Esperava
muito mais de “BROOKLYN”, uma
co-produção Irlanda/Inglaterra/Canadá. Afinal, o filme recebeu três indicações
ao Oscar 2016 (Melhor Filme, Atriz e Roteiro Adaptado). Não que o filme seja ruim.
Longe disso. Mas não passa de um romance açucarado ao estilo dos filmes
baseados nos livros do escritor norte-americano Nicholas Sparks. “Brooklyn”, porém, apesar da alta taxa de
glicose, foi inspirado no livro homônimo escrito pelo romancista irlandês Colm
Tóibin. A história, ambientada nos anos 50, gira em torno de Ellis Lacey
(Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa que fica dividida entre dois amores e dois
países. Ellis deixa a irmã, a mãe e a Irlanda e parte para Nova Iorque atrás de
um futuro melhor. Na “Big Apple”, ela se apaixona por Tony Fiorello (Emory
Cohen), descendente de italianos. Uma tragédia fará com que ela volte
temporariamente à Irlanda, onde conhece Jim Farrell (Domhnall Gleeson), um
rapaz refinado e ótimo partido. E agora, Ellis volta para os braços de Tony
nos EUA ou fica em sua terra natal e casa com Jim Farrell? Dá-lhe água com
açúcar... Vou fazer como Maitê Proença, que prometeu ficar nua em público se o Botafogo
fosse rebaixado para a Série B. Se “Brooklyn” ganhar como Melhor Filme, prometo
que tiro a a roupa e coloco a foto no
meu Facebook. Quanto ao Oscar de Melhor Atriz, reconheço que a atriz irlandesa
Saoirse Ronan pode ficar com a estatueta. Ela realmente está ótima. Além da
história romanceada, o filme faz uma homenagem bastante singela e emotiva aos imigrantes
irlandeses que trabalharam na construção civil e ajudaram a erguer todos aqueles
arranha-céus de Nova Iorque. segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Esperava
muito mais de “BROOKLYN”, uma
co-produção Irlanda/Inglaterra/Canadá. Afinal, o filme recebeu três indicações
ao Oscar 2016 (Melhor Filme, Atriz e Roteiro Adaptado). Não que o filme seja ruim.
Longe disso. Mas não passa de um romance açucarado ao estilo dos filmes
baseados nos livros do escritor norte-americano Nicholas Sparks. “Brooklyn”, porém, apesar da alta taxa de
glicose, foi inspirado no livro homônimo escrito pelo romancista irlandês Colm
Tóibin. A história, ambientada nos anos 50, gira em torno de Ellis Lacey
(Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa que fica dividida entre dois amores e dois
países. Ellis deixa a irmã, a mãe e a Irlanda e parte para Nova Iorque atrás de
um futuro melhor. Na “Big Apple”, ela se apaixona por Tony Fiorello (Emory
Cohen), descendente de italianos. Uma tragédia fará com que ela volte
temporariamente à Irlanda, onde conhece Jim Farrell (Domhnall Gleeson), um
rapaz refinado e ótimo partido. E agora, Ellis volta para os braços de Tony
nos EUA ou fica em sua terra natal e casa com Jim Farrell? Dá-lhe água com
açúcar... Vou fazer como Maitê Proença, que prometeu ficar nua em público se o Botafogo
fosse rebaixado para a Série B. Se “Brooklyn” ganhar como Melhor Filme, prometo
que tiro a a roupa e coloco a foto no
meu Facebook. Quanto ao Oscar de Melhor Atriz, reconheço que a atriz irlandesa
Saoirse Ronan pode ficar com a estatueta. Ela realmente está ótima. Além da
história romanceada, o filme faz uma homenagem bastante singela e emotiva aos imigrantes
irlandeses que trabalharam na construção civil e ajudaram a erguer todos aqueles
arranha-céus de Nova Iorque.
