“MAXXXINE”, 2024,
Estados Unidos, 1h44, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ti West.
Misto de terror, suspense e policial noir, trata-se do terceiro filme de
uma trilogia que conduziu a atriz inglesa Mia Goth ao estrelato. Os dois
primeiros são “X – A Marca da Morte” e “Pearl”, ambos de 2022 e dirigidos pelo
mesmo Ti West. Mesmo que você não tenha visto os dois primeiros, dá para assistir este numa boa. Em “MaXXXine”, a garota do interior Maxine Minx (Goth) chega a
Los Angeles para trabalhar como atriz de filmes pornô. Seu objetivo, porém,
sempre foi chegar a Hollywood, atuar em filmes sérios e se tornar uma atriz
reconhecida mundialmente. Depois de muito esforço e alguns testes, ela consegue
um papel em um filme de terror dirigido por Elizabeth Bender (Elizabeth
Debicki) que promete ser um sucesso de bilheteria. Enquanto isso, uma série de
assassinatos amedronta Los Angeles. As vítimas são mulheres que trabalham em
filmes pornôs e o serial killer está sendo chamado de “Night Stalker”.
Como Maxine poderá ser a próxima vítima, ela é seguida de perto por dois
detetives, papéis de Michelle Monaghan e Bobby Carnevale. A tensão aumenta a
cada cena, pois o assassino pode estar em qualquer lugar. Completam o ótimo
elenco Lily Collins, Kevin Bacon, Sophie Tatcher, Giancarlo Esposito e Moses
Sumney. Vale a pena aqui lembrar que a atriz Mia Goth (Mia Gypsy Mello da Silva
Goth), 31 anos, é filha de mãe brasileira e pai canadense. Sua avó materna é a
atriz brasileira Maria Gladys, com a qual Mia Goth morou aqui no Brasil até se
mudar para a Inglaterra. Sua estreia no cinema aconteceu em 2013 no polêmico “Nymphomaniac”. Atualmente, Mia está casada com o ator Shia Labeouf. Para encerrar, “MaXXXine” é um filme muito interessante que vale a pena
assistir.
sábado, 18 de janeiro de 2025
sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
“TUDO PELO DIVÓRCIO” (“ROZWODNICY”),
2024,
Polônia, 1h31m, em cartaz na Netflix (produção original), direção de Michal Chacinski
(“Planeta Singli”, “Juliusz”), que também assina o roteiro com a colaboração de
Lukasz Swiatowiec. Simpática comédia, agradável de assistir, roteiro leve e
ótimo elenco. Malgosia (Magdalena Poplawska) e Jacek (Wojciech Mecwaldowski) se
casaram há vinte anos, mas logo se separaram. Agora, tantos anos depois, eles
precisam anular o casamento, pois Jacek pretende se casar com Monika (Michalina
Labacz), que tem o sonho de entrar na igreja toda de branco. Eles precisam obter,
por parte da igreja polonesa, uma declaração oficial de nulidade. Só que os
padres poloneses obedecem rigorosamente aos regulamentos do Vaticano, colocando
empecilhos no objetivo do casal. Algumas cenas onde Jacek e Malgosia tentam
convencer os padres geram diálogos hilariantes. Jacek chega a afirmar que
estava bêbado no dia do casamento e que, por isso, não sabia o que estava
fazendo. Não bastasse essa situação, Malgosia também se vê às voltas com os
ensaios de uma pequena orquestra juvenil da qual é regente e que se prepara para uma importante
apresentação musical durante a inauguração de uma ferrovia do governo. Resumo da
ópera, “Tudo pelo Divórcio” é um ótimo entretenimento. Não perca!
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
“JURADO Nº 2” (“JUROR #2”), 2024,
Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na HBO Max, direção de Clint Eastwood,
seguindo roteiro de Jonathan A. Abrams. Quase impossível determinar se Clint
Eastwood é melhor ator do que diretor. O que é possível afirmar é que o astro –
hoje aos 94 anos - deu uma grande contribuição ao cinema, tanto na frente como
atrás das câmeras. Neste “Jurado Nº 2”, que provavelmente será o seu último
filme antes de se aposentar, Eastwood nos brinda com um ótimo suspense. O
personagem central é Justin Kemp (Nicholas Hoult), casado e prestes a ser pai.
Numa noite de chuva torrencial, ele está voltando para casa quando na estrada
seu carro sofre um impacto, causado provavelmente por um cervo que atravessava
a pista. Ele parou o carro e desceu, mas, como estava muito escuro e chovendo, não viu o
que seu carro atingiu. Até aí tudo normal. Mas daqui a pouco ele será
confrontado com uma situação que ninguém gostaria de enfrentar. Começa quando
ele recebe uma convocação judicial para participar de um júri que irá julgar um
homem acusado de ter assassinado a namorada. Quando os detalhes do crime
começam a ser detalhados no tribunal, Justin fica sabendo que a vítima foi
encontrada no mesmo local em que supostamente atropelou um cervo. A partir daí
ele começa a viver um enorme dilema ético e moral, pois, considerando os fatos
expostos e as testemunhas ouvidas, tudo leva a crer que a vítima morreu depois
de atropelada por Justin. Diante da situação, ele tentará convencer os demais jurados
a inocentar o acusado. Até o desfecho, o espectador acompanhará a crise de
consciência de Justin, pois, prestes a ser pai, evitará ao máximo contar a
verdade. Também estão no elenco Toni Collette, Kiefer Sutherland, J. K.
