sábado, 13 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
“NINA”, EUA, 2015,
roteiro e direção da estreante Cynthia Mort. Trata-se da cinebiografia de Nina
Simone, diva norte-americana do jazz e do soul que morreu em 2003, aos 70 anos.
O filme exalta as qualidades musicais inegáveis de Nina como pianista, cantora
e compositora, mas não deixa de explorar também o seu lado negativo. Nina era
uma artista arrogante, irascível e, além disso, alcóolatra crônica. Na fase decadente,
ela fazia shows em bares e era muito comum parar a música para xingar ou
agredir alguém da plateia. Uma espécie de Tim Maia de saias. O filme também
destaca o seu relacionamento com Clifton Henderson (David Oyelowo), enfermeiro
que conheceu numa clínica de reabilitação e que depois se tornou seu amigo e empresário.
A escolha da atriz Zoe Saldana para interpretar Nina causou uma grande polêmica.
Isto porque Zoe é bonita e teve que se submeter a uma grossa maquiagem para
parecer feia e tão escura quanto Nina. Não deu certo e o resultado acabou
decepcionando não apenas os fãs da cantora, como também sua família, que
detestou tanto a escolha como o trabalho da atriz. Apesar desse contratempo, o
filme tem força dramática e dá uma boa ideia da personalidade da cantora, que
também foi uma corajosa ativista contra a segregação racial. A trilha sonora é a cereja
do bolo.
Enquanto
assistia “A VINGANÇA ESTÁ NA MODA” (“The Dressmaker”), 2015, roteiro e direção de Jocelyn
Moorhouse, fiquei me perguntando o que estão fazendo nesse filme medíocre duas
das melhores atrizes da atualidade, como Kate Winslet e Judy Davis (de tantos
filmes de Woody Allen). É claro que não obtive resposta, mas cheguei ao final com
a mesma impressão: o filme é muito fraco. Trata-se de uma comédia australiana de
humor negro, ambientada em 1951, que conta a história de Mirtle “Tilly” Dunnage
(Winslet), que ainda adolescente é expulsa de uma pequena vila no sertão da
Austrália, acusada de ter cometido um crime. Depois de passar cerca de 20 anos
fora, durante os quais fez um curso de estilista em alta costura em Paris, Tilly
volta para casa para se confrontar com seus antigos algozes e contar
sua versão sobre ao crime pelo qual foi acusada. Além disso, reencontra a mãe, Molly
(Judy Davis), que ficou louca e vive na maior sujeira. Somente a moda conseguirá
aproximar Tilly das moradoras da vila, o que remete ao título do filme. Alguns
personagens estranhos surgem na história, como um policial (Hugo Weaving) que
gosta de se vestir de mulher e um velhinho tão encurvado que só consegue enxergar
o chão. Tudo muito caricatural, non sense. Se há alguma coisa a se elogiar, destaco o título nacional bem bolado e que condiz com a história, além dos ótimos desempenhos de Winslet e Judy Davis. Muito pouco para justificar a permanência em frente à telinha por 1h58m. O filme foi exibido pela primeira vez no 40º Festival de Toronto (Canadá), em
setembro de 2015. terça-feira, 9 de agosto de 2016
Se
você gosta de assistir a um filme com alta dose de sensibilidade – e qualidade
-, não perca o drama japonês “SABOR DA VIDA” (“An”), 2015, da diretora Naomi Kawase (“O Segredo
das Águas”). É um filme simples, delicado, comovente, cuja história é ambientada
numa pequena confeitaria especializada na confecção do tradicional doce japonês
Dorayaki – trata-se de uma panqueca recheada com pasta de feijão vermelho. O
gerente Sentaro (Masatoshi Nagase) toca o negócio sozinho, preparando os
Dorayakis e também atendendo os clientes. Até que um dia aparece Tokue (Kirin
Kiki), uma senhora de 76 anos, que se oferece para ajudá-lo. De início, Sentaro
se recusa a contratá-la. No dia seguinte, porém, Tokue volta à confeitaria
levando sua pasta de feijão para Sentaro experimentar. Ele fica encantado com o
sabor, achando a receita maravilhosa. Ele então contrata Tokue, que o ensina a
fazer a pasta do seu jeito. O sucesso é imediato e as filas de clientes
aumentam a cada dia. Até que alguém percebe que as mãos de Tokue são deformadas
por algum tipo de doença, o que chega ao conhecimento da dona da confeitaria,
que obriga Sentaro a demitir Tokue. A sensibilidade do filme não está apenas na
amizade entre Tokue e Sentaro, mas também nas observações da idosa a respeito
da Natureza, principalmente relacionadas a pássaros, cerejeiras e feijões. O filme de Kawase, baseado no livro "An", de Durian Sukegawa, integrou a Mostra “Um
Certo Olhar” do Festival de Cannes 2015, além de ter sido exibido por aqui no
ano passado durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Impossível
não se comover com a interpretação de Kirin Kiki, o que torna o filme ainda
mais irresistível. Não perca!
