sexta-feira, 2 de maio de 2025

“EXTERRITORIAL”, 2025, Alemanha, 1h39m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Cristian Zübert. Começa o filme com Sara Wulf  (Jeanne Goursaud, da série ”Bárbaros”) entrando no consulado dos Estados Unidos em Frankfurt com seu filho Josh. Ex-soldada das forças especiais da Alemanha, viúva de um soldado norte-americano, ela queria solicitar um visto de trabalho para os Estados Unidos, onde havia uma oferta de emprego. Mas o que seria uma solução virou um verdadeiro inferno. O filho dela sumiu misteriosamente dentro do consulado e ela entrou em desespero. Quando pediu que os seguranças a ajudassem a encontrar o menino, eis que vem a desagradável surpresa. As câmeras de segurança mostravam que Sara entrara sozinha no consulado. A explicação dada pelo administrador Erik Kynch (Dougray Scott), chefe da segurança: Sara sofre de alucinações causadas pelo Transtorno de Estresse Pós-Traumático depois de uma missão militar no Afeganistão. Detida numa sala, a ex-soldada consegue fugir e ainda ajudar uma imigrante russa (papel de Lera Abova) também presa no consulado. Toda a ação transcorre dentro do prédio do consulado, Sara tentando achar o filho desaparecido e descobrir porque está sendo perseguida. Muito suspense vai rolar até o desfecho, quando tudo o que aconteceu será esclarecido. Trocando em miúdos, “Exterritorial” não é daqueles filmes que a gente recomenda com entusiasmo, mas não chega a decepcionar.   

quarta-feira, 30 de abril de 2025

“COVIL DE LADRÕES 2: PANTERA” (“DEN OF THIEVES 2: PANTERA”), 2025, Estados Unidos, 2h10m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Christian Gudegast (“Invasão a Londres”, “Alerta Máximo”). Não vi o primeiro, que aliás está disponível também na Prime, e portanto não posso dizer qual o melhor. Este segundo manteve a dupla principal de protagonistas (Gerard Butler e O’Shea Jackson Jr.), além do mesmo diretor e equipe técnica. A história deste segundo filme é baseada num caso real, o famoso roubo de diamantes ocorrido em 2003 na cidade holandesa de Antuérpia. No filme, uma gangue intitulada “Os Panteras” planeja roubar diamantes valiosos no edifício World Diamond, em Nice (França), um deles o famoso “Octopus”. Em Los Angeles (EUA), o policial Nick (Butler) vê imagens de vídeo de outro roubo na Europa onde aparece seu antigo conhecido, o marginal Donnie (“O’Shea”). Nick segue para a Europa com a intenção de prendê-lo, e logo descobre que Donnie está planejando um outro golpe com “Os Panteras”. Nick consegue entrar para a gangue, chefiada por uma mulher, a exótica Jovana (Evin Ahmad). O filme dedica uma grande parte de sua duração ao planejamento do assalto ao World Diamond Center, um dos edifícios mais seguros da Europa. A partir do momento do assalto, o filme se transforma num grande suspense, repleto de ação e muitas reviravoltas. Completam o elenco Salvatore Esposito, Orli Shuka, Dino Kelly e Nazmiye Oral. Confesso que não gostei da atuação do astro escocês Gerard Butler, um tanto canastrão e com desempenho muito forçado. Apesar dos pesares, “Covil de Ladrões 2” é um bom entretenimento, cujo desfecho dá a entender que vem por aí o número 3. Aguardemos.

sábado, 26 de abril de 2025

“MESTRES DO ASSALTO” (“CARJACKERS”), 2025, França, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kamel Guemra (“Bala Perdida”, série “Marselha em Perigo”), que também assina o roteiro com a colaboração de Morade Aissaoui e Sledge Bidounga. Não é de hoje que o cinema francês nos brinda com ótimos filmes de ação. Este “Mestres do Assalto” é mais um deles. Muita ação, perseguições, tiroteios, suspense. Enfim, tem tudo para agradar os fãs do gênero. A história é centrada em quatro amigos, duas mulheres e dois homens, que se empregam em hotéis de luxo para roubar clientes ricos. No filme, eles estão empregados em um hotel de luxo na cidade de Nice, capital da Riviera Francesa, também conhecida como Côte d’Azur. Ou seja, os cenários, principalmente vistos do alto, são deslumbrantes. Depois que um cliente é assaltado, a direção do hotel decide contratar Elias (Frank Gastambide), um detetive particular que nas horas vagas também é um matador profissional. Quando o quarteto resolve assaltar um mafioso russo, Elias consegue uma pista e, a partir dela, descobre a identidade dos quatro assaltantes, mas não será fácil capturá-los. É esta caça que gera as melhores cenas de ação, que seguem ininterruptas até o desfecho. Completam o elenco Zoé Marchal (filha do cineasta Olivier Marchal, craque em filmes de ação), Mylène Jampanoï, Alassane Diong, Florence Fauquet, Wendy Grenier e Colin Bates. Resumo da ópera: mais um ótimo filme francês de ação.   

