“NA VERTICAL” (“RESTER
VERTICAL”), França, 2016,
escrito e dirigido por Alain Guiraudie (“Um Estranho no Lago”). Difícil
interpretar e até comentar um filme tão esquisito, pesado e perturbador. Um
roteirista de cinema, Léo (Damien Ronnard), vaga sem rumo pelo interior da França
em busca de uma ideia para seu próximo filme, algo relacionado com os lobos. Em
sua trajetória, Léo acaba conhecendo Marie (India Hair), filha de um pastor de
ovelhas e mãe solteira de dois meninos, e um idoso que vive em conflito com seu
neto. Seu envolvimento com Marie resulta no nascimento de um filho, que ela rejeita
em consequência de uma depressão pós-parto. Todo esse contexto desagradável
resulta em cenas repulsivas de sexo – beirando o explícito –, parto normal e sodomia, o que
consagra esta produção francesa como uma das mais indigestas e repugnantes já
realizadas nos últimos anos. Além disso, as situações envolvendo o personagem
principal são bastante inverossímeis, como a consulta a uma mulher misteriosa
no meio de um pântano, beirando o surreal. Todos os personagens revelam um
acentuado desequilíbrio mental, o que deve ser uma característica da personalidade do próprio
diretor, capaz de criar um filme tão repulsivo e mórbido. Como em “Estranho no
Lago”, Guiraudie quis novamente chocar a plateia – o que conseguiu durante o
69º Festival de Cannes (2016) –, mas certamente será reconhecido como um diretor apelativo e
com alguma disfunção de personalidade. Se você procura um filme que proporcione
um entretenimento leve, passe longe. sábado, 7 de outubro de 2017
“NA VERTICAL” (“RESTER
VERTICAL”), França, 2016,
escrito e dirigido por Alain Guiraudie (“Um Estranho no Lago”). Difícil
interpretar e até comentar um filme tão esquisito, pesado e perturbador. Um
roteirista de cinema, Léo (Damien Ronnard), vaga sem rumo pelo interior da França
em busca de uma ideia para seu próximo filme, algo relacionado com os lobos. Em
sua trajetória, Léo acaba conhecendo Marie (India Hair), filha de um pastor de
ovelhas e mãe solteira de dois meninos, e um idoso que vive em conflito com seu
neto. Seu envolvimento com Marie resulta no nascimento de um filho, que ela rejeita
em consequência de uma depressão pós-parto. Todo esse contexto desagradável
resulta em cenas repulsivas de sexo – beirando o explícito –, parto normal e sodomia, o que
consagra esta produção francesa como uma das mais indigestas e repugnantes já
realizadas nos últimos anos. Além disso, as situações envolvendo o personagem
principal são bastante inverossímeis, como a consulta a uma mulher misteriosa
no meio de um pântano, beirando o surreal. Todos os personagens revelam um
acentuado desequilíbrio mental, o que deve ser uma característica da personalidade do próprio
diretor, capaz de criar um filme tão repulsivo e mórbido. Como em “Estranho no
Lago”, Guiraudie quis novamente chocar a plateia – o que conseguiu durante o
69º Festival de Cannes (2016) –, mas certamente será reconhecido como um diretor apelativo e
com alguma disfunção de personalidade. Se você procura um filme que proporcione
um entretenimento leve, passe longe. quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Produzido
pela Walt Disney Pictures em parceria com a ESPN Films, “RAINHA DE KATWE”
(“Queen of Katwe”), 2016, EUA, conta a incrível e comovente história de Phiona
Mutesi (Madina Nalwanga), uma menina pobre residente na favela de Katwe, na
periferia de Kampala, capital da Uganda, que se tornou campeã nacional de Xadrez
e jogadora de destaque internacional. O filme acompanha a trajetória da garota
desde 2007 até 2012, mostrando a extrema pobreza em que vivia com a família,
muitas vezes sem ter o que comer. Phiona e seu irmão Brian se inscrevem num pequeno
projeto de esportes na periferia de Katwe que promovia a inclusão de crianças
pobres na prática do Xadrez. Eles iam, na verdade, para comer o mingau que era
distribuído gratuitamente aos participantes. Só que Phiona demonstrou um grande
talento para o Xadrez e foi incentivada pelo treinador Robert Katende (David
Oyelowo) a levar os treinamentos a sério, mesmo contra a vontade da mãe da menina,
Harriet (Lupita Nyong’o), que preferia ver a filha vendendo milho nas ruas para ganhar
algum dinheiro. O filme é sensível e bastante realista, principalmente ao
abordar e mostrar a extrema pobreza em que vivia Phiona e sua família – as filmagens
aconteceram na própria Katwe e em Joanesburgo (África do Sul). A direção do
filme ficou a cargo da indiana radicada nos EUA Mira Nair e o roteiro foi escrito
por William Wheeler, baseado no livro “The Queen of Katwe: A Story of Life,
Chess and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grande Master”, de Tim
Crothers. Há que se destacar, além da incrível história, a ótima atuação da
atriz Lupita Nyong’o como a mãe de Phiona. Vencedora do Oscar de Atriz
Coadjuvante em 2014 pelo filme “12 Anos de Escravidão”, Lupita nasceu no México
– mãe mexicana e pai queniano. O ator inglês David Oylenwo também está
