K.O. (utilizadas
inicialmente nas lutas de boxe, as duas letras significam nocaute, do inglês “knockout”),
2025, França, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Antoine
Blossier (“O Pequeno Órfão”, “A Presa”). Começa o filme com uma luta de MMA.
Bastien (Ciryl Gane) vence a luta por nocaute, mas seu adversário morre no
ringue. Traumatizado, Bastien abandona as lutas e se isola. Até o dia em que, três anos depois, Emma
(Anne Azoulay), viúva do lutador morto, o procura para ajudá-la a encontrar o
filho adolescente Léo (Maleaume Paquin), que presenciou um assassinato e agora
é perseguido por uma gangue da pesada chamada de “Os Manchours”, que domina o
submundo do crime em Marselha. Juntamente com a capitã de polícia Kenza (Alice Belaïdi), Bastien tentará
encontrar o garoto. Essa procura termina em grandes pancadarias, muitos tiros e
sangue jorrando. As cenas de ação são ótimas. Não é para menos, pois o ator Ciryl
Gane, um brutamontes de 1,93m, é um ex-lutador de UFC, Muay Thai e especialista
em artes marciais mistas. Este é o seu primeiro papel como protagonista. Ele
já havia participado de outros filmes como personagem secundário em “Covil de
Ladrões 2”, “Resgate em Medellin” e nas séries “Validé” e “O Ringue”. Tudo bem
que Ciryl Gane é o astro do filme, mas quem realmente dá um show é a atriz
Alice Belaïdi como a policial brava e esquentada que não tem medo de cara feia.
Trocando em miúdos, “K.O.” é mais um ótimo filme francês de ação.
sábado, 5 de julho de 2025
“O CASO ASUNTA” (“EL CASO
ASUNTA”), 2024, Espanha, minissérie de 6 episódios em cartaz na
Netflix, direção de Carlos Sedes e Jacobo Martínez, seguindo roteiro assinado
por Ramón Campos e Gema R. Neira. A história é baseada em fatos reais ocorridos
a partir de 2013 na cidade de Santiago de Compostela. Começa com o misterioso
desaparecimento da adolescente Asunta Basterra (Iris Wu), de 13 anos, filha
adotiva do casal Rosario Porto (Candela Peña) e Alfonso Basterra (Tristán Ullua).
O caso chega à polícia local, que designa os agentes Javier Ríos (Carlos
Blanco) e Cristina Cruces (María León) para iniciar as investigações, sob a
supervisão do Juiz Malvar (Javier Gutiérrez). Logo no início das buscas o corpo
da menina é encontrado sem vida à beira de uma estrada rural. Os primeiros indícios
sugerem que o casal esteja envolvido no crime, que teve grande repercussão na
mídia, provocando comoção em todo o país. Rosario e Alfonso, que sempre negaram
o crime, apresentam comportamento estranho e ficam presos até o julgamento, cujo resultado deixo de lado para o
espectador aguardar o desfecho da minissérie. Completam o elenco Vianessa
Castaños, Alicia Borrachero, Raúl Arévalo, Francesc Orella e Judith Fernándes. Fora
o interesse evidente sobre a história, pouco divulgada por aqui, a minissérie não
acrescenta muito mais para merecer uma recomendação entusiasmada.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
“EM ALGUM LUGAR DO QUEEN’S” (“SOMEWHERE
IN QUEENS”), 2023, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Ray Romano, que também assina o roteiro com Mark
Stegemann. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo comediante Ray
Romano, que também atua no filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada na família ítalo-americana
Russo, cujo patriarca, Dominick Russo (Tony Lo Bianco), é proprietário de uma
empresa de reformas e consertos de residências. Seus dois filhos e netos
trabalham na empresa. Enfim, uma família tradicional que atua há muitos anos no
condado do Queens. Em meio às inúmeras festas da família, seja batizados,
aniversários ou casamentos, lá está todo mundo se divertindo, comendo e dançando.
