Divulgado como uma comédia
dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais
humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de
entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher
Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho
da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose
certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados
por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por
desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia
de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por
ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a
contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura
decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da
irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas.
E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os
cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam,
fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade
escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do
caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de
crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido
Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos,
o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar
as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada
pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer.
IMPERDÍVEL!
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017,
coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com
roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em
inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos
no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade
psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São
Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou
seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento,
causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a
advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional
Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando
a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de
Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os
tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma
atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank
é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort
Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga,
inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou
destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em
1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle,
o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes
dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As
Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro
e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação
final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo
é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da
Califórnia.
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Nunca
fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como
exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista”
e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os
filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com
Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai
se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção
Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do
primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de
curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009)
e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana
Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não
deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco
fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.
A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é
recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que
estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço
das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba
se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena
(Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”.
Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como
outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi
tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”.
Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.
domingo, 20 de outubro de 2019
“OSCAR PISTORIUS: ASSASSINO
OLÍMPICO” (“OSCAR PISTORIUS: BLADE RUNNER KILLER”), produção
Lifetimes Movies (estreia mundial aconteceu dia 14 de fevereiro de 2018),
1h30m, roteiro e direção de Norman Stone. O filme conta a história da tragédia
que envolveu o corredor paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, preso e
condenado por assassinar a namorada Reeva Steenkamp no Dia dos Namorados de
2013. O filme apresenta Pistorius como o ídolo máximo do esporte da África do
Sul, famoso no mundo inteiro por ter conquistado uma medalha de ouro nos jogos
paraolímpicos de Atenas (2004) e outras três também de ouro em Pequim (2008), além de ter
conseguido autorização para disputar as eliminatórias da Olimpíada de Londres (2012) correndo
entre os atletas normais. Por causa de uma malformação congênita, Oscar teve as
duas perdas amputadas abaixo dos joelhos aos 11 meses de idade e, alguns anos depois,
para competir nas pistas, passou a utilizar próteses de fibra de carbono. Suas
façanhas fizeram-lhe ganhar o apelido de “Blade Runner” (“Corredor de Lâmina”).
Além da fama obtida nas pistas de corrida, Oscar era um homem bonito e
charmoso, e por isso a mulherada o assediava o tempo inteiro. Num desses
eventos realizados em sua homenagem, o atleta – interpretado no filme por
Andreas Damm - conheceu a modelo Reeva (a atriz e modelo alemã Toni Garrn, tão
linda quanto a original), com a qual teria um relacionamento bastante
tumultuado. O filme mostra um Pistorius egocêntrico, opressor e extremamente
violento, o que revoltou sua família, que tentou na justiça proibir sua
exibição. Na época, o julgamento de Pistorius recheou as manchetes
dos jornais e noticiários de TV no mundo inteiro. Aliás, o filme dedica um
grande espaço às cenas de tribunal. No desfecho, antes dos créditos finais, o
diretor Stone utilizou imagens do verdadeiro Pistorius durante o julgamento.
Ele continua preso e deverá cumprir a pena de 13 anos em regime fechado. O
filme é um documento bastante interessante dos bastidores de todo o caso. Quem
assisti-lo não vai se decepcionar. sexta-feira, 18 de outubro de 2019
“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção
de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry
Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de
terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para
o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao
mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval),
um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria
recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para
serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre
os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em
montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes
sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista
Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para
fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço
do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo
ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um
ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos
radicais.
“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW
OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de
setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey
Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do
filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se
de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme
policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero
ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a
cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta
até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro,
uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca,
pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais
Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de
desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os
roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial
killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de
viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com
as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei
com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa
história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar,
quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque
parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente
assistir, e depois veja se não tenho razão.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
“ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL”
(“HOTEL MUMBAI”), 2018, coprodução Austrália/Índia/Estados Unidos,
2h03m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta australiano Anthony
Maras, mais conhecido como diretor de curtas (o filme é todo falado em inglês).
