Confesso que conheço muito pouco do
cinema da Estônia. Devo ter assistido a alguns e lembro de dois em especial,
muito bons aliás: “Tangerinas” e “Na Ventania”, ambos de 2014 e comentados no meu blog. Embora a
produção cinematográfica do país báltico seja bastante acanhada – de dez a
vinte filmes por ano -, alguns de seus filmes são consagrados pela crítica
especializada e premiados em festivais pelo mundo afora. O drama “TEESKELEJAD” (2016), primeiro longa do
diretor Vallo Toomla, por exemplo, foi selecionado para ser exibido na programação
oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián (Espanha), um dos
mais importantes do mundo cinematográfico. O filme é um drama bastante pesado, com
pitadas de suspense, envolvendo o casal Anna (Mirtel Pohla) e Juhan (Príít
Vöigemast). Em crise no casamento, eles combinam passar um final de semana
sozinhos para tentar uma reconciliação. Um amigo do casal empresta uma casa
bastante confortável à beira do mar. A gente logo percebe que a situação só
tende a piorar, principalmente pelo comportamento irascível de Anna. Se a
relação já não está boa, fica pior ainda quando Anna, sem o consentimento de
Juhan, convida Erik (Meelis Rämmeld) e Trin (Mari Abel), um casal de
mochileiros, para usufruir da casa e aproveitar de todas as suas mordomias. Anna
continua insuportável e decide lavar a roupa suja na frente dos dois convidados, humilhando o
marido, o que ajuda o clima a ficar ainda mais pesado, até chegar à fase de
agressões mútuas e até tentativa de assassinato. Aí o suspense rola solto, com uma boa dose de violência. Sem muito
apelo comercial, o filme certamente não chegará por aqui, a não ser, quem sabe,
em DVD. Por isso, não há um título disponível em português (a tradução literal
é “Professores”, que não tem nada a ver com a história – nos países de língua
inglesa, o título ficou “Pretenders”, que também não tem nada a ver). O filme é
mais interessante do que bom. De qualquer forma, vale a pena conferir.
sábado, 23 de junho de 2018
quinta-feira, 21 de junho de 2018
“O
CADERNO DE SARA” (“El Cuaderno de Sara”), produção Netflix (estreou dia 29 de maio de 2018), direção
de Norberto López Amado (“La Decisión de Júlia”), com roteiro de Jorge
Guerricaechevarria. Muita aventura, suspense e ação nesta ótima produção
espanhola de 2018. A história é centrada na advogada Laura Alonso (a ótima
atriz espanhola Belén Rueda), que há dois anos não tem notícia da irmã Sara (Marián
Ávarez), que saiu de Madrid para participar de um projeto humanitário de uma
Ong na República Democrática do Congo, um dos países mais violentos da África
Central. Depois de tanto tempo sem notícia, a família de Sara já estava
acreditando que ela só poderia estar morta. A esperança disso não ter
acontecido veio por intermédio de uma foto publicada num jornal espanhol onde
Sara aparece viva num acampamento de de uma milícia de rebeldes. Foi o
suficiente para Sara arrumar as malas e partir para o Congo a fim de resgatar a
irmã, com a ajuda de uma equipe de jornalistas e com a proteção de soldados das
forças de paz da ONU. Mesmo com toda essa retaguarda, Sara enfrentará muitos
perigos pelo caminho, arriscará sua vida e verá muita violência e assassinatos.
Enfim, conhecerá a realidade de um país pobre e em constante conflito. Descobrirá também que todos brigam, na
verdade, não por uma ideologia política, mas por pura ganância, ou seja, a
conquista das minas de coltan, do qual se extrai minerais valiosos como o
nióbio e o tântalo. O filme teve locações na República de Uganda e na Ilha de
Tenerife. As cenas são bastante realistas, algumas muito fortes, a história tem
muita ação e suspense, fazendo desta produção espanhola um ótimo programa na telinha.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Fantasmas, muitos sustos, humor na dose
certa e uma boa história, por incrível que pareça baseada em fatos reais. Todos
esses ingredientes estão no ótimo “A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER” (“Winchester”),
2018, EUA/Austrália, uma grata surpresa no gênero terror. Escrito e dirigido
pelos irmãos Peter e Michael Spierig (“Jogos Mortais: Jigsaw”, “O Predestinado”
e “Canibais”), o filme conta a história incrível de Sarah Winchester (Helen
Mirren), que no início do Século XX, com a morte do marido, virou herdeira da lendária fábrica de armas e encarregada de tocar o negócio. Sua capacidade de gestão, porém, é
contestada pelo conselho administrativo da empresa, depois que ela passou a gastar milhões para reformar uma mansão com mais de 700 portas, alegando que era para prender os
fantasmas, a maioria deles vítimas das armas fabricadas pela empresa. O conselho
decide contratar o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke) para elaborar um laudo
psicológico de Sarah. A chegada do médico à mansão, juntamente com Marion
Marriott (Sarah Snook), sobrinha da viúva, desencadeia uma série de
acontecimentos sobrenaturais, incluindo a aparição de fantasmas, objetos se
movimentando sozinhos etc., garantindo muitos sustos e proporcionando uma ótima
diversão. Fazia tempo que eu não assistia um filme de terror tão bom. Quem gosta do
gênero vai curtir do começo ao fim. Imperdível!
terça-feira, 19 de junho de 2018
“ISTO
SÓ A MIM!” (“Retour Chez Ma Mère”), 2016,
França, 1h37m, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”).
