa Thompson) e seu marido George Tesman (Tom Bateman) promovem uma grande festa para apresentar a mansão totalmente reformada para a qual o casal acaba de se mudar – o imóvel pertencia ao General Gabler, pai de Hedda. Os convidados representam a alta sociedade, incluindo professores universitários e algumas autoridades. Fácil perceber que Hedda, insatisfeita no casamento e infeliz como dona de casa, é uma mulher manipuladora. Com intrigas e mentiras, ela desenvolve uma série de atritos que acabam gerando desavenças. Nesse contexto são envolvidos os personagens de seu marido, de sua ex-amante Eileen Lovborg (a atriz alemã Nina Hoss) e de uma mulher que não havia sido convidada, papel de Imogen Poots. Muita bebida, cocaína à vontade e sexo casual pelos jardins da mansão. Enfim, uma festa que provavelmente não terminará bem. Completam o elenco Nicholas Pinnock, Finbar Lynch e Mirren Mack. Não conheço a peça de Ibsen, portanto não sei se a adaptação foi bem feita. De qualquer forma, achei o filme bastante interessante.
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
“BALADA DE UM JOGADOR” (“BALLAD
OF A SMALL PLAYER”), 2025, coprodução Inglaterra/Alemanha, 1h41m, em cartaz na
Netflix, direção de Edward Berger, seguindo roteiro assinado por Rowan Joffe e adaptado do romance escrito por Lawrence Osborne em 2014. Existem dois
excelentes motivos para recomendar este drama: a impressionante atuação do ator
Colin Farrell e a primorosa fotografia de James Friend, responsável por um
visual deslumbrante. A história é toda centrada no ex-advogado e jogador
compulsivo Riley (Farrell), que foge da Inglaterra depois de dar um golpe numa
milionária e se estabelece em Macau, na China. Explica-se: Macau é considerada
a “Las Vegas da Ásia”, repleta de cassinos e outras atrações para quem tem
muito dinheiro e gosta de jogar e se divertir. Utilizando o pseudônimo de Lord Doyle, um suposto aristocrata inglês,
Riley chega a Macau com pompa e circunstância, hospeda-se nos melhores hotéis,
bebe e come do melhor e, quando não ganha do jogo, o que acontece sempre, acaba
fugindo do hotel pela porta dos fundos. Não é um sujeito normal, pois além de
viciado é propenso a crises de pânico e arritmia cardíaca. Além do azar nas
mesas de bacará, Riley é perseguido por uma detetive particular (Tilda Swinton)
contratada pelas vítimas que o viciado deixou pelo caminho. Como anunciado na
cena de abertura do filme, o final de Riley será trágico. Se há mais um aval
para o filme, este deve ser dado também ao diretor suíço Edward Berger, cujo
currículo conta com filmes de grande sucesso e de qualidade, entre os quais “Nada de Novo no Front”,
Oscar de Melhor Filme Internacional em 2023, e o excelente “Conclave”, também
premiado em festivais mundo afora.
