“LONGE DOS HOMENS” (“Loin Des Hommes”), 2014, direção de David Oelhoffen, é um
drama francês ambientado na Argélia em 1954, ano em que começa a Guerra da Independência
do país contra os colonizadores franceses. Num pequeno colégio localizado numa
região inóspita, árida e cercada por montanhas, o professor Daru (Viggo
Mortensen) dá aulas de francês às crianças do vilarejo. Quando eclode o
movimento, as autoridades policiais de uma cidade próxima, ocupadas demais com
o início da revolução, pedem a Daru que levem um argelino para ser julgado numa
outra cidade. Mohamed (Reda Kateb, ator que lembra, ao mesmo tempo, Anthony
Quinn e Mário Moreno, o “Cantinflas”), o argelino, é acusado de ter assassinado
um homem. Os parentes da vítima fatal querem vingança e partem no encalço de Mohamed.
Em meio a essa perseguição e ao fogo cruzado entre franceses e rebeldes
argelinos, Daru e Mohamed percorrem um caminho repleto de perigos. A amizade
entre os dois é o grande trunfo do filme. Daru mostra um grande sentido de
justiça e Mohamed de lealdade por aquele que o protege. A carga dramática da
história foi amenizada pelo roteiro, também escrito por Oelhoffen, que reservou
alguns diálogos bem-humorados entre Daru e Mohamed, além de uma fotografia
deslumbrante dos cenários desérticos onde o filme é ambientado. É um filme, sem
dúvida, bastante sensível, mas indicado apenas a um público mais restrito.sexta-feira, 26 de junho de 2015
“LONGE DOS HOMENS” (“Loin Des Hommes”), 2014, direção de David Oelhoffen, é um
drama francês ambientado na Argélia em 1954, ano em que começa a Guerra da Independência
do país contra os colonizadores franceses. Num pequeno colégio localizado numa
região inóspita, árida e cercada por montanhas, o professor Daru (Viggo
Mortensen) dá aulas de francês às crianças do vilarejo. Quando eclode o
movimento, as autoridades policiais de uma cidade próxima, ocupadas demais com
o início da revolução, pedem a Daru que levem um argelino para ser julgado numa
outra cidade. Mohamed (Reda Kateb, ator que lembra, ao mesmo tempo, Anthony
Quinn e Mário Moreno, o “Cantinflas”), o argelino, é acusado de ter assassinado
um homem. Os parentes da vítima fatal querem vingança e partem no encalço de Mohamed.
Em meio a essa perseguição e ao fogo cruzado entre franceses e rebeldes
argelinos, Daru e Mohamed percorrem um caminho repleto de perigos. A amizade
entre os dois é o grande trunfo do filme. Daru mostra um grande sentido de
justiça e Mohamed de lealdade por aquele que o protege. A carga dramática da
história foi amenizada pelo roteiro, também escrito por Oelhoffen, que reservou
alguns diálogos bem-humorados entre Daru e Mohamed, além de uma fotografia
deslumbrante dos cenários desérticos onde o filme é ambientado. É um filme, sem
dúvida, bastante sensível, mas indicado apenas a um público mais restrito.quarta-feira, 24 de junho de 2015
“A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE (“The Age of Adaline”), 2014, EUA, é um drama romântico com um
enredo fantasioso. Aos 27 anos de idade, Adaline Bowman (Blake Lively),
nascida no começo do Século XX, sofre um grave acidente de carro, que cai num rio e é
atingido por um raio. O efeito é o mesmo de um desfibrilador e ela praticamente
ressuscita. E com uma vantagem a mais: a partir dali, não envelhece mais. Os argumentos científicos
utilizados para tentar explicar o fenômeno são também fantasiosos. O filme pula
para 2014 e lá está ela com a mesma aparência, contracenando com a filha Flemming
(Ellen Burstyn) e reencontrando velhos amores, hoje literalmente velhos, como é
o caso de William Jones (Harrison Ford), coincidência das coincidências, pai de
seu namorado Ellis (Michiel Huisman). O filme é bom, bem produzido e vai
agradar principalmente os espectadores mais sensíveis e românticos. A jovem
atriz Blake Lively, mais conhecida por atuar na Série “Gossip Girl, tem sua
grande chance como protagonista principal. E não decepciona. Além de bonita e
charmosa, é muito competente. A direção é de Lee Toland Krieger (de “Celeste e
Jesse para Sempre”). A história de Adaline lembra muito outro filme, “O Curioso
Caso de Benjamin Button”, com Brad Pitt, embora neste caso o homem nasce velho
e vai rejuvenescendo. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. sábado, 20 de junho de 2015
“JIMI, TUDO A MEU FAVOR” (“Jimi All is by my Side”), 2013, Inglaterra, direção de John Ridley, é
uma viagem cinematográfica indescritível aos anos psicodélicos de 1966 e 1967,
