sábado, 17 de outubro de 2020

 

“100 METROS”, 2016, Espanha, 1h48m, disponível no catálogo Netflix, marca a estreia de Marcel Barrena como roteirista e diretor. A história é baseada em fatos reais. Aos 35 anos, Ramón Arroyo (Dani Rovira), um importante executivo de uma agência de propaganda, começa a perceber alguns sintomas estranhos: formigamento nas mãos, dificuldade na fala, perda de movimentos e confusão mental. Depois de vários exames, o trágico diagnóstico: esclerose múltipla. A notícia chega justamente no momento em que ele está no auge da carreira e sua esposa Inma (Alexandra Jiménez) prestes a ganhar o segundo filho. O início do tratamento é bastante difícil, principalmente do ponto de vista psicológico, pois os prognósticos médicos não são nada bons. Numa das sessões de tratamento, um de seus colegas pacientes diz a Ramon: “Daqui a pouco você não conseguirá caminhar 100 metros e logo estará uma cadeira de rodas”. Ramón resolve desafiar essa previsão e começa a treinar não só para vencer os 100 metros, mas para encarar provas mais difíceis, quem sabe um Iron Man, a prova mais difícil do triathlon, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida. Mesmo com o descrédito geral, inclusive da sua própria médica, mas com o apoio da esposa e do sogro Manolo (Karra Elejalde), Ramón resolve treinar para a prova. Seu técnico é o próprio sogro, um ex-professor de educação física, com o qual não se dava desde o início do namoro com Inma. Aliás, a relação difícil entre o sogro e o genro resulta nas cenas mais engraçadas, um alívio cômico diante de um contexto tão dramático. Em grande parte do roteiro, o diretor Barrena prioriza as sequências de treinamento de Ramón até a realização da prova. Como principal trunfo, além do elenco afiado, que conta ainda com a atriz portuguesa Maria de Medeiros e Alba Ribas, “100 Metros” nos apresenta um belo e comovente exemplo de superação. O filme emociona e diverte ao mesmo tempo. Para os mais sensíveis, recomendo assistir com uma caixa de lenços de papel do lado. Resumo da ópera: filmaço!  

 

“THE SPY GONE NORTH” (“GONGJAK”), 2018, Coreia do Sul, 2h21m, roteiro e direção de Yoon Jong-Bin. A tradução para o português seria algo como “O Espião foi para o Norte”, mas mantive o título em inglês, como está no catálogo da Netflix. Trata-se de um filme de espionagem com forte apelo político. A história é baseada num caso real ocorrido nos anos 90 do século passado. O major sul-coreano Park Seok-Yeong (Hwang Jung-Min) foi convocado pelo Serviço Nacional de Inteligência para uma importante e arriscada missão: infiltrar-se na Coreia do Norte com o objetivo de descobrir informações sobre o programa nuclear do governo comunista do ditador Kim Jong II. A operação foi intitulada “Venus Black”, também utilizado como codinome do espião. A estratégia começou em transformar Park em um empresário com muito dinheiro para investir em negócios na Coreia do Norte. O primeiro passo foi fazer contato com um importante dirigente do país vizinho em Pequim, Ri Myung-Woon (o ótimo Lee Sung-Min, de “The Witness”), secretário do comércio exterior. Ao ganhar a confiança de Ri, Park conseguiu chegar à capital comunista Pyongyang como visitante ilustre e, como tal, ter uma audiência particular com o ditador Kim Jong II (Gi Ju-Bong), num dos momentos mais marcantes do filme. Outra sequência impactante refere-se à visita que Park faz à periferia da capital norte-coreana, um cenário de miséria e descaso total, um povo que morre aos poucos de fome – a cena de mortos empilhados nas calçadas é chocante. Além de conseguir informações importantes sobre o programa nuclear da Coreia do Norte, Park também terá surpresas desagradáveis com relação à corrupção do seu próprio governo nas eleições anteriores e nas que se aproximam. “The Spy Gone North” estreou no Festival de Cannes 2018, recebendo elogios de críticos e de público. O filme é excelente, de muito impacto e tenso como todo bom filme de espionagem deve ser. Mais uma superprodução do excelente cinema sul-coreano. Imperdível!       

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

 

“THE WITNESS” (“MOK-GYEOK-JA”), 2018, Coreia do Sul, 1h51m, roteiro e direção de Jo Gyu-Jang. A tradução em português seria “A Testemunha”, mas mantive o título em inglês, pois é assim que está no catálogo da Netflix. Não dá pra entender como esse filme tão bom não tenha sido exibido por aqui no circuito comercial. Trata-se de um suspense muito criativo, vigoroso e tenso, do começo ao fim. Vamos à história. Depois de beber com os amigos, Han Sang-Hoon (Lee Sung-Min) chega em casa por volta das 2 horas da manhã e resolve tomar uma cerveja “saideira”. De repente ele ouve o grito de uma mulher pedindo socorro e resolve ver o que está acontecendo. A mulher está sendo espancada com um martelo, e o criminoso percebe que está sendo visto por alguém. Quando olha para o 6º andar, ele flagra Sang-Hoon testemunhando a agressão. Morrendo de medo, ele resolve não ajudar a vítima, preferindo apagar a luz do apartamento e se esconder. A partir daí, a vida de Sang-Hoon vira um verdadeiro inferno, pois ele acredita que o assassino virá atrás dele, de sua mulher, da filha e até do cachorro. Para aumentar ainda mais o suplício de Sang-Hoon, o psicopata ainda cometerá outros crimes cujas vítimas seriam também testemunhas. O suspense aumenta cada vez mais, chegando a um dos desfechos mais emocionantes já criados no cinema. Méritos para o roteirista e diretor estreante Jo Gyu-Jang, um antropólogo que fez mestrado em direção de cinema na Universidade Nacional de Artes da Coreia. Em sua estreia como roteirista e diretor, Gyu-Jang marcou um verdadeiro gol de placa. Algumas sequências são realmente de arrepiar, com movimentos de câmera em ritmo alucinante, levando o espectador a interagir com o personagem de Sang-Hoon naqueles momentos de maior tensão. “The Witness” é simplesmente sensacional, com certeza um dos melhores suspenses dos últimos anos, consagrando a já comprovada qualidade do cinema sul-coreano. Não perca de jeito nenhum!   

