Da fonte inesgotável de
histórias ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial surge “O BANQUEIRO DA
RESISTÊNCIA” (“Bankier Van het Verzet”), Holanda, 2018, produção Netflix, com
direção de Joram Lürsen e roteiro de Marieke Van der Pol, Mattijs Bocketing e
Thomas Van der Ree. Trata-se de mais uma história de coragem e heroísmo. Com a
invasão da Holanda pelos nazistas, a partir de 1940, dois irmãos banqueiros de
Amsterdam, Walraven e Gijjs Van Hall resolveram ajudar financeiramente a resistência
holandesa. Para isso, elaboraram um complexo esquema que incluiu a criação de
um bando clandestino, a emissão de promissórias falsas e títulos do governo. Tudo muito arriscado. De
1940 a 1945, praticamente durante toda a ocupação alemã, os irmãos van Hall
conseguiram movimentar – em números de hoje - uma quantia equivalente a meio
bilhão de euros. O filme é repleto de suspense, com momentos de alta tensão e
um desfecho a quilômetros de distância de um happy end. Destaco também a sensacional recriação de época, principalmente os figurinos, valorizando uma superprodução histórica. Aliás, como a produção é da Netflix, o filme certamente não será exibido
nos circuitos comerciais. O negócio é acompanhar a programação televisiva da
produtora. De qualquer forma, é um filmaço, simplesmente imperdível!segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Da fonte inesgotável de
histórias ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial surge “O BANQUEIRO DA
RESISTÊNCIA” (“Bankier Van het Verzet”), Holanda, 2018, produção Netflix, com
direção de Joram Lürsen e roteiro de Marieke Van der Pol, Mattijs Bocketing e
Thomas Van der Ree. Trata-se de mais uma história de coragem e heroísmo. Com a
invasão da Holanda pelos nazistas, a partir de 1940, dois irmãos banqueiros de
Amsterdam, Walraven e Gijjs Van Hall resolveram ajudar financeiramente a resistência
holandesa. Para isso, elaboraram um complexo esquema que incluiu a criação de
um bando clandestino, a emissão de promissórias falsas e títulos do governo. Tudo muito arriscado. De
1940 a 1945, praticamente durante toda a ocupação alemã, os irmãos van Hall
conseguiram movimentar – em números de hoje - uma quantia equivalente a meio
bilhão de euros. O filme é repleto de suspense, com momentos de alta tensão e
um desfecho a quilômetros de distância de um happy end. Destaco também a sensacional recriação de época, principalmente os figurinos, valorizando uma superprodução histórica. Aliás, como a produção é da Netflix, o filme certamente não será exibido
nos circuitos comerciais. O negócio é acompanhar a programação televisiva da
produtora. De qualquer forma, é um filmaço, simplesmente imperdível!domingo, 7 de outubro de 2018
“O
TERCEIRO ASSASSINATO” (“SANDOME NO SATISUJIN”), 2017, Japão,
roteiro e direção de Kirokazu Kore-eda. Trata-se de um drama jurídico centrado
no julgamento de Misumi (Koji Yakusho), que matou seu chefe a golpes de chave
inglesa num terreno abandonado à beira de um rio, queimou o corpo e fugiu, mas
logo foi capturado. Acreditando estar agindo para se livrar da pena de morte,
ele confessa o crime e vai para a cadeia aguardar o julgamento. O conceituado
advogado Tomoaki Shigemori (Masaharu Fukuyama) aceita a missão de defendê-lo e
mobiliza toda a sua equipe para descobrir tudo sobre a vida pregressa do réu.
