“A ESPIÔ
(“SPIONEN”), 2020, Noruega, 1h49m, distribuição Amazon Prime Vídeo, direção de
Jess Jonsson, seguindo roteiro escrito por Harald Rosenlow-Eeg e Jan Trygve
Royneland. Baseado em fatos reais descritos na biografia escrita por Iselin
Theien, o filme acompanha a trajetória da consagrada atriz e cantora sueca
Sonja Wigert (1913-1980), que durante a Segunda Guerra Mundial atuou como espiã em Oslo
(Noruega) e em Estocolmo (Suécia). Ela foi uma agente dupla, servindo o
governo sueco e também aos nazistas. No caso do governo sueco, com a promessa de libertarem seu pai preso em Oslo pelos nazistas. Sonja é interpretada de forma magnífica pela
atriz norueguesa Ingrid Bolso Berdal. Vamos ao contexto em que tudo aconteceu. No
começo da guerra, os alemães invadiram a Noruega e, possivelmente, fariam o
mesmo com a Suécia. O governo sueco recrutou Sonja para se infiltrar entre os
nazistas em Oslo e descobrir quais seriam as reais intenções de Hitler. Antes
de partir para Oslo, Sonja tornou-se amante de Andor Gellért (Damien Chapelle),
diplomata húngaro em Estocolmo. Em Oslo, com sua beleza, Sonja logo conquistou
o oficial alemão Josef Terboven, reichskommissar responsável por chefiar
a ocupação da Noruega, tornando-se também sua amante. Para adquirir a
confiança de Terboven, Sonja concordou em espionar para os nazistas, que queriam
saber dos planos da Suécia para a defesa de seu país. Como a maioria dos filmes
de espionagem, o enredo pode parecer complicado no início, mas aos poucos você
acaba absorvendo tudo de maneira mais clara. O filme é um primor no que se
refere à recriação de época, destacando-se a direção de arte, os cenários e locações, além dos figurinos criados por Ulrika
Sjölin para vestir a personagem principal. Por esse trabalho, Ulrika foi
premiada no Festival de Cinema Amanda 2020, um dos mais prestigiados
da Noruega. “A Espiã” (não confundir com o filme holandês de 2006) conta mais
uma história incrível de coragem durante a Segunda Guerra Mundial pouco
conhecida por aqui. Mais um gol de placa do excelente cinema norueguês.
Imperdível!
terça-feira, 7 de setembro de 2021
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
domingo, 5 de setembro de 2021
“ASCENSÃO
DO CISNE NEGRO” (“SAS – RED NOTICE”), 2021, coprodução
Inglaterra/Hungria/Holanda/Suíça, 2h3m, distribuição Netflix, direção do
cineasta norueguês Magnus Martens, com roteiro de Laurence Malkin. A história é
inspirada no livro – o mesmo do título original – escrito pelo ex-soldado do
exército inglês Andy McNab, que certamente deve ser muito melhor do que o
filme. Nos primeiros minutos, somos levados ao deserto da Geórgia, antiga
república soviética, onde o grupo de mercenários intitulado “Cisnes Negros”
promove uma matança e explode um gasoduto. O serviço de inteligência da
Inglaterra descobre que os responsáveis estão sediados em solo inglês e
encarrega o agente Tom Buckingham (Sam Heughan), das forças especiais, de chefiar
a caça aos criminosos. Numa operação desastrada, eles prendem o chefão dos
mercenários, William Lewis (Tom Wilkinson), mas deixam escapar seus dois
filhos, a machona Grace (a atriz australiana Ruby Rose, também machona na vida
real) e Oliver (Owain Yeoman). Tom é afastado do comando das operações e
resolve viajar com a namorada Sophie (Hannah John-Kamen) para Paris, onde
pediria a moça em casamento. Entretanto, o trem em que viajam é sequestrado,
adivinhem por quem? Isso mesmo, pelos “Cisnes Negros” comandados por Grace e
Oliver. E adivinhem quem vai lutar contra os bandidos? Claro, o mocinho da
história, o agente Tom. Do começo ao fim, o roteiro apresenta tantos furos que
fica difícil não compará-lo a uma peneira gigante. Vou citar um deles. Grace, a
mercenária machona, chega disfarçada à estação onde embarcará no trem. Quando
entra, qual a sua primeira atitude? Desfazer o disfarce no banheiro para logo
depois voltar ao vagão repleto de passageiros, todos lendo jornais em que a
foto da moça aparece na primeira página. É ou não é risível. Outro destaque
negativo, de tantos, é o péssimo elenco. Difícil nomear o pior, mas a tal Ruby
Rose ganha longe. A atriz (?) australiana é mesmo muito ruim. Os diálogos,
então, beiram o ridículo. Se você pensa que já viu tudo de ruim é porque ainda
não chegou às cenas finais, que fazem do desfecho do filme uma impiedosa ofensa
à nossa inteligência. O pior de tudo é que o final da história indica que
poderá haver uma continuação, o que eu duvido muito. Sem dúvida, este é um dos
mais fracos lançamentos da Netflix este ano.
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
“FÚRIA INCONTROLÁVEL” (“UNHINGED”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h30m, direção de Derrick Borte, seguindo roteiro de Carl Ellsworth. É um ótimo suspense, levado num ritmo alucinante, de prender a atenção o tempo inteiro e de tirar o fôlego. O pano de fundo da história é o estresse que atinge a população das grandes cidades. Às vezes, uma simples discussão de trânsito, por exemplo, pode provocar uma fúria incontrolável e levar a consequências trágicas. Vamos à história. Rachel (Caren Pistorius) perde a hora para levar Kyle (Gabriel Bateman), seu filho adolescente, para o colégio. Além disso, tinha um compromisso de trabalho agendado. Quando ela para o carro atrás de uma perua, em meio ao trânsito totalmente congestionado, o sinal abre e ela ultrapassa o outro veículo e buzina como protesto. Deu azar, pois o motorista (Russell Crowe) é um psicopata em seus piores dias. Daí para a frente, ela será perseguida pelo maluco, enfrentará situações de alto risco que colocarão não só a sua vida em perigo, mas como também a de sua família. As cenas de perseguição são muito bem executadas, recheadas de trombadas e capotamentos. É tensão do começo ao fim. Cabe destacar a ótima performance de Russell Crowe, que está assustador como o vilão da história. “Fúria Incontrolável” é filme para grudar o espectador na poltrona. Suspense dos bons. Não perca!