terça-feira, 13 de outubro de 2020

“DARC” é uma produção norte-americana de 2018. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Julius R. Nasso, mais conhecido, no meio cinematográfico, como produtor. O roteiro é assinado por Tony Schiena e Dennis Venter. Schiena, aliás, atua como o personagem central da história, fazendo o papel de Darc, na verdade o seu pseudônimo, criado quando curtia um super-herói com esse nome num gibi. O filme começa mostrando como o então menino presenciou o assassinato da mãe por um membro da poderosa máfia japonesa . Na época, ele e a mãe moravam em Tóquio – a mãe havia sido vítima de sequestro pela Yakuza para trabalhar como prostituta na capital japonesa. O garoto guardou o nome e a cara dos assassinos. O filme dá um salto de 25 anos e Darc está agora em Los Angeles trabalhando nas sombras como um misto de detetive/justiceiro particular. Ele é procurado pelo seu amigo policial Lafique (Armand Assante) para que o ajude a libertar a filha, sequestrada por integrantes da filial norte-americana da Yakuza. O plano é que Darc se infiltre na quadrilha japonesa para descobrir o paradeiro da filha do amigo. Ora, quem é o chefe da gangue japonesa? Justamente o assassino de sua mãe. A partir daí, muita ação e violência, pancadarias generalizadas, tiros, muito sangue jorrando e cenas de luta muito bem coreografadas. É nesse contexto que entra a experiência do ator sul-africano Tony Schiena, um mestre das artes marciais. Campeão mundial de caratê na categoria peso-pesado, Schiena também trabalha como instrutor de combate corpo-a-corpo para a SWAT, para o exército dos Estados Unidos e para a OTAN. Antes, trabalhou como agente do serviço de inteligência militar do governo da África do Sul. Atualmente, em paralelo à sua carreira de ator, ele é proprietário da Multi Operational Security Agency of Intelligence Company (MOSAIC). Todo esse currículo, mais sua habilidade em artes marciais, contribuiu para que Schiena criasse um roteiro dos mais dinâmicos. Como todo bom filme de ação, “Darc” não nega fogo. Ótimo entretenimento, um filmaço!            

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 

“SHABANA – TREINADA PARA MATAR” (“NAAN SHABANA”), 2017. Índia, 2h27m, disponível no catálogo da Netflix, direção de Shivan Nair, a partir de roteiro de Neeraj Pandey. O gênero “Filmes de Ação” nunca foi o forte de Bollywood. De vez em quando aparece algum razoável, mas difícil encontrar um ótimo. Embora seja protagonizado pela atriz do momento na Índia, Taapsee Pannu, “Shabana” não consegue, em nenhum momento, entusiasmar. Vamos à história. Após assistir ao assassinato de seu namorado Jai (Taher Shabbir), Shabana (Taapsee) quer vingança, achando que suas habilidades em artes marciais são suficientes para acabar com os quatro assassinos. O problema é que ela não sabe o paradeiro do quarteto. É aí que aparece um sujeito se dizendo membro de uma agência de espionagem prometendo ajudá-la. Em troca pelo favor, ela concorda em ser treinada para se aprimorar em artes marciais e utilização de armas de fogo. O acordo com a agência prevê, depois da vingança pela morte do namorado, a captura de um poderoso traficante de drogas e armas, um tal de Tony (Prithviraj Sukumaran). O problema é que o bandido tem um exército de seguranças fortemente armados, o que torna a missão de capturá-lo um verdadeiro suicídio. Será que Shabana conseguirá executar o trabalho e ainda sair viva? A resposta, só assistindo ao filme, muito fraco, aliás. Longo demais, com um elenco de péssimos atores e cenas de ação que podem servir para uma comédia, de tão risíveis. A conclusão é que o diretor Shivan Nair deveria fazer um curso de cenas de ação e coreografias de luta com o diretor sul-coreano John Woo. Enfim, “Shabana” é aquele filme para ficar guardado até virar mofo. Uma verdadeira BOMBAIM!          

sábado, 10 de outubro de 2020

 

