“O PACTO” (“THE COVENANT”), 2023,
Estados Unidos, 2h03m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Guy
Ritchie, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn
Davies. Filmaço de ação ambientado em 2018 no Afeganistão, três anos antes dos
Estados Unidos retirarem suas tropas daquele país, no qual estiveram desde
2001. A história é centrada no sargento John Kinley (Jake Gyllenhaal),
comandante de um batalhão encarregado de encontrar e destruir depósitos de explosivos
do Talibã. O perigo rondava a cada missão, que às vezes resultava em emboscadas e mortes. Em
uma delas, morreu o intérprete. Para as próximas missões, Kinley entrevistou e
contratou um novo intérprete, Ahmed (o ator iraquiano Dar Salim). Numa das
missões mais perigosas, Kinley é ferido gravemente e teria sido preso pelos
talibãs não fosse a coragem de Ahmed, que o levou de volta à base distante
cerca de 100 quilômetros, grande parte deles percorrido em uma maca de madeira
levada com grande esforço pelo intérprete. O sargento é levado de volta aos
Estados Unidos e Ahmed é obrigado a se esconder com sua esposa e filho, pois
virou inimigo número 1 dos talibãs. Kinley se sentiu obrigado a retribuir o ato
heroico de Ahmed, voltando ao Afeganistão para tentar resgatá-lo e levá-lo a
salvo aos EUA. Completam o elenco Alexander Ludwig, Antony Starr, Jason Wong,
Bobby Schofield, Emily Beecham e Swen Temmel. O filme é repleto de muito
suspense e inúmeras ótimas cenas de ação, valorizando uma história incrível de
coragem e solidariedade. Nos créditos finais, são mostradas várias fotos dos
personagens reais, o que dá a entender que a história é verídica, embora os
materiais de divulgação omitam esse fato. Trocando em miúdos, “O Pacto” é
ótimo. Assista e confira.
“O FIM DA VERDADE” (“DAS ENDE DER WAHRHEIT”), 2019, Alemanha, 1h45m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção de Philipp Leinemann. Suspense cuja história envolve espionagem e terrorismo. Martin Behrens (Ronald Zehrfeld), especialista em Oriente Médio da agência de inteligência alemã BND consegue informações sobre o paradeiro de um terrorista islâmico cuja base está localizada no (país fictício) Zahiristão. Segundo Behrens, os terroristas planejam um atentado na Alemanha. Para evitá-lo, Behrens passa a informação à CIA, que, utilizando drones, invade o território do Zahiristão e mata o chefe terrorista. Integrantes do mesmo grupo prometem vingança e, durante um atentado em um restaurante de Munique, matam várias pessoas, incluindo a jornalista Aurice Köhler (Antje Traue), namorada de Behrens. Em meio a esses acontecimentos, Behrens resolve agir de forma isolada, quando descobre que a verdade não é exatamente aquela demonstrada pelos fatos, e sim o que uma surpreendente reviravolta revelará, ou seja, uma conspiração de alguns integrantes do próprio governo alemão. Também estão no elenco Alexander Fehling, Claudia Michel, Katharina Lorenz, Axel Prahl e Alipeza Bayram. Como a maioria dos filmes de espionagem, o roteiro, de início, não é de fácil compreensão, exigindo um pouco de esforço da nossa inteligência, mas aos poucos as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. De qualquer forma, é um excelente filme no gênero, movimentado e repleto de suspense. Imperdível.
“MARIYA – O SÍMBOLO DE UMA
GUERRA” (“MARIYA. SPASTI MOSKVU”), 2022, Rússia, 1h51m, em
cartaz no Prime Vídeo, direção de Wera Michailowna Storoschewa, seguindo
roteiro assinado por Elena Rayskaya. Embora tenha pesquisado, não consegui saber
se a história, ambientada no início da Segunda Grande Guerra, é verídica ou
criada. A personagem central é Mariya Petrova (Mariya Lugovaya), jovem que
renuncia à sua fé e ao seu pai, um padre da Igreja Ortodoxa, para servir ao
exército soviético como membro da NKVD (Comissariado do Povo dos Assuntos
Internos). Ela é recrutada para uma difícil e perigosa missão: resgatar o ícone
milagroso da Virgem Maria em uma igreja localizada numa cidade ocupada pelo
exército alemão. A ordem veio diretamente do ditador Stalin, que consultou uma
vidente que o aconselhou a resgatar o ícone naquela tal cidade, afirmando que,
com a posse do objeto sagrado, salvaria Moscou da invasão nazista. Entusiasmada
por servir à sua pátria, Petrova enche-se de coragem e parte para a missão
quase suicida, recebendo a ajuda de alguns guerrilheiros e do padre Vladimir
(Arthur Smolianinove), da igreja que guarda o ícone milagroso. Além dos alemães,
Petrova tem de enfrentar o terrível inverno russo, muitas vezes sem água ou
comida. As cenas são de um realismo chocante, com muito suspense e cenas fortes
que retratam com competência a tragédia que o povo russo foi obrigado a viver
por causa das loucuras de Hitler. Fica aqui minha dúvida se Mariya Petrova
existiu mesmo ou foi fruto de invenção do roteiro. De qualquer forma, trata-se
de uma heroína criada para enaltecer a coragem do povo russo. Recomendo.