Simmons, Zoey Deutch, Chris Messina, Gabriel Basso, Leslie Bibb e Francesca
Eastwood, filha do diretor. Trocando em miúdos, “Jurado Nº 2” é um ótimo
suspense, conduzido com muita segurança por Eastwood. Se realmente for este seu último filme, o experiente ator e diretor sairá de cena pela porta da frente.
“AD VITAM”, 2024, coprodução França/Bélgica, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção de Rodolphe
Lauga, que também assina o roteiro com o ator Guillaume Canet, que atua no filme.
O filme chegou com o título original em latim, que em português significa “para
a vida”, o que achei um tanto estranho, já que pouco tem a ver com a história.
Trata-se de um filme de ação centrado no personagem de Franck Lazareff (Canet),
agente de elite das Forças Especiais. Depois de uma missão mal sucedida no
Trianon Hotel, provocando a morte de algumas pessoas e culminando num incidente
político internacional, Franck é afastado de suas funções. Quando sua esposa Leo
(Stéphane Caillard), grávida prestes a parir, é sequestrada, ele descobre que os responsáveis
são alguns dos seus próprios colegas, que acreditam estar de posse de Franck
algo que os incrimine. Confesso que não entendi essa parte, como talvez
tantos outros espectadores não entenderão. Mas nada que prejudique o resultado final
desse bom filme de ação – algumas cenas são espetaculares. Achei, porém, que o
filme demora a engrenar, priorizando a convivência entre os agentes, seu
período de treinamento, questão familiares etc. Pura encheção de linguiça. Completam o elenco Alexis
Manenti, Johan Heldengergh, Nassim Lyes e Zita Nanrot. Trocando em miúdos, ”AD
VITAM” não entusiasma, mas também não decepciona. De 0 a 10, dou 6. Ou seja, dá para ver...
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
“NÚMERO 24” (“NR.24”), 2024,
Noruega, 1h51m, em cartaz na Netflix, direção de John Andreas Andersen (“Mar do
Norte”, “Terremoto”), seguindo roteiro assinado por Vibeke Idsøe e Erlend Loe.
Trata-se da cinebiografia de Gunnar Sønsteby (1918-2012), o maior e mais
condecorado herói norueguês da 2ª Guerra Mundial. Por ocasião da invasão da
Noruega pelo exército alemão, Gunnar (Sjur Vatne Brean) foi recrutado e
treinado pela unidade militar secreta britânica Special Operations Executive
(SOE). Ao regressar a Oslo, meses depois, sob o codinome “Número 24”, Gunnar
liderou o grupo de resistência denominado “Gangue de Oslo”, responsável por
vários atentados contra os alemães, incluindo fábricas de armamentos, de
produtos químicos e de aeronaves. O
grupo também foi responsável pela perseguição e morte dos principais oficiais
nazistas e colaboracionistas noruegueses. Utilizando várias identidades falsas,
Gunnar jamais foi preso, mesmo integrando a lista dos mais procurados pela Gestapo.
Depois da guerra, Gunnar ministrou inúmeras palestras para jovens estudantes sobre
sua participação no conflito. Uma delas, com Gunnar já bastante idoso, interpretado
por Erik Hivju, serviu como condutor da narrativa, alternando a história com flashbacks
dos tempos de guerra. Enfim, posso afirmar que este é um dos melhores filmes já
feitos sobre os heróis da resistência na Europa contra os nazistas. História
pura. Imperdível!
domingo, 12 de janeiro de 2025
“ARMADILHA” (“TRAP”), 2024,
Estados Unidos, 1h47m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção do cineasta
indiano naturalizado norte-americano M. Night Shyamalan. A história é
mirabolante, mas convence como suspense, como tantos outros filmes dirigidos por Shyamalan,
a começar pelo estrondoso sucesso de 1999, “O Sexto Sentido”. Podemos
acrescentar ao currículo do indiano outros bons suspenses, tais como “Fragmentado”,
“Sinais” e “Corpo Fechado”. Ou seja, falou em suspense, Shyamalan está no topo
dos diretores. Em, “Armadilha”, ele conta a história de um pai de família que
leva a filha adolescente a um show da cantora teen Lady Raven (Saleka
Night, filha do diretor). Aparentemente, Cooper (Josh Hartnett) é aquele pai
amoroso que se sente feliz em levar Riley (Ariel Donoghue) ao show de sua
cantora preferida. De repente você percebe que Cooper começa a ficar incomodado
com a presença de muitos policiais na plateia. Ele fica sabendo que os policiais
estão atrás de um serial killer chamado “O Açougueiro” que estaria no meio do
público. Bingo! Cooper é o próprio assassino. Como o local está totalmente cercado
pela polícia, ele vai tentar encontrar uma saída criativa, o que só faz aumentar a
tensão. Para escrever o roteiro, Shyamalan disse numa entrevista que se baseou
na Operação Flagship, em 1985, planejada e executada pelo Serviço de Delegados
dos Estados Unidos, que convenceram mais de 3 mil fugitivos da justiça a
comparecer a uma falsa cerimônia de premiação com o pretexto de ganhar
ingressos para um importante jogo de futebol americano, no que resultou em
dezenas de prisões. “Armadilha” seguiu esse roteiro e no desfecho você fica
sabendo que tudo foi uma armação para prender “O Açougueiro”. A história
continua depois do show e termina com a certeza de que haverá uma sequência. Mesmo
que não tenha sido um sucesso de bilheteria quando foi lançado nos cinemas dos
EUA, “Armadilha” garante um bom suspense do começo até o desfecho, comprovando,
mais uma vez, que o diretor indiano é craque no gênero.