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
“IMPIEDOSO” (“RUTHLESS”), 2023,
Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Art Camacho, que
também assina o roteiro com Javier Reyna e James Dean Simington. Harry (Dermot
Mulroney) é cinquentão especialista em artes marciais e instrutor de luta greco-romana aos
alunos do Ensino Médio numa escola municipal (o material de divulgação diz que
é luta livre, mas o correto é mesmo luta greco-romana). Uma das alunas da luta
é Catia (Melissa Diaz), de 16 anos, a mesma idade em que a filha de Harry foi
assassinada alguns anos antes. Como Catia aparecia nas aulas muitas vezes com
hematomas no rosto, Harry resolveu perguntar o que estava acontecendo. O culpado
é o padrasto dela, um sujeito violento que vivia bêbado e também agredia a mãe
de Catia. Harry foi confrontá-lo, resultando em alguns ossos quebrados. Logo
depois disso, a jovem desaparece misteriosamente e Harry acaba descobrindo que
a menina tinha sido vítima de uma gangue de exploração sexual. Com a ajuda de
um detetive de polícia, Harry vai atrás dos sequestradores. Até o desfecho,
muita pancadaria e ossos quebrados. Tudo bem que o ator Dermot Mulroney não é
nenhum brucutu assustador, mas seu desempenho não decepciona. Só para lembrar, o ator é mais conhecido como galã de filmes românticos, principalmente depois que fez par com Júlia Roberts em "O Casamento do Meu Melhor Amigo", em 1997. Se você é
daqueles que gostam de assistir mocinho se vingando e bandidos muito machucados, este
é o filme certo.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
“A MULHER DA FILA” (“LA MUJER
DE LA FILA”), 2025, coprodução Argentina/Espanha, 1h45m, em
cartaz na Netflix, direção de Benjamín Avilla (“Infância Clandestina”), que
também assina o roteiro com Marcelo Müller. A história é baseada em fatos reais
ocorridos na Argentina em 2004. A viúva Andrea Casamento, mãe de três filhos, viveu
o drama de ver seu filho mais velho, de 18 anos, ser preso acusado de
participar de uma gangue de assaltantes. Desde o início, ela acreditou na
inocência do filho e lutou com todas as forças para libertá-lo. Durante esse
tempo, ela conviveu com outras mães e familiares dos presos, o que a motivou a
fundar mais tarde a ACIFAD (Asociación Civil de Familiares de Detenidos). No filme, Andrea
é interpretada por Natalia Oreiro, atriz uruguaia radicada na Argentina. Ela é
a alma do filme, numa interpretação visceral, digna de prêmio. Completam o elenco Amparo
Noguera, Alberto Ammann e Federico Heinrichi. As mulheres que aparecem no filme
dando depoimentos, sofrendo na fila da visita na penitenciária e sendo
submetidas a revistas íntimas constrangedoras, são personagens reais,
recrutadas como figurantes. Embora o contexto seja dramático, o filme consegue
ser sensível na medida em que enfatiza o sofrimento dessas mulheres e a força
que mantêm apesar da situação. Na minha opinião, assim como a de muitos
críticos especializados, “A Mulher da Fila” é até agora o melhor filme
argentino do ano. Não perca!
domingo, 2 de novembro de 2025
“CRISE EM SEIS CENAS” (“CRISIS
IN SIX SCENES”), 2016, Estados Unidos, minissérie da Prime
Vídeo, roteiro e direção de Woody Allen. Mesmo sendo fã incondicional de Allen,
não sei como deixei escapar essa minissérie que o cineasta escreveu e dirigiu
para a Amazon Studios. Ambientados na segunda metade da década de 60, são seis
episódios curtos, de cerca de 23 minutos cada um, com Allen atuando como Sidney
J. Munsinger, um redator de comerciais que se vê envolvido em várias confusões
desde que sua esposa Kay (Elaine May) resolve esconder em sua casa a ativista Lennie
Dale (Miley Cyrus), procurada pela polícia de Nova Iorque depois de assaltar um
banco. Neurótico como todo personagem que já viveu no cinema, Woody fica
apavorado com a possibilidade de também ser preso como cúmplice. As confusões
não dizem respeito apenas à ativista, mas também ao grupo de mulheres que se
reúnem semanalmente na casa, os pacientes de Kay, que é psicóloga, além do jovem Alan
(John Magaro), outro hóspede, e outros tantos personagens que surgem a cada
episódio. O desfecho é hilariante. Resumindo, a minissérie - a única de Allen –
traz o melhor de Woody Allen: diálogos inteligentes e irônicos alternando temas
como filosofia, história e literatura, e ainda piadas sobre religião, política
e comportamento social. Destaque para a participação da atriz Rachel Brosnahan,
que logo depois faria grande sucesso na série “Maravilhosa Sra. Maisel” e em
outros filmes. A crítica profissional não gostou de “Crise em Seis Cenas”,
assim como o próprio Allen, mas eu me diverti muito. Imperdível!