“O MATEMÁTICO” (“ADVENTURES OF
A MATHEMATICIAN”), 2021, em cartaz na Prime Vídeo, 1h42m,
coprodução Alemanha/Polônia/Inglaterra, roteiro e direção do cineasta alemão
Thorsten Klein. A história é centrada no matemático judeu polonês Stanislaw
Ulam (Philippe Tlokinski), que nos anos 40 participou, com outros renomados
cientistas, do ultrassecreto Projeto “Manhattan”, responsável pela criação e
construção das bombas atômicas que, pouco mais tarde, arrasariam as cidades
japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Nascido na Polônia, Stan, como era mais
conhecido, chegou aos Estados Unidos em 1931, foi um estudante prodígio na
Universidade de Harvard e, logo em seguida, seu professor. Era considerado um gênio
em matemática e, por isso mesmo, foi recrutado para a base de Los Álamos, onde
um grupo de renomados cientistas, entre eles Robert Oppenheimer (Ryan Gage),
desenvolveria a bomba atômica. A ideia inicial do governo norte-americano era
utilizá-la contra os nazistas, até que estes, em maio de 1945, se renderam aos
aliados. A guerra continuou contra o Japão, que teimava em não se render. Daí,
as bombas em Hiroshima e Nakasaki. “O Matemático” revela os bastidores das
reuniões de trabalho dos cientistas, suas vidas particulares e depois toda a
sua angústia e sentimento de culpa por terem contribuído para a criação de uma
arma tão mortífera. O roteiro coloca o polonês Stan Ulam no centro de toda a
história, destacando ainda a relação com sua esposa Françoise (a atriz francesa
Esther Garrel, irmã do ator Louis Garrel), com o irmão mais novo Adam (Mateusz
Wieclawek) e com seu melhor amigo Johnny Von Neumann (Fabian Kociecki), com o
qual seria a responsável pela invenção do primeiro computador que daria origem,
mais tarde, à era digital. Trocando em miúdos, o filme vale a pena por revelar os
detalhes de um fato histórico que teve um papel fundamental para a humanidade.
Recomendo.
“RESGATE 2” (“EXTRACTION 2”), 2023, Estados Unidos, lançamento da Netflix, 2h02m, direção de Sam Hargrave e roteiro de Joe Russo. Filme de ação, assim como o primeiro “Resgate”, também baseado na graphic novel “Ciudad”, criada por Ande Parks, Joe e Anthony Russo, Fernando Leon González e Eric Skillman. O personagem principal é novamente Tyler Rake (Chris Hemsworth, o ator australiano de “Thor”), que deixou de ser um soldado de elite para se transformar em um mercenário letal. No primeiro filme, Rake ficou encarregado de resgatar o filho de um grande empresário indiano. Nesta segunda versão, ele recebe a missão de resgatar uma mulher e seus dois filhos de uma penitenciária na Geórgia – antiga república soviética –, mantidos presos por ordem do marido dela, o violento Zurab (Tornike Gogrichiani), chefão de uma poderosa máfia georgiana. A equipe de Tyler conta com os irmãos mercenários Nik Khan (a atriz iraniana Golshifteh Farahani) e Yaz (Adam Bessa), combatentes de primeira linha. As cenas de ação são muito bem feitas, mas exageradamente mentirosas. Só para citar uma: o herói entra no presídio e enfrenta, sozinho, dezenas de presos e policiais, bate em todo mundo e sai ileso. Tudo bem, Hollywood pode tudo. A cena perto do desfecho, onde o herói luta com o vilão no telhado de vidro de um edifício em Viena (Áustria) é uma das melhores e muito bem realizadas. Para os fãs de filmes de ação, este “Resgate 2” deve agradar em cheio, pois não faltam, do começo ao fim, muita pancadaria, perseguições, explosões e tantos tiros que dá vontade de se esconder atrás da poltrona. Também estão no elenco Olga Kurylenko, Idris Elba, Sinead Phelps e Tina Dalakishvili. Repito: como filme de ação, nota 10. Imperdível! Ah, e já estão falando no “Resgate 3”, que também não vou perder.