sábado, 11 de janeiro de 2025
sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
“MEU VIZINHO ADOLF” (“MY NEIGHBOR,
ADOLF”), 2022, coprodução Israel/Alemanha/Polônia, 1h36m, em cartaz
na Prime Vídeo, direção de Leonid Prudovsky, que também assina o roteiro ao
lado de Dmitri Malinsky. Descobri essa pequena pérola do cinema meio escondida
no catálogo da Prime Vídeo. E que descoberta! Estamos em 1960 em alguma cidade
da América do Sul. O judeu polonês Marek Polski (David Hayman) mora numa casa
meio isolada, com apenas uma outra ao lado. Sobrevivente do Holocausto da Segunda
Guerra Mundial, quando perdeu toda a sua família, Polski é um sujeito muito
mal-humorado. Vive isolado, sem vontade de fazer qualquer tipo de amizade. Até
que um dia chega um novo vizinho, um senhor misterioso com uma barba branca
imensa. Aos poucos Polski descobre que o sujeito é alemão – o que já é motivo
de ódio -, gosta de pintar e de jogar xadrez. O homem se identifica como Herzog
(Udo Kier), mas Polski começa a acreditar que ele, na verdade, é Adolf Hitler. O
polonês leva sua desconfiança para a Embaixada de Israel, que simplesmente
ignora sua denúncia. Afinal, segundo a história, Hitler se suicidou em 1945.
Para tentar encontrar outras evidências, Polski acaba se aproximando de Herzog
e cada vez mais se convence de que ele é realmente Hitler. O filme é bem leve,
bem-humorado, e tem alguns momentos bastante comoventes. A dupla principal de
atores é o grande destaque. O escocês David Hayman já havia feito o papel de
uma vítima do Holocausto em “O Menino do Pijama Listrado”, de 2008. Por seu
lado, o ator alemão Udo Kier, que já trabalhou no filme brasileiro “Bacurau”,
de 2019, coincidentemente viveu o papel de Hitler na série televisiva “Hunters”
(2020-2023). Trocando em miúdos, “Meu Vizinho, Adolf” é recomendado para quem
curte filmes inteligentes, não comerciais. Um achado e tanto.
Não perca!
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
“NÃO FALE O MAL” (“SPEAK NO
EVIL”), 2024, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de James Watkins. Trata-se de um suspense bem movimentado,
daqueles que a gente assiste apertando as mãos nos braços da poltrona. Enfim um
bom suspense. Louise Dalton (Mackenzie Davis), seu marido Ben (Scot McNairy)
e a filha Agnes (Alix West Lefler), uma família norte-americana, vão passar as
férias na Itália. Aqui, conhecem e fazem amizade com uma família inglesa,
formada por Paddy (James McAvoy), sua esposa Ciara (Aisling Franciosa) e o
filho Ant (Dan Hough). Com o tempo, a amizade adquire uma certa intimidade,
quando Paddy convida a família de Ben para passar um final de semana em sua
casa de campo no interior da Inglaterra. Já na Itália deu para perceber que o comportamento
de Paddy não inspirava confiança. Ele trata mal o filho deficiente – é mudo -,
é grosso com a mulher e fala muitos palavrões. Ou seja, um sujeito bastante desagradável, que não proporciona
uma convivência normal. Algo de muito errado ocorre com Paddy e sua família,
como logo descobrirão os visitantes. O clima de tensão é bastante intenso, do começo
ao fim, tornando “Não Fale o Mal” um excelente suspense. Não há dúvidas que o
trunfo maior do filme é a atuação do ator James McAvoy, que já mostrou
qualidades para atuar em papéis de psicopata, como já ocorreu no ótimo “Fragmentado”,
do diretor M. Night Shyamalan. Informação adicional: o filme é um remake de umaprodução dinamarquesa de 2022 com o mesmo título.