Leo Russo (Ray Romano), um dos filhos de Dominick, casado com Angela (Laurie
Metcalf), acompanha de perto a performance do seu filho Matthew, de 18 anos,
nas quadras de basquete. Seu sonho é que Matthew consiga uma bolsa de estudos
numa universidade, facilitada por seu desempenho no basquete. Só que Matthew se
apaixona por Dani (Sadie Stanley), o que pode significar um desvio de rumo em
seu objetivo de conquistar a bolsa. Essa complicação domina o enredo até o
desfecho, envolvendo a família Russo inteira. E sabem como é família italiana,
todo mundo quer dar palpite em tudo. O filme é agradável, leve, tem humor e romance
na medida certa, transformando “Em Algum Lugar do Queen’s” num ótimo
entretenimento. Este foi o último filme do veterano ator Tony Lo Bianco, que faleceu um ano
depois do final das filmagens.
domingo, 29 de junho de 2025
“HOMEM COM H”, 2025,
Brasil, 2h09m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Esmir Filho (“Os
Famosos e os Duendes da Morte”, série “Boca a Boca”). Cinebiografia do cantor
Ney Matogrosso, baseada no livro “Ney Matogrosso: A Biografia”, escrito por
Julio Maria e lançado em 2021. Gostem dele ou não, o fato é que Ney Matogrosso
fez e continua fazendo um grande sucesso, principalmente nos palcos pelo Brasil
afora, cantando e dançando mesmo agora, aos 83 anos. Todo mundo conhece o artista
Ney Matogrosso, mas poucos conhecem Ney de Souza Pereira, o cidadão nascido em
Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, filho de Antônio Matogrosso (Rômulo Braga),
um militar de carreira ultraconservador da Aeronáutica. O menino Ney sofreu nas
mãos do pai, apanhou muito dele e por causa dele fugiu de casa aos 18 anos,
alistando-se como cadete na própria Aeronáutica. O filme destaca o início da
carreira de Ney como cantor do grupo Secos & Molhados, ponto de partida
para o seu sucesso solo, já como Ney Matogrosso. “Homem com H” também relembra
a perseguição que o artista sofreu dos censores da ditadura militar,
principalmente na segunda metade dos anos 70. Eles ordenaram a Ney que evitasse
rebolar e reduzir os movimentos sensuais. Ney não obedeceu e manteve, corajosamente, o seu estilo polêmico e ousado. Outro destaque da cinebiografia é o espaço dedicado a seus
vários amantes nos anos 80, um deles o cantor e compositor Cazuza (Jullio
Reis). Ney viu todos eles morrerem durante a epidemia de HIV, do qual saiu
milagrosamente ileso. As cenas de sexo são fortes, podem incomodar, mas são bem
realizadas. Um dos maiores trunfos é, sem dúvida, o desempenho impressionante
do ator pernambucano Jesuíta Barbosa na pele do astro, principalmente nos
palcos. Outro fator que alavancou o filme nas bilheterias e na audiência da Netflix
foi a saborosa trilha sonora com 15 músicas – “Rosa de Hiroshima”, “Bandido Corazón”,
“Pro Dia Nascer Feliz”, “Sangue Latino” e “Homem com H”, só para citar algumas.
Completam o elenco Bruno Montaleone, Lara Tremouroux, Carol Abras e Hermila
Guedes. Trocando em miúdos, mais uma ótima cinebiografia para curtir na telona ou
na telinha. Imperdível!
sexta-feira, 27 de junho de 2025
“NEFARIOUS”, 2023,
Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Cary
Solomon e Chuck Konzelman. Grata surpresa este ótimo terror psicológico, baseado
no livro “A Nefarious Plot” (“Nefarious: O Plano Maligno”) livro de 2016
escrito por Steve Deace. Vamos à história. No dia da sua execução, marcada para
as 23 horas, o serial killer Edward Wayne Brady deve passar por uma última
avaliação psiquiátrica. Caso seja considerado doente mental, escapará da
cadeira elétrica. A avaliação fica a cargo do psiquiatra James Martin (Jordan
Belfi) - o psiquiatra que atendia o preso se suicidou. Dr. Martin conversa com o preso tentando descobrir sua
verdadeira situação psicológica. Os dois começam a dialogar e Edward parece
estar possuído por uma entidade demoníaca, o Nefarious do título. De início, o psiquiatra
acha que ele está fingindo, mas se surpreenderá com os fatos que virão à tona
logo depois. O embate entre os dois é o maior trunfo do filme, com diálogos em
que eles discutem filosofia, humanidade, história e religião, entre outros, temas que Edward
- ou Nefarious – demonstra conhecer a fundo. Outro destaque que não se pode
negar é o desempenho impressionante do ator Sean Patrick Flanery, tanto falando
como o demônio como na pele do serial killer acusado de pelo menos 7 assassinatos, confessando
outros quatro para o psiquiatra. Aos 59 anos, Flanery tem um extenso currículo
no cinema, embora tenha atuado em filmes pouco convincentes como “Frank & Penelope”,
“Nascido para Vencer” e “Energia Pura”, só para citar alguns. Mesmo ambientado em apenas um cenário,
ou seja, uma sala de interrogatório, o filme mantém um nível de tensão que
prende o espectador na beira da poltrona do começo ao desfecho. Dessa forma, “Nefarious”
demonstra que ainda há vida inteligente no cinema independente norte-americano. IMPERDÍVEL,
assim mesmo, com letras maiúsculas.
quarta-feira, 25 de junho de 2025
“ATÉ A ÚLTIMA GOTA” (“STRAW”), 2025,
Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry.