“AMOR E MORTE” (“LOVE & DEATH”), 2023,
Estados Unidos, minissérie em 7 episódios da HBO Max, direção de Leslie Linka Glatter
e Clark Johnson. A história é baseada em fatos reais, narrados no livro escrito
por John Bloom e Jim Atkinson, ou seja, o assassinato de uma mulher a machadadas
praticado pela ex-amante do marido da vítima. O caso, de grande repercussão nos
Estados Unidos, começou em 1978, quando Candy Montgomery (Elizabeth Olsen)
começou um relacionamento extraconjugal com Allan Gore (Jesse Plemons), marido
de sua amiga Betty (Lily Rabe), que dura cerca de oito meses. Pouco mais de um
ano depois, o caso seria descoberto pelo marido de Candy, Pat (Patrick Fugit) e
também por Betty. Em junho de 1980, viria ocorrer o assassinado de Betty, encontrada
morta por vizinhos, pois Allan estava viajando a negócios. Em sua segunda
parte, a minissérie acompanha as investigações da polícia até chegar à
principal suspeita, Candy, e destaca também o seu julgamento, cujo resultado é
uma grande surpresa, que não revelo aqui para não estragar a expectativa de
quem não conhece a história. Também estão no elenco da minissérie Kristen
Ritter, Tom Pelphrey, Olivia Grace Applegate, Elizabeth Marvel e Bruce McGill. É
justo destacar o desempenho da atriz Elizabeth Olsen, que já demonstrou o seu talento
em outras séries, tais como “WandaVision”, de 2021. Agora, em “Amor e Morte”,
ela é, sem dúvida, o grande trunfo para o sucesso da minissérie, uma das
melhores do ano.
“SAYEN”, 2023,
Chile, 1h36m, produção original e distribuição Prime Video, direção de
Alexander Witt (“Resident Evil 2: Apocalipse”), seguindo roteiro assinado por
Patricio Lynch, Julio Rojas e Carla Stagno. Este talvez seja o primeiro filme
de ação feito pelo cinema chileno. Não me lembro de outro. O tema da
história está em grande evidência há anos: a exploração dos indígenas pelos
homens brancos. No caso de “Sayen”, os brancos representam uma grande
corporação internacional que almeja comprar terras ao sul do Chile, nas florestas da Araucanía, para
exploração de cobalto. Só que nelas vivem os índios Mapuche, que ser recusam a vendê-las
e muito menos deixar que a explorem. Uma grande empresa sediada na Espanha
resolve conquistar as terras à força, utilizando mercenários violentos. Quando Ilwen
Lemunko (Teresa Ramos), proprietária de uma parte dessas terras, é assassinada
ao se negar a vendê-las, sua neta Sayen (Rallen Montenegro) parte para a
vingança. Aí ninguém segura a índia vingativa, que se aproveita da vivência nas
florestas para ir atrás dos assassinos de sua avó. Entre as cenas de ação, o
roteiro destaca mensagens contra os invasores de terras indígenas e ainda
coloca em discussão as atitudes que afetam o meio ambiente. Completam o elenco
Arón Piper, Roberto García Ruiz, Loreto Aravena, e Enrique Arce. O filme é
bastante interessante e esclarecedor, tem boas cenas de ação e um roteiro bem
elaborado. Recomento, principalmente, para o público ligado à proteção do meio
ambiente.
“PURA PAIXÃO” (“PASSION SIMPLE”), 2020,
coprodução França/Bélgica, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta
libanesa Danielle Arbid. O roteiro, assinado pela própria Arbid, foi baseado no
romance autobiográfico “Simple Passion”, de 1992, da escritora Annie Ernaux –
em 2022, Ernaux ganhou o Nobel de Literatura. O filme, selecionado para o Festival de Cannes, é um drama erótico
envolvendo a professora universitária de Literatura Hélène August (Laetitia
Dosch) e o russo Aleksandr (Sergei Polunin), encarregado da segurança da
embaixada russa em Paris. Divorciada e com um filho entrando na adolescência, Hélène
se entrega, literalmente, de corpo e alma, a essa paixão desenfreada e intensa,
mesmo sabendo que Aleksandr é casado. A paixão logo se transforma em obsessão,
principalmente por parte de Hélène. Para ilustrar esse fogo ardente, a diretora
libanesa abusa das cenas de sexo, algumas delas muito perto do explícito. A
estética do filme, incluindo uma primorosa fotografia, deve agradar, de forma
especial, o público que curte o tal cinema de arte – para mim, todo filme é
arte -, gênero em que o cinema francês sempre se sobressaiu. Há que se destacar
ainda o desempenho da atriz Laetitia Dosch, que aos 42 anos se entrega a um
papel difícil e que exige coragem para se expor com tanta entrega e desenvoltura.
