“MORTE ANTES DO CASAMENTO” (“ZGON
PRZED WESELEM”), 2025, Polônia, 1h46m, direção de Tomasz Konecki
e Iwona Ogonowska-Konecka, seguindo roteiro escrito por Hanna Wesierska e
Karolina Szymczyk-Majchrzak. Comédia leve, simpática e agradável de assistir.
Numa pequena cidade do interior, o gerente de uma fábrica de laticínios é
encontrado morto e a dúvida é quem o substituirá, gerando uma acirrada disputa
entre os funcionários, um deles Mirek (Tomasz Kapolak), o mais antigo e, portanto, o mais indicado. Só tem um problema: a situação financeira da
empresa é preocupante. Como se não bastasse, Maja (Natalia
Iwanska), filha de Mirek, chega à cidade para apresentar seu noivo, o holandês
Milosz (Gamou Fall), que por ser negro de início não agrada a família, mas Maja
anuncia que vai se casar com ele nos próximos dias. Graças ao roteiro esperto,
todas essas situações rendem bons momentos de humor. Alguns deles, porém,
dispensáveis, como a cena em que as mulheres descem um morro virando cambalhotas.
Dispensável e sem graça. Entretanto, o filme como um todo agrada como comédia, proporcionando
um entretenimento leve e divertido. Completam o elenco Agnieszka Suchora,
Paulina Garazka, Waleria Gorobets, Natalia Sitarska e Antoni Pauwlicki, só para citar os mais conhecidos.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
“FORÇA DA NATUREZA – THE DRY 2”
(“FORCE OF NATURE: THE DRY 2”), 2024, Austrália, 1h52m, em
cartaz na Prime Vídeo, direção de Robert Connolly (“Segredos do Passado”). A
história é baseada no livro “Force Of Nature”, de Jane Harper, também autora do roteiro juntamente com o diretor. Trata-se de um suspense policial com pouca ação, sem tiros, sem
pancadarias, sem perseguições. Começa com um grupo de cinco mulheres
participando de um ridículo roteiro corporativo, ou seja, funcionárias de uma
empresa tentando se integrar e trabalhar em equipe. A missão delas é fazer uma
longa caminhada no meio de uma floresta, enfrentando subidas e descidas íngremes,
mosquitos, aranhas, noites frias etc. Sem experiência em enfrentar tal tipo de desafio, as
moças acabam perdidas. Quando conseguem voltar da caminhada, uma delas simplesmente sumiu. O
desaparecimento da moça é comunicado à polícia, que envia os agentes Aaron Falk
(Eric Bana) e Carmen Cooper (Jacqueline McKenzie) para investigar o caso. Entre
inúmeros flashbacks mostrando as cinco mulheres na floresta, o filme
destaca os interrogatórios dos policiais com as quatro sobreviventes. Muito blá
blá blá e pouco conteúdo. Aparece até a possibilidade da moça desaparecida ser uma informante da polícia sobre um esquema de lavagem de dinheiro. E finalmente
chega o desfecho, que todo espectador ficou torcendo para chegar logo, pois o
filme é muito fraco. Participam também do elenco Anna Torv, Sisi Stringer, Debora-Lee
Furness, Richard Roxburg, Jeremy Lindsay
Taylor, Ash Ricardo, Robin McLeavy e Lucy Ansell.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
“CONTRATO PERIGOSO” (“THE
CONTRACTOR”), 2022, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção do cineasta sueco Tarik Saleh (“Metropia”, “O Garoto dos
Céus”, “Tommy”), seguindo roteiro de J.P. Davis. Filme de ação trazendo o ator
Chris Pine como James Harper, fuzileiro naval dispensado das Forças Especiais
dos EUA depois de um exame de sangue. Atolado em dívidas e preocupado em
sustentar a mulher e o filho, ele concorda em participar de uma missão para uma
organização secreta paramilitar comandada por Rusty Jennings (Kiefer
Sutherland). Juntamente com o ex-companheiro de exército Mike (Ben Foster) e
outros dois mercenários, Harper vai para Berlim com o objetivo de se apoderar de
uma fórmula secreta referente supostamente a uma arma química que seria
utilizada por terroristas islâmicos. Depois de concluída a missão, o grupo de
Harper é cercado pela polícia berlinense, e apenas ele e Mike conseguem
escapar, se escondendo no que parece ser um túnel de esgoto. Depois de ficar
perambulando por Berlim, Harper consegue retornar aos Estados Unidos, quando
descobrirá uma trama das mais sórdidas que o levará a uma vingança. Ou seja, uma reviravolta no enredo que
colocará tudo nos seus devidos eixos. O filme conta com ainda no elenco com a atriz
alemã Nina Hoss numa participação especial, Fares Fares e Eddie Marsan. Como
filme de ação, “Contrato Perigoso” até que funciona, mesmo que a história não
seja muito convincente.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
“O ASSASSINO DO CALENDÁRIO” (“DER
HEIMWEG”), 2024, Alemanha, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Adolfo J. Kolmerer, seguindo roteiro assinado por Susanne Schneider. A