Já
que a Olimpíada é o assunto do momento, vale a pena assistir “RAÇA”
(“RACE”), 2015, Canadá, direção de Stephen
Hopkins. O filme relembra a incrível e fascinante história do corredor
norte-americano Jesse Owens (o ator canadense Stephan James), que nas
Olimpíadas de 1936, em Berlim, conquistou quatro medalhas de ouro, contrariando
e enfurecendo as autoridades nazistas, que apostavam na supremacia da raça
ariana inclusive no esporte. O filme destaca a trajetória de Owens, um negro
pobre que sofreu preconceito a vida inteira em seu próprio país, inclusive
depois que virou herói olímpico. Num dos episódios mostrados logo após as Olimpíadas,
Owens seria o homenageado numa grande recepção em Nova Iorque. Mesmo assim, ele
e a esposa são obrigados a entrar pela porta de serviço. O filme também
apresenta os fatos que marcaram os bastidores das reuniões do comitê olímpico
norte-americano, que até o último momento era contra a participação dos EUA no
evento de Berlim. Um de seus integrantes, Avery Brundage (Jeremy Irons), foi a
Berlim negociar a participação norte-americana diretamente com Josef Goebbels
(Barnaby Metschurat), ministro de propaganda nazista. Ficou acertado, por
exemplo, que a Alemanha teria de aceitar negros e judeus na delegação dos EUA.
Acordo firmado, mas não cumprido, como o filme mostrará adiante. O filme também
destaca o trabalho de Leni Riefenstahl (a atriz holandesa Carice van Houten), a
“cineasta de Hitler”. Outro destaque do elenco é Jason Sudeikis, que interpreta
Larry Snyder, o primeiro técnico de Owens. O filme ainda apresenta alguns momentos
bastante comoventes, como a amizade de Owens com o principal atleta alemão, Carl
Long (David Kross). Resumindo, um filmaço!segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Depois
de conquistar o Oscar de Melhor Ator em 2003 com “O Pianista”, de Roman Polanski,
Adrien Brody não emplacou nenhum outro grande sucesso, alternando participações em bons filmes como “Meia-noite
em Paris” e “Grande Hotel Budapeste” com outros tantos de qualidade duvidosa, como é o
caso do recente “MANHATTAN NIGHT” (ainda sem tradução por aqui), 2015, EUA, roteiro
e direção do estreante Brian DeCubellis. A história, inspirada no livro
homônimo escrito por Colin Harrison em 1996, é centrada no repórter policial Porter
Wren (Brody), famoso pelo toque sensacionalista que dá às reportagens. Durante
um coquetel oferecido pelo dono do jornal em que trabalha, Wren conhece a bela
e sedutora Caroline Crowley (a atriz australiana Yvonne Strahovski). Mesmo ele
sendo casado e ela noiva, os dois começam um caso. Só que, como Wren irá descobrir,
Caroline se entregou com outras intenções, relacionadas com a morte misteriosa
de seu ex-marido Simon Crowley (Campbell Scott) e uma fita de vídeo que compromete
um grande empresário. Wren acaba se envolvendo numa trama que colocará sua vida
e a da sua família em perigo. O filme tem um toque de policial noir, com algum suspense e reviravoltas,
mas não convence, principalmente pelo roteiro um tanto confuso. Nada que mereça
uma indicação entusiasmada, a não ser a presença marcante e estonteante da loiraça Yvonne
Strahovski.domingo, 7 de agosto de 2016
“NON ESSERE CATTIVO” (já vi traduzido em duas
versões por aqui, “Não Seja Mau” e “Não Seja Rebelde”), Itália, 2015, direção
de Claudio Caligari. Ambientado nos anos 90 em Óstia, distrito litorâneo de
Roma, o drama é centrado em Cesare (Luca Marinelli) e Vittorio (Alessandro
Borghi), dois amigos trambiqueiros e drogados, que gostam de arrumar encrenca e
sair pelas baladas noturnas. São pobres, vivem de roubos e da venda de drogas.