acompanhando os fatos que culminaram no surgimento daquele que talvez tenha
sido o maior guitarrista do Século XX: Jimi Hendrix. O filme é sensacional, com
destaque para a recriação da época. Cenários, figurinos, trilha sonora, elenco,
roteiro (do próprio diretor), tudo funciona com perfeição. E ainda tem um ator
em estado de graça: o norte-americano André Benjamin (também conhecido nos EUA por
Rapper André 3000), que interpreta Hendrix. O filme começa com o polêmico
guitarrista sendo descoberto, tocando em bares de Nova Iorque, pela modelo inglesa
Linda Keith (Imogen Poots), nada menos do que a namorada, na época, de Keith
Richards (Rolling Stones). Ela convence o amigo e empresário Michael Frank
Jeffery (Burn Gorman) a levar Hendrix para Londres com o objetivo de gravar seu
primeiro disco, o lendário “Are You Experiences”, e realizar uma turnê com a
banda “Jimi Hendrix Experience”. Entre as inúmeras cenas antológicas do filme
está aquela em que Eric Clapton, já um astro da guitarra, concorda em dividir o
palco com um músico desconhecido, um tal de Jimi Hendrix. Quando Hendrix inicia
seu solo, Clapton abandona a guitarra e se refugia no camarim, sentindo-se
humilhado. Outra cena maravilhosa é a que reproduz a histórica apresentação de
Hendrix no Teatro Saville, em Londres, no dia 4 de junho de 1967. Com os quatro
Beatles presentes, Hendrix improvisa na música “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club
Band”, do LP do mesmo nome lançado dias antes. Ele ensaiou a música minutos
antes de subir ao palco. O filme termina - uma pena! - pouco antes de Hendrix
viajar para os EUA para sua apresentação no Monterey Pop Festival. Tomara que
tenha continuação. Inexplicável que ainda não tenha sido exibido por aqui no
circuito comercial. De repente ainda será. Simplesmente IMPERDÍVEL!quinta-feira, 18 de junho de 2015
“TIMBUKTU”,
2014, Mauritânia, é um filme altamente impactante e bastante esclarecedor sobre
a questão islâmica. É inspirado numa situação ocorrida na pequena cidade de Timbuktu,
na República Africana de Máli, em 2012, ocupada durante oito meses por
extremistas religiosos, certamente adeptos do Estado Islâmico e tão radicais
quanto. O diretor Abderrahmane Sissako adaptou a história e a transformou em
filme, utilizando como cenário uma aldeia da Mauritânia, país vizinho, já que
seria impossível filmar em Máli por questões políticas. Os
extremistas ditavam as leis, proibindo música e até os meninos de jogarem
futebol, entre outras imposições absurdas e radicais. Apesar desse quadro dramático, o
filme apresenta cenas de rara beleza e sensibilidade, como a dos garotos
jogando futebol sem a bola, “sequestrada” pelos extremistas. Um verdadeiro balé
visual, um verdadeiro “achado” do diretor, um dos momentos mais bonitos do cinema nos últimos anos. A trilha sonora, por sinal, é belíssima. Por outro lado, há cenas chocantes e
de muito impacto, como o apedrejamento de um homem e uma mulher – enterrados até
o pescoço - em praça pública. O filme também mostra a contradição de um povo
que vive praticamente na antiguidade e que não dispensa o uso de celular, um
dos maiores símbolos do Ocidente e da modernidade. Com “Timbuktu”, a Mauritânia concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (2015) pela primeira vez - não ganhou - e foi o grande vencedor do
Prêmio César 2015 (o Oscar francês), ganhando em 7 categorias, incluindo a de Melhor
Filme. Enfim, um belo filme, uma
pequena obra-prima que merece ser
vista por quem aprecia cinema de qualidade. segunda-feira, 15 de junho de 2015
“TUDO INCLUÍDO” (“ALL INCLUSIVE”), Dinamarca, 2014, direção de Hella Joof, é uma ótima comédia. A história: três semanas antes
de viajar com o marido para comemorar seu 60º aniversário na Ilha de Malta,
Lise (Bodil Jørgensen) recebe um “presentão” antecipado. Seu marido a abandona
por outra mulher mais jovem. Ela entra em depressão e não quer mais viajar, mas
as filhas Ditte (Danica Cursic) e Sigrid (Maria Rossing) resolvem convencê-la a
ir e também vão junto. Um dos problemas que pode afetar a convivência é que Ditte
é completamente diferente de Sigrid. Ditte é solteira, adepta do sexo livre,
fuma, bebe e adora uma balada. Sigrid é casada, tem três filhos, é um tanto
tímida e muito séria. Mesmo com essas diferenças, as duas vão se unir e tentar fazer a mãe sair da depressão, o que
inclui contratar um amante latino, Antonio (Diogo Infante), o barman do hotel.