A história é baseada num trágico fato real ocorrido na Índia em 2008.
Integrantes do grupo islâmico radical Lashkar-E-Taiba, treinados no Paquistão, efetuaram
12 violentos ataques em várias cidades da Índia, resultando na morte de 164
pessoas e mais de 300 feridos. Embora
faça menção aos demais ataques, o filme é quase que inteiramente dedicado ao
famoso Hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai. Aqui, 31 pessoas, entre hóspedes e
funcionários, foram sumariamente executadas. Esse número só não foi maior
graças à coragem de dois empregados do hotel, o chef Hemant Oberoi
(Anupam Kher) e o garção Arjun (Dev Patel), que conseguiram salvar dezenas de hóspedes,
desafiando os violentos terroristas. As cenas são de um realismo
impressionante, com muita tensão, suspense e ação do começo ao fim, de tirar o fôlego. É impossível
desgrudar os olhos da telinha. É o tipo de filme que faz a gente roer as unhas e
amassar os braços da poltrona. Méritos não só para o diretor Anthony Maras, que
arrasa em seu longa de estreia, mas também para o roteirista escocês John
Collee. Ainda estão no elenco Armie Hammer, Nazanin Boniadi, Tilda Cobham
Hervey e Jason Isaacs. Antes de estrear em circuito comercial no Brasil, em julho
de 2019, “Hotel Mumbai” foi exibido em sessão especial no Festival de Toronto (Canadá)
e no Festival de Adelaide (Austrália). Neste último, foi o preferido pelo
público. Sem dúvida, o filme é sensacional e emocionante. IMPERDÍVEL! terça-feira, 15 de outubro de 2019
“MADE IN ITALY”, 2018,
Itália, 1h44m, roteiro e direção de Luciano Ligabue. Drama recheado de humor, romance e política com o simpático e excelente ator Stefano Accorsi. Ele vive Riko, operário de uma fábrica de mortadela, salame e outros embutidos.
Riko trabalha há 30 anos na empresa e sempre aguentou quieto o fato de nunca
ter sido promovido. Quando não está em casa com a esposa Sara (a bela atriz
polonesa Kasia Smutniak), ele se diverte com os amigos Carnevale (Fausto Maria
Sciarappa), Max (Walter Leonardi) e Matteo (Filippo Dini) – um dos trunfos do
filme são os diálogos entre os amigos, bem-humorados e sarcásticos. Enquanto
isso, Sara se queixa que o marido não lhe dá a devida atenção e, depois de uma
discussão boba, o casamento entra em crise, que piora quando Riko passa a
desconfiar que ela está tendo um caso. O pano de fundo de toda a história é a
crise política, econômica e social da Itália, tema que o diretor Ligabue insere
em muitos diálogos e situações, uma delas a demissão de vários funcionários da
fábrica onde Riko trabalha. Todo o contexto reflete não só a situação de
penúria da Itália, como também como os italianos encaram a crise, discutindo responsabilidades
e saídas. Ao mesmo tempo, valoriza e destaca vários cenários deslumbrantes de
algumas cidades, principalmente Roma, para onde os amigos levam Riko para
passear e esquecer dos problemas, incluindo os conjugais. Ao mesclar drama político/social,
romance e comédia, Ligabue parece ter sido influenciado pela estética dos cultuados
diretores italianos Nanni Moretti e Paolo Sorrentino. Interessante esclarecer que
Ligabue também é um astro da música na Itália, cantor e compositor de grande
sucesso. Aliás, a inspiração para escrever o roteiro de “Made in Italy” – seu terceiro
longa - veio das letras das músicas que compôs para um de seus últimos discos,
cujo título é homônimo ao do filme. O próprio Ligabue interpreta várias canções que fazem
parte da trilha sonora. Embora tenha sido acolhido com alguma reserva por
alguns críticos profissionais, eu achei “Made in Italy” um filme muito bem
feito e agradável de assistir. Não foi à toda que seu roteiro foi eleito por jornalistas italianos como o melhor história original de 2018. Méritos não só para o diretor, mas também para a dupla