Trabalho honesto, nem pensar. Um dia, porém, Vittorio começa a ter visões por
causa das drogas e passa a repensar seu modo de vida. Além disso, conhece Linda
(Roberta Mattei), por quem se apaixona. Enquanto isso, Cesare não larga as
drogas e passa a usar as mais pesadas, apesar dos conselhos da namorada Viviana (Silvia D’Amico) e do amigo Vittorio. Fica na cara que o final de Cesare não será
dos melhores. Caligari, autor do roteiro e diretor (morreu logo após o final
das filmagens), apresenta um retrato triste e nada animador de jovens sem valores,
sem esperança e mais interessados em curtir a vida perigosamente, caindo na
marginalidade. Um tipo de juventude nada diferente do que conhecemos por aqui e
acolá. Repito: é um filme pesado, quase desagradável. Mesmo assim, foi um dos
indicados para representar a Itália na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme
Estrangeiro, além de ter sido premiado em vários festivais internacionais.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
“OS ANARQUISTAS” (“Les Anarchistes”), França,
2015, roteiro e direção de Ellie Wajeman. Paris, 1899: o jovem sargento da
polícia Jean Albertini (Tahar Rahim) é encarregado de se infiltrar num grupo de
anarquistas. A promessa de uma futura promoção faz Jean aceitar a missão. Ele
começa ingressando como trabalhador comum numa fábrica, fazendo amizade com aqueles
já conhecidos como militantes da causa anarquista. Integra-se tão bem ao grupo
que é convidado para morar junto com os militantes num amplo apartamento. Jean
é obrigado a participar das ações do grupo, que compreendem manifestações de
protesto nas ruas, reuniões em locais públicos e até roubos. Entre os anarquistas
está Judith (Adéle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Albertini. E
vice-versa. Até o desfecho, o policial viverá o conflito de entregar a parceira
amada. O ator Tahar Rahim, de origem argelina, mais uma vez apresenta uma
atuação marcante, ao contrário de Exarchopoulos, cujo desempenho está longe do
que se espera de uma atriz considerada uma grande revelação, principalmente
depois que atuou no polêmico “Azul é a Cor mais Quente”. A atriz atua no piloto
automático, fria e distante, sem qualquer emoção. De qualquer forma, o filme é
muito bom, principalmente na recriação de época, através de cenários e
figurinos. O filme foi exibido pela primeira vez na abertura da Semana da
Crítica do Festival de Cannes 2015.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
“1001 GRAMAS” (“1001 Grams”), 2014, Noruega, direção de Bent Hamer. Com a minha habitual modéstia cinematográfica, confesso que até a
metade do filme tentei entender o que estava acontecendo. Na segunda metade, até
o final, captei algum sentido na história, mas mesmo assim acabei meio perdido
nas elucubrações de Hamer, que já havia escrito e dirigido outros filmes
esquisitos, como “Caro Sr. Horten”. O enredo, por si só, já é árido. A
cientista Marie (Anne Dahl Torp) trabalha no Instituto de Medidas da Noruega
juntamente com seu pai Ernst (Stein Winge), este um renomado cientista. Marie
vive um momento difícil pós-separação e está bastante deprimida. Às vésperas de
uma conferência científica sobre pesos e medidas em Paris, da qual participaria
levando o protótipo do “quilo padrão” da Noruega, Ernst fica doente. Marie,
então, é encarregada da missão e embarca para Paris levando o tal protótipo
para apresentar na convenção. Não sei se isso acontece de verdade, mas,