quarta-feira, 23 de abril de 2025

“EM FUGA” (“9 BULLETS”), 2022, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Gigi Gaston. De início, o filme não me interessou muito, mas depois que vi nos créditos a presença da atriz inglesa Lena Headey resolvi assistir e comentar. Depois que atuou como a personagem Cersey Lannister na série “Game of Thrones” e no filme “300”, Lena deu uma sumida. Este seu retorno me motivou. “Em Fuga” é um filme de suspense e ação que não convence do começo ao fim, repleto de furos e situações forçadas sem nenhuma credibilidade. Salve-se a presença de Lena Headey, que aos 51 anos continua bonita e ainda em grande forma física. No filme, ela é Gypsy, uma dançarina que é a grande atração em um bar espelunca de beira de estrada. Quando seus vizinhos são assassinados, ela acolhe o menino sobrevivente de 11 anos, Sam (Dean Scott Vazquez) e o coloca sob sua proteção, já que o garoto esconde informações sobre os assassinos em seu celular. Coincidência das coincidências, o chefe da gangue que matou a família é justamente um ex-namorado de Gypsy, o truculento Jack (Sam Worthington). Gypsy pega a estrada com o garoto para fugir de Jack e aí o filme se transforma num verdadeiro road movie, com direito a uma participação especial de Barbara Hershey, outra atriz que também andava meio sumida. Completam o elenco Cornelia Guest, Emma Holzer, Chris Mullinax, Martin Sensmeier, Stephanie Arcila e Colleen Camp. Para encerrar, lembro mais um furo homérico na história, quando Gypsy diz ao garoto que tem 9 vidas, assim como os gatos. Ora, não eram sete? Vários outros filmes também exploraram o tema "mulheres protegem crianças", mas nenhum foi melhor do que "Gloria", de 1980, com Gina Rowlands dirigida pelo seu marido, John Cassavetes. Quanto a "Em Fuga", o resultado final pode não decepcionar, mas fica bem longe de uma recomendação entusiasmada.   

domingo, 20 de abril de 2025

“iHOSTAGE” (a Netflix manteve o título original – hostage quer dizer refém – não tenho ideia do que o “i” quer dizer), 2025, Holanda, 1h40m, direção de Bobby Boermans, que também assina o roteiro com a colaboração de Simon De Waal. Trata-se de um ótimo suspense valorizado ainda mais por ter sido baseado num fato real ocorrido na cidade de Amsterdam (Holanda) em 2022. Um homem bem armado e com um colete supostamente com bombas, invade a loja da Apple Store, localizada na praça Leidseplein, uma das mais movimentadas e importantes de Amsterdam. Ele faz inúmeros reféns, muitos deles no andar superior, quatro trancados numa despensa e apenas um diretamente com ele, um cidadão búlgaro que está em viagem de trabalho na cidade. Uma psicóloga da polícia é designada para negociar com o sequestrador – que depois seria identificado como o imigrante sírio Abdel Rahman Akkad, de 27 anos. Para liberar os reféns, ele exige a absurda quantia de 200 milhões de euros em criptomoedas e um veículo blindado para sua fuga. Se não for atendido, ameaça explodir o prédio. O sequestro se arrasta por angustiantes 5 horas, envolvendo negociações bastante tensas, o que contribuiu para manter o suspense do começo ao fim. Achei muito interessante a abordagem dada aos efeitos psicológicos traumáticos que atingiram alguns dos principais participantes do evento, tanto os reféns quanto o pessoal da polícia. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix em 2025. Imperdível!

 

sábado, 19 de abril de 2025

“CONCLAVE”, 2024, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 2h00m, em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Edward Berger (“Nada de Novo no Front”), seguindo roteiro assinado por Peter Straughan. Indicado ao Oscar 2025 em oito categorias (ganhou a de “Melhor Roteiro Adaptado” e vencedor de vários prêmios no Globo de Ouro e no BAFT, o Oscar inglês), “Conclave” desnuda os bastidores de uma votação para a escolha do novo papa. É sabido que a escolha do papa é um dos eventos mais secretos do mundo. No filme, o personagem central é o cardeal Thomas Lawrence (Ralph Fiennes), encarregado de organizar o conclave por indicação do papa antes de morrer. O espectador é conduzido pelos  meandros do Vaticano, acompanhando os conchavos e as intrigas entre os cardeais, alguns deles assumindo a ambição de ser o novo papa. Administrar toda essa situação leva o cardeal Thomas a um grande estresse, o que o faz rever até mesmo a própria fé. O polêmico desfecho não agradou as autoridades eclesiásticas, merecendo críticas contundentes. Realmente, o final apresenta uma situação chocante para os católicos que, como eu, também não gostaram. Completam o elenco Stanley Tucci, John Lithgow, Carlos Diehz, Sergio Castellitto e Isabella Rossellini, esta última indicada ao Oscar 2025 na categoria “Melhor Atriz Coadjuvante”, o que achei um absurdo, já que ela pouco aparece no filme. Como se vê, o elenco é um dos grandes trunfos do filme. Os cenários, construídos no estúdio de cinema Cinecittà, nos arredores de Roma, também são incríveis, reproduzindo até mesmo detalhes artísticos da Capela Sistina. Para escrever o livro homônimo em 2016 que deu origem ao roteiro do filme, o romancista inglês Robert Harris fez uma acurada pesquisa sobre os bastidores de um conclave, tendo entrevistado, inclusive, um cardeal que participou da última votação. Trocando em miúdos, “Conclave” é um grande filme que chega ao streaming em 2025. Imperdível!  

