sábado, 10 de agosto de 2024

 

“O SEQUESTRO DO VOO 601” (“SECUESTRO AL VUELO 601”), 2024, Colômbia, minissérie da Netflix em 6 capítulos de 50 minutos cada, roteiro e direção de Camilo Salazar Prince, David Pombo e Pablo González. A história é baseada num fato real de grande repercussão na época, ou seja, o sequestro do voo HK-1274, da SAM Airlines, no dia 30 de maio de 1973. O roteiro foi escrito com base no livro de Massimo Di Ricco. A aeronave, com 84 passageiros e três tripulantes, saiu de Bogotá com destino a Medellín. No meio do caminho, dois sequestradores, apresentando-se como militantes do Exército de Libertação Nacional da Colômbia, assumiram o comando do avião, obrigando o piloto a desviar a aeronave para Aruba, depois Lima, Assunción, Buenos Aires e Guayaquil. Foi considerado o sequestro de avião mais longo já ocorrido na América Latina: durou cerca de 30 horas. Os sequestradores exigiam uma recompensa de 400 mil dólares mais a libertação de 50 presos políticos. Como o governo colombiano tinha como norma não negociar com sequestradores, a negociação ficou a cargo de um diretor da empresa de aviação. Embora o contexto seja dramático, com muito suspense e situações de perigo iminente, o roteiro cria inúmeras cenas recheadas de humor e diálogos bem engraçados, resultando num entretenimento bastante leve e divertido. O elenco é mais um dos trunfos da minissérie. Nos papéis de maior destaque estão Mónica Lopera, Ángela Cano, Christian Tappan, Valentin Villafañe, Alián Devetac, Enrique Carriazo, Marcela Benjumea e Johan Zumaqué. Resumindo, “O Sequestro do Voo 601” é uma ótima minissérie, um gol de placa da Netflix. Imperdível!                      

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

 


“BOB MARLEY: ONE LOVE” ("ONE LOVE"),
2024, Estados Unidos, 1h47m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Reinaldo Marcus Green (King Richard: Criando Campeãs”), que também assina o roteiro com a colaboração de Terence Winter, Frank E. Flowers e Zach Baylin. Na linha das cinebiografias tão em moda no cinema atual, esta é, sem dúvida, uma das melhores (no final deste comentário, recomendo as que eu acho imperdíveis). Bob Marley (1945-1981) foi um cantor e compositor jamaicano de grande sucesso nas décadas de 60 e 70. Foi o maior astro do reggae e ao mesmo tempo um ativista pelos direitos humanos, justiça social, igualdade de raças, amor e fé rastafari, temas que estão em destaque na maioria das suas canções. O filme relembra seu início de carreira, sua ascensão musical, o ativismo político e sua tumultuada vida particular, além de sua adoração por Haile Selassie (1892-1975), ex-imperador da Etiópia. O roteiro de “One Love” é um primor, sem falar no ótimo elenco e na saborosa trilha sonora, recheada de sucessos, entre os quais os meus preferidos: “I Shot The Sheriff” e “No Woman, No Cry”. Estão no elenco Kingsley Ben-Adir (Marley), Lashana Lynch, Michael Gondolfini, James Norton, Cindy Breakspeare, Tosin Cole, Umy Myers, Anthony Welsh e Junior Marvin. Também recomendo as cinebiografias “Ray” (Ray Charles), “I Wanna Dance With Somebody” (Whitney Houston), “Elvis”” (Elvis Presley), “Rocketman” (Elton John) e “Bohemian Rhapsody” (Freddie Mercury), todas comentadas neste blog.                      

terça-feira, 6 de agosto de 2024

 

“EMILY, A CRIMINOSA” (“EMILY, THE CRIMINAL”), 2022, Estados Unidos, 1h34m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de John Patton Ford. Drama policial independente com altas doses de suspense e alguma violência. A história é centrada em Emily (Aubrey Plaza), uma mulher que faz bicos como entregadora de um restaurante. Muito pouco para quem tem problemas financeiros – uma grande dívida estudantil – e não consegue um emprego fixo por causa de um delito que cometeu na juventude e que consta de sua ficha criminal. Através de um colega de trabalho no restaurante, ela conhece Youcef (Theo Rossi), um pilantra que aplica golpes utilizando cartões de crédito clonados. Ele compra mercadorias com os falsos cartões e depois as revende. O trabalho é arriscado, mas Emily topa participar do esquema. A partir do momento em que começa a ganhar dinheiro, Emily ingressa em definitivo no esquema e passa a se arriscar mais. Completam o elenco Gina Gershon, Jonathan Avigdori, Bernardo Badillo, Wesley Han, Megalyn Echikunwoke, Sheila Korsi e Brandon Sklenar. O filme é muito bom, valorizado pela ótima atuação de Aubrey Plaza, uma atriz que tem uma carreira bastante consistente, mas sem maiores oportunidades em papéis de destaque. Alguns de seus filmes mais conhecidos: "Tirando o Atraso", "Sem Segurança Nenhuma", "Ingrid vai para o Oeste" e "Esquema de Risco".                          