excelente no papel de treinador de Phiona. Para fechar com chave de ouro este
belo filme, nos créditos finais são mostrados, lado a lado, os atores e os
personagens reais que interpretaram, os quais acompanharam, pessoalmente, cada
detalhe das filmagens, prestando assessoria à diretora Mira Nair. Imperdível! segunda-feira, 2 de outubro de 2017
O
material de divulgação e a sinopse informam que o filme é baseado em fatos
reais, só que omitem quando e onde tudo aconteceu. Deve ter sido nos EUA, onde
tudo acontece. De qualquer forma, trata-se de uma história incrível,
adaptada para o cinema como “12 PÉS DE PROFUNDIDADE” (“12 Feet Deep” –
a tradução para o português é minha, já que o filme ainda não chegou por aqui),
escrito e dirigido por Matt Eskandari (“Jogo de Assassinos”). Duas irmãs, Jonna
(Alexandra Park) e Bree (Nora-Jane Noone), estão se divertindo numa piscina
pública olímpica quando uma delas deixa cair o anel de noivado. As duas
mergulham e acham o anel, só que preso num dos ralos. O treinador McGradey
(Tobin Bell) acha que todo mundo já foi embora e fecha a cobertura móvel da
piscina, feita de fibra de vidro, passa a tranca no ginásio e vai embora. As moças ficam então presas entre a água e a
cobertura, um espaço de mais ou menos meio metro. A sensação é claustrofóbica e
angustiante. Aflição pura. Se você pensa que a situação das irmãs pode piorar
ainda mais, acertou. Lá pelas tantas aparece a faxineira da noite, uma
ex-presidiária, que resolve chantagear as moças para levantar uma grana. Além disso, uma das irmãs é diabética e precisa urgentemente de uma injeção de insulina. Haja sofrimento! Até
que o filme funciona como suspense e você ficará na expectativa de saber como
tudo irá terminar. Claro que tem bastante enrolação e papo furado para passar o
tempo até o desfecho. Vale para uma sessão da tarde com pipoca. domingo, 1 de outubro de 2017
“UM LAÇO DE AMOR” (“GIFTED”), 2016, EUA, roteiro de Tom Flynn e direção de Mark Webb (“O Espetacular Homem-Aranha”, “A Marca de Electra”). Desde a morte trágica e precoce de sua irmã, Frank Adler (Chris Evans, o “Capitão América”) cria sua sobrinha Mary (McKenna Grace), uma menina superdotada, um gênio na matemática. E, como todo gênio, também geniosa. Ao perceber que a inteligência de Mary é muito acima do normal, a diretora do colégio chama Frank e diz que ela precisava ir para um colégio para crianças superdotadas. Frank não permite, pois quer que Mary cresça e seja educada como uma criança normal. Nesse meio tempo aparece a avó Evelyn (Lindsay Duncan), que entra com um processo para obter a guarda da menina. Aí o filme vira um drama de tribunal, com as partes brigando pela menina. Não é apenas no filme que McKenna Grace é um prodígio. Como atriz, hoje com apenas 11 anos, ela atua desde 2013, em séries especiais de TV e cinema (“Como se tornar um Conquistador” e “Amityville: O Despertar”, entre outros). Ela é o grande destaque desse filme, que tem ainda no elenco a ótima Octavia Spencer e Jenny Slate. Enfim, um filme bastante agradável, sensível e comovente, próprio para assistir com toda família
O thriller “CORRA!” (“Get
Out”), EUA, primeiro filme escrito e dirigido pelo
ator Jordan Peele, foi a grande sensação do Sundance Film Festival (janeiro de
2017), o mais conceituado festival de filmes independentes. Orçado em apenas
US$ 4,5 milhões, faturou em alguns meses nada menos do que US$ 252
milhões, tornando-se um dos filmes mais lucrativos de 2017. Trata-se de um
suspense psicológico, com altas doses de humor negro (Peele é mais conhecido
como comediante) e que tem como pano de fundo o racismo, ou, mais especificamente,
as relações inter-raciais. A história: Rose (Allison Williams) leva o namorado
afro-descendente Chris Washington (Daniel Kaluuya) para passar o final de
semana na casa de seus pais, o neurocirurgião Dean e a psiquiatra Missy
Armitage (Bradley Whitford e Catherine Keener). Rose não avisa que Chris é
negro. Em todo caso, ele é bem recebido pelos Armitage, família que inclui
ainda o irmão de Rose, Jeremy (Caleb Landry Jones). Para deixar de lado
qualquer dúvida, o pai de Rose afirma que já votou no presidente Obama duas
vezes e que votaria novamente. Só que essa aparente boa recepção acaba se
transformando num terrível pesadelo para Chris. O filme garante bastante
tensão, alguns bons sustos e momentos bem-humorados. Quando o filme começou, lembrei
de “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, o clássico dirigido em 1967 por Stanley
Kramer. Uma jovem (Katherine Houghton) leva o namorado negro (Sidney Poitier)
para jantar na casa dos pais brancos (Spencer Tracy e Katherine Hepburn). Neste,
tudo termina bem, ao contrário de “CORRA!”. sexta-feira, 29 de setembro de 2017
“ABLUKA” (“Bloqueio”, na tradução literal do turco), 2015,
Turquia/França, segundo filme escrito e dirigido por Emin Alper, jovem diretor
de 43 anos. Numa Istambul frequentemente vítima de atos terroristas, Kadir (Mehmet
Özgür) é colocado em liberdade condicional depois de ficar preso por 20 anos.
