quinta-feira, 24 de setembro de 2020

 

“MUITO AMOR PRA DAR” (“CORAZÓN LOCO”), 2020, Argentina, 1h48m, disponível no catálogo Netflix desde o dia 9 de setembro de 2020, direção de Marcos Carnevale, que também assina o roteiro ao lado de Adrián Suar, também o ator principal do filme. Trata-se de uma saborosa e divertida comédia centrada no médico ortopedista Fernando Ferro (Suar), que logo no começo é apresentado como um homem com o coração enorme. Afinal, ele tem tanto amor para dar que mantém dois casamentos ao mesmo tempo. Ou seja, um bígamo de primeira. Ele mora em Mar Del Plata e é casado há 19 anos com Paula (Gabriela Toscano) e tem duas filhas adolescentes. Em Buenos Aires, onde trabalha num hospital público, ele é casado há 9 com sua colega também médica Vera (Soledad Villamil), com quem tem um filho. A história é quase toda dedicada aos estratagemas de Fernando para contornar sua inusitada condição de bígamo. É dentro desse contexto maluco que acontecem as situações mais engraçadas do filme. Até quando Fernando conseguirá enganar as duas esposas? Posso responder lembrando a velha expressão “Mentira tem perna curta”. A comédia argentina é bastante divertida. Nenhuma surpresa em se tratando do diretor Marcos Carnevale, responsável por outras excelentes comédias, entre as quais “Elsa & Fred: Um Amor de Paixão”, “Coração de Leão: O Amor não tem Tamanho” e “Inseparáveis”, só para citar algumas.        

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

 

“REMÉDIO AMARGO” (“ELPRACTICANTE” – nos países de língua inglesa ficou “The Paramedic”), 2020, Espanha, 1h34m, disponível no catálogo Netflix desde o dia 16 de setembro de 2020. A direção é assinada por Carles Torras, que teve a ideia da história, que virou roteiro nas mãos de David Desola e Hèctor Hernández Vicens. Trata-se de um thriller repleto de suspense que prende a atenção do começo ao fim. Durante um atendimento emergencial à noite, a ambulância que transporta o paramédico Ángel Hernández (Mario Casas) e um paciente colide violentamente com um caminhão. Resultado: Ángel fica paraplégico. Quando volta para casa numa cadeira de rodas, ele fica aos cuidados de sua namorada Vane (a atriz belga Débora François). Aos poucos, porém, Ángel começa a se comportar de maneira estranha, assumindo um lado violento e psicótico. Sua primeira vítima será o cachorro do vizinho que não o deixa dormir. Ángel também é acometido de um ciúme doentio pela namorada, que logo vira obsessão. Vane não aguenta mais a situação e abandona o namorado. Algum tempo depois, Ángel descobre que Vane está envolvida com outra pessoa e resolve se vingar. Claro que não vou contar o resto para não estragar as surpresas que o filme reserva. O diretor Carles Torras acerta ao criar um clima de tensão e suspense até o desfecho, para o qual ficou reservada uma surpreendente reviravolta. O ator espanhol Mario Casas, normalmente aproveitado em papéis de galã, talvez tenha feito o seu melhor trabalho no cinema. Ele atua com expressões que realmente remetem a um psicopata. Claro que o nome do seu personagem, Ángel (Anjo), é uma óbvia ironia. A bela atriz belga Débora François também está ótima. Para quem é chegado num bom suspense, “Remédio Amargo” proporciona um excelente programa.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

 

 

“LINHA DE AÇÃO” (“BROKEN CITY”), 2013, Estados Unidos, 1h49m, direção de Allen Hughes e roteiro de Brian Tucker (disponível no catálogo da Netflix). Trata-se de um suspense policial com fundo político, tendo como principal trunfo o elenco de primeira: Mark Wahlberg, Russell Crowe, Catherine Zeta-Jones, Alona Tal, Natalie Martinez, Jeffrey Wright, Barry Pepper e Kyle Chandler. Às vésperas da eleição para a prefeitura de Nova Iorque, o ex-policial e agora detetive particular Billy Taggart (Wahlberg) é contratado pelo prefeito Nicholas Hostetler (Crowe) para seguir sua esposa Cathleen (Zeta-Jones), que supostamente o estava traindo, e também descobrir quem é o amante. Candidato à reeleição, Hostetler teme que a traição da mulher acabe chegando à mídia, o que ocasionaria um escândalo capaz de prejudicar sua candidatura. O pior de tudo é que o suspeito de ser o amante de Cathleen é Paul Andrews (Chandler), o principal conselheiro político do outro candidato, o vereador Jack Valliant (Pepper). Ao longo de suas investigações, o detetive descobre que as intenções do prefeito não são exatamente aquelas que afirmou quando o contratou. Em meio a toda essa confusão, um assassinato misterioso coloca mais molho na história. Quando estreou, “Linha de Ação” não foi muito bem de bilheteria, apesar dos astros do elenco. A crítica especializada massacrou o roteiro, que, apesar de algumas reviravoltas interessantes, realmente ficou devendo por mais confundir do que esclarecer. De qualquer forma, é um programa interessante. Não mais do que isso.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