venhamos e convenhamos, não é um tema de fácil assimilação para nós, mortais e
leigos espectadores. A depressiva Marie aparece com cara de profunda tristeza em
todas as cenas e só é capaz de um sorriso no desfecho, quando está transando
com o amante parisiense e tenta calcular a medida do que está lhe causando
tanta satisfação. Ah, pelo menos o título do filme é explicado, mas não vou
contar para não estragar a surpresa. terça-feira, 2 de agosto de 2016
“EM NOME DA LEI”,
nacional, 2015, roteiro e direção de Sérgio Rezende. A história: o juiz federal
Vítor (Mateus Solano) chega à cidade (fictícia) de Fronteiras, na fronteira com o Paraguai, disposto a acabar
com o contrabando e o tráfico de drogas. Seu alvo principal é o chefão Gomez
(Chico Diaz), que manda e desmanda na cidade e na região. Para executar o seu
trabalho, Vítor conta com a ajuda da promotora Alice (Paolla Oliveira) e do
policial federal Elton (Eduardo Galvão). Só que o juiz federal não é muito dado
a estratégias e não aceita conselhos, nem mesmo do policial federal e da
promotora, que estão há mais tempo tentando acabar com Gomez. Muita água vai
rolar e muita gente vai morrer antes do juiz concluir o seu trabalho. A
história é inspirada no juiz federal Odilon de Oiveira, que atuou na cidade de
Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) e enfrentou sem medo o crime organizado que
comandava o contrabando e o tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai. O
filme de Sérgio Rezende (“Zuzu Angel”, “Salve Geral”) tem muitos pontos fracos,
o mais evidente deles é o romance forçado entre o juiz e a promotora. No
elenco, o único que se salva é Chico Diaz na pele do chefão Gomez. De qualquer
forma, o filme vale ser visto pelo menos para revitalizar nossas esperanças com
relação à justiça em nosso País. Ainda poderemos contar com a luz no fim do
túnel enquanto houver juízes como Odilon Oliveira e Sérgio Moro. segunda-feira, 1 de agosto de 2016
“MENTE CRIMINOSA” (“CRIMINAL”), 2015, direção do israelense Ariel Vromen (“O Homem de Gelo”). Filme
inglês de ação e suspense com um elenco de primeira, mas com um resultado final de
segunda. Bill Bope (Ryan Reynolds), agente da CIA em Londres (o filme é todo
ambientado na capital inglesa), é assassinado durante uma missão. Como seu
cérebro guardava segredos importantes relativos a um terrorista internacional, Quaker Wells (Gary Oldman), diretor da CIA, convoca o neurocirurgião Franks
(Tommy Lee Jones) para transferir as memórias do cérebro de Bope para Jericho
(Kevin Costner), um presidiário violento e psicopata que aguardava sua vez no
corredor da morte. De início, a operação não dá certo. E, pior, Jericho
consegue fugir. Apesar de algumas boas cenas de ação, nada faz muito sentido, a
começar pela escolha de um psicopata para receber as memórias do agente morto.
Mais: Jericho começa a ter sentimentos com relação à viúva e à filha do agente falecido
e à filha. A cena final, quando todos se encontram num aeroporto, inclusive o
vilão, é ainda mais constrangedora. Resumo da ópera: nada funciona, nem o
roteiro e muito menos o elenco – a atuação de Gary Oldman, por exemplo, fazendo
o tipo histérico, beira o patético. Talvez a “Mente Criminosa” do título faça
mais jus aos roteiristas do filme, Douglas S. Cook e David Weisberg. Abacaxi dos mais azedos...
“FIQUE COMIGO” (“ASPHALTE”), 2015, França, escrito e dirigido por Samuel Benchetrit. O roteiro é
baseado no livro escrito pelo próprio Benchetrit, “Les Chroniques de L’Asphalte”.
