domingo, 11 de maio de 2014

“Baran”, produção iraniana de 2001, tem como pano de fundo a situação dos imigrantes afegãos no Irã, a maioria fugindo do regime talibã e da pobreza crônica do Afeganistão. Como se no Irã a situação fosse melhorar. O filme conta a história de Lateef, um jovem iraniano que trabalha num canteiro de obras em Teerã. Ele é o encarregado de servir comida e chá aos trabalhadores, em sua maioria imigrantes ilegais, principalmente afegãos, curdos e turcos. Um acidente na obra provoca um ferimento sério na perna do afegão Najaf. Para não perder o dinheiro pelos dias em que ficará afastado, Najaf envia o filho Rahmat para substituí-lo, mas ele se mostra sem forças para fazer o trabalho pesado. Rahmat é designado para o lugar de Lateef na cozinha e este vai para o trabalho pesado. Lateef fica revoltado com a situação. Os dias transcorrem sem nenhuma novidade, até que Lateef descobre um segredo que mudará radicalmente o seu modo de pensar e agir. Em meio a tanta pobreza e desilusão, o diretor Majid Majidi ameniza o drama da história com alguns momentos de humor e outros bastante comoventes, principalmente quando Lateef demonstra sua bondade e solidariedade aos menos favorecidos – como se ele não fosse um deles. Do mesmo diretor, recomendo também “Filhos do Paraíso” e “A Cor do Paraíso”.                                                       
 

 “A Música nunca Parou” (“The Music never Stoped”), EUA, 2011, é um filme musical. Não um musical tradicional, daqueles em que o protagonista está conversando com alguém e de repente começa a cantar. É um filme musical porque sua trilha sonora tem importância fundamental no enredo. E que trilha sonora! Bing Crosby, Beatles, Bob Dylan, Rolling Stones, Grateful Dead, Crosby, Stills & Nash... Uma delícia aos ouvidos! Em 1988, Henry (J.K. Simmons) e Helen Sawyer (Cara Seymour) recebem a notícia de que seu filho Gabriel (Lou Taylor Pucci), que fugiu de casa em 1968, está hospitalizado em Nova Iorque com sérios danos cerebrais. Ele está completamente desmemoriado. No período em que passou a visitá-lo, Henry percebe que Gabriel reage ao estímulo de certas músicas, pelas quais consegue reviver fatos do passado. Henry então vai procurar a dra. Dianne Daley (Julie Ormond), musicoterapeuta famosa por conseguir ótimos resultados no tratamento de vítimas de tumores cerebrais através da música. As consultas com a médica vão fazer com que Gabriel reavive suas memórias. E proporcionar, a quem assistir ao filme, uma deliciosa viagem à música dos anos 60. Um filme para ver cantarolando e batendo os pés.                                                     

sábado, 10 de maio de 2014

“A Gaiola Dourada” (“La Cage Dorée”), 2012, co-produção França/Portugal, é uma deliciosa e divertida comédia, daquelas que não perdem o ritmo até o final. Os portugueses Maria e José Ribeiro (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) casaram e imigraram para a França, onde moram há 30 anos. Maria é zeladora de um prédio na zona nobre de Paris e José é mestre de obras numa construtora. Seus filhos, Paula (Barbara Cabrita) e Pedro (Alex Alves Pereira) são franceses. A família está feliz e plenamente ambientada em Paris. São muito queridos no bairro e os moradores do prédio adoram o trabalho de Maria, o mesmo acontecendo na construtora com relação a José. Até que um dia José recebe uma carta informando que é herdeiro de uma grande fortuna, que inclui uma imensa propriedade em Portugal. Só que existe uma cláusula obrigatória: o casal deve mudar para Portugal e residir na propriedade. Fruto de uma empregada fofoqueira, a notícia do inesperado enriquecimento de José e Maria chega aos ouvidos de todo mundo no bairro, aos moradores do prédio e na empresa de José. Ninguém quer que os dois voltem para a “Terrinha”. As artimanhas criadas para fazer o casal não sair de Paris dão margem a uma série de confusões e situações muito engraçadas. O jantar que José oferece ao seu patrão e à esposa, por exemplo, é um dos momentos mais hilariantes do filme. A história é baseada na própria experiência do diretor Ruben Alves, que escreveu o roteiro. Sua família também imigrou para a França. Seu pai trabalhou como pedreiro e a mãe como zeladora de prédio. Ruben também faz uma ponta no filme, no papel de ex-namorado de Paula. Simplesmente imperdível!                                              