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

“A SALA DOS PROFESSORES” (“DAS LEHRERZIMMER”), 2023, Alemanha, 1h38m, em cartaz na MAX, direção de Ilker Çatak, que também assina o roteiro com Johannes Duncker. Drama alemão premiado como o Melhor Filme do Ano pelo Deutscher Filmpreis (Prêmio de Cinema Alemão) e um dos cinco finalistas na categoria Melhor Filme Internacional do Oscar 2024. A história é centrada na jovem professora Carla Nowak (Leonie Benesch), que dá aulas de matemática e educação física para uma classe do Ensino Médio de uma escola pública. Depois que alguns furtos são comunicados à diretoria, os professores resolvem interrogar os alunos, sugerindo que apontem quem está praticando os delitos. Ou seja, pedem para que eles dedurem os colegas, o que revolta Carla. Claro que a desconfiança recai sobre os alunos filhos de imigrantes. Carla resolve investigar por conta própria e deixa o seu laptop com a câmera ligada na sala dos professores. Ao verificar as imagens, ela percebe que alguém mexe na sua bolsa e furta uma determinada quantia. A pessoa só é identificada pela estampa da blusa. Carla vai à diretoria e acusa uma secretária da escola, que, confrontada, alega inocência, mas é afastada. Tem início então um verdadeiro inferno na vida de Carla, que acaba como a vilã da história, acusada por professores e alunos de haver cometido uma grande injustiça. A situação causa um grande estresse para a jovem professora, que até no jornal interno é criticada por sua postura. É dentro desse contexto e num constante suspense que o drama ganha força. A atuação de Carla Nowak, realmente estupenda, lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz pelo Deutscher Filmpreis. Trocando em miúdos, “A Sala dos Professores” não é um grande filme, mas poderoso na medida em que explora com maestria a tensão que faz parte do dia a dia de uma instituição de ensino, seja aqui, na Alemanha ou outro qualquer país. Imperdível!                       

domingo, 4 de agosto de 2024

“INGRESSO PARA O PARAÍSO” (“TICKET TO PARADISE”), 2022, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Ol Parker, que também assina o roteiro com a colaboração de Daniel Pipski (Parker é mais conhecido como roteirista, responsável por filmes de grande sucesso como, por exemplo, “Mamma Mia!” e “Exótico Hotel Marigold”). O grande trunfo dessa comédia romântica é a presença de dois grandes astros de Hollywood: Julia Roberts e George Clooney, contracenando juntos pela quinta vez. Vamos à história: Lily Cotton (Kaitlyn Dever), acaba de se formar em Direito pela Universidade de Chicago e, para comemorar, viaja com sua melhor amiga Wren Butler (Billie Lourd, filha de Carrie Fisher e neta de Debbie Reynolds) para a paradisíaca ilha de Bali, na Indonésia. Ela, porém, resolve não voltar, pois se apaixonou por Gede (Maxime Bouttier), um jovem nativo da ilha, e com o qual decide se casar. A notícia cai com uma bomba para seus pais, David Cotton (Clooney) e Georgia (Julia Roberts), que não são mais casados há mais de cinco anos e mal se falam. Mesmo assim, eles viajam às pressas juntos para Bali com o objetivo de acabar com o casamento e convencer a filha a voltar para Chicago e iniciar sua carreira de advogada. David e Georgia colocam em prática algumas maldades para separar o jovem casal e, a partir daí, muita confusão vai agitar a ilha. Como se não bastasse, chega em Bali, de surpresa, o atual namorado de Georgia, um atrapalhado piloto de avião. As situações são bem conduzidas, embora o humor seja fraco, tanto no que se refere aos diálogos como em algumas cenas que se propõem hilárias. Na verdade, além de Julia Roberts e George Clooney, o que mais se destaca é o cenário paradisíaco de Bali, que na verdade é pura ilusão de ótica, pois “Ingresso para o Paraíso” foi todo filmado em Queensland, na Austrália. Somando os prós e os contras, o resultado é decepcionante.                     

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

“GUERRA SEM REGRAS” (“THE MINISTRY OF UNGENTLEMANLY WARFARE”), 2024, Estados Unidos, 2h01m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Guy Ritchie (“Snatch – Porcos e Diamantes”, “Sherlock Holmes”), que também assina o roteiro ao lado de Arash Amel, Paul Tamasy e Eric Johnson. Mais uma daquelas incríveis histórias da fonte interminável de histórias ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial. Esta, em especial, foi inspirada por arquivos secretos e por um documentário do Departamento de Guerra Britânico. Ou seja, (quase) tudo é baseado num fato real, fantasiado com incrível competência pelos roteiristas, uma criativa e original direção de arte, com cenários deslumbrantes e um show de fotografia. Trata-se de um filme de ação com um ritmo alucinante, cenas espetaculares e muito humor. Vamos à história. Durante aquele conflito, o exército inglês, com o aval do primeiro-ministro Winston Churchill, recruta um grupo de mercenários para explodir um navio, ancorado no litoral da África, que abastecia os temidos U-BOAT, submarinos nazistas que aterrorizavam os mares e foram responsáveis por abater inúmeros navios dos aliados, tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial. A missão, coordenada de Londres pelo oficial britânico Ian Fleming – aquele mesmo, criador do agente OO7 – tinha um prazo de alguns dias para ser concluída, pois havia informações de que o navio logo partiria para outro porto. Muita tensão até o desfecho, destacando as ótimas cenas de ação. Estão no elenco Henry Cavill, Eiza González, Alan Ritchson, Alex Pettyfer, Hero Fiennes Tiffin, Till Schweiger, Freddie Fox, Rory Kinnear e Babs Olusanmokun. Enfim, um ótimo filme para entreter e divertir. Não perca!                 