Imagine você acordar e logo receber a notícia de que vai ser despejada por falta de pagamento. Assim
começou o dia de Janiyah Witkins (Taraji P. Henson), uma mãe solteira prestes
também a perder o emprego cujo salário mal dá para sobreviver e pagar os remédios da filha
doente. Já à beira de um ataque de nervos, ela ainda enfrentará muitos
problemas, como se envolver numa confusão de trânsito com um policial e ainda
ser acusada de assalto. E pior, de homicídio. Desesperada, ela entra na sua agência
bancária para descontar um cheque, o que lhe é negado. É a gota d’água (ou a
última gota do título) para ela se armar com uma pistola e ameaçar todo mundo,
mobilizando a polícia local, a SWAT e até o FBI. O filme lembra muito “Um Dia
de Fúria”, com Michael Douglas, um grande sucesso de 1993. A tensão predomina do
começo ao desfecho, destacando a excelente atuação da atriz Taraji P. Henson,
comprovando a mesma competência que já demonstrou em outros filmes, como o ótimo “Estrelas
Além do Tempo”, (2016), “Proud Mary” (2018) e “A Cor Púrpura” (2023), entre
outros. Embora eu tenha gostado de “Até a Última Gota”, me incomodou de novo o fato
do cineasta Tyler Perry escalar praticamente todo o elenco com atores negros,
embora na maioria dos seus filmes, inclusive neste, ele introduz sempre a
questão do racismo nos Estados Unidos, quando quase todas as atrizes apareçam
com os cabelos alisados, uma incoerência constante de Perry.
segunda-feira, 23 de junho de 2025
domingo, 22 de junho de 2025
EXPIAÇÃO (SWIETY), 2023, coprodução Polônia/Hungria, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção de Sebastian Buttny. Trata-se de um suspense policial com pano de fundo
político e religioso. A história é baseada em fatos reais, ou seja, as
consequências do roubo da estátua de Santo Adalberto na catedral da cidade de
Gniezno, na Polônia. O ano é 1986 e o caso teve grande repercussão no país,
pois Santo Adalberto, também conhecido como Wojciech, foi uma figura central na
história do país, um missionário e bispo célebre por difundir o cristianismo
entre os povos eslavos no século 10. O tenente Andrzej Baran (Mateusz
Kosciukiewicz), da Milícia dos Cidadãos, ficou encarregado de investigar a
autoria do roubo. Durante o seu trabalho, porém, ele começou a receber pressão de
setores da Igreja, autoridades policiais e do governo comunista por intermédio
do Ministério da Segurança Pública (SB), o equivalente polonês da KGB. Até o
desfecho o espectador acompanhará todo o trabalho do tenente Andrzej, suas idas e
vindas ao local do roubo e ainda uma série de interrogatórios que o ajudarão na
solução do caso. Uma das cenas mais poderosas do filme é aquela em que acontece
a reconstituição do roubo, acompanhada por policiais, padres, imprensa e centenas de
devotos do Santo Adalberto. O roteiro não facilita o entendimento da história para o espectador, tornando EXPIAÇÃO um filme não destinado ao grande público, mas é
muito interessante e bem feito.