sexta-feira, 9 de maio de 2014


“A Reconstrução” (“La Reconstrucción”), 2012, direção de Juan Taratuta, é mais um bom filme argentino (como se isso fosse alguma novidade). Eduardo (Diego Peretti), trabalhador numa refinaria de petróleo, é um sujeito solitário e extremamente desagradável. Além de fechado e mal-humorado, não liga para a aparência. Barba por fazer, cabelos desgrenhados e ensebados, unhas grandes e sujas. Seu aspecto é de um verdadeiro troglodita.  Um dia, recebe o telefonema de um antigo amigo, Mario (Alfredo Casero), que o convida para passar uns dias em sua casa em Ushuaia (capital da Província da Terra do Fogo). Como está para sair de férias, Eduardo aceita o convite e uns dias depois pega a estrada. Eduardo chega a uma casa alegre e vê uma família feliz – Mario, a esposa Andrea (Claudia Fontán) e as duas filhas adolescentes do casal, Ana (Maria Casali) e Cata (Eugenia Aguilar). Mesmo nesse ambiente agradável, Eduardo não consegue externar nenhuma emoção. A morte repentina de Mario, porém, fará com que Eduardo tenha de assumir, pelo menos temporariamente, as rédeas da família enlutada. Durante esse processo, ele também vai repensar e tentar reconstruir sua vida. Mais conhecido pela ótima comédia “Um Namorado para minha Esposa”, Taratuta fez um filme um tanto melancólico, mas bastante sensível.                                       

quinta-feira, 8 de maio de 2014

“A Imigrante” (“The Immigrant”), EUA, 2013, dirigido por James Gray, é um drama pesado, depressivo e melancólico. O ano é 1921. As irmãs Ewa (Marion Cotillard) e Magda Cybulski (Jicky Schnee) chegam de navio a uma Nova Iorque gélida e sombria . Elas vêm da Polônia para tentar uma vida melhor. Quando desembarcam e passam pela inspeção alfandegária, Clara é diagnosticada com tuberbulose e encaminhada para tratamento no hospital da Ilha Ellis, onde ficavam os imigrantes doentes. Em meio ao desespero de se separar da irmã, Ewa conhece Bruno (Joaquin Phoenix), um empresário influente que dá acolhida à moça. Na verdade, Bruno é um conhecido cafetão na cidade e convence Ewa a ingressar no seu time. Por sua beleza, logo Ewa será a prostituta mais assediada e a preferida de Bruno, que acaba se apaixonando por ela. Tudo muda quando Ewa conhece Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo de Bruno. Os dois vão disputá-la na base dos sopapos. Dividida entre os dois homens, Ewa só vai encontrar solução para o seu dilema quando uma situação trágica elimina um deles. O dramalhão segue firme até o final.  Nem esse trio de ótimos atores consegue salvar esse filme. Impossível deixar de sentir um certo alívio quando, finalmente, aparece o The End.                        