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

“TEIA DE VINGANÇA” (“WHAT COMES AROUND”), 2024, Estados Unidos, 1h24m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Amy Redford (filha do ator e diretor Robert Redford), seguindo roteiro assinado por Scott Organ. Trata-se de um suspense cuja história é bem interessante e atual, ao mesmo tempo em que serve de alerta para pais de adolescentes que costumam se relacionar pela Internet. A jovem Anna (Grace Van Dien, filha do ator Casper Van Dien) passa horas, todos os dias, conversando com um tal de Eric (Kyle Gallner), 12 anos mais velho que ela – ela tem 16 e ele 28 (na vida real, o ator Kyle Gallner tem 37). Papo vai, papo vem, eles combinam de se encontrar pessoalmente. Essa relação tem tudo para acabar mal, pois Eric – o espectador logo percebe – apresenta um comportamento muito esquisito, beirando a esquizofrenia ou a psicopatia (ponto para a ótima atuação do ator Gallner). Beth (Summer Phoenix), a mãe da moça, fica revoltada com a situação, assim como seu namorado, o policial Tim (Jesse Garcia). Numa revelação bombástica, um fato do passado vem à tona e a história dá uma grande reviravolta, dando a impressão que uma tragédia está próxima de acontecer. Infelizmente, o desfecho não condiz com o suspense que permeia a história. O roteiro preferiu dar um “the end” mais light, o que, na minha opinião, acabou prejudicando o resultado final. Mais um destaque negativo é a fraca atuação da atriz Summer Phoenix, irmã mais nova dos atores Joaquin Phoenix e do falecido River Phoenix. Enfim, "Teia de Vingança" é apenas interessante.                 

terça-feira, 30 de julho de 2024

 

“ESPOSA E MÃE” (“SAVI”), 2024, Índia, 1h52, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Abhinay Deo. Começo o comentário destacando um aspecto um tanto inusitado, ou seja, um filme produzido por Bollywood inteiramente filmado na cidade inglesa de Liverpool. Aqui mora o casal de imigrantes indianos Savi (Divya Khosla Kumar) e Nakul Sachdeva (Harshvardhan Rane) e o filho menor. Ele trabalha e ela é apenas dona de casa. Tudo vai bem até que um dia a polícia bate na porta do casal e anuncia a prisão de Nakul. A acusação: ele teria assassinado sua chefe no estacionamento da empresa. Ele nega o crime, mas é julgado e condenado à prisão perpétua. Savi não se conforma com a situação, pois acredita que o marido é inocente. Seu desespero é tão grande que ela resolve simplesmente resgatar Nakul da penitenciária de segurança máxima. Quando planeja a estratégia, ela entra em contato com um sujeito que conseguiu escapar de uma prisão inglesa de segurança máxima, “coincidentemente” um ex-prisioneiro indiano que, comovido com a situação da moça, resolve ajudá-la. Até o desfecho, muito suspense para prender a atenção do espectador, valorizado por algumas boas cenas de ação. Completam o elenco Anil Kapoor, Hadelin De Ponteves e M.K. Raina. Para concluir, lembro que o filme é um remake do drama francês “Tudo por Ela”, de 2008, com a diferença de que a prisioneira é a esposa. Trocando em miúdos, “Esposa e Mãe” é um bom suspense que garante um ótimo entretenimento, com a vantagem de não ter aquelas coreografias irritantes nem festas com guerra de pó colorido, dois dos chavões mais tradicionais da maioria dos filmes de Bollywood.          

domingo, 28 de julho de 2024

 