Trata-se de uma comédia despretensiosa e muito agradável de assistir, com
ótimos diálogos bem-humorados e situações muito engraçadas. Enfim, tudo o que uma
boa comédia deve proporcionar. A arquiteta Stéphanie (Alexandra Lami) perde o
emprego e fica sem grana para pagar o aluguel. Diante da situação, é obrigada a
voltar a morar com a mãe, Jacqueline Mazerin (Josiane Balasko). Só que não sabe
que Jacqueline está tendo um caso com o vizinho Jean (Didier Flamand). Com a
filha morando com ela, Jacqueline terá que inventar tudo que é truque para
encontrar com o namorado. Stéphanie acaba notando que o comportamento da mãe
está muito esquisito e começa a desconfiar que ela está com Alzheimer. Aí a
confusão está armada e fica pior ainda quando Jacqueline reúne Stéphanie e seus
dois outros filhos, Nicolas (Philippe Lefebvre) e Carole (Mathilde Seigner),
para um jantar em família, durante o qual pretende contar sobre seu romance com Jean. O relacionamento entre os irmãos nunca foi muito bom, e a roupa suja vai ser lavada justamente durante o jantar, para desespero de Jacqueline. Na sua segunda metade, o filme perde um pouco o tom de comédia, mas sem prejudicar o resultado final. Trata-se, portanto, de um ótimo entretenimento. O que
destoou, na verdade, foi a tradução que escolheram para o título em português, que
não quer dizer nada, pois o título original, em tradução literal, é “De Volta a
Casa da Minha Mãe”.
segunda-feira, 18 de junho de 2018
“A
BOA ESPOSA” (“DOBRA ZENA”), 2016,
coprodução Sérvia/Bósnia/Croácia, é um excelente drama cujo maior destaque é a magistral
atuação da veterana atriz sérvia Mirjana Karanovic, que também é a roteirista e
diretora do filme – é o seu primeiro longa-metragem nessa dupla função. Mirjana está na pele de Milena, uma dona de casa dedicada totalmente à família.
Sua rotina não muda há anos: preparar e servir o café da manhã, fazer faxina,
cozinhar, lavar, passar e ainda, à noite, atender aos desejos sexuais de Vlada
(Boris Isakovic), o marido, um ex-oficial do exército sérvio com papel marcante
na guerra civil que atingiu a Iugoslávia na metade da década de 90. Numa
consulta de rotina, Milena descobre que está com um tumor no seio. Para piorar,
numa faxina que fez no porão da casa, ela acha uma antiga fita VHS escondida entre
vários objetos. Ao projetá-la, Milena dá de cara com terríveis cenas de tortura
e assassinato nas quais o marido aparece com destaque. E agora, o que “a boa
esposa” fará a respeito? Deixo a resposta em aberto para quem quiser descobrir este
grande filme. Só para ilustrar meu comentário, por esse filme Mirjana foi
eleita a melhor atriz do Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Imperdível!!
domingo, 17 de junho de 2018
Representante oficial da Noruega na disputa
do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “THELMA”
é um misto de drama, suspense, terror psicológico e romance. A história é
centrada na jovem Thelma (Eili Harboe), que sai de sua cidadezinha no interior
para estudar Biologia na capital Oslo. Morando sozinha pela primeira vez, longe
da opressão da família religiosa e conservadora, Thelma terá que conviver com os fenômenos
sobrenaturais que a acompanham desde criança e que ocasionaram uma tragédia na
família. Quando está chateada, Thelma sofre ataques de epilepsia que nem os
médicos conseguem descobrir a causa. De vez em quando, uma energia incontrolável toma conta dela, o que a faz atrair pássaros e cobras. Em Oslo, a jovem conhecerá o sexo pela
primeira vez com Anja (Kaya Wilkins), sua colega de classe, pela qual se
apaixona. O filme, escrito e dirigido por Joachim Trier, o mesmo de “Mais Forte
que Bombas” e “Oslo, 31 de Agosto”, é bastante interessante, chegando a ser
comparado pelos críticos ao clássico do terror “Carrie, A Estranha”, de 1976. Recomendo.