                                     
O que tem a ver a Holanda com o cenário árido do Deserto do Novo México? O filme holandês “Jackie”, de 2012, dirigido por Antoinette Beumer. Trata-se de uma comédia com direito a road movie ao estilo “Telma & Louise”, só que com três mulheres. A história começa quando as irmãs gêmeas Sofie (Carice van Houten) e Daan (Jelka van Houten), que moram na Holanda, recebem um telefonema dos EUA dizendo que sua mãe biológica, Jackie (Holly Hunter), fraturou a perna, está internada num hospital e precisa ser levada para um centro de reabilitação. Motivo meio forçado para justificar a viagem das irmãs, que nunca tiveram contato com a mãe. Em todo caso, elas são incentivadas a viajar pelos pais adotivos (um casal gay), que dizem ser esta uma ótima oportunidade para que conheçam a mãe biológica. Quando chegam, encontram uma mulher rabugenta e nem um pouco feliz em conhecê-las. As três iniciam uma longa viagem onde terão a oportunidade de se conhecer melhor e talvez recuperar o tempo perdido. Em seu desfecho, o filme terá uma reviravolta surpreendente. As atrizes holandesas Carice e Jelka van Houten, que também são irmãs na vida real, mas não gêmeas, estão ótimas, assim como Holly Hunter. As três garantem boas risadas. Mas é Carice que se sai melhor, embora seja mais conhecida por papéis em dramas como “A Espiã” (2006), “Operação Valquíria” (2008) e “Borboletas Negras” (2011), comprovando que uma atriz, quando é competente, atua em qualquer papel e em qualquer gênero de filme.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

“O Refúgio” (“Gimme Shelter”), EUA, 2013, dirigido por Ron Krauss, é um drama muito parecido com o que a gente já viu em  outros filmes. A história deste, pelo menos, é baseada em fatos reais. Aos 8 anos de idade, Apple (Vanessa Hudgens) foge de casa e de sua mãe prostituta e viciada em drogas, June (Rosario Dawson). Passou por reformatórios e lares adotivos, dos quais sempre fugiu. No filme, Apple já está com 16 anos e continua cada vez mais problemática. Por intermédio de uma carta, descobre a identidade do pai, que nunca conheceu, e vai procurá-lo. O pai, Tom Fitzpatrick (Brendan Fraser), um empresário bem sucedido do ramo imobiliário, acolhe Apple em sua casa, pede desculpas por nunca tê-la procurado, contando que era muito joven quando se relacionou com June e a engravidou. A esposa de Tom, Joanna (Stephanie Szostak), é contra a permanência de Apple. O clima fica pesado e, para piorar, Apple descobre que está grávida. Tom e Joanna querem que ela faça um aborto e a levam a uma clínica. Apple foge dali e rouba um carro. Durante a fuga, causa um acidente e vai parar no hospital, onde conhece o padre Frank McCarthy (James Earl Jones). Esse encontro vai mudar o rumo da história e da vida de Apple. A partir daí, o filme vira uma sessão da tarde para jovens mães solteiras. Se o filme não é tão bom, louve-se pelo menos o ótimo desempenho das duas atrizes principais, a jovem Vanessa Hudgens e Rosário Dawson.        

terça-feira, 6 de maio de 2014

“Bekas”, co-produção Suécia/Curdistão, 2012,  é um drama dos mais comoventes, sem deixar de ser sensível e alegre. Conta a história dos irmãos Zana (Zamand Taha) e Dana (Sarwar Fazil), garotos órfãos que vivem nas ruas de uma pequena cidade no Curdistão (norte do Iraque), um cenário de extrema pobreza. O ano é 1990, no auge da perseguição de Saddam Hussein aos curdos. Quando o filme “Superman” foi exibido no cinema local, Zana e Dana encontram um jeito de assistir por uma fresta no telhado. Mas logo são descobertos e expulsos. Pelo pouco que viram do filme, eles chegam à conclusão que o Superman é a solução para os seus problemas. “Ele tem poderes para ressuscitar nossos pais”, diz um irmão para o outro. Decidem, então, ir para a América. “É lá que ele mora”. Zana e Dana conseguem comprar um burro para levá-los nessa viagem. Eles o chamam de “Michael Jackson”. Aí começa uma grande aventura para os garotos, onde não faltarão momentos hilariantes, como quando encontram um agricultor analfabeto e tentam explicar a viagem. Mas o grande trunfo do filme é a amizade, o amor e o carinho entre os irmãos. O diretor curdo Karzan Kader, ainda criança, fugiu com a família para a Suécia no ínicio dos anos 90 e lá mora até hoje (o que explica a co-produção). As filmagens aconteceram no Curdistão e o elenco foi formado por atores amadores, incluindo os dois garotos. O filme estreou no Festival de Cinema de Dubai/2012. Concluindo, “Bekas” é uma joia rara do cinema mundial. Imperdível!                                          