“LOVE AND MERCY”
(“Amor e Misericórdia”, em tradução literal), 2015, EUA, direção de Bill
Pohlad, é um filme biográfico que explora duas fases da vida do cantor e
compositor Brian Wilson. A primeira, no início dos anos 60, quando liderava a banda
“The Beach Boys”, um fenômeno da música popular que fez tanto sucesso nos EUA quanto os
Beatles. Na segunda fase, o filme dá um salto para 1988, quando Brian Wilson
conhece a vendedora de carros Melinda Ledbetter (a bela Elizabeth Banks),
mulher que mudaria sua vida. O filme destaca a esquizofrenia de Wilson, doença
que o acometeu ainda jovem. Na fase aguda da doença, ele passou a ser tratado
pelo médico Eugene Landy (Paul Giamatti), que o entupia de remédios sem
alcançar nenhum resultado positivo. Na fase jovem, Wilson é interpretado por
Paul Dano, e, na fase adulta, por John Cusack. Ambos, aliás, estão ótimos. O
filme também dedica grande espaço à genialidade de Wilson, que, em 1966, deixou
de acompanhar o grupo numa turnê internacional para se trancar em estúdio e
conceber aquele que seria apontado, mais tarde, como um dos discos mais
importantes da música pop: “Pet Sounds”. Segundo o filme, Wilson teve a inspiração
ao ouvir o disco “Rubber Soul”, dos Beatles, lançado em 1965. Resumindo: o
filme é ótimo. domingo, 7 de fevereiro de 2016
“INFÂNCIA”, do diretor carioca Domingos de
Oliveira, tem muito de autobiográfico. Dona Mocinha (Fernanda Montenegro), por
exemplo, foi inspirada em Dona Sinhá, avó de Domingos. O filme, baseado na peça
“Do Fundo Lago Escuro”, escrita pelo próprio Domingos em 1977, retrata um dia no
casarão de Dona Mocinha, no bairro de Botafogo. Parte da família de classe média alta está ali reunida:
Conceição (Priscila Rozembaum) e Orlando (Ricardo Kosovski), filhos de Dona
Mocinha, Henrique (Paulo Betti), casado com Conceição e procurador de Dona
Mocinha, além dos primos Rodriguinho e Ricardinho, este último a praga em pessoa. Entre as conversas, muita
lavagem de roupa suja, culminando com a desconfiança da matriarca de que
Henrique teria vendido dois terrenos de propriedade da sogra sem autorização. A
revelação vai desencadear uma crise no casamento de Henrique com Conceição. A
autoritária Dona Mocinha domina o cenário, dando ordens sem parar, além de
recordar seus momentos com José, o marido falecido. Admiradora de Carlos
Lacerda, Dona Mocinha faz questão de reunir toda a família e empregados em
torno do rádio para ouvir as palavras do então jornalista carioca. O elenco
conta ainda com Maria Flor e Nanda Costa. Nem é preciso dizer que Fernanda
Montenegro é o maior destaque do filme.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
“DIFRET”, 2014,
Etiópia, roteiro e direção do estreante Zeresenay Berhane Mehari. Angelina
Jolie assina como produtora executiva (quem mais seria?). Trata-se de um drama
sensível e comovente, baseado em fatos reais acontecidos em 1996. A adolescente
Hirut Assefa (Tizita Hagere), de 14 anos, vive com a família numa aldeia do
interior da Etiópia. Ao receber uma recusa dos pais de Hirut ao seu casamento,
o pretendente, ajudado por amigos, resolve sequestrá-la. Ela consegue fugir do
cativeiro, depois de violentada, e mata o responsável pelo estupro. Hirut é
presa e será julgada. A advogada Meaza Ashenafi (Meron Getnet), que trabalha
para uma ONG que defende os direitos humanos das mulheres, assume a defesa da
menina. O caso vira comoção nacional e se transforma numa grande polêmica, pois
o sequestro de mulheres para casamento é uma tradição secular na Etiópia. A
manutenção dessa tradição estará em jogo dependendo do resultado do julgamento
de Hirut. Exibido em vários festivais pelo mundo, o filme foi bastante elogiado
e até ganhou prêmios, como o do Festival de Sundance (EUA), na categoria “Cinema
Dramático Mundial”. Para se ter uma ideia da importância desse reconhecimento, basta
dizer que “Difret” é simplesmente o quarto filme realizado na paupérrima
Etiópia. Assista e se emocione com o desempenho da jovem atriz Tizita Hagere. Enfim,
um filme para encher os olhos. De lágrimas, inclusive. Não perca!