sábado, 16 de junho de 2018
Produção original da Netflix, “DÍVIDA PERIGOSA” (“The Outsider”)
estreou no dia 9 de março de 2018. Como as demais produções assinadas pela
Netflix, dificilmente chegará a ser exibida no circuito comercial. É um filme
de gângsters, no caso pertencentes à temida máfia japonesa Yakuza da cidade de
Osaka. A história é ambientada no início da década de 50, ou seja, logo após a
2ª Guerra Mundial. O personagem central é Nick Lowell (Jared Leto), um oficial
do exército norte-americano que está preso numa penitenciária japonesa desde o
final da guerra. Na prisão, Nick faz amizade com Kyoshi (Tadanobu Asano),
membro da Yakuza, a quem ajuda num plano de fuga. Ao ser libertado, Nick é
convidado por Kyoshi a ingressar na organização criminosa e logo cai nas graças
do chefão Akihiro (Min Tanaka), causando inveja a outros integrantes da “família”,
que o chamam de “gaijin” (estrangeiro).
Para ser aceito na organização, Nick é obrigado a passar por alguns testes
bastante dolorosos, além de mostrar coragem em várias situações de perigo, uma
delas ao namorar a bela Miyu (Shioli Kutsuna), justamente a irmã mais nova de
Kyoshi. E, pior, ex-namorada de um membro nada simpático da Yakuza. No meio de
toda essa confusão, uma guerra pelo comando de Osaka é declarada entre a “família”
de Nick e outra igualmente poderosa. A partir daí, muita violência explícita, tiros
e gargantas cortadas. Para quem gosta do gênero, o filme pode agradar em cheio.
O ator norte-americano Jared Leto, mais conhecido a partir do Oscar de Melhor
Ator Coadjuvante em 2014 pelo personagem de um travesti em “Clube de Compras
Dallas”, passa o filme falando pouco, trabalhando apenas com olhares e tentando
dar uma de macho o tempo inteiro, o que não combina muito com sua carinha de
bom menino. A despeito das críticas pouco elogiosas, confesso que gostei do
filme, achei muito bem feito e com bastante ação. Méritos para o roteirista e
diretor dinamarquês Martin Peter Sandvliet, o mesmo do espetacular “Terra de
Minas”. Aproveitando a ocasião, termino meu comentário com uma informação
bastante interessante. O nome Yakuza foi criado a partir da sequência numérica
8-9-3 (Ya-Ku-Za), considerada a pior do baralho típico japonês, similar ao Blackjack.
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Baseado em fatos reais, o drama francês “CARBONE”, 2017, relembra um dos
maiores golpes financeiros aplicados na Europa a partir da França, que ficaria famoso como “A
Fraude do Século”. Aconteceu entre os anos de 2008 e 2009, quando o empresário francês
Antoine Roca (Benoît Magimel), afundado em dívidas e prestes a decretar a
falência de sua empresa, teve a ideia de um esquema que lesou a França e a
União Europeia em milhões de euros. Antoine, assessorado tecnicamente por seu
contador, estabelecia empresas de fachada e, por intermédio delas, comprava créditos
de carbono (CO2) de empresas no Exterior com isenção de impostos. Depois,
vendiam esses créditos pelo mesmo preço, mas cobrando impostos. Com o lucro
garantido, eles providenciavam o imediato fechamento das tais empresas. Tudo
isso é muito complicado de entender no filme, mas foi mais ou menos isso que eu
consegui captar. Para conseguir dinheiro para colocar em prática seu plano
diabólico, Antoine contraiu um grande empréstimo de um poderoso e violento
mafioso árabe, Kamel Dafri (Moussa Maaskri). Este seria seu maior erro, além da
sociedade que fez com dois irmãos de uma família judia, um deles completamente
irresponsável e sempre drogado. Antoine poderia ter obtido um financiamento com
seu sogro, o milionário Aron Goldstein (Gérard Depardieu), mas este exigiu em
troca ficar com a guarda definitiva do neto, condição negada por Antoine. Em
meio a toda essa situação, o filme envereda pelo caminho do suspense policial violento,
gênero que o roteirista e diretor Olivier Marchal domina com muita competência,
basta lembrar dos ótimos “Não Conte a Ninguém” e “Pacto de Sangue”. Resumo da
ópera: “Carbone” é um bom entretenimento, embora exija um grande esforço por
parte dos neurônios. E mais: Benoît Magimel é um senhor ator.