“O SABOR DA VIDA” (“LA PASSION DE DODIN BOUFFANT”), 2023, coprodução França/Bélgica, 2h16m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do cineasta vietnamita Tran Anh Hung, que ficou conhecido depois de dirigir a pequena obra-prima “O Cheiro do Papaia Verde”, de 1993. Já vimos inúmeros filmes cujo tema é a gastronomia. O mais famoso e talvez o melhor deles ainda seja “A Festa de Babette”, de 1987, produção dinamarquesa que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “O Sabor da Vida” não fica muito longe em termos de qualidade. Tanto é que foi indicado pela França ao Oscar 2024 de Melhor Filme Internacional, além de receber o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes. O filme realmente é muito bom, com uma primorosa fotografia (Jonathan Ricquebourg), excelente elenco, romântico, poético e, acima de tudo, requintado no que se refere à gastronomia. Não à toa que o cenário é basicamente a cozinha de um casarão, onde toda a ação acontece desde a primeira cena. Antes de revelar a sinopse, lembro que a história é baseada no romance “The Passionate Epicure: La Vie Et La Passion de Dodin-Bouffant”, escrito por Marcel Rouff. Estamos em 1885, na cozinha da casa cujo proprietário é o empresário Dodin Bouffant (Benoît Magimel), dono de restaurante e chef de cozinha – seu personagem foi inspirado em Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826), renomado gourmet e gastrônomo francês, responsável pela criação dos mais famosos pratos da alta culinária francesa. Eugenie (Juliette Binoche) trabalha como cozinheira para Dodin há cerca de vinte anos. Dodin gosta de ficar na cozinha acompanhando o trabalho de Eugenie, dando palpites, saboreando os molhos e criando novos cardápios. Depois que ficou viúvo, Dodin se apaixonou por Eugenie e, quando esta ficou doente, ele mesmo passou a cozinhar para ela. Ou seja, a gastronomia como fator preponderante para unir ainda mais o casal. Cabe aqui destacar a química perfeita entre Binoche e Magimel, que pode ser explicada pelo fato de terem sido casados na vida real entre 1998 e 2003, relação que resultou numa filha. Completam o elenco Emmanuel Salinger, Patrick D’Assunção, Jean-Mark Roulot, Yannik Landrein, Sarah Adler, Bonnie Chagneau e Galatea Bellugi. Embora lento, o filme em nenhum momento perde o seu encanto. Um prato cheio para quem curte gastronomia. Imperdível!         

sexta-feira, 26 de julho de 2024

 

 

“ROUBANDO MUSSOLINI” (“RAPINIAMO IL DUCE”), 2022, Itália, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Renato De Maria (“Desaparecidos na Noite”, “Nada Santo”, "La Vita Oscena”). Comédia de ação muito criativa, ambientada no final da Segunda Guerra Mundial. Um grupo de militantes da resistência planeja roubar o tesouro do ditador italiano, um grande volume de joias, moedas de ouro, e documentos ultrassecretos. Mussolini pretendia levar isso tudo para a Suíça. Até aqui, tudo baseado em fatos reais. A ficção começa quando um grupo da resistência italiana resolve roubar todo esse tesouro. Isola (Pietro Castellitto) reúne seus amigos mais próximos para planejar e executar o roubo. Havia, porém, um problema. Isola é amante de Yvonne (Matilda de Angelis), que por sua vez é amante de Achille Borsalino (Fillipo Timi), um alto oficial de Mussolini. A missão não é nada fácil. Esse tesouro do ditador italiano está protegido no quartel-general dos fascistas em Milão. Muita ação e suspense prendem o espectador até o desfecho, num desenrolar de situações hilariantes. Completam o elenco Coco Rebecca Edogamhe, Maurizio Lombardi, Marcelo Macchia, Isabella Ferrari, Tommaso Ragno e Lorenzo de Moor. Sem dúvida, “Roubando Mussolini” é um dos filmes mais criativos e interessantes do cinema italiano nos últimos anos. Entretenimento garantido. Não perca!      

quarta-feira, 24 de julho de 2024

 

    

    “I WANNA DANCE WITH SOMEBODY – A HISTÓRIA DE WHITNEY HOUSTON” (“WHITNEY HOUSTON: I WANNA DANCE WITH SOMEBODY”), 2022, Estados Unidos, 2h26m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kasi Lemmons, seguindo roteiro assinado por Anthony McCarten. Cinebiografia da cantora pop norte-americana Whitney Houston (1963-2012). A história acompanha a trajetória de Whitney, interpretada com maestria pela atriz e cantora inglesa Naomi Ackie, desde que cantava no coro da igreja e como backing vocal nas apresentações da mãe Cissy Houston (Tamara Tunie), até ser descoberta pelo empresário Clive Davis (Stanley Gucci) e fazer um grande sucesso com suas gravações e shows. Whitney era um fenômeno vocal. Seus discos venderam milhões e a consagraram como a grande cantora norte-americana nos anos 80/90 e nos primeiros anos do século XXI. O filme destaca sua vida pessoal, seu suposto romance lésbico com uma assessora e seu tumultuado casamento com o cantor Bobby Brown e seu vício em drogas, que acabou com sua carreira e vida. Um detalhe precioso que o filme destacou foi o fato de que o ator Kevin Costner, com quem ela contracenou no filme “O Guarda-Costas”, foi o responsável por indicar a canção “I Will Always Love You” para a trilha sonora. Aliás, falando em trilha sonora, não há dúvida de que é um dos maiores trunfos de “I Wanna Dance With Somebody”, além da excelente performance de Naomi Ackie e do primoroso roteiro, assinado por Anthony McCarten, responsável também pelos roteiros de grandes sucessos como “Bohemian Rhapsod”, cinebiografia de Freddie Mercury, e ainda pelos excelentes “Dois Papas”, “A Teoria de Tudo” e “O Destino de Uma Nação”. Trocando em miúdos, “I Wanna Dance...” é um verdadeiro espetáculo. Estranho não ter sido indicado para nenhuma categoria do Oscar 2023. Mais uma injustiça da Academia.              