história é baseada no livro “Walk Me Home”, best-seller escrito por
Sebastian Fitzek. Jules (Sabin Tambrea), atendente de um serviço telefônico de
apoio à segurança de mulheres solitárias a caminho de suas casas à noite e de madrugada, recebe a
ligação de uma mulher desesperada que diz estar sendo seguida pelo Assassino do
Calendário. Ela se identifica como Klara (Luise Heyer) que, depois ficaremos
sabendo, é esposa de Martin (Friedrich Mücke), um funcionário do alto escalão
do governo alemão prestes a ser nomeado secretário. Martin costuma agredir
Klara, além de colocá-la frequentemente em situações constrangedoras, como numa
ida a um clube exclusivo, onde ela é agredida e estuprada. Enquanto conversa
com Jules, Klara é perseguida por um homem misterioso cuja identidade só será
revelada ao espectador no desfecho. Confesso que não entendi grande parte da
história e a motivação dos personagens com relação às suas atitudes. A
fotografia, sombria e escura o tempo todo, também dificulta o entendimento e
torna o filme ainda mais desagradável. Isso mesmo, desagradável, angustiante e
incompreensível. Faço uma exceção à ótima atuação da jovem atriz Luise Heyer,
talvez o único ponto positivo desse suspense alemão. Não vou recomendar, ressaltando, porém, que
a democracia também faz parte do cinema: assiste quem quiser.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
“BOA SORTE, LEO GRANDE” (“GOOD
LUCK TO YOU, LEO GRANDE”), 2022, Inglaterra, 1h37m, em cartaz
na Netflix, direção da cineasta australiana Sophie Hyde, seguindo roteiro assinado
por Katy Brand. Imagine um filme com apenas dois protagonistas em cena. O cenário
é um quarto de hotel. A professora aposentada Nancy Stokes (Emma Thompson) contrata
o garoto de programa Leo Grande (Daryl McCormack). O primeiro encontro serve
mais para os dois se conhecerem melhor através de muita conversa, confidências
e desabafos, quase uma sessão de terapia. O sexo é o tema principal, já que ela
relembra a falta dele num casamento morno, sem nenhuma emoção e nenhum orgasmo.
Ele responde lembrando o relacionamento com a mãe, que até hoje não sabe que o
filho é um garoto de programa. O sexo entre Nancy e Leo fica para o fim. No
segundo encontro, no mesmo quarto de hotel, o papo rola com mais desenvoltura, mas
o encontro não acaba bem. No terceiro encontro, depois de muita conversa, eles,
principalmente ela, se entrega totalmente e é aqui que a veterana atriz inglesa
mostra todo o seu enorme talento em algumas cenas que também exigiram muita
coragem – cenas de nudez e sexo. Embora o filme mostre apenas um casal em cena
do começo ao fim, em nenhum momento o espectador terá sono. Os diálogos são
espertos, bem humorados, e os dois atores parecem estar bem à vontade. É um
filme direcionado para um público adulto e, certamente, será melhor absorvido
pelas mulheres de meia idade, que se colocarão na pele de Nancy. O filme
recebeu indicações aos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator no British Academy
Film Awards. Emma Thompson também disputou o Globo de Ouro de Melhor Atriz.
Resumo da ópera, trata-se de um filme no mínimo interessante que deve ser
visto.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
“CONSENTIMENTO” (“APRÈS LE
SILENCE”), 2022, França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de
Jérôme Cornuau (“Chic!”, “Brigadas do Tigre”, “Dissonances”), seguindo roteiro
assinado por Raphaëlle Roudaut. A temática do filme é das mais atuais: o
assédio sexual, o sexo sem consentimento, ou seja, o estupro. A história é
baseada em fatos reais. A professora Marina (Caroline Anglade) vai à polícia
denunciar o ex-marido Gregory (Clovis Cornillac), com o qual teve o filho Tom,
por violência sexual. Sem apresentar testemunhas, o caso acaba virando “Minha
palavra contra a dele”, e o caso é arquivado. Mas Marina segue em frente, ainda
mais depois que Gregory ameaça entrar na Justiça com pedido de guarda total de
Tom, alegando insanidade mental da ex-mulher e também o fato dela estar
desempregada e, portanto, sem conseguir sustentar o filho. Marina tentará de
todas as maneiras comprovar sua denúncia, nem que para isso recorra a uma
ex-namorada de Gregory, Samia (Samira Laccab) e a atual dele, Chloe (Alice
David). O espectador, e, principalmente, a espectadora, aguarda com ansiedade o
desfecho do caso. Será que Marina está mentindo? Antes dos créditos finais é
apresentado um balanço dos casos de assédio sexual e estupro na França. O filme
foi produzido e exibido pela France Télévisions. Não confundir com outro filme
francês, este de 2023, também intitulado “Consentimento” (“Le Consentement”).