quinta-feira, 17 de abril de 2025

“SISU – UMA HISTÓRIA DE DETERMINAÇÃO” (“SISU”), 2022, Finlândia, 1h31m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Jalmari Helander (“Caçada ao Presidente”). Estamos nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Ex-comandante do exército finlandês, Aatami Korpi (Jorma Tommila) resolveu isolar-se no deserto da Lapônia com um cavalo e um cachorro. Virou garimpeiro. Depois de achar uma grande quantidade de pepitas de ouro, resolveu voltar para a cidade com o objetivo de vender o ouro. No meio do caminho, porém, ele dá de cara com um pelotão de soldados alemães da Waffen-SS, comandados por um oficial sádico (Aksel Hennie), tentando voltar para a Alemanha através da Noruega, levando como reféns algumas jovens finlandesas. Ao perceberem que Aatami carregava ouro, os alemães decidem roubar a carga. Não sabem, porém, que Aatami é uma lenda em seu país como soldado, capaz de realizar façanhas que um ser humano normal seria incapaz. Enfim, uma fúria humana. A história do filme é justamente contar essa luta violenta e desigual - Aatami contra um batalhão inteiro de soldados alemães – através de cenas de ação muito bem filmadas, num ritmo intenso e repleto de suspense. Há mais ação do que diálogos, o ritmo é intenso, não deixa o espectador respirar. O filme teve uma recepção muito boa por parte da crítica e do público, ganhando uma sequência filmada em 2024, mas que ainda não chegou aos cinemas. Trocando em miúdos, um filmaço!

 

terça-feira, 15 de abril de 2025

“G20” – 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz no Prime Vídeo, direção da cineasta mexicana Patricia Riggen (“Sob a Mesma Lua”, “Milagres do Paraíso”), seguindo roteiro assinado por Caitlin Parrish, Erica Weiss e pelos irmãos Logan e Noah Miller. A atriz Viola Davis não precisa provar mais que é uma excelente atriz. Sua presença valoriza qualquer filme. E são muitos. Arrasou em especial no ótimo “A Voz Suprema do Blues” e ainda em “Um Limite entre Nós”, que a consagrou com Oscar de Melhor Atriz em 2017. Eclética e atlética, mostrou que também é ótima em filmes de ação, como provou no recente “A Mulher Rei” e agora em “G20”. Neste último, ela é Danielle Sutton, nada menos do que a presidente dos Estados Unidos. Ex-soldada na guerra do Iraque, ela também é perita em armas e em artes marciais – ela treina jiu-jitsu com o chefe de seus guarda-costas, o agente Manny Ruyz (Ramón Rodriguez) - tudo bem, é cinema. Em sua primeira missão internacional, Danielle vai com a família participar da reunião do G20 na Cidade do Cabo (África do Sul). Durante o coquetel de abertura do evento, terroristas invadem o recinto, trancam as portas e  fazem todos de reféns. Seu objetivo: controlar os mercados e a economia mundial. Só que a presidente Danielle e seu guarda-costas, além de outras duas personalidades, conseguem escapar do salão de festas, mas continuam presas dentro do edifício. Daí para a frente, muita ação vai rolar na telinha, regado a um suspense de primeira. As cenas de ação são ótimas, mais um trunfo para valorizar ainda mais a história. Completam o excelente elenco Sabrina Impacciatore, Anthony Anderson, Antony Starr, Marsai Martin, Chjristopher Farrar, Clark Gregg, Ali Suliman, Angela Sarafyan e Douglas Hodge. Claro que, como todo filme de ação, “G20” não exige muito dos neurônios, mas ainda assim é um ótimo entretenimento.       

domingo, 13 de abril de 2025

 

