sexta-feira, 25 de outubro de 2019


Divulgado como uma comédia dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas. E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam, fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos, o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer. IMPERDÍVEL!    

quarta-feira, 23 de outubro de 2019


“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017, coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento, causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga, inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em 1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle, o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da Califórnia.     

segunda-feira, 21 de outubro de 2019


Nunca fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista” e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009) e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.  A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena (Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”. Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”. Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.     



domingo, 20 de outubro de 2019


“OSCAR PISTORIUS: ASSASSINO OLÍMPICO” (“OSCAR PISTORIUS: BLADE RUNNER KILLER”), produção Lifetimes Movies (estreia mundial aconteceu dia 14 de fevereiro de 2018), 1h30m, roteiro e direção de Norman Stone. O filme conta a história da tragédia que envolveu o corredor paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, preso e condenado por assassinar a namorada Reeva Steenkamp no Dia dos Namorados de 2013. O filme apresenta Pistorius como o ídolo máximo do esporte da África do Sul, famoso no mundo inteiro por ter conquistado uma medalha de ouro nos jogos paraolímpicos de Atenas (2004) e outras três também de ouro em Pequim (2008), além de ter conseguido autorização para disputar as eliminatórias da Olimpíada de Londres (2012) correndo entre os atletas normais. Por causa de uma malformação congênita, Oscar teve as duas perdas amputadas abaixo dos joelhos aos 11 meses de idade e, alguns anos depois, para competir nas pistas, passou a utilizar próteses de fibra de carbono. Suas façanhas fizeram-lhe ganhar o apelido de “Blade Runner” (“Corredor de Lâmina”). Além da fama obtida nas pistas de corrida, Oscar era um homem bonito e charmoso, e por isso a mulherada o assediava o tempo inteiro. Num desses eventos realizados em sua homenagem, o atleta – interpretado no filme por Andreas Damm - conheceu a modelo Reeva (a atriz e modelo alemã Toni Garrn, tão linda quanto a original), com a qual teria um relacionamento bastante tumultuado. O filme mostra um Pistorius egocêntrico, opressor e extremamente violento, o que revoltou sua família, que tentou na justiça proibir sua exibição. Na época, o julgamento de Pistorius recheou as manchetes dos jornais e noticiários de TV no mundo inteiro. Aliás, o filme dedica um grande espaço às cenas de tribunal. No desfecho, antes dos créditos finais, o diretor Stone utilizou imagens do verdadeiro Pistorius durante o julgamento. Ele continua preso e deverá cumprir a pena de 13 anos em regime fechado. O filme é um documento bastante interessante dos bastidores de todo o caso. Quem assisti-lo não vai se decepcionar.   

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval), um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos radicais.

“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro, uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca, pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar, quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente assistir, e depois veja se não tenho razão.     


quarta-feira, 16 de outubro de 2019


“ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL” (“HOTEL MUMBAI”), 2018, coprodução Austrália/Índia/Estados Unidos, 2h03m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta australiano Anthony Maras, mais conhecido como diretor de curtas (o filme é todo falado em inglês). A história é baseada num trágico fato real ocorrido na Índia em 2008. Integrantes do grupo islâmico radical Lashkar-E-Taiba, treinados no Paquistão, efetuaram 12 violentos ataques em várias cidades da Índia, resultando na morte de 164 pessoas e mais de 300 feridos.  Embora faça menção aos demais ataques, o filme é quase que inteiramente dedicado ao famoso Hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai. Aqui, 31 pessoas, entre hóspedes e funcionários, foram sumariamente executadas. Esse número só não foi maior graças à coragem de dois empregados do hotel, o chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e o garção Arjun (Dev Patel), que conseguiram salvar dezenas de hóspedes, desafiando os violentos terroristas. As cenas são de um realismo impressionante, com muita tensão, suspense e ação do começo ao fim, de tirar o fôlego. É impossível desgrudar os olhos da telinha. É o tipo de filme que faz a gente roer as unhas e amassar os braços da poltrona. Méritos não só para o diretor Anthony Maras, que arrasa em seu longa de estreia, mas também para o roteirista escocês John Collee. Ainda estão no elenco Armie Hammer, Nazanin Boniadi, Tilda Cobham Hervey e Jason Isaacs. Antes de estrear em circuito comercial no Brasil, em julho de 2019, “Hotel Mumbai” foi exibido em sessão especial no Festival de Toronto (Canadá) e no Festival de Adelaide (Austrália). Neste último, foi o preferido pelo público. Sem dúvida, o filme é sensacional e emocionante. IMPERDÍVEL!     