Shigemori fica sabendo, por exemplo, que seu próprio pai, juiz na época, foi
quem condenou Misumi a cumprir uma longa pena depois de considerado culpado por
outro crime. Ao realizar as entrevistas com familiares do réu e da vítima,
amigos e prováveis testemunhas, Shigemori percebe que está no meio de verdades
desconexas e declarações contraditórias. Misumi, inclusive, toda hora muda a
versão do crime. Afinal, o que está acontecendo? O grande trunfo desse ótimo
filme de tribunal são os diálogos entre advogado e seus entrevistados, verdadeiros
embates psicológicos que fortalecem ainda mais uma trama bem urdida por um
roteiro de muita qualidade. Sem dúvida, mais uma obra instigante, provocadora e
fascinante deste Kore-eda, que é considerado o melhor roteirista e diretor
japonês em atividade, responsável por filmes como “Depois da Vida”, “Ninguém pode
Saber”, “Seguindo em Frente e “Pais e Filhos", este último vencedor do Prêmio Especial
do Júri do Festival de Cannes 2013. Assisti a quase todos e passei a admirar o grande diretor japonês. “O Terceiro Assassinato” é mais um
excelente trabalho de Kore-Eda. Imperdível!sábado, 6 de outubro de 2018
“A
CÂMERA DE CLAIRE” (“Keul-Le-Eo-Ui-Ka-Me-La”), Coreia do Sul, 2017, do
roteirista e diretor queridinho dos críticos profissionais, Hong Sang-Soo. Mais
um exemplar típico do gênero cinema de arte. Dentro de seu estilo intimista, de
poucos personagens e muitos diálogos, sua marca inconfundível em 12 anos de
carreira, Sang-Soo ambienta a história em Cannes durante os dias do festival de
cinema, embora não apareça nenhuma imagem do tapete vermelho nem a paparicação
em torno dos grandes astros. A professora Claire (Isabelle Huppert, em seu
segundo filme com o diretor sul-coreano; o primeiro foi “A Visitante Francesa”,
de 2012), caminha por Cannes tirando fotos de pessoas e de paisagens com sua
câmera Polaroid. Numa dessas andanças ela conhece Jeon Manhee (Kim Minhee), uma
sul-coreana que veio com uma equipe de cinema participar do festival. Em poucas
horas de conversa – em inglês -, as duas mulheres fazem confidências, contam
suas histórias e acabam fazendo amizade. Claire segue seu caminho e faz
contato com outro sul-coreano, o diretor So Wansoo (Jin-Yeong Jeong),
coincidentemente da mesma equipe de Manhee. A presença de um quarto personagem,
Nam Yaghye (Jang Mi Hee), esposa de Wansoo, será fundamental para esclarecer
alguns fatos narrados pela jovem Manhee. Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes
2017, “A Câmera de Claire” ganhou rasgados elogios, confirmando a fama de Hong
Sang-Soo.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
O terror “HEREDITÁRIO” (“HEREDITARY”), EUA, 2018, é o filme de estreia do
roteirista e diretor Ari Oster. A história começa com a morte da matriarca da
família Graham, uma velha dedicada ao culto a Paimon, um dos reis do inferno.
Como todas as integrantes da família, Anne Graham (Toni Collette), filha da
velha, sofre de distúrbio psicológico. Ela é casada com Steve (Gabriel Byrne) e
tem dois filhos, Charlie (Milly Shapiro), e o adolescente Perer (Alex Wolff). A
maldição da velha vai atingir toda a família de Anne. Como a história é meio
sem pé nem cabeça – aliás, muita gente perde a cabeça durante o filme -, e você
espera uma explicação plausível para o desfecho, o que não acontece. A cena
final é bastante constrangedora. Calma, não deixe de assistir por minha causa,
pois a crítica especializada adorou. Teve até um crítico que afirmou: “Este é o
filme mais aterrorizante de 2018”. Diante de tudo isso, não custa experimentar.
terça-feira, 2 de outubro de 2018
“DESOBEDIÊNCIA”
(“DISOBEDIENCE”), EUA, 2017, roteiro e direção do chileno
Sebastián Lelio. Trata-se de um drama centrado na amizade de duas mulheres que
voltam a se encontrar e acabam revivendo o romance que tiveram na juventude. A fotógrafa
Ronit Krushka (Rachel Weisz) está radicada há muitos anos em Nova Iorque, onde
é uma profissional respeitada. É uma mulher liberada, solitária. Um dia ela
recebe a notícia de que seu pai, um rabino importante, acaba de morrer em
Londres. Ao chegar à capital inglesa para o funeral, ela é recebida com muita
frieza pelos judeus ortodoxos que vivem na comunidade judaica no bairro de
Hendon. Tratada como ovelha negra da família, Ronit só é bem recebida pelo seu
primo David Kuperman (Alessandro Nivola) e ainda mais pela esposa dele, Esti
(Rachel McAdams). Logo fica claro que as
duas tiveram um caso na juventude e mesmo depois de tantos anos decidem retomar
o romance. As cenas de sexo entre as duas são bastante tórridas, mas dirigidas
com sensibilidade por Lelio. Tanto David, eleito o novo rabino, como a
comunidade de judeus ficam sabendo do caso, mas as mulheres aguentam firme.
Este é o primeiro filme em língua inglesa dirigido por Sebastián Lelio, que tem
em seu currículo ótimos filmes como “Gloria”, de 2013, e “Uma Mulher Fantástica”,
que ganhou o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. Para realizar “Desobediêcia”,
o diretor chileno adaptou o livro "Disobedience”, escrito pela romancista
inglesa Naomi Alderman. Enfim, um filmaço imperdível, com destaque para o desempenho
dessas duas grandes atrizes, com jeito de Oscar 2019, principalmente para Rachel
McAdams. Alessandro Nivola também está muito bem e talvez mereça uma indicação.
domingo, 30 de setembro de 2018
“O QUE DE VERDADE IMPORTA” (“The
Healer”), 2017, EUA, um misto de drama, fantasia, comédia romântica e religião.