Outro destaque deve ser atribuído ao ator, dançarino e modelo ucraniano Sergei
Polunin, que tem no currículo filmes como “Assassinato no Expresso Oriente” e “Operação
Red Sparrow”, entre outros. Também estão no elenco Caroline Ducey, Grégoire
Colin, Dounia Sichov, Slimane Dazi e Lou-Teymour Thion. Trocando em miúdos, apesar
de não ser um filme muito fácil de digerir, gostei muito, indicando como especiais
e de grande beleza as cenas filmadas em Florença, em Moscou e na própria Paris.
Para terminar, faço um importante alerta: ANTES DE ASSISTIR, TIRE AS CRIANÇAS
DA SALA.
“PADRE JOHNNY” (“JOHNNY”),
2023, Polônia, 1h59m, produção original e distribuição Netflix, estreia na
direção do jovem cineasta Daniel Jaroszek, de 34 anos, e roteiro assinado por
Maciej Kraszewski. A história deste ótimo drama é baseada em fatos reais, ou
seja, na vida do padre polonês Jan Kaczrowski (1977-2016). Mesmo debilitado por
várias doenças, uma delas grave, Jan (David Ogrodnik) jamais deixou de se
dedicar aos doentes terminais da sua cidade natal, Gdynia. Em 2009, ele fundou
o “The Puck Hospice”, um hospital dedicado exclusivamente aos doentes
terminais. Aqui, ele conhece o jovem Patryk Galwski (Piotr Trojan), um drogado
e marginal condenado a prestar 360 horas de serviço comunitário. O padre e
Patryk ficarão amigos, uma relação sensível que ocupará grande parte da
narrativa. Embora todo o contexto seja dramático, o filme tem seus momentos de
humor, quando, por exemplo, Jan discute com o arcebispo seu chefe, numa das
melhores cenas do filme. Não bastasse todo esse trabalho, o padre Jan arrumou
tempo de escrever vários livros, nos quais ensina a aproveitar a vida ao máximo
e como lidar com as doenças terminais. Seu livro de maior sucesso foi “The Art of
Living Without Lies” (“A Arte de Viver Sem Mentiras”). Diagnosticado em 2012
com um glioblastoma - um grave tumor no cérebro -, Jan viria a falecer em 2016.
“Padre Johnny” estreou nos cinemas da Polônia em outubro de 2022, tornando-se
um grande sucesso de bilheteria. O filme é ótimo, sem dúvida um dos melhores
lançamentos do ano pela Netflix. Imperdível!
“TIRO CERTO” (“ONE SHOT”), 2021,
coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime Video,
direção de James Nunn, que também assina o roteiro com Jamie Russell. Trata-se
de um filme de ação centrado na difícil missão de um esquadrão de elite SEAL da
Marinha, chefiada pelo oficial Jake Harris (Scott Adkins), encarregado de
resgatar e levar para Washington um prisioneiro ligado ao EI (Estado Islâmico).
Segundo a agente Zoe Anderson (Ashley Green), analista da CIA, Amin Mansur
(Waleed Elgadi) teria informações sobre um possível atentado terrorista a ser realizado
em Washington. Mansur está preso em uma base secreta – na verdade, uma
ilha-prisão da CIA - destinada a terroristas. Quando estava quase tudo pronto
para a viagem de volta, levando o preso, eis que a base é invadida por dezenas
de terroristas sob o comando do sanguinário Hakim Charef (Jess Liaudin). A
matança é generalizada, de um lado e de outro, sendo que os mocinhos ficam
reduzidos a apenas quatro soldados e a tal analista da CIA. Eu não contei quantos
tiros foram dados durante o filme, mas a munição utilizada certamente
abasteceria um exército durante uma guerra. Um exagero de tiros. De qualquer
forma, o suspense permeia a história e a ação corre solta do começo ao fim,
transformando “Tiro Certo” num entretenimento de primeira. Também estão no
elenco Ryan Phillippe, Terence Maynard, Emmanuel Imani, Tim Man, Lee Charles e
Duncan Casey.
“A MÃE DO ANO” (“DZIÉN MATKI”), 2023,
Polônia, 1h34m, produção original e distribuição Netflix, direção de Mateusz
Rakowicz (“O Rei das Fugas”), que também assina o roteiro com Lukasz M.