“MEU
NOME É SARA” (“MY NAME IS SARA”), 2019, Estados Unidos, distribuição Amazon
Prime Vídeo, 1h51m, direção de Steven Oritt (é o seu primeiro longa), seguindo
roteiro assinado por David Himmelstein. Embora seja uma produção
norte-americana, o elenco é formado, em sua maioria, por artistas poloneses. Além disso, as filmagens aconteceram no interior da Polônia. Embora
conte a história de uma judia polonesa que foge para a Ucrânia durante a
Segunda Grande Guerra, o filme é falado em inglês, o que ficou esquisito, pois a língua não combina com o contexto em que estão envolvidos, além
da jovem polonesa, ucranianos, russos e alemães. Enfim... A história é mais uma
daquelas trágicas, tristes e melancólicas ocorridas durante a Segunda Guerra
Mundial, ainda mais baseada em fatos reais, acompanhando a trajetória de sofrimento
da judia polonesa Sara Góralnik Shapiro (1930/2018). Em 1942, aos 12 anos, Sara
fugiu da Polônia depois que sua família foi morta pelos nazistas. Um ano
depois, conseguiu chegar a um pequeno vilarejo da Ucrânia, onde foi acolhida por
um casal de fazendeiros, em troca de comida e abrigo, sendo obrigada a ajudar
nos afazeres da fazenda e ainda cuidar dos dois filhos pequenos do casal. Para
conseguir sobreviver, ela escondeu o fato de ser judia e até mudou de nome para
Mania Romanchuk, uma antiga amiga de infância. Antes de dormir, colocava um pano
na boca para não falar íidiche durante o sono. Fora isso, aprendeu a fazer o
sinal da cruz, comungar e rezar como os católicos, além de comer carne de
porco, o que os judeus são proibidos. Além do relacionamento nem sempre
pacífico de Sara com o casal de fazendeiros, o filme destaca ainda o sofrimento
do povo ucraniano durante o conflito, tendo que se submeter à insanidade dos
soldados alemães e à violência dos russos, que estupravam as mulheres e
roubavam toda a comida da população. O maior destaque do elenco fica por conta
da estreante Zuzanna Surowy no papel de Sara. Uma atuação magistral,
demonstrando que está quase pronta para se destacar no cinema. Zuzanna foi selecionada
para o papel entre 650 jovens candidatas polonesas. Também ocupam papel de destaque
Michalina Olszanka e Eryk Lubos. “Meu Nome é Sara” não é um entretenimento leve, mas
de muita qualidade e que merece ser visto (nos créditos finais aparece a foto
da verdadeira Sara).
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
“O QUINTO
SET” (“CINQUIÈME SET”), 2020, França, produção original Netflix, 1h53m, roteiro
e direção de Quentin Reynaud (ele também atua; é o técnico do tenista). Quem
gosta de tênis, como eu, vai adorar. E mesmo quem não gosta também pode curtir
a história (fictícia) do tenista francês Thomas Edison (Alex Lutz), que, aos 37 anos de
idade, tenta voltar a disputar torneios em alto nível. Thomas foi um tenista
prodígio. Aos 17 anos, em 2001, chegou à semifinal do Torneio Roland Garros. Ele
acabou derrotado e, nos anos seguintes, tentou voltar a disputar os principais
torneios, mas sofreu com as lesões. Só o joelho direito ele operou três vezes.
Agora, vinte anos depois, sem uma condição física ideal, ele resolve disputar as
rodadas classificatórias do tradicional torneio francês. O filme não dá muito
destaque às partidas, a não ser no desfecho, quando apresenta uma partida
eletrizante. “O Quinto Set” prioriza o lado psicológico do tenista – o que certamente
vale para os demais atletas das quadras. Thomas terá de enfrentar as queixas da
sua esposa Eve (Ana Girardot), uma ex-tenista que, depois de casar, abandonou as quadras para se dedicar exclusivamente ao marido e ao filho. “Só no ano passado você ficou nove meses
fora de casa disputando torneios, me deixando sozinha”, diz ela. “Chegou a hora
de você parar e me ajudar em casa”. Thomas também possui um relacionamento
problemático com a mãe Judith (a envelhecida mas ainda charmosa e competente atriz inglesa Kristin Scott Thomas), que nunca acreditou no
talento do filho e ainda agora continua pressionando-o para melhorar. O filme
mostra como esses problemas pessoais prejudicam o tenista, que precisa estar
com o psicológico em dia para enfrentar os desafios das quadras. Destaque para a
magistral atuação do ator Alex Lutz, que realmente parece um tenista
profissional – como não o conhecia, pensei que fosse. “O Quinto Set” tem todos
os ingredientes para agradar o público que gosta de esporte, principalmente os
adeptos do tênis, para os quais também indico “Borg vs. McEnroe” e “Guerra dos Sexos”.
Imperdível!
