“CONCLAVE”, 2024,
coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 2h00m, em cartaz no Prime Vídeo, direção
do cineasta alemão Edward Berger (“Nada de Novo no Front”), seguindo roteiro
assinado por Peter Straughan. Indicado ao Oscar 2025 em oito categorias (ganhou
a de “Melhor Roteiro Adaptado” e vencedor de vários prêmios no Globo de Ouro e
no BAFT, o Oscar inglês), “Conclave” desnuda os bastidores de uma votação para
a escolha do novo papa. É sabido que a escolha do papa é um dos eventos mais
secretos do mundo. No filme, o personagem central é o cardeal Thomas Lawrence
(Ralph Fiennes), encarregado de organizar o conclave por indicação do papa antes de morrer. O espectador é conduzido pelos meandros do Vaticano, acompanhando os conchavos e as intrigas entre os
cardeais, alguns deles assumindo a ambição de ser o novo papa. Administrar toda
essa situação leva o cardeal Thomas a um grande estresse, o que o faz rever até
mesmo a própria fé. O polêmico desfecho não agradou as autoridades eclesiásticas,
merecendo críticas contundentes. Realmente, o final apresenta uma situação
chocante para os católicos que, como eu, também não gostaram. Completam o
elenco Stanley Tucci, John Lithgow, Carlos Diehz, Sergio Castellitto e Isabella
Rossellini, esta última indicada ao Oscar 2025 na categoria “Melhor Atriz
Coadjuvante”, o que achei um absurdo, já que ela pouco aparece no filme. Como
se vê, o elenco é um dos grandes trunfos do filme. Os cenários, construídos no
estúdio de cinema Cinecittà, nos arredores de Roma, também são incríveis, reproduzindo até mesmo detalhes artísticos da Capela Sistina. Para
escrever o livro homônimo em 2016 que deu origem ao roteiro do filme, o
romancista inglês Robert Harris fez uma acurada pesquisa sobre os bastidores de
um conclave, tendo entrevistado, inclusive, um cardeal que participou da última
votação. Trocando em miúdos, “Conclave” é um grande filme que chega ao streaming
em 2025. Imperdível!
sábado, 19 de abril de 2025
quinta-feira, 17 de abril de 2025
“SISU – UMA HISTÓRIA DE
DETERMINAÇÃO” (“SISU”), 2022, Finlândia, 1h31m, em cartaz no Prime
Vídeo, roteiro e direção de Jalmari Helander (“Caçada ao Presidente”). Estamos
nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Ex-comandante do exército finlandês,
Aatami Korpi (Jorma Tommila) resolveu isolar-se no deserto da Lapônia com um
cavalo e um cachorro. Virou garimpeiro. Depois de achar uma grande quantidade
de pepitas de ouro, resolveu voltar para a cidade com o objetivo de vender o
ouro. No meio do caminho, porém, ele dá de cara com um pelotão de soldados
alemães da Waffen-SS, comandados por um oficial sádico (Aksel Hennie), tentando
voltar para a Alemanha através da Noruega, levando como reféns algumas jovens finlandesas.
Ao perceberem que Aatami carregava ouro, os alemães decidem roubar a carga. Não
sabem, porém, que Aatami é uma lenda em seu país como soldado, capaz de
realizar façanhas que um ser humano normal seria incapaz. Enfim, uma fúria humana. A história do filme é
justamente contar essa luta violenta e desigual - Aatami contra um batalhão
inteiro de soldados alemães – através de cenas de ação muito bem filmadas, num
ritmo intenso e repleto de suspense. Há mais ação do que diálogos, o ritmo
é intenso, não deixa o espectador respirar. O filme teve uma recepção muito boa
por parte da crítica e do público, ganhando uma sequência filmada em 2024, mas
que ainda não chegou aos cinemas. Trocando em miúdos, um filmaço!
terça-feira, 15 de abril de 2025
“G20” –
2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz no Prime Vídeo, direção da cineasta mexicana
Patricia Riggen (“Sob a Mesma Lua”, “Milagres do Paraíso”), seguindo roteiro
assinado por Caitlin Parrish, Erica Weiss e pelos irmãos Logan e Noah Miller. A
atriz Viola Davis não precisa provar mais que é uma excelente atriz. Sua
presença valoriza qualquer filme. E são muitos. Arrasou em especial no ótimo “A
Voz Suprema do Blues” e ainda em “Um Limite entre Nós”, que a consagrou com Oscar
de Melhor Atriz em 2017. Eclética e atlética, mostrou que também é ótima em
filmes de ação, como provou no recente “A Mulher Rei” e agora em “G20”. Neste
último, ela é Danielle Sutton, nada menos do que a presidente dos Estados
Unidos. Ex-soldada na guerra do Iraque, ela também é perita em armas e em artes
marciais – ela treina jiu-jitsu com o chefe de seus guarda-costas, o
agente Manny Ruyz (Ramón Rodriguez) - tudo bem, é cinema. Em sua primeira missão internacional,
Danielle vai com a família participar da reunião do G20 na Cidade do Cabo (África
do Sul). Durante o coquetel de abertura do evento, terroristas invadem o
recinto, trancam as portas e fazem todos de reféns. Seu objetivo:
controlar os mercados e a economia mundial. Só que a presidente Danielle e seu
guarda-costas, além de outras duas personalidades, conseguem escapar do salão
de festas, mas continuam presas dentro do edifício. Daí para a frente, muita
ação vai rolar na telinha, regado a um suspense de primeira. As cenas de ação
são ótimas, mais um trunfo para valorizar ainda mais a história. Completam o
excelente elenco Sabrina Impacciatore, Anthony Anderson, Antony Starr, Marsai
Martin, Chjristopher Farrar, Clark Gregg, Ali Suliman, Angela Sarafyan e
Douglas Hodge. Claro que, como todo filme de ação, “G20” não exige muito dos neurônios,
mas ainda assim é um ótimo entretenimento.