sábado, 21 de junho de 2025
“O ÚLTIMO RESPIRO” (“LAST
BREATH”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do
Norte, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alex Parkinson (“Lucy, O
Chimpanzé Humano”, A Vida dos Leopardos”), que também assina o roteiro ao lado
de Mitchel LaFortune e David Brooks. O filme conta uma história incrível de
sobrevivência ocorrida em setembro de 2012. Uma equipe de mergulhadores profissionais
sai do porto da cidade de Aberdeen, na Escócia, a bordo do navio “Bibby Topaz”,
para realizar uma manutenção periódica de equipamentos localizados em águas
profundas do Mar do Norte. Enquanto dois mergulhadores descem numa “gaiola” para fazer
o serviço, a embarcação, devido ao mau tempo e mar agitado, sofre problemas no
sistema de posicionamento dinâmico, ficando praticamente à deriva. Nessa hora,
o cordão de sustentação de um dos mergulhadores se parte e ele fica praticamente
isolado nas profundezas, preso num equipamento a cerca de 100 metros de
profundidade e restando apenas 10 minutos de oxigênio. Pouco tempo para que o
seu resgate seja possível. Somente 29 minutos depois que o seu oxigênio
terminou é que um outro mergulhador consegue puxá-lo de volta à gaiola. Dado
inicialmente como morto, o mergulhador consegue literalmente ressuscitar, um
verdadeiro milagre que nem a ciência e os especialistas conseguem explicar. “O
Último Respiro” conta toda essa história com muita competência, destacando as
primorosas imagens submarinas e uma tensão que leva o espectador a eriçar os
pelos da nuca. O elenco conta com Finn Cole, Woody Harrelson, Simu Liou, Cliff Curtis,
Myanna Buring, Bobby Raisnbury, Djimon Hounsou e Mark Bonnar. A ideia do filme
surgiu depois que o próprio diretor Alex Parkinson realizou o documentário “Last Breath”,
em 2019, contando a história sob o ponto de vista jornalístico, provando que o
mergulhador profissional é uma das profissões mais perigosas do mundo. Trocando
em miúdos, “O Último Respiro” é um filmaço! Para encerrar, lembro que após o
desfecho aparecem imagens de alguns dos personagens reais que viveram aquela
grande aventura.
quinta-feira, 19 de junho de 2025
“MIKAELA”, 2025,
Espanha, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Calparsoro (“O
Aviso”, “O Engregador”, “Até o Céu”) e roteiro direção de Arturo Ruiz. A tal “Mikaela”
do título é o nome que as autoridades espanholas deram à violenta nevasca sem precedentes que
atingiu e paralisou as estradas na região entre Madrid e Segóvia no feriado
religioso do Dia dos Reis, no dia 6 de janeiro. Ou seja, em pleno inverno. Impedidos
de circular, os veículos ficaram parados à noite nas estradas. Numa delas, três
assaltantes se aproveitam do caos e roubam um carro-forte, matando seus seguranças
e fugindo com o dinheiro. O alarme é acionado e chega ao conhecimento do
policial veterano Leo (Antonio Resines), que também está preso no enorme
congestionamento. Com a ajuda de uma policial novata (Natalia Azahara), Leo
parte para a ação contra os assaltantes, que na fuga ainda sequestram um pai de
família. Toda a ação é acompanhada pela central de monitoramento da polícia,
que orienta a dupla de policiais na perseguição aos assaltantes debaixo de
muita neve. A tensão não para até o desfecho, o que torna “Mikaela” um ótimo
entretenimento, dosado com algumas boas cenas de ação e humor. Completam o elenco Roger Casamajor,
Adriana Torrebejano, Antón Pavel, Cristina Kovani, Patricia Vico, Rocio Muñoz,
Bernabé Fernández e Javier Albalá.
segunda-feira, 16 de junho de 2025
“TEMPO DE GUERRA” (“WARFARE”),
2025, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ray
Mendoza e Alex Garland (“Guerra Civil”). É um filme para espectadores de
estômago forte, ainda mais por ser baseado em fatos reais. O ano é 2006 durante
a Guerra do Iraque e o cenário é a cidade de Ramadi, ocupada por militantes ligados à Al Qaeda. Um pelotão
de fuzileiros navais do exército dos Estados Unidos ocupa uma casa estrategicamente
localizada para vigiar os movimentos dos guerrilheiros. Só que o tirou saiu
pela culatra, pois foram os inimigos que localizaram a casa, colocando-a sob
fogo intenso. Uma granada é jogada pela janela e fere gravemente dois soldados.
Pelo rádio, os norte-americanos pedem socorro médico e, minutos depois, chega
um tanque para resgatar os feridos. Durante o procedimento, uma bomba explode o
veículo, matando e ferindo gravemente mais outros soldados. Enfim, uma
carnificina, que depois acabou sendo chamada de “a batalha de Ramadi”. O
episódio foi vivido pelo co-diretor Ray Mendonza, ex-fuzileiro naval que estava
naquele pelotão. Dessa forma, o filme foi realizado de acordo com o relato de
Mendonza, mostrando a tensão dos soldados diante da possível invasão da casa
pelos terroristas, gerando cenas intensas de violência e suspense. Não tenho dúvida em afirmar que “Tempo
de Guerra” é um dos retratos mais viscerais sobre os horrores de uma guerra.