terça-feira, 15 de outubro de 2019


“MADE IN ITALY”, 2018, Itália, 1h44m, roteiro e direção de Luciano Ligabue. Drama recheado de humor, romance e política com o simpático e excelente ator Stefano Accorsi. Ele vive Riko, operário de uma fábrica de mortadela, salame e outros embutidos. Riko trabalha há 30 anos na empresa e sempre aguentou quieto o fato de nunca ter sido promovido. Quando não está em casa com a esposa Sara (a bela atriz polonesa Kasia Smutniak), ele se diverte com os amigos Carnevale (Fausto Maria Sciarappa), Max (Walter Leonardi) e Matteo (Filippo Dini) – um dos trunfos do filme são os diálogos entre os amigos, bem-humorados e sarcásticos. Enquanto isso, Sara se queixa que o marido não lhe dá a devida atenção e, depois de uma discussão boba, o casamento entra em crise, que piora quando Riko passa a desconfiar que ela está tendo um caso. O pano de fundo de toda a história é a crise política, econômica e social da Itália, tema que o diretor Ligabue insere em muitos diálogos e situações, uma delas a demissão de vários funcionários da fábrica onde Riko trabalha. Todo o contexto reflete não só a situação de penúria da Itália, como também como os italianos encaram a crise, discutindo responsabilidades e saídas. Ao mesmo tempo, valoriza e destaca vários cenários deslumbrantes de algumas cidades, principalmente Roma, para onde os amigos levam Riko para passear e esquecer dos problemas, incluindo os conjugais. Ao mesclar drama político/social, romance e comédia, Ligabue parece ter sido influenciado pela estética dos cultuados diretores italianos Nanni Moretti e Paolo Sorrentino. Interessante esclarecer que Ligabue também é um astro da música na Itália, cantor e compositor de grande sucesso. Aliás, a inspiração para escrever o roteiro de “Made in Italy” – seu terceiro longa - veio das letras das músicas que compôs para um de seus últimos discos, cujo título é homônimo ao do filme. O próprio Ligabue interpreta várias canções que fazem parte da trilha sonora. Embora tenha sido acolhido com alguma reserva por alguns críticos profissionais, eu achei “Made in Italy” um filme muito bem feito e agradável de assistir. Não foi à toda que seu roteiro foi eleito por jornalistas italianos como o melhor história original de 2018. Méritos não só para o diretor, mas também para a dupla principal. Stefano Accorsi é um ótimo ator, experiente e carismático, e Kasia Smutniaki, radicada há alguns anos na Itália, prova que está habituada a fazer papel de mulher apaixonada e sensível, mas também impulsiva como são as italianas. Aos 40 anos, acredito que Smutniaki tem tudo para se transformar na mais nova diva do cinema italiano, pois a grande Monica Bellucci já se aproxima dos 60. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial, o que será uma pena, pois é mais um grande filme "Made in Italy".     


domingo, 13 de outubro de 2019


O drama independente “MONSTROS E HOMENS” (“MONSTERS AND MEN”), 2018, EUA, 1h38m, aborda uma questão que está sempre em evidência no país do Tio Sam: a violência de policiais brancos contra cidadãos negros. Com roteiro e direção de Reinaldo Marcus Green (é o seu longa-metragem de estreia; ele é mais conhecido como diretor de curtas), o filme conta a história de um brutal assassinato ocorrido no Brooklin. Numa abordagem policial, um sujeito negro muito conhecido e querido pelo pessoal do bairro é abordado pelos policiais, reage e toma um tiro. O episódio é testemunhado por várias pessoas e filmado no celular pelo imigrante latino-americano Manny (Anthony Ramos), que envia a filmagem para as autoridades e a espalha pelas redes sociais. É claro que acaba sendo perseguido pela polícia. Enquanto isso, o policial negro Dennis (John David Washington, filho do ator Denzel Washington) acompanha tudo de perto, mas procura não se envolver, já que acaba de ser promovido. O roteiro inclui mais um personagem importante, testemunha do crime, o jovem jogador negro de beisebol Zyric (Kelvin Harrison Jr.). Ao estrear no Festival de Sundance 2018 (o mais importante festival de filmes independentes), “Monsters and Men”  ganhou grande repercussão na mídia e elogios da crítica. Sem dúvida, um bom filme, apesar de tocar numa ferida que já virou clichê no cinema norte-americano.  