 

“À QUEIMA-ROUPA” (“POINT BLANK”), 2019, Estados Unidos, 1h27m, à disposição no catálogo Netflix, direção de Joe Lynch, seguindo roteiro assinado por Adam G. Simon, que se inspirou no filme de grande sucesso em 2010, “A Bout Portant”, escrito e dirigido por Fred Cavayé. Mais um filme de ação que utiliza a fórmula bem-sucedida de dois personagens trabalhando em dupla, geralmente policiais, que nos anos 80 teve como maior expoente “Máquina Mortífera”, com Mel Gibson e Danny Glover, que bateu recordes de bilheteria e ganhou algumas sequências. No caso de “À Queima-Roupa”, porém, a dupla é inusitada. Um é o enfermeiro Paul Booker (Anthony Mackie) e o outro Abe Guevara (Frank Grillo), um marginal em fuga depois de ser acusado de um crime que diz não ter cometido. Ambos se conhecem em meio à perseguição policial que termina com a prisão de Guevara, que, ferido, é internado, sob escolta policial, no hospital onde Booker trabalha como enfermeiro. Para convencê-lo a ajudar o irmão a fugir do hospital, Mateo Guevara (Christian Cooke) sequestra a esposa de Booker, grávida de 9 meses. Enquanto isso, a detetive Regina Lews (a ótima Marcia Gay Harden) comanda a investigação na base da violência, que fica ainda pior quando ela fica sabendo que Abe possui um vídeo com provas que incriminam alguns policiais, inclusive ela, dos crimes de corrupção e assassinato. A confusão ainda terá a participação de “Big D” (Markice Moore)”, o chefão de uma poderosa gangue envolvida no tráfico de drogas. Além de bandidão, “Big D” tem o sonho de ser cineasta, o que acaba gerando ótimas sequências de humor. “À Queima-Roupa” tem algumas boas cenas de ação, uma história razoável e um bom elenco, mas não dá para levar muito a sério, ou seja, pode ser visto sem a preocupação de gastar os neurônios.         

sábado, 19 de setembro de 2020

 

“O DIABO DE CADA DIA” (“THE DEVIL ALL THE TIME”), 2020, Estados Unidos, disponível no catálogo Netflix, 2h18m, roteiro e direção de Antonio Campos. Trata-se da adaptação para o cinema do romance “The Devil All The Time”, escrito por Donald Ray Pollock em 2011, aclamado pela crítica literária norte-americana como um dos melhores livros lançados naquele ano. É um drama bem pesado, cujos principais personagens colocam em prática uma maldade advinda do próprio Diabo, entre as quais um ex-soldado que se transforma num fanático religioso, um pastor que mata a mulher para tentar depois ressuscitá-la,  um casal perverso que mata jovens depois do ato sexual fotografado, um pastor que, “em nome do Senhor”, transa com jovens “ovelhas”, um xerife corrupto e assassino etc. Enfim, uma coletânea que representa o que de pior existe nos seres humanos. O filme até que poderia se chamar “O Mal está em todo lugar”. Do começo ao fim, um locutor em off narra a história sob o ponto-de-vista de cada personagem. A trama é ambientada entre o final da Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, envolvendo pessoas e famílias residentes nas regiões interioranas de Knockemstiff (Ohio) e Coalcreek (Virgínia). A história é toda centrada no jovem Arvin Russel (Tom Holland) e seus traumas de infância. Ele é o único personagem a se envolver em quase todas as situações. “O Diabo de Cada Dia” é um filme muito interessante e bem desenvolvido, mas apresenta inúmeras sequências que podem chocar o espectador mais sensível. Conta ainda com um elenco de primeira. Além de Tom Holland (o Homem-Aranha da Marvel), atuam Riley Keough, Robert Pattinson, Mia Wasikovska, Jason Clarke, Bill Skarsgard, Halley Bennett, Eliza Scanlen, Sebastião Stan e Harry Melling.  Este é o quarto longa-metragem escrito e dirigido por Antonio Campos, filho do jornalista brasileiro Lucas Mendes. Com “O Diabo de Cada Dia”, Antonio começa a ser reconhecido como um cineasta de muito talento, com estilo próprio e diferenciado. Imperdível!       

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

“OFERENDA À TEMPESTADE” (“Ofrenda a La tormenta”), 2020, Espanha, 2h14m, roteiro e direção de Fernando González Molina. Trata-se do terceiro e último filme da trilogia “Baztán”, baseada na obra da escritora espanhola Dolores Redondo. Como nos dois primeiros, a inspetora de polícia Amaia Salazar (Marta Etura) é deslocada para a região de Baztán, onde está localizada sua cidade-natal Elizondo, para investigar uma série de desaparecimentos de bebês recém-nascidos. A primeira cena do filme é chocante. Um homem aparece sufocando um bebê no berço com um urso de pelúcia. Haja estômago. À medida em que as investigações prosseguem, Amaia acabará se defrontando com muitos mistérios, quase todos envolvendo seitas secretas, rituais de ocultismo e lendas locais, além de membros de sua própria família, que desde o primeiro filme aparecem como suspeitos na história. “Oferenda à Tempestade” repete a estética visual de “O Guardião Invisível” e de “Legado nos Ossos”, os dois primeiros, utilizando uma fotografia em tons escuros, muitas cenas noturnas e chuva incessante. O elenco é praticamente o mesmo, com um ou outro personagem novo e uma das poucas novidades é a mudança de comportamento de Amaia, que se transforma de uma policial corajosa e mandona para uma mulher com sentimentos à flor da pele, aparecendo em muitas cenas aos prantos. Apesar da reviravolta surpreendente no final, “Oferenda à Tempestade” é mais do mesmo, consolidando a opinião de que a trilogia talvez ficasse melhor se fosse condensada em apenas um filme. Trocando em miúdos, o resultado final é uma decepção.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