Lembrei de um filme bastante semelhante, “Falcão Negro em Perigo”, de 2001,
dirigido por Ridley Scott. “Tempo de Guerra” não é melhor, mas é tão bom
quanto. É igualmente perturbador, realista e claustrofóbico, com alto nível de
tensão. Quanto ao elenco, é formado por atores jovens que dão conta do recado. IMPERDÍVEL!, assim mesmo, em letras maiúsculas.
domingo, 15 de junho de 2025
“UM ÁLIBI” (“AN ALIBI”), 2022,
França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de Orso Miret, seguindo roteiro assinado por Emmanuel Mauro e Laurente Roggero.
Quem assistir a este suspense vai lembrar na hora do velho ditado popular “Mentira
tem Perna Curta”. A história é bem legal, prende atenção até o desfecho, graças
a um primoroso roteiro e um ótimo elenco. Quando um grupo de amigos chega à casa da amiga
aniversariante Lucie (Sara Martins), o cenário é trágico: ela está morta nos
braços do marido Max (Pascal Demolon). Eles chamam a polícia e, percebendo que Max,
todo cheio de sangue, poderá ser considerado suspeito, inventam um álibi. Interrogados
pela inspetora Garnier (Aurélia Petit), os amigos mantêm o álibi, mas a policial,
experiente, não cai na história. Sobra para o marido, que, embora negue ser o
culpado, é detido por ser o principal suspeito. O mistério sobre o assassinato
só será revelado perto do desfecho, numa reviravolta surpreendente. Completam o
elenco Annelise Hesme, Michaël Cohen, Yannick Choirat, Grégori Derangère e
Saverio Maligno. Sem dúvida, um filme bastante interessante e agradável de
assistir. Um suspense de primeira.
quinta-feira, 12 de junho de 2025
“A NOITE DAS BRUXAS” (“A
HAUNTING IN VENICE”), 2023, coprodução Inglaterra/Estados
Unidos/Itália, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kenneth Branagh, que
também assina o roteiro com Michael Green. Este é o terceiro filme da trilogia
adaptada para o cinema pelo ator e cineasta inglês Kenneth Branagh da obra da
escritora Agatha Christie. O primeiro foi “Assassinato no Expresso Oriente (2017),
e o segundo “Morte no Nilo” (2022), sempre com Branagh atuando no papel do
inspetor Hercule Poirot. “A Noite das Bruxas” foi adaptado do livro “Hallowe’en
Party”, de 1969. A história é ambientada em 1947, quando Poirot curte sua
aposentadoria em Veneza, protegido pelo seu guarda-costas italiano Vitale
Portfloglio (Ricardo Scamarcio). Mas seu descanso não durará muito. Ao receber
a visita de sua amiga Ariadne Oliver (Tina Fey), uma escritora de romances de
mistério, ele aceita participar de uma sessão espírita na casa da cantora
lírica Rowena Drake (Kelly Reilly). A convidada especial é a misteriosa médium
sra. Reynolds (Michelle Yeoh). Rowena promoveu a reunião para tentar se
comunicar com a filha, que morreu afogada meses antes. Após o encerramento da
sessão, porém, mais uma morte misteriosa acontece, levando Poirot a acreditar
que o assassino está entre os convidados. E por aí vai a história, quando o
responsável pelas mortes será revelado adivinha por quem? Poirot, claro.
Completam o ótimo elenco Tina Fey, Camille Cottin, Jamie Dornan, Rowan Robinson,
Kyle Allen e Emma Laird. O filme é ótimo, destacando-se a primorosa direção de
arte, fotografia (Haris Zambarloukos), cenários, figurinos e, em especial, a vista aérea de Veneza
na cena que antecede os créditos finais, um espetáculo visual de levantar da poltrona
e aplaudir de pé. Trocando em miúdos, “A Noite das Bruxas” fecha com chave de
ouro a trilogia de Kenneth Branagh. Imperdível!
terça-feira, 10 de junho de 2025
“FÚRIA PRIMITIVA” (“MONKEY MAN”), 2024,
coprodução Estados Unidos/Canadá/Índia/Cingapura, 2h1m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Dev Patel, que também assina o roteiro com a colaboração de
Paul Angunawela e John Collee. Este filme de ação marca a estreia do ator inglês
de origem indiana Dev Patel no roteiro e direção (a história foi criada por
ele). Como ator, ele é conhecido por filmes como “Quem Quer Ser um Milionário”,
“Lion: Uma Jornada para Casa” e “A Lenda do Cavaleiro Verde”, entre outros. Em “Fúria
Primitiva”, ambientado na Índia, ele vive o papel de Kid, um jovem que cresceu
com o trauma de ter visto a mãe e toda a população do vilarejo em que morava
assassinada por policiais a mando de um poderoso político. Para se sustentar,
Kid participa de lutas clandestinas, nas quais usa uma máscara de gorila – seus
adversários usam máscaras de outros animais. Enfim, um zoológico sangrento no
ringue. Quando tenta iniciar uma vingança contra aqueles que assassinaram sua
mãe, Kid é ferido com gravidade e acaba sendo acolhido por uma comunidade Hijra,
constituída por pessoas transgênero, intersexo e eunucos, todas devotas da
deusa Bahuchara Mata – pesquisei no Google, e essa comunidade realmente existe.