Quem torce o nariz para o cinema asiático e o rejeita está perdendo ótimos filmes. Só para citar um exemplo, “Parasite”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, acabou de conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019. Nos últimos anos, assisti a vários filmes sul-coreanos e eles realmente estão arrasando, principalmente no gênero filmes de ação (“O Túnel”, de 2016, é sensacional). Fiz questão de escrever esta introdução para apresentar “O ESPIÃO – OPERAÇÃO SECRETA” (“SEU-PA-I”), 2015, direção de Lee Seung-Jun, com roteiro de Yoon Je-Kyoon e Park Su-Jin. Trata-se de um misto de comédia e filme de ação, aliás, 2 horas de muita ação. Vamos à história: Chul-Soo (Sol Kyung-Gu) é o mais famoso agente secreto da Coréia do Sul. Nem sua esposa, a aeromoça Baek Seol Hui (a ótima Han Ye-ri), conhece a profissão que ele exerce há vários anos para o governo sul-coreano. O casal quer ter um filho, mas as viagens de Chul-Soo – missões em outros países – têm dificultado esse objetivo. A próxima missão de Chul será executada na Tailândia, ou seja, capturar um grupo de terroristas que negocia com os russos a compra de uma bomba nuclear para ser lançada contra a Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma guerra entre os dois países. No filme, as duas Coreias tentam um acordo para a sua reunificação. Enquanto prossegue na sua missão, Chul descobre que sua esposa também está na Tailândia e aí a confusão está formada, ainda mais que Baek é cortejada justamente pelo chefe dos terroristas, Ryan (o bonitão Daniel Henney). “O Espião” é divertido, tem muita ação, perseguições, pancadaria e tiros pra tudo que é lado. A cena do tiroteio dentro de um restaurante é espetacular. O filme todo é de tirar o fôlego. Programão. Não percam!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019


Baseado em fatos reais, “VENTOS PARA A LIBERDADE” (“Ballon”), 2018, Alemanha, 2h06m, roteiro e direção de Michael Blully Herbig, conta uma incrível história de coragem. O ano é 1979. Dois casais de amigos, juntamente com seus filhos pequenos, decidem tentar fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental utilizando um balão. Detalhe: ninguém é balonista. Peter Strelzyk (Friedrich Mücke) é mecânico e Günter Wetzel (David Kross) pedreiro. Mesmo assim, planejaram a construção do balão e também elaboraram um audacioso plano de fuga. Tudo isso no maior segredo possível, já que naquela época todo mundo vigiava todo mundo para depois entregar para a famigerada STASI, a polícia secreta da Alemanha Oriental (República Democrática Alemã – nunca entendi a utilização da palavra “Democrática” para denominar um regime tão fechado, sem liberdade nenhuma). O filme apresenta tantas sequências de suspense e tensão (corda esticada mesmo) que prende a atenção do começo ao fim. É capaz de nos fazer roer a unha, eriçar os pelos da nuca, entortar o braço da poltrona e comer um enorme saco de pipocas e nem perceber que acabou. Um filmaço irresistível, daqueles que nos faz torcer o tempo inteiro para as famílias não serem presas e conseguirem fugir. Imaginar que essa aventura incrível realmente aconteceu é mais um trunfo desse ótimo filme alemão, que ainda conta com um excelente elenco. Além de David Kross e Friedrich Mücke, participam Thomas Kretschmann, Karoline Schuch, Alicia Von Rittberg, Emily Kusche e Ronald Kululies.  IMPERDÍVEL!


“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e, pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak) engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados” e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.  

terça-feira, 8 de outubro de 2019


“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019, EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo, Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos 66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora. Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme. Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe. Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz francesa.  