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
“REALITY”, 2023,
Estados Unidos, 1h23m, em cartaz na Netflix, direção de Tina Satter, que também
assina o roteiro com a colaboração de James Paul Dallas. Baseada em fatos
reais, trata-se de uma adaptação para o cinema da peça de teatro “In This a
Room”, escrita por Tina Satter e encenada, com grande sucesso, na Broadway. É
quase um documentário, restrito à sala de uma casa, onde os agentes Garrick
(Josh Hamilton) e Taylor (Marchánt Davis), do FBI, em 2017, interrogam Reality
Winner (Sydney Sweeney), suspeita de fornecer informações confidenciais do
governo dos EUA para o site de notícias “The Intercept”. O interrogatório foi
gravado e sua transcrição integral serviu como base para o texto da peça e do
filme. Os diálogos do interrogatório exigem muita paciência do espectador.
Chegam a ser enfadonhos na medida em que os agentes não vão direto ao ponto, ficam
rodeando com perguntas aleatórias, tentando minar as defesas de Reality.
Verdadeiro manual de persuasão psicológica do FBI. Ainda sobre a história de Reality Winner,
presa por espionagem e traição, foi feito um filme em 2024 intitulado “A
Informante” (“Winner), em cartaz na HBO Max, muito melhor e mais esclarecedor
do que “Reality”. Na dúvida, vá de “A Informante”.
domingo, 9 de fevereiro de 2025
“A ORDEM” (“THE ORDER”), 2024,
coprodução EUA/Canadá, 1h56m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Justin
Kurzel (“Nitram”, “Snowtown”), seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. A
história é baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 80 narrados
no livro “The Silent Brotherhood”, de Kevin Flynn e Gary Gerhardt. Encarregado
de investigar uma série de assaltos a bancos, carros-fortes, falsificação de
dinheiro e atentados à bomba na pequena cidade de Coeur D’Alene (Idaho) e outras
cidades da região, o experiente agente do FBI Terry Husk (Judy Law) chega à conclusão
de que os crimes estão sendo cometidos por supremacistas brancos integrantes de
uma célula neonazista intitulada “A Ordem”. Auxiliado pelo detetive Jamie Bowen
(Tye Sheridan) e sua equipe da polícia local, Husk tentará conter os criminosos,
cujo principal objetivo é continuar promovendo assaltos e atentados mais violentos e até derrubar o
governo federal. O grupo racista é chefiado por Bob Mathews (Nicholas Hoult, de
“O Jurado nº 2”), um extremista fanático e violento. “A Ordem” é um filme com
muita tensão e violência, conduzido de forma magistral pelo cineasta
australiano Justin Kurzel. Garanto: é o melhor lançamento do ano, até agora, da
Prime Vídeo. Não perca!
sábado, 8 de fevereiro de 2025
“DESAPARECIDOS” (“VANISHING”),
em
cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução França/Coreia do Sul, 1h28m, direção de
Denis Dercourt, que também assina o roteiro com Marion Dessout. A história é
baseada no livro “The Killing Room, escrito por Peter May. Famosa por ter
inventado uma técnica revolucionária no campo da restauração e identificação de
cadáveres danificados, a médica cientista forense francesa Alice Launey (Olga
Kurylenko) viaja para Seul (Coreia do Sul) para proferir palestras sobre sua descoberta. Durante esse trabalho ela é procurada pelo detetive Park Jin-Ho
(Yoo Yeon-Seok) para ajudá-lo a identificar uma mulher encontrada morta à beira
de um rio. As investigações prosseguem e a polícia de Seul, graças à ajuda da
médica francesa, chegam à conclusão de que o caso envolve o tráfico de órgãos
humanos. Muito suspense até o desfecho, o que prende a atenção do espectador. Além
da história em si, desenvolvida por um primoroso roteiro, a presença sempre marcante da atriz
ucraniana Olga Kurylenko é o grande trunfo do filme. As imagens de Seul,
principalmente as aéreas, são outro destaque. Outro detalhe interessante: o filme é falado em inglês, francês, coreano, mandarim e até em português. Resumo da ópera: trata-se de
um ótimo suspense, muito acima da média. Não perca!