Trata-se do primeiro filme cuja arrecadação de bilheteria pelo mundo inteiro
está sendo destinada a entidades que cuidam de crianças com câncer. O diretor
mexicano Paco Arango preside uma delas, a Aladina. Ele esteve aqui no Brasil,
no dia 27 de setembro, para divulgar o filme. Vamos à história: Alec Bailey (o
candidato a galã Oliver Jackson-Cohen) mora em Londres, ganha uns cobres
consertando eletrodomésticos e vive encalacrado em dívidas de jogo. Deve uma
grana preta até para uns mafiosos russos. Quando se vê quase sem saída para a
situação, surge um tio distante, Raymond Heacock (Jonathan Pryce), com uma
proposta irrecusável, ou seja, pagará todas as suas dívidas, mas em troca Alec
terá de se mudar para a Nova Escócia (Canadá) e lá morar durante um ano. Claro
que Alec acaba topando a empreitada e, ao chegar por lá, descobre que tem o dom
da cura. Ele conhece uma moça que se diz lésbica, Cecilia (Camilla Luddington),
e vai fazer amizade com uma jovem que tem câncer terminal, a bonitinha Abigail
(Kaitlyn Bernard). Entre cenas bem-humoradas e outras até comoventes, o filme é
ideal para reunir a família numa sessão da tarde sem compromisso. Dá pra ver
numa boa.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
“A
GUERRA DOS SEXOS” (“Battle of the Sexes”), 2017, EUA, baseado em
fatos reais, relembra um acontecimento esportivo que repercutiu em todo o mundo.
Em 1973, a tenista Billie Jean King, então ocupando a primeira colocação no
ranking mundial, reclamou publicamente que as tenistas profissionais ganhavam
muito menos do que os seus correspondentes masculinos. Billie referia-se,
principalmente, aos prêmios destinados aos tenistas vencedores de torneios
oficiais. Com um grupo de outras
tenistas de primeira linha, ela rompe com a Associação de Tenistas dos Estados
Unidos e decide organizar um torneio próprio. Aproveitando a situação, o
ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell), mesmo aos 55 anos, decide desafiar qualquer tenista profissional
mulher, gabando-se de que os homens são muito mais poderosos. O desafio transforma-se
num grande evento chamado “A Batalha dos Sexos”. Riggs enfrenta primeiro a
tenista Margaret Court, na época uma das melhores do mundo, e a vence com
grande facilidade. Depois da vitória, Riggs, com seu jeito fanfarrão e
exibicionista, dá declarações humilhando as tenistas, vangloriando-se de ser um
tenista aposentado e com 55 anos. E que nenhuma mulher poderia vencê-lo. Billie
Jean King resolve encarar esse desafio e enfrentar Riggs. O filme é dedicado
aos bastidores de todos esses eventos, principalmente o que rolou antes da
partida entre Riggs e Billie. Há também espaço para revelar o romance ardente
entre Billie e sua cabeleleira Marilyn Barnett, sendo que a tenista era casada
com Larry King, seu treinador. Aliás, as cenas de sexo entre Billie (Emma Stone,
de “La La Land”) e Marilyn (a inglesa Andrea Riseborough) são bastante
ardentes. Ainda estão no elenco Austin Stowell, Bill Pullman, Elizabeth Shue, Sarah Silverman e Alan Cumming. O roteiro foi escrito por Simon Beaufoy e o filme dirigido por Jonathan
Dalton e Valerie Faris, os mesmos do ótimo “Pequena Miss Sunshine”, de 2006. O
filme tem uma levada de comédia e é bem agradável de assistir.
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
“1945”, Hungria,
2017, direção de Ferenc Törok, que também escreveu o roteiro juntamente com Gábor T. Szántó. A história é inspirada no conto “Hazatérés”, escrito pelo
próprio Szántó. Em agosto de 1945, enquanto os moradores de um vilarejo no
interior da Hungria preparam-se para o casamento do filho do prefeito (na verdade,
1º secretário, já que foi nomeado pelos comunistas russos), dois judeus
ortodoxos – pai e filho – chegam à estação de trem com dois grandes baús. A
notícia da chegada daqueles visitantes misteriosos logo chega ao ao pessoal do
vilarejo e vai tumultuar de vez os preparativos do casamento. Todo mundo fica
desesperado, pois acreditam que os judeus retornaram para recuperar seus imóveis
e pertences - no início da Segunda Guerra Mundial, em alguns países da Europa, muitos
judeus foram denunciados e levados pelos nazistas para os campos de
concentração, e seus bens acabaram sendo tomados pelos cidadãos locais. No
vilarejo, o clima de tensão aumenta cada vez mais, culminando com vários
eventos trágicos. O desfecho reserva para o espectador uma grande surpresa, na
verdade muito comovente. Embora com elogios, os críticos especializados
reagiram com uma certa frieza à primeira exibição do filme no 67º Festival de
Berlim, mas eu não. Adorei, achei sensacional, uma pequena obra-prima. Irresistível
e simplesmente imperdível!