terça-feira, 7 de janeiro de 2025
“CHARLIE EM AÇÃO” (“FAST
CHARLIE”), 2024, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta australiano Phillip Noyce ("Salt", "O Colecionador de Ossos", "O Doador de Memórias"), seguindo roteiro assinado por
Richard Wenk, sendo que a história é baseada no livro homônimo escrito por Victor
Gischler e lançado em 2023. Trata-se de um filme de ação centrado no assassino
profissional Charlie Swift (Pierce Brosnan), que há mais de duas décadas é o
braço direito do chefão mafioso Stan Mullen (James Caan), que domina a cidade
costeira de Biloxi, no Mississipi. Por causa de uma desavença causada por
disputa de território, toda a gangue de Stan acaba assassinada por mafiosos de
Nova Orleans. Só sobrou Charlie, que resolve partir para a vingança. O ator
irlandês Pierce Brosnan, que já foi o agente James Bond em quatro filmes,
continua com seu charme inalterado, mas agora, aos 71 anos, não tem a mesma
mobilidade para atuar em filmes de ação. Em todo caso, não decepciona com o
dedo no gatilho. Outro destaque do elenco é a atriz brasileira Morena Baccarin.
Nascida no Rio, filha da também atriz Vera Setta e do jornalista Fernando
Baccarin, Morena já participou de vários filmes de Hollywood, entre os quais os
três da franquia "Deadpool", além de "Destruição Final: O Último Refúgio" e "Serenity: A Luta pelo Amanhã". A nota triste fica por conta da morte do veterano ator
James Caan, ocorrida logo após as filmagens, sendo este o seu último filme. Também estão no elenco Toby Huss, Gbenga Akinnagbe, Sharon Glass, Susan Gallagher, Fredric Lehne e David Chattam. Trocando em miúdos, “Charlie em
Ação” é apenas um bom entretenimento, com humor e algumas boas cenas de ação. Ou seja, não espere muito.
domingo, 5 de janeiro de 2025
“FERRY 2”, 2024, coprodução Holanda/Bélgica, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta belga Wannes Destoop, seguindo roteiro assinado por Geerard Van De Walle e Tibbe Van Hoof. O primeiro “Ferry”, de 2021, fez um tremendo sucesso, um filme de ação da melhor qualidade, contando a história de um gangster violento, Ferry Bouman (Frank Lammers), que chegou a liderar um verdadeiro império das drogas. Depois de perder tudo, Ferry volta nessa segunda parte como um pacato morador de um camping de trailers longe do submundo da província de Brabant. Mas seu sossego tem um prazo de validade. Sua sobrinha Jezebel (Aiko Beemsterboer) e o namorado Jeremy (Tobias Kersloot) aparecem para pedir sua ajuda, pois estão fugindo de uma quadrilha de traficantes para a qual devem uma grande quantia de dinheiro. Resumindo, terão de fabricar uma quantidade enorme de ecstasy para pagar a dívida. Caso contrário, acabarão enterrados numa vala qualquer. Ferry, muito a contragosto, resolve ajudar o jovem casal na base de muita pancadaria e tiros. Eu gostei muito do primeiro “Ferry” – que assisti e comentei no blog - principalmente do ator Frank Lammers, que parece aquele sujeito bonachão, mas que na verdade é um cara bem violento. Também gostei do “Ferry 2”, mas sugiro que, antes de vê-lo, assista o primeiro.
“UMA MULHER CONTRA HITLER” (“SOPHIE
SCHOLL – DIE LETZTEN TAGE”), 2005, Alemanha, 1h58m,
em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Marc Rothemund. Desde moço
sempre gostei de ler livros ou ver filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, em
sua grande maioria baseados em fatos reais. Não sei como deixei passar este excelente drama alemão que concorreu ao Oscar 2006 de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o
Festival de Cinema de Berlim nas categorias Melhor Atriz (Julia Jentsch) e
Melhor Diretor. Ainda bem que o encontrei no catálogo da Prime Vídeo e agora
pude assisti-lo. Conta a história da jovem Sophie Magdalena Scholl (Julia
Jentsch), militante do Grupo Rosa Branca, que reunia universitários de Munique para
protestar contra a guerra e denunciar Hitler como genocida. Em 1943, quando distribuíam
panfletos na Universidade, Sophie, seu irmão Hans Scholl (Fabian Hinrichs) e
Christoph Probst (Florian Stetter) foram presos pela Gestapo, interrogados e
condenados à morte por guilhotina. Um dos trunfos do filme é o interrogatório
ao qual Sophie foi submetida por Robert Mohr (Alexander Held). Inicialmente, a
jovem dizia que era inocente, mas confirmou tudo depois que o irmão, segundo
Mohr, confessou tudo. O embate de ideias entre Sophie e seu interrogador é
bastante elucidativo e contêm diálogos primorosos com relação ao pensamento
reinante entre a população civil da Alemanha e, por outro lado, o fanatismo radical do oficial que a interrogava. Embora firme e até agressiva, a
postura do interrogador da Gestapo parece se entregar aos argumentos expostos
por Sophie. Nesse contexto, é justo destacar o desempenho dos dois atores. E
por falar em performance, também deve ser destacada a impressionante atuação do ator André
Hennicke como o Juiz Roland Freisler, responsável por comandar o julgamento dos
três jovens. Ele parece ter incorporado o espírito de Hitler quando grita
enfurecido contestando as respostas dos réus. Uma atuação marcante. Resumo da ópera, “Uma Mulher
Contra Hitler” é um dos melhores filmes alemães deste século, um filmaço! Não
deixe de ver.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2025
“ROB PEACE”, 2024,
Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Chiwetel
Ejiofor. A história de Robert Peace não havia sido contada até 2014, quando seu
antigo colega de quarto Jeff Hobbs, na Universidade de Yale, resolveu escrever
um livro sobre o amigo ("A Curta e Trágica Vida de Robert Peace"). Robert Peace era um aluno excepcional, com um QI
elevado, e nem o fato de ser negro e pobre o impediu de realizar inúmeras conquistas.