O
drama canadense “FÉLIX & MEIRA” (“Félix et Meira”), 2014, roteiro e direção de Maxime Giroux,
fez parte da programação oficial do 19º Festival de Cinema Judaico de São
Paulo, em outubro/novembro 2015. A história, ambientada na comunidade judaica
ortodoxa de Montreal (Canadá), é centrada na jovem Meira (Hadas Yaron), casada
com o rabino Shulem (Luzer Twersky). Insatisfeita com a rotina de obediência ao
marido e à religião, Meira passa os dias cuidando da filha e participando de
reuniões com outras mulheres da comunidade hassídica. O marido a proíbe até de
escutar algumas músicas que, segundo ele, denigrem a imagem da família. Ao
mesmo tempo, Meira recusa-se a manter a tradição das mulheres judias de gerar
muitos filhos, o que deixa o marido bastante contrariado. Crise conjugal
instalada, Meira, em suas andanças com a filha pelo bairro, acaba conhecendo
Félix (Martin Dubreuil), um solteirão solitário e carente em luto pela morte do
pai. Da amizade inicial, a coisa extrapola para um romance proibido, o que dá
combustível para a segunda metade do filme. O maior destaque do filme vai para o desempenho da atriz israelense Hadas Yaron, conhecida pelo ótimo “A Noiva Prometida”, que
lhe valeu o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza/2012.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
“YOUTH” (“La Giovinezza”), 2015, filme mais recente do diretor italiano Paolo Sorrentino (de “La
Grande Bellezza”, Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro). Podemos definir este
filme somando três adjetivos: onírico, satírico, felliniano. A história gira em
torno de alguns hóspedes ilustres de um luxuoso hotel nos Alpes Suíços: Fred
Ballinger (Michael Kane), um famoso maestro, sua filha Lena (Rachel Weisz, belíssima),
tentando se recuperar de um casamento desfeito, Mick Boyle (Harvey Keitel), um
cineasta em busca de um bom roteiro para o seu próximo filme, a atriz Brenda
Morel (Jane Fonda), que chega ao hotel apenas para conversar com Boyle, Jimmy
Tree (Paul Dano), um ator norte-americano, uma Miss Universo (a estonteante
modelo romena Madalena Diana Ghenea) e ninguém menos do que Diego Maradona (Roly Serrano), caracterizado como uma figura patética e grotesca. Não faltarão também, num delírio visual do
diretor Boyle, mulheres representando personagens femininas marcantes do
cinema. A cada cena, Sorrentino nos presenteia com imagens belíssimas, formando
um visual que poucos cineastas são capazes de criar. Para reforçar, o diretor
ainda acrescenta cenários e paisagens deslumbrantes dos Alpes Suíços. Embora seja
produção italiana, é todo falado em inglês. O filme causou polêmica ao ser
exibido no Festival de Cannes 2015, quando disputou a Palma de Ouro. Ao final
da exibição, uma parte da plateia aplaudiu de pé. Outra parte vaiou. Se eu estivesse
lá, seguiria o pessoal que aplaudiu de pé. Aliás, gostei mais deste do
que de “A Grande Beleza”. Faço questão de aplaudir, também de pé, Jane Fonda, que nos poucos minutos em que permanece em cena dá um verdadeiro show de interpretação. Cinema da melhor qualidade.quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
“O ENCONTRO” (“Time Out of Mind”), 2015, EUA, roteiro e direção do israelense Oren Moverman (“O
Mensageiro”). A história acompanha a rotina do sem-teto George (Richard Gere,
que também é um dos produtores) pelas ruas de Nova Iorque, a luta diária para
conseguir dinheiro para comer, enfrentar a burocracia dos serviços sociais para
tirar documentos e as dificuldades para encontrar vaga nos abrigos nas noites
de inverno. George é alcóolatra e sofre de confusão mental. Ele busca uma
reaproximação com a filha, Maggie (Jena Malone), que trabalha num bar. Em suas
perambulações, George faz amizade com outro morador de rua, Dixon (Ben Vereen),
que afirma ter sido um grande músico de jazz, tendo tocado, inclusive, com Bill
Evans. Se o filme se arrasta numa monotonia tediosa, fica pior ainda com o
surgimento de Dixon, um sujeiro inconveniente que não para de falar um segundo,
irritando não só os outros personagens do filme como o próprio espectador. Você
vai ver um Richard Gere como nunca se viu na tela. Envelhecido, cara de sujo,
inchado, doente. Longe, muito longe, do galã charmoso de tantos filmes. Um filme melancólico, muito triste, desagradável. Difícil
recomendar, mesmo com a presença de Gere.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
O
tráfico de drogas na fronteira EUA/México é o tema central de “SICÁRIO
– TERRA DE NINGUÉM” (“Sicario”), 2014, direção do canadense Denis
Villeneuve (dos ótimos “Incêndios” e “Os Suspeitos”). A personagem central é
Kate Macy (Emily Blunt), agente do FBI recrutada para fazer parte de um grupo
encarregado de prender um grande líder de um cartel de drogas mexicano. A equipe
é comandada pelo agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin) e tem como um de seus
integrantes um mercenário sanguinário e violento, Alejandro (Benício Del Toro).