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019, EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada a sair de casa e ir direto para os abrigos.  Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”: A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também em você.   


domingo, 6 de outubro de 2019


Sempre gostei de assistir a filmes de países de língua árabe. Além de alguns excelentes,  a maioria ensina muito sobre sua cultura e suas tradições, o que os torna ainda mais interessantes. Ao assisti-los, a gente aprende muito e acaba chegando à conclusão de que nós, ocidentais, jamais compreenderemos seu modo de vida, enraizado há muitos séculos. Escrevi esse introito para apresentar o drama argelino “O ARREPENDIDO” (“EL TAAIB” – na França, recebeu o título de “Le Repenti”), 2012, roteiro e direção de Merzak Allouache, 1h27m. A história é centrada no jovem jihadista Rashid (Nahi Asli), que abandona a montanha onde se refugiava com seu grupo de extremistas islâmicos, responsável por aterrorizar a população civil dos vilarejos da região. Rashid volta à sua aldeia natal e logo é denunciado à polícia – pela lei do Perdão e da Concórdia Nacional vigente na Argélia, todo jihadista que se entregar e devolver sua arma será anistiado. Rashid tenta se esconder da polícia e, nesse meio tempo, comete um assassinato e faz chantagem contra um casal cuja filha adolescente tinha sido assassinada pelos jihadistas. Por uma quantia em dinheiro, Rashid promete levá-los a um local da montanha onde os restos mortais da menina haviam sido enterrados. A câmera do diretor Merzak Allouache capta os cenários desérticos da região em tomadas longas e lentas, o que prejudica o andamento da ação que envolve o trio de viajantes, tornando o filme, perto do desfecho, um tanto monótono. “O Arrependido” teve sua primeira exibição durante a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes/2012, além de participar, no mesmo ano, da Mostra Panorama do Cinema Mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No 17º Festival Internacional de Cinema de Kerala, na Índia, conquistou o Prêmio “Fipresci” de Melhor Filme Asiático. Um filme muito interessante que merece ser visto principalmente pelas razões que enumerei no início deste comentário.   


sábado, 5 de outubro de 2019


“UM AMOR INESPERADO” (“El Amor Menos Pensado”), 2018, Argentina, 2h16m. O filme é todo focado num casal de meia-idade cujo filho único, de 20 anos, saiu de casa para estudar na Espanha. O casal, que acaba de completar 25 anos de casado, começa a sofrer da tal Síndrome do Ninho Vazio, culminando com sua separação amigável. Cada um vai para um lado, namoram, vivem paixões momentâneas e um deles ainda tentará arranjar alguém pelo aplicativo Tinder. É dentro desse contexto que se desenrola o filme, trazendo como a dupla principal de protagonistas os astros argentinos Ricardo Darín e Mercedes Moran. “Um Amor Inesperado” é um misto de comédia romântica e crítica de costumes. Além da química perfeita entre Darín e Moran, dois veteranos do cinema argentino, outro trunfo do filme é a qualidade dos diálogos, adultos, inteligentes, sarcásticos e muito bem-humorados. O roteirista e diretor Juan Vera acerta em cheio em seu primeiro longa-metragem, apesar o desfecho ser inteiramente previsível. No cenário do cinema argentino, Vera é mais conhecido como produtor de grandes filmes, entre eles “O Filho da Noiva”, “Abutres”, “Elefante Branco” e “Leonera”, todos muito bons, conforme já comentei anteriormente no meu blog. “Um Amor Inesperado”, antes de chegar ao circuito comercial do Brasil em março de 2019, estreou na Argentina e obteve grande sucesso de bilheteria. Conto agora algumas curiosidades sobre o filme. Primeiro, o título que recebeu nos EUA: “An Unexpected Love”. Na França, “Retour de Flamme”. Outra curiosidade diz respeito à trilha sonora. Numa festa de aniversário de um casal de amigos, a música escolhida para selar o seu amor foi nada mais nada menos do que um dos maiores hinos do nosso cancioneiro brega: “Fogo e Paixão”, cantado por Wando, isso mesmo, aquele das calcinhas. Resumo da ópera: “Um Amor Inesperado” é ótimo, muito inteligente e agradável, além de contar com Ricardo Darín e Mercedes Moran em estado, literalmente, de graça. Imperdível!      