segunda-feira, 22 de julho de 2024

 

“MERGULHANDO NO AMOR” (“FIND ME FALLING”), 2024, Estados Unidos, 1h32m, produção original e distribuição Netflix, roteiro e direção da cineasta cipriota Stelana Kliris (é o seu segundo longa-metragem). Comédia romântica cuja história é centrada no cinquentão John Allman (Harry Connick Jr.), um astro do rock em decadência. Com o insucesso do seu último álbum, Allman entra em depressão e resolve se isolar na Ilha de Chipre, onde acaba de comprar uma pequena casa à beira de um penhasco. Aqui, logo descobriria, é um local bastante apreciado - acreditem! - pelos suicidas. Por uma dessas coincidências que só o cinema é capaz de inventar, Allman dá de cara com Sia (Agni Scott), uma cipriota com a qual teve um caso há muitos anos, quando ela estudava medicina em Nova York. Allman também conhece Melina (Ali Fumiko Whitney), uma jovem cantora que faz sucesso cantando num barzinho, que ele logo descobrirá ser filha de Sai. Coincidências à parte, Allman consegue se enturmar com o pessoal do vilarejo, até que o seu empresário liga anunciando que conseguiu um show especial para ele em Nova York. Será que Allman deixará a ilha e voltará para sua rotina de shows nos Estados Unidos? Só assistindo que você saberá a resposta. O filme destaca algumas peculiaridades dos moradores de Chipre, inclusive a gastronomia tradicional, além de cenários deslumbrantes da ilha. Como curiosidade, vale lembrar que Harry Connick Jr., além de ator, é pianista e cantor de jazz de grande sucesso, com várias premiações ao longo de sua carreira musical. Voltando a “Mergulhando no Amor”, achei o filme bastante interessante, leve e simpático, muito agradável de assistir, ideal para uma sessão da tarde sem compromisso com a seriedade.               

domingo, 21 de julho de 2024

 

“DESAPARECIDOS NA NOITE” (“SVANITI NELLA NOTTE”), 2024, Itália, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção de Renato De Maria (“Roubando Mussolini”, “Nada Santo”), seguindo roteiro assinado por Luca Infascelli, Patxi Amezcua e Francesca Marciano. Suspense com uma história sem pé nem cabeça, incompreensível do começo ao fim. Começa com um drama familiar entre o casal formado por Pietro (Riccardo Scamarcio) e Elena (Annabelle Wallis, de “Invocação do Mal”). Ela uma psiquiatra norte-americana radicada na Itália desde que se casou com Pietro, um sujeito com um passado nada abonador. Mesmo endividado, ele consegue comprar uma casa na zona rural, para onde leva o casal de filhos para passar um final de semana. No meio da noite, as crianças somem e logo chega um telefonema. É o sequestrador pedindo uma quantia absurda de resgate. Para conseguir o dinheiro, Pietro concorda em fazer um serviço para um traficante: buscar um carregamento de cocaína na Grécia. Com um detalhe: ele tem 36 horas para cumprir sua missão. O filme é repleto de defeitos, um dos quais, bastante risível, é o nível dos diálogos. Pietro conversa com Elena em italiano e ela responde em inglês. Não é hilário? Constrangedora também é a cena em que Pietro entra em luta corporal com o traficante no meio de uma festa e todo mundo que está em volta nada percebe. Não é mais hilário ainda? Trocando em miúdos, mesmo com a presença do astro italiano Riccardo Scamarcio e da bela Annabelle Wallis, “Desaparecidos na Noite” é uma decepção.                 

sábado, 20 de julho de 2024


“BLUE BAYOU” (é com esse título original que o drama chega à Netflix – trata-se de um termo utilizado na Louisiana, sul dos EUA, que também pode ser entendido como “Lagoa Calma”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, em cartaz na Netflix, escrito, dirigido e estrelado por Justin Chon, ator norte-americano de ascendência coreana. Trata-se de um drama social que aborda a questão dos imigrantes adotados que vivem nos Estados Unidos, muitos dos quais foram entrevistados por Chon para escrever o roteiro. A história do filme é baseada na experiência de um desses imigrantes, o personagem denominado Antonio LeBlanc. Adotado aos três anos por um casal de norte-americanos, Antonio cresceu, estudou e casou como um cidadão do país. Por causa de sua ficha criminal – roubo de motos na juventude -, Antonio tem muita dificuldade em arrumar emprego. O dinheiro que consegue vem de seu trabalho como tatuador. Sua esposa Kathy (a atriz sueca Alicia Vikander) ajuda no orçamento trabalhando como assistente numa clínica de fisioterapia. O casal tem uma filha, Jessie (Sidney Kowalske), do primeiro casamento de Kathy, que aceitou Antonio como seu verdadeiro pai. A mãe de Kathy tenta ajudar, mas sempre deixou clara sua antipatia pelo atual genro, um comportamento xenofóbico destacado pelo roteiro. As dificuldades financeiras e o fato de Kathy estar novamente grávida aumentam o nível de dramaticidade da história, que piora ainda mais a partir do momento em que Antonio recebe a notícia de que será deportado para a Coreia do Sul, pois seus pais adotivos não o naturalizaram norte-americano. Completam o elenco Mark o'Brien, Linh-Dan Pham, Vondie Curtis e Geraldine Singer. "Blue Bayou” estreou no Festival de Veneza e dividiu a opinião dos críticos, muitos dos quais acharam o filme excessivamente dramático. Também, não é para menos... Com base na opinião de 125 críticos ouvidos pelo site agregador Rotten Tomatoes, o filme ganhou a aprovação de 75%. O filme foi ainda mais valorizado pela presença da ótima atriz sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar de melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “A Garota Dinamarquesa”, de 2015. Resumo da ópera: “Blue Bayou” é um excelente drama social, capaz de emocionar até mesmo o espectador menos sensível. Portanto, antes de assisti-lo, separe uma caixa de lenços de papel.      