domingo, 13 de abril de 2025
“O QUARTO AO LADO” (“THE ROOM
NEXT DOOR” – “La Habitacion De Al Lado”, nos países de língua espanhola), 2024,
Espanha, 1h50m, em cartaz na Netflix, direção de Pedro Almodóvar, que também
escreveu o roteiro adaptado do livro “O Que Você está Enfrentando” (“What Are You Going Through”), da romancista norte-americana Sigrid Nunez. O tema é como
lidar com a proximidade da morte, tanto por parte do doente quanto por parte da
família e dos amigos próximos. A jornalista Martha (Tilda Swinton), uma ex-correspondente
de guerra, tem pouco tempo de vida, sofrendo de um câncer terminal. No
hospital, ela recebe a visita de uma antiga colega de trabalho, a também
jornalista e agora escritora Ingrid (Julianne Moore). Martha pede à amiga que
fique com ela em seus últimos dias, morando na mesma casa no quarto ao lado.
Ela confessa que deseja que Ingrid a ajude numa morte assistida. A relação
entre as duas mulheres é o foco de toda a história, onde se destacam momentos
sensíveis, outros dramáticos e comoventes. Completam o elenco John Torturro, Alessandro Nivola, Juan
Diego Botto, Raúl Arévalo, Alex Høgh Andersen, Esther-Rose McGregor e Melina
Mattews. Este é o primeiro filme totalmente falado em inglês de Almodóvar, mas
seu estilo de filmar é o mesmo de quase todos os seus filmes: ênfase no
melodrama, humor irreverente (neste, nem tanto), cores fortes e ousadas, filosofia
de vida, citações sobre arte e cultura. Puro Almodóvar, diretor espanhol que já
nos brindou com ótimos filmes. Posso citar alguns, como “Mulheres à Beira de um
Ataque de Nervos" (1988), “A Flor do Meu Segredo” (1995), “Tudo Sobre Minha Mãe”
(1999), “Fale com Ela” (2002), “A Pele que Habito” (2011), entre tantos outros.
Exibido durante o 81º Festival Internacional de Cinema de Veneza, o filme
ganhou o cobiçado Leão de Ouro de Melhor Filme. A atriz Tilda Swinton foi indicada ao prêmio
de Melhor Atriz no Globo de Ouro, vencido pela nossa Fernanda Torres. Infelizmente, o Oscar 2025 esnobou Almodóvar. Trocando
em miúdos, “O Quarto ao Lado” é mais uma pequena obra-prima do cineasta espanhol. E,
portanto, IMPERDÍVEL – assim mesmo, com maiúsculas.
sábado, 12 de abril de 2025
“CABRINI”, 2024,
coprodução Estados Unidos/Itália, 2h22m, em cartaz na Netflix, direção do mexicano
Alejandro Gómez Monteverde (“Som da Liberdade”), que também assina o roteiro
com a colaboração de Rod Barr. Confesso que não conhecia a incrível história da
missionária italiana Francesca Xavier Cabrini (1850-1917). Desde que foi
ordenada freira, ainda jovem, Cabrini (Cristiana Dell’Anna) se dedicou a
acolher os pobres na Itália, fundando orfanatos e escolas. Não satisfeita,
pediu ao Vaticano para ser transferida para a China, dizendo que havia muita
pobreza por lá. “O mundo é pequeno demais para o que pretendo fazer”, afirmou
diretamente ao Papa Leão XIII (Giancarlo Giannini). Só que o destino da
missionária seria outro: Nova Iorque. Havia notícias de que os imigrantes
italianos na metrópole norte-americana viviam à beira da pobreza absoluta, além
de serem tratados como cidadãos de segunda classe. Com um grupo de
missionárias, Cabrini chega a Nova Iorque em 1889 com inúmeros desafios a
vencer. A começar pela língua inglesa, que não dominava, além da falta de apoio
das autoridades locais, inclusive as eclesiásticas. Cabrini descobriria que a
situação era muito pior do que imaginava, com muitos imigrantes, a maioria
crianças, vivendo nos túneis subterrâneos por onde passava o esgoto da cidade. Para
sensibilizar as autoridades municipais, Cabrini conseguiu convencer um
jornalista do Jornal New York Times a fazer uma reportagem a respeito da
situação. Ao longo dos anos, já naturalizada cidadã norte-americana, Cabrini
fundou hospitais, orfanatos e escolas. Seu trabalho de expandiu mundo afora, à frente da Ordem Cabrini, inclusive na China. Cabrini foi
canonizada pelo Papa Pio XII em 1946, tornando-se a primeira santa norte-americana.