“O AFOGAMENTO” (“THE DROWNING”), 2016, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h39m, direção de Bette Gordon. O roteiro, inspirado no livro “Border Crossing” (2001), de Pat Barker, foi escrito por Stephen Molton e Frank Pugliese. A história começa quando o psicólogo Tom Seymour (Josh Charles) e sua esposa Lauren (Julia Stiles) estão fazendo uma caminhada à beira de um lago. De repente, percebem que um jovem se atira na água evidentemente para se matar. Tom mergulha e consegue salvar o rapaz, que, para surpresa do psicólogo, identifica-se como Danny Miller (Avan Jogia), que há 12 atrás, quando tinha 11 anos de idade, foi condenado à prisão depois de cometer um assassinato. Durante o julgamento, Tom foi chamado para depor sobre as condições psicológicas do garoto assassino, chegando à conclusão de que ele deveria ser preso. Tanto tempo depois, Danny sai da cadeia no regime condicional, mas seu comportamento ainda é de um jovem perturbado que precisa urgentemente de auxílio psicológico. Ele passa a assediar a família de Tom, levando o espectador a crer que logo virá a vingança final por parte de Danny. O psicólogo também acredita nessa hipótese e começa a agir como um paranoico, o que afetará até mesmo o seu relacionamento com Lauren. Enfim, você espera que algo de ruim vem por aí, mas somente no desfecho é que acontece. Até lá, é só enrolação. A história até que não é ruim, mas poderia resultar num filme muito melhor se o roteiro fosse mais criativo, indo a fundo no suspense. O ator Avan Jogia foi mal escolhido para o papel de vilão da história. Seu jeito e sua aparência estão mais para um personagem de “Malhação”, tipo um jovem perdido e carente precisando do colo da mãe, e jamais um psicótico. Não há um ator que se destaque, a maioria atuando no piloto automático. Resumo da ópera: como suspense, “O Afogamento” nunca vem à tona.        

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

 

“TRAIDORES” (“TRAITORS”), 2019, Inglaterra, minissérie em seis capítulos, cada um com 47 minutos, produzido para exibição no Channel 4 e recém-chegado à plataforma Netflix. O roteiro foi criado pela escritora Bathsheba Doran, mais conhecida como Bash Doran, com a colaboração de Emily Ballou e Tracey Scott Wilson. Bash Doran também atuou na direção, sendo responsável pelos três primeiros capítulos. Os outros três foram dirigidos por Alex Winckler. A história é um misto de ficção com fatos reais, sendo ambientada em Londres em 1945, logo após o final da Segunda Grande Guerra. A jovem Feef Symonds (Emma Appleton) conseguiu emprego como secretária no gabinete do governo inglês. Em poucos dias, graças ao seu empenho e inteligência, foi promovida para o cargo de analista. Não demorou muito para ela ser contatada por um alto funcionário do Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos (American Office of Strategic) instalado em Londres. Resumindo, Feef passou a espionar para o governo norte-americano, desconfiado de que poderia haver um espião a serviço da Rússia atuando no gabinete do governo inglês (em 1945, o Partido Trabalhista, de tendência socialista, assumiu o governo, causando preocupação para os Estados Unidos de que poderia haver uma influência soviética em terras capitalistas). Enfim, era o início da Guerra Fria, sendo Londres o local onde havia maior mobilização de negociações geopolíticas que definiriam um novo contexto internacional, e que culminariam, inclusive, com a criação do Estado de Israel. Ao mesmo tempo, um grande contingente de espiões de vários países encontravam-se em território inglês para informar o que estava acontecendo aos seus respectivos países. O título “Traidores“ já dá uma ideia do que acontecia naquele período. A jovem Feef passou a viver nesse turbilhão de esquemas sórdidos, intrigas, traições, assassinatos e muita desconfiança. Na verdade, a minissérie demora a engrenar. Em seus três primeiros capítulos, a confusão de personagens pode complicar o entendimento do espectador. Somente a partir do quarto capítulo é que as peças começam a se encaixar e o ritmo aumenta, com alguns bons momentos de ação e suspense. Mas, no geral, não convence, com exceção da primorosa recriação de época e do contexto histórico bastante interessante e esclarecedor. Além de Emma Appleton (ótima!), estão no elenco Brandon P. Bell, Keeley Hawes e Michael Stuhlbarg.        

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

 

 

“MADRAS CAFÉ”, 2013, Índia, 2h13m, direção de Soojity Sircar, seguindo roteiro assinado por Somnath Day, Shubendu Bhattacharya, Juhi Chaturvedi e Tushar Jain. Uma equipe e tanto de Bollywood. O filme é um thriller político com muita ação que relembra um fato histórico ocorrido nos fins dos anos 80 e início dos anos 90 do século passado, ou seja, a guerra civil no Sri Lanka, país insular ao sul da Índia. De um lado, um exército de guerrilheiros intitulados Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE), formado por rebeldes da etnia Tâmei. Trata-se de um grupo separatista fortemente armado responsável por vários atentados à bomba, inclusive o que matou o primeiro-ministro da Índia, Rajiv Ganhi, filho mais velho de Indira. Do outro lado, o exército fiel ao governo de Sri Lanka, apoiado pela Índia. No filme, Vikram Singh (John Abraham), oficial das forças especiais do exército indiano, recebe a missão de descobrir o paradeiro do líder rebelde, Anna Bhaskaran (Ajay Ratnam), e tentar uma negociação de paz. Para isso, conta com a ajuda da jornalista correspondente de guerra Jaya Sahni (Nargis Fakhri). Uma série de eventos atrapalha o trabalho de Vikram, levando-o a descobrir que existe um informante entre os agentes da inteligência indiana. Durante sua missão, Vikram encontra fortes indícios que os rebeldes tâmeis planejam executar um atentado à bomba contra o primeiro-ministro indiano. Muita gente vai morrer pelo caminho, num amontoado de traições, execuções e atentados. O título “Madras Café” refere-se ao local de Londres onde os rebeldes negociam com representantes de países como Estados Unidos Inglaterra e até a Rússia. Enfim, mais um exemplo de como a política pode ser suja e sem escrúpulos, os grandões tentando impor suas vontades pelo mundo afora. A bola da vez era o Sri Lanka. O filme é bastante esclarecedor e até didático ao contar esse episódio histórico tão marcante para Índia e Sri Lanka. Recomendo!          