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
“GAUGUIN
– VIAGEM AO TAITI” (“Gauguin – Voyage de Tahiti”), 2017,
França, roteiro e direção de Edouard Deluc (seu segundo longa-metragem).
Trata-se de um drama biográfico centrado na vida do pintor francês Paul Gauguin,
que ficou famoso com seu estilo pós-impressionista, mas só depois de morrer
como indigente, em 1903. O filme de Deluc é ambientado em 1891, quando Gauguin
sai de Paris para morar no Taiti, uma das mais importantes ilhas da então
Polinésia Francesa. Na capital francesa, o pintor vivia um momento de falta de
inspiração, não ligava para a família e passava as noites bebendo nos cabarés.
Num desses momentos de boemia, Gauguin fala para um amigo: “Estou sufocando.
Não há paisagem nem rosto que mereça ser pintado aqui”. Ao tomar a decisão de
viajar para o Taiti, Gauguin tenta convencer a esposa e os filhos a irem com
ele, sem sucesso. Ele então parte sozinho. No Taiti, ele conhece a jovem nativa
Tehura, que será sua esposa e tema de suas telas mais importantes. Na
realidade, Tehura tinha 13 anos quando casou com o pintor, mas no filme ela
aparece adulta. Para sobreviver, Gauguin trabalha como estivador, o que irá
piorar ainda mais sua frágil saúde. Gauguin, como todo artista, tinha um gênio
difícil, era violento, egocêntrico e, ao mesmo tempo, amargurado. O ritmo lento
da narrativa não prejudica a história, principalmente pelo excelente desempenho
do ator francês Vincent Cassel e da atriz Tuheï Adams, além de uma fotografia
exuberante explorando as cores e a natureza selvagem do Taiti, onde as
filmagens aconteceram. Enfim, um filme que deve agradar não apenas os fãs de
Gauguin, mas os amantes da pintura em geral. Por aqui, antes de chegar ao circuito comercial, o filme foi exibido como uma das principais atrações do Festival Varilux de Cinema Francês 2018. domingo, 23 de setembro de 2018
O drama holandês “LAYLA M.”, 2016, escrito e dirigido
pela diretora holandesa Mijke de Jong, é um dos filmes mais esclarecedores
sobre o pensamento, o comportamento e os ideais que norteiam os jovens a se
engajar numa organização terrorista. A jovem Layla nasceu e vive em Amsterdam
com a família de imigrantes marroquinos. Ela é uma garota radical invocada,
gosta de bater boca e desafiar qualquer ordem, inclusive na sua família. Ela é
radical no que diz respeito à religião muçulmana, seguindo os preceitos do
Alcorão à risca. Ao participar de uma campanha pela Internet incentivando as mulheres muçulmanas a continuar usando a burca - proibida na Holanda -, ela desperta a atenção de grupos extremistas,
incluindo o jovem jihadista Abdel (Ilias Addab), com o qual se casará. Para
acompanhar o marido numa missão na Jordânia, Layla abandona a família e resolve
também ingressar numa célula islâmica terrorista. Na Jordânia, porém, ela
sofrerá na pele o tratamento machista que é dedicado a toda mulher casada com
um muçulmano. Em todo caso, ela resolve encarar a situação e passa a ajudar uma
equipe humanitária num campo de refugiados da Síria. O filme é muito bom, tanto
que foi selecionado pela Holanda como seu representante oficial na disputa do Oscar 2018 de
Melhor Filme Estrangeiro. Além disso, participou da seleção oficial de
festivais como o de Toronto, Chicago e Londres, sendo vencedor do Prêmio
Especial do Júri no Filadélfia Film Festival.