segunda-feira, 5 de maio de 2014

“A Pedra da Paciência” (“Syngue Sabour”), co-produção Afeganistão/França, 2012, dirigido por Atiq Rahimi. A história é baseada no livro “Syngue Sabour. Pierre de Patience”, escrito pelo próprio diretor afegão em 2008. Numa cidade do interior do Afeganistão dominada pelos talibãs, uma mulher (a bela e competente atriz iraniana Golshifteh Farahani) cuida do marido em estado vegetativo, vítima de um tiro na nuca. O ambiente é de extrema pobreza e muito violento, com franco-atiradores nos telhados, atentados à bomba e tiroteios diários. A mulher leva as duas filhas pequenas para a casa da tia (Hassina Burgan), que vive ao norte da cidade. Ela desabafa com a tia e diz que não aguenta mais a vida de pobreza que leva, além de cuidar do marido em coma. A tia conta a história de pessoas que relatam seus problemas para uma pedra (a tal “Pedra da Paciência”) e que, um dia, essa pedra vai acabar estourando. Quando esse dia chegar, a pessoa estará totalmente liberta de tudo que a aflige. A mulher segue o conselho da tia, só que, ao invés da pedra, desabafa com o marido em coma. Ela faz um resumo da história da sua vida e não poupa sua decepção com o casamento e culpa o marido que, segundo ela, nunca lhe deu atenção e nunca a ouviu. “Estou casada há dez anos com você e só agora eu consigo falar”. Esses desabafos vão ocupar grande parte do filme, sem deixá-lo monótono ou cansativo, graças, principalmente, à excelente atuação de Farahani. O filme torna-se ainda mais interessante ao mostrar algumas tradições da sociedade afegã e do mundo muçulmano em geral. Um belo filme que merece ser conferido. 

domingo, 4 de maio de 2014

“Zulu”, 2013, co-produção França/África do Sul, é um policial da pesada. O Departamento de Polícia da Cidade do Cabo investiga o assassinato de uma jovem encontrada morta na praia. A vítima foi espancada violentamente e ficou desfigurada. Encarregados do caso, o capitão Ali Sokhela (Forest Whitaker) e o detetive Brien (Orlando Bloom) vão enfrentar bandidos violentos e sádicos - perto deles, o nosso PCC vai parecer Congregação Mariana. Durante as investigações, os policiais descobrem uma conexão entre a morte da moça e uma organização criminosa que produz, em laboratório, uma substância química que ativa a agressividade. Os testes são feitos com crianças das favelas da Cidade do Cabo (viu que bonzinhos?). A violência corre solta e lá, como aqui, a polícia não dá conta de tanto bandido. Igualmente, os bandidos de lá também não têm medo da polícia. Para se ter uma ideia, um colega policial de Ali e Brien tem o braço decepado e é degolado na frente da dupla sem a menor cerimônia. O filme, dirigido pelo francês Jérôme Salle, foi escolhido para ser exibido na sessão de encerramento do Festival de Cannes 2013. “Zulu” tem todos os ingredientes de um bom filme policial: um enredo interessante, dupla de policiais problemáticos, muita violência, perseguições, tiros e bandidos de dar medo. Ah, tem também mulher pelada. Prepare o sacão de pipoca e aperte o Play.                   