Ele é obrigado a assumir o compromisso de vigiar seus vizinhos e denunciar
aqueles que sejam suspeitos de praticar os atentados. Quando chega ao seu
bairro, na periferia de Istambul, Kadir procura seu irmão Ahmet (Berkay Ates),
mais novo, que na época de sua prisão era apenas um garoto de 7 anos de idade. Abandonado
pela mulher, que levou embora os filhos, Ahmet encontra-se em depressão e quase
não sai de casa. Kadir vai tentar ajudá-lo a sair dessa situação. Ao mesmo
tempo, Kadir e Ahmet são integrados a uma equipe de trabalhadores encarregados
de revirar as latas de lixo da periferia de Istambul em busca de indícios que
levem a algum terrorista. Além disso, o grupo é obrigado a participar de um
trabalho encomendado pela prefeitura local com o objetivo de eliminar –
assassinar – os cachorros de rua, o que resulta em cenas bastante chocantes. Os
fatos transcorrem sem muita explicação, a começar pelo motivo da prisão de
Kadir, não esclarecido até o final. Trata-se de um drama muito pesado,
desagradável de assistir, que certamente vai revirar o estômago dos espectadores mais sensíveis. Mas não deixa de ser interessante, não apenas pela
história em si, mas por mostrar uma periferia de extrema pobreza, um cenário de
Istambul que não faz parte das revistas ou guias de turismo. Exibido durante a
72ª edição do Festival de Cinema de Veneza, “Abluka” conquistou Prêmio Especial
do Júri. quinta-feira, 28 de setembro de 2017
“APRENDIZ” (o título original é “Apprentice”, em inglês, uma
das línguas oficiais de Singapura – embora o filme não seja falado em inglês),
2016, Singapura, 115 minutos, escrito e dirigido por Junfeng Boo. A história é
centrada num ex-militar do exército de Singapura, Aiman (Firdaus Rahman), que
consegue emprego como guarda numa penitenciária de segurança máxima, também
responsável pela execução de presos condenados à morte. No caso, por
enforcamento. Enquanto Aiman é levado a conhecer o seu novo local de trabalho,
a gente logo percebe que sua intenção pode ser outra. Algo relacionado com o que
aconteceu com seu pai no passado. Aiman logo cai nas graças de Rahim (Wan
Hanafi Su), que há trinta anos é o carrasco oficial da prisão, ou seja, o
sujeito que puxa a alavanca da forca. Rahim nomeia Aiman seu assistente, ou
seja, o aprendiz de carrasco, a quem repassa todos os segredos de uma execução eficiente. A relação entre Aiman e Rahim é o fio condutor de
toda a história. O filme é surpreendente, pois consegue prender a atenção do
espectador com uma história simples, um roteiro enxuto e primoroso, com poucos personagens. Um drama da
melhor qualidade, que representou Singapura na disputa do Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro em 2017, além de ter sido indicado ao prêmio “Um Certain Regard” no
Festival de Cannes 2016. Também foi premiado em vários festivais de cinema pelo
mundo afora. Um filme que merece ser visto por quem aprecia cinema de
qualidade. quarta-feira, 27 de setembro de 2017
“DE CABEÇA ERGUIDA” (“La Tête
Haute”), 2015, França, direção da atriz e diretora
Emmanuelle Bercot, que também escreveu o roteiro em conjunto com Marcia Romano.