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
ÉDEN (EDEN), 2024,
coprodução Estados Unidos/Canadá, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de
Ron Howard, que também assina o roteiro com Noah Pink. A história é inspirada
em fatos reais que começaram em 1929, quando o médico alemão Friedrich Ritter (Jude
Law) chega à ilha de Floreana, no longínquo arquipélago de Galápagos. Com sua
companheira Dore Strauch (Vanessa Kirby), o médico, famoso na Alemanha, buscava
uma vida alternativa na natureza selvagem, assim como escrever um livro de
filosofia que mudasse o entendimento do mundo. Em seu rastro, três anos depois, chega também à ilha o casal também alemão Hans e
Margret Wittmer (Daniel Brühl e Sydney Sweeney) e seu filho. Não demora muito e
também joga sua âncora em Floreana a excêntrica e promíscua baronesa Eloise Von
Wagner Bousquet (Ana de Armas) e seus dois amantes. O objetivo da baronesa é
construir um hotel na praia da ilha para hóspedes ricos e famosos. Ao contrário
do seu significado na Bíblia, conforme o título Éden deixa subentender, com a
chegada desses “turistas” a ilha deixa de ser um paraíso para se transformar
num local de conflito social, desentendimentos e tragédias. Lançado no Festival de Cinema de Toronto, no
Canadá, “Éden“ dividiu opiniões, com a maioria dos críticos afirmando que Ron
Howard desta vez errou feio – lembro que o diretor foi responsável por vários filmes de
sucesso, tais como “Apolo 13”, “Cocoon”, “Rush”, “O Código da Vinci” e “Uma
Mente Brilhante”, este último vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme e Melhor
Direção. “Éden” também não foi bem de bilheteria nos Estados Unidos. Como
curiosidade, destaco que as filmagens ocorreram em Queensland, na Austrália, e
não em Galápagos. Como sou um cinéfilo amador relativamente democrático, deixo
a critério do espectador apertar o play.
terça-feira, 28 de outubro de 2025
“CASA DE DINAMITE” (“HOUSE OF
DYNAMITE”), 2025, Estados Unidos, 1h52, em cartaz na
Netflix, direção de Kathryn Bigelow, seguindo roteiro assinado por Noah Oppenheim.
Não dá para sair ileso deste suspense (geo) político. A história é de uma tensão
sufocante, já que toda a ação prevê a possibilidade de um iminente conflito
nuclear cujas consequências todo mundo já conhece. Começa o filme com a
constatação de que um míssil nuclear intercontinental acaba de ser lançado
contra os Estados Unidos e cuja rota aponta como alvo provável a cidade de
Chicago. Quem enviou? As principais suspeitas recaem sobre a Rússia, China ou
Coreia do Norte. A situação mobiliza toda infraestrutura do governo
norte-americano, desde o seu presidente até os comandantes das forças armadas,
além da Agência de Defesa de Mísseis (MDA), que imediatamente ordena o lançamento
de mísseis interceptadores. Erraram na primeira e na segunda tentativas. Os
minutos vão se passando e o desespero toma conta de todos. Enfim, uma guerra nuclear
pode estar a caminho, pois uma ordem do presidente pode resultar numa retaliação. Haja coração! Méritos para a diretora Katryn Bigelow, que
já nos presenteou com ótimos suspenses, entre os quais “Guerra ao Terror” –
Oscar 2010 de Melhor Filme e Melhor Direção -, “A Hora mais Escura”, “Detroit
em Rebelião” e “Quando Chega a Escuridão”. Neste seu recente “Casa de Dinamite”,
a diretora deixa o espectador adivinhar o que poderá ter acontecido no desfecho,
já que o filme termina abruptamente sem um final explicado. Numa de suas
entrevistas sobre o filme, Kathryn Bigelow afirmou: "Quero que as pessoas sintam
o peso da incerteza. Vivemos em um mundo onde a catástrofe pode começar com um
clique – e, ainda assim, escolhemos acreditar que temos tempo”. O elenco é de
primeira: Idris Alba, Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jason Clarke, Willa Fizgerald, Jonah Hauer, Tracy Letts, Kaitlyn Denver, Moses Ingram, Anthony Ramos,
Jared Harris, Kyle Allen, Brian Tee e Greta Lee. Filmaço!