sábado, 3 de maio de 2014

“A Jaula de Ouro” (“La Jaula de Oro”), 2013, México, conta a odisseia de Juan, Sara e Samuel, jovens recém-saídos da adolescência, que um dia resolvem abandonar sua vida miserável numa favela da Guatemala e emigrar, clandestinamente, para os Estados Unidos, atravessando o México. No meio da viagem, incorpora-se ao trio o jovem índio Chauk. Como meio de locomoção, eles sobem em vagões de trens de carga, onde se juntam a centenas de hondurenhos, nicaraguenses, mexicanos etc. Durante o percurso, muitas situações de perigo vão acontecer e nem todos chegarão ao destino. O diretor Daniel Quemada-Diez optou por um estilo quase documental, mostrando inúmeras vezes, em close, os rostos dessas pessoas tão sofridas e cheias de esperança. Todos os atores envolvidos no filme são amadores, o que, segundo o diretor, reforçou a autenticidade dos personagens. Os três principais, por exemplo, foram selecionados entre 6 mil jovens da Guatemala. Não há dúvida de que Daniel recebeu forte influência dos estilos de Ken Loach, Fernando Meirelles e Alejandro Gonzalez Iñarritu, diretores com os quais trabalhou em várias produções. "Jaula de Ouro" integrou a Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013 e participou, com destaque, da 37ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme deixa bem claro, em seu desfecho, que, mesmo nos EUA, o sonho americano continuará bastante distante para essa gente.               
O filme justifica plenamente o título estranho: “Emanuel e a Verdade sobre Peixes” (“Emanuel and the True about Fishes”), EUA, 2013. Trata-se de um drama meio fantasioso tratado como suspense. A esquisitice já começa pelo personagem principal, Emanuel, normalmente um nome masculino e que, no filme, é o nome da jovem de 17 anos (Kaya Scudelario) que mora com o pai e a madrasta e vai trabalhar como babá na casa de uma nova moradora da rua, Linda (Jessica Biel). Para surpresa de Emanuel, o bebê não passa de uma boneca, fruto da obsessão de Linda depois da morte de seu bebê uns anos atrás. Passado o susto inicial, Emanuel acaba se afeiçoando ao “bebê” e criando um elo muito forte com Linda. Em meio a esse enredo, Emanuel sofre de alucinações em que se vê submersa no mar ou num lago, além de ver água invadindo os ambientes da casa. Com tanta água, é possível que o espectador termine o filme “boiando”, sem entender muito bem o que aconteceu. Essa produção independente estreou no Festival de Sundance 2013 e ainda traz no elenco Alfredo Molina e Francis O’Connor. É o segundo filme da diretora ítalo-americana Francesca Gregorini (“Os Segredos de Tanner Hall”, de 2009, foi o primeiro). Vale a pena conferir por curiosidade.           

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Não digo que seja o melhor, mas entre os 9 filmes indicados ao Oscar 2014 de Melhor Filme, “Nebraska”, direção de Alexandre Payne,  é, com certeza, o mais agradável de assistir, mesmo com a fotografia em P&B (ótima!) e as paisagens gélidas que servem de cenário para todo o filme. Conta a história do velho Woody Grant (Bruce Dern), que recebe um desses folders de propaganda onde está escrito que ele poderá ganhar US$ 1 milhão. Já meio “gagá”, Woody está convencido de que ganhou mesmo esse prêmio e que precisa ir buscá-lo em Lincoln, capital do Estado de Nebraska, bem longe de onde mora, em Billings (Montana). Só que ele resolve ir a pé e logo é detido pela polícia na estrada. Ele é levado de volta para casa, mas continua insistindo em fazer a viagem, sob os protestos da esposa Kate (June Squibb) e dos filhos Davie (Will Forte) e Ross (Bob Odenkirk). Finalmente, Davie resolve levar o pai de carro. No meio da viagem, passam pela cidadezinha Natal de Woody, onde ainda moram seus irmãos e antigos amigos. Kate e Ross vão encontrá-los para também participarem do almoço com toda a família. A notícia de que Woody virou milionário se espalha pela cidade e é motivo de muitas confusões. Depois, Woody e Davie seguem viagem para o destino final. Além de muito bem-humorado, com diálogos ácidos e sarcásticos, o filme é sensível na medida em que mostra o desprendimento de Davie em acompanhar o pai, mesmo sabendo que será tudo em vão. Apesar do ótimo desempenho de Bruce Dern como Woody, a atração do filme é mesmo a Kate de June Squibb. Rabugenta e desbocada, ela é responsável pelas passagens mais hilariantes do filme. Simplesmente imperdível! 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