quarta-feira, 2 de outubro de 2019


“MEMÓRIA DE UM CRIME” (“BACKTRICE”), 2018, EUA, 1m27m, filme policial dirigido por Brian A.  Miller, com roteiro de Mike Maples. O filme começa com um assalto a um carro blindado praticado por três assaltantes. Eles conseguem fugir com uma grande quantidade de dinheiro, que escondem num tipo de armazém abandonado em algum lugar bem longe. Logo depois, durante a fuga, eles se defrontam com dois estranhos fortemente armados, que exigem parte do dinheiro roubado. Os dois grupos entram em confronto e, dos assaltantes, só um sobrevive e consegue escapar da matança, mas, devido a um tiro de raspão na cabeça, perde a memória. O filme salta para sete anos depois. MacDonald (Matthew Modine), o sobrevivente, está preso numa penitenciária de segurança máxima e ainda não se lembra do que aconteceu. Seu segredo atrai três aproveitadores que conseguem resgatá-lo da prisão. Uma enfermeira faz parte do grupo de sequestradores e, utilizando uma droga especial, tentará fazer MacDonald recuperar a memória e contar onde escondeu o dinheiro. A investigação sobre o desaparecimento de MacDonald fica a cargo do xerife Sykes (Sylvester Stallone), que, com a colaboração do FBI, tentará encontrar pistas que levem ao sequestrado e seus sequestradores. Embora a divulgação do filme tenha colocado Stallone como o principal protagonista, na verdade ele aparece em poucas cenas, ganhando algum realce somente no desfecho.  Embora tenha feito história no cinema por seus antigos personagens John Rambo e Rocky Balboa, Stallone nunca foi um bom ator. Sempre atuou mais com os músculos. Agora, aos 73 anos, tenta sobreviver à idade, mas encontra muita dificuldade, principalmente pela deformação cada vez mais acentuada do rosto. Se pudesse aconselhá-lo, diria: “Tá na hora de se aposentar, Stallone. Obrigado por tudo”. Voltando a “Memória de um Crime”, o filme estreou nos EUA em dezembro de 2018 e ainda não chegou por aqui. O diretor Brian A. Miller, especialista em filmes de ação (“O Príncipe”, “Rastros de Violência”, “Sombras da Justiça”, “A Máquina”), bem que tentou imprimir seu estilo em “Memória de um Crime”, mas ficou só na intenção. Nada que mereça uma indicação entusiasmada. Em todo caso, pode servir para uma sessão da tarde com pipoca.   


segunda-feira, 30 de setembro de 2019


“NOITE MÁGICA” (“NOTTI MAGICHE”), 2018, Itália, 2h5m, direção de Paolo Virzì, que também assina o roteiro juntamente com Francesco Piccolo e Francesca Archibugi. Trata-se de mais uma bela homenagem ao cinema, especialmente aos tempos de ouro do cinema italiano. O filme começa com um carro caindo de uma ponte dentro do rio Tibre, em Roma. A poucos metros dali, num bar, um grupo de pessoas assistia a um jogo da Itália pela Copa do Mundo – o filme é ambientado em 1990. Com todos torcendo pela seleção nacional, ninguém ligou para o acidente, que matou o ocupante do veículo. Durante a investigação policial sobre o que de fato aconteceu, três jovens foram detidos para interrogatório: Antonino Scordia (Mauro Lamantia), Eugenia Malaspina (Irene Vetere) e Luciano Ambrogi (Giovanni Toscano). Explico: antes do acidente acontecer, os três tiveram contato com a vítima. Scordia, Malaspina e Ambrogi foram vencedores de um concurso chamado “Prêmio Solinas” destinado a aspirantes de roteiristas. Durante o interrogatório, os três jovens relembram, em flashbacks, o que aconteceu nos dias anteriores, o que nos leva a uma “viagem” pelos bastidores do cinema italiano. “Noite Mágica” é repleto de referências a figuras importantes do cinema italiano como Ettore Scola (Virzì teve a ideia do filme durante o velório do grande diretor, morto em janeiro de 2016), Federico Fellini, Marcello Mastroianni, Vittório Gassman, Roberto Rossellini, Dino Risi e tantos outros (achei muito injusto não haver uma menção especial a Mario Monicelli).  Enquanto circulam por Roma numa noite de jantares e festas, os jovens roteiristas vão a lugares que serviram de cenários para alguns dos grandes filmes italianos do passado. Nessas idas e vindas, eles conhecem produtores, roteiristas e diretores, com os quais conversam sobre o cinema italiano, seu passado e perspectivas para o futuro. Um dos personagens principais de toda a história será o produtor Leonardo Saponardo (o grande Giancarlo Giannini, ótimo). Para quem não conhece, Paolo Virzì é um dos mais cultuados diretores do cinema italiano atual. Dele, recomendo como pequenas obras-primas dois filmes em especial: “Capital Humano”, de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Virzì também experimentou o cinema norte-americano, dirigindo “Ella e John” em 2017, com Helen Mirren e Donald Sutherland. Enfim, “Noite Mágica” é um filme especialmente dirigido aos cinéfilos que, como eu, são apreciadores do cinema em geral, particularmente o italiano. Não é o melhor filme que homenageia o cinema. Não desmerecendo o filme de Virzì, prefiro duas obras-primas do cinema italiano: “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e “Splendor”, do grande Ettore Scola.    