 

“LEGADO NOS OSSOS” (“LEGADO EM LOS HUESOS”), 2019, Espanha, 1h59m, segundo filme da Trilogia Baztá, baseada na obra da escritora de romances policiais Dolores Redondo – o primeiro foi “O Guardião Invisível”, já comentado neste blog, e o terceiro é “Oferenda à Tempestade”. Os três foram dirigidos por Fernando González Molina. Em “Legado nos Ossos”, o elenco é praticamente o mesmo do primeiro filme, com exceção da entrada, entre outros, do ator argentino Leonardo Sbaraglia e de um novo personagem, o filho recém-nascido da inspetora Amaia Salazar (Marta Etura). Desta vez, a história envolve a investigação sobre os ossos de crianças encontrados nos arredores de Elizondo, justamente a cidade natal de Amaia, cenário dos três filmes. De novo, o caso misterioso é cercado pelo sobrenatural, destacando lendas milenares, bruxarias e rituais macabros. Como no primeiro, este segundo também envolve na história, a família de Amaia, principalmente suas irmãs e a mãe, há anos internada num hospital psiquiátrico. Em “Legado nos Ossos”, o diretor Molina mantém o mesmo padrão estético do primeiro filme, como cores escuras, muitas cenas noturnas e uma chuva ininterrupta. Como suspense, funciona a contento. E só. Para terminar, aviso quer o próximo filme a ser comentado aqui será o último da trilogia, ou seja, “Oferenda à Tempestade”.         

terça-feira, 15 de setembro de 2020

 

“SANTANA” (“DIAS SANTANA”), 2015, Angola, 1h46m, roteiro e direção de Maradona Dias dos Santos e de Chris Roland, norte-americano radicado na África do Sul. Embora pouco conhecido por aqui, o cinema angolano é bastante prestigiado mundo afora, e este filme de ação acaba de chegar ao catálogo da Netflix, já alcançando o 4º lugar entre os 10 mais vistos. A história, baseada em fatos reais, começa com o assassinato de uma mãe grávida residente na periferia de Luanda, capital de Angola. Seu filho de 4 anos consegue fugir, mesmo ferido, e o bebê é salvo antes da mãe morrer. O filme dá um salto de 35 anos e os dois irmãos agora ocupam cargos importantes em Luanda. Bernado (Dalton Borralho) é general do exército e Dias (Paulo Americano) um agente da divisão de narcóticos da polícia. Depois de anos de investigações, eles descobrem a identidade do assassino da mãe, Ferreira (Rapulana Seiphemo), chefe de uma violenta gangue de traficantes. O roteiro se desenrola basicamente em torno do desejo de vingança dos irmãos. Chegar até Ferreira, porém, será uma façanha e tanto, pois o poderoso traficante anda cercado de um pequeno exército de seguranças. Muita violência, tiros, pancadaria e sangue jorrando, tudo o que pede um filme de ação, sem falar no time de atrizes mulatas do mais alto quilate. Totalmente falado em português de Portugal, “Santana” estreou no Festival de Cannes/2015, chegando agora à Netflix. Trata-se de uma boa oportunidade de conhecer um exemplar do cinema angolano. Vale a pena conferir só por curiosidade.  

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

 

“O GUARDIÃO INVISÍVEL” (“EL GUARDIÁN INVISIBLE”), 2017, Espanha, 2h09m, direção de Fernando González Molina e roteiro de Luiso Berdejo. Trata-se do primeiro filme da trilogia baseada na obra da escritora de romances policiais Dolores Redondo (as duas sequências são “Legado nos Ossos”, de 2019, e “Oferenda da Tempestade”, de 2020, que prometo assistir e comentar). “O Guardião Invisível” é centrado no trabalho da inspetora de polícia Amaia Salazar (Marta Etura) para desvendar os crimes praticados por um serial killer contra garotas na faixa dos 13 aos 16 anos. Para iniciar as investigações, Amaia é deslocada de sua delegacia em Pamplona para Elizondo, uma pequena cidade onde ela nasceu e ainda vivem suas irmãs Flora (Elvira Minguez) e Rosaura (Patrícia López Arnaiz). É nos arredores de Elizondo que são encontrados os corpos das adolescentes. Alguns amigos de infância e até membros de sua família aparecem na lista de suspeitos de Amaia, que, paralelamente às investigações, será obrigada a reviver traumas de sua infância ligados ao passado familiar. Até um ser mitológico que vive na floresta, segundo uma lenda local, pode estar envolvido nos assassinatos, embora os habitantes afirmem que ele é do bem – é nele que o título do filme se baseia. Muitas reviravoltas e um final surpreendente fazem deste suspense espanhol um ótimo programa. Os filmes dessa trilogia, todos disponíveis no catálogo Netflix, são dirigidos por Fernando Gonzáles Molina e têm como personagem principal a inspetora vivida pela excelente atriz Marta Etura.  