Ambientado num prédio da periferia de Paris, o filme tem como pano de fundo a
solidão, só que passa longe de um drama. O humor permeia toda a ação. No
primeiro andar mora um tipo esquisito que um dia exagera nos exercícios numa
bicicleta ergométrica e perde o movimento das pernas. Acaba numa cadeira de
rodas. Só que ele havia se recusado a pagar o conserto do elevador e estava
proibido de utilizá-lo. Em meio a esse problema, ele conhece uma enfermeira e
se apaixona. Em outro andar do prédio mora uma ex-atriz de cinema agora
esquecida que faz amizade com um jovem vizinho. Insegura pela proximidade de um
teste, a atriz precisa de uma força psicológica e um ombro amigo, que encontra
justamente no vizinho adolescente. Agora vem o momento surreal do filme: a cápsula
de um foguete cai no prédio e despeja um astronauta norte-americano, que acaba
acolhido no apartamento de uma simpática senhora de origem árabe. Um não fala a
língua do outro, mas isso não será problema. Enquanto espera pelo resgate da
NASA, o astronauta é mimado pela senhora e os dois acabam ficando amigos. O
filme é ótimo, surpreendente pelas situações inusitadas e valorizado por um
elenco de primeira: Isabelle Huppert, Michael Pitt, Valéria Bruni-Tedeschi,
Gustave Kervern, Tassadit Mandi e Jules Benchetrit (filho do diretor). Programão! sexta-feira, 29 de julho de 2016
“UM HOMEM ENTRE GIGANTES” (“CONCUSSION”), 2015, EUA, segundo filme dirigido por Peter
Landesman – o primeiro foi “JFK, A História não Contada”. O roteiro foi baseado
em fatos reais. Em 2002, ao realizar a autópsia no cadáver de Mike Webster
(David Morse), ex-astro do futebol norte-americano que se suicidara, o dr. Bennet
Omalu (Will Smith), neuropatologista forense de um hospital de Pittsburg,
descobre que o falecido sofria de ETC (Encefalopatia Traumática Crônica),
causada pelos impactos na cabeça durante os anos em que jogou futebol
profissional. Dr. Omalu pesquisou o assunto e resolveu tornar pública a sua
descoberta, contrariando os interesses comerciais e econômicos da poderosa NFL
(National Football League). Outros casos semelhantes ao de Mike Webster começam
a surgir, dando razão ao dr. Omalu. Mas o show deve continuar. E continuou. A
NFL está aí, viva e cada vez mais poderosa. Também estão no elenco Alec Baldwin,
Gugu MBatha-Raw e Albert Brooks. O filme é muito bom e a história melhor ainda. Imagine o que o Dr. Omalu teve de enfrentar, ainda mais sendo negro e nigeriano. Só para ilustrar: 90% dos casos de ETC foram constatados em ex-atletas de
futebol e boxe. Aqui no Brasil, os casos mais conhecidos são do jogador de futebol
Bellini e do boxeador Maguila. quinta-feira, 28 de julho de 2016
“UMA CAMINHADA NA FLORESTA” (“A Walk in the Woods”), 2015, EUA, comédia, direção de Ken Kwapis. Depois de duas décadas
morando na Inglaterra e viajando por vários países para fazer reportagens sobre
roteiros turísticos, o jornalista Bill Bryson (Robertg Redford) retorna aos EUA
para curtir uma merecida aposentadoria ao lado da esposa Catherine (Emma
Thompson) e dos filhos. Só que um dia, após comparecer ao velório de antigo
amigo, Bill chega à conclusão de que ainda não chegou a hora de se entregar à
velhice. Ele quer um novo desafio. Resolve, então, partir para uma aventura:
enfrentar uma caminhada de 3.500 km pela Trilha dos Apalaches (“Apalachian
Trail”). Sua mulher, porém, o aconselha a encarar o desafio com uma companhia.
Surge então um antigo colega de colégio, Katz (Nick Nolte), um beberrão gordo e
completamente fora de forma. E lá vão eles pela floresta e montanhas afora.
Claro que não seguirão à risca o manual do andarilho aventureiro, pois hospedam-se
em motéis e pegam caronas na estrada. A história é baseada em fatos reais,
relatados no livro “A Walk in the Woods: Rediscovering America on the Appalachian
Trail”, de Bill Bryson (o personagem de Redford). O filme é muito divertido. Parece
que Redford e Nolte estão realmente curtindo a aventura e se divertindo de verdade nas filmagens.
Curioso é ver a grande Emma Thompson num papel tão pequeno. O time de veteranos do elenco é reforçado pela ótima Mary Steenburgen. O diretor Kwapis (“Ela
não está tão a fim de Você” e “Licença para Casar”) prova mais uma vez que
entende de comédia. Diversão garantida!
terça-feira, 26 de julho de 2016
“NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA”, 2015, segundo filme dirigido por Roberto Berliner (o primeiro foi “Júlio
Sumiu”). A história é centrada no trabalho da médica psiquiatra Nise da
Silveira, considerada a pioneira da terapia ocupacional no Brasil. O filme é
ambientado em 1944, quando Nise (Glória Pires) ingressa no corpo médico do
Centro Psiquiátrico Nacional D. Pedro II, no Engenho de Dentro (Rio de
Janeiro). Ao descartar os tratamentos violentos da época, como a lobotomia e o
eletrochoque, Nise entra em conflito com os outros médicos da clínica. Ela não
permite que os doentes sejam chamados de pacientes. “Eles são nossos clientes.