Sem contar que seu pai, papel do ator e diretor Ciwetel Ejiofor (de “12 Anos de
Escravidão”), cumpria pena na prisão acusado de assassinar duas mulheres,
embora nunca tenha confessado o crime. Mesmo diante dessas circunstâncias adversas, Peace foi à luta nos estudos, além de ajudar, como empreiteiro
autônomo, a investir em melhorias para a sua comunidade, na periferia de New
Jersey. Para arrecadar dinheiro, ele e sua turma resolveram fabricar e vender
drogas. Esse lado obscuro seria o caminho do fim para o garoto que queria ser
bioquímico para inventar algum remédio que curasse o câncer. Peace
não merecia o fim que teve. Mas, sem dúvida, sua história merecia ser contada, primeiro num livro e
agora num filme. O excelente elenco conta com Jay Will (Rob Peace), Mary J. Blige,
Mare Winningham, Benjamin Papac, Michael Kelly e a atriz cubana Camila Cabello
como a namorada brasileira de Peace. Lançado no Festival do Cinema Independente
de Sundance 2024, “Rob Peace” foi bastante elogiado, mas não o suficiente para alavancá-lo
à condição de obra-prima. Apenas um bom filme.
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
“A HORA DO SILÊNCIO” (“THE
SILENT HOUR”), 2024, Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Brad Anderson, seguindo roteiro assinado por Dan Hall.
Suspense policial ambientado em Boston. O detetive Frank Shaw (Joel Kinnaman)
perde a audição durante uma perseguição mal sucedida. Depois de um período de
recuperação, ele volta a trabalhar no Departamento de Homicídios, recebendo
treinamento para se tornar intérprete da linguagem de sinais com o objetivo de
se comunicar com prováveis testemunhas surdas. Claro que logo surge uma, Ava Fremont
(Sandra Mae Frank), que não só testemunha como filma o assassinato de dois
traficantes e comunica o caso à polícia. Frank Shaw e seu parceiro Doug Slater
(Mark Strong) ficam encarregados do caso. Os assassinos também são traficantes
e descobrem a identidade da testemunha, que mora num edifício em fase de
despejo e reformas. É nos corredores, nos apartamentos e nas escadarias desse
edifício que transcorre praticamente toda a ação do filme, com o detetive Frank tentando
proteger Ava da gangue dos traficantes denunciados. Se há um mérito nesse filme
é garantir o suspense do começo ao fim, e aqui devemos destacar a direção de
Brad Anderson, cineasta que já nos presenteou com bons filmes do gênero suspense, como “Chamada
de Emergência”, “Fratura” e “Beirute”, entre outros. Como informação adicional,
destaco também a presença da atriz Sandra Mae Frank, que é realmente deficiente
auditiva. Trocando em miúdos, “A Hora do Silêncio” não decepciona.
domingo, 29 de dezembro de 2024
“O ÚLTIMO SOLDADO” (“FENG HUO
FANG FEI” – nos países de língua inglesa chegou como “The Chinese
Widow”), 2017, coprodução China/EUA, em cartaz na Prime Vídeo, direção do
veterano cineasta dinamarquês Bille August, com roteiro assinado por Greg
Latter e Mabel Cheung, falado em mandarim, inglês e japonês. Embora tenha sido
produzido em 2017, só agora chega ao streaming. Ainda bem, pois é um excelente
drama de guerra baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Depois que os japoneses
atacaram Pearl Harbor, em dezembro de 1941, os Estados Unidos entraram no conflito
e resolveram bombardear Tóquio em retaliação. Um desses aviões, depois da
missão cumprida, tentou voltar para o porta-aviões mas ficou sem combustível e
acabou caindo na província chinesa de Zhejiang. Bom lembrar que o Japão era
inimigo da China, à qual havia invadido e vinha realizando as piores atrocidades há
anos. O filme é centrado no personagem do piloto Jack (Emile Hirsch), que foi
salvo e depois tratado pela jovem viúva chinesa Ying (Liu Yifei), que vive com
a filha Nunu (Li Fangcong) e fabrica seda para sobreviver. A viúva esconde o
militar norte-americano no porão da casa, correndo um grande perigo, pois os
japoneses estão sempre por perto. Não vou contar o resto para não dar spoilers
sobre como terminará a história, mas posso garantir: o filme é ótimo. Claro que
seu maior trunfo, além da história em si, é a direção firme, mas sensível, do
cineasta Bille August, que já nos presenteou com algumas pequenas obras-primas,
entre as quais destaco “Pelle, o Conquistador”, de 1982, que ganhou o Oscar, o
Globo de Ouro e a Palma de Ouro em Cannes, além de “The Best Intentions", de
1991, também premiado com a Palma de Ouro, e “A Casa dos Espíritos”.