Curado de seus ferimentos, Kid aspira um pó mágico – tipo espinafre do
Popeye - que lhe dá força e coragem para consumar seu objetivo de vingança. Com
sangue nos olhos e uma enorme raiva reprimida, lá vai nosso herói atrás dos
assassinos, principalmente o chefe de polícia Rana Singh (Sikandar Kher) e o
próprio Baba Shakt (Makarand Deshpande), o poderoso líder político. A violência
corre solta até o final, com muita ação, pancadaria e sangue jorrando. As cenas
são muito bem realizadas. Como já aconteceu com outros filmes cujo herói parte
para a vingança na base da violência, os críticos profissionais logo o comparam
com o personagem John Wick, que ficou famoso com o ator Keanu Reeves. Assim
aconteceu também com este “Fúria Primitiva”, já chamado de “o novo John Wick” e
ainda com o recém-lançado “Bailarina”, cuja heroína é uma mulher, papel da
atriz cubana Ana de Armas. Trocando em miúdos, “Fúria Primitiva” faz jus ao
título, com muita ação e violência.
sábado, 7 de junho de 2025
“O CONTADOR 2” (“THE
ACCOUNTANT 2”), 2025, Estados Unidos, 2h13m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Gavin O’Connor, seguindo roteiro assinado por Bill
Dubuque. Sequência de “O Contador”, de 2016, do mesmo diretor e com grande
parte do elenco original, na época um grande sucesso de bilheteria nos EUA. Só para
relembrar, o personagem principal é Christian Wolff (Ben Affleck), um contador
que presta serviços para organizações criminosas, paralelamente ao seu
escritório legítimo de contabilidade. Neste segundo filme, Christian é
contratado pela agente Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson), do Tesouro Americano, para ajudá-la a desvendar
o mistério que envolve o assassinato do seu ex-chefe Ray King (J.K. Simmons). Como
demonstrará na prática, Christian utiliza métodos politicamente incorretos para
obter respostas, incluindo muita violência e chantagens. Para isso, conta com a ajuda do
irmão Brax (Jon Bernthal), além de uma equipe de adolescentes gênios em informática. Em comparação com o primeiro filme, este tem mais ação e humor,
mas não é melhor do que o primeiro. O roteiro dificulta o entendimento da
história, deixando o espectador meio perdido. Não é a única falha. Os diálogos,
de tão sem graça e sem conteúdo nenhum, beiram a mediocridade. Mesmo com
algumas ótimas cenas de ação, o resultado final é decepcionante.
quinta-feira, 5 de junho de 2025
“SEM RASTRO” (“IMMERSTILL”), 2023,
coprodução Áustria/Alemanha, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Eva
Spreitzhofer, que também assina o roteiro em conjunto com Wolf Jakoby. Suspense
policial ambientado num vilarejo austríaco fictício durante um rigoroso inverno. Depois
de uma festa de carnaval num clube, duas adolescentes desaparecem misteriosamente.
Como a polícia local demora para iniciar as buscas, Lisa Schiller (Christina
Cervenka), irmã mais velha de uma delas e que acaba de chegar de Viena,
pressiona os policiais a tomarem alguma atitude. Durante as buscas iniciais realizadas com a ajuda de moradores, uma das garotas é encontrada morta à beira de um
rio. Resta saber onde está a outra, justamente a irmã de Lisa. Como a polícia
está mais perdida que cego em tiroteio, ela resolve investigar por conta
própria, com a ajuda do jovem policial Patrick Pollanc (Michael Glantshnig),
seu ex-namorado. Um dos primeiros suspeitos é Hubert Lipus (Michael Weger), um
sujeito de meia-idade conhecido por assediar as mocinhas do vilarejo. Outros
suspeitos aparecem pelo meio do caminho, motivando o espectador a adivinhar
quem será o provável culpado, revelado apenas no desfecho, numa reviravolta
surpreendente. Trocando em miúdos, o filme demora a engrenar, o ritmo é lento e
o roteiro pouco criativo, tão frio quanto os cenários.