principal. Stefano Accorsi é um ótimo ator, experiente e carismático, e Kasia Smutniaki, radicada há
alguns anos na Itália, prova que está habituada a fazer papel de mulher
apaixonada e sensível, mas também impulsiva como são as italianas. Aos 40 anos,
acredito que Smutniaki tem tudo para se transformar na mais nova diva do cinema
italiano, pois a grande Monica Bellucci já se aproxima dos 60. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial, o que será uma pena, pois é mais um grande filme "Made in Italy". domingo, 13 de outubro de 2019
O drama independente “MONSTROS
E HOMENS” (“MONSTERS AND MEN”), 2018, EUA, 1h38m, aborda uma questão que
está sempre em evidência no país do Tio Sam: a violência de policiais brancos
contra cidadãos negros. Com roteiro e direção de Reinaldo Marcus Green (é o seu
longa-metragem de estreia; ele é mais conhecido como diretor de curtas), o
filme conta a história de um brutal assassinato ocorrido no Brooklin. Numa
abordagem policial, um sujeito negro muito conhecido e querido pelo pessoal do
bairro é abordado pelos policiais, reage e toma um tiro. O episódio é testemunhado
por várias pessoas e filmado no celular pelo imigrante latino-americano Manny
(Anthony Ramos), que envia a filmagem para as autoridades e a espalha pelas
redes sociais. É claro que acaba sendo perseguido pela polícia. Enquanto isso,
o policial negro Dennis (John David Washington, filho do ator Denzel
Washington) acompanha tudo de perto, mas procura não se envolver, já que acaba
de ser promovido. O roteiro inclui mais um personagem importante, testemunha do
crime, o jovem jogador negro de beisebol Zyric (Kelvin Harrison Jr.). Ao
estrear no Festival de Sundance 2018 (o mais importante festival de filmes independentes), “Monsters and Men” ganhou grande repercussão na mídia e elogios
da crítica. Sem dúvida, um bom filme, apesar de tocar numa ferida que já virou
clichê no cinema norte-americano.
Quem torce o nariz para o
cinema asiático e o rejeita está perdendo ótimos filmes. Só para citar um
exemplo, “Parasite”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, acabou de conquistar
a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019. Nos últimos anos, assisti a vários
filmes sul-coreanos e eles realmente estão arrasando, principalmente no gênero
filmes de ação (“O Túnel”, de 2016, é sensacional). Fiz questão de escrever
esta introdução para apresentar “O ESPIÃO – OPERAÇÃO SECRETA” (“SEU-PA-I”),
2015, direção de Lee Seung-Jun, com roteiro de Yoon Je-Kyoon e Park Su-Jin.
Trata-se de um misto de comédia e filme de ação, aliás, 2 horas de muita ação. Vamos
à história: Chul-Soo (Sol Kyung-Gu) é o mais famoso agente secreto da Coréia do
Sul. Nem sua esposa, a aeromoça Baek Seol Hui (a ótima Han Ye-ri), conhece a
profissão que ele exerce há vários anos para o governo sul-coreano. O casal
quer ter um filho, mas as viagens de Chul-Soo – missões em outros países – têm dificultado
esse objetivo. A próxima missão de Chul será executada na Tailândia, ou seja,
capturar um grupo de terroristas que negocia com os russos a compra de uma bomba nuclear para
ser lançada contra a Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma guerra
entre os dois países. No filme, as duas Coreias tentam um acordo para a sua reunificação. Enquanto prossegue na sua missão, Chul descobre que sua esposa
também está na Tailândia e aí a confusão está formada, ainda mais que Baek é cortejada
justamente pelo chefe dos terroristas, Ryan (o bonitão Daniel Henney). “O Espião” é divertido, tem muita ação,
perseguições, pancadaria e tiros pra tudo que é lado. A cena do tiroteio dentro de um restaurante é espetacular. O filme todo é de tirar o fôlego. Programão. Não percam!