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
“MA”, 2019, Estados Unidos, distribuição
Amazon Prime Vídeo, 1h40m, direção de Tate Taylor, que também assina o roteiro juntamente
com Scotty Landes. Trata-se de um misto de suspense e terror psicológico
protagonizado pela ótima Octavia Spencer. Ela é Sue Ann, uma mulher de meia
idade que vive isolada num casarão na periferia de alguma cidade
norte-americana e trabalha como funcionária de uma clínica veterinária. Depois de comprar bebidas alcóolicas para um
grupo de adolescentes, ela oferece o porão de sua casa para que eles curtam
seus prazeres, que incluem também fumar um baseado. Aos poucos, o casarão vira
ponto de encontro de estudantes para muitas festas. E assim Sue Ann sai de seu
isolamento e acaba participando também das baladas juvenis. O que ninguém
imagina, porém, que ela tem outras intenções, a principal delas relativas ao bullying
que sofria no tempo em que era estudante. Bullying que envolvia, principalmente, racismo e rejeição social. Na verdade, Sue Ann planejou uma vingança macabra,
com cenas de fazer virar o rosto. Além de Octavia, estão no elenco Diana
Silvers (guardem bem o nome dessa jovem atriz), Luke Evans, Corey Fogelmanis,
Juliette Lewis, McKaley Miller e Kyanna Simone. A atuação mais marcante, como
não poderia deixar de ser, é de Octavia, atriz que já ganhou um Oscar e um Globo
de Ouro por “Histórias Cruzadas” (2012). Também foi indicada ao Oscar mais
duas vezes, por “Estrelas Além do Tempo” (2017) e por “A Forma da Água” (2018).
Em “Ma”, Spencer está como protagonista, mas sua atuação, ainda que excelente,
não é daquelas que merece premiação. O clima de tensão em “Ma” segue num ritmo
crescente até desaguar numa verdadeira carnificina. Suspense dos melhores. Não
perca!
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
“TERROR
NA SÍRIA” (“BE VAGHTE SHAM” – nos países de língua inglesa, “Damascus Time”), 2018, Irã, distribuição
Amazon Prime Video, 1h52m, roteiro e direção de Ebrahim Hatamikia. Este é, sem
dúvida, o filme mais poderoso e impactante que já assisti sobre terrorismo, pois
apresenta, de forma muito realista, a essência do mal que motiva os integrantes
do Estado Islâmico (ISIS). A história de “Terror na Síria” é centrada em dois
pilotos da força aérea iraniana encarregados de uma missão muito arriscada em
plena guerra civil na Síria: resgatar alguns habitantes de Palmira, cidade cercada
pelos terroristas do EI. A missão também envolve o resgate de um avião que
havia sido tomado pelo EI. Os pilotos iranianos são Ali (Babak Hamidfan) e
Younes (Hadi Hejazifar), pai e filho. A missão começa bem, pois eles conseguem
chegar ao avião com o grupo de pessoas resgatadas. Os pilotos também teriam que
transportar terroristas do EI feitos prisioneiros pelo exército sírio. Quando o
avião se prepara para decolar, surgem no aeroporto milícias terroristas que
tentarão impedir a decolagem. Aí começa um verdadeiro derramamento de sangue, que
continuará durante toda a história. As imagens são violentas e certamente
incomodarão os estômagos mais sensíveis. Mas são muito bem feitas e realistas. Não tenho dúvida em afirmar que seriam censuradas pela mídia de tão fortes.
“Terror na Síria” é um filme de muito suspense e ação, o que difere do estilo da
maioria dos filmes iranianos. Resumindo, é um filmaço de tirar o fôlego.
domingo, 29 de agosto de 2021
“SEM
REMORSO” (“WITHOUT REMORSE”), 2021, Estados Unidos, produção original e
distribuição Amazon Prime Video, 1h49m, roteiro e direção do cineasta italiano
Stefano Sollima. Mais uma ótima adaptação de um livro do consagrado escritor
norte-americano Tom Clancy (1947/2013), “Without Remorse”, de 1993. Como se
sabe, as histórias de Clancy envolvem espionagem, teias intrincadas, conspirações,
reviravoltas, suspense e muita ação, geralmente ligadas aos bastidores da
Guerra Fria. “Sem Remorso” se encaixa perfeitamente nesse contexto. Numa missão
secreta na Síria, John Kelly (Michael B. Jordan), oficial de elite da Marinha,
acaba executando mercenários russos. Em retaliação, sua esposa Pam Kelly
(Lauren London), grávida de oito meses, é assassinada dentro de casa. Com a
ajuda de sua colega, a oficial Karen Greer (Jodie Turner-Smith), e outros fuzileiros,
Kelly vai atrás dos responsáveis pela morte e sua esposa. Nessa caçada, ele
descobrirá que pode haver mais gente envolvida e passa a desconfiar de Robert
Ritter (Jamie Bell), agente da CIA, e até do secretário de Defesa (Guy Pearce).
Durante essa verdadeira caçada, que levará a equipe de Kelly até a Rússia,
muito sangue vai jorrar – as cenas de ação são ótimas, com destaque para a
atuação de Michael B. Jordan, que já havia demonstrado sua versatilidade em filmes
como “Quarteto Fantástico”, “Creed – Nascido para Lutar” e “Pantera Negra”. A
assinatura de Tom Clancy também é um bom aval para a qualidade da história. Só
para lembrar, ele foi o autor de best-sellers como “Jogos Patrióticos”, “Caçada
ao Outubro Vermelho”, “Perigo Real e Imediato” e “A Soma de Todos os Medos”,
entre outros romances adaptados com sucesso para o cinema. O roteiro e a direção
do italiano Stefano Sollima, de “Sicário: Dia do Soldado” e “Suburra”, também colaboram com a qualidade de “Sem Remorso”, pois sabe, como poucos, desenvolver e
contar uma história tão intrincada como é normal nos livros de Clancy. Um lembrete
importante: após os créditos finais há uma cena que deixa evidente a realização
de uma continuação. Trocando em miúdos, “Sem Remorso” vale o ingresso. Não
perca!