Ainda bem que o cinema resgata essa história maravilhosa de amor ao próximo, coragem
e dedicação extrema. Completam o elenco John Lithgow, David Morse, Romana
Maggiora Vergano, Rolando Villazón e Jeremy Bobb. Além de contar com ótimo
elenco - destaque para o excelente desempenho da atriz italiana Cristiana Dell'Anna como Cabrini -, um roteiro bem elaborado e uma primorosa reconstituição de época, “Cabrini” conta uma
história que merecia ser revisitada e divulgada. Imperdível!
quinta-feira, 10 de abril de 2025
“ATAQUE TERRORISTA” (“OMERTA:
6/12”) – nos países de língua inglesa, “Attack on Finland”, 2021,
coprodução Finlândia/Estônia, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Aku
Louhimies, seguindo roteiro assinado por Jari Olavi Rantala e Antti J. Jokinen
(roteiro adaptado do livro “6/12”, de Ilkka Remes). Durante a comemoração do Dia
da Independência da Finlândia, 6 de dezembro, terroristas invadem o palácio
presidencial, matam diversos convidados e mantêm reféns o presidente Kosvivuo (Robert
Enckell) e outras autoridades importantes do país. No meio dos reféns está o
general Jean Morel (Zijad Gracic), um dos alvos dos terroristas, cujas
exigências incluem a soltura de um coronel assassino, pai de um dos terroristas. Também feita refém está a
agente especial Sylvia Madsen (Nanna Blondell), designada como guarda-costas do
general Morel. Depois de muitas negociações, os terroristas conseguem fugir
levando alguns reféns com destino à Estônia, onde está o mentor do ataque,
Leonid Titov (Juan Ulfsak). O agente Marcos Tanner (Jasper Pääkkönen), das
forças especiais da Finlândia, fica encarregado da difícil missão de resgatar
os reféns, aqui incluída sua colega Sylvia Madsen. “Ataque Terrorista” tem
muita ação, cenários deslumbrantes e suspense do começo ao fim. Um filmaço!
quarta-feira, 9 de abril de 2025
“O ÚLTIMO DUELO” (“THE LAST
DUEL”), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do
Norte, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ridley Scott, seguindo roteiro
assinado por Nicole Holof Cener, Ben Affleck e Matt Damon. Uma ótima história,
um diretor consagrado, um elenco de primeira e uma cenografia espetacular (cenários
deslumbrantes e uma primorosa reconstituição de época). Esses aspectos fazem
deste épico histórico, baseado em fatos reais detalhados no livro homônimo de
Eric Jager, lançado em 2004, um filmaço de tirar o fôlego. Na França medieval
(século XIV), um caso polêmico de estupro chegou à corte do Rei Charles VI
(Alex Lawther). O escudeiro Jacques Le Gris (Adam Driver) é acusado por
Marguerite de Carrouges (Jodie Comer) de tê-la estuprado. Para complicar a
situação, Marguerite é casada com sir Jean de Carrouges (Matt Dammon), amigo de
Le Gris. Os dois estiveram juntos em várias batalhas e solidificaram uma grande
amizade. Marguerite resolveu denunciar Le Gris para o marido e para as
autoridades. De início, não lhe foi dado o devido crédito, ainda mais que o
estuprador insistia em sua inocência. Resumindo, os dois ex-amigos duelariam
entre si, com um detalhe pra lá de mórbido: se Jean perdesse, Marguerite seria
imediatamente queimada. Para saber o que aconteceu, sugiro assistir a este
ótimo épico. Completam o elenco Ben Affleck, irreconhecível como o conde Pierre
D’Alençon, Serena Kennedy, Julian Firth, Marton Czokas, Chloe Harris, Chloé Lindau, Nathaniel Parker e Adam Nagaitis. O veterano diretor Ridley Scott, que está à beira dos 90 anos, ainda mantém o vigor com o qual nos brindou com filmes que
se tornaram clássicos, tais como “Thelma & Louise”, “Blade Runner” e “Falcão
Negro em Perigo”, entre tantos outros. Em “O Último Duelo”, Ridley Scott
comprova que é um craque também em cenas de ação, todas primorosas. Resumo da ópera:
mais um grande filme do diretor inglês. Não perca!
domingo, 6 de abril de 2025
“REAGAN”, 2024,
Estados Unidos, 2h15m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Sean McNamara,
seguindo roteiro assinado por Howard Klausner. Mais do que uma ótima
cinebiografia do 40º presidente norte-americano, “Reagan” apresenta um panorama
primoroso da situação política dos Estados Unidos e do mundo durante os anos
mais conturbados do Século XX. O roteiro é baseado no livro “O Cruzador: Ronald
Reagan e a Queda do Comunismo”, de Paul Kengor, lançado em 2006. No filme, a
história é apresentada sob o ponto de vista de um ex-agente da KGB, Viktor Petrovich (Jon Voight),
encarregado pela União Soviética de acompanhar todos os passos do então
presidente norte-americano. Ronald Reagan (1917-2007) é interpretado com muita
competência pelo veterano ator Dennis Quaid (quando jovem, por David Henrie).