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

 

“PERDIDA” (“DESAPARECIDA”), 2019, Argentina, 1h43m, roteiro e direção de Alejandro Montiel. Trata-se de thriller policial adaptado do livro “Cornelia”, escrito pela jornalista e romancista policial argentina Florence Etcheves. Ao investigar o caso envolvendo o tráfico de jovens sequestradas para prostituição, a detetive Manuela “Pipa” Pelar (Luisana Lopilato) descobre indícios que podem levá-la a desvendar o misterioso desaparecimento de sua melhor amiga Cornelia Villalba (a bela atriz espanhola Amaia Salamanca) ocorrido há 14 anos. Na época, ainda adolescentes, “Pipa”, Cornelia e mais três amigas, fizeram uma viagem à Patagônia para passear e, durante uma balada, Cornelia acabou desaparecendo. Depois de tantos anos, a polícia encerrou o caso e a família de Cornelia resolveu providenciar o seu enterro, mas para a agora policial “Pipa” o caso não está encerrado. Por conta própria, ela começa as investigações, chegando muito perto da verdade. Muita gente do submundo criminoso, principalmente ligado à prostituição, não vai gostar de uma policial desenterrando um passado que estava quietinho. E, dessa forma, “Pipa” e seus colegas policiais estarão em perigo. Perto do desfecho, uma surpreendente revelação dá um toque especial à história. A atriz argentina Luisana Lopilato, casada na vida real com o cantor canadense Michael Bublé, voltaria a atuar no papel da detetive Manuela Pelar em “Presságio”, de 2020, baseado em outro romance da escritora Florence Etcheves, “La Corazonada”. A adaptação de “Perdida” pode ser encarada como um suspense razoável, com algumas reviravoltas interessantes, mas o resultado final serve apenas com um razoável entretenimento.          

 

“A QUARTA REPÚBLICA” (“4TH REPUBLIC”), 2019, Nigéria, 1h59m, direção de Ishaya Bako, que também assina o roteiro juntamente com Emil Garuba e Zainab Omaki. É mais um bom exemplo do vigoroso cinema nigeriano, também conhecido como Nollywood, hoje o segundo o maior produtor de filmes do mundo, só superado pela Índia (Bollywood) e à frente dos Estados Unidos, em terceiro lugar. Trata-se de um thriller político que retrata de forma realista e contundente como ocorrem as eleições da Nigéria, em meio a fraudes, corrupção generalizada e até assassinatos. No caso, trata-se das eleições para governador do Estado de Kogi, disputadas por Idris Sani (Sani Muazu), que busca a reeleição, e a candidata da oposição Mabel King (Kate Henshaw). Horas após o final das eleições, o local de votação – uma escola - de uma das zonas eleitorais mais importantes sofre um atentado que resultou em várias mortes, uma delas a de Sikirou (Jide Attah), gerente da campanha de Mabel. A escola foi incendiada e ficou totalmente destruída, sendo impossível contabilizar os votos, que, conforme as pesquisas, dariam maioria à candidata oposicionista. O caso terminou na justiça, pois Mabel entrou com ação reivindicando novas eleições e acusando o atual governador pelo atentado. Durante o julgamento, tudo caminhava em favor de Idris, até que um vídeo, feito por um dos sobreviventes do atentado, provocaria uma reviravolta na história. “A Quarta República”, totalmente falado em inglês (a língua oficial da Nigéria), está à disposição na plataforma Netflix desde o dia 13 de junho de 2020. O filme foi produzido com o objetivo de conter a violência eleitoral no país, sendo patrocinado por doações da Fundação John D./Catherine T. MacArthur e da Open Society Initiative for West Africa (OSIWA). Sem dúvida, um filme bastante impactante e esclarecedor, que merece ser conferido.    

sábado, 3 de outubro de 2020

 

“A COMÉDIA DOS PECADOS” (“THE LITTLE HOURS”), 2017, coprodução EUA/Canadá, 1h20m, roteiro e direção de Jeff Baena. A história é baseada no livro de contos “Decameron”, escrito por Giovanni Boccaccio – para nós, Bocage – no século XIV. “A Comédia dos Pecados” é realmente uma comédia, ambientada no ano de 1347 num convento no alto das montanhas na região da Toscana. É lá que se refugia o jovem Masseto (Dave Franco, irmão do ator James Franco), ex-empregado no palácio do Lorde Bruno (Nick Ofterman). Masseto era amante da esposa do lorde, Francesca (Lauren Weedman), e quando o caso foi descoberto, teve que fugir para não ser morto. Masseto ingressou no convento para trabalhar como jardineiro e carpinteiro. Sua chegada causou o maior alvoroço entre as fogosas freiras Fernanda (Aubrey Plaza), Alessandra (Alison Brie) e Ginevra (Kate Micucci). Enquanto isso, a madre superiora (Molly Shannon) desfrutava dos carinhos carnais do padre Tommasso (John C. Reilly). Ou seja, bagunça total que nem mesmo a chegada do bispo Bartolomeo (Faed Armisen) conseguiu frear. Como curiosidade, destaco que o roteirista e diretor Jeff Baena é casado na vida real com a atriz Aubrey Plaza, e o ator Dave Franco com Alison Brie. "A Comédia dos Pecados" brinca entre o sagrado e o profano, misturando alto grau de erotismo e muitas situações hilariantes. Enfim, é um filme picante, que transborda ousadia e irreverência, bem ao gosto e ao estilo de Bocage. Confesso que me diverti bastante com essa comédia, a qual recomendo para esses dias de pandemia, pois acredito que rir ainda é o melhor remédio.                    