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
“ESTADOS UNIDOS VS. BILLIE HOLIDAY” (“THE UNITED STATES VS. BILLIE HOLIDAY”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Video, 2h10m, direção de Lee Daniels (“O Mordomo da Casa Branca”, “Preciosa: Uma História de Esperança”). O roteiro foi escrito por Suzan-Lori Parks com base no livro “Chasing The Scream”, do jornalista inglês Johann Hari. O filme acompanha a trajetória tumultuada dos últimos dez anos da cantora e compositora negra de jazz/blues Billie Holiday, morta em 1959 aos 44 anos. A história começa no final dos anos 40, quando Billie já era uma cantora consagrada, vendendo milhares de discos e arrastando multidões para suas apresentações ao vivo. Numa delas, ela cantou pela primeira vez a música “Strange Fruit”, que denunciava a prática de linchamentos contra os negros. Quando as autoridades governamentais ouviram a música, imediatamente proibiram Billie de cantá-la. Como não conseguiram, mobilizaram o Departamento Federal de Narcóticos para prendê-la por uso e porte de drogas – Billie era viciada em heroína -, um pretexto para deixá-la longe dos palcos. Numa das cenas, um policial diz a outro: “Drogas e negros são o problema desta nação”. Billie teve uma vida muito sofrida. Abandonada pelo pai logo que nasceu, foi criada pela mãe que trabalhava como prostituta. Aos 10 anos, foi estuprada pelo vizinho. Além disso, foi obrigada a conviver com o racismo enraizado na sociedade norte-americana da época. Nos hotéis em que se hospedava durante suas turnês, por exemplo, mesmo sendo uma grande estrela da música, Billie só podia utilizar os elevadores de serviço. O lado sentimental também foi um desastre. Ela foi amante de empresários e casou três vezes, todas com homens que também consumiam drogas e a espancavam. Claro que toda essa conjuntura acabou levando Billie para o álcool e as drogas. No filme, o papel de Billie ficou com a cantora Andra Day, que fez sua estreia no cinema. E arrasou, não só pela sua poderosa atuação como atriz, mas também como cantora – é ela que canta todas as músicas. Aliás, um dos maiores trunfos do filme é justamente a trilha sonora, recheada com os maiores sucessos de Billie Holiday. Não foi à toa que Andra Day conquistou o Globo de Ouro como “Melhor Atriz”, além de ter sido indicada ao Oscar 2021. Também estão no elenco Trevante Rhodes, Garrett Hedlund, Rob Morgan, Natasha Lyonne e Leslie Jordan. Em tempos de tanta mediocridade musical, “Estados Unidos vs. Billie Holiday” é simplesmente imperdível e obrigatório, ainda mais para quem não sabe quem foi Billie Holiday. Para os fãs, então, como eu sempre fui, o filme é um daqueles presentes para guardar do lado esquerdo do peito.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
“AS ESPIÃS DE CHURCHILL (“A CALL TO SPY”), 2019, Estados Unidos, distribuição Netflix, 2h4m, roteiro e direção de Lydia Dean Pilcherl. Este é, na verdade, o seu segundo longa – o primeiro foi “Radium Girls”, de 2018. Mais conhecida como produtora, Lydia fez um excelente trabalho nesse drama de guerra, adaptando uma história baseada em fatos reais ocorridos durante a Segunda Grande Guerra. Logo após a França ser invadida pelo exército alemão, o serviço de inteligência da Inglaterra começou a trabalhar com a possibilidade de os alemães invadirem também o seu país. Dessa forma, o primeiro-ministro Winston Churchill ordenou que fosse formada uma equipe de espiões para se infiltrar em solo francês e tentar descobrir os planos dos nazistas. O grupo ficou sob o comando do oficial Maurice Buckmaster (Linus Roache), que encarregou a também oficial Vera Atkins (Stana Katic) para realizar o recrutamento. Atkins conseguiu convencer Maurice de que seria mais fácil treinar mulheres, já que elas despertariam menos suspeitas por parte dos alemães. A primeira recrutada foi Virginia Hall (a ótima Sarah Megan Thomas), apesar de sua grave deficiência física – ela usava uma perna mecânica. Era chamada de “a espiã manca”. A segunda, treinada como espiã e também como telegrafista, foi a indiana Noor Inayat Khan (Radhika Apte). O filme acompanha o treinamento das duas novas espiãs, o trabalho de ambas em solo francês e os perigos que enfrentaram em seu difícil trabalho. Virginia Hall se destacou tanto que logo assumiria o comando das unidades da resistência à ocupação nazista. Seu trabalho, assim como o de Noor, resultou em valiosas informações para os ingleses. Quem gosta de histórias de guerra vai curtir muito “As Espiãs de Churchill”, um filme cuidadosamente realizado, principalmente em termos de recriação de época. O clima de tensão se mantém até o final e a gente nem sente passar as 2 horas de duração. Imperdível!
terça-feira, 24 de agosto de 2021
“JOLT:
FÚRIA FATAL” (“JOLT”), 2021, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h31m,
direção de Tanya Wexler, seguindo roteiro assinado por Scott Wascha. Existe um
ótimo motivo para você assistir a este ótimo filme de ação: a atriz Kate
Beckinsale. Ainda em grande forma e cada vez mais bonita aos 48 anos, ela
arrasa como Lindy, uma mulher que desde criança é afetada por um distúrbio
neurológico raro que a faz ter impulsos de raiva e violência descontrolada.