domingo, 26 de outubro de 2025
“27 NOITES” (“27 NOCHES”), 2025,
Argentina, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta e ator uruguaio
Daniel Hendler (que atua no filme), que também assina o roteiro com Mariano
Llinás e Martin Mauregui. Drama e humor estão juntos numa história baseada em
fatos reais descritos no livro “Veintisiete Noches”, romance de Natalia Zito, envolvendo
a idosa Natália Cohen (1919-2022), uma artista plástica e escritora argentina
internada numa clínica psiquiátrica pelas próprias filhas. No filme, a vítima
do internamento compulsório é Martha Hoffman (Marilu Marini), uma senhora de 83
anos que passa internada 27 noites por causa de um laudo médico assinado por um
conhecido neurologista e por uma psiquiatra que depois confessou que nem
conhecia Martha. Segundo o laudo, a idosa sofreria de demência frontotemporal –
a mesma doença do ator Bruce Willis. Além da idosa e das suas duas filhas,
interpretadas por Paula Grinszpan e Carla Peterson, o personagem de maior destaque
ficou por conta do próprio diretor, que faz o papel de Leandro Casares, perito
designado por um tribunal para avaliar a condição de Martha, com quem acaba
tendo uma grande amizade e é responsável pelas principais cenas de humor. O filme
é um tanto irregular, com algumas situações que fogem do contexto da história,
como aquela em que o perito e a idosa ingressam numa comunidade artística que,
esta sim, parece mais um manicômio.
“O MONSTRO DE FLORENÇA” (“IL
MOSTRO”), 2025, Itália, minissérie em 4 episódios em cartaz na
Netflix, direção de Stefano Sollima (“Suburra”, “Sicário”), que também assina o
roteiro com Leonardo Fasoli. Baseada em fatos reais descritos no livro “O
Monstro de Florença (2009), escrito por Douglas Preston e Mario Spezi, a
história é centrada nos crimes de um serial killer que aterrorizou a Itália
por quase duas décadas. Embora a polícia italiana tenha detido vários
suspeitos, nenhum deles foi preso como o autor dos assassinatos. No total,
desde 1968, foram mortas 18 pessoas, geralmente casais que faziam sexo em
veículos nos arredores de Florença. O modus operandi do assassino era
sempre o mesmo. Ele utilizava a mesma arma, uma pistola Beretta calibre 22, com
balas Winchester “série H”, e mutilava as mulheres, removendo seus órgãos
sexuais. Por pressão dos familiares das vítimas, o caso foi reaberto várias
vezes, mas a polícia até hoje não conseguiu identificar o criminoso. Estão no
elenco Francesca Olia, Liliana Bottone, Marco Bullitta, Giacomo Fadda,
Valentino Mannias, Chloé Groussard, Adele Piras e Niccolo Cancellieri. Achei o
roteiro meio confuso, principalmente pela utilização exagerada de flashbacks – alguns
repetidos no último episódio, além de um elenco que não convence. Em todo caso,
a história é de arrepiar os pelos da nuca.