terça-feira, 12 de junho de 2018
Eu já era fã de carteirinha da atriz
Annette Bening. Sempre a achei uma das melhores. Minha admiração cresceu ainda mais depois de
assistir ao drama inglês “ESTRELAS DE
CINEMA NUNCA MORREM” (“Film Stars don’t
Die in Liverpool”), 2017. Annette vive a atriz norte-americana Gloria
Grahame (1923-1981) em seus últimos anos de vida, quando namorou o jovem ator
inglês Peter Turner (Jamie Bell), muitos anos mais moço. Pois foi justamente Turner
quem escreveu o livro de memórias que serviu de base para o roteiro do filme,
escrito por Matt Greenhalgh. Ou seja, a história é totalmente baseada em fatos
reais, destacando a paixão que uniu uma veterana atriz esquecida e um jovem ator promissor. Dirigido com sensibilidade pelo diretor escocês Paul McGuigan (“Victor
Frankenstein”), o filme traz Annette mais uma vez em estado de graça numa
atuação deslumbrante. O ator inglês Jamie Bell, que ficou conhecido por seu trabalho no ótimo “Billy Elliot”, de 2000, dá conta do recado como o namorado apaixonado da atriz decadente. Só para
lembrar, Gloria Grahame foi uma atriz de grande sucesso em Hollywood nas décadas
de 40 e 50, quando atuou em filmes como “A Felicidade não se Compra”, “No
Silêncio da Noite” e “Assim Estava Escrito”, pelo qual ganhou, em 1953, o Oscar
de Melhor Atriz Coadjuvante.
domingo, 10 de junho de 2018
“LOU”
(“Lou Andreas-Salomé”),
Alemanha/Áustria, 2016, marca a estreia no roteiro e direção de Corula
Kablitz-Post, mais conhecida como diretora de documentários para a TV alemã. O
filme, baseado em fatos reais, conta a história da psicanalista, filósofa e
romancista Lou Andreas-Salomé, russa nascida em São Petersburgo numa família
abastada e que desde jovem era fanática pelos filósofos gregos, os quais
estudou a fundo. Lou era uma mulher fascinante, muito à frente do seu tempo. Despertou
paixões e foi amante de homens como os filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée,
assim como do poeta Rainer Maria Rilke. Como psicanalista, influenciou ninguém
menos do que Sigmund Freud, de que foi aluna, amiga e colaboradora. O roteiro é
baseado nas memórias de Lou, que resolveu, aos 72 anos, já bastante doente, contar
todos os detalhes ao jovem filólogo Ernest Pfeiffer. O elenco é ótimo:
Katharina Lorenz (Lou adulta), Nicole Heesters (Lou idosa), Liv Lise Fries (Lou
jovem), Phlipp Haub (Pau Rée), Julius Feldmeier (Rilke), Alexander Scheer
(Nietzsche), Merab Ninidze (Friedrich Carl Andreas), Mattias Lear (Ernest Pfeiffer) e Harald Schrott (Freud). O
filme é excelente, e nem mesmo os inúmeros diálogos de muita erudição e
citações filosóficas conseguem prejudicar o ritmo, sem em nenhum momento cair na monotonia. A recriação de época, incluindo os figurinos, é primorosa. Para quem gosta de exercitar os
neurônios e ampliar o seu nível de cultura, “Lou” é um filme simplesmente
imperdível. sábado, 9 de junho de 2018
A atriz Jennifer Lawrence comanda o elenco
de “OPERAÇÃO RED SPARROW” (“Red Sparrow”), ano de produção 2017, EUA. Elenco,
aliás, dos mais estrelados: Joel Edgerton, Jeremy Irons, Charlotte Rampling,
Matthias Schoenaerts, Ciarán Hinds, Mary-Louise Parker, Thekla Hauten e Joely
Richardson. É um filme de espionagem baseado no romance “Red Sparrow”, escrito
por Jason Mathews, um ex-agente da CIA que resolveu ser escritor. O livro foi
adaptado para o cinema pelo roteirista Jason Mathews e a direção ficou a cargo
de Francis Lawrence, que não é parente da Jennifer e a dirigiu nos três filmes
da Saga “Jogos Vorazes”. Vamos à
história. Depois de sofrer um grave acidente em pleno palco, Dominika Egorava
(Jennifer), primeira bailarina do Bolshoi, vê sua carreira interrompida. Seu
tio Ivan Egorov (o ator belga Schoenaerts), um importante oficial do serviço
secreto russo, convence Dominika a ingressar numa escola de espiões chamada “Red
Sparrow”. Em contrapartida, ele se compromete a cuidar da mãe doente de
Dominika (Joely Richardson). Dominika se sobressai nos testes na escola e logo
é designada para uma importante missão: descobrir a identidade de um informante
que trabalha para a CIA. Ela terá que enfrentar Nathaniel Nash (Edgerton), um espião
norte-americano com larga experiência em terreno russo. Embora tenha mais blá-blá-blá
do que ação, o filme é bastante violento e tem muitas cenas de sexo, inclusive
com Jennifer Lawrence, que deixou de lado a heroína juvenil de “Jogos Vorazes”
para se transformar numa espiã voraz em sexo. Ela também aparece nua, comprovando
plenamente sua fama de mulherão. Com uma reviravolta surpreendente no desfecho,