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Baseado em fatos reais, “VENTOS
PARA A LIBERDADE” (“Ballon”), 2018, Alemanha, 2h06m, roteiro e direção de
Michael Blully Herbig, conta uma incrível história de coragem. O ano é 1979.
Dois casais de amigos, juntamente com seus filhos pequenos, decidem tentar
fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental utilizando um balão. Detalhe:
ninguém é balonista. Peter Strelzyk (Friedrich Mücke) é mecânico e Günter
Wetzel (David Kross) pedreiro. Mesmo assim, planejaram a construção do balão e
também elaboraram um audacioso plano de fuga. Tudo isso no maior segredo
possível, já que naquela época todo mundo vigiava todo mundo para depois
entregar para a famigerada STASI, a polícia secreta da Alemanha Oriental (República
Democrática Alemã – nunca entendi a utilização da palavra “Democrática” para
denominar um regime tão fechado, sem liberdade nenhuma). O filme apresenta tantas
sequências de suspense e tensão (corda esticada mesmo) que prende a atenção do
começo ao fim. É capaz de nos fazer roer a unha, eriçar os pelos da nuca, entortar
o braço da poltrona e comer um enorme saco de pipocas e nem perceber que
acabou. Um filmaço irresistível, daqueles que nos faz torcer o tempo inteiro
para as famílias não serem presas e conseguirem fugir. Imaginar que essa
aventura incrível realmente aconteceu é mais um trunfo desse ótimo filme
alemão, que ainda conta com um excelente elenco. Além de David Kross e Friedrich Mücke, participam Thomas Kretschmann, Karoline Schuch, Alicia Von Rittberg, Emily Kusche e Ronald Kululies. IMPERDÍVEL!
“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução
do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido
que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur
Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que
pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital
do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma
jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de
uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a
dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e,
pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak)
engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os
percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal
no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do
aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e
avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia
para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar
mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter
assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados”
e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para
diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja
maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas
naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de
ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019,
EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja
história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo,
Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle
Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num
apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um
vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma
identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na
casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida
para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma
obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um
dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como
chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não
só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o
suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse
a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos
66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora.
Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme.
Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe.
Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é
responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo
Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma
oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz
francesa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019,
EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade
provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada
a sair de casa e ir direto para os abrigos. Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu
pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e
fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas
pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a
tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai
está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e
trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente
da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de
perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em
número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de
verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe
quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês
especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta
Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o
desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo
alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”:
A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai
inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e
fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em
português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para
curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também
em você.
domingo, 6 de outubro de 2019
Sempre gostei de assistir a
filmes de países de língua árabe. Além de alguns excelentes, a maioria ensina muito sobre sua cultura e suas
tradições, o que os torna ainda mais interessantes. Ao assisti-los, a gente aprende
muito e acaba chegando à conclusão de que nós, ocidentais, jamais compreenderemos
seu modo de vida, enraizado há muitos séculos. Escrevi esse introito para
apresentar o drama argelino “O ARREPENDIDO” (“EL TAAIB” – na
França, recebeu o título de “Le Repenti”), 2012, roteiro e direção de
Merzak Allouache, 1h27m. A história é centrada no jovem jihadista Rashid (Nahi
Asli), que abandona a montanha onde se refugiava com seu grupo de extremistas
islâmicos, responsável por aterrorizar a população civil dos vilarejos da
região. Rashid volta à sua aldeia natal e
logo é denunciado à polícia – pela lei do Perdão e da Concórdia Nacional
vigente na Argélia, todo jihadista que se entregar e devolver sua arma será
anistiado. Rashid tenta se esconder da polícia e, nesse meio tempo, comete um
assassinato e faz chantagem contra um casal cuja filha adolescente tinha sido assassinada
pelos jihadistas. Por uma quantia em dinheiro, Rashid promete levá-los a um
local da montanha onde os restos mortais da menina haviam sido enterrados. A câmera
do diretor Merzak Allouache capta os cenários desérticos da região em tomadas
longas e lentas, o que prejudica o andamento da ação que envolve o trio de
viajantes, tornando o filme, perto do desfecho, um tanto monótono. “O
Arrependido” teve sua primeira exibição durante a Quinzena dos Realizadores no
Festival de Cannes/2012, além de participar, no mesmo ano, da Mostra Panorama
do Cinema Mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No 17º
Festival Internacional de Cinema de Kerala, na Índia, conquistou o Prêmio “Fipresci”
de Melhor Filme Asiático. Um filme muito interessante que merece ser visto
principalmente pelas razões que enumerei no início deste comentário.