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

 

“O SANTO” (“THE SAINT”), 2017, Estados Unidos, 1h31m, direção do diretor russo radicado nos EUA Ernie Barbarash, seguindo roteiro escrito por Jesse Alexander e Tony Giglio. Trata-se de mais um filme com o personagem Simon Templer, “O Santo”, um ladrão sofisticado que trabalha sempre para os mocinhos das histórias, salvando vidas e roubando dinheiro ilícito de bandidos poderosos, um misto de Robin Hood e James Bond. O personagem foi criado pelo escritor britânico Leslie Charles, sendo transformado em filmes desde a década de 30 e adaptado para uma série televisiva nas décadas de 60 e 70 com Roger Moore. Em 1997, “O Santo” ganhou uma nova roupagem com o então astro e hoje decadente Val Kilmer. Nesta recente versão de 2017, o personagem é interpretado pelo ator inglês Adam Rayner. Sua primeira missão é evitar que terroristas comprem uma bomba nuclear dos russos. Em seguida, é contratado por um banqueiro para resgatar a filha que foi sequestrada. O caso envolve o desvio de uma grande soma de dinheiro doada ao governo da Nigéria para ajudar no combate à fome. Em suas missões, o novo “Santo” tem a companhia da charmosa Patrícia Holme (Eliza Dushku), uma especialista em informática e artes marciais. O filme é dedicado à memória do ator Roger Moore, que aparece numa ponta nesta nova versão e que faleceu logo após o fim das filmagens. Com suas mentiras divertidas e  extravagâncias visuais, “O Santo” lembra os filmes com o espião James Bond, garantindo um ótimo entretenimento.                   

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

 

“A LEI DA NOITE” (“LIVE BY NIGHT”), 2016, Estados Unidos, 2h09m, quarto longa-metragem produzido, escrito e dirigido por Ben Affleck, que também atua no papel do principal personagem. O filme, baseado em livro do escritor Dennis Lehane, é todo ambientado na década de 20 do século passado em Boston, onde a criminalidade cresce a cada dia, ainda mais por conta de uma disputa de territórios entre as máfias italiana e irlandesa. É nesse contexto que o fora da lei Joe Coughlin (Affleck) age de forma independente, praticando assaltos, principalmente a bancos. Sua atuação no crime chama a atenção dos chefões mafiosos, que querem recrutá-lo como capanga. Ele recusa os convites, afirmando que não quer ser gângster, apenas um fora da lei, para desconsolo do seu pai, que é nada menos do que o comissário de polícia de Boston, Thomas Coughlin (o ator irlandês Brendan Gleeson). Joe não contava, porém, que iria se apaixonar justamente pela namorada de um poderoso chefão da máfia irlandesa, a fogosa Emma Gould (Sienna Miller). Aí a coisa fica feia e Joe se manda para a Flórida, onde inicia contatos com uma gangue de cubanos responsável pela fabricação clandestina de rum. Aqui, ele se apaixona pela cubana Graciela (Zoë Saldaña), também conhecida como a “Rainha do Rum”, por ser dona do negócio ao lado do irmão. Até o desfecho, Joe voltará a se encontrar com os mafiosos italianos e irlandeses para um novo banho de sangue. Ainda estão no elenco Chris Cooper (xerife Figgis) e Elle Fanning (Loretta). Além de atuar, escrever e dirigir, Ben Affleck ainda é um dos produtores, ao lado, entre outros, de Leonardo DiCaprio. Achei o filme bastante interessante não só esteticamente, ressaltando sua fotografia e a recriação de época, mas também como retrato de uma época que marcou a história dos Estados Unidos, incluindo como personagem a famigerada Ku Klux Klan. “A Lei da Noite” tem muita ação, tiros, pancadarias e ótimas perseguições em alta velocidade nas ruas e estradas – relevando-se, é claro, o limite daqueles carros antigos. Enfim, um bom programa para quem aprecia, como eu, filmes de gângsters.                     