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
“HEREGE” (“HERETIC”), 2024, Estados Unidos, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Scott Beck e Brian Woods (“A Casa do Terror”, “Um Lugar Silencioso”). Terror psicológico cuja história é toda ambientada num cenário único. Reúne três personagens principais: as jovens missionárias sister Barnes (Sophie Tatcher) e sister Paxton (Chloe East), além de Mr. Reed (Hugh Grant), um sujeito solitário e excêntrico. São eles que participarão de toda a trama. Começa com as missionárias chegando num casarão isolado, propriedade de Mr. Reed, aparentemente um homem bastante simpático e receptivo, mas que logo mostrará sua face tenebrosa. Tenebrosa também é a casa, que lembra muito o Bates Motel, de “Psicose”, clássico de 1960 dirigido por Hitchcock. Reparem: o plano que mostra a fachada da casa é praticamente o mesmo, tudo envolto em neblina. Dentro da casa, as missionárias e Mr. Reed conversarão muito sobre religião e questões existenciais. Essas discussões são enfadonhas e chegam a irritar o espectador. A história toda é sem pé nem cabeça, tronco e membros. Não há uma explicação plausível para o que está acontecendo. O resultado final é decepcionante. Não sei se é o caso, mas o ator inglês Hugh Grant, de tantos filmes muito bons, desta vez errou feio na escolha ou está muito precisando de grana. Mais uma vez vou contra a corrente dos comentaristas profissionais, que gostaram do filme. Eu achei muito fraco.
“A CHAVE DO PROBLEMA” (“THE
LOCKSMITH”), 2023, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Nicolas Harvard, seguindo roteiro assinado por John
Glosser, Chris Lamont, Ben Kabialis e Joe Russo. A história é centrada no
ladrão Miller Graham (Ryan Phillippe), preso no começo do filme quanto
praticava um roubo, colocando em prática sua especialidade de chaveiro. Dez
anos depois ele sai em liberdade condicional disposto a reconstruir sua vida ao
lado de Beth Fisher (Kate Bosworth), sua antiga namorada, e de Lindsay
(Madeleine Guilbot), filha de ambos. Só que Miller terá que enfrentar um problema:
April Reyes (Gabriela Quezada), irmã do parceiro de Miller no roubo, está
precisando de dinheiro e exige que ele resolva seu problema. Afinal, o irmão de
April foi assassinado durante o roubo com Miller. A situação acaba se
complicando ainda mais depois que a polícia começa a perseguir Miller acusando-o
de um novo assalto. Se não bastasse tudo isso, Beth Fisher, sua antiga namorada,
é uma destacada detetive da polícia local. Embora tenha algum suspense, o filme é de pouca ação,
acentuando o ritmo lento e uma história pouco interessante. O roteiro tem
alguns furos – não são de bala -, e a trama não deslancha em nenhum momento. Vale destacar no elenco a presença de Ryan Phillippe e Kate Bosworth, que, apesar de bons atores, nunca deslancharam em Hollywood. De
qualquer forma, dá para assistir "A Chave do Problema" (o título em português é horrível) sem compromisso com a inteligência.
domingo, 2 de fevereiro de 2025
“DE SOMBRA E SILÊNCIO” (“NE M Á
TAJEMSTVI”), 2023, República Tcheca, 1h41m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Tomas Masin (“Brothers", “3 Seasons In Hell”), que
também assina o roteiro com Alice Nellis. Drama familiar, suspense, policial,
tudo junto e misturado, uma história com algumas reviravoltas e um desfecho
inesperado. O filme é centrado no veterinário Martin (Marian Mitas), que sofre
um grave acidente de trabalho – um coice de cavalo na cabeça, tem lesão cerebral
que o faz perder a habilidade de falar, prejudica os movimentos e a compreensão
do que os outros falam. O acidente terá consequências no seu casamento com
Erika (Jana Plodková) e no relacionamento desta com Dana (Milena Steinmasslová),
mãe de Martin. Em meio a este conflito familiar ainda surge em cena Jana
(Magdaléna Borová), dona da fazenda onde ocorreu o acidente. Aos poucos, alguns
segredos começam a ser revelados, tumultuando a fase de recuperação de Martin,
que tenta duas vezes o suicídio e finalmente morre sob circunstâncias bastante
misteriosas. O primoroso roteiro alterna cenas em flashbacks com a polícia
interrogando as três mulheres da vida de Martin, além de médicos e enfermeiras
do hospital onde ele é encontrado morto. A situação prende a atenção do espectador
até o incrível e surpreendente desfecho. Premiado em vários festivais europeus,
“De Sombra e Silêncio” é, sem dúvida, um dos melhores filmes já produzidos na
República Tcheca. Imperdível!