“Garotos de Abu Ghraib” (“Boys de Abu Ghraib”), EUA, 2013, não é um entrenimento dos mais agradáveis. Afinal, a história quase inteira é filmada dentro da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, aquela mesma que ficou famosa no mundo inteiro por mostrar fotos de soldados norte-americanos humilhando e torturando seus prisioneiros, em sua maioria terroristas árabes. Aliás, tem tudo a ver com esse filme. Vamos a ele: o soldado Jack Farmer (Lucas Moran, que também escreveu o roteiro e dirigiu), de 22 anos, é enviado ao Iraque junto com um pelotão encarregado de fazer a manutenção dos veículos do Exército, cuja “oficina” fica no interior das instalações de Abu Ghraib. A missão estava prevista para durar seis meses, mas acabou se estendendo por um ano. Cansado da rotina de consertar motores e suspensões e de vez em quando fugir de morteiros, Jack pede ao seu comandante para ser escalado nos plantões dentro da ala onde estão presos os terroristas. Essa experiência vai levar Jack ao limite do estresse e modificar totalmente o seu comportamento e o seu modo de pensar a respeito dos terroristas. Quem não tiver o estômago forte, não veja. Mas quem tiver e assistir, verá um filme muito bom.      

quarta-feira, 30 de abril de 2014

“Parada em pleno curso” (“Halt auf freier Strecke”), 2011, é um drama alemão realista e muito comovente. Começa o filme com Frank Lange, de 42 anos, ao lado da esposa, Simone, ouvindo o diagnóstico do médico: tumor maligno na cabeça em local inoperável. Mesmo com radioterapia e quimioterapia, alguns meses de vida. A partir daí, o filme vai mostrar o dia-a-dia da família (o casal e dois filhos, um de 14 e outro de 8 anos) e como vão enfrentar a trágica situação até a morte de Frank. Vai mostrar, por exemplo, a inocência de uma criança de 8 anos ao ter que lidar com a situação. O garoto pergunta a Frank se ele vai morrer mesmo. Frank responde que sim. E o filho pergunta: “Você me dá o seu iPhone?”. O diretor Andreas Dresen faz com que o espectador tenha a sensação de participar de cada momento angustiante, de interagir emocionalmente com o doente e sua família. Estamos lá na hora em que o médico dá o diagnóstico fatal, estamos lá nas consultas com psicólogos, vivenciamos a visita que o casal faz à empresa de cremação para escolher o caixão e a trilha sonora (ele escolhe The Cure e Nirvana) e acompanhamos de perto todo o processo do avanço da doença. Sem dúvida, quem já passou por uma situação semelhante vai se emocionar ainda mais. Com exceção de Milan Peschel, que vive Frank, e Steffi Kühnert (Simone), o restante do elenco é formado por amadores. Aliás, os médicos, psicólogos e enfermeiros que aparecem no filme são os mesmos profissionais na vida real. Aí você vai compreender a frieza com que o médico dá o diagnóstico do câncer na cena inicial. Um ator não conseguiria ser tão frio. O filme estreou no Festival de Cannes em 2011 e ganhou o prêmio “Um Certain Regard”. Um filme capaz de nos fazer refletir e  emocionar.  