Maciejewski. A tradução para o português do título original é “Dia das Mães”, o
que sugere um filme leve, com crianças brincando no parquinho, mulheres grávidas etc. Que nada! Trata-se
de um filme de ação durante o qual predomina muita pancadaria e tiroteios. A
mãe a que se refere o título é Nina Nowak (Agnieszka Grochowska, de “Crimes
Ocultos”), uma ex-agente das forças especiais polonesas. Quando era da ativa,
ela assassinou um chefão da máfia russa, um tal de Dusan Dragan. O filho dele,
Igor (Dariusz Chojnacki), quer se vingar e vai atrás de Nina. Como passo inicial
da vingança, ele sequestra o filho de Nina, o adolescente Maks (Adrian
Delikta), que desde bebê vive com pais adotivos. O sequestro acontece
exatamente no Dia das Mães, o que justifica o título original. O diretor
Rakowicz ilustra a história com vários personagens excêntricos e caricatos,
pequenas doses de humor à base de sátira e muita pancadaria, destacando ótimas
cenas de luta estilosas e bem coreografadas. Nina, a heroína da história,
parece ter sido tirada de uma revista de quadrinhos, assim como inúmeras cenas
e os vilões da história. Trocando em miúdos, trata-se de um filme ideal para
uma sessão da tarde com pipoca.
“ESQUEMA DE RISCO – OPERAÇÃO FORTUNE” (“OPERATION FORTUNE – RUSE DE GUERRE”), 2023, coprodução Estados Unidos/Turquia, 1h54m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Guy Ritche, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn Davies. O elenco é de primeira. Só para citar alguns nomes: o brucutu do momento Jason Statham, Hugh Grant, Aubrey Plaza, Josh Hartnett, Carl Elwes e Eddie Marsan. O filme não é tão bom quanto o elenco, mas cumpre seu compromisso de divertir. E muito. Trata-se de um filme de ação com muito humor, repleto de sátira aos filmes de espionagem (James Bond, Missão Impossível etc.). A história começa com o roubo de uma maleta que contém um dispositivo capaz de criar uma nova forma de inteligência artificial capaz de dominar a economia de todos os países do mundo. O agente especial inglês Orson Fortune (Statham) é encarregado de investigar o caso. O principal suspeito é um bilionário traficante de armas, Greg Simmonds (Grant). A estratégia para chegar a Greg inclui o recrutamento do ator Danny Francesco (Hartnett), um astro de Hollywood, para participar da equipe. Isto porque o traficante é um grande fã de Francesco. Só que tem muita gente também disposta a roubar a maleta, como uma terroristas ucranianos, uma máfia turca e uma gangue chefiada por um ex-espião inglês. A confusão está formada. A ação corre solta até o desfecho, com muita pancadaria, tiroteios e perseguições. Tudo realizado com grande competência pelo diretor inglês Guy Ritche, que ficou conhecido depois de dirigir o ótimo “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, de 1998, e em seguida “Snatch: Porcos e Diamantes”, em 2000. Também contribuiu para a fama de Ritche o fato de ser casado, na época, com a diva do pop Madonna. “Esquema de Risco” é, portanto, um ótimo entretenimento, diversão pura. Ah, não desligue antes dos créditos finais, pois ainda é exibida uma cena que define com maestria o espírito de sátira que caracteriza o filme. IMPERDÍVEL!
“SEM CULPA” (“INDEMNITY”), 2022,
África do Sul, 2h04m, em cartaz na Amazon Prime, roteiro e direção de Travis
Taute. Ainda um pouco desconhecido por aqui, o cinema sul-africano já produziu
ótimos filmes. Só para citar alguns: “Hotel Ruanda”, “Invictus” e “Distrito 9”.
Sem falar, é claro, da diva Charlyze Theron, a melhor produção do país. Falado
em inglês e africâner, duas das línguas oficiais da África do Sul, “Sem Culpa”
é mais um bom filme de ação cuja história é centrada em Theo Abrams (Jarrid
Geduld), um bombeiro afastado do trabalho depois de um episódio de transtorno de
estresse pós-traumático grave, resultado de uma missão para combater um incêndio
em uma favela da periferia da Cidade do Cabo. Enquanto isso, sua mulher, a
jornalista investigativa Angela Abrams (Nicole Fortuim), trabalha numa
reportagem que denunciará uma conspiração envolvendo autoridades governamentais
e uma importante empresa fabricante de medicamentos. Um dia, Theo acorda e sua
mulher está morta ao seu lado na cama. A polícia chega rápido à casa e prende
Theo pelo misterioso assassinato. Ele terá que provar que é inocente, tarefa
impossível enquanto estiver preso. Então ele consegue fugir e vai atrás dos
responsáveis, o que resulta em inúmeras cenas de ação. Aliás, muito bem
executadas. Também estão no elenco Gail Nkoane Mabalane, Susan Danford, André
Jacobs e Hannes Van Wyk. Vale a pena conferir este ótimo filme de ação e
suspense.