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
“ALERTA! TEMPORADA DE TUBARÕES”
(“L’ANNÉE DU REQUIN”), 2022, França, 1h27m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção dos irmãos gêmeos cineastas Zoran e Ludovic Boukherma
(“Teddy”, “O Homem de Argila”). Numa pequena cidade costeira no sul da França,
as férias de verão têm início trágico: um surfista aparece morto, estraçalhado
por um tubarão. Para não estragar as férias do vilarejo e o risco para os
milhares de turistas que chegam nessa época, uma equipe de policiais marítimos
é encarregada de encontrar e matar o tubarão. A chefe dessa equipe é a experiente
policial Maja Bordenave (Marina Foïs), também ativista em prol da preservação
marinha e meio ambiente. Auxiliada pelos policiais assistentes Engénie
(Christine Gautier) e Blaise (Jean-Pascal Zadi), Maja parte para o alto mar em
busca do predador. E o encontra, mas, ao invés de matá-lo, o atinge com um
dardo sedativo, aprisionando-o numa piscina adaptada. Diante desse fato, Maja
se transforma em celebridade em seus últimos dias de trabalho, pois logo depois
se aposenta. O tubarão volta ao mar e logo aparece outra vítima fatal. Maja
passa a ser chamada de assassina e resolve voltar ao batente decidida a matar o
animal. O resultado final do filme francês não é dos melhores, mas serve para
uma sessão sem compromisso numa tarde chuvosa. Outro filme francês sobre tubarões é "Sob As Águas do Sena", na Netflix, produção de 2024.
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
“ELENA SABE” (“ELENA SABE”), 2023,
Argentina, 1h44m, em cartaz na Netflix, direção de Anahí Berneri (“Alanis”, “Um
Año Sin Amor”), seguindo roteiro assinado por Gabriela Larralde. Trata-se de um
drama baseado no romance homônimo de 2007 da consagrada escritora, roteirista e
dramaturga argentina Claudia Piñero. O livro foi um grande sucesso de vendas, o
que o levou a esta adaptação cinematográfica. Elena (Mercedes Morán) e Rita
(Erica Rivas), respectivamente mãe e filha, vivem uma relação conflituosa.
Elena sempre foi uma mãe dominadora, amargurada e intransigente. Rita (Miranda
de la Serna quando jovem) não tinha vida própria, suas ações sempre comandadas
pela mãe autoritária. A situação de Rita piorou ainda mais quando Elena começou
a ficar doente, sofrendo de um Mal de Parkinson progressivo. Na verdade, Rita
virou a cuidadora da mãe, sem tempo para a vida pessoal. O drama familiar iria complicar ainda mais quando
Rita é encontrada morta, enforcada, no campanário da igreja que costumava
frequentar. Tudo leva a crer que foi suicídio, mas Elena não acredita. Ela acha
que a filha foi assassinada. E por aí vai a história até o desfecho, Elena,
mesmo doente, tentando encontrar pistas que levem a um suposto assassino.
Completam o elenco Susana Pamín, Marcos Montes, Marcos Ferrante, Agostina Muñoz
e Mónica Gonzaga. Embora em ritmo lento e um tanto arrastado, o filme tem
alguns trunfos para agradar a plateia, o maior deles o sensacional desempenho
da veterana atriz Mercedes Morán, conhecida por atuar em alguns dos melhores
filmes argentinos, como “Um Amor Inesperado”, “O Pântano”, “Norma” e “O Anjo”,
entre outros. Em “Elena Sabe” ela mostra mais uma vez seu enorme talento.