A história é centrada em Malonny (Rod Paradot), um jovem delinquente que, aos
seis anos, é abandonado por Séverine (Sara Forestier), uma mãe irresponsável
que desistiu de cuidar do garoto, afirmando à juíza Florence Baque (Catherine
Deneuve) que “ele é um delinquente desde que começou a andar”. Sob a tutela do
Estado francês, Malonny, nos dez anos seguintes, passou por vários
reformatórios, dos quais fugia para roubar carros. Dado a explosões de raiva
seguidas de agressões a quem estivesse à sua frente, Malony acabava sempre detido
e, em várias ocasiões, encaminhado à presença da juíza Florence, que lhe deu
todas as chances para se recuperar, sem nenhum sucesso. Florence resolveu então
indicar um tutor de sua confiança, Yann (Benoit Magimel), que vai tentar de
tudo para convencer o garoto a ter um pouco de juízo. O filme é ótimo, com
destaque para o excelente desempenho do estreante Rod Paradot e da atriz Sara
Forestier, que interpreta sua mãe. O filme foi selecionado para ser exibido na
abertura do Festival de Cannes 2015. Aliás, desde 1987 que um filme dirigido
por uma mulher não abria o aclamado festival. Por aqui, foi exibido também em
2015 durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês. domingo, 24 de setembro de 2017
“DE CANÇÃO EM CANÇÃO” (“Song to
Song”), 2017, EUA, 2h08min, roteiro e direção de
Terrence Malick. Mais um daqueles filmes indecifráveis do polêmico diretor
norte-americano. O pano de fundo é o cenário musical roqueiro de Austin
(Texas), com participações especiais de Iggy Pop, Patti Smith e dos integrantes
do Sex Pistols e Red Hot Chilli Peppers. Pelo que dá a entender – é difícil
decifrar Malick –, a história envolve o compositor BV (Ryan Gosling), a cantora
Faye (Rooney Mara) e o produtor musical Cook (Michael Fassbender), integrados
no trabalho e também entre os lençóis. Aí, do nada, aparecem Rhonda (Natalie
Portman), Amanda (Cate Blanchett) e Zoey (Bérénice Marlohe), que também
participarão dos jogos de sedução e das traições. Tudo muito complicado e
inexplicável, deixando o espectador na dúvida de quem é quem e o que está
acontecendo. Típico de Malick, que já havia nos brindado com os insuportáveis “A
Árvore da Vida”, “Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”. Em “De Canção em Canção”,
o diretor mantém o seu estilo de filmar que contempla mais o visual do que a
história em si. A câmera está em constante movimento – o que certamente afetará o
espectador que sofre de labirintite. Malick utiliza também os recursos do zoom
in-out e lentes grande-angulares, amplificando os cenários. O estilo do diretor
também contempla a narração em off, com vozes em sussurros, dizendo frases incoerentes
e sem qualquer sentido. Conseguir assistir até o final pode considerado um verdadeiro
ato heroico. O Malick irritante de sempre. quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Nenhum
outro evento mundial gerou tantas histórias como a Segunda Grande Guerra (1939-1945).
O cinema costuma adaptar muitos episódios importantes desse conflito,
transformando-os em ótimos filmes. Um dos mais recentes é “ANTHROPOID”,
Inglaterra, 2016. O título faz referência à Operação Anthropoid, planejada pelas
forças especiais inglesas para assassinar o General SS Reinhard Heyrich, a
terceira autoridade mais importante do governo nazista depois de Hitler e
Himmler. Heyrich foi um dos criadores da Solução Final que resultou na morte de
mais de 6 milhões de judeus. Designado para governar a Tchecoslováquia ocupada
pelo exército alemão, Heyrich seria alvo de um atentado em Praga cometido em
1942 por membros da resistência tcheca treinados pela Executiva de Operações
Especiais (S.O.E.), organização de inteligência britânica. O filme conta toda
essa história, destacando os preparativos, o atentato em si, a caçada aos seus
autores e a violenta represália sofrida pelos tchecos, que resultou na execução
de mais de cinco mil pessoas e a população inteira de um vilarejo chamado Lídice.