sábado, 5 de outubro de 2019
“UM AMOR INESPERADO” (“El Amor
Menos Pensado”), 2018, Argentina, 2h16m. O filme é todo focado
num casal de meia-idade cujo filho único, de 20 anos, saiu de casa para estudar
na Espanha. O casal, que acaba de completar 25 anos de casado, começa a sofrer
da tal Síndrome do Ninho Vazio, culminando com sua separação amigável. Cada um
vai para um lado, namoram, vivem paixões momentâneas e um deles ainda tentará
arranjar alguém pelo aplicativo Tinder. É dentro desse contexto que se desenrola
o filme, trazendo como a dupla principal de protagonistas os astros argentinos
Ricardo Darín e Mercedes Moran. “Um Amor Inesperado” é um misto de comédia
romântica e crítica de costumes. Além da química perfeita entre Darín e Moran,
dois veteranos do cinema argentino, outro trunfo do filme é a qualidade dos
diálogos, adultos, inteligentes, sarcásticos e muito bem-humorados. O roteirista e diretor Juan
Vera acerta em cheio em seu primeiro longa-metragem, apesar o desfecho ser inteiramente previsível. No cenário do cinema
argentino, Vera é mais conhecido como produtor de grandes filmes, entre eles “O
Filho da Noiva”, “Abutres”, “Elefante Branco” e “Leonera”, todos muito bons,
conforme já comentei anteriormente no meu blog. “Um Amor Inesperado”, antes de chegar ao
circuito comercial do Brasil em março de 2019, estreou na Argentina e obteve
grande sucesso de bilheteria. Conto agora algumas curiosidades sobre o filme.
Primeiro, o título que recebeu nos EUA: “An Unexpected Love”. Na França, “Retour
de Flamme”. Outra curiosidade diz respeito à trilha sonora. Numa festa de aniversário
de um casal de amigos, a música escolhida para selar o seu amor foi nada mais
nada menos do que um dos maiores hinos do nosso cancioneiro brega: “Fogo e
Paixão”, cantado por Wando, isso mesmo, aquele das calcinhas. Resumo da ópera: “Um Amor Inesperado” é ótimo, muito inteligente e
agradável, além de contar com Ricardo Darín e Mercedes Moran em estado, literalmente, de graça. Imperdível! quarta-feira, 2 de outubro de 2019
“MEMÓRIA
DE UM CRIME” (“BACKTRICE”), 2018, EUA, 1m27m, filme policial dirigido
por Brian A. Miller, com roteiro de Mike
Maples. O filme começa com um assalto a um carro blindado praticado por três
assaltantes. Eles conseguem fugir com uma grande quantidade de dinheiro, que
escondem num tipo de armazém abandonado em algum lugar bem longe. Logo depois,
durante a fuga, eles se defrontam com dois estranhos fortemente armados, que
exigem parte do dinheiro roubado. Os dois grupos entram em confronto e, dos
assaltantes, só um sobrevive e consegue escapar da matança, mas, devido a um
tiro de raspão na cabeça, perde a memória. O filme salta para sete anos depois.