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Ou Keanu Reeves estava
precisando de grana ou então é amigo dos produtores ou do diretor do filme. Não
dá para entender como o astro norte-americano concordou em participar – ainda mais
como personagem principal – de um filme tão ruim como “SIBERIA”, de 2018, roteiro e direção de um tal de Matthew Ross. O
filme é horrível do começo ao fim, o roteiro é confuso demais e a história é
ridícula, não dá para entender bulhufas. E, para culminar, a produção é toda de
filme B, ou seja, pobre, de segunda classe. Reeves interpreta Lucas Hill, um
comerciante de diamantes azuis valiosos que marca um encontro com o sócio Piotr
(Boris Gulyarin) na Rússia para negociar a venda de 12 peças ao mafioso Boris
Volkov (Pasha D. Lychnikoff). O sócio Piotr acaba sumindo e, seguindo uma
pista, Hill vai tentar encontrá-lo em Mirny, na região leste da Sibéria. Aqui
ele conhece Katya (a atriz romena feiosa e dentuça Ana Ularu) e, numa grande
forçada de barra do roteiro, os dois acabam se apaixonando. Hill, inclusive,
acaba tomando uma surra dos irmãos da moça. Nada a ver com a história dos
diamantes. Tudo é muito ridículo e indecifrável, culminando com um desfecho dos
mais deploráveis. Grande favorito ao Troféu Framboesa, prêmio aos piores filmes
do ano. Uma bomba atômica. Fuja a galope!
terça-feira, 18 de setembro de 2018
“PIRATAS
DA SOMÁLIA” (“THE PIRATES OF SOMÁLIA”), 2017, EUA, conta uma história
incrível baseada em fatos reais. Em 2008, o jovem norte-americano Jay Bahadur (Evan
Peters) resolveu que seria um jornalista famoso, mesmo sem nenhuma experiência
nem faculdade. Quando ele encontra por acaso o jornalista aposentado Seymour
Tobin (Al Pacino), conhecido pelas coberturas internacionais nas zonas de conflito
em países em guerra, Bahadur chega à conclusão de que para ele não bastaria ser
um simples repórter do jornal da cidade. Ele queria muito mais, talvez viajar para
um país onde nenhum outro jornalista teria coragem de ir. Naquele ano, 2008,
o assunto que estava em evidência eram os ataques de piratas da Somália contra
navios cargueiros. E não é que Bahadur vai para a Somália na tentativa de fazer
uma reportagem justamente com os piratas? Uma aventura e tanto, como você
poderá comprovar assistindo a este ótimo filme de ação e suspense. A direção é
de Bryan Buckley, também autor do roteiro, adaptado do livro “The Pirates of
Somalia”, escrito pelo próprio Jay Bahadur. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Buckley. O primeiro foi "Medalha de Bronze", de 2015. Uma curiosidade é a participação do
ator somaliano Barkhad Abdi como Abdi, encarregado de traduzir as entrevistas
de Bahadur. Ele havia participado do ótimo “Capitão Phillips”, de 2013, com Tom
Hanks, cuja história também envolve piratas somalianos. Nesse filme, Barkhad
Abid – que é a cara do Ronaldinho Gaúcho, inclusive a dentuça - fazia papel de
um pirata bastante violento. O filme tem também a participação especial e efêmera da
atriz Melanie Griffith, meio sumida ultimamente. “Piratas da Somália” é um
ótimo entretenimento, valorizado pelo fato de contar uma história verídica.
domingo, 16 de setembro de 2018
“TIRE-ME
UMA DÚVIDA” (“OTEZ-MOI D’UN DOUTE”), coprodução França/Bélgica de
2017, com roteiro e direção de Carine Tardieu. O título em português foi
traduzido por mim. Se o filme chegar até nós – se chegar -, não sei que
tradução darão. Trata-se de uma comédia romântica centrada no cinquentão Erwan
Goumelon (o ator belga François Damiens, do ótimo “Os Cowboys”), cuja profissão
é das mais interessantes e arriscadas. Contratado por uma empresa de construção
da Bretanha, ele é especialista em desmontar e detonar minas terrestres,
mísseis, granadas, torpedos e outras bombas remanescentes da Segunda Guerra
Mundial. Depois que sua filha Juliette (Alice de Lencquesaing) engravida e não
quer entregar quem é o pai, Erwan vai com ela para fazer exame de DNA. Durante
o procedimento, ele descobre que Bastien Goumelon (Guy Marchand) não é seu pai
biológico. Ele contrata um detetive para tentar descobrir quem é seu pai
verdadeiro e acaba encontrando, num vilarejo a 20 quilômetros de onde mora, o
simpático Joseph Levkine (André Wilms), que tem uma bela filha, a veterinária Anna
(Cécile de France, de “O Garoto de Bicicleta), pela qual Erwan se apaixona. Só
que ela pode ser sua meia-irmã. E aí, o que fazer? A confusão está formada,
com muitos momentos de bom humor, tornando este filme um entretenimento dos
melhores.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
“ELLA
E JOHN” (“THE LEISURE SEEKER”), 2017, coprodução Itália/França,
roteiro e direção de Paolo Virzi. A história, baseada no romance (lançado em
2009) do escritor norte-americano Michael Zadoorian, é centrada na aventura de um
casal de terceira idade, Ella (Helen Mirren) e John (Donald Sutherland). Eles
saem de Boston a bordo do antigo furgão da família, cujo nome é justamente o do
livro e do título original do filme: “The Leisure Seeker”, ou seja, “O Caçador
de Lazer”, com o objetivo de atravessar os Estados Unidos e chegar até Flórida
Keys para visitar a casa onde viveu Ernest Hemingway, o grande ídolo de John, um
antigo professor de literatura. Os filhos do casal, Jane (Nael Moloney) e Will
(Christian McKay), ficam desesperados com a iniciativa dos pais, por um motivo
muito especial: John tem Alzheimer e Ella sofre com as dores de um câncer
agressivo. Esse contexto dramático não contamina o bom humor que permeia toda a
trajetória do casal pelas estradas afora. Ou seja, trata-se de um ótimo e leve road movie valorizado pelo carisma e
competência de Helen Mirren e Donald Sutherland, cuja química é um dos trunfos
do filme. Durante a viagem, um segredo
revelado por John desencadeia numa série de acontecimentos que culminam num
surpreendente desfecho. E tem mais: na trilha sonora, “Me & Bobby McGee”,
um verdadeiro hino dos filmes de estrada na voz de Janis Joplin. Pelo papel de
Ella, Helen Mirren foi indicada ao Globo de Ouro de “Melhor Atriz” em 2017.