Desde a infância e juventude, quando presenciou as bebedeiras homéricas do pai
alcóolatra, o primeiro emprego como salva-vidas, o sucesso como ator de
Hollywood, os dois casamentos, seu trabalho como diretor do sindicato dos
atores e seu ingresso na política, primeiro como governador e depois como
presidente, o filme acompanha a trajetória de Reagan apresentando como pano de
fundo o conjunto de acontecimentos políticos da época em que foi presidente,
exaltando sua aversão ao comunismo e seu poder de negociação, revelando sua firmeza
e, ao mesmo tempo, uma veia humorística que encantava os mais importantes
políticos da época, de Margaret Tatcher (Lesley-Anne Down) a Mikhail Gorbachev
(Aleksander Krupa). Completam o elenco Mena Suvari como Jane Wyman, primeira
mulher de Reagan, Penelope Ann Miller como Nancy Reagan, a segunda esposa,
Scott Stapp (Frank Sinatra), Kevin Dillon e Pat Boone. Segundo pesquisa feita
pelo portal Rotten Tomatoes, “Reagan” alcançou incríveis 98% de aprovação por
parte do público consultado. Realmente, é muito bom. Um filmaço!
"KOMPROMAT – O DOSSIÊ RUSSO” (“KOMPROMAT”), 2022,
França, 2h7m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérôme Salle (“A Odisseia”,
os filmes da franquia Largo Winch), que também assina o roteiro com a
colaboração de Caryl Ferey. A história é baseada na experiência real vivida
pelo diplomata francês Yoann Barbereau em 2016 e relatada no livro “Dans Les
Geôles De Sibérie”. No filme, Yoann transformou-se no personagem Mathieu
Roussel (Gilles Lellouche), que foi com a mulher e o filho para a cidade de
Irkutisk, na Sibéria, para comandar a Alliance Française, cujo objetivo era divulgar
a arte e a cultura francesa aos russos. Depois de promover uma peça de teatro na
qual dois atores se beijam na boca, Roussel é preso pelo FSB (Serviço Federal
de Segurança), que nada mais é do que a nova versão da antiga e sádica KGB.
Acusado de pedófilo e estuprador da própria filha, ele é levado para uma
penitenciária e jogado numa cela com presos de alta periculosidade. Quando
ficam sabendo de que o novo “colega” é estuprador, partem pra cima dele e o
agridem violentamente. Logo depois, o advogado contratado pela Embaixada da
França consegue a liberdade condicional de Roussel, que sai da cadeia usando
uma tornozeleira eletrônica, sair de casa em horários determinados e impedido
de usar celular. Ele fica sabendo que a esposa Alice Roussel (Elisa Lasowski) e
a filha voltaram para a França. Segundo relatório do FSB, foi Alice quem o
denunciou. Aqui, faço uma pausa para esclarecer que o termo “Kompromat” é
utilizado na Rússia como um dossiê falso concebido para incriminar opositores
do governo – na verdade, o FSB acreditava que o francês era espião. Roussel
pediu ajuda ao embaixador francês, que a negou com a desculpa de prejudicar o
relacionamento com a Rússia. O francês então empreendeu uma fuga maluca pelo
território russo, com o objetivo de chegar à fronteira da Estônia e então
conquistar a liberdade. A única pessoa a ajudá-lo foi a jovem russa Svetlana (a
atriz polonesa Joanna Kulig). As etapas da fuga e o sofrimento infringido a
Roussel, que passou fome e frio, além da perseguição por parte dos agentes da
FSB, são destacados em grande parte do filme, tornando-o um suspense de prender
a respiração. Mais interessante ainda é o fato de revelar uma história
verídica. Recomendo.
quinta-feira, 3 de abril de 2025
“GOLPE DE SORTE EM PARIS”
(“COUP DE CHANCE”), 2024, coprodução Estados Unidos/França, 1h36m,
em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Woody Allen. Este é o 50º filme
de Allen, Assisti a todos, desde o seu primeiro, “Um Assaltante Bem Trapalhão”,
de 1969. Aos 89 anos, Allen talvez não tenha vigor para dirigir mais algum
filme, mas se optar pela aposentadoria deixa um legado importante para o
cinema. Seus filmes são inteligentes, bem-humorados, saborosos, diálogos
primorosos etc. Enfim, um gênio. Neste “Golpe de Sorte em Paris”, Allen optou
por um suspense meio hitchcockiano, contando uma história repleta de
reviravoltas, todo falado em francês e ambientado, em sua grande parte, em
Paris. Fanny (a ótima Lou De Laâge) é casada com Jean (Melvil Poupaud), um rico
empresário do mundo dos investimentos. O casamento parece consolidado, até que
surge um antigo colega de escola de Fanny, o jovem Alain (Niels Schneider), metido
a poeta. Os dois acabam tendo um caso e, desconfiado, o marido Jean contrata um
detetive particular. Em meio a essa confusão, surge Camille (Valérie
Lemercier), mãe de Fanny, que terá um papel importante em todo o contexto da
história. Prefiro não discorrer mais para evitar algum spoiler. Além do
saboroso enredo, “Golpe de Sorte em Paris” se destaca pela qualidade estética
do visual, que leva a assinatura do veterano diretor de fotografia italiano
Vittorio Storaro, conhecido como “o mago da luz”, em seu 5º filme com Allen.