Resumindo, ela não gosta de ser contrariada, não suporta desaforo e parte para
a briga com quem estiver fazendo barulho ao mastigar ou até mesmo se for mal
atendida por uma garçonete. Também não tolera injustiças. Nesse contexto, e
ainda por se vestir somente de preto, fica parecendo uma heroína de história em
quadrinhos, o que não é o caso. Tentaram conter sua fúria internando-a em
vários hospitais psiquiátricos e até a submeteram a um treinamento forçado no
exército, mas ninguém conseguiu controlar seus acessos de fúria. Até que
apareceu o Dr. Munchin (Stanley Tucci), um renomado psiquiatra. Ele inventou um
dispositivo constituído de eletrodos – grudados no corpo de Lindy – e ligados a
um comando manual que, quando acionado, provoca choques elétricos. Dessa forma,
quando começa a se descontrolar, Lindy aciona um botão e a raiva passa num
instante. Tudo caminha aparentemente sob controle até ela conhecer Justin (Jai Courtney) por
intermédio de um site de namoro. Depois de uma ou duas noites de amor, eles
acabam se apaixonando, mas a alegria vai durar pouco. Justin é encontrado
morto e a polícia não tem pistas. O detetive Vicars (Bobby Carnevale) e sua assistente,
a detetive Nevin (Laverne Cox), são encarregados da investigação. Lindy resolve
investigar o caso por conta própria, atitude que tumultua todo o trabalho da
polícia. Depois de muita pancadaria – as brigas são muito bem coreografadas -, tiros,
perseguições e explosões, tudo num ritmo alucinante, uma surpreendente
reviravolta acontece no desfecho, quando Lindy finalmente ficará frente a
frente com o assassino. Ainda no desfecho, outra surpresa é a presença, numa
rápida aparição, da veterana atriz Susan Sarandon, cuja conversa com Lindy
sugere uma continuação da história em outro filme. Não desligue antes dos créditos finais,
pois ainda haverá outra surpresa. Gostei muito de “Jolt”, uma ótima diversão,
principalmente porque é levado com muito bom humor, além da ação frenética. Sem
esquecer, é claro, da maravilhosa Kate Beckinsale, craque em filmes do gênero, como o
ótimo “Anjos da Noite”.
“UM
CLÁSSICO FILME DE TERROR” (“A CLASSIC HORROR STORY”), 2021, Itália, 1h35m, produção
e distribuição Netflix, direção de Roberto De Feo e Paolo Strippoli, que também
assinam o roteiro com a colaboração de Lucio Besana. Apesar do título original
em inglês, o filme é inteiramente italiano. Trata-se de um filme de terror que
pode ser encarado de duas formas: uma homenagem ao gênero terror ou uma sátira.
É recheado de clichês e referências a alguns clássicos (leia no final do
comentário), mas o resultado final decepciona. Pode ser considerado também um
terror trash, em seu sentido mais negativo. A história começa esquisita e
termina mais esquisita ainda. De início, temos uma perua tipo de lotação
alugada para uma viagem turística à região da Calábria. Fazem parte do grupo um
casal jovem de estrangeiros, uma moça misteriosa, um médico mais velho e o
motorista do veículo. Um acidente no meio da estrada acaba resultando no
primeiro mistério. A perua bate numa árvore à beira da estrada e depois, quando
os seus ocupantes acordam, o veículo está no meio de uma floresta. Aí começam a
acontecer fatos que, logo eles descobrirão, estão ligados a uma seita macabra
que costuma torturar, esquartejar e matar suas vítimas. Até o desfecho, muito
sangue vai rolar na telinha, culminando com uma grande e surpreendente reviravolta.
Como comentei no início, o filme faz referências a inúmeros clássicos do gênero
terror, como “Midsommar – O Mal não Espera a Noite”, “Uma Noite Alucinante de
Terror”, “Jogos Mortais”, “O Segredo da Cabana”, “Holocausto Canibal e “O Homem
de Palha”, entre tantos outros. É uma boa ideia, mas concretizada sem muita
competência, talvez porque os diretores sejam jovens e iniciantes na carreira.
No elenco estão Matilda Lutz, Yuliia Sobol, Will Merrick, Francesco Russo,
Peppino Mazzotta e Alida Baldari. “Um Clássico Filme de Terror” deixa claro que
terror não é muito a praia do cinema italiano. Em todo caso, deve agradar bastante
a quem curte o gênero.
domingo, 22 de agosto de 2021
“HERÓIS DE UMA GUERRA” (“ZASPANKA ZA VOJNIKE”), 2018, Sérvia, 120 minutos, distribuição Amazon Prime, direção de Predrag Antonijevic, seguindo roteiro assinado por Natasa Drakulic. Excelente drama de guerra do pouco conhecido cinema da República da Sérvia. Inspirado em fatos reais, este é mais um filme fruto da inesgotável fonte de histórias oriundas da Primeira e Segunda Guerra mundiais. Aqui, o foco é um dos feitos mais importantes do exército sérvio, desta vez durante a Primeira Guerra (1914-1918). Como fica evidente, o filme exalta o heroísmo dos soldados sérvios, mas nem essa patriotada tira os méritos do filme. A história é toda centrada em um pelotão encarregado da bateria de canhões que segue para a frente de batalha contra os austríacos, que, sem motivo aparente, declararam guerra à Sérvia. O personagem principal é Stevan Jakovljevic (Marko Vasiljevic), professor de biologia que se alista no exército sérvio sem qualquer experiência no campo de batalha. Mesmo assim, por causa do título universitário, ele é logo promovido a sargento, mesmo que a maioria dos seus subordinados tenha já combatido anteriormente, principalmente contra os turcos e búlgaros. O filme acompanha a caminhada de Jakovljevic e dos soldados do seu batalhão até a zona de combate. Na solidão da noite ou nas trincheiras, os combatentes sérvios revelam suas vidas pessoais em diálogos que demonstram sua grande tristeza por ficar longe de suas famílias sem saber se irão vê-las novamente. São cenas e diálogos realmente muito angustiantes e melancólicos. Os atores principais são muito bons, especialmente Ljubomir Bandovic, o autoritário comandante do batalhão. Mais uma história gloriosa, certamente desconhecida pelo grande público, que tem sua adaptação muito bem realizada para o cinema. “Heróis de Uma Guerra”, portanto, é um bom programa para quem curte histórias de guerra, como eu. Por isso, assino embaixo.
sábado, 21 de agosto de 2021
“DEEP”, 2021, Tailândia,
1h41m, produção original Netflix (estreou dia 17 de julho de 2021). O filme foi
escrito por Wisit Sasanatieng e dirigido por uma equipe de cinco estudantes da Universidade
de Bangkok. Mas não pense que se trata de um filme totalmente amador, repleto
de defeitos e realizado com equipamentos de má qualidade. Pelo contrário,
parece coisa de profissional. É muito bem realizado e com um elenco bastante
competente. A premissa é interessante: quatro estudantes da faculdade de
medicina sofrem de insônia crônica e decidem participar, em troca de uma boa
quantia em dinheiro, de um experimento pra lá de inusitado, sob o comando do dr.