MacDonald (Matthew Modine), o sobrevivente, está preso numa penitenciária de
segurança máxima e ainda não se lembra do que aconteceu. Seu segredo atrai três
aproveitadores que conseguem resgatá-lo da prisão. Uma enfermeira faz parte do
grupo de sequestradores e, utilizando uma droga especial, tentará fazer
MacDonald recuperar a memória e contar onde escondeu o dinheiro. A investigação
sobre o desaparecimento de MacDonald fica a cargo do xerife Sykes (Sylvester
Stallone), que, com a colaboração do FBI, tentará encontrar pistas que levem ao
sequestrado e seus sequestradores. Embora a divulgação do filme tenha colocado
Stallone como o principal protagonista, na verdade ele aparece em poucas cenas,
ganhando algum realce somente no desfecho. Embora tenha feito história no cinema por seus
antigos personagens John Rambo e Rocky Balboa, Stallone nunca foi um bom ator. Sempre atuou mais com os músculos. Agora, aos 73 anos, tenta sobreviver à idade, mas
encontra muita dificuldade, principalmente pela deformação cada vez mais
acentuada do rosto. Se pudesse aconselhá-lo, diria: “Tá na hora de se aposentar,
Stallone. Obrigado por tudo”. Voltando a “Memória de um Crime”, o filme estreou nos EUA em
dezembro de 2018 e ainda não chegou por aqui. O diretor Brian A. Miller,
especialista em filmes de ação (“O Príncipe”, “Rastros de Violência”, “Sombras
da Justiça”, “A Máquina”), bem que tentou imprimir seu estilo em “Memória de
um Crime”, mas ficou só na intenção. Nada que mereça uma indicação entusiasmada. Em todo caso, pode servir
para uma sessão da tarde com pipoca.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
“NOITE
MÁGICA” (“NOTTI MAGICHE”), 2018, Itália, 2h5m, direção de Paolo
Virzì, que também assina o roteiro juntamente com Francesco Piccolo e
Francesca Archibugi. Trata-se de mais uma bela homenagem ao cinema,
especialmente aos tempos de ouro do cinema italiano. O filme começa com um
carro caindo de uma ponte dentro do rio Tibre, em Roma. A poucos metros dali, num
bar, um grupo de pessoas assistia a um jogo da Itália pela Copa do Mundo – o
filme é ambientado em 1990. Com todos torcendo pela seleção nacional, ninguém ligou
para o acidente, que matou o ocupante do veículo. Durante a investigação
policial sobre o que de fato aconteceu, três jovens foram detidos para
interrogatório: Antonino Scordia (Mauro Lamantia), Eugenia Malaspina (Irene
Vetere) e Luciano Ambrogi (Giovanni Toscano). Explico: antes do acidente
acontecer, os três tiveram contato com a vítima. Scordia, Malaspina e Ambrogi
foram vencedores de um concurso chamado “Prêmio Solinas” destinado a aspirantes
de roteiristas. Durante o interrogatório, os três jovens relembram, em flashbacks,
o que aconteceu nos dias anteriores, o que nos leva a uma “viagem” pelos
bastidores do cinema italiano. “Noite Mágica” é repleto de referências a
figuras importantes do cinema italiano como Ettore Scola (Virzì teve a ideia do
filme durante o velório do grande diretor, morto em janeiro de 2016), Federico Fellini, Marcello
Mastroianni, Vittório Gassman, Roberto Rossellini, Dino Risi e tantos outros (achei muito injusto não haver uma menção especial a Mario Monicelli). Enquanto
circulam por Roma numa noite de jantares e festas, os jovens roteiristas vão a
lugares que serviram de cenários para alguns dos grandes filmes italianos do
passado. Nessas idas e vindas, eles conhecem produtores, roteiristas e
diretores, com os quais conversam sobre o cinema italiano, seu passado e
perspectivas para o futuro. Um dos personagens principais de toda a história
será o produtor Leonardo Saponardo (o grande Giancarlo Giannini, ótimo). Para
quem não conhece, Paolo Virzì é um dos mais cultuados diretores do cinema
italiano atual. Dele, recomendo como pequenas obras-primas dois filmes em
especial: “Capital Humano”, de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Virzì
também experimentou o cinema norte-americano, dirigindo “Ella e John” em 2017, com Helen Mirren e Donald Sutherland. Enfim, “Noite Mágica” é um filme especialmente
dirigido aos cinéfilos que, como eu, são apreciadores do cinema em geral,
particularmente o italiano. Não é o melhor filme que homenageia o cinema. Não desmerecendo o filme de Virzì, prefiro duas obras-primas do cinema italiano: “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e “Splendor”, do grande Ettore Scola.