Outro destaque do filme é a trilha sonora, mais uma vez recheada de jazz
tradicional, desta vez incluindo uma gravação de 1966 – “Cantaloupe Island” –
com o pianista Herbie Hancock e o pistonista Nat Adderley. Resumo da ópera:
trata-se de um filme de Woody Allen e, portanto, imperdível, pelo menos para os
fãs do diretor, como eu.
terça-feira, 1 de abril de 2025
“HOLLAND”, 2025,
Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mimi Cave, seguindo
roteiro assinado por Andrew Sodorski. Seja em séries ou filmes, Nicole Kidman
é, há muitos anos, uma das atrizes mais requisitas pelos estúdios, sempre em
papéis importantes. Com justiça, pois ela é, além de bonita, muito competente.
Neste “Holland”, um misto de comédia, suspense e drama, Nicole é Nancy
Vandergroot, professora de uma escola na pequena cidade de Holland, no
Michigan. Ela é casada com Fred (Matthew), oftalmologista e diácono na igreja
local, com quem um filho, Harry (Jude Hill). A família é muito respeitada pela
comunidade, mas o casamento está por um fio. Nancy, desconfiada pelas tantas
viagens do marido para ministrar cursos e palestras, acha que que ele tem um
caso amoroso. Nancy conta essa desconfiança para Dave (o ator mexicano Gael García Bernal),
professor na mesma escola e seu amigo. Eles resolvem investigar as andanças de
Fred e acabam se envolvendo em muitas confusões. A partir de então, o suspense
corre solto, com inúmeras situações repletas de humor. Resumindo a história, os
amigos descobrirão que Fred esconde um segredo horripilante, numa reviravolta
que valoriza ainda mais esse ótimo suspense. Mais do que isso, “Holland” é um
filme esteticamente muito criativo e interessante, resultando num ótimo
entretenimento. Como informação adicional, confirmo que Holland realmente
existe. É uma pequena cidade do estado do Michigan fundada por pastores
holandeses em 1847. Não deixe de ver.
domingo, 30 de março de 2025
“PÁSSARO BRANCO – UMA HISTÓRIA
DE EXTRAORDINÁRIO” (“WHITE BIRD”), 2024, Estados Unidos, 2h1m,
em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Marc Forster (“O Caçador
de Pipas”, “A Última Ceia”, “Em Busca da Terra do Nunca”), seguindo roteiro
assinado por Mark Bomback. Trata-se da adaptação de “White Bird: A Wonder Story”,
livro em quadrinhos criado pela designer gráfica norte-americana R. J.
Palacio. A história acompanha a idosa Sara (Helen Mirren) contando
reminiscências de sua juventude ao neto Julien (Bryce Gheisar). De uma família
judia residente no interior da França, a jovem Sara (papel de Ariella Glaser)
viveu uma aventura e tanto durante a Segunda Grande Guerra, quando os nazistas
invadiram o seu vilarejo. Caçada para ser deportada para os campos de
concentração, Sara se escondeu no celeiro da fazenda de seu colega de escola
Julien (Orlando Schwerdt). Os pais de Julien, Vivienne (Gillian Anderson) e Jean
Paul Beaumier (Jo Stone-Fewings), acolheram a menina judia como se fosse sua
própria filha. Sem saber o destino de seus pais, Sara fica com a família
Beaumier até o final do conflito. Trocando em miúdos, esta é uma das mais belas
histórias ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial. Com um final feliz,
talvez por se tratar de ficção, ao contrário de tantas outras histórias
verdadeiras que tiveram o final trágico. Imperdível!
sábado, 29 de março de 2025
“EM EMERGÊNCIA” (“EMERGENCY”),
2025,
Índia, 2h26m, em cartaz na Netflix, direção de Kangana Ranaut, que também
escreveu o roteiro com a colaboração de Ritesh Xá. O roteiro utilizou como base
os livros “The Emergency”, de Coomi Kapoor, e “Priyadarshini”, de Jaiyanth
Sinho. Superprodução de Bollywood centrada na vida de Indira Gandhi
(1917-1984), personagem de grande importância na história política da Índia num período bastante conturbado. O
filme acompanha a vida de Indira desde 1929, ao mesmo tempo em que abre espaço
para os principais fatos que aconteceram no país, como sua Independência, a
guerra indo-chinesa, a crise de Assam em 1962, a guerra indo-paquistanesa em
1971, culminando com o assassinato de Indira, em 1984, por um de seus
seguranças. O título do filme refere-se ao período entre 1975 e 1977, quando
Indira declarou estado de emergência no país, suspendeu liberdades civis e
enfrentou oposição interna e internacional. Isso tudo como pano de fundo, o
roteiro acompanha a ascensão de Indira no campo político, destacando o período
em que foi primeira-ministra. A atriz Kangana Ranaut, que fez o papel de Indira
e dirigiu o filme, também é integrante do parlamento indiano. Ela é bonita e
ótima atriz, mas não achei boa sua performance como Indira. Ela utilizou nariz
postiço e peruca de mechas brancas, mas seu semblante jovial e sua beleza a traíram. De qualquer forma, o filme é muito bom como registro
histórico.