Hans Miller (Kim Waddoup), um cientista alemão maluco dono de um laboratório
farmacêutico. O objetivo do experimento é saber por quanto tempo uma pessoa
consegue ficar sem dormir. Para isso, é preciso aplicar um chip com queratonina
na nuca das “cobaias”, ou seja, os estudantes Win, Jane, Cin e Peach (não identifico
os atores, pois são ilustres desconhecidos para nós). A queratonina é uma substância
que mantém os seres humanos acordados. Quando o nível está baixo, a pessoa corre
o risco de dormir. Quando chega a zero, em no máximo 60 segundos a pessoa corre
o risco de sofrer um infarto. É claro que os estudantes estarão correndo um
grande risco de morte, principalmente durante a fase 2 do projeto, o que mantém o suspense até o desfecho. Eles começam a
ter visões, desmaios e ficam agressivos. Para piorar a situação e aumentar
ainda mais a tensão reinante, June, a irmã mais nova de Jane, também concorda em
participar do experimento. Quase no desfecho, os estudantes descobrirão que uma
professora da faculdade está por trás de tudo, em cumplicidade com o cientista
alemão. Trocando em miúdos, “DEEP” tem suas qualidades, mas também alguns defeitos. Não é, porém, um filme descartável. Assista sem medo de ser feliz.
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
“MIMI”, 2021, Índia, 2h12m, direção de Laxman Utekar, que também assina o roteiro com Rohan Shankar (na Netflix desde o dia 26 de julho de 2021). Trata-se de um remake de um grande sucesso de Bollywood de 2010, “Mala Aai Vhhaychi!”. Ao contrário deste, que descamba para o drama, “Mimi” tem uma levada de comédia, embora perto do desfecho se transforme num melodrama choroso. Podemos enquadrá-lo, portanto, no gênero comédia dramática. A jovem Mimi Rathore (a maravilhosa Kriti Sanon) mora com os pais numa pequena cidade do Estado de Rajasthan, norte da Índia. Ela é a moça mais bonita do lugar e seu sonho é ir para Mumbai tentar a sorte como atriz em Bollywood. Para isso, precisa de muito dinheiro para a viagem e pagar um hotel. Seu trabalho como bailarina numa casa de shows não paga o suficiente. Eis que surge um casal de turistas norte-americanos, John (Aidan Whytock) e Summer (Evely Edwards), que está em viagem pela Índia não apenas para passear, mas, principalmente, para encontrar uma mãe de aluguel, já que não podem ter filhos. Por intermédio de um motorista atrapalhado, Pandey (Pankaj Tripathi), o casal conhece Mimi e lhe oferece uma grande quantia em dinheiro para ser mãe de aluguel – um tabu na Índia. A moça demora a aceitar a oferta, mas, depois de muito pensar, acaba cedendo e engravida com o sêmen do norte-americano. Depois de um diagnóstico errado durante a gravidez, Summer e John desistem da criança e retornam aos EUA. O bebê nasce, recebe o nome de Raj e espanta a vizinhança, pois é loirinho e com os olhos bem clarinhos. Até aí, o clima no filme é de bom humor e alegria. Com o retorno repentino do casal à Índia, quando o menino já tem 4 anos, o filme dá uma guinada para o melodrama, exigindo em alguns momentos a utilização de alguns lenços de papel. Tudo funciona muito bem no filme, inclusive a trilha sonora. As músicas apresentam letras que combinam com a história e passam longe da chatice habitual da maioria dos filmes indianos. Inclusive, logo no começo, há um espetáculo de dança muito bem coreografado e a música, por incrível que pareça, é uma delícia. Por falar nisso, é preciso destacar a beleza e o charme de Kriti Sanon, atualmente uma das atrizes mais competentes e bonitas de Bollywood. “Mimi”, portanto é irresistível, um filme muito agradável de assistir. Não perca!
terça-feira, 17 de agosto de 2021
“BECKETT”, 2020, Itália/EUA/Grécia,
produção original Netflix (ingressou na plataforma no dia 13 de agosto de 2021 depois de ser lançado na 74ª Edição do Festival Locarno Film, na Suíça),
1h48m, direção do cineasta italiano Ferdinando Cito Filomarino, que também
assina o roteiro com a colaboração de Kevin Rice. Trata-se de um suspense que
mistura ação e um fundo político, no caso a instabilidade política na Grécia. A
história começa com um casal de turistas, Beckett (John David Washington) e
April (Alicia Vikander), passeando pela Grécia. Em determinado dia, tendo em
vista uma grande passeata de protesto pelas ruas da capital Atenas, eles
resolvem alugar um carro e viajar pelo interior. Péssima ideia, pois sofrem um grave
acidente na estrada e o carro se espatifa contra uma casa no meio do mato. April
morre no local e Beckett é socorrido e levado a um hospital. Interrogado pela
polícia, ele diz ter visto na casa um garoto com uma mulher. Mal sabia ele que
o garoto era filho de um importante político grego e havia sido sequestrado por
uma organização política contra o governo. Começaria aí o calvário de Beckett.