“O QUARTO AO LADO” (“THE ROOM NEXT DOOR” – “La Habitacion De Al Lado”, nos países de língua espanhola), 2024, Espanha, 1h50m, em cartaz na Netflix, direção de Pedro Almodóvar, que também escreveu o roteiro adaptado do livro “O Que Você está Enfrentando” (“What Are You Going Through”), da romancista norte-americana Sigrid Nunez. O tema é como lidar com a proximidade da morte, tanto por parte do doente quanto por parte da família e dos amigos próximos. A jornalista Martha (Tilda Swinton), uma ex-correspondente de guerra, tem pouco tempo de vida, sofrendo de um câncer terminal. No hospital, ela recebe a visita de uma antiga colega de trabalho, a também jornalista e agora escritora Ingrid (Julianne Moore). Martha pede à amiga que fique com ela em seus últimos dias, morando na mesma casa no quarto ao lado. Ela confessa que deseja que Ingrid a ajude numa morte assistida. A relação entre as duas mulheres é o foco de toda a história, onde se destacam momentos sensíveis, outros dramáticos e comoventes. Completam o elenco John Torturro, Alessandro Nivola, Juan Diego Botto, Raúl Arévalo, Alex Høgh Andersen, Esther-Rose McGregor e Melina Mattews. Este é o primeiro filme totalmente falado em inglês de Almodóvar, mas seu estilo de filmar é o mesmo de quase todos os seus filmes: ênfase no melodrama, humor irreverente (neste, nem tanto), cores fortes e ousadas, filosofia de vida, citações sobre arte e cultura. Puro Almodóvar, diretor espanhol que já nos brindou com ótimos filmes. Posso citar alguns, como “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988), “A Flor do Meu Segredo” (1995), “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999), “Fale com Ela” (2002), “A Pele que Habito” (2011), entre tantos outros. Exibido durante o 81º Festival Internacional de Cinema de Veneza, o filme ganhou o cobiçado Leão de Ouro de Melhor Filme.  A atriz Tilda Swinton foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz no Globo de Ouro, vencido pela nossa Fernanda Torres. Infelizmente, o Oscar 2025 esnobou Almodóvar. Trocando em miúdos, “O Quarto ao Lado” é mais uma pequena obra-prima do cineasta espanhol. E, portanto, IMPERDÍVEL – assim mesmo, com maiúsculas.       

sábado, 12 de abril de 2025


“CABRINI”, 2024, coprodução Estados Unidos/Itália, 2h22m, em cartaz na Netflix, direção do mexicano Alejandro Gómez Monteverde (“Som da Liberdade”), que também assina o roteiro com a colaboração de Rod Barr. Confesso que não conhecia a incrível história da missionária italiana Francesca Xavier Cabrini (1850-1917). Desde que foi ordenada freira, ainda jovem, Cabrini (Cristiana Dell’Anna) se dedicou a acolher os pobres na Itália, fundando orfanatos e escolas. Não satisfeita, pediu ao Vaticano para ser transferida para a China, dizendo que havia muita pobreza por lá. “O mundo é pequeno demais para o que pretendo fazer”, afirmou diretamente ao Papa Leão XIII (Giancarlo Giannini). Só que o destino da missionária seria outro: Nova Iorque. Havia notícias de que os imigrantes italianos na metrópole norte-americana viviam à beira da pobreza absoluta, além de serem tratados como cidadãos de segunda classe. Com um grupo de missionárias, Cabrini chega a Nova Iorque em 1889 com inúmeros desafios a vencer. A começar pela língua inglesa, que não dominava, além da falta de apoio das autoridades locais, inclusive as eclesiásticas. Cabrini descobriria que a situação era muito pior do que imaginava, com muitos imigrantes, a maioria crianças, vivendo nos túneis subterrâneos por onde passava o esgoto da cidade. Para sensibilizar as autoridades municipais, Cabrini conseguiu convencer um jornalista do Jornal New York Times a fazer uma reportagem a respeito da situação. Ao longo dos anos, já naturalizada cidadã norte-americana, Cabrini fundou hospitais, orfanatos e escolas. Seu trabalho de expandiu mundo afora, à frente da Ordem Cabrini, inclusive na China. Cabrini foi canonizada pelo Papa Pio XII em 1946, tornando-se a primeira santa norte-americana. Ainda bem que o cinema resgata essa história maravilhosa de amor ao próximo, coragem e dedicação extrema. Completam o elenco John Lithgow, David Morse, Romana Maggiora Vergano, Rolando Villazón e Jeremy Bobb. Além de contar com ótimo elenco - destaque para o excelente desempenho da atriz italiana Cristiana Dell'Anna como Cabrini -, um roteiro bem elaborado e uma primorosa reconstituição de época, “Cabrini” conta uma história que merecia ser revisitada e divulgada. Imperdível!      

quinta-feira, 10 de abril de 2025

 

“ATAQUE TERRORISTA” (“OMERTA: 6/12”) – nos países de língua inglesa, “Attack on Finland”, 2021, coprodução Finlândia/Estônia, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Aku Louhimies, seguindo roteiro assinado por Jari Olavi Rantala e Antti J. Jokinen (roteiro adaptado do livro “6/12”, de Ilkka Remes). Durante a comemoração do Dia da Independência da Finlândia, 6 de dezembro, terroristas invadem o palácio presidencial, matam diversos convidados e mantêm reféns o presidente Kosvivuo (Robert Enckell) e outras autoridades importantes do país. No meio dos reféns está o general Jean Morel (Zijad Gracic), um dos alvos dos terroristas, cujas exigências incluem a soltura de um coronel assassino, pai de um dos terroristas. Também feita refém está a agente especial Sylvia Madsen (Nanna Blondell), designada como guarda-costas do general Morel. Depois de muitas negociações, os terroristas conseguem fugir levando alguns reféns com destino à Estônia, onde está o mentor do ataque, Leonid Titov (Juan Ulfsak). O agente Marcos Tanner (Jasper Pääkkönen), das forças especiais da Finlândia, fica encarregado da difícil missão de resgatar os reféns, aqui incluída sua colega Sylvia Madsen. “Ataque Terrorista” tem muita ação, cenários deslumbrantes e suspense do começo ao fim. Um filmaço!