terça-feira, 3 de junho de 2025
“O JOGO DA VIÚVA” (“LA VIUDA NEGRA”), 2025, Espanha, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de Carlos Sedes (“O Caso Asunta”, “Fariña), seguindo roteiro assinado por Ramón Campos e Gemar R. Neira. Ótimo suspense espanhol baseado em fatos reais. Em agosto de 2017, o corpo do engenheiro Antonio Navarro Cerdán foi encontrado na garagem de um edifício no Bairro de Patraix, em Valência. Ele havia sido assassinado com sete facadas. O caso, de grande repercussão na mídia espanhola, ficou conhecido como “A viúva negra de Patraix”, já que a viúva, Maria Jesús Moreno, foi apontada como uma das principais suspeitas do crime – não vou dar spoilers sobre o desfecho do caso. Na adaptação da história para o cinema, a viúva é Maje (a ótima Ivana Baquero, de “O Labirinto do Fauno"), uma enfermeira que tem dois empregos, um num hospital e outro em uma casa de repouso. Mesmo noiva do engenheiro Antonio Navarro (Álex Gadea), ela tem um caso com outro homem. Antonio a perdoou. Só que o casamento não segurou o ímpeto baladeiro da moça, que continuou saindo com as amigas para dançar e, pior, colecionar amantes. Quando o marido é encontrado morto, Maje fica arrasada, mas acaba caindo na desconfiança da inspetora Eva (Carmen Machi), encarregada de investigar o caso, que também aponta como suspeitos os amantes da viúva. Numa trama bem urdida, graças ao primoroso roteiro e uma história envolvente, além do ótimo elenco, “O Jogo da Viúva” é um excelente entretenimento, um filmaço!
segunda-feira, 2 de junho de 2025
“MÁFIA S.A.” (“MAFIA INC.”), 2020,
Canadá, 2h15m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Grou, seguindo
roteiro assinado por Sylvain Guy. O tema Máfia já gerou inúmeros filmes, dois
deles verdadeiras obras-primas do cinema: “O Poderoso Chefão” e “Os Bons
Companheiros”. Posso garantir que “Máfia S.A.” também é um dos melhores. É violento e ao mesmo tempo nostálgico, com uma trilha sonora de primeira. A
história, fictícia, é baseada no livro “Mafia Inc.: The Long, Bloody Reign of
Canada’s Sicilian Clan” (“Máfia S.A.: O Longo e Sangrento Reinado do Clã
Siciliano do Canadá”), dos jornalistas Andre Cédilot e André Noël. A família
Paternò, comandada com mão de ferro por Don Frank Paternò (o ator italiano Sergio
Castellitto, ótimo), que durante os anos 90 do século passado dominava o crime
organizado em Montreal, no Canadá. Seu braço direito é o sanguinário e violento
Vincente ‘Vince’ Gamache (Marc-André Grondin), originário de outra família
mafiosa, os Gamache. Em meio às inúmeras desavenças e traições nesse núcleo
mafioso, o filme destaca também um lance ousado de Don Frank, que reúne outras
famílias mafiosas para investir num grande projeto: uma ponte que ligaria a
Sicília ao continente italiano. Enfim, “Máfia S.A.” é mais um grande filme
sobre a máfia italiana.
domingo, 1 de junho de 2025
“CORAÇÃO DELATOR” (“CORAZÓN
DELATOR”), 2025, Argentina, 1h29m, em cartaz na Netflix, roteiro e
direção de Marcos Carnevale. Trata-se de um drama romântico leve, sensível e muito
agradável de assistir. Conta uma história simples sem pretensão de chegar a um
filme cult. Juan Manuel (Benjamín Vicuña) é proprietário de uma grande
empresa da construção civil em Buenos Aires. Solteiro, vive num casarão às
vezes visitado por uma namorada de ocasião. Tudo vai às mil maravilhas até que
um dia ele sofre um infarto. Ele precisa de um transplante de coração. O doador
acaba sendo um trabalhador humilde residente na periferia da capital argentina,
casado e pai de um menino. A cirurgia é um sucesso e Juan Manuel se recupera
rapidamente. Como acontece na maioria desses casos, o receptor do órgão quer
saber quem é o doador. Mal sabe ele que o bairro onde o doador morava é alvo de
desapropriação por parte de sua empresa. Fingindo ser primo do padre da
paróquia, Juan vai ao bairro e conhece a viúva do seu doador, Valeria (Julieta
Díaz). Mais do que previsível, os dois se apaixonam. Ao interagir com o pessoal
do bairro, Juan começa a rever os seus conceitos. O maior trunfo do filme é a
química entre o casal protagonista. Benjamín Vicuña é um ator simpático que já
mostrou seu talento principalmente no recente “O Silêncio de Marcos Tremmer”,
outro ótimo filme argentino. A atriz Julieta Díaz é conhecida pelas comédias “Coração
de Leão – O Amor não tem Tamanho” e “2 mais 2”. O cineasta Marcos Carnevale
comprova mais uma vez o seu talento, tendo em seu currículo pequenas obras-primas
do cinema argentino, como “Elsa & Fred”, “Inseparáveis” e “Coração de Leão”,
quando também dirigiu Julieta Diaz. Trocando em miúdos, “Coração Delator” é um filme
que toca o coração, emociona e diverte.