Quando percebe que está correndo risco de morte, ele foge apavorado e, até o
desfecho, será perseguido incansavelmente. Aos poucos, ele fica sabendo que é
vítima de uma grande conspiração política, que envolve não só a polícia grega
como também um alto comissário da embaixada dos Estados Unidos. O filme tem
boas sequências de ação e mostra belos cenários da Grécia, mas derrapa em um
roteiro complicado. Não gostei da escalação do ator John David Washington (filho
do astro Denzen Washington). Não combinou muito com um turista norte-americano
e também não está bem nas cenas de ação, pois parece estar meio fora de forma,
gordo na verdade, destoando do seu passado de atleta – jogador de rúgby. Também
fiquei intrigado como uma atriz tão competente como a sueca Alicia Vikander ser
escalada para um papel tão pequeno. Enfim, fora essas falhas e o roteiro um
tanto confuso, “Beckett” não decepciona totalmente.
sábado, 14 de agosto de 2021
“ÁGUAS
QUE CORROEM” (“RUST CREEK”), 2018, Estados Unidos, 1h48m, direção de Jen
McGowan, seguindo roteiro de Julie Lipson e Stu Pollard. Trata-se de um
suspense policial independente, produzido com poucos recursos e com atores não
muito conhecidos. A história começa quando a jovem Sawyer Scott (Hermione Corfield)
recebe um telefonema convocando-a para uma entrevista de emprego em Washington,
justamente na semana do feriado prolongado do Dia de Ação de Graças. Pouco
depois de ingressar na estrada principal, ela recebe a informação do GPS de que
mais adiante há um congestionamento. Ela então prefere arriscar uma estrada
vicinal e, mesmo com a ajuda do GPS, acaba se perdendo. Quando estaciona no acostamento
para examinar um mapa, ela é surpreendida por dois sujeitos mal-encarados, que,
depois descobriremos, são os irmãos Hollister (Micah Hauptman) e Buck (Daniel
R. Hill). A dupla logo se mostra agressiva com a garota, tentando agarrá-la e, certamente,
estuprá-la. Só que Sawyer é esperta e consegue se livrar deles, abandonando o
carro e se embrenhando na floresta. Os irmãos saem em seu encalço e ela terá
que se esconder para não ser capturada. Ela acaba sendo achada no meio da mata,
machucada e com fome, pelo morador de um trailer, um tal de Lowell (Jay
Paulson), traficante de drogas e, pior, primo de Hollister e Buck. E assim, até
o desfecho, a garota enfrentará uma perseguição desenfreada, que mais tarde
incluirá até mesmo um xerife corrupto. O destaque negativo do filme fica por
conta de uma aula bastante didática de como produzir anfetamina, o que não deve
ter agradado em nada as autoridades norte-americanas antidrogas, muito menos os
pais que têm filhos adolescentes. Portanto, se você for um deles, tome muito
cuidado ao assistir. Trocando em miúdos, trata-se de um suspense que prende a
atenção até o final. Não é nenhuma Brastemp, mas também não chega a ser uma
geladeira de isopor.
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
“O
DIVINO BAGGIO” (“IL DIVIN CODINO”), 2021, Itália, 1h32m, direção de Letizia
Lamartire, seguindo roteiro assinado por Ludovica Rampoldi e Stefano Sardo.
Trata-se de um drama biográfico que explora os bastidores da carreira e a vida
pessoal do jogador de futebol italiano Roberto Baggio, que se transformou em
grande ídolo em seu país em 22 anos de carreira. Disputou três Copas do Mundo
pela seleção italiana e ganhou a Bola de Ouro em 1993. Começou a carreira no
Vicenza, da 2ª Divisão, e logo chegou à Fiorentina. Depois, ainda jogou na
Juventus, Milan, Bologna, Internazionale e no Brescia. Aqui no Brasil, ele
ficou mais conhecido depois que perdeu aquele pênalti na final da Copa do Mundo
contra a nossa seleção em 1994. Aliás, esse trauma o atormentaria pelo resto de
sua carreira. O filme destaca aspectos importantes da sua vida pessoal e esportiva, como a
relação difícil com o pai, as lesões que sofreu, a conversão ao budismo e,
principalmente, os conflitos com seus principais treinadores, em especial com
Arrigo Sacchi. Além daquele pênalti fatídico contra o Brasil, Baggio, chamado de
“Roby” pelos mais íntimos, também sofreu uma grande decepção quando não foi convocado
para a Copa de 2002 no Japão e na Coreia do Sul. Ele queria enfrentar o Brasil
novamente e apagar aquela imagem do pênalti perdido. Baggio é interpretado pelo ator Andrea Arcangeli, cuja
caracterização como o craque italiano é o ponto alto do filme. Também estão no
elenco Valentina Bellè, como sua esposa Andreina Fabbi; Antonio Zavatteri como o
técnico Arrigo Sacchi; e Andrea Pennacchi como Florindo, seu pai. É
evidente que “O Divino Baggio” é destinado ao público masculino que gosta de
futebol. E, por isso, o filme seria muito melhor se mostrasse algumas cenas dos
lances do craque no campo, comprovando o seu talento. Essa ausência acabou
prejudicando demais o resultado final.