“A CASA” (“HOGAR”), 2019, Espanha, 1h29m, à disposição na plataforma Netflix desde o dia 25 de março de 2020, roteiro e direção dos irmãos David e Àlex Pastor. Trata-se de um suspense psicológico centrado no personagem de Javier Muñoz (Javier Gutiérrez), um publicitário de meia idade que está desempregado há um ano. Ele era um profissional muito conceituado em Barcelona, mas agora não consegue trabalho num mercado dominado pela informática e pelos publicitários jovens. Nas entrevistas, dão a entender que ele está ultrapassado. Por mais que se sinta humilhado, ele chega em casa e esconde a situação da esposa Marga (Ruth Días), tentando convencê-la de que tudo logo voltará ao normal. Só que a realidade não perdoa. O casal e o filho adolescente são obrigados a sair do apartamento de alto padrão para ir morar num bem mais simples. Aos poucos, a situação começa a afetar a cabeça de Javier e a frustação se transforma numa espécie de psicopatia, levando-o a cometer os mais variados atos de insanidade. Para começar, ele passa a vigiar o antigo apartamento para conhecer os novos e privilegiados moradores, no caso o empresário Tomás (Mario Casas), a esposa Lara (Bruna Cusi), a esposa Lara (Bruna Cusi) e a filha Mónica. A inveja cresce e então Javier, em total desequilíbrio mental, bola um plano diabólico para se infiltrar naquela família e se vingar. “A CASA” é mais um excelente exemplar do cinema espanhol no gênero suspense. É um filme bastante incômodo e perturbador. Dentro desse contexto, é obrigatório destacar a atuação do veterano Javier Gutiérrez, um dos atores de maior renome na Espanha. Resumo da ópera: um filmaço!  



                  

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

 

“OBSESSÃO SECRETA” (“SECRET OBSESSION”), 2019, Estados Unidos, produção e distribuição Netflix, 1h37m, direção de Peter Sullivan, que também assina o roteiro ao lado de Kraig Wenman. É o tipo de filme difícil de comentar para não estragar as surpresas ao longo da história. Infelizmente, o trailer oficial e alguns comentários de críticos que vi na Internet entregam alguns detalhes que deveriam permanecer escondidos. Trata-se de um suspense psicológico cuja cena inicial mostra o atropelamento de uma jovem que logo é socorrida e levada para o hospital. Identificada como Jennifer Allen Williams (Brenda Song), ela acorda completamente desmemoriada. Não se lembra quem é e nem como o acidente aconteceu. Ela é recém-casada com Russell Williams (Mike Vogel), que não arreda pé do quarto do hospital, dando a maior força para a esposa. Enquanto isso, o detetive Frank Page (Dennis Haysbert) continua investigando a causa do acidente e, aos poucos, acaba percebendo que alguma coisa não se encaixa na história. Paro por aqui para não revelar algum detalhe que possa estragar o desfecho. De qualquer forma, relevando-se um ou outro defeito e alguns clichês, dá para curtir esse suspense numa boa.  Talvez seja o caso de rotulá-lo como um exemplar genérico, um pouco longe dos melhores suspenses. Resumo da ópera: você não vai sair da poltrona e aplaudir no final, mas também não vai reclamar que perdeu tempo ao assistir.                

domingo, 27 de setembro de 2020

“ENOLA HOLMES”, 2020, Inglaterra, 2h03m, produzido e distribuído pela Netflix, direção de Harry Bradbeer, com roteiro de Jack Thorne. Antes de entrar no comentário, vou contar os antecedentes que resultaram na realização do filme. Em 2006, a escritora norte-americana Nancy Springer lançou o primeiro livro de uma série de seis, no qual criou a personagem Enola Holmes, a irmã mais nova do famoso detetive inglês Sherlock Holmes, que não existia nas histórias originais escritas por Arthur Conan Doyle. A série de livros criou uma confusão danada, começando com um processo de direitos autorais por parte do Conan Doyle State, o espólio do escritor inglês. A disputa jurídica continua, mas o que interessa agora é comentar o filme, uma adaptação do primeiro livro da série, “Enola Holmes: O Caso do Marquês Desaparecido”. No filme, Enola (Millie Bobby Brown) é uma jovem de 16 anos que ainda mora com a mãe Eudoria Holmes (Helena Bonham Carter). Enola foi criada para ser independente, tanto que o seu nome foi escolhido por Eudoria porque, ao contrário, significa  “Alone”. Com a mãe, ela aprendeu artes marciais, manuseio de armas, montagem de explosivos etc., tudo para se defender sozinha pela vida afora. Quando Eudoria some de casa misteriosamente, Sherlock (Henry Cavill) e Mycroft (Sam Claflin), os irmãos mais velhos, voltam para casa com a intenção de enviar a irmã mais nova para um internato. Com sua rebeldia sempre à flor da pele, Enola resolve fugir e investigar o que aconteceu com sua mãe. Daí para a frente ela se envolve numa aventura sem fim, de início com o jovem marquês de Tewkesbury (Louis Partridge), ambos fugindo de um sanguinário assassino. Depois, Enola segue pelas ruas de Londres enfrentando novos perigos. Enola, portanto, é o principal personagem do filme, colocando o irmão Sherlock em segundo plano. “Enola Homes” encanta e diverte com seu frenético ritmo de aventura juvenil, capaz de agradar a todas as idades. Sem contar com a primorosa direção de arte, capaz de recriar a época com caprichados figurinos e cenários de época, o grande destaque é realmente a ótima atuação da talentosa atriz inglesa Millie Bobby Brown, que ganhou projeção com seu personagem “Onze” na série “Stranger Things”. Para concluir, “Enola Holmes” é um delicioso divertimento, escrito e dirigido com muito criatividade. IMPERDÍVEL!               