O ponto alto do filme é o relacionamento das três mulheres, que tentarão aparar
velhas arestas, se entender e tocar a vida adiante. Trata-se de um filme muito
divertido e, acima de tudo, bastante sensível. As três atrizes têm uma atuação
inspiradíssima, principalmente Bodil Jørgensen como a mãe depressiva e depois
expansiva, liberada. Um show de atriz e um filme simplesmente imperdível! domingo, 14 de junho de 2015
“AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU” (“Les Vacances du Petit
Nicolas”), 2014, é uma divertida comédia
francesa, sequência de “O Pequeno Nicolau”, que fez enorme sucesso em 2010. Embora
tenha um pano de fundo infantil, com Nicolau e sua turma aprontando as maiores confusões,
o filme deve agradar mais aos adultos, principalmente porque as cenas mais engraçadas envolvem os pais de Nicolau, interpretados por Kad Merad e a ótima Valérie
Lemercier – os mesmos pais do primeiro filme (mudou o ator de Nicolau, agora interpretado
por Mathéo Boisselier). A família e mais a avó (Dominique Lavanant) vão para um
hotel na praia passar as férias de verão. Ao conhecer uma garota chamada
Isabelle, Nicolau ouve uma conversa dos pais e acredita que eles querem forçar
seu casamento com a menina. Nicolau e sua turma de amigos, então, farão tudo
para desfazer a ideia do tal casamento. O melhor do filme, porém, é a
transformação da mãe de Nicolau após receber o convite de um diretor de cinema
italiano para ser a estrela do seu próximo filme, o que vai gerar situações
hilariantes. As duas versões, inspiradas nos quadrinhos franceses publicados
entre 1956 e 1964, foram dirigidas por Laurent Tirard (“Asterix e Obelix: Ao Serviço
de Sua Majestade”). Diversão garantida do começo ao fim, essencial para esses tempos tão difíceis. sábado, 13 de junho de 2015
Difícil
de encontrar uma comédia romântica de qualidade. Na verdade, uma raridade. De
vez em quando surge alguma que merece ser recomendada, como é o caso de “SIMPLESMENTE
ACONTECE” (“Love, Rosie”), Inglaterra, 2014.
Tudo funciona bem, a começar pelos atores que fazem os protagonistas principais, Lily
Collins e Sam Claflin, bonitos, charmosos e simpáticos. O filme não apresenta o
chororô habitual do gênero, tem humor na dose certa e romance sem pieguice.