quarta-feira, 9 de abril de 2025

 

“O ÚLTIMO DUELO” (“THE LAST DUEL”), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do Norte, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ridley Scott, seguindo roteiro assinado por Nicole Holof Cener, Ben Affleck e Matt Damon. Uma ótima história, um diretor consagrado, um elenco de primeira e uma cenografia espetacular (cenários deslumbrantes e uma primorosa reconstituição de época). Esses aspectos fazem deste épico histórico, baseado em fatos reais detalhados no livro homônimo de Eric Jager, lançado em 2004, um filmaço de tirar o fôlego. Na França medieval (século XIV), um caso polêmico de estupro chegou à corte do Rei Charles VI (Alex Lawther). O escudeiro Jacques Le Gris (Adam Driver) é acusado por Marguerite de Carrouges (Jodie Comer) de tê-la estuprado. Para complicar a situação, Marguerite é casada com sir Jean de Carrouges (Matt Dammon), amigo de Le Gris. Os dois estiveram juntos em várias batalhas e solidificaram uma grande amizade. Marguerite resolveu denunciar Le Gris para o marido e para as autoridades. De início, não lhe foi dado o devido crédito, ainda mais que o estuprador insistia em sua inocência. Resumindo, os dois ex-amigos duelariam entre si, com um detalhe pra lá de mórbido: se Jean perdesse, Marguerite seria imediatamente queimada. Para saber o que aconteceu, sugiro assistir a este ótimo épico. Completam o elenco Ben Affleck, irreconhecível como o conde Pierre D’Alençon, Serena Kennedy, Julian Firth, Marton Czokas, Chloe Harris, Chloé Lindau, Nathaniel Parker e Adam Nagaitis. O veterano diretor Ridley Scott, que está à beira dos 90 anos, ainda mantém o vigor com o qual nos brindou com filmes que se tornaram clássicos, tais como “Thelma & Louise”, “Blade Runner” e “Falcão Negro em Perigo”, entre tantos outros. Em “O Último Duelo”, Ridley Scott comprova que é um craque também em cenas de ação, todas primorosas. Resumo da ópera: mais um grande filme do diretor inglês. Não perca!

domingo, 6 de abril de 2025

 

“REAGAN”, 2024, Estados Unidos, 2h15m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Sean McNamara, seguindo roteiro assinado por Howard Klausner. Mais do que uma ótima cinebiografia do 40º presidente norte-americano, “Reagan” apresenta um panorama primoroso da situação política dos Estados Unidos e do mundo durante os anos mais conturbados do Século XX. O roteiro é baseado no livro “O Cruzador: Ronald Reagan e a Queda do Comunismo”, de Paul Kengor, lançado em 2006. No filme, a história é apresentada sob o ponto de vista de um ex-agente da KGB, Viktor Petrovich (Jon Voight), encarregado pela União Soviética de acompanhar todos os passos do então presidente norte-americano. Ronald Reagan (1917-2007) é interpretado com muita competência pelo veterano ator Dennis Quaid (quando jovem, por David Henrie). Desde a infância e juventude, quando presenciou as bebedeiras homéricas do pai alcóolatra, o primeiro emprego como salva-vidas, o sucesso como ator de Hollywood, os dois casamentos, seu trabalho como diretor do sindicato dos atores e seu ingresso na política, primeiro como governador e depois como presidente, o filme acompanha a trajetória de Reagan apresentando como pano de fundo o conjunto de acontecimentos políticos da época em que foi presidente, exaltando sua aversão ao comunismo e seu poder de negociação, revelando sua firmeza e, ao mesmo tempo, uma veia humorística que encantava os mais importantes políticos da época, de Margaret Tatcher (Lesley-Anne Down) a Mikhail Gorbachev (Aleksander Krupa). Completam o elenco Mena Suvari como Jane Wyman, primeira mulher de Reagan, Penelope Ann Miller como Nancy Reagan, a segunda esposa, Scott Stapp (Frank Sinatra), Kevin Dillon e Pat Boone. Segundo pesquisa feita pelo portal Rotten Tomatoes, “Reagan” alcançou incríveis 98% de aprovação por parte do público consultado. Realmente, é muito bom. Um filmaço!      