Mais um bom trabalho do diretor inglês Sean Ellis (“Cashback, Bem-Vindo ao
Turno da Noite” e “Metrópole Manila”), também autor do roteiro. As filmagens aconteceram em Praga, o que torna o filme ainda mais realista. Estão no elenco
Cillian Murphy, Jamie Dornan (“Cinquenta Tons de Cinza”), Charlotte Le Bon,
Marcin Dorocinski, Toby Jones e Anna Geislerová. Filmaço, principalmente para
quem gosta de História. segunda-feira, 18 de setembro de 2017
“PARDAIS”
(“Prestir”), Islândia, 2016, roteiro e direção de Rúnar Rúnarsson, é um drama
bastante sensível, roteiro primoroso, bons atores e uma excelente fotografia,
que valorizou os cenários deslumbrantes onde o filme é ambientado. Quando a mãe
e o padrasto resolvem viajar para a África numa missão humanitária, o jovem Ari
(Atli Oskar Fjalarsson), de 16 anos, é obrigado a deixar a capital Reikjavik e
voltar a morar com o pai Gunnar (Ingvar Eggert Sigurdsson) na remota Westfjords,
pequena cidade de 7.300 habitantes a noroeste da Islândia. Ari reencontra
alguns amigos da infância e tenta se enturmar, com muita dificuldade, pois é
bastante tímido, mas conhecerá, pela primeira vez, os prazeres do sexo. Difícil
mesmo é a convivência com o pai – os dois ficaram distantes durante seis anos –,
um beberrão que dá festas regadas a muita bebida e prostitutas. Ari não está
acostumado com esse tipo de situação e se abriga na casa da avó (Kristbjörg
Kjeld) – mãe de Gunnar. Apesar do contexto dramático, o filme reserva momentos de rara sensibilidade e até comoventes. “Pardais” é um filme de muita qualidade, tanto é que
foi o vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de San Sebastián e eleito
melhor filme da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/2016. Além
disso, foi escolhido como representante oficial da Islândia na disputa do Oscar/2017 de
Melhor Filme Estrangeiro.
domingo, 17 de setembro de 2017
O
título do filme é “PREJUÍZO” (“PRÉJUDICE”), 2015, Bélgica, e marca a estreia
no roteiro e direção de Antoine Cuypers. Talvez o título mais certo teria sido “Uma
Família à Beira de um Ataque de Nervos”. O drama belga é centrado na reunião de
uma família para um almoço festivo em comemoração à gravidez de Caroline
(Ariane Labed) no casarão dos pais (Nathalie Baye e Arno Hintjens). Mas nem
tudo será festa. O clima pesado reina desde os aperitivos, graças ao
problemático Cédric (Thomas Blanchard), um dos irmãos de Caroline. Ele é um
sujeito desequilibrado, mentalmente perturbado, que tumultua o ambiente com agressões
verbais e atitudes inconvenientes. Por conta de um sonho que quer realizar, ou
seja, uma viagem à Áustria, proibida pelos pais devido ao seu estado mental, Cédric
fica cada vez mais agressivo e acaba estragando de vez a ocasião festiva. A
tensão e o clima pesado predominam no ambiente familiar desde a primeira cena. Trata-se
de um filme bastante desagradável de assistir, mas tem seus méritos por
conseguir prender a atenção do começo ao fim. Destaco o desempenho fenomenal do pequeno
elenco, principalmente a maravilhosa atriz francesa Nathalie Baye, o ator francês Thomas Blanchard e a bela atriz grega Ariane Labed, uma das mais requisitadas pelo cinema francês atual. O filme foi
uma das atrações da mostra “We Are Family” do MyFrenchFilmFestival/2017, festival
francês de cinema on-line. Se você estiver a fim de um entretenimento leve,
passe longe. sábado, 16 de setembro de 2017

“NA
FRONTEIRA” (título original, “NA GRANICY” – nos países de língua inglesa,
foi exibido como “The High Frontier”), 2015, Polônia, roteiro e direção de Wojciech
Kasperski (seu filme de estreia). Trata-se de um thriller que ficou devendo em ação e suspense. Ex-guarda lotado num posto policial da fronteira entre Polônia
e Ucrânia, Mateusz (Andrezej Chyra) resolve levar seus dois filhos adolescentes
para conhecer o seu antigo local de trabalho, instalado num lugar de difícil acesso nas montanhas.
Machista ao extremo, Mateusz queria promover uma aproximação com os filhos,
além de realizar um programa para contribuir com o amadurecimento de ambos, ou
seja, passar uns dias numa cabana abandonada em meio a um frio muitos graus
abaixo de zero e debaixo de muita neve. Um dos ensinamentos: caçar para sobreviver.