“A GRANDE DESCOBERTA” (“GENOMBROTTET”),
2025,
Suécia, minissérie de 4 episódios em cartaz na Netflix, direção de Lisa Siwe, que
também assina o roteiro com a colaboração da jornalista Anna Bodin e do
genealogista Peter Sjölund, autores do livro “Genombrottet: Sà Löste
Släktforskaren Dubbelmordet i Linköping”. A história descrita no livro é
baseada em fatos reais ocorridos a partir de 2004, quando ocorreu um duplo
homicídio na pequena cidade de Linköping, localizada ao sul da Suécia. Mohamad
Ammori, de 8 anos, e Anna-Lena, de 56 anos, foram esfaqueados e mortos numa
praça, em plena luz do dia. O detetive John Sundin (Peter Eggers) ficou responsável
pela investigação e, por 16 anos, o assassino ficou livre, leve e solto. Até
que, em 2020, Sundin tomou conhecimento de um trabalho inovador do genealogista
Per Skogkvist (Mattias Nordkvist). Segundo ele, ao pesquisar parentes distantes
utilizando bancos de dados genéticos públicos, a polícia poderia identificar um
assassino. Confesso que tentei entender essa teoria, explicada no filme, mas minha
inteligência limitada não permitiu. De qualquer forma, foi a primeira vez que
uma pesquisa genealógica conseguiu desvendar um crime na Europa. Ao contrário
da maioria das séries com 8 episódios ou mais, “A Grande Descoberta” não
precisa “encher linguiça”. Os quatro episódios preenchem todas as lacunas da
história, sem precisar se alongar em tramas paralelas. Termino afirmando que
esta é uma minissérie que vale a pena assistir, principalmente por explorar um
fato real.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
“MEU PAI, O ASSASSINO” (“LA
FILLE DE L’ASSASSIN”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h46m,
em cartaz na Prime Vídeo, direção de Carole Kornmann (das séries “A Legista” e “Les
Dames”), seguindo roteiro assinado por Natalie Carter e Ève de Castro. A
história é baseada no romance “The Girl Without a Face”, de Patricia MacDonald,
lançado em 2005. Feito para ser exibido nas emissoras França Télévisions e
RTBF (belga), o filme é um drama familiar recheado de suspense e reviravoltas. Depois
de 15 anos preso, acusado de assassinar a esposa, Pierre Adelin (Bruno
Wolkowitch) é libertado em condicional. Apoiado pela filha Nina (Chloé Chaudoye),
que sempre acreditou na sua inocência, ao contrário dos seus dois irmãos, Pierre
decide sair atrás do verdadeiro assassino e provar que não é culpado. O roteiro
de “Meu Pai, O Assassino” prevê muitas surpresas e reviravoltas, mantendo a
tensão do começo ao fim. Mérito para os roteiristas. Também estão no elenco
Nicolas Gob, Barbara Probst, Emmanuel Bordier, Ann-Gisel Glass e Samir Boitard.
Trocando em miúdos, o filme é muito interessante e merece ser visto por quem
gosta de filmes de qualidade. Uma ótima surpresa meio escondida no catálogo da
Prime Vídeo.
“PACTO DE REDENÇÃO” (“KNOX
GOES AWAY”), 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na
Prime Vídeo, segundo filme na direção do ator Michael Keaton (o primeiro foi “Má
Companhia”, de 2008), seguindo roteiro assinado por Gregory Poirier. Como ator,
Keaton já comprovou muita competência, tanto que é um dos astros consagrados de
Hollywood. Neste seu segundo filme como diretor, Keaton é responsável por um
filme acima da média, principalmente quando falamos do gênero suspense
policial. Keaton é John Knox, um assassino de aluguel que trabalha há anos para
o mafioso Xavier Crane (Al Pacino, cada vez mais canastrão). Em sua mais
recente missão, ele assassina um traficante e a amante, mas também mata por
engano um colega de trabalho, mais um indício de que sua cabeça não anda muito
bem. Ao consultar um neurologista e fazer alguns exames, ele descobre que está
sofrendo de uma demência rara e agressiva. Para piorar, surge em cena seu filho
Miles Knox (James Marsden), que não o vê há anos, pedindo sua ajuda para “limpar”
uma cena de crime. Miles assassinou um sujeito que estuprou sua filha. Diante
de tantos crimes, uma dupla de detetives fica perdida diante de tantas
evidências contraditórias. Não dá para comentar muito mais para não estragar as
reviravoltas que acontecem até o desfecho. Completam o elenco a atriz alemã Joanna
Kulig, Ray McKinnon, Lela Loren, Marcia Gay Harden, Morgan E. Bastin, Suzy
Nakamura e John Hoogenakker. Como escrevi no início deste comentário, “Pacto de
Redenção” é um filme acima de média que merece ser visto.
terça-feira, 21 de janeiro de 2025
“DESCANSE EM PAZ” (“DESCANSAR EN
PAZ”), 2024, Argentina, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de
Sebastián Borensztein, que também assina o roteiro com Marcos Osorio Vidal. A
história é baseada no livro “Descansar En Paz: Nunca Soñaste Com Dejar Todo Y
Empezar de Nuevo”, escrito em 2018 por Martín Baintrub. Estamos no ano de 1994.