o filme consegue prender a atenção do espectador, tornando-se um bom programa
para uma sessão da tarde.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
“ADEUS
ÍNDIA” (“VICEROY’S HOUSE”),
2017, coprodução Inglaterra/Índia, direção de Gurinder Chadha, é um drama
histórico, baseado em fatos reais, contando os bastidores de como se deu a
transição da Índia britânica para a sua independência, depois de 200 anos de
domínio imperial inglês. O filme é ambientado em 1947, quando Lord Louis
Mountbatten, bisneto da Rainha Vitoria, é designado para ocupar o cargo de último
Vice-Rei da Índia e, como tal, encarregado de administrar todo o processo de
transição, o que o levou a uma série de negociações com os líderes locais,
incluindo até o honorável Gandhi. Difícil a sua tarefa, pois os muçulmanos não
concordavam em viver com os hindus na Índia e, portanto, queriam a criação de
um outro país, o Paquistão. Para conseguir realizar o seu trabalho Mountbatten (Hugh
Bonneville) conta com o apoio incondicional de sua esposa Edwina (Gillian
Anderson) e de sua filha Pamela (Lily Travers). Mountbatten bem que tentou
apaziguar os envolvidos, mas logo verá que é impossível acabar com um ódio que
vem de séculos (vide palestinos e judeus). Lançado no Festival de Cinema de
Berlim, o filme foi massacrado pela crítica especializada. Eu gostei. Achei a
produção impecável sob o ponto de vista histórico, além de um visual
deslumbrante – os cenários são espetaculares – e uma primorosa recriação de
época, destacando-se, principalmente, os figurinos. Não tenho dúvida em
recomendar.
terça-feira, 5 de junho de 2018
“MADAME”, 2017, França, direção e roteiro (com a
colaboração de Matthew Robbins) de Amanda Sthers. Um casal de norte-americanos
(Toni Collette e Karvey Keitel) muda-se para a França e decide organizar um
jantar para a alta sociedade parisiense, incluindo o prefeito da cidade e seu
namorado. A mesa está arrumada para 12 pessoas, quando de repente surge um
convidado extra, justamente o filho bêbado do anfitrião. A mesa, então, passa a
ter 13 lugares, inconcebível para a supersticiosa Anne (Collette). A solução
improvisada, já que o jantar aconteceria poucas horas depois, foi transformar a
empregada Maria (Rossy De Palma) numa madame da alta aristocracia parisiense,
com a recomendação de que não abrisse a boca, nem para falar, nem para comer ou
beber muito. Triste ilusão. Maria toma uns vinhos mais e acaba até contando
umas piadas inconvenientes, para desespero dos patrões. Só que no meio dos convidados está o
cinquentão David Reville (Michael Smiley), um importante empresário francês que se
encanta com Maria. A partir de então, o filme esquece o humor e parte para o
romance. Se já era ruim como comédia, ficou ainda pior quando enveredou para a
comédia romântica. Terminado o filme, fiquei me perguntando como estrelas
consagradas como Harvey Keitel e Toni Collette se submeteram a trabalhar nesse
abacaxi. Até a espanhola Rossy De Palma, de tantos filmes de Almodóvar, deve
ter ficado constrangida.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
“STEFAN
ZWEIG – ADEUS, EUROPA” (“Stefan Zweig – Farewell to Europe”), 2016, coprodução Áustria/Alemanha, roteiro
e direção de Maria Schrader. Trata-se de um drama biográfico enfocando os
últimos seis anos do escritor, romancista, poeta, jornalista, dramaturgo e
biógrafo austríaco Stefan Zweig. Em 1936, perseguido pelo nazismo, Zweig (Josef
Hader) resolve fugir com a esposa Lotte (Aenne Scwarz) para a América do Sul.
Já muito famoso no mundo inteiro como um dos principais escritores do Século
XX, Zweig é tratado como uma grande personalidade, sendo convidado para proferir
palestras em cidades como Rio de Janeiro, Buenos Aires e Nova Iorque. Ele se
estabelece em Petrópolis (Rio de Janeiro) e lá escreve “Brasil, País do Futuro”, lançado em
1941. No ano seguinte, deprimido com a situação da guerra na Europa, ele se
suicida juntamente com a esposa. O filme deixa muito a desejar com relação à
obra do escritor. Não é mencionado nenhum dos livros que escreveu, principalmente
importantes biografias de gente como, por exemplo, Dostoievski, Tolstoi, Dickens,
Stendhal, Maria Antonieta, Nietzsche, Balzac etc. Também pouco se fala sobre sua
vida anterior, na Áustria. De qualquer forma, o filme é, sem dúvida, bastante
interessante. Destaco com uma das cenas de maior impacto aquela em que Zweig
participa de um congresso de escritores em Buenos Aires, durante o qual são
citados, nome por nome, os intelectuais banidos pelo regime nazista, então presos ou exilados.