"KOMPROMAT – O DOSSIÊ RUSSO” (“KOMPROMAT”), 2022, França, 2h7m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérôme Salle (“A Odisseia”, os filmes da franquia Largo Winch), que também assina o roteiro com a colaboração de Caryl Ferey. A história é baseada na experiência real vivida pelo diplomata francês Yoann Barbereau em 2016 e relatada no livro “Dans Les Geôles De Sibérie”. No filme, Yoann transformou-se no personagem Mathieu Roussel (Gilles Lellouche), que foi com a mulher e o filho para a cidade de Irkutisk, na Sibéria, para comandar a Alliance Française, cujo objetivo era divulgar a arte e a cultura francesa aos russos. Depois de promover uma peça de teatro na qual dois atores se beijam na boca, Roussel é preso pelo FSB (Serviço Federal de Segurança), que nada mais é do que a nova versão da antiga e sádica KGB. Acusado de pedófilo e estuprador da própria filha, ele é levado para uma penitenciária e jogado numa cela com presos de alta periculosidade. Quando ficam sabendo de que o novo “colega” é estuprador, partem pra cima dele e o agridem violentamente. Logo depois, o advogado contratado pela Embaixada da França consegue a liberdade condicional de Roussel, que sai da cadeia usando uma tornozeleira eletrônica, sair de casa em horários determinados e impedido de usar celular. Ele fica sabendo que a esposa Alice Roussel (Elisa Lasowski) e a filha voltaram para a França. Segundo relatório do FSB, foi Alice quem o denunciou. Aqui, faço uma pausa para esclarecer que o termo “Kompromat” é utilizado na Rússia como um dossiê falso concebido para incriminar opositores do governo – na verdade, o FSB acreditava que o francês era espião. Roussel pediu ajuda ao embaixador francês, que a negou com a desculpa de prejudicar o relacionamento com a Rússia. O francês então empreendeu uma fuga maluca pelo território russo, com o objetivo de chegar à fronteira da Estônia e então conquistar a liberdade. A única pessoa a ajudá-lo foi a jovem russa Svetlana (a atriz polonesa Joanna Kulig). As etapas da fuga e o sofrimento infringido a Roussel, que passou fome e frio, além da perseguição por parte dos agentes da FSB, são destacados em grande parte do filme, tornando-o um suspense de prender a respiração. Mais interessante ainda é o fato de revelar uma história verídica. Recomendo.        

quinta-feira, 3 de abril de 2025

“GOLPE DE SORTE EM PARIS” (“COUP DE CHANCE”), 2024, coprodução Estados Unidos/França, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Woody Allen. Este é o 50º filme de Allen, Assisti a todos, desde o seu primeiro, “Um Assaltante Bem Trapalhão”, de 1969. Aos 89 anos, Allen talvez não tenha vigor para dirigir mais algum filme, mas se optar pela aposentadoria deixa um legado importante para o cinema. Seus filmes são inteligentes, bem-humorados, saborosos, diálogos primorosos etc. Enfim, um gênio. Neste “Golpe de Sorte em Paris”, Allen optou por um suspense meio hitchcockiano, contando uma história repleta de reviravoltas, todo falado em francês e ambientado, em sua grande parte, em Paris. Fanny (a ótima Lou De Laâge) é casada com Jean (Melvil Poupaud), um rico empresário do mundo dos investimentos. O casamento parece consolidado, até que surge um antigo colega de escola de Fanny, o jovem Alain (Niels Schneider), metido a poeta. Os dois acabam tendo um caso e, desconfiado, o marido Jean contrata um detetive particular. Em meio a essa confusão, surge Camille (Valérie Lemercier), mãe de Fanny, que terá um papel importante em todo o contexto da história. Prefiro não discorrer mais para evitar algum spoiler. Além do saboroso enredo, “Golpe de Sorte em Paris” se destaca pela qualidade estética do visual, que leva a assinatura do veterano diretor de fotografia italiano Vittorio Storaro, conhecido como “o mago da luz”, em seu 5º filme com Allen. Outro destaque do filme é a trilha sonora, mais uma vez recheada de jazz tradicional, desta vez incluindo uma gravação de 1966 – “Cantaloupe Island” – com o pianista Herbie Hancock e o pistonista Nat Adderley. Resumo da ópera: trata-se de um filme de Woody Allen e, portanto, imperdível, pelo menos para os fãs do diretor, como eu.     