quinta-feira, 27 de março de 2025
“DUPLICIDADE” (“TYLER PERRY’S
DUPLICITY”), 2025, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na
Prime Vídeo, roteiro e direção de Tyler Perry. Trata-se de um drama policial
com muito suspense e reviravoltas. A “Duplicidade” do título diz respeito à
falsidade de alguns personagens, os famosos “lobos em pele de cordeiro”, gente de duas caras. Quando
um negro é assassinado por um policial branco, Los Angeles se transforma num barril
de pólvora, com revoltas, depredações e manifestações antirracistas. A vítima é
Rodney Blackburn (Joshua Adeyeye), não por acaso o mesmo nome daquele negro
morto por policiais em 2012 (Rodney King). A vítima era marido de Fela
Blackburn (Meagan Tandy), uma apresentadora popular de um programa jornalístico de TV. A advogada Marley Wells (Kat Graham), amiga da viúva, resolve comprar a
briga e levar o policial branco às barras da Justiça. No meio do caminho,
porém, começam a aparecer indícios de que há algo de muito errado acontecendo,
culminando com algumas reviravoltas que mudam todo o rumo da história e um
desfecho pra lá de surpreendente. O diretor Tyler Perry mantém o estilo que caracteriza
a maioria de seus filmes, denunciando sempre o racismo da sociedade branca do Tio Sam
e colocando os negros como seres superiores. Uma evidência disso é que as
atrizes negras são todas lindas, a cada cena parecendo ter saído de um salão de
beleza, maquiadas e super bem vestidas. Os atores negros são bonitos, sarados
e também vestidos com capricho. Todo esse estilo está em filmes do diretor como
“Divórcio em Família” e “Batalhão 6888”, entre tantos outros. Resumo da ópera: entre erros e
acertos, “Duplicidade” não decepciona, mas fica longe de merecer uma recomendação entusiasmada.
quarta-feira, 26 de março de 2025
“O SILÊNCIO DE MARCOS TREMMER”
(“EL SILENCIO DE MARCOS TREMMER”), 2024, coprodução
Espanha/Uruguai, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Miguel García de La
Calera, seguindo roteiro assinado por Javier Dampierre e Ricardo Urroz. Drama
sensível e comovente tendo como principal protagonista o publicitário Marcos
Tremmer (Benjamín Vicuña), que um dia recebe a chocante notícia de que está com
um câncer terminal. Com a cumplicidade do irmão médico, ele esconde a doença da
esposa Lucía (Adriana Ugarte), que acabara de passar por um luto doloroso por
causa da morte da irmã. Com o prognóstico de poucos meses de vida, Marcos
resolve mudar seu comportamento em relação a Lucía, passando a tratá-la mal para
que ela não sofra com sua morte. Além disso, ele deseja que Lúcia seja feliz
com outro homem. Claro que Marcos sofre muito com a situação, pois ama demais
Lucía, com quem é casado há 7 anos. Marcos consegue o objetivo de magoar a esposa,
mas uma reviravolta inesperada perto do desfecho muda toda a situação.
Completam o elenco Mirta Busnelli, Félix Gomez e Daniel Hendler. Recomendo.
segunda-feira, 24 de março de 2025
“GEORGE FOREMAN: SUA HISTÓRIA”
(“BIG GEORGE FOREMAN”), 2023, Estados Unidos, 2h9m,
direção de George Tillman Jr. (“Notorious”, “Homens de Honra”), também autor do
roteiro com Dan Gordon e Frank Baldwin. Quando soube da morte de George
Foreman, no dia 21 de março, naquela semana mesmo eu havia resolvido assistir a
este filme biográfico daquele que é considerado um dos maiores lutadores de boxe
do século XX, bicampeão mundial dos pesos pesados. E com um fato inusitado: sua
segunda conquista foi aos 45 anos. O filme conta sua história desde a infância,
adolescência e juventude, mostrando um jovem raivoso que partia para briga a
qualquer hora. Até que apareceu em sua vida Doc Broadus (Forest Whitaker),
técnico de boxe que viu naquele rapaz um potencial enorme para lutar
profissionalmente. Foreman (Khris Davis) enfrentou os melhores lutadores da
época, como o genial Muhammad Ali, Archie Moore, Sonny Liston, Joe Frazier e
Evander Holyfield. As cenas de luta são ótimas – algumas das quais reproduzidas
com flashes das verdadeiras. O roteiro também dá espaço para a
conturbada vida particular de Foreman, a pobreza na infância, sua opção de
abandonar os ringues para trabalhar como pastor e depois como empresário. O
filme é excelente, com um primoroso roteiro e um elenco de primeira. Não
precisa gostar de boxe para curtir este ótimo filme biográfico. Imperdível!