domingo, 29 de setembro de 2019
“A
ÚLTIMA MISSÃO” (“ALL THE DEVIL’S MEN”), 2018, Inglaterra, 99 minutos,
roteiro e direção de Mattew Hope. O caçador de recompensas e assassino
profissional Collins (Milo Gibson), um ex-agente da CIA, é contratado para viajar
a Londres e matar McKnight (Elliot Cowan), chefão de uma gangue que está
negociando com os russos a compra de um artefato nuclear. McKnight comanda um
exército de renegados da CIA, entre os quais Deighton (Joseph Millson),
ex-agente e antigo colega de Collins. Como contato da CIA em Londres está a
agente Leigh (a atriz holandesa Sylvia Hoeks), responsável pela contratação de Collins. Na
verdade, Leigh tem um motivo muito especial para ver McKnight morto. Entre
perseguições, tiros e muita pancadaria, Collins tentará chegar ao chefão
McKnight, mas antes terá de vencer o seu exército particular. O início do filme
é bastante complicado, difícil de entender quem é quem na história. Mas, aos
poucos, as coisas vão se clareando. Tenho quase certeza de que “A Última Missão”
quis transformar o ator australiano Milo Gibson (filho de Mel Gibson) num novo
astro dos filmes de ação. Milo estreou no cinema em “Até o Último Homem”, de
2016, dirigido pelo próprio pai. Milo é fortão, estilo brucutu, tem cara de mau,
mas como ator ainda está longe de convencer, além de não ter o charme e o carisma do pai. Resumo da ópera: o filme tem lá seus momentos de boa ação, mas a história é um
tanto fantasiosa demais. Em todo caso, serve para uma tarde com pipoca. sexta-feira, 27 de setembro de 2019
“TUDO O QUE TIVEMOS” (“WHAT
THEY HAD”), 2018, EUA, 1h41m, primeiro longa-metragem
escrito e dirigido pela atriz e dramaturga Elizabeth Chomko. Trata-se de um
drama familiar intimista que gira em torno da doença da matriarca da família
Ertz, Ruth (Blythe Danner), que está entrando na fase mais aguda do Alzheimer,
o que mobiliza a atenção de toda a família. Quando ela sai de casa à noite sem
rumo, em meio a uma nevasca, o filho Nicky (Michael Shannon) pede à irmã
Bridget (Hilary Swank) que retorne à cidade para ajudá-lo a decidir o que fazer
com a mãe e convencer o pai Burt (Robert Forster) a interná-la em alguma clínica
especializada. É a partir dessa premissa que se desenvolve o roteiro, que,
apesar do contexto dramático, está entremeado de algumas ótimas situações de
humor, como aquela durante a missa dominical e um velório. Enfim, um drama
bastante comovente cujo maior trunfo é a atuação do elenco, principalmente os
veteranos Blythe Danner (mãe da também atriz Gwyneth Paltrow) e Robert Forster,
além da excelente Hilary Swank, que já tem um Oscar de Melhor Atriz por “Menina
de Ouro” (2004) e Michael Shannon. Mais um filme que trata de forma competente
a questão do Alzheimer e suas consequências não só para o doente, como também para toda
sua família. Excelente!