O empresário Sergio Dayán (Joaquín Furriel) está quebrado, devendo para
agiotas, bancos, fornecedores e até para familiares, sem falar das mensalidades
em atraso da escola dos filhos. O desespero toma conta, pois ele não tem
mais a quem recorrer e a gota d’água é a greve dos funcionários de sua empresa
por não receberem salário há meses. Exatamente no dia 18 de julho de 1994 – e aqui a história se aproveita de um fato real de repercussão mundial -, Dayán está nas
proximidades da Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA), quando acontece
um atentado à bomba, matando dezenas de vítimas. Ferido sem gravidade, o
empresário tem a ideia de sumir do mapa, como se tivesse sido morto no atentado
e, assim, beneficiando sua família com o seguro de vida. Dayan se refugia no
Paraguai e começa uma nova vida. Enquanto isso, Estela Dayán, com o dinheiro do
seguro em mãos, começa a pagar as dívidas do marido. Quinze anos depois, Dayán
começa a sentir falta da família, vê vídeos dos filhos nas redes sociais e
resolve tentar uma volta ao passado, o que será muito difícil diante das
circunstâncias, entre as quais o novo casamento de Estela. A trama é bem
conduzida pelo diretor Borensztein, levando o espectador a especular o que poderá acontecer no desfecho. Mais um bom filme do cinema argentino. Não deixe de
assistir.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2025
“DE VOLTA À AÇÃO” (“BACK IN
ACTION”), 2024, Estados Unidos, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Seth
Gordon (“Cry Wolf: O Jogo da Mentira”, “Cidade Perdida), que também assina o
roteiro juntamente com Brendan O’Brien. Comédia de ação que marca o retorno às
telas da atriz Cameron Diaz, depois de dez anos afastada - seu último filme foi
“Annie”, de 2014. Cameron é Emily, uma ex-espiã da CIA que abandonou o trabalho
quando ficou grávida e escapou da morte durante uma missão. Seu colega de
trabalho e marido Matt (Jamie Foxx) também escapou por milagre na mesma missão
e ambos resolveram se casar, se aposentar e constituir uma família. Mudaram de
identidade e se esconderam do mundo, principalmente porque mafiosos russos
acreditavam que eles mantinham em seu poder uma chave especial. Quinze anos
depois, já com dois filhos adolescentes, eles são filmados durante uma briga de
bar. O filme viralizou nas redes sociais e os mafiosos russos, ao identificar os antigos
inimigos, partem para o ataque. Só resta à família fugir e, até desfecho,
muitas perseguições e pancadarias vão acontecer. Completam o elenco Glenn Glose,
Tom Brittney, Kyle Chandler, Andrew Scott e Leela Owen. Com exceção de algumas
ótimas cenas de ação, nada mais interessante podemos destacar nesse filme, nem
mesmo o retorno da bela Cameron Diaz ao trabalho. Os diálogos são um caso à
parte, de uma mediocridade ofensiva a quem possui algum neurônio. Trocando
em miúdos, “De Volta à Ação” é decepcionante. Cameron Diaz não merecia voltar em um filme tão ruim.
sábado, 18 de janeiro de 2025
“MAXXXINE”, 2024,
Estados Unidos, 1h44, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ti West.
Misto de terror, suspense e policial noir, trata-se do terceiro filme de
uma trilogia que conduziu a atriz inglesa Mia Goth ao estrelato. Os dois
primeiros são “X – A Marca da Morte” e “Pearl”, ambos de 2022 e dirigidos pelo
mesmo Ti West. Mesmo que você não tenha visto os dois primeiros, dá para assistir este numa boa. Em “MaXXXine”, a garota do interior Maxine Minx (Goth) chega a
Los Angeles para trabalhar como atriz de filmes pornô. Seu objetivo, porém,
sempre foi chegar a Hollywood, atuar em filmes sérios e se tornar uma atriz
reconhecida mundialmente. Depois de muito esforço e alguns testes, ela consegue
um papel em um filme de terror dirigido por Elizabeth Bender (Elizabeth
Debicki) que promete ser um sucesso de bilheteria. Enquanto isso, uma série de
assassinatos amedronta Los Angeles. As vítimas são mulheres que trabalham em
filmes pornôs e o serial killer está sendo chamado de “Night Stalker”.