Kate começa a discordar dos métodos utilizados pelo grupo, que incluem
interrogatórios com torturas, das quais Alejandro é especialista, e
assassinatos sumários. A cena inicial é bastante chocante, quando a equipe do
FBI comandada por Kate descobre dezenas de cadáveres “emparedados” na casa de
um traficante. Outra cena marcante acontece no final. Garotos jogam futebol num
campo de areia na periferia da violenta Ciudad Juárez, no México, quando, de
repente, ouvem uma rajada de metralhadora. Param o jogo por segundos, prestam
atenção e logo voltam a jogar novamente, como se nada tivesse acontecido. O
filme é bom, tem ação e suspense do começo ao fim. segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Fã
dos filmes de Wood Allen, confesso que me decepcionei com o seu mais recente, “HOMEM
IRRACIONAL” (“Irrational Man”), 2015. Não
é uma comédia, como poderia ter sido, muito menos um romance ou um drama. Está
mais para um suspense policial, gênero que Allen já havia adotado em “Crimes e
Pecados”, “Match Point” e “O Sonho de Cassandra”, com resultado bem melhor. “Homem Irracional” ficou com
a cara daqueles filmes baseados em romances da escritora Patricia Highsmith,
com algumas referências a Hitchcock. Em crise existencial e com depressão, o
professor de Filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) vai lecionar numa
universidade de uma pequena cidade. Sua presença agita as jovens alunas, mas
apenas uma delas conseguirá uma atenção maior de Abe, a bela Jill (Emma Stone).
A professora Rita (Parker Posey) também encontrará um espaço na cama de Abe. Allen
explora a Filosofia como a grande fonte dos diálogos, com citações de Sartre,
Kierkegaard e Kant. Quem não está acostumado com o tradicional estilo verborrágico de Allen pode não gostar e se cansar de tanto blá-blá-blá. Mesmo não sendo um dos melhores filmes do diretor
norte-americano, fica bem acima da média reinante.
Inspirado
no romance “The Price of Salt”, escrito por Patrícia Highsmith – o que já é um bom
começo -, o drama “CAROL” conta a
história do envolvimento amoroso de duas mulheres nos anos 50. Uma delas é
Carol (Cate Blanchett), mulher refinada da sociedade nova-iorquina que está em
processo de divórcio. A outra é Therese Belivet (Rooney Mara), vendedora de uma
loja de departamentos. A atração entre ambas acontece no dia em que Carol vai
comprar um presente para sua filha pequena e é atendida por Therese. O romance
entre as duas enfrentará muitas barreiras, a pior delas do marido de Carol, Harge
Aird (Kyle Chandler), que consegue a guarda da filha mediante a acusação de que
sua esposa tinha e tem casos com outras mulheres, uma delas Abby (Sarah Paulson) e
agora Therese. O que mais impressiona no filme é o esmero visual criado pelo
diretor Todd Haynes (“Longe do Paraíso” e “Não Estou Lá”). Fotografia,
cenários, figurinos e até o recurso de misturar ambientes em P/B com pessoas e
objetos em cores. Tudo feito com classe, requinte e elegância. O filme é ainda
valorizado pela atuação espetacular da dupla principal de atrizes, Cate
Blanchett e Rooney Mara. Não foi à toa que o filme recebeu 6 indicações para o
Oscar 2016 (Atriz, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Trilha Sonora, Roteiro
Adaptado e Figurinos). Achei injusto não ter sido indicado para “Melhor Filme”
e “Melhor Diretor”. O filme é ótimo, tanto que, ao final de sua exibição de
estreia no Festival de Cannes 2015, foi aplaudido de pé. sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
“SCHERBEN
PARK” (como não chegou por aqui, ainda não teve tradução), 2013, direção de Bettina Blümner, é um bom drama alemão cuja história é
centrada na jovem Sascha Maimann (Jasna Fritzi Bauer), de 17 anos. Ela vive com
os irmãos pequenos e a tia num apartamento na periferia de Stuttgart. A família
sofre discriminação dos vizinhos por ser de origem russa. Uma das mães,
inclusive, proíbe a filha de brincar com a irmã menor de Sascha. “Eles ainda
acham que os russos comem criancinhas”, desabafa Sascha. A jovem carrega o trauma de ter
visto a mãe ser assassinada pelo padrasto e se julga culpada por não ter tirado
a arma de Vadim, o matador, que cumpre pena num presídio de segurança máxima.