Nós é que temos de ser pacientes com eles”, diz ela numa cena. Isolada pelo corpo médico do hospital, ela
decide criar o Setor de Terapia Ocupacional, onde monta um ateliê para os
doentes esquizofrênicos, os quais, com o tempo, demonstram uma incrível
habilidade com os pincéis. O trabalho de Nise ganhou repercussão no meio psiquiátrico
nacional, que passou a respeitar e adotar os métodos de tratamento mais humanos
implantados pela médica alagoana. Vale a pena assistir e conhecer o trabalho
dessa mulher incrível, que venceu preconceitos lutando por seus ideais. À
frente de um excelente elenco, Glória Pires mais uma vez comprova ser a melhor
atriz brasileira da atualidade. Imperdível! segunda-feira, 25 de julho de 2016
“MARAVILHOSO BOCCACCIO” (“Maraviglioso Boccaccio”), 2015, Itália, roteiro e direção dos irmãos
Paolo e Vittorio Taviani. Filme de época, ambientado em 1348, quando a Europa
era devastada pela peste negra. Dez jovens fogem de Florença (Itália) para não
contrair a doença e se refugiam numa casa de campo. Para descontrair o
ambiente, eles resolvem que cada um contará uma história por dia. No total,
cinco novelas do clássico “Decamerão”, escrito por Giovanni Boccaccio, são
acrescentadas ao filme. Algumas repletas de humor, como aquela que conta a
história de um homem simples que acredita ficar invisível depois de encontrar
uma pedra negra. Outras falam de amor, com final trágico ou feliz. Apesar do
contexto de época e do estilo teatral da interpretação dos atores, o filme é
leve e em nenhum momento monótono. As histórias são saborosas, os cenários campestres deslumbrantes e as atrizes do
elenco lindas. Só para citar algumas: Jasmine Trinca, Paola Cortellesi,
Vittoria Puccini e Carolina Crescentini. Os veteranos irmãos Taviani, de obras
consideradas primas como “Pai Patrão” e “A Noite de São Lourenço”, além do
recente “César Deve Morrer”, provam que continuam em plena forma. Vale a pena
assistir, principalmente pelos contos encenados. domingo, 24 de julho de 2016
“MARGUERITE”, 2015, França, direção de Xavier Giannoli. A história é ambientada nos
anos 20 em Paris. A rica baronesa Marguerite Dumont é apaixonada por ópera e
sempre quis ser uma cantora lírica. Nos saraus musicais beneficentes privados que
realizava em seu palácio, ela recolhia donativos para a campanha “Órfãos da
Guerra” (pós 1ª Guerra Mundial), servia o melhor champanhe e convidava cantores
líricos para apresentações com orquestra. Ao final de cada concerto, Marguerite
se apresentava cantando. Só que tinha um problema: era completamente
desafinada. O pessoal aplaudia, por pena e hipocrisia. Mas eram eventos sociais
importantes que a alta aristocracia parisiense fazia questão de prestigiar. Até
que um dia Marguerite resolve se apresentar ao público num grande teatro e,
para isso, contrata um professor de canto. Embora tenha seus momentos de humor,
graças à “qualidade” vocal de Marguerite, o filme chega a ser triste e
melancólico. Afinal, Marguerite, em sua inocência, acredita piamente que é uma
ótima cantora lírica. Um dia ela terá que se confrontar com a verdade, o que
não será nada fácil. A história de Marguerite é baseada na norte-americana
Florence Foster Jenkins, milionária que nas primeiras décadas do século XX
mobilizou a fina flor da sociedade de Nova Iorque com seus ganidos. Depois
desta versão francesa, está sendo lançada a de Hollywood, “Florence – Quem é
essa Mulher?”, com Meryl Streep, que pretendo assistir e depois comentar. O
filme francês é ótimo, com uma estupenda recriação de época e cenários
deslumbrantes, além de uma trilha sonora da melhor qualidade. Estão no elenco
Catherine Frot (divina), André Marcon, Micheu Fau, Sylvain Dieuaid e Denis
Mpunga. sábado, 23 de julho de 2016
“TOM NA FAZENDA” (“Tom à La Ferme”), 2013, Canadá, direção de Xavier Dolan.