Tudo bem que não dá para fugir dos clichês que caracterizam o gênero, mas é um filme bastante agradável,
entretenimento garantido. Rosie (Collins) e Alex (Claflin) são amigos desde a
infância. Amigos inseparáveis. Em nome dessa amizade, eles mantiveram a paixão
enrustida por muitos anos. Cada um levou sua vida – Alex foi morar nos EUA -,
casaram com outros pares e seguiram em frente, pouco sabendo um do outro. É
claro que, um dia, voltarão a se ver e
você vai torcer para ficarem definitivamente juntos. A história é baseada no
romance “Onde Terminam os Arco-Íris”, escrito pela irlandesa Cecelia Ahern e publicado em
2004. No livro, a história percorre um período de 45 anos. No filme, foi reduzido para 12 anos. A direção é do alemão Christian Ditter. Informação adicional: Lily Collins é filha do cantor e compositor Phil Collins. quarta-feira, 10 de junho de 2015
“INSENSÍVEIS” (“Insensible”), Espanha/França, 2014, é um drama bem pesado com pitadas de terror gótico
e algumas doses de trash. A trama se
desenrola com duas histórias distintas que vão se alternando até o final,
quando acontece a ligação. No início dos anos 30, a comunidade científica
mundial é convocada para um internato localizado numa montanha dos Pirineus, em
território espanhol, para presenciar uma descoberta incrível: crianças imunes à
dor. A notícia chega à Alemanha e Hitler envia o dr. Holzmann (Derek de Lint)
para estudar o assunto. Já pensou um exército nazista com soldados que não
sentem dor? Além disso, algumas crianças têm poder sobrenatural, a ponto de realizar
cirurgias em cães – pasmem, a sangue-frio! O asilo servirá como pano de fundo
para o diretor Juan Carlos Medina, também autor do roteiro, abordar fatos
históricos envolvendo a Espanha, como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda
Guerra Mundial e a Ditadura de Franco. A história que segue em paralelo apresenta, nos dias atuais, o dilema do renomado neurocirurgião David Martel (Àlex
Brendemühl), que sofre de câncer e precisa com urgência de um transplante de
medula óssea. Na busca dos pais biológicos que poderão servir de doadores, o
médico vai descobrir a história do tal asilo. É quando haverá a ligação das
duas histórias. Pena que o desfecho é fantasioso demais e acaba destoando do
restante do filme, que, aliás, é mais interessante do que bom. Recomendo sem muito entusiasmo. segunda-feira, 8 de junho de 2015
O
drama “O FALSIFICADOR” (“The Forger”), 2014, EUA, direção de Philip Martin, traz John Travolta como o ex-presidiário
Ray Cutter, um pai que sempre foi ausente para o filho adolescente Will (Tye
Sheridan), situação que só piorou com a temporada na prisão. Tye sofre de uma
doença incurável e, pelo jeito, não tem muito tempo de vida. Cutter ainda terá
que cumprir 10 meses de pena, mas recorre ao pessoal do crime para soltá-lo
antes em condicional. Cutter quer passar mais tempo com o filho. Um juiz recebe propina para soltá-lo. Para pagar a
dívida, Cutter terá de realizar a falsificação do quadro “Mulher com Sombrinha”,
do pintor impressionista Claude Monet, e roubar o original, exposto num museu
de Boston. Para executar o plano, Cutter recorre ao pai Joseph Cutter
(Christopher Plummer) e ao próprio filho. Em meio aos preparativos, Cutter
ainda tem de atender aos últimos desejos de Will, o que inclui conhecer a mãe
biológica Kim (Jennifer Ehle) e fazer sexo com uma prostituta. O melhor do
filme é realmente a retomada da relação do pai com o filho, capaz de gerar bons e até divertidos diálogos. As cenas mostrando Cutter pintando a falsificação são bastante interessantes. Fora isso, o filme
não tem atrativos suficientes para ser recomendado. Nem mesmo a presença de Travolta e de Plummer. Completam o elenco Abigail Spencer e Anson Mount.
Nos
últimos anos, a Suécia tem revelado ótimos escritores de romances policiais.
Tão bons quanto os seus congêneres norte-americanos. Muitos desses livros foram
adaptados para o cinema, como, por exemplo, a Série Milleniumm, do jornalista
Stieg Larsson. “O HIPNOTISTA”
(“Hypnotisoren”), Suécia, 2012, é mais
um filme inspirado num romance policial, desta vez escrito por Lars Kepler. Uma
família inteira é assassinada nos arredores de Estocolmo. Só sobrou o jovem
Josef (Jonatan Bökman), levado ainda vivo ao hospital, mas num estado bastante
grave, inconsciente. Encarregado da investigação, o policial Joona Linna (Tobias
Zilliacus) pede ao dr. Erik Maria Bark (Mikael Persbrandt) que faça algumas sessões
de hipnose com o rapaz para tentar descobrir alguma pista. O assassino fica
sabendo e vai atrás da família de Erik. Com exceção da cena final, muito bem
feita e de um suspense de entortar os braços da poltrona, o filme não tem muita
ação e o suspense é mais psicológico. O filme merece ser conferido, ainda mais que
o diretor é o consagrado Lasse Hallström, dos ótimos “Sempre ao Seu Lado”, com
Richard Gere, e “A 100 Passos de um Sonho”, entre tantos outros. A atriz Lena
Olin, casada na vida real com o diretor, também está no elenco, como Simone, a
esposa de Erik.