domingo, 13 de setembro de 2020

 

“THE ARBITRATION” (a Netflix manteve o título original, em inglês; na tradução para a nossa língua, “Arbitragem”), 2016, Nigéria, 1h52m. Antes de torcer o nariz pelo fato do filme ser nigeriano, saiba que a Nigéria é o segundo maior produtor de filmes do mundo, atrás da Índia e na frente dos Estados Unidos. Como existe Hollywood nos EUA, os críticos profissionais chamam a indústria do cinema na Índia de Bollywood e a da Nigéria de Nollywood. “The Arbitragion”, falado em inglês, conta a história do julgamento de um bem sucedido empresário do setor de Informática acusado de estuprar e demitir ilegalmente uma de suas funcionárias, por sinal, também sua amante. Pode ser considerado um filme de tribunal, embora não tenha juiz ou júri, apenas as partes envolvidas e seus respectivos advogados. Funciona como uma corte de conciliação. Dessa forma, com exceção de algumas cenas em flashbacks, o filme inteiro é ambientado num tipo de sala de reuniões. Frente à frente, lá estão Dara (Adesua Etomi), a acusadora, e sua advogada Owawmi (Somkele Idhalama) e, do outro lado da mesa, Gbenga (Oc Uveje), o acusado, e sua advogada, Funlaya Johnson (Ritiola Doyle), além do mediador Tomisin Bucknor (Sola Fosudo) e uma escrevente. As discussões não se referem apenas às acusações de estupro e demissão ilegal. Envolvem ainda uma questão societária, já que uma parte das ações da empresa do acusado é também alvo da luta judicial. No fim das contas, o que se espera da história é que no seu desfecho seja revelado quem está falando a verdade, ou seja, quem é a vítima e o vilão. A resposta fica por conta do espectador. O roteirista e diretor Niyi Akinmolayan é muito conhecido no país africano por ter dirigido “The Wedding Party 2”, o filme nigeriano de maior bilheteria de todos os tempos. Portanto, ao assistir “The Arbitration”, você terá a oportunidade de conhecer um pouco do cinema nigeriano.    

sábado, 12 de setembro de 2020

 

“UM GRANDE PLANO” (“FILM KTEER KBEER” – nos países de língua inglesa, ganhou o título de “Very Big Shot”), 2016, Líbano, 1h48m, disponível na plataforma Netflix. O filme marca a estreia do jovem Mir-Jean Bou Chaaya, de apenas 31 anos, como roteirista e diretor. A história é centrada nos irmãos Ziad, Joe e Jad, proprietários de uma pequena pizzaria num bairro popular de Beirute. Ziad, o mais velho, está sempre metido em confusão. Numa delas, ele e Joe são presos e acabam cumprindo pena numa penitenciária, enquanto Jad, o caçula, continua à frente da pizzaria. Cinco anos depois, quando Ziad e Jad saem da prisão cheios de planos para ganhar mais dinheiro, a situação volta a complicar. Ziad bola um plano para roubar drogas de um poderoso traficante local, para depois revendê-las na Europa. A partir daí, o filme começa a virar uma comédia. E muito divertida, principalmente depois que Ziad resolve produzir um filme para o cinema, contando com a ajuda de um cineasta amador consumidor das drogas vendidas pelos irmãos. Os bastidores das filmagens são hilariantes. Uma jogada de mestre do estreante diretor Bou Chaaya. Estão no elenco Alain Saadeh (Ziad), Tarek Yaacoub (Joe), Wissam Fares (Jad), Fouad Yammine (Charbel) e Alexandra Kahwagi (Alya). “Um Grande Plano” foi o representante do Líbano na disputa do Oscar 2017 como Melhor Filme Estrangeiro e foi exibido por aqui durante a programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Um filme realmente surpreendente, muito divertido, um ótimo entretenimento. Imperdível!    

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

 