domingo, 23 de março de 2025
“FÚRIA” (“RABID”), 2019,
Canadá, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção das irmãs Jen e Sylvia Soska,
que também assinam o roteiro com John Serge. O filme é um remake de “Enraivecida
na Fúria do Sexo” (o título original também era “Rabid”), filme de 1977
dirigido pelo polêmico e veterano cineasta canadense David Cronenberg, pelo qual as irmãs
gêmeas cineastas confessam enorme admiração. Pois foi seguindo o estilo de
terror típico dos filmes de Cronenberg (“Crash: Estranhos Prazeres”, “A Mosca”,
entre tantos outros) que elas realizaram “Fúria”. Vamos à história: a recatada
Rose (Laura Vandervoort) trabalha como estilista no estúdio de moda do afetado
Gunter (Mackenzie Gray). Quando sofre um acidente de moto, ela fica totalmente
desfigurada, perdendo parte do rosto na altura da boca. Desesperada, Rose
ingressa como paciente voluntária em uma clínica que oferece um tratamento
radical e experimental com células-tronco não testadas. Um risco e tanto, mas ela
encara o desafio com muita coragem. O resultado é milagroso, pois Rose volta a
ter o seu antigo rosto bonito, mas as sequelas são terríveis. Até a metade de
sua duração, “Fúria” parece bastante promissor, preservando um cenário de
suspense muito bem elaborado. Da metade para o fim, porém, o filme descamba
para um terror de corpos estraçalhados, deformados e outras aberrações. Trocando
em miúdos, “Fúria” tem tudo para agradar quem gosta de ver sangue jorrando na tela.
sábado, 22 de março de 2025
“A CONTADORA DE FILMES” (“LA
CONTADORA DE PELÍCULAS”), 2023, coprodução
Chile/Espanha/França, direção da cineasta dinamarquesa Lone Scherfig, seguindo
roteiro assinado por Walter Salles (ele mesmo, o diretor de “Ainda Estou Aqui”),
Rafa Russo e Isabel Coixet, adaptado do romance homônimo escrito pelo novelista
e poeta chileno Hernán Rivera Letelier. Trata-se de mais uma bela, sensível e
tocante homenagem ao cinema. A história é centrada numa família que vive numa pequena
cidade no deserto do Atacama (Chile), cuja maioria dos habitantes trabalha em
uma mina de salitre chefiada por Nansen, papel do ator Daniel Brühl. Medardo (o ator espanhol Antonio de La Torre) e Maria
Magnolia (Bérénice Bejo, atriz argentina radicada na França) e seus quatro
filhos vão ao cinema todos os domingos. Maria Margaríta (quando criança, Alontra
Valenzuela, e quando jovem, interpretada por Sara Becker), é a mais nova dos
quatros irmãos e a que mais curte os filmes exibidos pelo pequeno cinema da
cidade, a maioria deles de Hollywood. O programa familiar de domingo, porém, seria prejudicado
depois que Medardo sofre um acidente e fica impossibilitado de trabalhar,
afetando a situação financeira da família. Para economizar, o casal resolve comprar apenas um ingresso para as sessões de cinema no domingo e a escolhida
para assistir é Maria Margaríta, pois ela sempre demonstrou capacidade para
reproduzir as falas dos atores, descrever as situações e interpretar a
história. Sua fama de “contadora de filmes” chegou aos vizinhos, que, em
sessões especiais, acompanhavam com toda atenção o desempenho da menina. E
assim segue a história, acompanhando a família desde o final dos anos 50,
percorrendo a década de 60 e chegando ao final em 1973, quando um golpe militar
depôs o presidente Salvador Allende. “A Contadora de Filmes” é mais um daqueles
filmes para ficar do lado esquerdo do peito de qualquer cinéfilo, como tantos outros
filmes que também homenagearam o cinema, entre os quais considero “Cinema
Paradiso” o melhor de todos.
quarta-feira, 19 de março de 2025
“ADOLESCÊNCIA” (“ADOLESCENCE”),
2025, Inglaterra, minissérie da Netflix em 4 episódios, direção de Philip
Barantini (“Enola Holmes 3”, “O Chef”, “Villain”) em 4 episódios, criação e roteiro
de Stephen Graham (ator da minissérie) e Jack Thorne. Acusado de ter
assassinado uma colega de escola, o adolescente Jamie Miller (Owen Cooper, em
sua estreia como ator), de 13 anos, é preso em casa e levado à delegacia. O
jovem é interrogado pelos detetives Luke Bascomber (Ashley Waters) e Misha
Frank (Faye Marsay), teimando sempre que não cometeu o assassinato. Eddie
(Stephen Graham) e Manda (Christine Tremarco), os pais de Jamie, além da sua
irmã também adolescente Lisa (Amelie Pease), também afirmam ter certeza de que
o menino é inocente. Os policiais buscam testemunhas entre os colegas de
colégio, sugerindo que entre eles possa estar o verdadeiro assassino ou talvez
um cúmplice ou uma testemunha. Até que um vídeo acaba mostrando toda a verdade. Evidente que não vou dar
nenhum spoiler sobre o que acontece no final da história. O que posso
garantir é que a minissérie é excelente, muito acima da média de outras do
gênero, mas exige uma certa paciência por parte do espectador, já que o roteiro
se baseia em diálogos, muitos dos quais de fundo psicológico, tentando saber o
que se passa na cabeça dos adolescentes da atual geração. O longo diálogo entre
o jovem acusado e a psicóloga Briony (Erin Doherty) é bastante esclarecedor. A
grande sacada do diretor foi filmar cada episódio num único plano-sequência,
sem cortes, fazendo com que vários personagens apareçam na próxima cena cruzando
com aqueles que estavam na cena anterior. Uma aula de cinema, um achado que
acabou se constituindo em um dos principais trunfos desta minissérie, além do excelente elenco. Não
perca!