Sascha promete que um dia sua mãe será vingada, o que inclui matar Vadim.
Quando um jornal da cidade publica uma reportagem sobre o assassino preso,
amenizando seu lado psicótico, Sascha vai à redação tirar satisfações com o
editor, Volker Trebur (Ulrich Nothen). Depois dos entreveros iniciais, Sascha
ficará amiga tanto de Volker como do filho dele, Félix (Max Hegewald). A
história é baseada no romance homônimo da escritora russa Alina Bronsky. Enfim,
um filme bastante interessante que vale a pena ser visto. terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Indicado
para o Oscar 2016 em seis categorias, inclusive Melhor Filme e Diretor (Tom McCarthy),
o drama “SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS” (“Spotlight”), EUA, 2015, conta a história, baseada em fatos reais, de um grupo de jornalistas do
Jornal Boston Globe que, numa série de reportagens, denunciou inúmeros casos de
pedofilia praticada por padres e acusou a Igreja Católica de esconder os fatos,
sem tomar providências para punir os acusados. Tudo isso aconteceu entre 2000 e
2003, resultando num Prêmio Pulitzer para os jornalistas, interpretados no
filme por Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Liev Schreiber e John
Slattery. Convenhamos, um timaço! As reportagens foram destaque no mundo inteiro, motivando milhares de
pessoas a denunciar terem sido vítimas dos padres em suas cidades – nos créditos
finais aparece a relação de cidades no mundo inteiro que registraram denúncias
semelhantes. Em alguns momentos, o roteiro exagera nos diálogos e nas
informações, podendo confundir o espectador. Na maioria das vezes, isso ocorre
durante as reuniões entre a equipe de jornalistas. Mas não chega a prejudicar o
entendimento geral. Um filme sério, muito bem feito e que, por isso mesmo, foi
eleito o Melhor Filme de 2015 pela Associação Nacional de Críticos dos Estados
Unidos. Filmaço!
“007 CONTRA SPECTRE” (“SPECTRE”), 2014, Inglaterra/EUA, direção de Sam Mendes. Este é, sem dúvida, o
melhor filme dos quatro protagonizados pelo ator inglês Daniel Craig. E também
o mais caro de todos os 24 realizados até agora: U$ 350 milhões. Bond enfrenta
mais uma organização criminosa, desta vez chefiada pelo vilão Franz Oberhauser
(Christoph Waltz). A fórmula dos filmes de Bond está mantida: uma incrível cena
de abertura na Cidade do México (um plano-sequência sensacional), locações
deslumbrantes ao redor do mundo, muita ação, pancadaria, perseguições e
mulheres bonitas (nada menos do que Monica Bellucci e Léa Seydoux). A italiana Bellucci,
aliás, mostra uma ótima forma aos 51 anos (tornou-se a mais velha Bond-Girl). A
sensualidade de Léa Seydoux, além da competência como atriz, é outro grande
destaque do filme. O humor também volta a reinar no filme, não apenas nos
diálogos. Depois de uma longa e violenta briga com um bandido enorme, por
exemplo, a gravata e o paletó de Bond estão impecáveis e no mesmo lugar. Ele dá aquela ajeitada na gravata, como a dizer que nada aconteceu. Puro
Bond! Craig está mais cínico, característica marcante do agente inglês. Este foi o segundo Bond dirigido por Sam Mendes. O primeiro, também muito bom, foi "007 - Operação Skyfall", de 2012. Não dá
pra perder. Ou seja, imperdível!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
“PONTE DOS ESPIÕES” (“Bridge of Spies”), EUA, 2015, direção de Steven Spielberg.