Exibido no mesmo ano no Festival de Veneza, foi aplaudido de pé pela plateia. Este
foi o primeiro filme escrito e dirigido por Paolo Virzi em Hollywood. O diretor
italiano é conhecido pela realização de dois excelentes filmes: “Capital Humano”,
de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Sem dúvida, “Ella e John” é um
ótimo entretenimento e uma oportunidade imperdível de curtir esses dois
veteranos atores.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
“THE
CATCHER WAS A SPY”, 2018, EUA – Como não chegou por aqui e nem tem previsão
de chegar – se é que vai chegar -, ainda não há tradução disponível. Trata-se
de uma história de espionagem baseada num personagem real, Morris "Moe" Berg, jogador e treinador de
baseball da liga principal norte-americana nos anos 30, e que durante a Segunda
Grande Guerra trabalhou como espião e oficial de inteligência da Agência de
Serviços Estratégicos dos Estados Unidos. Moe, interpretado por Paul Rudd (o “Homem-Formiga"), foi recrutado porque era muito inteligente e culto – falava nada menos do que 7
idiomas. O filme segue Moe em sua missão de assassinar o cientista alemão
Werner Heisenberg (Mark Strong), que estaria trabalhando na construção de uma
bomba nuclear para Hitler. Muito suspense e ação nesta boa realização do
diretor Ben Lewin (do ótimo “As Sessões”, de 2012), com roteiro de Robert Rodat.
Mais uma ótima adaptação para o cinema de uma história real ocorrida durante a Segunda
Guerra Mundial. Para quem gosta da história mundial, como eu, vai se deliciar.
Além disso, vale também pelo ótimo elenco. Além de Rudd e Strong, trabalham a
bela Sienna Miller, Jeff Daniels, Guy Pearce, Paul Giamati e o grande ator italiano Giancarlo
Giannini (lembram de “Pasqualino Sete Belezas”?).
“GOTTI
– UM VERDADEIRO PADRINHO AMERICANO” (“Gotti: In the Shadow of My Father”), 2018,
EUA, direção do ator e diretor Kevin Connally (é o seu terceiro longa-metragem,
depois de “Nada a Perder, 2007, e “Minha Querida Primeira-Dama”, 2016), com
roteiro de Lem Dobbs e Leo Rossi. O filme é baseado em fatos reais, ou seja, a
vida do chefão mafioso John Gotti (John Travolta), que comandou a famosa
Família Gambino em Nova Iorque durante as décadas de 60, 70 e 80, “trabalhando”
com extorsão, prostituição, tráfico de drogas e casas de jogos clandestinas. Resumindo:
um poderoso chefão. A trajetória de Gotti, desde delinquente jovem e pobre, até
assumir o comando da organização criminosa, o relacionamento com a família e a
esposa Victoria (Kelly Preston, sua esposa na vida real) e, principalmente, com
o filho mais velho, John Gotti Jr. (Spencer LoFranco), que se tornaria também
um mafioso, culminando com sua prisão pelo FBI no início dos anos 90. O resto é
história, que você poderá conhecer com mais detalhes assistindo a “Gotti”. Depois
que estreou nos cinemas dos EUA em junho de 2018, o filme recebeu muitas
críticas desfavoráveis, com as quais não concordo. Claro que não se compara ao fabuloso
“Os Bons Companheiros” (“Goodfellas”), de Martin Scorsese, para mim o melhor
filme de Máfia já feito por Hollywood depois do “O Poderoso Chefão”. E “Gotti”
tem um trunfo a mais: o excelente desempenho de Travolta, com cheiro forte de
Oscar 2019. Claro, pode ser que eu me engane (como sempre). Outro destaque é o recurso utilizado pelo diretor Connally em reproduzir imagens de programas jornalísticos da época, com vários depoimentos de
admiradores de Gotti, tornando o filme ainda mais realista e verossímil. Como é
possível constatar, o poderoso mafioso era endeusado pelo povão, apesar de ser
um criminoso sanguinário, condenado por pelo menos 5 homicídios.