De emocionar. Fora isso, vale citar o excelente trabalho do ator austríaco
Josef Hader na pele do escritor. Um show de interpretação. A quem possa
interessar, existe uma biografia bem legal sobre Zweig – “Morte no Paraíso”, de
1981 -, escrita pelo recentemente falecido jornalista Alberto Dines - a diretora Maria Schrader o leu para escrever o roteiro. Eu também li e
recomendo, assim como o filme.
domingo, 3 de junho de 2018
“SPIINNING
MAN” (o filme ainda não
chegou por aqui, portanto não tem uma tradução oficial; a tradução literal é “Homem
Girando”), EUA, 2017, direção do sueco Simon Kaijser, com roteiro de Matthew Aldrich,
baseado no romance do mesmo nome escrito pelo norte-americano George Harrar,
lançado em 2003. Trata-se de um filme policial recheado de suspense, mas com
desfecho dos mais fracos. Numa pequena cidade da Flórida, uma jovem líder de
torcida (Odeya Rush) desaparece e as suspeitas da polícia recaem sobre o professor
de Filosofia e Linguística Evan Birch (o ator australiano Guy Pearce). Tudo
porque Birch, mesmo casado com Ellen (Minnie Driver), às vezes gostava de sair
com algumas alunas. O detetive Robert
Malloy (o ex-007 Pierce Brosnan) tenta de tudo para provar a culpa do professor,
seguindo seus passos dia após dia. Tudo faz crer que o filme caminha para algum
final surpreendente, talvez uma reviravolta, mas o desfecho constrangedor não
justifica termos ficado esse tempo todo esperando um grand finale. Com exceção de Guy Pearce, que tem boa atuação, os demais
atores, inclusive Pierce Brosnan, atuam no piloto automático. Brosnan, aliás,
está muito mal caracterizado, pois parece mais um empresário ou um alto
executivo de Wall Street do que um simples detetive de uma cidadezinha do
interior. Resumo da ópera: não passa de um filme B independente, evidentemente
realizado com poucos recursos, apesar da presença dos dois astros. A história
não convence. Como policial, deixa muito a desejar. sexta-feira, 1 de junho de 2018
“ZONA
HOSTIL” (“Rescue Under
Fire” nos países de língua inglesa), 2017, Espanha, primeiro longa-metragem
dirigido por Adolfo Martínez Perez. Baseado em fatos reais que aconteceram com
um pelotão do exército espanhol no Afeganistão, este drama de guerra oferece
muita ação e suspense na medida certa. O pelotão pertence às Fuerzas y Cuerpos
de Seguridad del Estado (FCSE), grupo militar enviado ao Afeganistão para dar
suporte às forças norte-americanos no combate aos talibãs, assim como prestar
ajuda humanitária à população civil em conjunto com equipes das Nações Unidas, principalmente na área médica. Toda a
ação é centrada na rotina da equipe comandada pela capitã-médica Varela
(Ariadna Gil) e nos soldados comandados pelo tenente Conte (Raúl Mérida). O
pelotão entra mesmo em perigo quando um helicóptero que iria transportar
soldados feridos em combate tomba em pleno deserto. Para protegê-lo, os soldados
terão que enfrentar centenas de talibãs. As cenas de ação são muito bem-feitas
e o filme mantém um ritmo bastante intenso do começo ao fim. Para adaptar a
história para o cinema, os roteiristas Andrés M. Koppel e Luiz Arranz contaram
com a assessoria do próprio exército espanhol, inclusive com a colaboração dos
soldados que participaram daquela ação. Um bom programa para quem gosta de
histórias ambientadas em zonas de conflito. Aliás, existe um outro excelente filme com uma história bastante semelhante, só que envolvendo soldados do exército norte-americano na Somália: "Falcão Negro em Perigo" (2001), dirigido por Ridley Scott. Este, na minha opinião, o melhor de todos nesse gênero. quinta-feira, 31 de maio de 2018
“TRÊS
VIDAS E UM DESTINO” (“Head in the Clouds”), coprodução EUA/Inglaterra/Espanha, 2004, escrito e
dirigido pelo inglês John Duigan. Trata-se de um drama histórico romanceado,
ambientado na Europa durante os tumultuados anos 30 e 40 do século passado. A
história é centrada na amizade dos jovens Guy Malyon (Stuart Towsend),
professor universitário, Gilda Bessé (Charlize Théron), fotógrafa e filha de um
milionário aristocrata francês, e Mia (Penélope Cruz), uma refugiada espanhola
que ganhava a vida como stripper em
Paris. Guy e Gilda se conhecem na Universidade de Cambridge, ele se apaixona e
depois vai atrás dela em Paris. Gilda é uma mulher independente, sai e vai para
cama com vários homens e, ao que se presume, também com mulheres, inclusive Mia.