Esse drama político, baseado em fatos reais, volta a reunir o diretor Spielberg
e o ator Tom Hanks. A história é
ambientada em 1957, em plena Guerra Fria. Hanks interpreta o advogado James
Danovan. Ele é recrutado pelo Governo norte-americano para defender Rudolf Abel (Mark Rylance), acusado de ser um
espião a serviço da União Soviética. Ao mesmo tempo, um piloto de avião dos EUA
é preso na URSS, assim como um estudante norte-americano na Alemanha Oriental. Diante desses fatos, Danovam é convocado pela CIA para exercer o papel de negociador e acaba encarregado de
providenciar a troca dos presos, o que inclui viajar para a Alemanha e tratar diretamente com as autoridades de lá. O filme é
ótimo, tem bastante suspense e retrata com perfeição o clima de tensão que predominava naqueles anos. Além
da história em si, inspirada no livro homônimo escrito por Giles Whittell (o
roteiro foi escrito pelos irmãos Ethan e Joel Coen, com a colaboração de Matt
Charman), o grande destaque do filme é a impressionante recriação de época, com
cenários em Nova Iorque e Berlim. Spielberg não trabalhava com Hanks desde “O
Terminal” (2004). Antes, haviam trabalhado em “O Resgate do Soldado Ryan”
(1998) e em “Prenda-me se for Capaz” (2002). Hollywood, Spielberg e Hanks. Com
esse trio, não poderia dar errado (disputará o Oscar 2016 em seis categorias). Cinemão, filmaço! sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
“O QUARTO
DE JACK” (“Room”), Canadá, 2015, direção de Leonard Abrahamson (“What Jack Did”).
Drama pesado e triste sobre uma jovem mulher (Brie Larson) que, aos 17 anos, foi
sequestrada e trancada num pequeno quarto. No cativeiro, ela foi estuprada pelo
sequestrador e teve um filho. A primeira parte do filme apresenta a rotina de mãe
e filho num quarto de 10 m², os problemas de relacionamento entre os dois e
ainda as visitas nada agradáveis do sequestrador, que incluíam ir para a cama com
Ma, enquanto Jack ficava dentro de um armário. A segunda parte é dedicada às
dificuldades de readaptação dos dois ao mundo real. Jack (Jacob Tremblay), por
exemplo, acreditava que as imagens da TV eram de um mundo que não existia. Tudo
ficção. O roteiro não abre concessão ao humor nem a momentos sensíveis ou
comoventes. Tudo é muito duro e dramático, frio e melancólico. A história foi inspirada num caso
real abordado no livro “Room”, de Emma Donoghue. O filme recebeu 4 indicações
ao Oscar, inclusive para Melhor Atriz (Brie Larson). William H. Macy e Joan
Allen também fazem parte do elenco. Nada contra, mas não merecemos mais tanta
tristeza, pois já convivemos com um mundo real muito triste e cruel.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
“O REGRESSO” (“The Revenant”), 2015, EUA, é apontado como o grande favorito ao Oscar 2016. Recebeu 12
indicações – e já venceu o Globo de Ouro em três categorias, Melhor Filme, Melhor
Ator e Melhor Filme Dramático. Trata-se de um bom filme de aventura, sem
dúvida, com ótimas cenas de ação, atuação brilhante de Leonardo DiCaprio, cenários
maravilhosos e uma fotografia belíssima. Apesar de tudo isso, não é “aquele” filme
para receber tantas indicações. Talvez tenha pesado o fato de ter à frente do
projeto o badalado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que levou o
irregular “Birdman” a conquistar vários Oscars em 2015, inclusive Melhor
Diretor e Melhor Filme. E, claro, a presença do astro DiCaprio. Ele interpreta
o explorador e caçador de peles Hugh Glass, personagem que realmente existiu no
início do Século XIX (a história é baseada no livro “The Revenant: A Novel of
Revenge”, escrito por Michael Punke). Numa caçada ao longo do Rio Missouri, depois
de um combate sangrento contra os índios, Glass e sua turma conseguem fugir. Na
floresta, Glass é atacado por um urso (a cena é espetacular) e fica à beira da
morte, sendo abandonado pelos companheiros. Um deles, em especial, John
Fitzgerald (Tom Hardy, irreconhecível), será o alvo da vingança de Glass. O filme é muito bom e DiCaprio dificilmente deixará de ganhar a estatueta de Melhor Ator. Sua atuação realmente é espetacular. terça-feira, 19 de janeiro de 2016
“A LAGOSTA” (“THE LOBSTER”), 2014, Grécia/Inglaterra. Dos filmes esquisitos ou meio malucos que vi
nos últimos anos, este talvez seja o mais interessante. Produção de primeira,
elenco de astros (veja abaixo), fotografia primorosa e uma história, embora
fantasiosa, bastante digerível. Os diálogos foram construídos na base do nonsense, acentuando o humor negro que
atravessa o filme na maioria das cenas. A ficção não é datada, apenas presumida
como se fosse um ano qualquer do futuro. As pessoas não podem viver sozinhas,
não podem ser solteiras. Aquelas que estão nessa condição são detidas e levadas
para um hotel no meio da floresta. Se não encontrarem um (a) parceiro (a) em 45
dias, serão transformadas num animal de sua própria escolha. No caso do
arquiteto David (Colin Farrel, gordo como nunca se viu), numa lagosta (daí o título). A história toda
gira em torno de David, “hospedado” no tal hotel. Ali, ele será obrigado a
conviver com os tipos mais esquisitos e obedecer a normas das mais estranhas e estapafúrdias.