sábado, 6 de junho de 2015
O
drama romântico “DOIS LADOS DO AMOR”, que também recebeu o título “O
DESAPARECIMENTO DE ELEANOR RIGBY” (“The
Disappearance of Eleanor Rigby: Them”), é um drama romântico norte-americano de
2013. A história já havia sido contada em dois filmes anteriores, um sob o ponto de vista dela e outro sob o ponto de vista dele. Neste mais recente, o ponto de vista é de ambos. Daí o "Them". Vamos à história: o casamento de Eleanor Rigby (Jessica Chastain) com Connor Ludlow (James
McAvoy) vai bem até que um acontecimento faz desandar a relação. Ela sai de
casa, é vítima de um surto mental, tenta o suicídio e acaba voltando para a casa dos pais, Mary e Julian
Rigby (Isabelle Huppert e William Hurt). Connor não se conforma com a situação
e vai atrás de Eleanor na esperança de reatar o casamento. E assim vai o filme
inteiro: ele tentando a reaproximação. Os personagens são infelizes, à beira da
depressão. O filme é bem baixo astral. De qualquer forma, é mais uma produção
para demonstrar o talento da ruiva Jessica Chastain, atriz das mais
requisitadas atualmente pelo cinemão do Tio Sam, além de abrir espaço para a ótima Viola
Davis e para os veteranos William Hurt e a francesa Isabelle Huppert. Dirigido
por Ned Benson (“Heróis Imaginários”), o filme estreou no Festival de Cannes
2014 na Mostra “Um Certo Olhar”. Ah, o nome Eleanor Rigby tem tudo a ver com a
música dos Beatles, dos quais Mary e Julian eram fãs na juventude. Pena que a
música propriamente dita não esteja na trilha sonora. sexta-feira, 5 de junho de 2015
“O LIMITE DA SUBMISSÃO” (“The Duke of Burgundy”), 2014, é um drama psicológico inglês de
fundo erótico, esquisitão e sinistro. Conta a história de duas mulheres, Evelyn
(Chiara D’Anna) e Cynthia (Sidse Babett Knudsen), que moram juntas, são amantes
e adeptas dos mais estranhos jogos sexuais, típicos de mentes doentias. Além
disso, as duas mulheres são estudiosas de borboletas e mariposas, frequentando
palestras sobre o assunto na universidade local. Parece que o diretor Peter
Strickland – que também escreveu o roteiro - tentou fazer uma analogia entre a
relação das lésbicas e o ciclo de vida dos insetos, mas não tive inteligência
suficiente para entender. As cenas de sexo entre as mulheres são bastante contidas, sem nudez ou algo mais explícito. O filme é arrastado demais, monótono, lembrando às
vezes os antigos filmes do falecido diretor brasileiro Walter Hugo Khoury,
embora este trabalhasse com atrizes mais bonitas. O filme inglês é indicado
apenas àqueles espectadores que gostam de assistir a filmes diferentes e
excêntricos. Se depender da minha recomendação, fuja a galope...quinta-feira, 4 de junho de 2015
“EFFIE GRAY”,
2014, direção de Richard Lexton (“Um Inglês em Nova Iorque”) é um drama de
época baseado num escândalo que abalou a sociedade inglesa em meados do Século
19. A atriz Emma Thompson leu a história e a adaptou para o cinema, escrevendo o
roteiro. Ela também atua no filme. A história começa com o casamento da jovem
escocesa Euphemia “Effie” Gray (Dakota Fanning) com o aristocrata inglês John
Ruskin (Greg Wise), pertencente a uma família da alta aristocracia e um consagrado crítico de arte da época. Ruskin é um marido
frio e insensível, não dá a mínima para a mulher. Tão frio e insensível que
durante anos não foi capaz nem de tocá-la, não consumando o casamento. Essa
infelicidade matrimonial, além do amor por John Everett Millais (Tom Sturridge),
um pintor pré-rafaelita que se tornaria famoso, fez com que “Effie” entrasse na
Justiça com pedido de divórcio. Além da belíssima fotografia – de Veneza e dos
cenários rurais da Escócia, especialmente - e da caprichada reconstituição de
época, o filme conta com um elenco de primeira linha. Além de Fanning, Thompson,
Sturridge e Wise, atuam Julie Walters, David Suchet, Derek Jacob, Claudia
Cardinale e Riccardo Scamarcio. Um filme para espectadores mais sensíveis. terça-feira, 2 de junho de 2015
O
escritor norte-americano Philip Roth escreveu “The Humbling” em 2009. A
história do livro foi adaptada agora para o cinema, sob a direção de Barry
Levinson, e recebeu, no Brasil, o título de “O ÚLTIMO ATO” (“The Humbling”), trazendo no papel principal o grande Al
Pacino. Ele é Simon Axler, um famoso ator de teatro que tem um surto durante
uma peça, sofre um acidente e acaba numa instituição psiquiátrica. Quando sai
do hospital, recebe a visita de Pegeen Stapleford (a insuportável Greta Gerwig), filha de
antigos colegas de trabalho. Ela se declara a Simon, dizendo que desde criança
é apaixonada por ele. E ainda diz que continua apaixonada, apesar da sua
condição de lésbica assumida. O filme conta a história desse tumultuado
romance, como também a frágil condição psicológica do ator diante da velhice
iminente (no filme, o personagem de Pacino tem 65 anos de idade, enquanto o
ator, na vida real, tem 74). Simon passa grande parte do filme conversando com
seu terapeuta, Dr. Farr (Dylan Baker). O filme é verborrágico demais, com
muitos diálogos sarcásticos e bem-humorados, ao estilo Woody Allen. O elenco
conta ainda com Diane West (por sinal, atriz de muitos filmes de Allen), Kyra
Sedgwick e Nina Arianda. Só para lembrar: o diretor Barry Levinson é o mesmo de
“Rain Man”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1988.