“EL JUGADOR”, 2017, Argentina, 1h43m, marca a estreia de Dan Gueller como diretor e roteirista em longa-metragem. Para criar a história, Gueller revelou que se inspirou no romance “O Jogador”, escrito em 1867 pelo romancista russo Fiódor Dostoiévski. O filme foi divulgado como uma comédia, embora as sequências de humor sejam raras e sem muita graça. Alejandro Reynoso (Alejandro Awada) trabalha como principal assessor do rico empresário Pascual Palma (Oscar Alegre). Enviado para Mar Del Plata com o intuito de levar uma certa quantia em dinheiro para Sergio (Pablo Rago), neto do velho. Segundo Sérgio disse ao avô quando pediu a grana, ela serviria para investir num empreendimento na cidade turística. Só que, na verdade, é para comprar cocaína e depois revendê-la para os traficantes locais – uma parte, é claro, ficará para consumo próprio, do parceiro Dani (Esteban Bigliardi) e da amante Belén (Guadalupe Docampo). Aí que começa toda a confusão, primeiro porque Sérgio e os parceiros são completamente inexperientes para negociar com traficantes. Segundo, porque surge inesperadamente a irmã de Sérgio, Paulina Palma (Lali Gonzalez), que, para conseguir dinheiro para viajar pelo mundo, pede que Alejandro vá ao cassino arriscar a sorte. Logo Alejandro, um viciado crônico em jogos de azar. Para piorar a situação e aumentar ainda mais a confusão, o próprio o avô Pascual, “El Abuelo”, que aparece de surpresa para conferir “in loco” o que está acontecendo. Com exceção do veterano Alejandro Awada, o resto do elenco é muito fraco, assim como o filme inteiro. Enfim, “El Jugador” passa longe, muito longe (diria “a anos-luz”) do verdadeiro e excelente cinema argentino que já nos presentou com excelentes filmes. O estreante diretor Dan Gueller não precisava recorrer a Dostoiéviski para fazer esse verdadeiro abacaxi. Uma decepção.   

terça-feira, 8 de setembro de 2020

 

"CALIBRE” (à disposição na plataforma Netflix), 2018, Escócia, 1h41m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Matt Palmer. Trata-se de um suspense envolvendo dois amigos que foram caçar na floresta e acabaram numa encrenca tremenda. Depois de se hospedarem num pequeno hotel de um vilarejo, Marcus (Martin McCann) e Vaughn (Jack Lowden) saíram para se divertir num bar, onde conheceram duas garotas. Marcos se deu bem com uma loira fogosa chamada Kara (Kitty Lovett), mas não imaginava que ela fosse filha de um manda-chuva do vilarejo, capaz de castrar quem chegasse perto dela. Pior, Marcus ainda forneceu maconha para a garota. Vaughn, por seu lado, ficou na conversa com Iona (Kate Bracken), a outra garota, pois, cheio de remorso, contou que sua namorada está grávida e, portanto, não tinha clima para seguir em frente. Isso não é nada diante do que viria depois. No dia seguinte, de ressaca, os amigos saíram para caçar e aí é que aconteceria um acidente bastante trágico que colocaria a dupla em grandes apuros. Não dá para comentar mais para não estragar as surpresas do roteiro. Matt Palmer acertou em cheio em seu primeiro filme, um suspense realmente de prender o fôlego, ou, como os escritores de romances policiais usam como clichê, “de eriçar os pelos da nuca”. A partir do acidente na floresta, o filme adquire um ritmo de tensão contínua, com sequências que colocam os dois amigos caçadores em situações de iminente perigo. “Calibre” é tão bom que logo na sua estreia, no Edinburgh International Film Festival, foi muito elogiado por crítica e público, chegando a ser eleito o melhor filme britânico do ano. O filme também conquistou o prêmio de Melhor Ator (Jack Lowden), além de várias indicações, pela British Academy Academy Scotland Awards. Outra façanha: conseguiu o índice de 95% de aprovação do site especializado em cinema “Rotten Tomatoes”, cuja tradição é a de ser extremamento rigoroso e dar notas baixíssimas. Enfim, “Calibre” realmente é um ótimo suspense que recomendo como imperdível.   

“GLACÉ”, 2017, minissérie francesa em 6 capítulos produzida e exibida pelos canais M6 e Gaumont Television, agora disponível na plataforma Netflix. A direção é de Pascal Chaumeil. O roteiro, escrito por Caroline Van Ruymbeke e Gérard Carré, foi inspirado no livro “Glacé”, primeiro romance policial de Bernard Minier, lançado em 2011. A história é toda ambientada durante o inverno num vilarejo no alto dos Pirineus franceses e começa com o assassinato de um cavalo puro sangue, encontrado decapitado. Como o animal pertence a um empresário rico e influente na região, a polícia é mobilizada para tentar descobrir quem são os responsáveis pelo crime. As investigações ficam por conta do detetive Martin Servaz (Charles Berling) e da capitã Rène Ziegler (Julia Piaton). Não demora muito para os policiais descobrirem que o assassinato do cavalo está ligado a uma vingança de outros crimes ocorridos no passado, envolvendo estupros e suicídios. O mistério aumenta quando as suspeitas recaem sobre Julian Hirtman (Pascal Greggory), um serial killer internado numa instituição psiquiátrica que estaria por trás de todos esses crimes. As investigações também envolverão outros personagens, como a psiquiatra Diane Berg (Nina Maurisse) e a diretora da clínica psiquiátrica, Elizabeth Ferney (Lubna Azabal), além de cidadãos proeminentes da região. "Glacé" é mais uma excelente minissérie francesa, repleta de surpresas e reviravoltas, um elenco de primeira e uma história bastante interessante, com destaque ainda para as paisagens de tirar o fôlego dos Pirineus. Ao lado de “A Louva-a-Deus”, outra ótima minissérie francesa comentada recentemente aqui no blog, “Glacé” se apresenta como um entretenimento de muita qualidade que merece ser visto.    