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

 

“MUITO AMOR PRA DAR” (“CORAZÓN LOCO”), 2020, Argentina, 1h48m, disponível no catálogo Netflix desde o dia 9 de setembro de 2020, direção de Marcos Carnevale, que também assina o roteiro ao lado de Adrián Suar, também o ator principal do filme. Trata-se de uma saborosa e divertida comédia centrada no médico ortopedista Fernando Ferro (Suar), que logo no começo é apresentado como um homem com o coração enorme. Afinal, ele tem tanto amor para dar que mantém dois casamentos ao mesmo tempo. Ou seja, um bígamo de primeira. Ele mora em Mar Del Plata e é casado há 19 anos com Paula (Gabriela Toscano) e tem duas filhas adolescentes. Em Buenos Aires, onde trabalha num hospital público, ele é casado há 9 com sua colega também médica Vera (Soledad Villamil), com quem tem um filho. A história é quase toda dedicada aos estratagemas de Fernando para contornar sua inusitada condição de bígamo. É dentro desse contexto maluco que acontecem as situações mais engraçadas do filme. Até quando Fernando conseguirá enganar as duas esposas? Posso responder lembrando a velha expressão “Mentira tem perna curta”. A comédia argentina é bastante divertida. Nenhuma surpresa em se tratando do diretor Marcos Carnevale, responsável por outras excelentes comédias, entre as quais “Elsa & Fred: Um Amor de Paixão”, “Coração de Leão: O Amor não tem Tamanho” e “Inseparáveis”, só para citar algumas.        

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

 

“REMÉDIO AMARGO” (“ELPRACTICANTE” – nos países de língua inglesa ficou “The Paramedic”), 2020, Espanha, 1h34m, disponível no catálogo Netflix desde o dia 16 de setembro de 2020. A direção é assinada por Carles Torras, que teve a ideia da história, que virou roteiro nas mãos de David Desola e Hèctor Hernández Vicens. Trata-se de um thriller repleto de suspense que prende a atenção do começo ao fim. Durante um atendimento emergencial à noite, a ambulância que transporta o paramédico Ángel Hernández (Mario Casas) e um paciente colide violentamente com um caminhão. Resultado: Ángel fica paraplégico. Quando volta para casa numa cadeira de rodas, ele fica aos cuidados de sua namorada Vane (a atriz belga Débora François). Aos poucos, porém, Ángel começa a se comportar de maneira estranha, assumindo um lado violento e psicótico. Sua primeira vítima será o cachorro do vizinho que não o deixa dormir. Ángel também é acometido de um ciúme doentio pela namorada, que logo vira obsessão. Vane não aguenta mais a situação e abandona o namorado. Algum tempo depois, Ángel descobre que Vane está envolvida com outra pessoa e resolve se vingar. Claro que não vou contar o resto para não estragar as surpresas que o filme reserva. O diretor Carles Torras acerta ao criar um clima de tensão e suspense até o desfecho, para o qual ficou reservada uma surpreendente reviravolta. O ator espanhol Mario Casas, normalmente aproveitado em papéis de galã, talvez tenha feito o seu melhor trabalho no cinema. Ele atua com expressões que realmente remetem a um psicopata. Claro que o nome do seu personagem, Ángel (Anjo), é uma óbvia ironia. A bela atriz belga Débora François também está ótima. Para quem é chegado num bom suspense, “Remédio Amargo” proporciona um excelente programa.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

 

 

“LINHA DE AÇÃO” (“BROKEN CITY”), 2013, Estados Unidos, 1h49m, direção de Allen Hughes e roteiro de Brian Tucker (disponível no catálogo da Netflix). Trata-se de um suspense policial com fundo político, tendo como principal trunfo o elenco de primeira: Mark Wahlberg, Russell Crowe, Catherine Zeta-Jones, Alona Tal, Natalie Martinez, Jeffrey Wright, Barry Pepper e Kyle Chandler. Às vésperas da eleição para a prefeitura de Nova Iorque, o ex-policial e agora detetive particular Billy Taggart (Wahlberg) é contratado pelo prefeito Nicholas Hostetler (Crowe) para seguir sua esposa Cathleen (Zeta-Jones), que supostamente o estava traindo, e também descobrir quem é o amante. Candidato à reeleição, Hostetler teme que a traição da mulher acabe chegando à mídia, o que ocasionaria um escândalo capaz de prejudicar sua candidatura. O pior de tudo é que o suspeito de ser o amante de Cathleen é Paul Andrews (Chandler), o principal conselheiro político do outro candidato, o vereador Jack Valliant (Pepper). Ao longo de suas investigações, o detetive descobre que as intenções do prefeito não são exatamente aquelas que afirmou quando o contratou. Em meio a toda essa confusão, um assassinato misterioso coloca mais molho na história. Quando estreou, “Linha de Ação” não foi muito bem de bilheteria, apesar dos astros do elenco. A crítica especializada massacrou o roteiro, que, apesar de algumas reviravoltas interessantes, realmente ficou devendo por mais confundir do que esclarecer. De qualquer forma, é um programa interessante. Não mais do que isso.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

 