Ou seja, ser macho o suficiente para matar um animal a sangue frio. Só que eles
não contavam com o repentino aparecimento de um visitante misterioso, um tal de
Konrad (Marcin Dorocinski), um antigo policial de fronteira acostumado a se
envolver em práticas criminosas. O suspense fica a cargo da relação desse
visitante com os adolescentes, já que o pai deles sai para investigar um
possível acidente. Com grande parte da ação desenvolvida no interior da cabana,
num clima por demais claustrofóbico, os dois adolescentes terão que lutar sozinhos
para sobreviver ao vilão. Um filme que tem muito papo furado e pouca ação. Um
suspense que deixa muito a desejar. Sou obrigado a admitir: nesse gênero, Hollywood faz bem melhor.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
“LANG HISTORIE KORT”, 2015, Dinamarca (nos países de língua inglesa, foi
lançado como “Long Story Short”; como ainda não foi exibido por aqui, não
existe uma tradução; numa tradução literal ficaria “História
Longa Curta”). A história é centrada num grupo
de amigos na faixa dos 40/50 anos de idade que se conhecem há bastante tempo. O espectador vai acompanhar vários encontros entre eles, num Reveillon, em festas de aniversário,
casamentos e outras ocasiões especiais. O filme dá destaque aos relacionamentos
amorosos e seus desdobramentos, encontros e desencontros, amores desfeitos e carências
afetivas, segredos e cumplicidade, predominando a amizade acima de alguns eventuais entreveros, como acontece numa
grande família. As reuniões são bastante festivas e geralmente acabam em dança
e cantorias. Os diálogos são leves e divertidos, caracterizando esta produção
dinamarquesa como uma comédia das mais agradáveis, com uma qualidade muito acima
da média habitual. Uma diversão inteligente. Trata-se do segundo filme escrito e dirigido pela diretora
dinamarquesa May el-Toukhy – o primeiro foi “White Man’s Burden”, de 2003. Ela
conseguiu reunir um elenco de primeira, destacando-se alguns dos mais
competentes atores dinamarqueses da atualidade, como Danica Curcic, Mille
Lehfeldt, Trine Dyrholm, Jens Albinus e Peter Gantzler. terça-feira, 12 de setembro de 2017
“O CADÁVER DE ANNA FRITZ” (“El
Cadáver de Anna Fritz”), 2015, Espanha, 74 minutos, roteiro e
direção de Héctor Hernández – seu filme de estreia. Esqueça qualidade e encare
apenas como diversão. Se é que dá para se divertir num filme quase que
inteiramente ambientado dentro de um necrotério. Trata-se de um thriller que mistura suspense e doses de
humor negro, sem sustos, monstros ou mutilações sangrentas. Enfim, um terror que pode ser visto comendo pipoca, sem roer unhas ou eriçar os pelos do pescoço. A história: chega ao necrotério o cadáver de uma famosa e bela
atriz – Anna Fritz, claro – cuja morte gerou comoção nacional. O jovem Pau
(Albert Carbó), assistente do necrotério, fotografa o cadáver da moça e envia
para seus dois amigos Ivan (Cristian Valencia) e Javi (Bernat Saumell), que vão
ao necrotério para convencer Pau a deixá-los entrar para ver o corpo nu da bela
atriz. Só que eles não se contentam em apenas ver, mas usufruir do material gelado.
Mas não contavam, porém, com um fato inusitado, que não dá para contar aqui e
estragar a surpresa. Resumindo: os rapazes vão tentar limpar a bagunça,
esconder o que fizeram e esquecer tudo o que aconteceu. Mas não será fácil para
eles escapulir de alguém que quer fazer justiça com as próprias mãos. Resumo da
ópera-bufa: dá pra ver sem precisar recorrer aos neurônios. Ah, Alba Ribas é a
atriz que faz Anna Fritz – ou o seu cadáver...
“A MORTE DE LUÍS XIV” (“LA MORT
DE LOUIS XIV”), 2016, França/Espanha, roteiro
e direção do espanhol Albert Serra. Trata-se de um filme biográfico que relata
os últimos dias de vida do Rei Luís XIV (1638/1715), em cujo reinado de 72 anos
– o mais longo da história europeia – a França chegou à liderança das potências
europeias. O filme é inteiramente ambientado nos aposentos de Luís XIV e mostra
sua agonia iniciada com fortes dores na perna esquerda que logo se
transformaria numa gangrena fatal. O ambiente é claustrofóbico e um tanto
mórbido – sem exagero, dá para sentir o cheiro da morte –, com um entra e sai de ministros, membros da corte, familiares, padres, médicos e empregados, enquanto o rei
mal consegue se levantar e se alimentar. Luís XIV é interpretado de forma impressionante e magistral por um dos maiores atores franceses, Jean-Pierri Léaud, preferido nas
décadas de 50/60/70 por diretores como François Truffaut e Jean-Luc Godard. Por
sua carreira e pela atuação neste filme, Léaud recebeu a Palma de Ouro Honorária
no Festival de Cannes/2016. O diretor catalão Albert Serra realizou o filme
como se fosse uma série de quadros vivos, utilizando iluminação à luz de velas
e uma fotografia deslumbrante, a cargo de Jonathan Ricquebourg. Enfim, um puro
exemplar da melhor qualidade do chamado cinema de arte, premiado com o Prêmio de "Melhor Filme Internacional" no Jerusalém Film Festival/2016. Imperdível!
