A bela
atriz norte-americana Katherine Heigl, protagonista de tantas boas comédias (”Vestida para
Casar”, “Ligeiramente Grávidos”), desta vez encara um drama. Trata-se de “O CASAMENTO DE JENNY” (“Jenny’s Wedding”), 2014,
direção de Mary Agnes Donoghue. Ela é Jenny, uma trintona que nunca acertou um
namoro e agora, beirando os quarenta, é pressionada pela família a arrumar alguém
para casar. Ela finalmente se decide, mas o “marido” não será bem a pessoa que
a família esperava. Ao revelar sua paixão por Kitty (Alexis Bledel), com a qual
divide o mesmo teto há cinco anos, seus pais, Eddie (Tom Wilkinson) e Rose
(Linda Emond), extremamente conservadores, entram em polvorosa, assim como a irmã
Anne (Grace Gummer). O filme inteiro coloca em destaque esse conflito familiar,
a aceitação da escolha de Jenny e, finalmente, o seu casamento. No elenco, merece
destaque a atuação do ator inglês Tom Wilkinson e da norte-americana Linda
Emond. Também demonstra muita competência Grace Gummer, filha de Meryl Streep. Ao
explorar um tema tão em evidência, como a aceitação ou não da opção sexual dos
filhos, o filme nos motiva a refletir mais profundamente sobre a questão. Só
por isso, vale a pena. sexta-feira, 16 de outubro de 2015
A bela
atriz norte-americana Katherine Heigl, protagonista de tantas boas comédias (”Vestida para
Casar”, “Ligeiramente Grávidos”), desta vez encara um drama. Trata-se de “O CASAMENTO DE JENNY” (“Jenny’s Wedding”), 2014,
direção de Mary Agnes Donoghue. Ela é Jenny, uma trintona que nunca acertou um
namoro e agora, beirando os quarenta, é pressionada pela família a arrumar alguém
para casar. Ela finalmente se decide, mas o “marido” não será bem a pessoa que
a família esperava. Ao revelar sua paixão por Kitty (Alexis Bledel), com a qual
divide o mesmo teto há cinco anos, seus pais, Eddie (Tom Wilkinson) e Rose
(Linda Emond), extremamente conservadores, entram em polvorosa, assim como a irmã
Anne (Grace Gummer). O filme inteiro coloca em destaque esse conflito familiar,
a aceitação da escolha de Jenny e, finalmente, o seu casamento. No elenco, merece
destaque a atuação do ator inglês Tom Wilkinson e da norte-americana Linda
Emond. Também demonstra muita competência Grace Gummer, filha de Meryl Streep. Ao
explorar um tema tão em evidência, como a aceitação ou não da opção sexual dos
filhos, o filme nos motiva a refletir mais profundamente sobre a questão. Só
por isso, vale a pena. quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Produzido em 2014 e exibido no ano seguinte pela BBC, “O MENSAGEIRO” (“The Go-Between”,
título original do filme e do romance
escrito por L.P.Hartley) teve uma primeira versão para o cinema em 1971, com direção de Joseph Losey e com Julie Christie e Alan Bates nos papeis
principais. Este “O Mensageiro”, portanto, é uma refilmagem. Mas uma refilmagem
de grande categoria, com ótimos atores e uma recriação primorosa de época, além
de uma fotografia deslumbrante. Como qualidade cinematográfica, portanto, não
fica atrás do original. A história é ambientada em 1900 no interior da Inglaterra.
A bela jovem Marian Maudsley (Joanna Vanderham) é cortejada pelo Lord
Trimingham (Stephen Campbell Moore). É desejo de Mrs. Maudsley (Lesley
Manville), a autoritária mãe de Marian, que os dois se casem. Só que Marian tem
um amante, o fazendeiro Ted Burgess (Ben Batt). Leo, de 12 anos, sobrinho de
Mrs. Maudsley, serve como garoto de recados entre os dois amantes, daí o título
“O Mensageiro”. O caldo entorna quando a mãe descobre o caso da filha, numa
cena em que a ótima atriz Lesley Manville dá um show de interpretação. Muitos
anos depois, Leo (agora Jim Broadbent) reencontra Marian (agora Vanessa
Redgrave) para decretar o desfecho da história. Aliás, um reencontro sem muita
emoção, talvez o único defeito dessa caprichada produção inglesa. quarta-feira, 14 de outubro de 2015
O
drama inglês “O DANÇARINO DO DESERTO” (“DESERT DANCER”), 2013, conta uma incrível história de
coragem e amor à arte. No caso, a dança. Baseado em fatos reais recentes
ocorridos no Irã, o filme marca a estreia em longas do diretor inglês Richard
Raymond. A história: desde criança, o garoto iraniano Afshin Ghaffarian (Reece
Ritchie) adorava dançar. No colégio, era comum ele imitar a coreografia de
Patrick Swayze em “Dirty Dancing”. Acontece que dançar em público, no país de
Ahmadinejad, era e ainda é proibido. Afshin esqueceu a dança até ingressar na
faculdade em Teerã, capital do País. Aqui, formou um grupo clandestino de
dança, associando-se a Elaheh (a atriz indiana Freida Pinto), uma jovem
iraniana filha de uma ex-dançarina. Inspirados em vídeos de Pina Bausch e Michael
Jackson, que assistiam escondidos pela Internet, os dois criavam coreografias
especiais. Só que não podiam mostrá-las em público. A solução foi organizar uma
apresentação em pleno deserto. Tudo parecia ir bem até os fundamentalistas
islâmicos entrarem em ação, em nome da moral e dos bons costumes. O fim da
história todo mundo já sabe: Afshin foge para Paris, onde monta uma escola de
dança bastante conceituada. Todo o enredo tem como pano de fundo a situação
política do Irã sob Ahmadinejad, um regime de opressão no qual qualquer
manifestação artística é pecado mortal.terça-feira, 13 de outubro de 2015
“O HOMEM QUE ELAS AMAVAM DEMAIS” (“L’HOMME QU’ON
AIMAIT TROP”), 2014, direção de André Téchiné. A história é baseada em fatos reais.