sábado, 28 de dezembro de 2024
“O VOO SEQUESTRADO” (“HIJACK ‘93”), 2024,
Nigéria, 1h26m, em cartaz na Netflix, direção de Robert Peters, seguindo
roteiro assinado por Musa Jeffery David. Não torça o nariz só porque o filme é
nigeriano. Digo isso porque já assisti a vários filmes muito bons feitos em Nollywood
– como é chamado o cinema da Nigéria. Saiba também que a Nigéria é o segundo
maior produtor de filmes do mundo, perdendo apenas para a Índia (Bollywood) e
superando os Estados Unidos (Hollywood, claro), em terceiro lugar. “O Voo
Sequestrado” relembra um fato real ocorrido em 1993. No dia 25 de outubro daquele
ano, quatro jovens ligados ao MAD (Movimento para a Atualização da Democracia) sequestram
o avião da Nigeria Airways que levantou de Lagos com destino à capital Abuja.
Os sequestradores queriam chamar a atenção do mundo para a situação política da
Nigéria, com abusos dos direitos humanos e corrupção governamental, além de exigirem
a renúncia do general Ibrahim Babangida, o então ministro da Defesa. A intenção
era desviar o voo para Frankfurt, na Alemanha, mas antes o avião teve que fazer
um pouso forçado para abastecer no aeroporto de Niamey, no país vizinho Níger.
Aqui se desenrolam as negociações entre os sequestradores, o governo do Níger e
da Nigéria. Não vou dar spoilers sobre o que acontece no desfecho, pois
acredito que são poucos os que se lembram dessa história. Trocando em miúdos, o
filme é muito bom, mantém uma tensão constante do começo até o final. Tem seus
defeitos, mas são poucos e não prejudicam o resultado final. Vale a pena assistir, principalmente para quem tem a curiosidade de conhecer um pouco do cinema de Nollywood.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
“TÁR”, 2022,
Estados Unidos, 2h38m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Todd
Field. O filme já começa esquisito, apresentando os créditos completos logo no
início, quando a grande maioria dos filmes os apresenta no final. A história é
centrada na maestrina Lydia Tár (a atriz australiana Cate Blanchett), a
primeira mulher a dirigir a conceituada Orquestra Filarmônica de Berlim. Ao
contrário do que pensei inicialmente, trata-se de um personagem fictício, assim
como o enredo. Lésbica assumida, Lydia exige que seja chamada de “Maestro”. Ela
é casada com a spalla (primeiro violino) da orquestra, Sharon (a atriz
alemã Nina Hoss), mas convive com a fama de ter assediado integrantes femininas
das outras orquestras que dirigiu. Lydia mostra-se prepotente e arrogante, não
apenas nas aulas que ministra em escolas de música, mas também com os músicos
das orquestras. O filme se concentra nos bastidores do trabalho da maestrina,
aliás “maestro”, destacando o estresse de tanta responsabilidade. Realmente, a
vida de maestro não deve ser fácil. Além de estar prestes a lançar um livro de
memórias, Tár ensaia com a Filarmônica de Berlim para a gravação da difícil 5ª Sinfonia
do compositor Gustav Mahler. A música clássica está em toda parte, não só nos
diálogos como em toda a trilha sonora. “Tár” não é um filme para o grande público.
Talvez por isso mesmo tenha sido esnobado nas premiações do Oscar 2023, para o
qual foi indicado em cincos categorias (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor
Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia). Além de ser longo, os
diálogos são inteligíveis apenas para músicos profissionais ou alunos de Escola
de Música. Também estão no elenco Sophie Kauer, Noémie Merlant, Mark Strong e
Julian Glover. De qualquer forma, vale conferir a excelente performance da
atriz Cate Clanchett, que antes de filmar estudou regência e piano. Quem curte música clássica certamente vai gostar.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2024
“UMA BELA MANHÔ (“UN BEAU MATIN”), 2023,
França, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Mia Hansen-Løve (“A
Ilha de Bergman”, “O Que Está por Vir”). Trata-se de um drama centrado em Sandra Kienzler (Léa Seydoux), uma jovem viúva que trabalha em Paris como tradutora/intérprete
em convenções e congressos. Ela tem uma filha de oito anos e está passando um
momento muito difícil com a doença do pai, George (Pascal Greggory), que sofre
de uma síndrome degenerativa do cérebro, que deixa a pessoa cada vez mais confusa,
debilitada e esquecida, além de uma cegueira psicológica. Ao acompanhar os
problemas do pai e a decisão da família de interná-lo em um asilo, Sandra entra
em depressão e é nesses momentos que aparece o grande talento da atriz Léa
Seydoux, talvez hoje a mais competente do cinema francês, capaz de trafegar
entre dramas eróticos (“Azul é a Cor Mais Quente) e filmes de ação (“Spectre” e
“007 – Sem Tempo para Morrer”). De volta à história: em meio aos problemas do
pai, Sandra reencontra Clément (Malvil Poupaud), ex-amigo do seu marido. Papo
vai papo vem, sofrendo de carência afetiva, Sandra começa a namorar Clément. Só
que tem um problema: ele é casado e tem dois filhos. Mesmo assim, Sandra concorda
em ser sua amante, até que um dia resolve que não quer mais fazer o papel da outra.