quinta-feira, 29 de maio de 2025
“SUPERBOYS DE MALEGAON” (“SUPERBOYS
OF MALEGAON”), 2024, Índia, 2h07m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de Reema Kagti, que também assina o roteiro com a colaboração de Varun
Grover e Shoaib Nazeer. Em 2008, o documentário “Supermen of Malegaon” contou
uma incrível história ocorrida na cidade indiana de Malegaon, onde, na segunda
metade dos anos 90, um cineasta amador reuniu alguns amigos para realizar um
filme. Pois é neste documentário que se
inspirou “Superboys de Malegaon”. Misturando cenas de comédias de Buster Keaton
e dos filmes de pancadaria de Jackie Chan, a turma conseguiu realizar um filme
que agradou a população da cidade – lembrando que o cinema era uma das únicas
diversões de Malegaon. A equipe técnica do filme, liderada pelo cineasta amador
Nasir Shaikh, faria outro filme, mas sem alcançar o sucesso do primeiro. Dessa
forma, o grupo de amigos se separou e cada um foi para o seu lado. Em 2010,
quando um dos integrantes da equipe ficou gravemente doente, os amigos voltaram
a se encontrar e resolveram realizar outro filme, uma sátira do Super-Homem de
Hollywood, cujo papel principal foi destinado justamente ao amigo doente
terminal. Sensível, divertido e comovente, simples ao extremo, “Superboys de
Malegaon” é uma grata surpresa do cinema indiano independente, com um elenco em
sua maioria constituído por amadores recrutados entre a população da cidade. O
filme estreou no Festival de Toronto (Canadá), em setembro de 2024, recebendo
elogios tanto da crítica como do público. Matt Zoller Seitz, do site rogerebert.com,
escreveu: “É um dos filmes mais acessíveis e divertidos sobre o impulso
criativo que você verá”. Quem assistiu ao filme chileno “A Contadora de Filmes”,
de 2023, comentado neste blog, e gostou, vai gostar ainda mais deste filme indiano,
o qual recomendo como um dos filmes mais interessantes do cinema indiano. Mais uma singela homenagem ao cinema.
terça-feira, 27 de maio de 2025
segunda-feira, 26 de maio de 2025
“A FONTE DA JUVENTUDE”
(“FOUNTAIN OF YOUTH”), 2025, Inglaterra, 2h5m, em cartaz na
Apple TV, direção de Guy Ritchie, seguindo roteiro assinado por James
Vanderbilt. Filme de aventura que segue, como tantos outros, no vácuo da
franquia Indiana Jones. Neste “A Fonte da Juventude”, o Indiana da vez é o
arqueólogo Luke Purdue (John Krasinski), um caçador de tesouros que não
titubeia em roubar obras de arte para conseguir seus objetivos. Luke agora quer
encontrar a mitológica e lendária Fonte da Juventude. Para isso, porém, terá de
decifrar um misterioso código que supostamente revelaria o local desse verdadeiro tesouro. Com esse objetivo, Luke, com o patrocínio de um milionário (Domhnall
Gleeson), contrata um time de especialistas, entre as quais sua própria irmã
Charlote Pardue (Natalie Portman), parceira de outras aventuras, e seu sobrinho adolescente Thomas (Benjamin
Chivers), um garoto muito esperto. O grupo descobre que as pistas estão numa
Bíblia antiga que afundou com um navio no século XVI e também codificadas em seis
obras de arte de pintores famosos. Até o desfecho, Luke e sua turma enfrentarão
muitos perigos, entre os quais a perseguição inclemente de uma máfia poderosa
ligada, acredite, ao Vaticano. Além disso, Luke também é procurado por ter
roubado algumas obras de arte de museus famosos. Completam o elenco Eiza
González, Stanley Tucci, Carmen Ejogo e Arian Moayede. Mais um bom filme de
ação do cineasta inglês Guy Ritchie, que já havia deixado sua marca em filmes
como “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”.





