“UM FILHO” (“THE SON”), 2022, coprodução
Inglaterra/França, 2h03m, em cartaz na Amazon Prime, direção do dramaturgo e
cineasta francês Florian Zeller, que também assina o roteiro com a colaboração
de Christopher Hampton. Trata-se de mais uma adaptação de uma peça de teatro, “Les
Fils”, escrita pelo próprio Florian Zeller, como já havia sido feita com “Meu
Pai”, de 2020, que deu o Oscar de melhor ator para Anthony Hopkins. “Um Filho” é
mais um drama sensível, centrado nas dificuldades de um pai em se comunicar com
o problemático filho adolescente. Peter Miller (Hugh Jackman) é um importante
executivo de uma empresa em Nova Iorque, divorciado de Kate (Laura Dern) e agora
casado com Beth (Vanessa Kirby), com a qual tem um bebê de poucos meses. Com
Kate, ele teve o filho Nicholas (Zen McGrath), um adolescente depressivo que acusa
a separação dos pais como indutor de seus problemas psicológicos. Nicholas
finge que vai ao colégio, costuma se automutilar e apresenta tendências
suicidas. Baita problemão que Peter tenta resolver com muita conversa e
tolerância, até que a situação fica tão grave que o garoto é internado em um
hospital psiquiátrico. Lógico que tudo isso acaba afetando o relacionamento de
Peter com a atual esposa, ainda mais que a ex-mulher tenta uma reaproximação.
Tudo isso, junto e misturado, resulta em um drama familiar dos mais pesados e
tocantes, devendo arrancar lágrimas dos espectadores mais sensíveis. Embora
apareça com destaque nos materiais de divulgação, a presença de Anthony Hopkins
não passa de uma ponta rápida como o pai de Peter. Claro, com a intenção
evidente de relembrar “Meu Pai”. Trocando em miúdos, “Um Filho” é mais um ótimo
drama à disposição no Amazon Prime. Ah, não esqueça de providenciar uma caixa de lenços de papel. Imperdível!
“TEMPESTADE” (“SURVIVE”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h48m, direção de Mark Pellington, seguindo roteiro assinado por Richard Abate e Jeremy Ungar. Embora nenhum crítico especializado tenha notado e muito menos o material de divulgação tenha informado, este drama de sobrevivência é uma cópia exata do filme “Depois Daquela Montanha”, de 2017, com Kate Winslet e Idris Alba. A semelhança também está na mediocridade, pois tanto aquele quanto este são muito fracos. “Tempestade” traz como dupla a problemática Jane (Sophie Turner, de “Game of Thrones”) e o bom rapaz Paul (Corey Hawkins), os dois únicos sobreviventes de um acidente aéreo ocorrido nas montanhas. Juntos, assim como a dupla de “Depois Daquela Montanha”, eles tentarão sobreviver a um frio congelante, sem água nem comida. Também estão no elenco Caroline Goodall, Dane Foxx, Lauren Marsden, Lewis Hayes, Makgotso M, Terence Maynard, Jo Stone-Fewings, Marta Kessler e Elliot Wooster. O filme é arrastado demais, tem momentos de puro tédio e pouca ação. Mas o pior mesmo é esconder que é uma cópia de outro filme, o que para mim configura propaganda enganosa. E o filme é mesmo muito fraco e nem a beleza da atriz inglesa Sophie Turner justifica uma recomendação. Passe em branco, como a neve dos cenários.
“SANGUE E OURO” (“BLOOD &
GOLD”), 2023, Alemanha, em cartaz na Netflix desde o dia 26 de
maio, 1h40m, direção de Peter Thorwarth (“A Onda”, “Céu Vermelho-Sangue”),
seguindo roteiro assinado por Stefan Barth. Este é, sem dúvida, um dos lançamentos
do ano mais interessantes. Trata-se de um drama com toques de comédia e sátira.
A história é ambientada em 1945, quando a Alemanha estava prestes a perder a
Segunda Guerra Mundial. Começa o filme com o soldado Heinrich (Robert Maaser)
fugindo do seu batalhão, pois resolveu desertar. Quando foi preso e prestes a
ser enforcado, ele é salvo por uma corajosa fazendeira Elza (Maria Hacke), que
o leva para casa e cuida dos seus ferimentos. A perseguição a Heinrich
prossegue pelo mesmo batalhão da SS comandado pelo sádico tenente Von Starfeld
(Alexander Scheer), o melhor e mais engraçado da sátira. Toda a ação leva os
personagens a um pequeno vilarejo onde estaria escondida uma grande quantidade
de ouro pertencente a uma família de judeus. Habitantes do vilarejo e os
nazistas começam uma guerra sanguinária pelo ouro, o que justifica o título do
filme. Realmente, a matança fará jorrar muito sangue, principalmente perto do
desfecho, quando toda a ação acontece no interior de uma igreja, bem ao estilo
Tarantino. “Sangue e Ouro” é uma boa surpresa do cinema alemão,
resultando num ótimo entretenimento. Não perca!