O diretor grego Yorgos Lanthimos (de “Dente Canino”), co-autor do roteiro, deve ter bastante
prestígio, pois neste seu primeiro filme em língua inglesa conseguiu um elenco
de primeira linha. Além de Farrel, trabalham Rachel Weisz (esposa de Daniel
Craig, o atual James Bond), Léa Seydoux, Jessica Barden, Olivia Colman, John C.
Reilly, Ariane Labed, Ashlei Jensen e Ben Whishaw. O filme teve sua exibição de
estreia no Festival de Cannes 2015, com ótimas críticas. Para sair da mesmice
das fitas comerciais, indico esta como opção das mais interessantes. segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
“ADULTOS INEXPERIENTES” (“Adult Beginners”), 2014, EUA, direção de Ross Katz, é uma
comédia independente simpática, leve, mas bem fraquinha. Começa o filme com uma
festa superbadalada promovida pelo empresário Jake (o comediante Nick Kroll) para
lançar seu novo produto. Até o final dos créditos iniciais, Jake perderá tudo:
empresa, todo o dinheiro dos investidores (2,5 milhões de dólares), a namorada,
os amigos e a própria autoestima. Sem eira nem beira, pede para morar com a
irmã Justine (Rose Byrne), o cunhado Danny (Bobby Cannavale) e o sobrinho de 3
anos de idade. Por incrível que pareça,
e ao contrário de tantos outros filmes, os cunhados se dão bem, os irmãos se
dão bem e Jake é bem recebido na casa deles, sem prazo para ir embora. Para
compensar, porém, recebe uma árdua missão: ser babá do terrível sobrinho. Nada
acontece de especial no desenrolar da história. O filme se arrasta sem ter
muito a dizer, sem provocar risadas, apenas um leve sorriso de vez em quando. O filme não reserva nenhum atrativo especial, a não ser a presença da bela e competente atriz australiana Rose Byrne. É pouco para justificar uma recomendação. Descartável pode ser a definição mais correta.