Este foi o quarto filme escrito e dirigido pelo jovem diretor, roteirista e ator
canadense. A história: após a morte do seu namorado, com quem vivia em Montreal,
Tom (Dolan) entra em profunda depressão. Mesmo assim, resolve participar do funeral e visitar a mãe do
falecido, Agathe (Lise Roy), e o irmão dele, Francis (Pierre-Yves Cardinal),
que vivem numa fazenda. Como Agathe não sabe da opção sexual do filho, Tom
esconde o romance, dizendo que era apenas amigo do morto. Para disfarçar ainda
mais, Tom pede que uma amiga, Sarah (Evelyne Brochu), se apresente na fazenda
dizendo ter sido namorada do jovem morto. Como em quase todos os filmes de
Dolan, o clima é pesado, sufocante, com muita violência psicológica, agressões
verbais e físicas. Enfim, um filme muito desagradável. Dolan sempre gostou de
chocar a plateia. Quase todos os personagens que cria são emocionalmente desequilibrados, neuróticos e alguns até psicóticos, o que pode ser comprovado em “Mommy”, “Amores Imaginários” e “Eu Matei Minha Mãe”. Desde que surgiu como menino prodígio do cinema, ao dirigir “Eu Matei Minha Mãe”, em 2009, com apenas 20 anos de idade, Dolan manteve seu estilo e ganhou a simpatia dos críticos profissionais. "Tom à La Ferme" foi o vencedor do Prêmio da Crítica do Festival de Veneza 2013. Se você prefere filmes mais leves, um entretenimento para relaxar, esqueça Dolan. quarta-feira, 20 de julho de 2016
A
eutanásia, ou suicídio assistido, já gerou inúmeros filmes bons, o melhor deles
– minha opinião - o francês “Amor” (“Amour”), de Michael Haneke, Oscar 2013 de
Melhor Filme Estrangeiro. Outro excelente filme explorando o assunto é o
dinamarquês “CORAÇÃO MUDO”
(“Stille Hjerte”), 2014, dirigido por
Bille August (“Pelle, o Conquistador”, “A Casa dos Espíritos”, “Trem Noturno
para Lisboa”). Esther (Guita Nørby) tem esclerose múltipla e seu estado piora a
cada dia. Com a aprovação do marido, o médico Poul (Morten Grunwald), e das
filhas Sanne (Danica Cursic) e Heidi (Paprika Steen), ela decide cometer suicídio
assistido. Antes, porém, convida a família para um último final de semana. Uma
despedida. Como era esperado, cria-se um clima de tristeza geral e a decisão de
Esther passa a ser contestada, gerando conflitos, arrependimentos e dúvidas. O
filme é muito bom, mas o maior destaque realmente é o ótimo elenco,
principalmente as veteranas atrizes dinamarquesas Guita Nørby e Paprika Steen,
além da sérvia Danica Cursic. Muita emoção e momentos comoventes num filme
bastante cativante. Imperdível! terça-feira, 19 de julho de 2016
“Este
filme é dedicado às vítimas do Holocausto Soviético”. A frase, reproduzida nos
créditos finais do drama estoniano “NA VENTANIA” (“RISTTUULES”), 2014, diz respeito aos milhares de cidadãos
da Letônia, Estônia e Lituânia que morreram fuzilados ou nos campos de
trabalhos forçados na Sibéria, para onde foram deportados pelo governo russo do
ditador Stalin durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é centrado em Erna
(Laura Peterson), enviada a um campo de concentração na Sibéria juntamente com
a filha Eliide (Mirt Preegel). O roteiro foi todo inspirado nas cartas escritas
por Erna para o seu marido Heldur (Tarmo Song), enviado para outro campo de prisioneiros.