terça-feira, 1 de abril de 2025

“HOLLAND”, 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mimi Cave, seguindo roteiro assinado por Andrew Sodorski. Seja em séries ou filmes, Nicole Kidman é, há muitos anos, uma das atrizes mais requisitas pelos estúdios, sempre em papéis importantes. Com justiça, pois ela é, além de bonita, muito competente. Neste “Holland”, um misto de comédia, suspense e drama, Nicole é Nancy Vandergroot, professora de uma escola na pequena cidade de Holland, no Michigan. Ela é casada com Fred (Matthew), oftalmologista e diácono na igreja local, com quem um filho, Harry (Jude Hill). A família é muito respeitada pela comunidade, mas o casamento está por um fio. Nancy, desconfiada pelas tantas viagens do marido para ministrar cursos e palestras, acha que que ele tem um caso amoroso. Nancy conta essa desconfiança para Dave (o ator mexicano Gael García Bernal), professor na mesma escola e seu amigo. Eles resolvem investigar as andanças de Fred e acabam se envolvendo em muitas confusões. A partir de então, o suspense corre solto, com inúmeras situações repletas de humor. Resumindo a história, os amigos descobrirão que Fred esconde um segredo horripilante, numa reviravolta que valoriza ainda mais esse ótimo suspense. Mais do que isso, “Holland” é um filme esteticamente muito criativo e interessante, resultando num ótimo entretenimento. Como informação adicional, confirmo que Holland realmente existe. É uma pequena cidade do estado do Michigan fundada por pastores holandeses em 1847. Não deixe de ver.     

domingo, 30 de março de 2025

“PÁSSARO BRANCO – UMA HISTÓRIA DE EXTRAORDINÁRIO” (“WHITE BIRD”), 2024, Estados Unidos, 2h1m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Marc Forster (“O Caçador de Pipas”, “A Última Ceia”, “Em Busca da Terra do Nunca”), seguindo roteiro assinado por Mark Bomback. Trata-se da adaptação de “White Bird: A Wonder Story”, livro em quadrinhos criado pela designer gráfica norte-americana R. J. Palacio. A história acompanha a idosa Sara (Helen Mirren) contando reminiscências de sua juventude ao neto Julien (Bryce Gheisar). De uma família judia residente no interior da França, a jovem Sara (papel de Ariella Glaser) viveu uma aventura e tanto durante a Segunda Grande Guerra, quando os nazistas invadiram o seu vilarejo. Caçada para ser deportada para os campos de concentração, Sara se escondeu no celeiro da fazenda de seu colega de escola Julien (Orlando Schwerdt). Os pais de Julien, Vivienne (Gillian Anderson) e Jean Paul Beaumier (Jo Stone-Fewings), acolheram a menina judia como se fosse sua própria filha. Sem saber o destino de seus pais, Sara fica com a família Beaumier até o final do conflito. Trocando em miúdos, esta é uma das mais belas histórias ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial. Com um final feliz, talvez por se tratar de ficção, ao contrário de tantas outras histórias verdadeiras que tiveram o final trágico. Imperdível!  

    

sábado, 29 de março de 2025

“EM EMERGÊNCIA” (“EMERGENCY”), 2025, Índia, 2h26m, em cartaz na Netflix, direção de Kangana Ranaut, que também escreveu o roteiro com a colaboração de Ritesh Xá. O roteiro utilizou como base os livros “The Emergency”, de Coomi Kapoor, e “Priyadarshini”, de Jaiyanth Sinho. Superprodução de Bollywood centrada na vida de Indira Gandhi (1917-1984), personagem de grande importância na história política da Índia num período bastante conturbado. O filme acompanha a vida de Indira desde 1929, ao mesmo tempo em que abre espaço para os principais fatos que aconteceram no país, como sua Independência, a guerra indo-chinesa, a crise de Assam em 1962, a guerra indo-paquistanesa em 1971, culminando com o assassinato de Indira, em 1984, por um de seus seguranças. O título do filme refere-se ao período entre 1975 e 1977, quando Indira declarou estado de emergência no país, suspendeu liberdades civis e enfrentou oposição interna e internacional. Isso tudo como pano de fundo, o roteiro acompanha a ascensão de Indira no campo político, destacando o período em que foi primeira-ministra. A atriz Kangana Ranaut, que fez o papel de Indira e dirigiu o filme, também é integrante do parlamento indiano. Ela é bonita e ótima atriz, mas não achei boa sua performance como Indira. Ela utilizou nariz postiço e peruca de mechas brancas, mas seu semblante jovial e sua beleza a traíram. De qualquer forma, o filme é muito bom como registro histórico.   

quinta-feira, 27 de março de 2025

 

“DUPLICIDADE” (“TYLER PERRY’S DUPLICITY”), 2025, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Tyler Perry. Trata-se de um drama policial com muito suspense e reviravoltas. A “Duplicidade” do título diz respeito à falsidade de alguns personagens, os famosos “lobos em pele de cordeiro”, gente de duas caras. Quando um negro é assassinado por um policial branco, Los Angeles se transforma num barril de pólvora, com revoltas, depredações e manifestações antirracistas. A vítima é Rodney Blackburn (Joshua Adeyeye), não por acaso o mesmo nome daquele negro morto por policiais em 2012 (Rodney King). A vítima era marido de Fela Blackburn (Meagan Tandy), uma apresentadora popular de um programa jornalístico de TV. A advogada Marley Wells (Kat Graham), amiga da viúva, resolve comprar a briga e levar o policial branco às barras da Justiça. No meio do caminho, porém, começam a aparecer indícios de que há algo de muito errado acontecendo, culminando com algumas reviravoltas que mudam todo o rumo da história e um desfecho pra lá de surpreendente. O diretor Tyler Perry mantém o estilo que caracteriza a maioria de seus filmes, denunciando sempre o racismo da sociedade branca do Tio Sam e colocando os negros como seres superiores. Uma evidência disso é que as atrizes negras são todas lindas, a cada cena parecendo ter saído de um salão de beleza, maquiadas e super bem vestidas. Os atores negros são bonitos, sarados e também vestidos com capricho. Todo esse estilo está em filmes do diretor como “Divórcio em Família” e “Batalhão 6888”, entre tantos outros. Resumo da ópera: entre erros e acertos, “Duplicidade” não decepciona, mas fica longe de merecer uma recomendação entusiasmada.     