terça-feira, 21 de outubro de 2025
“A ÚLTIMA PARADA DO ARIZONA” (“THE
LAST STOP IN YUMA COUNTY”), 2023, Estados Unidos, 1h30m,
em cartaz na Netflix, roteiro e direção do estreante Francis Galluppi. Este é
mais um daqueles filmes pouco divulgados que surpreendem por sua qualidade. A
história é ambientada em 1970 e acontece praticamente em apenas um cenário, a
lanchonete anexa a um posto de gasolina num lugar ermo do condado de Yuma,
Arizona, bem próximo à fronteira com o México. O primeiro cliente é um vendedor
de facas (Jim Cummings), que parou para abastecer seu veículo. Acontece que o
posto está sem combustível e o caminhão-tanque só chegará dali a três ou quatro
horas. Diante da situação, o vendedor é encaminhado para a lanchonete. Chegam
também dois sujeitos mal-encarados que acabaram de assaltar um banco e agora
estão impedidos de continuar sua fuga por falta de combustível. Eles ameaçam a
garçonete Charlotte (Jocelin Donahue) e o vendedor caso eles os denunciem aos
próximos clientes que chegarem. No caso, um casal de jovens, um casal de
idosos, um policial atrapalhado e um índio mestiço, além do encarregado do posto. O que acontece depois é um
segredo que não vou revelar, mas posso garantir: serão cenas hilariantes e um
desfecho com direito a um grand finale. Completam o ótimo elenco Ricard
Breake, Nicholas Logan, Michael Abbot Jr., Faizon Love, Jon Proudstar, Gene
Jones, Sierra McCormick e Alex Essoe. Méritos totais ao roteiro e à direção do cineasta estreante Francis Galluppi. Imperdível!
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
“UM FANTASMA NA BATALHA” (“UN FANTASMA
EN LA BATALLA”), 2025, Espanha, 1h48m, em cartaz na Netflix,
roteiro e direção de Agustín Días Yanes (“Oro: A Cidade Perdida”). Baseada em
fatos reais, a história é centrada em Amaia (Susana Abaitua, ótima!), jovem policial da
Guarda Civil que passou vários anos infiltrada no ETA, grupo separatista basco,
entre os anos 90 e 2000. Fundado em 1968, o ETA foi responsável por inúmeros
atentados à bomba e assassinatos à bala de políticos, autoridades do governo e
civis. O arriscado trabalho de Amaia, supervisionado pelo tenente-coronel
Castro (Andrés Gertrudix), consistia em fornecer informações importantes sobre
o planejamento dos atentados, identificação dos membros e a localização dos
esconderijos dos chefes do grupo, principalmente no sul da França. O filme entrega
um suspense intenso, pois a cada missão Amaia corria o risco de ter sua
verdadeira identidade descoberta, o que resultaria na sua morte imediata. Resumindo,
Amaia deu uma grande contribuição para o fim da organização separatista.
Completam o elenco Ariadna Gil, Raúl Arévalo e Iraia Elias. De forma primorosa,
o cineasta Agustín Yanes soube colocar o filme dentro do contexto histórico e
político da época, principalmente ao acrescentar imagens dos telejornais da
época, o que contribuiu para dar maior credibilidade à história. Imperdível.
sábado, 18 de outubro de 2025
“GTmax”, 2024,
coprodução França/Bélgica, 1h39m, em cartaz na Netflix, direção de Olivier
Schneider, seguindo roteiro assinado por Jean-André Yerles e Rachid Santaki. Existem
dois bons motivos para assistir a este filme de ação: a bela atriz Ava Baya e
as ótimas cenas de perseguição e corridas de motocross. Ao verem que o pai Daniel
(Gérard Lanvin) enfrenta problemas financeiros, a ponto de estar prestes a
perder a pista de motocross e as motos da equipe Carella, da qual é chefe, os
irmãos Soélie (Baya) e Michael (Riadh Belaïche), jovens astros das competições,
resolvem ingressar na gangue Raptors, famosa por realizar assaltos em
motocicletas. Os irmãos deverão participar do próximo roubo, cujo alvo é uma
coleção de pedras preciosas valiosas. Desconfiada das intenções do grupo criminoso,
a polícia monta um esquema para prender os assaltantes, sabendo que eles
utilizarão motocicletas. Apesar disso, o assalto é bem sucedido, só que os
marginais não contavam com a posterior perseguição dos policiais, o que
resultarão em mais algumas cenas de alta tensão. Não dá pra comentar o
desfecho, mas fica a sensação, de acordo com a última cena, de que haverá uma
sequência. Como disse no começo do comentário, existem dois motivos para assistir, mas outros tantos para passar longe.