sexta-feira, 19 de julho de 2024

 

“DARKLAND: O RETORNO” (“UNDERVERDEN II”), 2023, Dinamarca, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do dinamarquês de origem iraquiana Fenar Ahmad, seguindo roteiro assinado por Behrouz Bigdeli. Trata-se da sequência de “Darkland: Guerreiro da Escuridão”, de 2017, repetindo a mesma equipe técnica e grande parte do elenco, com destaque para o ator Dar Salim, que dá vida ao personagem central, o médico Thomas Zaid, que no primeiro filme, depois de vingar a morte do irmão, acaba na prisão. Seis anos depois, portanto, em “Darkland: O Retorno”, Zaid é procurado pela detetive Helle (Birgitte Hjorty Sørensen), que lhe oferece a liberdade se ele concordar em se infiltrar numa poderosa gangue de traficantes, em sua maioria imigrantes árabes. Ele topa, mais pelo fato de ter a oportunidade de finalmente conhecer Noah (Asgar Hansen), seu filho que nasceu quando ele estava na prisão. Zaid, porém, não terá vida fácil, sendo obrigado a participar das atividades criminosas da gangue chefiada pelo sádico Muhdir (Soheil Bavi). Como se não bastasse, surge no cenário outra gangue disposta a tomar o lugar de Muhdir, tornando a missão de Zaid ainda mais perigosa. O filme garante boas cenas de ação e muito suspense. Pelo que dá a entender o desfecho, haverá certamente mais uma sequência. Completam o elenco Stine Fischer, Soheil Bavi, Abdu Mustafa, Mohamed Ayman e Noah Carter. Um dos grandes trunfos do filme é contar com o carismático ator iraquiano Dar Salim, radicado na Dinamarca e conhecido por participações destacadas em filmes como “Um Marido Fiel”, Caranguejo Negro”, “O Pacto” e “O Dublê do Diabo”, além do já citado “Guerreiro da Escuridão, entre outros.           

quinta-feira, 18 de julho de 2024

“DIVÓRCIO EM FAMÍLIA” (“DIVORCE IN THE BLACK”), 2024, EUA, em cartaz na Prime Vídeo, 2h23m, roteiro e direção de Tyler Perry. Trata-se de um drama que trata da violência doméstica. Ava (Meagan Good), executiva de um banco, é a figura central da história. Durante anos, ela sofreu nas mãos do marido Dallas (Cory Hardrict), até que chegou ao ponto de chegarem a um acordo sobre o divórcio. A gota da d’água foi o que aconteceu durante o velório de um dos irmãos de Dallas, quando o reverendo, pai de Ava, afirmou que o falecido não era uma pessoa que merecia respeito. Influenciado pela mãe maluca e pelos irmãos, Dallas resolve se divorciar. Porém, quando soube que Ava estava saindo com outro homem, Dallas se enfurece e vai tirar satisfações. A guerra entre as famílias estava declarada. Completam o elenco Debbi Morgan, Joseph Lee Anderson, Taylor Polidore, Richard Lawson e Shannon Wallace. Como na maioria dos seus filmes, Tyler Perry escala um elenco formado, em sua maioria, por atores negros. Tyler até que vinha obtendo bons resultados com filmes como “O Limite da Traição” e “O Homem do Jazz”, mas desta vez não conseguiu agradar a crítica. No rigoroso site Rotten Tomatoes, por exemplo, o índice de aprovação foi de 0%, uma tragédia. O restante da crítica especializada também não gostou. Chegaram a considerá-lo, desde já, como o pior filme de 2024. E o pior é que o desfecho dá a entender que poderá haver uma sequência.           