Se a história já é trágica por si só, a concepção estética criada pelo jovem
diretor estoniano Martti Helde, de 28 anos, aumentou a níveis estratosféricos o
clima melancólico do filme. Não há diálogos, apenas uma narrativa em off de trechos das cartas escritas por
Erna. O filme é todo em preto e branco. A maioria das cenas apresenta os
personagens e figurantes imóveis. Esse recurso estético, segundo o diretor, foi
escolhido depois que ele leu um trecho da carta de um preso na Sibéria onde ele
dizia que “Aqui na Sibéria, parece que o tempo parou”. Para chegar até o final
é preciso que o espectador se arme de uma dose monumental de paciência, pois
vai encarar um filme extremamente monótono, quase entediante, embora muito
comovente. Por esse trabalho de estreia, o diretor Helde conquistou o Prêmio de
Melhor Diretor Estreante no Festival Internacional de Cinema de Pequim 2015.
“AMOR E REVOLUÇÃO” (“Colonia”), 2015, Alemanha, direção de Florian Gallenberger ("Sombras do Passado"), é mais um drama histórico
inspirado em fatos reais ocorridos logo após a instalação da ditadura militar
no Chile. Mais um capítulo obscuro – e desconhecido, pelo menos para mim – do infame
regime comandado por Augusto Pinochet. Às vésperas do golpe militar, militantes
esquerdistas do mundo inteiro estão no Chile para defender o governo de
Salvador Allende. Um deles é o fotógrafo e artista plástico alemão Daniel (Daniel
Brühl), que em Santiago reencontra sua namorada alemã, a aeromoça Lena (Emma
Watson). Depois de uma noite de amor, eles acordam logo após o golpe militar e
saem às ruas. Disfarçadamente, ele fotografa a violência da repressão, só que é
descoberto, preso e enviado para uma prisão militar secreta, no subsolo de uma
fazenda intitulada Colonia Dignidad, cujos moradores são fanáticos seguidores
de um pregador embusteiro e violento, Paul Schäfer (Michael Nyqvist). Aqui, Daniel é
violentamente torturado e, fingindo desequilíbrio mental, acaba como um dos membros
da seita. Lena descobre o seu paradeiro e também ingressa na seita. Lena e
Daniel se reencontram e começam a planejar sua fuga. A partir daí, o filme entra
num clima de tensão que vai até o final, quando tentam sair do Chile. A
produção do filme é uma verdadeira salada mista: é uma coprodução Alemanha/Luxemburgo/França,
é falado em inglês, o diretor é alemão, assim como Brühl e parte do elenco,
Emma Watson (dos filmes de Harry Potter) é francesa, mas criada na Inglaterra,
e Nyqvist é sueco. O resultado final não ficou tão bom, embora valha a pena
assistir pela história. Há outros filmes muito melhores sobre o período
da ditadura chilena, como “No”, “Post Mortem”, "Machuca" e “Missing”. domingo, 17 de julho de 2016
É
bom avisar logo de cara: “BLIND”, 2014,
Noruega, não é um filme convencional, fácil de digerir. A história começa com as reflexões de Ingrid (Ellen Dorrit Petersen), narradas em
off. Ela perdeu a visão recentemente,
deixou de sair de casa e passa o tempo pensando no que teve a oportunidade de
ver, relembrando visões e tentando descobrir as cores de um edifício, de um
shopping, a raça de um cachorro etc. Enquanto passa o tempo todo sozinha no apartamento,
Ingrid tem a sensação de que seu marido Morten (Henrik Rafaelsen) está sempre a
observando, o que parece ser o prenúncio de alguma cena de suspense, o que não acontece. Ao mesmo tempo, a história coloca em cena personagens aleatórios
como Einar (Marius Kolkenstvedt), um tarado viciado em sites pornô, e Elin
(Vera Vitali), outra mulher que acaba ficando cega como Ingrid, mas com um comportamento bem mais neurótico. Estes dois últimos personagens parecem ter sido criados pela mente
de Ingrid, que estaria escrevendo um romance. Ou não? Muitas das cenas parecem
não fazer sentido, exigindo um esforço quase mediúnico do espectador para
adivinhar o que está acontecendo. Elin, por exemplo, aparece com um filho, que
depois vira uma filha. Elin aparece também em várias cenas com Morten, marido
de Ingrid. Um filme difícil de entender. Trata-se da estreia do norueguês Eskil
Vogt como diretor. Ele é mais conhecido como roteirista de filmes como “Oslo,
31 de Agosto” e “Mais Forte que Bombas”. De qualquer forma, “Blind” conquistou
os prêmios de Melhor Filme Europeu no Festival de Berlim/2014 e o de Melhor
Roteiro no Festival de Sundance (EUA), no mesmo ano.
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