domingo, 16 de março de 2025
“LEE MILLER: NA LINHA DE
FRENTE” (“LEE”), 2023, Inglaterra, em cartaz na Prime Vídeo,
1h57m, direção de Ellen Kuras, seguindo roteiro assinado por Liz Hannah e John
Collee. A história é baseada em fatos reais da vida da norte-americana Elizabeth
“Lee” Miller (1907-1977), que ficou famosa como modelo, fotógrafa e correspondente de
guerra. O filme retrata Lee Miller desde a época em que foi modelo – década de
30 – e logo em seguida fotógrafa de moda da revista Vogue francesa e
correspondente de guerra no final da Segunda Guerra Mundial. Ela ficou famosa
depois de cobrir a libertação de Paris dos nazistas em 1944 e pelas fotografias
chocantes que fez nos campos de concentração de Buchenwald e Dachau, na
Alemanha. A foto dela tomando banho na banheira particular de Hitler, tirada por seu amigo também fotógrafo David Scherman, ficou ainda mais famosa. Além dessa incrível história, o filme conta com um elenco de primeira
linha, a começar pela a atriz inglesa Kate Winslet como Lee Miller – por esse
papel, foi indicada ao Globo de Ouro –, além de Marion Cottilard, Andy Samberg,
Alexander Skarsgard, Andrea Riseborough, Noèmie Merlant, Enrique Arce, Josh
Connor e Samuel Barnett. Como informação adicional, lembro que o roteiro foi
baseado no livro “The Lives of Lee Miller”, de 1985, escrito por Antony
Penrose, filho de Lee e Roland Penrose. Resumo da ópera: um filmaço!
sábado, 15 de março de 2025
“O SILÊNCIO DA VINGANÇA” (“SILENT
NIGHT”), 2023, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de John Woo, seguindo roteiro assinado por Robert Archer Lynn. Filme
mudo em pleno século XXI? Pois é, o filme não tem diálogos, apenas gritarias, barulho de
tiros, pancadarias, derrapagens,
perseguições. Estamos em Los Angeles, onde a violência urbana e a guerra entre
gangues levam pânico à população – não lembra uma tal de cidade maravilhosa? Num
desses tiroteios, uma bala perdida atinge e mata um garoto de 7 anos que
brincava com o pai e mãe no jardim da casa. Brian Godlook (Joel Kinnaman), o
pai, leva um tiro no pescoço e perde a voz. Ele se recupera do ferimento e jura
vingança. Passa o ano inteiro treinando artes marciais, tiro ao alvo e derrapagens
no Mustang usado que acabara de comprar. O filme segue um longo caminho sem
qualquer ação e ficamos sentados na poltrona assistindo Brian se exercitando, o
que exige muito da nossa paciência. Além de Kinnaman, o elenco de “mudos” conta com
Catalina Sandino Moreno, Harold Torres, Valeria Santaella, Kidi Cudi e Anthony
Giulietti. Só no desfecho é que a ação toma conta, com boas cenas executadas
com maestria pelo cineasta chinês John Woo. O resultado final, porém, é
decepcionante. “O Silêncio da Vingança” foi considerado pela crítica
especializada como o pior filme de Woo em Hollywood - seu último filme na terra de Trump foi "O Pagamento", em 2003. E olha que o cineasta chinês
tinha o crédito de ter dirigido ótimos filmes de ação nos States, tais
como “O Alvo” – seu primeiro nos Estados Unidos, em 1990, com Jean-Claude Van
Damme -, além de “A Outra Face”, “O Alvo”, “Fervura Máxima” e “Missão
Impossível 2”, entre outros. Não à toa que “O Silêncio da Vingança” foi um
grande fracasso de bilheteria nos Estados Unidos e no Canadá. Realmente, muito
fraco.
quinta-feira, 13 de março de 2025
“DELICIOUS” (a
Netflix manteve o título original), 2025, Alemanha, 1h42m, roteiro e direção de
Nele Mueller-Stöfen (é o seu primeiro longa). Suspense na linha de “Parasita” e
“O Menu”, explorando a questão da luta de classes. Neste filme alemão, falado
em francês, alemão e inglês, uma família rica vai passar as férias de verão em
sua luxuosa vila francesa na Provença. Numa noite, voltando de um restaurante,
o carro da família atropela uma jovem. O desespero toma conta de John (Fahri
Yardim), o pai, que dirigia o veículo e tinha bebido um pouco a mais. Sua
esposa, Esther (Valerie Pachner), resolve cuidar da moça pessoalmente, evitando
levá-la para um hospital e também uma eventual comunicação à polícia, já que o
marido havia bebido. A vítima, Theodora (Cara Días), de origem espanhola, acaba
se aproximando da família até ser contratada como empregada da casa. Theodora,
porém, tem planos sórdidos para a família, começando por influenciar Esther a
se aventurar fora do casamento. Aos poucos, a gente percebe que a família alemã
é bastante desajustada e que a história não acabará bem. E, pior, de uma forma
bastante trágica e inusitada, justificando o título do filme. “Delicious” é um
suspense muito interessante, que prende a atenção do começo ao desfecho. Enfim,
um filme do gênero suspense acima da média.





