quarta-feira, 17 de julho de 2024

“PERSEGUIÇÃO EM MALTA” (“LOVE ON THE ROCK”), 2023, coprodução Estados Unidos/República de Malta, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Matt Shapira, que também assina o roteiro com Tommy Blaze e David Andrew Roy White. Pensei que assistiria a um bom filme de ação, mas o que vi de bom foram os belos cenários de Malta, uma ilha localizada no Mar Mediterrâneo entre a Europa e a África. Sem dúvida, as imagens favorecem bastante o turismo de Malta e talvez tenham minimizado um pouco a mediocridade do filme. Trata-se de um filme de ação, repleto de humor e momentos da mais pura sátira, garantida pela própria atuação caricata dos atores. Vamos à história. Uma poderosa organização criminosa quer roubar a fórmula de um soro capaz de curar qualquer tipo de doença. Ou seja, um remédio que renderá, ao seu proprietário, uma fortuna incalculável. Uma agência secreta também está atrás da fórmula. Algumas evidências indicam que a pequena mostra está em poder de Colton Riggs (David A.R. White), um ex-policial de Chicago que comprou um barco e promove excursões pagas em volta da ilha. Sem saber de nada, ele passa a ser o alvo de quem quer recuperar o soro. E por aí segue a história, com algumas cenas de ação e perseguições, com direito a um inesperado romance entre uma bela espiã (Lauriane Gilliéron, miss Suíça em 2005) e o protagonista principal. Completam o elenco Nathalie Rapti Gomez, Jeff Fahey, Steven Bauer, Kira Reed, Jon Lovitiz, Vincente De Paul, Andrea Sabatino e Lisel Hlista. Quem gosta de cinema vai reconhecer dois rostos bastante conhecidos. Um deles é o ator norte-americano Jon Lovitz, de tantas comédias, e também o ator e roteirista David Andrew Roy White, que atua em filmes evangélicos feitos por sua produtora Pinnacle Peak Pictures. Trocando em miúdos, “Perseguição em Malta” é um filme que prioriza a sátira e o turismo, deixando de lado a qualidade como cinema.        

domingo, 14 de julho de 2024

 

“OS REJEITADOS” (“THE HOLDOVERS”), 2023, Estados Unidos, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alexander Payne (“Sideways”, “Nebraska”), seguindo roteiro assinado por David Hemingson. Indicado a disputar o Oscar 2024 em cinco categorias (ganhou em uma – leia no fim do comentário), “Os Rejeitados” é um drama ambientado no último mês de 1970, quando os alunos do colégio interno Barton Academy, na Nova Inglaterra, preparavam-se para passar as festas de final de ano com suas famílias. Como o título já deixa antever, três desses personagens foram obrigados a permanecer no campus: o professor rabugento e exigente Paul Hunham (Paul Giamatti), o aluno problemático Angus Tully (o estreante Dominic Sessa) e a cozinheira-chefe Mary Lamb (Da’Vine Joy Randolph), que vive o luto recente pela perda de seu filho na guerra do Vietnã. A partir dessa relação meio forçada, surge uma forte ligação entre os três, cada qual dando uma força para o outro. É o lado sensível da história, muito bem trabalhado pelo roteiro recheado de diálogos bem-humorados que emocionam a cada cena. “Os Rejeitados” tem uma produção simples, ao estilo dos filmes independentes, mas mesmo assim mereceu cinco indicações ao Oscar 2024: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante (Da’Vine ganhou o prêmio), Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. O excelente desempenho do veterano Paul Giamatti foi reconhecido pelo Globo de Ouro. Completam o elenco Carrie Preston, Gillian Vigman, Michael Provost, Tate Donovan, Oscar Wahlberg e Darby Lee-Stack. Enfim, um ótimo programa, sensível, divertido e inteligente. Não perca.      

sábado, 13 de julho de 2024

 

“UMA LIÇÃO DE ESPERANÇA” (“PERSISCHSTUNDEN”), 2020, coprodução Rússia, Bielorússia e Alemanha, 2h07m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta ucraniano - hoje radicado no Canadá - Vadim Perelman (“Casa de Areia e Névoa”, “Sem Medo de Morrer”), seguindo roteiro assinado por Ilja Zofin e Wolfgang Kohlhaase. Sabe aquele filme escondidinho no catálogo do streaming e que você descobre por acaso e que acaba sendo ótimo? É o caso de “Uma Lição de Esperança”, um drama, baseado em fatos reais, ambientado durante a Segunda Guerra Mundial. A história é realmente incrível e só ela já merece uma atenção especial. Depois que o exército nazista de Hitler invade a Bélgica, em 1942, começa a perseguição aos judeus belgas, em seguida enviados a campos de concentração. O jovem judeu Gilles (o ator argentino Nahuel Pérez Biscayart) está entre eles. Quando  o seu grupo é obrigado a descer do caminhão para ser fuzilado, Gilles grita que não é judeu, e sim persa. Por uma dessas “coincidências” divinas, o oficial alemão Klaus Kock (Lars Eidinger) prometeu premiar o soldado que encontrar um persa entre os prisioneiros, já que é seu sonho aprender o pársi, língua oficial do Irã. O irmão do oficial alemão mora em Teerá e Klaus Kock deseja visitá-lo após o fim da guerra. Sem saber nenhuma palavra em pársi, Gilles diz chamar-se Reza Joon. Ele foi inventando as palavras e ensinando o nazista a pronunciá-las e traduzí-las para o alemão. Para isso, precisava memorizar todas essas palavras fictícias, pois caso não lembrasse de alguma iria direto para o paredão. Os diálogos entre o prisioneiro e o oficial nazista são ótimos, cercados de grande suspense, já que qualquer vacilada significaria a morte do falso judeu. Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de Berlim, o filme recebeu elogios tanto do público como dos críticos profissionais. Realmente, “Uma Lição de Esperança” é ótimo, contando uma das melhores histórias originadas daquele conflito. Imperdível!        