domingo, 9 de setembro de 2018
“MINHA
TERRA PURA” (“My Pure Land”), 2017, Inglaterra, primeiro
longa-metragem escrito e dirigido pelo Sarmad Masud, mais conhecido como
realizador de curtas e séries de TV. Embora tenha sido escrito e dirigido por
um paquistanês, falado em urdu (língua oficial do Paquistão) e todo ambientado
num pequeno vilarejo no interior do Paquistão, além do elenco de atores locais, o filme foi selecionado
como representante oficial da Inglaterra na disputa do Oscar 2018 de Melhor
Filme Estrangeiro. Baseada em fatos reais, a história é centrada em três
mulheres (mãe e duas filhas) que são obrigadas a defender a casa onde moram
depois que o chefe da casa acabou injustamente preso. O tio, irmão do pai,
resolve tomar a casa à força, seguindo uma tradição da sociedade machista
paquistanesa que não admite que mulheres tomem conta de uma casa. As mulheres
resolvem se armar e repelir os invasores, que contratam outros tantos capangas
para invadir a casa. Li algumas críticas que comparavam este filme com os westerns
de Sérgio Leone e não quis acreditar, mas realmente lembra alguns antigos faroestes
do diretor italiano. Ou seja, trata-se de um bom faroeste paquistanês, acredite
se quiser.
sábado, 8 de setembro de 2018
“TÁXI
SÓFIA” (“POSOKI”), 2017, Bulgária, roteiro e direção de Stephen
Komandarev, que também assina o roteiro ao lado de Simeon Ventsislavov. Ao
abordar a rotina diária de trabalho de seis taxistas na capital Sófia,
Komandarev cria um interessante mosaico da atual situação sócio-econômica e cultural
da Bulgária, um dos países mais pobres da Europa. As conversas dos motoristas
com seus passageiros e as situações, algumas insólitas, revelam um quadro de inconformismo e desesperança do povo búlgaro, mas Komandarev ameniza o contexto que poderia
ser dramático com um sutil e irônico bom humor, tom que predomina durante todo
o filme. As situações, por exemplo: o motorista de táxi leva a filha
adolescente para o colégio e aceita pegar outra estudante para uma corrida, no
meio da qual ela se revela uma prostituta de luxo. Em outra sequência, um motorista
quer conversar com os passageiros sobre o filho morto recentemente. Ninguém lhe
dá ouvidos. Aí ele para o carro e vai desabafar com um cachorro. Tem até um
padre que trabalha como motorista de táxi, outro que salva um homem que queria
se atirar de uma ponte e ainda uma motorista que trava um interessante diálogo
com um cirurgião cardíaco, entre outras situações inusitadas. Enfim, um filme
que foge da mesmice geral, realizado com inteligência e muita criatividade. A
primeira exibição de “Táxi Sófia” aconteceu durante o Festival de Cannes 2017,
quando participou da Mostra “Um Certain Regard”. Injusto que não tenha sido selecionado
pela Bulgária para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pois, na minha
opinião, é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos. Imperdível!