Na capital francesa, os três acabam morando juntos e formando um previsível ménage à trois. Até que um dia Guy e Mia
resolvem ir para a Espanha com o objetivo de ajudar a resistência ao governo
fascista de Franco. Depois que o conflito termina na Espanha, Guy volta a Paris
para procurar Gilda, mas aí começa a Segunda Guerra Mundial e a situação acaba
ficando cada vez mais difícil. Mesmo ainda muito jovens, as atrizes Charlize
Theron e Penélope Cruz, assim como o ator irlandês Stuard Towsend, já tinham
uma carreira consolidada no cinema e, sem dúvida, valorizaram ainda mais este
bom drama histórico. Destaque para a excelente recriação de época,
principalmente os figurinos, dignos de um editorial de moda dos anos 30/40. Sem
falar, é claro, na beleza e na competência das duas atrizes principais.
quarta-feira, 30 de maio de 2018
“ATÉ
NUNCA MAIS” (“À Jamais”),
2016, drama francês que mistura romance, suspense e uma pequena dose de terror
psicológico. A história é baseada no romance “The Body Artist” (“A Artista do
Corpo”), de 2001, do escritor e dramaturgo norte-americano Don DeLillo. Não li
o livro, cuja adaptação foi feita pelo diretor Benoit Jacquot (“O Diário de Uma
Camareira”, “Adeus, Minha Rainha”, “Três Corações”) e pela atriz Julia Roy. A história: o famoso cineasta Jacques Rey (Mathieu Amalric) morre num
acidente de moto – ou será que foi suicídio? Sua jovem esposa Laura (Julia Roy)
continua morando no casarão onde Rey escrevia seus roteiros e tentava
inspiração para os seus filmes. A saudade do falecido é tanta que ela começa a
ver o seu fantasma, seja na cama do casal, na mesa da cozinha e até na banheira
onde costumavam tomar banho juntos. As aparições do “fantasma” são ridículas.
Ele parece um morto-vivo ou um zumbi abobado. Laura não está nem aí, isto
porque está completamente alucinada, à beira de internação, se deparando toda
hora com o próprio fantasma. Além disso, passa as noites em claro vendo cenas
de estradas à noite na internet. Coisa sem pé nem cabeça, assim como o filme
inteiro. Num aspecto eu tenho de dar a mão à palmatória: nunca a tradução de um título foi tão bem escolhida: “Até Nunca Mais”!
domingo, 27 de maio de 2018
“OS
FANTASMAS DE ISMAËL” (“LES FANTÔMES D’ISMAËL”), 2017, França, roteiro e direção de Arnaud
Desplechin. Acho que o cinema francês é, atualmente, o que oferece os melhores
e mais interessantes filmes. Claro que, de vez em quando, pisa na bola. A
pisada mais recente é este drama de roteiro complicado, o chamado “filme-cabeça”,
que confunde os neurônios dos espectadores. E olha que o elenco é ótimo:
Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gaisbourg, Louis Garreal e Alba
Rohrwacher. O cineasta Ismaël (Amalric) vive um romance com a astrofísica Sylvia
(Gainsbourg). Há 21 anos, ele foi abandonado pela primeira esposa, Carlotta
(Cotillard), que sumiu de repente e poucos anos depois foi dada como morta. Só
que a “falecida” volta para tumultuar o ambiente, colocando em risco a
felicidade do novo casal. Sylvia fica enciumada e exige que Carlotta suma do
pedaço, o que acaba resultando um grande conflito. Alternando-se com essa
história, há uma outra: o caso de Ivan Dedalus (Garrel), que passa num teste para entrar
para a diplomacia francesa e resolve casar com a jovem Arielle Faunia
(Tohrwacher). Não há qualquer relação entre uma história e outra, a não ser que
seja um filme dentro de outro, o que não fica muito claro, pelo menos para
minha humilde inteligência. Acho que só confunde a cuca do espectador. Apesar
de pretensioso e de difícil compreensão, o filme foi selecionado para abrir o
Festival de Cannes 2017, além de ser indicado ao prêmio de Melhor Filme
Estrangeiro no Festival de Munique 2017. Ah, como destaque, recomendo a cena de
nu frontal protagonizada por Marion Cotillard, sem dúvida a melhor coisa desse
filme. Do mesmo diretor francês, recomendo “Terapia Intensiva” e “Três
Lembranças da Minha Juventude”, bem melhores do que este.