quarta-feira, 10 de julho de 2024

“INFILTRADO” (“DUE JUSTICE”) - no vídeo aparece “Palido” como título original; vá entender! -, 2023, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Javier Reyna. Suspense policial centrado na história de Max (Kellan Lutz), um advogado de Seattle e ex-agente das forças especiais. Por causa de seu irmão, agente do FBI infiltrado em uma quadrilha de traficantes de órgãos humanos, Max acaba sofrendo duas perdas trágicas e irreparáveis: sua esposa e o próprio irmão. Além disso, sua filha pequena foi sequestrada. Com espírito de vingança e com o objetivo de resgatar a menina, Max vai atrás dos responsáveis. Não bastasse essa situação, a polícia de Seattle desconfia que Max pode ser o responsável pelos crimes. Completam o elenco Efren Ramirez, Chelsea Lopez, Niko Foster, Cynthia Geary, Tonantzin Esparza e Richard Carmen. Trocando em miúdos, o resultado final deixa muito a desejar. É um filme violento, com algumas poucas cenas de ação, um elenco dos mais fracos e uma história pouco convincente. Dessa forma, é preciso boa vontade para recomendar. Conforme nossa democracia relativa, o espectador é livre para escolher.         

terça-feira, 9 de julho de 2024

 

“NOSSO AMIGO EXTRAORDINÁRIO” (“JULES”), 2023, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Netflix, direção de Marc Turtletaub (“O Quebra-Cabeça” e “Gods Behaving Badly”), seguindo roteiro assinado por Gavin Steckler. Taí um programão para uma sessão da tarde com pipoca. Filme leve, divertido, sensível e, em alguns momentos, bastante comovente. Um disco voador cai no jardim da casa do viúvo Milton Robinson (Ben Kingsley), um sujeito rabugento, solitário e ficando gagá. Ele liga para a emergência e conta o que acaba de acontecer. Claro que a atendente acha que é trote. Da nave sai um ET e o velho convida-o para ficar em sua casa. Aos poucos, nasce uma amizade entre os dois. A partir daí, Robinson tenta manter o acontecimento em sigilo, mas não contava com as bisbilhoteiras Joyce (Jane Curtin) e Sandy (Harriet Sansom Harris), que descobrem o segredo e até viram amigas do ET, ao qual decidem dar o nome de Jules (o título original). Enquanto isso tudo acontece, as autoridades norte-americanas convocam o FBI para investigar a possível queda de um satélite na Pensilvânia, justamente na pequena cidade onde aconteceu a queda da aeronave. Enquanto isso, o pequeno ET (trata-se da atriz Jade Quon) tenta consertar o seu disco voador, cuja matéria-prima para o combustível é constituída de gatos mortos – não há explicação sobre isso. Enfim, dá para se divertir e se emocionar com as situações que acontecem depois da chegada inusitada do ET. “Nosso Amigo Extraordinário” é, portanto, um entretenimento de primeira.       

segunda-feira, 8 de julho de 2024

 

“DESESPERO PROFUNDO” (“NO WAY UP”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, 1h35m, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, direção do cineasta suíço Claudio Fäh (“A Saga Viking”, “O Atirador”), seguindo roteiro assinado por Andy Mayson. Aviso de amigo: se você estiver prestes a viajar de avião, não assista! A situação é brava, realmente desesperadora. Um avião sai da Califórnia com turistas que pretendem passar alguns dias de férias na cidade mexicana de Cabo San Lucas (no filme, todos falam que vão para o Cabo, que depois de pesquisar cheguei ao nome correto da cidade turística). No meio da viagem, porém, um dos motores começa a pegar fogo e o avião acaba caindo no Oceano Pacífico. Se cair já é trágico, imagina afundar, ainda mais com um rombo na lateral. Pois é isso que acontece. O avião imbicou no fundo e parou numa formação rochosa. Alguns poucos passageiros conseguiram sobreviver ao impacto e à invasão da água, colocando-se no fundo da aeronave. A agonia não acaba por aí, pois até tubarões entram no avião. Claro que a situação dos sobreviventes fica cada vez mais difícil, pois não há muita saída. Até o desfecho, o espectador vai embarcar nesse sufoco e sofrer junto com o pessoal. Fazem parte do elenco Sophie Mcintosh (“Admirável Mundo Novo”), Colm Meaney, Grace Nettle, Manuel Pacific, Will Attenborough, Jeremias Amoore e Phyllis Logan. O filme funciona muito bem como suspense, destacando-se algumas cenas de ação e alguns bons sustos. Ideal para uma sessão da tarde, mas repito o alerta: não assista se você tiver alguma viagem aérea marcada.