“OS ENCONTROS DA MEIA-NOITE” (“Les Rencontres d’Après
Minuit”) é um filme francês certamente adaptado de uma peça de teatro para o
cinema. Trata-se, na verdade, de um filme experimental, meio surreal, diálogos
sem sentido e nenhum compromisso com o espectador comum que está a fim apenas
de entretenimento. Minha paciência durou uns 30 minutos e se esgotou com tanta
bobagem. Toda a ação transcorre apenas num cenário, o apartamento de um casal
cuja empregada(o) é um travesti tarado. O casal, Ali (Kate Moran) e Matthias
(Niels Schneider), espera alguns convidados para uma festa. Os convidados são
um garanhão com fama de bem dotado, um adolescente, uma prostituta e uma
estrela. Os diálogos têm a profundidade de um pires, tudo muito doido e sem
nexo. O cenário é pós alguma coisa, talvez pós-modernista. O filme estreou durante
a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2013 e marcou a estreia na direção de
longas do diretor francês Yann Gonzalez, mais conhecido por seus
curtas-metragem. Resumo da ópera: um filme chato, metido a besta, com a intenção
de ser cult, um surto de megalomania criativa.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Liam
Neesson continua batendo um bolão em filmes de ação, apesar dos 63 anos de
idade. Em “BUSCA IMPLACÁVEL 3” (“Taken 3”), França, 2014, o
último da trilogia iniciada em 2008, o ator irlandês mais uma vez não nega
fogo. Ele faz o ex-agente especial Bryan Mills, que cai numa cilada e é acusado
de ter assassinado a ex-mulher Lenore (a atriz holandesa Famke Janssen, em
grande forma aos 50 anos). Mills passa a ser caçado pela polícia,
comandada pelo detetive Franck Dotzler (o sempre competente Forest Whitaker),
e, ao mesmo tempo, tenta descobrir quem matou sua ex-esposa, o que vai levá-lo a enfrentar mafiosos russos comandados pelo temível Oleg Malankov (Sam Spruell). A trama ainda vai
envolver a filha de Mills, Kim (Maggie Grace), que também correrá perigo. O
filme é dirigido pelo francês Olivier Megaton – que também dirigiu o nº 2 da
série - e o roteiro foi elaborado pelo também diretor francês Luc Besson. Os
dois são especialistas em filmes de ação, o que é um aval e tanto. Para quem gosta de filmes com ritmo
alucinante, pancadaria, perseguições e tiros, este não decepciona. É ação o
tempo inteiro.sábado, 30 de maio de 2015
Em
2008, quando ainda eram ilustres desconhecidos, Kristen Stewart e Eddie
Redmayne participaram do drama “O LENÇO AMARELO” (“The Yellow Handkerchief”), também
traduzido por “OS CAMINHOS DO AMOR”. Stewart ficaria famosa logo depois, quando
apareceu na saga “Crepúsculo”, e Redmayne mais recentemente, quando atuou em “Teoria
da Vida”, pelo qual ganhou o Oscar/2015 de Melhor Ator. O filme conta a
história dos jovens Martine (Stewart) e Gordy (Redmayne), que resolveram pegar
estrada e sair sem rumo de sua cidadezinha. No caminho, dão carona para um
estranho, Brett Hanson (William Hurt), que depois se revelaria um ex-presidiário
recentemente saído da cadeia depois de cumprir pena por assassinato. Papo vai,
papo vem, Hanson relembra que esteve envolvido com uma mulher chamada May
(Maria Bello), pela qual se apaixonou e ainda está apaixonado. O filme é um road-movie pelos cenários um tanto tristes e pantanosos da Louisiana.