sábado, 5 de setembro de 2020

 

“ISTAMBUL VERMELHO” (“ISTANBUL KIRMIZISI”), 2018, co-produção Turquia/Itália, 1h49m, roteiro e direção do cineasta turco Ferzan Özpetek. A história é baseada no romance “Rosso Istambul”, escrito pelo próprio Özpetek. Toda a trama é centrada em Orhan (Halit Ergenç), que trabalha em Londres como editor. Após alguns anos, ele volta a Istambul para visitar o amigo Deniz (Nejat Isler), escritor cujos livros são editados por Orhan. Nas longas conversas que ambos engatam madrugada adentro, Orhan fica sabendo a origem de alguns personagens do último livro escrito por Deniz e fica surpreso em descobrir suas verdadeiras identidades na vida real. No dia seguinte, Deniz desaparece misteriosamente, deixando em pânico toda a sua família e, principalmente, o seu editor. O sumiço do escritor é realmente intrigante. Por outro lado, em sua permanência em Istambul, Orhan será afetado por recordações não muito agradáveis do seu passado, um deles bastante trágico. Ele também vai rever um amor do passado, a bela Neval (Tuba Büyüküstün), e se confrontar com Yusuf (Mehmet Günsür), um drogado que teve uma forte ligação com Deniz e que talvez saiba do paradeiro do escritor. Para filmar “Istambul Vermelho”, Ferzan Özpetec voltou à Turquia depois de 16 anos radicado na Itália, onde fez questão de se naturalizar. Definitivamente, "Istambul Vermelho" não é um filme feito para o público comum, embora possa ser visto sem gastar muito os neurônios. Conheci o roteirista e diretor turco naturalizado italiano quando assisti ao ótimo “Saturno em Oposição”, de 2007, assim como “A Janela da Frente” e “O Primeiro que Disse”, entre outros produzidos na Itália. “Istambul Vermelho” acrescenta mais um gol de placa na carreira de Ferzan Özpetek. Quem curte cinema de qualidade deve visitar a obra do cineasta turco. Ah, “Istambul Vermelho” está disponível na plataforma Netflix.     

 

“FREAKS – VOCÊ É UM DE NÓS” (“FREAKS – DU BIST EINE VON UNS”), 2020, Alemanha, 1h32m, produção e distribuição Netflix, direção de Felix Binder, a partir de roteiro escrito por Marc O. Seng. Vamos à história. Desde criança, Wendy (Cornelia Gröschel) demonstrava ter poderes especiais que costumamos ver somente em super-heróis nos quadrinhos e no cinema. Depois de uma demonstração prática na escola, Wendy foi levada aos cuidados da dra. Stern (Nina Kunzendorf), uma renomada psiquiatra. Para conter os poderes de Wendy, ela receitou uma medicação especial para a vida toda. O filme dá um salto no tempo e agora Wendy aparece casada, com um filho, e trabalhando como cozinheira numa lanchonete. Ao conhecer Marek (Wotan Wilke Möhring), um morador de rua cuja fome é saciada com restos de comida jogados no lixo, ela descobre que ele também tem os mesmos poderes, assim como seu colega de trabalho na lanchonete, o jovem Elmar (Tim Oliver Schultrz). Ao combinarem deixar de tomar os remédios para com seus poderes livrarem o mundo do mal, o trio terá que lidar com muitas situações inusitadas, principalmente por conta de Elmar, que se autodenomina “Electroman” devido ao seu poder de dar choque nas pessoas e sua capacidade de desligar a energia de uma cidade. A polícia é mobilizada para prender o trio e entregá-lo de volta aos cuidados da dra. Stern.  Embora perca seu ritmo de aventura na segunda metade, “Freaks” não deixa de ser uma ótima opção para uma sessão da tarde com a família, pois tem muito humor, efeitos especiais da melhor qualidade – sem os exageros costumeiros - menções a uma série de super-heróis e boas sequências de ação.  Aliás, não deixe de assistir à cena que acontece após os créditos finais, que dá a ideia de que poderá haver um “Freaks 2”.             