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
“O ROYAL HOTEL” (“THE ROYAL HOTEL”), 2023, coprodução Austrália/Inglaterra, 1h31m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta australiana Kitty Green (“A Assistente”), seguindo roteiro assinado por Oscar Redding. A história foi inspirada num documentário de 2016 que retratou um caso real ocorrido no pequeno vilarejo de Coolgardie, numa região inóspita da Austrália Ocidental. “O Royal Hotel” é centrado em duas jovens mochileiras à procura de aventura. Amigas que não se desgrudam, as canadenses Hanna (Julia Garner) e Liv (Jessica Henwick) resolvem se aventurar pelo interior da Austrália, chegando ao vilarejo de Coolgardie, cuja população é, em sua maioria, composta por trabalhadores de uma mineração. Sem dinheiro, as duas topam se hospedar no Royal Hotel, uma espelunca cujo proprietário é Billy (Hugo Weaving, de “Matrix”), um sujeito irresponsável cuja fama é de um beberrão contumaz. Para pagar a hospedagem e faturar algum dinheiro, elas topam trabalhar como garçonetes no bar do hotel, frequentado por bêbados da pior espécie, sedentos de sexo. As bebedeiras são homéricas. Dessa forma, as duas jovens trabalham correndo o risco de serem assediadas o tempo inteiro. Quando o filme terminou, de forma trágica, fiquei pensando o que levou as duas jovens a se aventurar num lugar tão lamentável, longe de qualquer sinal de civilização. Enfim... Completam o elenco Toby Wallace, Daniel Henshall, James Frecheville, Herbert Nordrum e Ursula Yovich. Na dúvida se recomendo ou não, resolvi conceder aos meus dois leitores o direito ao livre arbítrio.
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
“A MULHER NA CABINE 10” (“THE
WOMAN IN CABIN 10”), 2025, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Netflix,
direção do cineasta suíço radicado na Austrália Simon Stone (“A Escavação”, “A
Filha”), que também assina o roteiro com Joe Shrapnel e Anna Waterhouse.
Suspense de primeira, movimentado e repleto de tensão e reviravoltas. Começa com a
jornalista investigativa Laura Blacklock (Keira Knightley) sendo convidada a
participar de um cruzeiro no luxuoso iate da bilionária Anne Bullmer (Lisa
Loven Kongsli). Entre os convidados, alguns membros da fundação criada por Anne
e jornalistas. Durante a viagem, Anne, com câncer terminal, assinaria um
testamento no qual consta sua intenção de deixar toda sua fortuna para a fundação
dedicada às pesquisas da cura para o câncer e tratamentos para pacientes com a
doença. Na primeira noite, Laura está em seu camarote quando ouve uma violenta
discussão e depois testemunha um corpo sendo jogado ao mar. Ela alerta o
ocorrido à equipe de segurança da embarcação, que faz a contagem dos
passageiros e tripulantes, constatando que nenhum está desaparecido. Com a
intenção de descobrir o que aconteceu, Laura começa a investigar e acaba descobrindo
algumas verdades que gente poderosa tenta esconder. A partir daí, ela correrá grande perigo até o desfecho da história, num grand finale que valoriza
qualquer bom suspense. Completam o elenco Guy Pearce, Gitte Witt, Kaya Scodelario,
David Ajala, Gugu MBatha-Raw e Hannah Waddingham. Sem dúvida, um dos melhores
suspenses lançados este ano. Imperdível!





