quarta-feira, 26 de março de 2025

 

“O SILÊNCIO DE MARCOS TREMMER” (“EL SILENCIO DE MARCOS TREMMER”), 2024, coprodução Espanha/Uruguai, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Miguel García de La Calera, seguindo roteiro assinado por Javier Dampierre e Ricardo Urroz. Drama sensível e comovente tendo como principal protagonista o publicitário Marcos Tremmer (Benjamín Vicuña), que um dia recebe a chocante notícia de que está com um câncer terminal. Com a cumplicidade do irmão médico, ele esconde a doença da esposa Lucía (Adriana Ugarte), que acabara de passar por um luto doloroso por causa da morte da irmã. Com o prognóstico de poucos meses de vida, Marcos resolve mudar seu comportamento em relação a Lucía, passando a tratá-la mal para que ela não sofra com sua morte. Além disso, ele deseja que Lúcia seja feliz com outro homem. Claro que Marcos sofre muito com a situação, pois ama demais Lucía, com quem é casado há 7 anos. Marcos consegue o objetivo de magoar a esposa, mas uma reviravolta inesperada perto do desfecho muda toda a situação. Completam o elenco Mirta Busnelli, Félix Gomez e Daniel Hendler. Recomendo.

segunda-feira, 24 de março de 2025

 

“GEORGE FOREMAN: SUA HISTÓRIA” (“BIG GEORGE FOREMAN”), 2023, Estados Unidos, 2h9m, direção de George Tillman Jr. (“Notorious”, “Homens de Honra”), também autor do roteiro com Dan Gordon e Frank Baldwin. Quando soube da morte de George Foreman, no dia 21 de março, naquela semana mesmo eu havia resolvido assistir a este filme biográfico daquele que é considerado um dos maiores lutadores de boxe do século XX, bicampeão mundial dos pesos pesados. E com um fato inusitado: sua segunda conquista foi aos 45 anos. O filme conta sua história desde a infância, adolescência e juventude, mostrando um jovem raivoso que partia para briga a qualquer hora. Até que apareceu em sua vida Doc Broadus (Forest Whitaker), técnico de boxe que viu naquele rapaz um potencial enorme para lutar profissionalmente. Foreman (Khris Davis) enfrentou os melhores lutadores da época, como o genial Muhammad Ali, Archie Moore, Sonny Liston, Joe Frazier e Evander Holyfield. As cenas de luta são ótimas – algumas das quais reproduzidas com flashes das verdadeiras. O roteiro também dá espaço para a conturbada vida particular de Foreman, a pobreza na infância, sua opção de abandonar os ringues para trabalhar como pastor e depois como empresário. O filme é excelente, com um primoroso roteiro e um elenco de primeira. Não precisa gostar de boxe para curtir este ótimo filme biográfico. Imperdível!   

domingo, 23 de março de 2025

 

“FÚRIA” (“RABID”), 2019, Canadá, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção das irmãs Jen e Sylvia Soska, que também assinam o roteiro com John Serge. O filme é um remake de “Enraivecida na Fúria do Sexo” (o título original também era “Rabid”), filme de 1977 dirigido pelo polêmico e veterano cineasta canadense David Cronenberg, pelo qual as irmãs gêmeas cineastas confessam enorme admiração. Pois foi seguindo o estilo de terror típico dos filmes de Cronenberg (“Crash: Estranhos Prazeres”, “A Mosca”, entre tantos outros) que elas realizaram “Fúria”. Vamos à história: a recatada Rose (Laura Vandervoort) trabalha como estilista no estúdio de moda do afetado Gunter (Mackenzie Gray). Quando sofre um acidente de moto, ela fica totalmente desfigurada, perdendo parte do rosto na altura da boca. Desesperada, Rose ingressa como paciente voluntária em uma clínica que oferece um tratamento radical e experimental com células-tronco não testadas. Um risco e tanto, mas ela encara o desafio com muita coragem. O resultado é milagroso, pois Rose volta a ter o seu antigo rosto bonito, mas as sequelas são terríveis. Até a metade de sua duração, “Fúria” parece bastante promissor, preservando um cenário de suspense muito bem elaborado. Da metade para o fim, porém, o filme descamba para um terror de corpos estraçalhados, deformados e outras aberrações. Trocando em miúdos, “Fúria” tem tudo para agradar quem gosta de ver sangue jorrando na tela.