“UMA MÃE CONTRA UM PAÍS” (“MRS.
CHATTERIEE VS NORWAY”), 2023, Índia, em cartaz na Netflix, 2h13m,
direção da cineasta Ashima Chibber, que também assina o roteiro juntamente com Rahul
Handa e Sameer Satija. Drama para fazer chorar os espectadores mais sensíveis,
principalmente as mães. Baseada em fatos reais, a história é centrada em Debika
Chatterjee (Rani Mukerji), uma imigrante indiana vivendo na Noruega com o
marido Aniruddha Chatterjee (Anirban Bhattacharya) e dois filhos pequenos.
Desde que chegaram ao novo país, a família era continuamente visitada por
assistentes sociais que verificavam as condições em que eles viviam.
Demonstrando uma acentuada xenofobia, as assistentes relatavam que a situação na
casa dos Chatterjee não era condizente com os costumes locais, o que revela um grande choque cultural. Por exemplo,
relatavam que eles comiam com a mão e o pai não ajudava a mulher em casa, além
da desconfiança dele bater na esposa. Resumindo, o governo norueguês retirou a
guarda dos filhos, doando-os a uma família norueguesa. A partir daí, Debika
lutará com unhas e dentes, corpo e alma, pelos filhos, chegando até mesmo a
sequestrá-los. O caso cresceu quando chegou às cortes norueguesas e, depois,
aos tribunais indianos. O drama é recheado daquelas cantorias irritantes comuns
aos filmes de Bollywood, mas, nesse caso, pelo menos as letras têm tudo a ver
com a história. A luta dessa mãe guerreira emociona. Nos créditos
finais, a verdadeira mãe – Sagarina Chakraborty – aparece em fotos juntamente com
os filhos.
“FIÉIS” (“FAITHFULLY YOURS”), 2022,
Holanda, 1h36m, produção original e distribuição Netflix, direção de Andre Van
Duren (“A Fúria”, “A Gangue de OSS”), que também assina o roteiro com a
colaboração de Elisabeth Lodeizen e Paul Jan Nelilssen. Drama repleto de
suspense e mistério, pistas falsas, personagens ambíguos, algumas pitadas de erotismo
e muitas reviravoltas. Vamos à história: Bodil Backer (Bracha Van Doesburgh) e
Isabel Uijten (Elise Schaap) são duas amigas de bem com a vida. Bem sucedidas,
bonitas e aparentemente bem casadas, elas não dispensam a companhia uma da
outra para viver aventuras, digamos, extraconjugais. Em alguns finais de
semana, com a anuência dos respectivos maridos e sem os próprios, elas embarcam
para a cidade belga de Oostende, onde Bodil possui uma casa de praia, herança
de sua avó. Ao contrário do que faz parecer o título, elas partem para a
diversão, o que inclui bastante ação debaixo dos lençóis. Num desses finais de
semana, porém, acontece uma tragédia. Bodil volta de um banho de mar e encontra
uma grande quantidade de sangue na cozinha. A polícia confirma: o sangue é da
amiga Isabel. Mistério. Quem teria assassinado Isabel e por qual motivo? A lista de suspeitos é grande, incluindo a
própria Bodil. Várias reviravoltas acontecem até o desfecho, quando enfim o quebra-cabeças
é montado e o mistério desvendado. Também estão no elenco Hannah Hoekstra, Nasrdin
Dchar, Gijs Naber e Sofie Decleir. O filme foi exibido nos cinemas da Holanda em dezembro de 2022, com grande sucesso de bilheteria, e estreou na Netflix no dia 17 de maio de 2023. . Resumo da ópera, “Fiéis” é um filme bastante
interessante, apresentando como trunfos o ótimo elenco e o roteiro repleto de
surpresas.