Vencedor
da Palma de Ouro no 69º Festival de Cannes/2016, “EU, DANIEL BLAKE” (“I,
Daniel Blake”) consagra o inglês Ken Loach como um dos diretores
mais engajados do cinema atual com seus filmes de cunho político e social,
explorando temas como o desemprego, a questão dos imigrantes e dos direitos de outras
minorias deixadas de lado pelo sistema. O carpinteiro Daniel Blake (Dave Johns)
é um solitário viúvo de 59 anos que sofreu um grave problema cardíaco e recebeu
ordens médicas para ficar afastado do trabalho. Ao reivindicar o
seguro-desemprego, Blake vai encontrar inúmeros obstáculos colocados à sua
frente pelos burocratas ingleses (eles não conhecem o nosso INSS...). Blake tentou
obter informações por telefone e depois foi obrigado a preencher formulários
por intermédio da Internet. Só que ele não domina os computadores. Blake
resolve ir direto aos escritórios responsáveis pela liberação do benefício.
Mais descasp e dor de cabeça. Numa dessas visitas, ele conhece a jovem Katie
(Hayley Squires), mãe solteira de duas crianças que tenta receber o vale alimentação.
Os dois tornam-se amigos e Blake passa a ajudar Katie. Além de denunciar os
desmandos e o pouco caso dos burocratas ingleses com os cidadãos, Loach cria
momentos de grande sensibilidade. Mais um belo filme do diretor inglês – de novo
com a colaboração do roteirista Paul Laverty, parceiro de outros filmes de
Loach. Quem quiser conhecer melhor a obra de Loach, recomendo filmes como “Ventos
da Liberdade”, “A Parte dos Anjos”, “Pão e Rosas” e “Jimmy’s Hall”, entre
outros. domingo, 10 de setembro de 2017
Drama
que não faz jus à qualidade da cinematografia da Suécia. Já começa pelo título
esquisito: “APFLICKORNA”, que na tradução em inglês ficou “She Monkeys”,
o que também não quer dizer nada e muito menos tem a ver com a história. O
filme, lançado em 2011, foi escrito e dirigido pela sueca Lisa Aschan. A
história é centrada na amizade entre duas jovens de 15 anos de idade, Emma
(Mathilda Paradeiser) e Sara (Isabella Lindqvist), praticantes do volteio, um
esporte que compreende malabarismo sobre cavalos. As duas fazem parte de uma
equipe que disputará um torneio. Elas ficam amigas íntimas e inseparáveis, mas
têm personalidades diferentes. Emma é mais contida. Sara é mandona,
manipuladora. Nem sempre a amizade será um mar de rosas entre as duas,
incluindo ciúmes e a disputa ferrenha por uma vaga na equipe de volteio, além de uma evidente atração lésbica por parte de Cassandra. Enquanto isso, Sara (Isabella Lindqvist), a irmã de 8 anos de Emma, desenvolve
uma sexualidade nada normal para a sua idade. Tudo muito constrangedor. Mesmo que o filme tenha sido
considerado “um dos mais intensos e complexos” pelo crítico de cinema da
Revista Variety e eleito o melhor filme sueco do ano pelo “Golden Bug Awards”, confesso
que achei entediante e sem atrativos para garantir uma recomendação. Saudades
de Bergman!
“NOJOOM, 10 ANOS, DIVORCIADA” (“Ana
Nojoom Bent Alasherah Wamotalagah”), 2014,
Iêmen, roteiro e direção de Khadija al-Salami. Em 2008, a jornalista francesa
Delphine Minoui descobriu no Iêmen um caso que se transformou em notícia
mundial: uma menina de 10 anos havia conseguido o divórcio. A jornalista revelou
que Nujood Ali, de apenas 10 anos, foi obrigada a se casar com um homem bem
mais velho em troca de um generoso dote, aceito pela família pobre da garota,
residente num pequeno vilarejo onde o casamento infantil era bastante comum –
assim como em vários outros países árabes. Num ato de extrema coragem, Nojood
procurou a justiça e conseguiu o divórcio. Os pormenores desse polêmico caso
foram descritos posteriormente num livro escrito por Nojood e adaptado para o
cinema pela diretora Khadija al-Salami, ela própria obrigada a se casar com 11
anos de idade. Segundo o filme, cerca de 70 mil garotas morrem anualmente por causa
do casamento infantil no Iêmen. O filme é bastante chocante e perturbador,
principalmente por causa das cenas onde a menina aparece sendo espancada e
estuprada. O elenco é quase todo formado por atores amadores, o que fica
evidente desde o início. Para alguns críticos profissionais, este pode ser um fato alentador. Achei que prejudicou a qualidade interpretativa e o próprio filme como um todo. De qualquer forma, é um filme interessante não apenas pela história
em si, mas também por revelar inúmeros aspectos dos costumes e da cultura do
povo iemenita, bastante incompreensíveis para o mundo ocidental. sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Premiado