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
“O
GUIA DA FAMÍLIA PERFEITA” (“LE GUIDE DE LA FAMILLE PARFAITE”), 2021, Canadá, 1h42m, direção
de Ricardo Trogi, que também assina o roteiro com a colaboração de François
Avard, Jean-François Léger e Louis Morissette, este último o ator principal do
filme. Drama familiar cujo pano de fundo lembra aquela velha frase que diz “Filho
não vem com manual de instrução”. O roteiro trabalha com a expectativa dos pais
em relação à educação e ao futuro dos filhos. Com pitadas de humor, diálogos
afiados e muita psicologia, o filme retrata os problemas da relação do casal
Martin (Louis Morissette) e Marie (Catherine Chabot) com seus filhos, a
adolescente Rose (Émile Bierre) e o pirralho Mathis (Xavier Lebel). A mais
problemática é Rose, de 16 anos, filha do primeiro casamento de Martin com
Caroline (Isabelle Guérard). Típica rebelde sem causa, Rose apronta no colégio,
enfrenta o pai e a madrasta e se recusa a seguir as regras da casa. Ela se
sente pressionada pelo pai, que exige notas altas e que seja a melhor no time
de hóquei no gelo. Mathis é um menino na faixa dos quatro anos, muito
mal-educado e mimado. Quando não gosta da comida, joga o prato longe e não
recebe nenhuma bronca. E, pior, sempre aparece no quarto dos pais quando eles
tentam começar uma transa – o famoso empata. A falta de bronca no menino é uma
das causas de revolta de Rose, que exige uma punição ao menino. O ponto central do filme
é realmente a relação direta entre pai e filha. Falado em francês, o filme é
uma produção original da Netflix, uma opção bem light especialmente dedicada
aos pais que têm dificuldade de lidar com os filhos – o que é geral no mundo de
hoje, assim como era ontem e continuará sendo sempre. Como diz o velho
ditado, “Quem tem filhos têm cadilhos”. O filme canadense é ótimo, merece ser
conferido.
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
HUSH –
A MORTE OUVE (HUSH),
2016, Estados Unidos, 1h27m, direção de Mike Flanagan, que também assina o
roteiro com a colaboração de Kate Siegel – esposa do diretor e atriz principal
do filme. Suspense movimentado que prende a atenção até o fim. Nenhuma
surpresa, pois Mike Flanagan é especialista em filmes do gênero, entre os quais
“Ouija: Origem do Mal”, “Jogo Perigoso”, “Dr. Sono” e “O Sono da Morte”. Ou
seja, Flanagan sabe o que faz. Bem, vamos à história. A escritora Maddie Toung (Kate
Siegel) é surda e muda desde menina. Vive, portanto, num mundo de total
silêncio. Para escrever seu novo romance, ela se isola numa casa no meio do nada.
Porém, muito segura, a começar pelo fato de que os vidros das portas e janelas
são blindados. Numa tarde, ela recebe a visita da amiga e vizinha Sarah (Samantha
Sloyan), conversam através de sinais e logo que chega a noite Maddie volta a ficar
sozinha. Horas depois, enquanto escreve, ela não ouve os pedidos de socorro da
amiga, que acaba de ser atacada por um assassino psicótico, que logo irá tentar
entrar na casa para matar Maddie (a principal falha do roteiro é não explicar
as razões do maluco, ou se esta é mesmo a intenção de quem escreveu, ou seja, determinar
que o sujeito é mesmo um assassino maluco). Até o desfecho, o psicopata (John
Gallagher) tentará entrará na casa para matar Maddie, o que desencadeia uma
série de momentos bastante angustiantes e alguns sustos. A cada cena ela fica esperando e tentando adivinhar
qual será o próximo passo do maluco. O clima de alta tensão
permanece até o final. Claro, graças à competência habitual de Mike Flanagan e
do roteiro bem elaborado. “Hush” é, portanto, mais uma boa opção de suspense no
catálogo da Netflix.
domingo, 8 de agosto de 2021
“TERAPIA
DO MEDO”,
2021, Brasil, produção Globo Filmes, distribuição Netflix, 1h24m, roteiro e
direção de Roberto Moreira. Produzido em 2017, seu lançamento atrasou e sua
estreia nos cinemas ficou para 2020, mas em razão da pandemia de Covid/19 saiu
direto para a Netflix (estreou dia 4 de agosto de 2021). Trata-se de um terror
psicológico na base de vozes do além, alguns sustos, possessão e a aparição de espíritos mal
resolvidos. Apesar da maioria das críticas ser desfavorável, não achei tão
ruim. Pelo contrário, dá para assistir numa boa. Vamos à história. Clara e
Fernanda são irmãs gêmeas idênticas (ambas interpretadas por Cléo Pires, filha
da Glória). Elas formam uma dupla campeã de vôlei de praia – uma grande forçada
de barra do roteiro, já que Cléo tem apenas 1m60. Clara se tratava com o dr.
Bruno, um psicoterapeuta especializado em hipnose e regressão. Quando ela sofre
um grave acidente de moto que matou o seu namorado e técnico, Clara entra em
depressão profunda e acaba numa cadeira de rodas, completamente catatônica, sem
responder a qualquer tipo de estímulo. Diante desse quadro, sua irmã Fernanda
volta a procurar o dr. Bruno. Ao examinar Clara, ele decide levá-la para sua
casa de praia, um enorme casarão onde seu pai, Dr. Afonso (Kiko Bertholini),
também psicoterapeuta, tratava antigamente de alguns pacientes graves,
utilizando métodos alternativos de terapia. Dr. Bruno acredita que pode ajudar
Clara com a mesma forma de tratamento. Como logo seria descoberto, Clara estava
possuída pelo espírito de uma menina, uma tal de Lúcia. Aos poucos, o roteiro
vai explicando de quem eram aqueles espíritos e o que aconteceu para ficarem
tão vingativos, terminando com uma surpreendente revelação. Trocando em miúdos,
“Terapia do Medo”, embora tenha uma narrativa bastante arrastada e lenta,
prende a atenção e ainda oferece de quebra alguns bons momentos de suspense. Embora o papel duplo
seja bastante difícil, fica evidente que Cléo Pires não tem o talento da mãe,
Glória. No mais, devo destacar o trabalho da atriz Andressa Cabral como Ingrid,
mãe do Dr. Bruno, personagem que terá papel relevante na história.





