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
“ANJO MEU” (“ANGEL OF MINE”), 2019,
coprodução Austrália/EUA, 1h38m, direção de Kim Ferrant, com roteiro
de Lucas Davi e David Regal. Trata-se de um suspense cuja história é um
antigo clichê do cinema, ou seja, mulher psicótica e frustrada persegue uma família bem estruturada e feliz.
No caso, a maluca é Lizzie (Noomi Rapace), cuja filha então bebê morreu anos
antes no incêndio ocorrido num hospital. Desde então, ela faz terapia intensiva
com um psicólogo e é vigiada de perto pelo marido Mike (Luke Evans) e pelos
seus pais. Ao conhecer a família de Claire (Yvonne Strahovski) e Bernard
(Richard Roxburgh) Lizzie fica obcecada por Lola (Annika Whiteley), de cinco
anos, filha do casal. Na sua cabeça, Lola é a sua filha. Lizzie então parte para o confronto. Até o desfecho, que reserva
uma reviravolta bastante surpreendente, Lizzie infernizará a família de Claire,
a ponto de seu marido, a conselho do psicólogo, querer interná-la de novo num
hospital psiquiátrico. As atrizes principais estão ótimas em seus papéis de
perseguidora e perseguida. A atriz sueca Noomi Rapace ficou conhecida depois de
ter protagonizado a trilogia Millenium (“Os Homens que não Amavam as Mulheres”,
“A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”) e hoje é
requisitada até por Hollywood. A australiana Yvonne Strahovski atuou em filmes
como “Por Trás dos seus Olhos”, “Ele está lá Fora” e “O Predador” (todos também
de suspense) e se tornou mais conhecida ao protagonizar as séries “Chuck”, como
Sarah Walker, e “Dexter”, como Hanna McKay. Impressionante como Yvonne se parece
com a nossa Luana Piovani, tão mulherão e bonita quanto. Mais conhecida como diretora de documentários e
curtas, a australiana Kim Ferrant acerta a mão neste que é o seu segundo longa-metragem
– o primeiro foi “Terra Estranha”, com Nicole Kidman. “Angel of Mine” estreou dia
14 de agosto de 2019 durante a programação oficial do Melbourne International
Film Festival. Uma boa opção para quem gosta do gênero suspense.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
“A ESPIÃ VERMELHA” (“RED JOAN”), 2018,
Inglaterra, 1h41m, direção de Trevor Nunn. O roteiro, escrito por Lindsay Shapero,
foi adaptado do livro “Red Joan”, de Jannie Rooney. Baseada em fatos reais, a
história acompanha a trajetória da cientista inglesa Melita Stedman Norwood (1912-2005),
que, desde meados da década de 30 e nos 50 anos seguintes, foi espiã a serviço do
Comitê de Segurança Russo (KGB). No filme, o nome de Melita foi substituído por
Joan Stanley (interpretada na velhice pela atriz Judi Dench e quando moça por
Sophie Cookson). Estudante brilhante da Universidade de Cambridge, Melita/Joan se apaixonou por Leo Galich (Tom Hughes), jovem militante do Partido
Comunista. Ao mesmo tempo, ela foi chamada para trabalhar com cientistas que
desenvolviam um projeto secreto para construir uma bomba atômica destinada a
uma eventual utilização contra a Alemanha de Hitler. Pressionada por Leo e
entendendo que se Stalin também tivesse uma bomba igual ninguém seria capaz de
utilizá-la – equivalência de forças -, Melita/Joan concordou em fornecer
informações importantes à KGB. Em 1999, quando a cientista tinha 87 anos e já
aposentada, sua história veio à tona e ela foi presa pelo Serviço de
Inteligência Britânico (MI5). O filme alterna o interrogatório de Joan com flashbacks
da época em que se tornou espiã. Além da história bastante interessante, o
filme tem como destaques a recriação de época, especificamente os figurinos e
cenários, e o excelente trabalho de Sophie Cookson e da veterana Judi Dench. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2018. Um
ótimo programa!
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