Completam o elenco Nicole Garcia, Camille Leban Martins, Sarah Le Picard e Fejria
Deliba. Trocando em miúdos, “Uma Bela Manhã” tem todos os ingredientes do
melhor cinema francês, fazendo jus ao seguinte comentário da principal crítica
do jornal The New York Times, Manohla Dargis: “O filme francês é
maravilhosamente balanceado, persuasivo e comovente”. Sem dúvida, um belo filme
que merece ser visto por quem admira cinema de qualidade. Imperdível”
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
“AGENTE DAS SOMBRAS”
("BLACKLIGHT”), 2022, coprodução Estados Unidos/Austrália/China,
1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Williams, que também assina o
roteiro com a colaboração de Nick May. O ator irlandês Liam Neeson ficou mais
conhecido do público depois de interpretar o empresário Oskar Schindler em “A
Lista de Schindler” (1993). Continuou com prestígio depois de, já veterano,
atuar em filmes de ação, principalmente a trilogia de “Busca Implacável”, depois
do qual fez vários filmes de ação. Neste último “Agente das Sombras”, aos 70
anos (hoje está com 72), Neeson dá mostras de que não tem mais a vitalidade de
outrora para filmes do gênero. Está visivelmente alquebrado, sem a mobilidade
de quem precisa correr, dar socos e pontapés. Nesse filme, Neeson é Travis
Block, um agente do FBI prestes a se aposentar. Sob a supervisão direta de
Gabriel Robinson (Aidan Quinn), diretor do FBI, Travis sempre agiu nas sombras,
ajudando a salvar agentes em perigo ou com algum trauma de trabalho. A história
de “Agente das Sombras” começa com o assassinato de uma jovem militante
política que resolveu enfrentar o sistema, denunciando corrupção e a
participação do governo em planos para eliminar opositores políticos.
Resultado: acabou assassinada. O jovem agente Dusty Crame (Taylor John Smith),
revoltado com a morte da moça, decide procurar a jornalista investigativa Mira
Jones (Emmy Baver-Lampman) para denunciar uma tal Operation United como
responsável pela morte da jovem militante. Dusty também terá destino igual e
Travis acaba descobrindo que tudo é obra justamente do FBI, assim como o
desaparecimento de sua filha e de sua neta. Com a ajuda da jornalista, Travis
irá atrás dos responsáveis. Embora tenha algumas boas cenas de ação, “Agente
das Sombras” não é “aquele” filme que mereça uma recomendação entusiasmada, mas
também não chega a ser totalmente decepcionante.
“BATALHÃO 6888” (“THE SIX
TRIPLE EIGHT”), 2024, Estados Unidos, 2h07m, em cartaz na
Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry (“Madea”, “Divórcio em Família”).
Mais uma história da fonte inesgotável de histórias ocorridas durante a Segunda
Guerra Mundial e adaptadas para o cinema. Dessa vez, uma história pouco conhecida
por aqui, ou seja, a formação do primeiro batalhão de mulheres negras do
exército norte-americano. Comandadas e treinadas pela capitã Charity Adams (Kerry
Washington, ótima), 855 mulheres foram enviadas para a Inglaterra com a difícil
– e quase impossível – missão de selecionar, separar e enviar 17 milhões de
cartas esquecidas e armazenadas na cidade inglesa de Birmingham. Parte dessas
cartas havia sido escrita pelas famílias dos soldados que estavam no front
europeu e outra parte escrita pelos soldados com destino às suas famílias. O
maior objetivo dessa tarefa era levantar o moral dos soldados norte-americanos
com notícias de seus familiares, assim como estes receberem notícias de seus
entes queridos envolvidos na guerra. Para resumir a história, as mulheres do intitulado
“6888º Batalhão do Diretório Postal Central” conseguiram cumprir sua missão em
apenas três meses, ou seja, muito antes do estipulado. O filme destaca o forte
racismo existente na época, o que fez muitos acreditarem que as mulheres negras
não conseguiriam executar sua tarefa. Pois mesmo com esse incrível feito, elas
nem sequer receberam qualquer homenagem quando voltaram ao seu país e a
história de sua vitoriosa missão ficou escondida até agora. Também estão no
elenco Ebony Obsidian, Sarah Jeffery, Oprah Winfrey, Shanice Williams, Dean
Norris (da série Breaking Bad), Sam Waterston e Susan Sarandon, esta última irreconhecível como Eleanor
Roosevelt, mulher do presidente. O filme é uma superprodução digna de Hollywood,
com centenas de figurantes e uma primorosa recriação de época. Para coroar, o
espectador ainda poderá conhecer, durante os créditos finais, alguns personagens reais que viveram aquela
incrível história. Imperdível!