Os atores são ótimos, mas o drama é meio arrastado, monótono, culpa do diretor
indiano Udayan Prasad. O desfecho deve agradar os espectadores mais românticos. De qualquer forma, trata-se de uma opção interessante,
principalmente por dar a oportunidade de conferir o trabalho de Kristen Stewart
e o ator inglês Eddie Redmayne em início de carreira, ambos já bastante
talentosos.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Não li e nem tive vontade
de ler o livro, certo de que se tratava de literatura de segunda classe, mas
fiz questão de conferir o filme, o que comprovou o que eu já pensava sobre o
livro. “CINQUENTA TONS DE CINZA” (“Fifty
Shades of Grey”), 2013, não passa de um drama romântico erótico, baseado
no romance homônimo escrito por E.L. James e que virou um best-seller mundial. Pelo tom erótico, o filme lembra um
pouco “Nove e Meia Semanas de Amor”, de 1986 (tem até a cena do gelinho). Só
que Dakota Johnson não chega nem perto do mulherão que era – e ainda é – Kim Basinger,
nem o ator irlandês Jamie Dornan lembra o machão “pegador” Mickey Rourke. Mais
parece um garoto mimado, o queridinho da mamãe. A direção é da inglesa Sam
Taylor-Johnson (do ótimo “O Garoto de Liverpool”, sobre a juventude de John
Lennon). Resumo da história: Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante
que um dia vai entrevistar o poderoso e jovem empresário Christian Grey (Jamie
Dornan) para um trabalho da faculdade. Esquisitão e cheio de manias, Grey acaba
se apaixonando por Anastasia. E vice-versa. O filme não dá uma explicação convincente sobre a razão pela
qual Grey se transformou numa pessoa doente, um sádico sexual. Como o cara é
rico, bonito e poderoso, a mulherada deixa se convencer e cai nas garras do
jovem sedutor, submetendo-se às suas fantasias sexuais. O que acontece também
com Anastasia. As cenas de sexo são bem feitas e nada apelativas. Apenas
eróticas. Enfim, um filme apenas mediano, que não merecia todo a alarde que
teve quando foi lançado, em 2014.
terça-feira, 26 de maio de 2015
O
drama australiano “PROMESSAS DE GUERRA” (“The Water Divine”), 2014, marca a estreia do ator Russel Crowe
na direção de longas. A história, baseada em fatos reais, é muito bonita. Durante
a I Guerra Mundial (1914-18), soldados australianos participaram das forças
aliadas que ajudaram a Inglaterra a combater o império otomano em acirradas e
sangrentas batalhas na Turquia. Entre os soldados estavam os três jovens filhos
do fazendeiro Joshua Connor (Crowe), desaparecidos e, quatro anos depois, finalmente
dados como mortos em batalha. Desesperada, a esposa de Joshua comete suicídio,
mas antes pede a ele que vá para a Turquia resgatar os corpos para enterrá-los
em solo sagrado, ou seja, na terra natal, Austrália. O filme conta a aventura
de Joshua na Turquia para encontrar os restos mortais dos filhos. Joshua ficará
frente a frente com o oficial turco (Yilmaz Erdogan) comandante do batalhão que
matou seus filhos. A aventura de Joshua também incluirá ajudar os turcos a se
livrar dos invasores gregos, o que garante alguns momentos ao estilo “Indiana Jones”. Como estreante na direção, Crowe até que não
compromete. Tudo bem que exagerou um pouco no tom novelesco, pretendendo fechar
a história com um chororô, mas não conseguiu. Tentou romancear o enredo,
incluindo um flerte de Joshua com Ayshe (a atriz ucraniana Olga Kurylenko). Ficou
no platônico. Um destaque positivo é a bonita fotografia, tanto dos cenários
australianos quanto dos cenários na Turquia. Resumindo: o filme poderia ser muito
melhor, fazendo jus à bela história por ele contada. segunda-feira, 25 de maio de 2015
“PAS SON GENRE”
(traduzido para o inglês como “Not My Type”, ainda não traduzido por aqui, mas
algo como “Não é meu Tipo”), 2014, co-produção França/Bélgica, com direção de
Lucas Belvaux. Trata-se de uma comédia romântica baseada na novela homônima
escrita por Philippe Vilain. O professor de Filosofia Clément (Loïc Corbery) é
transferido de Paris para dar aulas na Universidade de Arras - cidade ao norte