Como Maxine poderá ser a próxima vítima, ela é seguida de perto por dois
detetives, papéis de Michelle Monaghan e Bobby Carnevale. A tensão aumenta a
cada cena, pois o assassino pode estar em qualquer lugar. Completam o ótimo
elenco Lily Collins, Kevin Bacon, Sophie Tatcher, Giancarlo Esposito e Moses
Sumney. Vale a pena aqui lembrar que a atriz Mia Goth (Mia Gypsy Mello da Silva
Goth), 31 anos, é filha de mãe brasileira e pai canadense. Sua avó materna é a
atriz brasileira Maria Gladys, com a qual Mia Goth morou aqui no Brasil até se
mudar para a Inglaterra. Sua estreia no cinema aconteceu em 2013 no polêmico “Nymphomaniac”. Atualmente, Mia está casada com o ator Shia Labeouf. Para encerrar, “MaXXXine” é um filme muito interessante que vale a pena
assistir.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
“TUDO PELO DIVÓRCIO” (“ROZWODNICY”),
2024,
Polônia, 1h31m, em cartaz na Netflix (produção original), direção de Michal Chacinski
(“Planeta Singli”, “Juliusz”), que também assina o roteiro com a colaboração de
Lukasz Swiatowiec. Simpática comédia, agradável de assistir, roteiro leve e
ótimo elenco. Malgosia (Magdalena Poplawska) e Jacek (Wojciech Mecwaldowski) se
casaram há vinte anos, mas logo se separaram. Agora, tantos anos depois, eles
precisam anular o casamento, pois Jacek pretende se casar com Monika (Michalina
Labacz), que tem o sonho de entrar na igreja toda de branco. Eles precisam obter,
por parte da igreja polonesa, uma declaração oficial de nulidade. Só que os
padres poloneses obedecem rigorosamente aos regulamentos do Vaticano, colocando
empecilhos no objetivo do casal. Algumas cenas onde Jacek e Malgosia tentam
convencer os padres geram diálogos hilariantes. Jacek chega a afirmar que
estava bêbado no dia do casamento e que, por isso, não sabia o que estava
fazendo. Não bastasse essa situação, Malgosia também se vê às voltas com os
ensaios de uma pequena orquestra juvenil da qual é regente e que se prepara para uma importante
apresentação musical durante a inauguração de uma ferrovia do governo. Resumo da
ópera, “Tudo pelo Divórcio” é um ótimo entretenimento. Não perca!
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
“JURADO Nº 2” (“JUROR #2”), 2024,
Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na HBO Max, direção de Clint Eastwood,
seguindo roteiro de Jonathan A. Abrams. Quase impossível determinar se Clint
Eastwood é melhor ator do que diretor. O que é possível afirmar é que o astro –
hoje aos 94 anos - deu uma grande contribuição ao cinema, tanto na frente como
atrás das câmeras. Neste “Jurado Nº 2”, que provavelmente será o seu último
filme antes de se aposentar, Eastwood nos brinda com um ótimo suspense. O
personagem central é Justin Kemp (Nicholas Hoult), casado e prestes a ser pai.
Numa noite de chuva torrencial, ele está voltando para casa quando na estrada
seu carro sofre um impacto, causado provavelmente por um cervo que atravessava
a pista. Ele parou o carro e desceu, mas, como estava muito escuro e chovendo, não viu o
que seu carro atingiu. Até aí tudo normal. Mas daqui a pouco ele será
confrontado com uma situação que ninguém gostaria de enfrentar. Começa quando
ele recebe uma convocação judicial para participar de um júri que irá julgar um
homem acusado de ter assassinado a namorada. Quando os detalhes do crime
começam a ser detalhados no tribunal, Justin fica sabendo que a vítima foi
encontrada no mesmo local em que supostamente atropelou um cervo. A partir daí
ele começa a viver um enorme dilema ético e moral, pois, considerando os fatos
expostos e as testemunhas ouvidas, tudo leva a crer que a vítima morreu depois
de atropelada por Justin. Diante da situação, ele tentará convencer os demais jurados
a inocentar o acusado. Até o desfecho, o espectador acompanhará a crise de
consciência de Justin, pois, prestes a ser pai, evitará ao máximo contar a
verdade. Também estão no elenco Toni Collette, Kiefer Sutherland, J. K.
Simmons, Zoey Deutch, Chris Messina, Gabriel Basso, Leslie Bibb e Francesca
Eastwood, filha do diretor. Trocando em miúdos, “Jurado Nº 2” é um ótimo
suspense, conduzido com muita segurança por Eastwood. Se realmente for este seu último filme, o experiente ator e diretor sairá de cena pela porta da frente.





