domingo, 29 de setembro de 2019


“A ÚLTIMA MISSÃO” (“ALL THE DEVIL’S MEN”), 2018, Inglaterra, 99 minutos, roteiro e direção de Mattew Hope. O caçador de recompensas e assassino profissional Collins (Milo Gibson), um ex-agente da CIA, é contratado para viajar a Londres e matar McKnight (Elliot Cowan), chefão de uma gangue que está negociando com os russos a compra de um artefato nuclear. McKnight comanda um exército de renegados da CIA, entre os quais Deighton (Joseph Millson), ex-agente e antigo colega de Collins. Como contato da CIA em Londres está a agente Leigh (a atriz holandesa Sylvia Hoeks), responsável pela contratação de Collins. Na verdade, Leigh tem um motivo muito especial para ver McKnight morto. Entre perseguições, tiros e muita pancadaria, Collins tentará chegar ao chefão McKnight, mas antes terá de vencer o seu exército particular. O início do filme é bastante complicado, difícil de entender quem é quem na história. Mas, aos poucos, as coisas vão se clareando. Tenho quase certeza de que “A Última Missão” quis transformar o ator australiano Milo Gibson (filho de Mel Gibson) num novo astro dos filmes de ação. Milo estreou no cinema em “Até o Último Homem”, de 2016, dirigido pelo próprio pai. Milo é fortão, estilo brucutu, tem cara de mau, mas como ator ainda está longe de convencer, além de não ter o charme e o carisma do pai. Resumo da ópera: o filme tem lá seus momentos de boa ação, mas a história é um tanto fantasiosa demais. Em todo caso, serve para uma tarde com pipoca.   


sexta-feira, 27 de setembro de 2019


“TUDO O QUE TIVEMOS” (“WHAT THEY HAD”), 2018, EUA, 1h41m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pela atriz e dramaturga Elizabeth Chomko. Trata-se de um drama familiar intimista que gira em torno da doença da matriarca da família Ertz, Ruth (Blythe Danner), que está entrando na fase mais aguda do Alzheimer, o que mobiliza a atenção de toda a família. Quando ela sai de casa à noite sem rumo, em meio a uma nevasca, o filho Nicky (Michael Shannon) pede à irmã Bridget (Hilary Swank) que retorne à cidade para ajudá-lo a decidir o que fazer com a mãe e convencer o pai Burt (Robert Forster) a interná-la em alguma clínica especializada. É a partir dessa premissa que se desenvolve o roteiro, que, apesar do contexto dramático, está entremeado de algumas ótimas situações de humor, como aquela durante a missa dominical e um velório. Enfim, um drama bastante comovente cujo maior trunfo é a atuação do elenco, principalmente os veteranos Blythe Danner (mãe da também atriz Gwyneth Paltrow) e Robert Forster, além da excelente Hilary Swank, que já tem um Oscar de Melhor Atriz por “Menina de Ouro” (2004) e Michael Shannon. Mais um filme que trata de forma competente a questão do Alzheimer e suas consequências não só para o doente, como também para toda sua família. Excelente!      