terça-feira, 29 de abril de 2014

“Passagem para a Vida” (“The Man on the Train”), Canadá, 2011, é um remake do fran cês “L’Homme du Train”, de 2002, este último dirigido por Patrice Leconte. Os dois são ótimos filmes. Se no original havia o grande ator Jean Rochefort fazendo o personagem do professor de literatura, neste último temos o ótimo Donald Sutherland. Se no francês o homem misterioso era Johnny Hallyday, no canadense é Larry Mullen Jr., fundador e baterista da banda U2. Como se vê, ambos ligados à música. Sutherland é professor aposentado de literatura que dá aulas particulares numa pequena cidade. O misterioso Mullen chega – de trem, daí o título – e, ao comprar comprimidos para dor de cabeça numa farmácia, conhece o professor. Como o hotel da cidade está fechado, o estranho é convidado pelo professor a ficar em sua casa, uma antiga mansão isolada. O professor acaba descobrindo que a visita do seu hóspede à cidade não tem, vamos dizer, um objetivo turístico. Na verdade, ele está envolvido com uma quadrilha que quer roubar o banco local. O filme tem um ritmo bastante lento e é dirigido por Mary McGuckian como se fosse uma peça teatral. Seus trunfos são os ótimos diálogos, nos quais se destacam a erudição e as citações literárias do professor, o desfecho surpreendente e inesperado, além do trabalho excepcional dos atores, principalmente Sutherland. Um filme acima da média feito para um público idem.  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

“O último amor de Mr. Morgan” (“Mr. Morgan’s last Love”) é uma co-produção Bélgica/Alemanha/França/EUA de 2013. O grande Michael Caine faz um professor aposentado que mora em Paris e está deprimido pela recente morte da esposa. Ele conhece uma jovem professora de dança (a atriz francesa Clémence Poésy), também deprimida pela morte do pai. Pronto: juntou a fome com a vontade de comer, esta última do Mr. Morgan. É um filme simpático e que tem lá seus momentos de humor, principalmente quando Mr. Morgan vai à academia da moça e ensaia uns passos de dança.
“Vento do Oeste” (“Westwind”), 2011, Alemanha. O filme até que começa interessante. 1988, portanto um ano antes da queda do Muro de Berlim. Dooren (Friederick Becht) e Isabel (Luise Heyer) são irmãs gêmeas, moram na Alemanha Oriental e são duas grandes promessas do remo. Convocadas por seu treinador, elas viajam para um campo de férias na Hungria, onde deverão se submeter a um treinamento rigoroso com vistas a uma importante competição que será realizada em Berlim. Durante a viagem, porém, elas se atrasam no banheiro de um posto e perdem o ônibus. Ao pedir carona na beira da estrada, elas conhecem os jovens Arne e Nico, da Alemanha Ocidental, que estão em férias. A partir da chegada de Isabel e Dooren ao campo de treinamento, o filme vira uma sessão da tarde ao estilo daquelas produções água com açúcar da Disney, com direito a namoricos escondidos, alguém tocando violão para os jovens em volta da fogueira e chiliques de meninas mimadas. Surpresa verificar que o diretor, Robert Thalheim, é o mesmo do ótimo “À Espera de Turistas”.      

domingo, 27 de abril de 2014

“A Pele de Vênus” (“Venus in Fur”) foi o primeiro longa realizado por  Roman Polanski depois de ter ficado preso dois meses na Suiça no final de 2009. O filme tem apenas dois atores que atuam num teatro vazio. Vanda (Emmanuelle Seigner) chega atrasada ao teatro para participar de um teste para protagonista da peça “Venus in Fur”. O diretor Thomas (Mathieu Amalric) está quase saindo e, muito a contragosto, acaba concordando em conceder uma audição àquela estranha. A partir daí os diálogos entre Thomas e Vanda misturam-se aos da peça escrita em 1870 pelo dramaturgo austríaco Leopold Sacher-Masoch (o termo masoquismo vem do seu sobrenome). Para surpresa de Thomas, Vanda conhece o texto inteiro e ainda dá sugestões de iluminação, figurinos e cenário. Como na peça de Masoch, o filme explora o tema da dominação, o que explica a total submissão de Thomas diante de Vanda. Só para relembrar: na vida real, Emmanuelle Seigner é esposa de Polanski. Não estou insinuando nenhum tipo de proteção, pois ela sempre foi uma ótima atriz. Recomendo esse filme apenas para estudantes ou artistas de teatro. As demais categorias, como a minha (jornalista), vão achar chatérrimo.