terça-feira, 1 de setembro de 2020

“A LOUVA-A-DEUS” (“LA MANTE”) é uma excelente minissérie francesa – uma das melhores do conteúdo Netflix – com seis capítulos, cada um com cerca de 55 minutos. Foi produzida e exibida pela TV francesa TF1 em outubro de 2017, estreando na Netflix no dia 30 de dezembro de 2017. Ao investigar o terceiro assassinato seguido, a polícia descobre que o modus operandi é o mesmo de uma serial killer que aterrorizou a França na década de 90. Responsável por 8 mortes com requintes de crueldade, Jeanne Deber (Carole Bouquet), conhecida também pelo apelido de a “Louva-a-Deus”, estava presa há mais de 20 anos. Diante das evidências de que o novo assassino não passa de um imitador, a polícia resolveu pedir a ajuda justamente de Jeanne Deber. Por uma fantástica coincidência, o detetive Damien Carrot (Fred Testot), encarregado das investigações, é filho da famosa assassina. O serial killer não parou de matar. A polícia terá que se desdobrar para encontrar o assassino, só revelado no desfecho. O roteiro, assinado por Alice Chegaray-Breugnot, Grégoire Demaison, Nicolas Jean e Laurente Vivier, a cada capítulo inventa um possível suspeito, oferecendo ao espectador a chance de adivinhar a verdadeira identidade do assassino. Esse jogo faz com que esta minissérie prenda a atenção do início ao fim, tornando-se um ótimo entretenimento. Destaque para o excelente elenco, comandado por Carole Bouquet, que chegou a ser uma das mais belas atrizes francesas, uma verdadeira diva nos anos 70/80/90. Ao seu lado, atuam, além de Fred Testot, Manon Azem – a atriz francesa mais bonita do atual cinema francês -, Frédérique Bel, Pascal demolon, Élodie Navarre, Robinson Stévenin e Jacques Werber. A direção ficou a cargo de Alexandre Laurent, bastante conhecido na França como roteirista e diretor de séries televisivas. “A Louva-a-Deus” é um suspense psicológico da melhor qualidade. Imperdível!         

VINGANÇA” (“VENDETTA”), 2015, Estados Unidos, 1h46m, direção das gêmeas Sylvia e Jen Soska, com roteiro de Justin Shady. A história: o detetive Mason Danvers (Dean Cain) e sua esposa Jocelyn (Kyra Zagorsky) vivem um momento especial no casamento. Ela está grávida. Mas essa felicidade não dura muito. Jocelyn é brutalmente assassinada por Victor Abbott (Paul Donald Wight II), um marginal que havia sido preso por Danvers anos antes. Detido em flagrante pelo crime, Abbott volta à prisão. O policial resolve retribuir na mesma moeda: mata o irmão de Victor. Mas a vingança não para por aí: ele quer ficar frente à frente com o assassino de sua esposa. Para isso, ela forja sua própria prisão e vai para a penitenciária onde está Victor, que, em conluio com o diretor da unidade, manda e desmanda no pedaço, transformando a vingança de Danvers numa missão quase suicida. O ator Dean Cain é o mais conhecido do elenco, graças ao seu papel de Super-Homem na série “Lois & Clark: The New Adventures of Superman”, que fez grande sucesso na década de 90. Mas o personagem que mais se destaca é o do vilão Victor Abbott, interpretado pelo lutador profissional de luta-livre Paul Donald Wight II, conhecido nos ringues como “Big Show”, um gigante de 2m13, fortão e mal-encarado, uma figura que realmente assusta qualquer um. As gêmeas diretoras Sylvia e Jen Soska, mais conhecidas por dirigir filmes de terror, não economizam nas pancadarias, fazendo sangue jorrar pela telinha o filme inteiro, em quantidade suficiente para abastecer de plasma qualquer hospital. “Vingança”, portanto, deve agradar o público que gosta de ação e violência. Assista com a faca nos dentes.        

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

 

“SECUESTRO”, 2016, Espanha, 1h45m, produção e distribuição Netflix (o título original foi mantido). A direção é de Mar Tagarona e roteiro de Oriol Paulo. Tudo começa quando um garoto é encontrado ferido numa estrada no meio do mato. Levado a um hospital e depois a uma delegacia, ele é identificado como Victor (Marc Domènech), de 10 anos, flho único da renomada advogada Patrícia de Lucas (Blanca Portillo). Victor é deficiente auditivo e, quando interrogado pelo detetive Ernesto (Antonio Dechent), responde por meio de sinais, traduzidos pela mãe. Segundo o menino, um homem o sequestrou na porta da escola e o prendeu num esconderijo distante da cidade. Ele afirma que conseguiu fugir devido a uma distração do sequestrador. A polícia pede a Victor que ajude na elaboração de um retrato falado do homem. Com a descrição, a polícia chega a um tal de Charlie (Andres Herrera), um fracassado que gasta todo dinheiro apostando em rinhas de cachorro. Todos os indícios realmente apontam para Charlie, mas não há provas contundentes de sua participação no sequestro. Dessa forma, a polícia o deixa em liberdade. A advogada não se conforma e pede que o ex-marido Raúl (José Coronado) e pai do menino providencie uma maneira de dar uma lição no suposto sequestrador. A partir daí, uma sequência de fatos inesperados e reviravoltas começam a acontecer, tornando o filme ainda mais envolvente e instigante. Não há dúvidas que o grande trunfo de “Secuestro” é o primoroso roteiro escrito por Oriol Paulo, que tem em seu currículo ótimos thrillers como “Um Contratempo”, “O Corpo” e “Os Olhos de Júlia”, só para citar alguns. Méritos também para a diretora Mar Targarona (“O Fotógrafo de Mauthausen”), que também é atriz, roteirista e produtora. Seu nome verdadeiro é Maria Del Mar Targarona Borrás. Enfim, “Secuestro” é um filme que prende a atenção do começo ao fim. Recomendo.   