“A LUZ DO DEMÔNIO” (“PREY FOR
THE DEVIL”), 2022, EUA, em cartaz na Amazon Prime, 1h33m,
direção do cineasta alemão Daniel Stamm (“O Último Exorcismo”), seguindo
roteiro assinado por Robert Zappia, Todd R. Jones e Earl Richey Jones. Depois
de fazer sucesso de bilheteria nos cinemas dos Estados Unidos e daqui, chega à
Amazon Prime este filme de terror bastante elogiado pela crítica. Sem dúvida,
no gênero, é um dos melhores filmes já lançados nos últimos anos. A história é
centrada na freira Ann (Jacqueline Byers, ótima), que trabalha em um hospital
psiquiátrico mantido pela Igreja Católica. Devido ao seu passado traumático,
quando era abusada com violência pela mãe, Ann também se interessa pela prática
do exorcismo. Dessa forma, ela decide se inscrever em uma escola de exorcismo destinada
para padres. De início, ela não consegue o ingresso, já que a Igreja Católica
não permite mulheres como exorcistas. Porém, com o aval do padre Quinn (Colin Salmon)
e do cardeal Matthews (Ben Cross), ela consegue se inscrever. Sua primeira experiência
prática acontece quando é escalada para o exorcismo de Natalie (Posy Taylor),
uma menina possuída pelo demônio. O exorcismo é aparentemente bem sucedido, mas
o demônio tem muitas caras e consegue enganar quem chega perto de Natalie.
Algumas reviravoltas surpreendentes acontecem na história, culminando em um
desfecho dos mais assustadores. Destaco ainda a presença da veterana e ainda
bonita atriz Virginia Madsen como a psiquiatra-chefe do hospital psiquiátrico.
Outro destaque, mas de forma triste, foi a morte do ator Ben Cross, de “Carruagens
de Fogo” (1981), pouco depois do fim das filmagens. Trocando em miúdos, “A Luz
do Demônio” apresenta uma história interessante e que não ofende nossa
inteligência, além de garantir muitos sustos, um clichê bastante positivo do
gênero terror. Não perca!
“UM FASCINANTE NOVO MUNDO” (“THE
WORLD TO COME”), 2021, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Amazon Prime, direção da cineasta norueguesa Mona Fastvold, seguindo roteiro
assinado por Ron Hansen e Jim Shepard, este último autor do romance homônimo
escrito em 2017, no qual é baseada toda a história. Estamos em 1856 na zona
rural do estado de Nova York. Numa fazenda mora o casal Abigail (Katherine
Waterston) e seu marido Dyer (Casey Affleck, irmão do Ben). Na fazenda vizinha
moram Tallie (Vanessa Kirby) e seu marido Finney (Christopher Abbott). Toda a
história é narrada em off por Abigail ao mesmo tempo em que escreve o seu diário pessoal.
Ela relata uma vida infeliz e melancólica, o relacionamento frio com o marido e
a tristeza que tomou conta do casal depois da morte da filha. Em um dos trechos
do diário, Abigail escreve: “Com pouco orgulho e menos esperança começamos o
ano novo”. Mais depressivo impossível. Uma luz surge no final do túnel quando
Abigail começa uma amizade com Tallie, sua vizinha de fazenda. Tallie também não vive um bom momento em seu casamento, principalmente pelo fato de não conseguir
engravidar. Com o estreitamento da amizade e as confidências mútuas, Abigail e Tallie
acabam se apaixonando, culminando em um romance lésbico dos mais arriscados. Um dos aspectos que mais me incomodou foi a série de diálogos utilizando um vocabulário dos mais sofisticados, o que seria impossível tratando-se de camponeses pobres e sem nenhuma cultura. O filme é lento, beirando o tédio, mas o excelente trabalho
das duas atrizes valoriza a carga dramática que a história carrega em seu
conteúdo. Vanessa Kirby e Katherine Waterston comprovam que são duas das
melhores atrizes do cinema na atualidade. No geral, porém, o filme não embala
e, portanto, não merece uma indicação entusiasmada.
“ENFERMEIRA” (“SYGEPLEJERSKEN”), 2023, Dinamarca, minissérie em 4 episódios, produção original e distribuição Netflix, direção de Kasper Barfoed, que também assina o roteiro com a colaboração de Dorte W. Høgh. A história é baseada em fatos reais relatados no livro “The Nurse: The True Story Behind One of Scandinavia’s Most Notorious Criminal Trials”, do jornalista dinamarquês Kristian Corfixen. O filme destaca os crimes praticados em 2015 pela enfermeira Christina Aistrup Hansen (Josephine Park) em um hospital da pequena cidade de Nykøbing Falster, sul da Dinamarca. Suas práticas criminosas eram baseadas na aplicação de doses letais de morfina e Diazepam em pacientes. Ela foi denunciada pela enfermeira novata Pernille Kurzmann Larsen (Fanny Louise Bernth). Em 2016, Christina foi presa, julgada e condenada a 12 anos de prisão por 4 acusações de tentativa de homicídio – ela também era suspeita de ter assassinado vários pacientes nos três anos anteriores, mas nada ficou provado. Com algumas doses de suspense, a minissérie se desenrola de forma a convencer o espectador a ficar assistindo até o final, quando se revelaria como a assassina seria desmascarada. Fora a história em si, e com exceção de alguns bons desempenhos da dupla central de atrizes, nada de importante a se destacar na minissérie.