“À QUEIMA-ROUPA” (“POINT BLANK”), 2019, Estados Unidos, 1h27m, à disposição no catálogo Netflix, direção de Joe Lynch, seguindo roteiro assinado por Adam G. Simon, que se inspirou no filme de grande sucesso em 2010, “A Bout Portant”, escrito e dirigido por Fred Cavayé. Mais um filme de ação que utiliza a fórmula bem-sucedida de dois personagens trabalhando em dupla, geralmente policiais, que nos anos 80 teve como maior expoente “Máquina Mortífera”, com Mel Gibson e Danny Glover, que bateu recordes de bilheteria e ganhou algumas sequências. No caso de “À Queima-Roupa”, porém, a dupla é inusitada. Um é o enfermeiro Paul Booker (Anthony Mackie) e o outro Abe Guevara (Frank Grillo), um marginal em fuga depois de ser acusado de um crime que diz não ter cometido. Ambos se conhecem em meio à perseguição policial que termina com a prisão de Guevara, que, ferido, é internado, sob escolta policial, no hospital onde Booker trabalha como enfermeiro. Para convencê-lo a ajudar o irmão a fugir do hospital, Mateo Guevara (Christian Cooke) sequestra a esposa de Booker, grávida de 9 meses. Enquanto isso, a detetive Regina Lews (a ótima Marcia Gay Harden) comanda a investigação na base da violência, que fica ainda pior quando ela fica sabendo que Abe possui um vídeo com provas que incriminam alguns policiais, inclusive ela, dos crimes de corrupção e assassinato. A confusão ainda terá a participação de “Big D” (Markice Moore)”, o chefão de uma poderosa gangue envolvida no tráfico de drogas. Além de bandidão, “Big D” tem o sonho de ser cineasta, o que acaba gerando ótimas sequências de humor. “À Queima-Roupa” tem algumas boas cenas de ação, uma história razoável e um bom elenco, mas não dá para levar muito a sério, ou seja, pode ser visto sem a preocupação de gastar os neurônios.         

sábado, 19 de setembro de 2020

 

“O DIABO DE CADA DIA” (“THE DEVIL ALL THE TIME”), 2020, Estados Unidos, disponível no catálogo Netflix, 2h18m, roteiro e direção de Antonio Campos. Trata-se da adaptação para o cinema do romance “The Devil All The Time”, escrito por Donald Ray Pollock em 2011, aclamado pela crítica literária norte-americana como um dos melhores livros lançados naquele ano. É um drama bem pesado, cujos principais personagens colocam em prática uma maldade advinda do próprio Diabo, entre as quais um ex-soldado que se transforma num fanático religioso, um pastor que mata a mulher para tentar depois ressuscitá-la,  um casal perverso que mata jovens depois do ato sexual fotografado, um pastor que, “em nome do Senhor”, transa com jovens “ovelhas”, um xerife corrupto e assassino etc. Enfim, uma coletânea que representa o que de pior existe nos seres humanos. O filme até que poderia se chamar “O Mal está em todo lugar”. Do começo ao fim, um locutor em off narra a história sob o ponto-de-vista de cada personagem. A trama é ambientada entre o final da Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, envolvendo pessoas e famílias residentes nas regiões interioranas de Knockemstiff (Ohio) e Coalcreek (Virgínia). A história é toda centrada no jovem Arvin Russel (Tom Holland) e seus traumas de infância. Ele é o único personagem a se envolver em quase todas as situações. “O Diabo de Cada Dia” é um filme muito interessante e bem desenvolvido, mas apresenta inúmeras sequências que podem chocar o espectador mais sensível. Conta ainda com um elenco de primeira. Além de Tom Holland (o Homem-Aranha da Marvel), atuam Riley Keough, Robert Pattinson, Mia Wasikovska, Jason Clarke, Bill Skarsgard, Halley Bennett, Eliza Scanlen, Sebastião Stan e Harry Melling.  Este é o quarto longa-metragem escrito e dirigido por Antonio Campos, filho do jornalista brasileiro Lucas Mendes. Com “O Diabo de Cada Dia”, Antonio começa a ser reconhecido como um cineasta de muito talento, com estilo próprio e diferenciado. Imperdível!       

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

“OFERENDA À TEMPESTADE” (“Ofrenda a La tormenta”), 2020, Espanha, 2h14m, roteiro e direção de Fernando González Molina. Trata-se do terceiro e último filme da trilogia “Baztán”, baseada na obra da escritora espanhola Dolores Redondo. Como nos dois primeiros, a inspetora de polícia Amaia Salazar (Marta Etura) é deslocada para a região de Baztán, onde está localizada sua cidade-natal Elizondo, para investigar uma série de desaparecimentos de bebês recém-nascidos. A primeira cena do filme é chocante. Um homem aparece sufocando um bebê no berço com um urso de pelúcia. Haja estômago. À medida em que as investigações prosseguem, Amaia acabará se defrontando com muitos mistérios, quase todos envolvendo seitas secretas, rituais de ocultismo e lendas locais, além de membros de sua própria família, que desde o primeiro filme aparecem como suspeitos na história. “Oferenda à Tempestade” repete a estética visual de “O Guardião Invisível” e de “Legado nos Ossos”, os dois primeiros, utilizando uma fotografia em tons escuros, muitas cenas noturnas e chuva incessante. O elenco é praticamente o mesmo, com um ou outro personagem novo e uma das poucas novidades é a mudança de comportamento de Amaia, que se transforma de uma policial corajosa e mandona para uma mulher com sentimentos à flor da pele, aparecendo em muitas cenas aos prantos. Apesar da reviravolta surpreendente no final, “Oferenda à Tempestade” é mais do mesmo, consolidando a opinião de que a trilogia talvez ficasse melhor se fosse condensada em apenas um filme. Trocando em miúdos, o resultado final é uma decepção.

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