da França. Ele conhece Jennifer (Émilie Dequenne), uma cabeleireira, e juntos
vão viver um caso de amor. É claro que um dia a diferença cultural entre os
dois vai pesar no romance. Além disso, o professor é calado, introspectivo, e
só fala em Filosofia. Jennifer é expansiva, alegre, adora cantar e dançar. Tudo
isso cria um abismo entre o casal. Só vendo o filme para ver como termina. O
importante é destacar o trabalho da belga Émilie Dequenne, atriz que exala
simpatia e muito charme. O feioso ator francês Loïc Corbery também não
compromete, apesar de passar longe de um galã tradicional. O filme destaca
também alguns lugares turísticos de Arras, realmente uma bela cidade. É um
filme apenas simpático e que pode agradar ao espectador pouco exigente e que
esteja a fim apenas de uma diversão sem compromisso com o intelecto. quinta-feira, 21 de maio de 2015
Errol
Flynn foi um dos mais importantes atores de Hollywood nas décadas de 30, 40 e
50. Fazia filmes de capa e espada, além de ter protagonizado o Robin Hood mais
famoso do cinema. Na vida real, porém, além de alcóolatra, era um mulherengo de
marca maior. Nos bastidores, costumavam chamá-lo de “Pênis ambulante”. Ele dava
preferência a meninas bem mais jovens. A última delas, Beverly Hadland, tinha
15 anos quando Flynn a levou para a cama. E foi nos braços dela que o ator
morreria, em 1959, aos 50 anos de idade. A história do romance de Flynn e
Beverly é contada no filme “A ÚLTIMA AVENTURA DE ROBIN HOOD” (“The Last of Hobin Hood”), 2013, direção de Richard Glatzer e Wash Westmoreland. O papel de Flynn
ficou para Kevin Kline, que, além de viver o ator com muita competência, ainda
se parece muito com o próprio. Dakota Fanning, ótima, faz Beverly Hadland, e Susan
Sarandon sua mãe, Florence. Beverly sempre quis ser atriz, no que foi
incentivada pela mãe desde criança. Aos 15 anos, com certidão de nascimento
falsa de 18, Beverly tentou ingressar no elenco da Warner Brothers, onde
conheceu o já consagrado ator. Na esperança de que Flynn ajudasse Beverly,
Florence fez vistas grossas para o romance, na verdade um caso que poderia
acabar na polícia. Com a morte de Flynn, o romance proibido veio à tona e virou
escândalo mundial. Vale pela história, pelos ótimos atores e pela reconstituição de época - repare a de Nova Iorque, um primor.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
“VÍCIO INERENTE” (“Inherent Vice”), 2014, EUA, é um drama bem-humorado baseado
em livro de Thomas Pynchon. A história, ambientada em 1970 na cidade de Los
Angeles, é centrada no detetive particular Larry “Doc” Sportello (Joaquin
Phoenix), que, a pedido da ex-namorada Shasta Fay Hepworth (Katherine
Waterston), começa a investigar o desaparecimento do atual namorado dela, um
empresário do ramo imobiliário. Em meio ao seu trabalho, “Doc” acaba se
desentendendo com o detetive Christian “Bigfood” Bjorsen (Josh Brolin), encarregado
oficial do caso. “Doc” passa o filme inteiro totalmente chapado, maconha como
combustível – de vez em quando, cocaína. É um personagem asqueroso, sujo e
maltrapilho, enfim, um hippie da pior qualidade. Seu único fator positivo é ficar igualzinho a John Lennon quando coloca aqueles óculos escuros redondinho. Joaquin Phoenix está ótimo no
papel, provando que é um ator bastante versátil. A trama é meio complicada e pode confundir o espectador, principalmente
pelos inúmeros personagens que aparecem no meio da história. Para complementar
o quadro geral meio estranho, o escritório de “Doc” fica dentro de uma clínica médica. Tem até uma cena onde um grupo de rock aparece comendo pizza ao estilo do quadro da Santa Ceia. É
claro que todo esse cenário é obra do diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue
Negro”, “O Mestre”, “Magnólia”), acostumado em não economizar esquisitices. Vale pelo humor, ambientação de época e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta também com
Reese Witherspoon, Benício Del Toro, Martin Short, Owen
Wilson e Eric Roberts (o irmão da Júlia). Não chega a ser bom, mas um filme bastante interessante.
Assinar:
Postagens (Atom)