“ATORMENTADO
PELO PASSADO” (“ROMANS”),
2016, Inglaterra, primeiro longa-metragem dirigido pelos irmãos Ludwig e Paul
Shammasian, mais conhecidos no meio cinematográfico como diretores de curtas. A
história é centrada em Malky (Orlando Bloom), um operário que vive de bicos na
área da construção civil. Ele namora a bela Emma (Janet Montgomery), tem muitos
amigos e vive para cuidar da mãe (Anne Reid, em ótima atuação). Tudo vai bem até Malky ser
contratado para a equipe de demolição da antiga igreja local. Seu passado vem à
tona com a triste recordação de um fato ocorrido naquela mesma igreja há 25
anos: ele foi abusado sexualmente por um padre. A partir daí, Malky passa a
agir com violência, entra em depressão e seu relacionamento com os amigos, com
a namorada e com a própria mãe vira um verdadeiro inferno. Para piorar a
situação, Malky descobre que o líder da nova igreja será o mesmo padre que o
violentou. E por aí vai esse drama um tanto desagradável, pesado e arrastado,
muito difícil de digerir por quem está a fim de um bom entretenimento. A fraca atuação
de Orlando Bloom, mais conhecido por filmes como “O Senhor dos Anéis” e “Piratas
do Caribe”, não justifica sua escolha para o personagem principal. Enfim, não
dá para recomendar.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
“O
QUE TE FAZ MAIS FORTE” (“STRONGER”),
2017, EUA, direção de David Gordon Green. Todo mundo lembra do atentado
ocorrido no dia 15 de abril de 2013 durante a Maratona de Boston, quando a
explosão de duas bombas matou três pessoas e deixou 264 feridas, muitas
gravemente. Um dos feridos com maior gravidade foi o jovem Jeff Bauman, de 28
anos, que perdeu as duas pernas abaixo dos joelhos e se transformou num
verdadeiro herói nacional ao ajudar o FBI a descobrir a identidade de um dos
terroristas. Bauman escreveu uma autobiografia na qual se baseou o roteirista
John Pollono para adaptá-la ao cinema. O filme conta em detalhes o sofrimento
pelo qual Bauman (Jake Gyllenhaal) passou depois do acidente, os primeiros
curativos (a cena é de arrepiar), as sofridas sessões de fisioterapia, as horas
de desespero e angústia, o apoio dos pais e amigos e o tumultuado romance com a
jovem Erin Hurley (Tatiana Maslany). Também ganham destaque no filme as
homenagens que Bauman recebeu da cidade de Boston durante os concorridos jogos
das equipes locais de beisebol e futebol americano. O foco principal, porém, é
o esforço de Bauman para superar a tragédia com muita coragem e perseverança.
Gostei do filme, mas fiquei muito triste ao ver a ótima atriz inglesa Miranda
Richardson (que faz a mãe de Bauman) tão fora de forma, envelhecida e enorme de
gorda, mas mesmo assim ainda muito competente.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
“OBEDIÊNCIA
PERFEITA” (“OBEDIENCIA PERFECTA”),
2014, México, roteiro e direção de Luis Urquiza (seu primeiro e único longa-metragem).
A história toca numa ferida das mais purulentas envolvendo a Igreja Católica,
ou seja, o abuso sexual praticado por seus padres. No caso, o padre mexicano Angel
de La Cruz (Juan Manuel Bernal), fundador da Ordem Cruz de Cristo, que durante quase
duas décadas abusou sexualmente de jovens seminaristas – praticamente adolescentes.
Seu jovem “preferido” era Julián (Sebastián Aguirre), que ao entrar no
seminário de Angel ganhou o pseudônimo de Sacramento Santos. Baseado nos
preceitos de Ignácio de Loyola, fundador da Ordem dos Jesuítas, Angel adotava
como ensinamento básico e regra obrigatória a “obediência perfeita”, fazer tudo
o que os padres superiores mandarem, inclusive “aquilo”. Toda a história
contada no filme foi baseada no livro “Los Legionários de Cristo”, escrito por
Ernesto Alcocer, cujo personagem principal é o padre Marcial Maciel Degollado
(1920-2008), processado e depois excomungado pelo Papa Bento XVI. O diretor
Urquiza disse, em entrevista, que resolveu fazer o filme depois que soube que o
Papa João Paulo II, em sua gestão, acobertou o padre Marcial. O filme não precisou escancarar em imagens explícitas os detalhes
escabrosos da rotina do seminário, embora apresente cenas bastante
perturbadoras envolvendo os padres e os jovens seminaristas. O filme é muito
bom, com maior destaque para o desempenho do ator Juan Manuel Bernal como o
padre Angel. Sua atuação é impressionante, fazendo você sentir uma repugnância quase assassina pelo personagem, ironicamente chamado de Angel. Por esse trabalho, Bernal
conquistou o Prêmio Ariel (o Oscar mexicano) de Melhor Ator em 2015.
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