“A ONDA” (“BØLGEN”), 2015, direção de Roar Uthaug, é mais um disaster movie do cinema. Com uma novidade: este é norueguês. Para
introduzir a história: ao longo dos anos, o país nórdico vem sendo atingido por
vários tsunamis, causando a morte de muita gente. Sua geologia favorece a ocorrência
desses fenômenos. Baseado em fatos reais, portanto, esta produção mostra o que
poderá acontecer se o desastre ocorrer no Fiorde de Geiranger, um dos lugares
turísticos mais badalados da Noruega. Aliás, os cenários do filme são
deslumbrantes. O filme reúne uma dupla de atores dos mais prestigiados na
Noruega: Kristoffer Joner e Ane Dahl Torp. Kristoffer é o geólogo Kristian, que
trabalha numa central que controla e prevê mudanças geológicas que podem
provocar esses tipos de desastre. É ele quem dá o alerta de que algo está para acontecer. De início, acham que ele está errado, mas quando a coisa acontece
não dá mais tempo de fugir. Desce da montanha, com fúria total, uma onda de 80
metros de altura, de dar medo a qualquer surfista, imagine gente normal. Daí para frente, todo mundo na cidade terá que se desdobrar
para conseguir sair vivo. Dá pra ver numa boa, mas esse tipo de filme Hollywood faz melhor. sábado, 16 de janeiro de 2016
“NOCAUTE” (“Southpaw”), 2015, EUA, direção de Antoine Fuqua (do ótimo “Dia de Treinamento”,
com Denzel Washington). O lutador Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal) é um
grande campeão dos meio-pesados. Está invicto há 43 lutas, ganhou muito
dinheiro, mora numa mansão, é casado com uma linda mulher, Maureen (Rachel
McAdams, vá ser bonita assim em Hollywood!) e tem uma filha que é uma gracinha, Leila (Oona Laurence). Uma
tragédia familiar, porém, mudará os rumos do que estava sendo uma vida boa. Eis
aqui o verdadeiro nocaute a que se refere o título. Billy Hope acaba perdendo
tudo, inclusive a filha, entregue ao Serviço Social do Tio Sam. Quando parecia
que tudo estava perdido, o lutador é recebido na academia do técnico Titus
Willis (Forest Whitaker). É Titus que tentará reverter a situação, domando o
gênio indomável de Hope e colocando-o de volta aos ringues. As cenas de luta
são as melhores que já vi no cinema. Ator e coadjuvantes parecem bater e
apanhar de verdade. Até o sangue que jorra parece de verdade. O ator Jake
Gyllenhaal está ótimo, superando seus excelentes desempenhos em outros filmes,
principalmente em “O Abutre” e “Brokeback Montain”. 124 minutos de pura emoção.
Um filmaço! terça-feira, 12 de janeiro de 2016
“NO RITMO DO AMOR” (“Sipur Hatzi-Russi”), Israel, 2006, gira em torno do menino Chen
(Vladimir Volov), que mora com os pais numa cidade litorânea de Israel onde há
uma comunidade bastante grande de judeus russos. Filho de mãe russa e pai
judeu, Chen pratica judô num centro comunitário. Aqui, ele se apaixona por uma
garota russa que frequenta a academia de balé. Chen ingressa nas aulas de dança
para se aproximar da menina, o que não será nada fácil. Embora vivendo na mesma
comunidade, russos e israelenses vivem em pé de guerra. Além desse aspecto,
Chen é obrigado a conviver com as brigas constantes dos pais. Sua mãe é
extrovertida, gosta de sair para dançar e se divertir, enquanto o pai,
fotógrafo de casamentos, fica em casa remoendo os ciúmes. Com o casal de russos
que comanda a academia acontece o contrário: é ele quem assedia as alunas e
toda hora está pulando a cerca. O filme, dirigido por Eitan Anner, tem uma
levada de comédia e é muito alegre, muito musical. Imagine russos e israelenses
dançando ao som de rumba e chá-chá-chá. Não me lembro se o filme passou por aqui no circuito comercial, mas provavelmente não. De qualquer forma, trata-se de um filme leve e divertido, garantindo um bom entretenimento. segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
O drama
holandês “A ACUSADA” (“LUCIA DE B.”), 2014, direção de Paula van der Oest, conta a história do rumoroso caso
judicial que durante quase 10 anos mobilizou os holandeses e a Europa. Em 2001,
a enfermeira Lucia de Berk (Ariane Schluter) foi presa sob a acusação de sete
assassinatos e três tentativas de homicídio – as vítimas eram bebês e idosos.
Logo apelidada de “Anjo da Morte”, Lucia foi julgada e condenada à prisão
perpétua em 2003, sempre jurando inocência. Seu advogado Quirijn Herzberg
(Fedja van Huet) recorreu da sentença inúmeras vezes, não conseguindo absolver
sua cliente. O caso teria uma reviravolta somente em 2010, graças a uma
revelação bombástica de uma assistente da Promotoria, Judith Jansen (Sallie Harmsen).
Embora apresente a história de forma documental, o filme mantém um clima de
tensão e suspense até o seu final. A quem quiser assistí-lo e não conhece a
história, recomendo que não pesquise o que aconteceu para não estragar a
surpresa do desfecho. Destaque para a atuação da veterana Ariane Schluter (“A
Montanha Matterhorn”). Como representante da Holanda, o filme concorreu na
categoria de Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar 2015. Sem dúvida, um bom filme
de tribunal.
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