em vários festivais de cinema pelo mundo afora, o drama peruano “A
PASSAGEIRA” (“Magallanes”), 2014, conta uma história que tem como
pano de fundo os abusos cometidos por um coronel do exército na época (anos
80/90 do século passado) em que o governo peruano lutava contra o grupo radical
Sendero Luminoso. Vinte e cinco anos depois de ter servido como soldado no quartel
de Ayaucho, o agora taxista Harvey Magallanes (Damián Alcázar) tem uma surpresa
ao fazer uma corrida com uma mulher que ele reconhece como aquela garota de 14
anos que viveu um ano como escrava sexual do tal coronel, seu comandante, hoje sofrendo
de demência e entrevado numa cadeira de rodas. Magallanes quer saber como
Celina (Magaly Solier) está vivendo e em quais condições. Ele descobre que ela
está com dificuldades financeiras e ainda tem de cuidar do filho com
deficiência, fruto daquela sua experiência como escrava sexual. Num misto de
afeição e compaixão, Magallanes resolve ajudar Celina, nem que para isso chegue
ao extremo de planejar um sequestro. O filme marcou a estreia como roteirista e
diretor do ator peruano Salvador Del Solar, que se inspirou no livro “La
Pasajera”, escrito por Alonso Cueto. O filme é ótimo e o trio principal de
atores melhor ainda: o ator mexicano Damián Alcázar, a atriz peruana Magaly
Solier (de “A Teta Assustada”) e o veterano ator argentino Federico Luppi. quarta-feira, 6 de setembro de 2017
“FOTÓGRAFO” ("Fotograf"), 2015, República Tcheca, roteiro e direção de Irena
Pavlásková. Trata-se de um filme biográfico centrado na história do famoso
fotógrafo tcheco Jan Saudek, ainda vivo, hoje com 82 anos de idade – Saudek colaborou
com o roteiro e ainda fez a foto do cartaz de divulgação aqui reproduzido.
Saudek começou a fotografar em 1950, aos 15 anos, e ganhou projeção nos meios
artísticos pelo seu estilo inusitado, explorando o erótico e ao mesmo tempo o
grotesco. Ele sempre teve fixação em mulheres gordas, mostradas geralmente nuas
e em posições nada convencionais. Outra de suas marcas registradas era o
tratamento de cores aplicado nas fotos depois da revelação. Sua obra está
exposta nos museus mais importantes do mundo, consagrando um dos artistas
tchecos de maior prestígio internacional. No filme, Saudek é retratado como um
artista excêntrico, um mulherengo pervertido, alcoólatra, egocêntrico e
irresponsável. O filme apresenta alguns fatos importantes que marcaram a vida
de Saudek e influenciaram a sua criatividade. Filho de judeus, ele passou boa
parte da infância num campo de concentração e, mais tarde, já como um fotógrafo
conceituado, foi perseguido pelo governo comunista nos anos de chumbo da antiga
Tchecoslováquia. Suas mulheres também ganharam espaço no filme, principalmente Líba
(Marie Málková), sua secretária e depois amante. O filme é muito bem feito, um
tanto perturbador, mas bastante interessante. Recomendo! segunda-feira, 4 de setembro de 2017
“O MÍNIMO
PARA VIVER” (“To the Bone”), EUA, 2017,
teve sua estreia mundial pela Netflix no dia 14 de julho. Trata-se do primeiro
filme escrito e dirigido pela diretora norte-americana Marti Noxon. A história
toda é centrada na jovem Ellen (Lily Collins, filha de Phil Collins), de 20
anos de idade, que desde adolescente dá um trabalho danado pelo fato de ser
anoréxica. Ela foi internada inúmeras vezes em clínicas especializadas, mas em
nenhuma o tratamento teve sucesso. Perdendo peso a cada dia, Ellen ingressa num
processo de deterioração física e sua saúde começa a ser afetada. Ou seja, se
não voltar a comer normalmente irá correr risco de morte. Diante desse quadro,
os pais resolvem encaminhá-la para um tratamento alternativo, sob a orientação
do dr. William Beckham (Keanu Reeves), que mantém uma clínica para jovens
anoréxicos. A terapia é a base do tratamento do dr. Beckham, mas Ellen será sua
paciente mais difícil. Bonitinha e boa atriz, Lily Collins emagreceu bastante
para interpretar Ellen. Quem sabe esse trabalho possa lhe render uma indicação ao Oscar/2018 de Melhor Atriz - a Academia adora premiar atores que emagrecem ou engordam para um papel. Numa das entrevistas que deu para a imprensa, Lily, de
28 anos, confessou que foi anoréxica quando mais jovem, o que a ajudou a
desempenhar o papel de Ellen. O elenco conta ainda com Lili Taylor, Liana
Liberato, Kathryn Prescott e Alex Sharp. O filme tem momentos sensíveis e certamente
irá agradar, principalmente, o público feminino.
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