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 


“ALERTA LOBO” (“LE CHANT DU LOUP”), 2019, França, 1h56m, distribuição Netflix, primeiro longa escrito e dirigido por Antonin Baudry. A história começa acompanhando o trabalho da tripulação de um submarino da marinha francesa com o objetivo de resgatar mergulhares no litoral da Síria. A missão é bem sucedida graças à eficiência do jovem Chanteraide (François Civil), o oficial de sonar especialista em identificar sons em grandes profundidades. Tanto é sua competência que todo mundo o chama de “Ouvidos de Ouro”. Nessa mesma missão, Chanteraide detecta a presença, nas proximidades, de um destroyer e de outro submarino que pode ser um antigo submarino russo comprado pelos jihadistas sírios ou mesmo um outro russo nuclear. Alerta máximo. E o filme segue por aí naquela tensão típica que caracteriza a possibilidade do início de uma guerra nuclear. Além de François Civil, o ator francês do momento, estão no elenco Mathieu Kassovitz, Omar Sy (“Intocáveis”), Jean-Yves Bertellot, Reda Kateb e a atriz alemã Paula Beer. Uma informação adicional: o diretor Antonin Baudry é, na verdade, um diplomata francês na vida real, mas gosta de escrever roteiros e desenhar histórias em quadrinhos. Neste seu primeiro filme ele fez um bom trabalho, conseguindo manter o suspense da situação até o desfecho. O resultado final, porém, ficou devendo. “Alerta Lobo” foi exibido por aqui em junho de 2019 durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

“S.W.A.T. – OPERAÇÃO ESCORPIÃO” (“S.W.A.T. - UNDER SIEGE”), 2017, Estados Unidos, 1h39m, direção de Tny Giglio e roteiro de Jonas Barnes e Keith Domingue. A história é ambientada na cidade de Seattle. No feriado de 4 de julho, depois de prender os membros de uma gangue ligada a um chefão do trafico internacional, agentes da SWAT descobrem que a quadrilha mantém prisioneiro – e sob tortura - um homem misterioso cujo codinome é “Escorpião” (Michael Jai White, o brucutu do momento dos filmes de ação). Segundo afirmou aos policiais, ele estava sendo torturado para revelar um segredo que pode significar bilhões de dólares. “Escorpião” ainda afirmou que a quadrilha não desistirá de prendê-lo novamente. O oficial Travis Hall (Sam Jaeger) promete protegê-lo, mantendo-o em segurança na sede da SWAT. Ward (Ty Olsson), o chefão da quadrilha, convoca um pequeno exército de mercenários para invadir a unidade da SWAT e resgatar “Escorpião”. O cerco começa de forma violenta, mas os agentes não se entregarão facilmente. Em meio a muita pancadaria, tiros, explosões e muitos mortos pelo caminho, o filme segue até o desfecho mais do que previsível. Não dá para levar a história muito a sério, principalmente pelas muitas falhas do roteiro. É aquele tão de filme B, com produção barata, um ou dois atores conhecidos e fatos que acontecem sem nenhuma explicação. O filme é repleto de clichês e segue a linha de filmes como "Assalto à 13ª DP", de 2005, este sim, muito bom. Para concluir: só mesmo os fanáticos por filmes de ação poderão gostar, ao contrário de quem prefere aqueles que exigem um pouco mais dos neurônios. De qualquer forma, há gosto para tudo.


                     

 

“A TENENTE DE CARGIL” (“GUNJAN SAXENA: THE CARGIL GIRL”), 2020, Índia, 1h52m, roteiro e direção de Shran Sharma (seu longa de estreia). A história é inspirada na vida de Gunjan Saxena, a primeira pilota de combate a ser aceita pela Força Aérea Indiana. Desde criança, Saxena era apaixonada por aviões e sempre falou para os pais e amigos que um dia iria ser pilota de voo. Seu sonho, porém, não era compartilhado pela mãe e pelo irmão mais velho, nem pelos demais familiares. Afinal, numa sociedade machista como a da Índia, mulher era criada para ser mãe e dona de casa. O único que acreditou nela e a incentivou foi o pai – aliás, a relação entre pai e filha é um dos destaques da história, resultando em diálogos e cenas bastante comoventes. Saxena (Janhvi Kapoor) cresceu e finalmente conseguiu ingressar na etapa de treinamento da Força Aérea, enfrentando as reações de rejeição dos machistas colegas de turma. Somente com a ajuda de um oficial mais liberal é que ela começou o treinamento prático como pilota de helicóptero. De maio a junho de 1999, durante a chamada Guerra de Cargil, quando soldados paquistaneses se infiltraram em território indiano, Saxane, que na ocasião tinha apenas 19 anos, foi a responsável por um ato heroico, resgatando oficiais e soldados feridos em meio a um combate. Somente após essa façanha é que ela conseguiu o respeito de toda a comunidade militar, tornando-se uma verdadeira heroína nacional. Sem dúvida, a história é bastante interessante, principalmente do ponto de vista da condição de segunda classe que as mulheres indianas sempre viveram. Saxane venceu esse preconceito, abrindo caminho para que outras resolvessem ingressar na carreira militar em seu país. “A Tenente de Cargil” está disponível na plataforma Netflix desde o dia 12 de agosto de 2020.