quarta-feira, 25 de setembro de 2019


“ANJO MEU” (“ANGEL OF MINE”), 2019, coprodução Austrália/EUA, 1h38m, direção de Kim Ferrant, com roteiro de Lucas Davi e David Regal. Trata-se de um suspense cuja história é um antigo clichê do cinema, ou seja, mulher psicótica e frustrada  persegue uma família bem estruturada e feliz. No caso, a maluca é Lizzie (Noomi Rapace), cuja filha então bebê morreu anos antes no incêndio ocorrido num hospital. Desde então, ela faz terapia intensiva com um psicólogo e é vigiada de perto pelo marido Mike (Luke Evans) e pelos seus pais. Ao conhecer a família de Claire (Yvonne Strahovski) e Bernard (Richard Roxburgh) Lizzie fica obcecada por Lola (Annika Whiteley), de cinco anos, filha do casal. Na sua cabeça, Lola é a sua filha. Lizzie então parte para o confronto. Até o desfecho, que reserva uma reviravolta bastante surpreendente, Lizzie infernizará a família de Claire, a ponto de seu marido, a conselho do psicólogo, querer interná-la de novo num hospital psiquiátrico. As atrizes principais estão ótimas em seus papéis de perseguidora e perseguida. A atriz sueca Noomi Rapace ficou conhecida depois de ter protagonizado a trilogia Millenium (“Os Homens que não Amavam as Mulheres”, “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”) e hoje é requisitada até por Hollywood. A australiana Yvonne Strahovski atuou em filmes como “Por Trás dos seus Olhos”, “Ele está lá Fora” e “O Predador” (todos também de suspense) e se tornou mais conhecida ao protagonizar as séries “Chuck”, como Sarah Walker, e “Dexter”, como Hanna McKay. Impressionante como Yvonne se parece com a nossa Luana Piovani, tão mulherão e bonita quanto. Mais conhecida como diretora de documentários e curtas, a australiana Kim Ferrant acerta a mão neste que é o seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “Terra Estranha”, com Nicole Kidman. “Angel of Mine” estreou dia 14 de agosto de 2019 durante a programação oficial do Melbourne International Film Festival. Uma boa opção para quem gosta do gênero suspense.     

segunda-feira, 23 de setembro de 2019


“A ESPIÃ VERMELHA” (“RED JOAN”), 2018, Inglaterra, 1h41m, direção de Trevor Nunn. O roteiro, escrito por Lindsay Shapero, foi adaptado do livro “Red Joan”, de Jannie Rooney. Baseada em fatos reais, a história acompanha a trajetória da cientista inglesa Melita Stedman Norwood (1912-2005), que, desde meados da década de 30 e nos 50 anos seguintes, foi espiã a serviço do Comitê de Segurança Russo (KGB). No filme, o nome de Melita foi substituído por Joan Stanley (interpretada na velhice pela atriz Judi Dench e quando moça por Sophie Cookson). Estudante brilhante da Universidade de Cambridge, Melita/Joan se apaixonou por Leo Galich (Tom Hughes), jovem militante do Partido Comunista. Ao mesmo tempo, ela foi chamada para trabalhar com cientistas que desenvolviam um projeto secreto para construir uma bomba atômica destinada a uma eventual utilização contra a Alemanha de Hitler. Pressionada por Leo e entendendo que se Stalin também tivesse uma bomba igual ninguém seria capaz de utilizá-la – equivalência de forças -, Melita/Joan concordou em fornecer informações importantes à KGB. Em 1999, quando a cientista tinha 87 anos e já aposentada, sua história veio à tona e ela foi presa pelo Serviço de Inteligência Britânico (MI5). O filme alterna o interrogatório de Joan com flashbacks da época em que se tornou espiã. Além da história bastante interessante, o filme tem como destaques a recriação de época, especificamente os figurinos e cenários, e o excelente trabalho de Sophie Cookson e da veterana Judi Dench. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2018. Um ótimo programa!