sábado, 21 de dezembro de 2024
“O TREM ITALIANO DA FELICIDADE”
("IL TRENO DEI BAMBINI”), 2024, Itália, 1h45m, em cartaz na
Netflix, direção de Cristina Comencini, seguindo roteiro assinado por Giulia
Calenda, Furio Andreotti e Camille Dugay Comencini. Importante destacar o
contexto histórico no qual o filme é baseado. Cidades do sul da Itália, mais
afetadas pela Segunda Guerra Mundial, apresentavam um cenário de miséria
absoluta. Em 1946, o Partido Comunista Italiano, em conjunto com a União das
Mulheres Italianas (Unione Donne Italiane), teve a ideia de enviar as crianças
do sul para Milão e outras cidades do norte do país não tão atingidas pelas
consequências do conflito. Dessa forma, de 1946 até 1952, 70 mil crianças foram
levadas para o norte em trens especiais reservados para elas pela Rede
Ferroviária Nacional. O plano, executado com sucesso, previa o retorno das
crianças seis meses depois, quando deveriam estar melhor de saúde e bem de saúde. Toda essa
história foi contada em dois livros: “Crianças da Guerra: A História sobre o Trem Italiano da Felicidade", de Viola Ardone, e “Il Treni Della Felicitá.
Storie Di Bambini in Viaggio Tra Due Italie”. Foi nos relatos de ambos que os
roteiristas criaram o filme, cuja história é centrada no personagem fictício de Amerigo
Speranza (Christian Cervone), de 7 anos, enviado por sua mãe para Milão. Aqui,
ele foi acolhido por uma família ligada ao partido comunista. Tão fanáticos que
seus três filhos se chamavam Revo, Lucio e Nario. Amerigo se adaptou bem à
família, principalmente ao pai, que gostava de tocar violino, instrumento que
Amerigo aprendeu a tocar e que o levaria, no futuro, ao posto de maestro de uma
importante orquestra. Completam o ótimo elenco Serena Rossi, Barbara Ronchi,
Stefano Accorsi, Francesdo Di Leva, Antonia Truppo e Nunzia Schiano. Embora o
contexto seja dramático, o filme consegue ser leve principalmente por colocar as
crianças como personagens principais, vítimas inocentes de um conflito que não
entendiam. Enfim, “O Trem Italiano da Felicidade” é um filme sensível e comovente, ao mesmo
tempo poderoso e impactante. Não perca!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
“BECO DO PESADELO” (“NIGHTMARE
ALLEY”), 2021, Estados Unidos, 2h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, com roteiro assinado por Kim Morgan. A
história é baseada no romance “Nigthtmare Alley”, escrito em 1946 por William
Lindsay Gresham. Como cinéfilo amador, sempre fico atento às novidades e
lançamentos, e, portanto, não sei dizer como deixei de ver esse filme
maravilhoso, que recebeu 4 indicações ao Oscar de 2022: Melhor Filme, Melhor
Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Não levou nenhuma estatueta,
mas é um grande filme. O elenco é um luxo. Só para citar os nomes principais:
Bradley Cooper, Toni Collette, Rooney Mara, David Strathairn, Cate Blanchet,
Willem Dafoe, Mary Steenburgen, Ron Perlman e Richard Jenkins. Vamos à
história: no final dos anos 30 do século passado, em plena recessão econômica nos
EUA, o malandro Stanton Carlisle (Bradley Cooper) foge de um passado tenebroso
e vai parar num circo itinerante, onde consegue emprego. Ele se entusiasma com o número de
mediunidade apresentado por Pete Krumbeim (Strathairn) e sua mulher Zeena
(Collette). Com Pete e Zeena ele aprende os truques do show que é um dos mais
requisitados pelo público. Disposto a ganhar dinheiro, Stanton parte para Nova
Iorque com sua namorada Molly (Rooney Mara), que também trabalhará como sua
assistente de palco. Num golpe de sorte, Stanton conhece Lilith Ritter
(Blanchet), uma refinada e conhecida psicóloga cujos pacientes, em sua maioria,
são figuras da alta sociedade e muito ricos. Em associação com Lilith, Stanton,
agora “O Grande Stanton”, arrasta multidões para suas apresentações mediúnicas
e consegue algumas consultas particulares com gente da alta sociedade. O
dinheiro chega fácil, mas as consequências da enganação chegarão logo. Não
apenas pela história em si ou pelo maravilhoso elenco, o filme se destaca também pela
primorosa fotografia e pela espetacular recriação de época. Enfim, mais uma
verdadeira aula de cinema do diretor Guillermo Del Toro, que já havia nos
presenteado com filmes que se transformaram em verdadeiros clássicos, como “O
Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo”, indicado ao Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro em 2006, além de “A Forma da Água”, pelo qual conquistou o Oscar em
2017 como Melhor Diretor. Se você gosta de cinema de alta qualidade, não deixe
de assistir “O Beco do Pesadelo”.





