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
“KINGS”, 2017, coprodução EUA/França,
roteiro e direção de Deniz Gamze Ergüven. A história é toda ambientada na Los
Angeles de 1992, quando a população de South Central - periferia de LA - se rebela depois do
resultado de dois julgamentos, o primeiro de uma comerciante chinesa que acabara
de assassinar uma garota negra dentro de seu estabelecimento comercial. O
segundo, de maior notoriedade, envolveu o espancamento do taxista negro Rodney
King por policiais brancos. Tanto a chinesa quanto os policiais foram
absolvidos, gerando uma onda de protestos violentos, com saques a
supermercados, incêndios e agressões contra brancos e policiais que ousassem passar
pelo bairro. Em meio a toda essa confusão está Millie (Halle Berry), uma mãe
solteira que cuida com muito sacrifício de oito filhos, alguns deles adotados. Sua
principal preocupação é não deixar que seus filhos entrem para a marginalidade,
como a maioria dos seus colegas. Seu vizinho, Ollie (Daniel Craig, péssimo), talvez o
único branco do pedaço, tenta dar uma força para a família de Millie,
principalmente depois que os protestos entram na fase mais violenta. A diretora
turca Deniz Gamze Ergüven tinha o roteiro pronto desde 2011, mas não conseguiu
financiamento para tocar o projeto adiante. Só conseguiu depois de escrever e
dirigir o ótimo “Mustang” (aqui traduzido por “Cinco Graças”), que representou
a França na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. A estreia
mundial de “KINGS” aconteceu no Toronto International Film Festival, em
setembro de 2017, e logo depois foi exibido nos festivais de Torino e
Estocolmo. Até a primeira metade do filme eu estava gostando, envolvido pelo
forte clima de tensão. Depois, achei que a diretora descambou para um
sentimentalismo exacerbado, amenizando o impacto das cenas mais fortes. Cheguei
a achar que tinha jeito de Oscar 2019, mas fiquei decepcionado com o resultado
final. Mais interessante do que bom.
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 4 de setembro de 2018
O drama norte-americano “CHAPPAQUIDDICK”, 2017, direção de John
Curran e roteiro de Andrew Logan, revela os bastidores do rumoroso caso
envolvendo o então senador Ted Kennedy no final dos anos 60. No dia 18 de julho
de 1969, Ted estava reunido com a equipe de assessores em sua casa na Ilha de
Chappaquiddick. O objetivo era combinar estratégias e iniciar o planejamento
para sua candidatura à presidência dos EUA em 1972. Enquanto seu pessoal
comemorava o início da campanha, Ted aproveitou um dos intervalos para dar um “passeio”
de carro com a assessora Mary Jo Kopecane
- aparentemente sua amante, o que o filme não entrega. No caminho, Ted
perde a direção e o carro despenca no rio, matando a moça. Segundo foi apurado
posteriormente pela polícia, Ted demorou horas para comunicar o acidente,
colocando em dúvida sua afirmação de que tentara salvar Mary Jo. É claro que o
caso virou manchete no mundo inteiro, aniquilando sua carreira política e as
pretensões de concorrer às eleições presidenciais de 1972. O filme destaca os
esforços dos assessores em lidar com a tragédia, tentando aliviar a barra do
irmão mais novo de John Kennedy. Aliás, naquele ano, o único vivo dos quatro irmãos. Outro
destaque é dado ao relacionamento de Ted com o patriarca Joseph Kennedy, já
muito velho e doente. Fica claro que Ted nunca foi o mais querido dos irmãos.
Pelo contrário, era tratado pelo pai como o ovelha negra da família. O elenco é
muito bom: Jason Clarke (Ted), Kate Mara (Mary Jo), Ed Helms (Joe Gargan,
principal assessor), Bruce Dern (Joseph Kennedy) e Clancy Brown (Robert McNamara).
O filme estreou nos Estados Unidos no dia 6 de abril de 2018 e ainda não tem
data para ser exibido por aqui.
domingo, 2 de setembro de 2018
“TEMPESTADE
DE AREIA” (“SUFAT CHOL”), 2016, Israel, é um drama ambientado num
vilarejo de beduínos muçulmanos ao sul de Israel. Ali vive uma comunidade árabe
das mais retrógradas e machistas. A história é centrada em Jalila (Ruba Blal),
uma mulher forte, batalhadora e autoritária, mãe de quatro meninas, a mais
velha Layla (Lamis Ammar). O filme começa e lá está Jalila organizando a festa
de casamento do seu marido Suliman (Hitham Omari) com uma segunda esposa, muito
mais jovem. Não bastasse esse tipo de humilhação, Jalila descobre que Layla gosta
de um jovem palestino e fará de tudo para impedir esse namoro. Enquanto isso,
Suliman arranja um marido para Layla – como em quase todos os países árabes, é
tradição o pai escolher o marido para a filha e obrigá-la a casar, mesmo que ela
não queira. Mais uma prova da cultura machista desses países é o banimento de
Jalila da casa onde mora, indo viver com os pais, num tipo de exílio. Coisas do
mundo árabe. O filme foi escrito e dirigido pela diretora israelense Elite Zexer,
mais conhecida como autora de curtas e documentários. Este foi o seu primeiro
longa-metragem, todo falado em árabe, e se saiu muito bem, pois o filme é ótimo, tanto que
recebeu o Grande Prêmio do Júri na categoria “World Cinema Dramatic” do
Festival de Sundance (EUA), além de ter sido selecionado para representar Israel
na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. Por aqui, foi visto durante a programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. Recomendo principalmente
por revelar muitos dos costumes e tradições dos povos beduínos. Um filme muito
interessante.
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