 
“Refém da Paixão” (“Labor Day”), EUA, 2013, é um drama baseado no livro “Fim de Verão”, de Joyce Maynard, que situa a ação nos dias que antecedem o feriado do Dia do Trabalho (Labor Day) na cidade de Holton Mills (New Hampshire), em 1987. Adele (Kate Winslet) e seu filho Henry (Gattlin Griffith) estão num supermercado fazendo compras quando um homem, Frank (Josh Brolin), diz que está ferido (ele é um presidiário que acaba de fugir do hospital) e pede ajuda. Como ele está com as mãos no pescoço do menino, com um semblante ameaçador, Adele não tem como resistir. Leva-o para casa.  Frank vai provar que não é tão perigoso quando os noticiários da TV fazem crer, caindo nas graças de mãe e filho. Divorciada, solitária e infeliz, Adele vê a chegada de Henry como uma companhia adulta para conversar e até como um complemento à sua vida sentimental frustada. Henry sente a falta da presença do pai, que só vê aos finais de semana, mas é obrigado a dividir sua atenção com os meio-irmãos. Frank, porém, dedica toda a sua atenção ao garoto, ensinando-lhe alguns truques de beisebol, a consertar o carro e a fazer uma torta de pêssegos. O que se imaginava no início um sequestro, acaba virando uma cumplicidade familiar e uma paixão entre Adele e Frank. Como isso tudo vai terminar, só assistindo ao filme. A direção é de Jaison Reitman (de “Juno” e “Amor sem Escalas”). 
Confesso que fui adiando a decisão de assistir “12 Anos de Escravidão” (“12 Years a Slave”). Nem mesmo depois que ganhou o Oscar 2014 me deu vontade de vê-lo. Afinal, você sabe que vai estar diante de uma história triste, de muito sofrimento, maldades, torturas, humilhações, espancamentos etc. Resolvi respirar fundo e encarar finalmente a saga verídica de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um cidade americano livre, que é sequestrado em 1841 e vendido como escravo para trabalhar em plantações na região da Louisiana, onde vai servir a dois senhores, um deles o violento Edwin Epps (Michael Fassbinder). Solomon só será libertado 12 anos mais tarde por um advogado. Logo depois ele decide escrever suas memórias sobre essa triste e sofrida trajetória. O filme, dirigido por Steve McQueen, foi todo baseado nesse relato de Solomon. Sem dúvida, é um filme forte e impactante, muito bem feito, mas talvez tenha sido um exagero – um “mea culpa” dos americanos? - ter sido escolhido como Melhor Filme do Oscar, assim como o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong’o. A Academia exagerou no “politicamente correto”. 
“Rolou uma Química” (“Better Living through Chemistry”), EUA, 2013, é uma comédia dirigida pela dupla Geoff Moore e David Posamentier. Conta a história de Douglas Varney (Sam Rockwell), um farmacêutico em crise no casamento com Kara  (Michelle Monaghan), que só pensa em sua academia de ginástica e em participar de provas de ciclismo. Além disso, Varney enfrenta problemas com o comportamento nada normal do filho pré-adolescente, que se transformou no terror da escola. Em meio a essa fase turbulenta, Varney conhece Elizabeth Roberts (Olivia Wilde), uma bela e infeliz dona de casa viciada em álcool e remédios. Varney também começa a manipular fórmulas de drogas estimulantes e acaba viciado como Elizabeth. Logo, Varney e Elizabeth começam a ter um caso, que se torna ainda mais complicado e perigoso quando decidem planejar o assassinato do marido dela (Ray Liotta). A partir daí, Varney vai se meter em muitas confusões, o que melhora um pouco o humor do filme, até então motivador de um ou outro sorriso amarelo. Apesar do nome de Jane Fonda aparecer nos créditos principais, ela tem apenas uma aparição rápida no final. Se o filme já não é tão bom, pior mesmo é o título que inventaram em português.