Em 1976, a empresária Renée Le Roux (Catherine Deneuve), proprietária do Palais
de La Méditerranée, um luxuoso cassino na cidade de Nice, na Riviera Francesa,
vive às voltas com uma grave crise financeira em seu negócio. Seu principal
assessor é Maurice Agnelet (Guillaume Canet), um advogado ardiloso, ambicioso e
manipulador. Na época, suspeitava-se que, por trás das manobras para arruinar o
cassino de Renée, estava o empresário do cassino concorrente, Fratoni (Jean
Corso), considerado um poderoso mafioso local. Em meio a toda essa situação,
Renée recebe a visita de sua filha Agnes (Adèle Haenel), recém-separada e que
chega disposta a arrancar dinheiro da mãe. Ela acabará se envolvendo com
Maurice, contra todos os argumentos da mãe. O repentino desaparecimento de
Agnes faz a história virar um rumoroso caso policial, com Maurice sendo acusado
de assassiná-la e esconder o corpo. O mistério perdurou durante anos. Maurice
foi réu em vários julgamentos, o último deles em 2014, trinta e sete anos
depois do sumiço de Agnes. Não é dos melhores filmes do veterano diretor
francês, mas vale pela história e, principalmente, pelo ótimo elenco e pelo cenário maravilhoso da Riviera Francesa. Guilhaume
Canet, o ator francês do momento, já havia feito recentemente outro vilão num
filme também baseado em fatos reais (“Na Próxima, Acerto no Coração”), no qual
interpreta um policial psicopata.
Se
tiver, deixe de lado seu preconceito contra o cinema asiático e assista “FLORES
DO AMANHÔ (Xiang Ri Kui”), 2005, um
belo, sensível e comovente drama chinês escrito e dirigido por Zhang Yang (do
cultuado e premiadíssimo “Banhos”, de 1999). Duas horas e nove minutos de puro
prazer cinematográfico, tendo como pano de fundo o cenário político da China
durante 30 anos. A história passa pela Revolução Cultural Proletária, a morte do
grande líder Mao Tsé Tung, o Bando dos Quatro, até a época de Deng Xiao Ping. O
filme começa em 1967, com o nascimento de Xiangyang (interpretado por três
atores, da infância, juventude até a fase adulta). Seu pai, Gengnian (Haiyng
Sun), preso pouco antes pelo regime de Mao, só irá conhecer o filho dez anos
depois. Mimado pela mãe, Xiuqing (Joan Chen), o garoto só quer saber de
brincar, enquanto o pai, recém-chegado, insiste para que ele se torne pintor, sua
profissão até ser preso. A maior parte da história é dedicada à conflituosa
relação entre pai e filho, o que rende cenas de grande força dramática. O filme
retrata a evolução da sociedade chinesa diante dos novos tempos, incluindo uma mudança comportamental com relação à tradição secular de respeito aos pais e aos mais velhos em geral. Os atores
são ótimos, principalmente Joan Chen e Haiyung Sun. Um filme delicado, uma
pequena obra-prima do cinema chinês. Simplesmente imperdível!sexta-feira, 9 de outubro de 2015
As belas
paisagens do Alasca servem de cenário para o drama “WILDLIKE” (ainda sem tradução por aqui), EUA, 2014,
roteiro e direção de Frank Hall Green. Quem pensa que o estado americano é só
gelo vai se surpreender com a quantidade de verde, muita floresta e vegetação. A
história: a jovem Mackenzie (Ella Purnell), de 14 anos, fica órfã de pai e sua
mãe, com a desculpa de fazer um tratamento de saúde, a envia para morar um
tempo com o tio (Brian Geraghty), irmão do falecido, lá nos confins do Alasca. Sem
respeitar o parentesco nem a idade da sobrinha, o tio acaba partindo para o
ataque sexual. Cansada e de certa forma enojada, Mackenzie foge e se embrenha sozinha
pelo interior do Alasca. Ela quer voltar com urgência para Seattle, onde mora
com a mãe. Só que no meio do caminho ela conhece Rene Bart (Bruce Grenwood), um
homem de meia idade que está em busca de sossego e de um tempo para se
recuperar da recente viuvez. Mackenzie e Bart começam então uma viagem pelo
interior do Alasca, num road movie que
vai agradar o espectador que curte a Natureza e belas paisagens. A jovem atriz inglesa Ella Purnell é uma espécie de Angelina Jolie teen, ou seja, uma “Lolita” de primeira,
embora na vida real tenha 19 anos. Pode ser que eu me engane, mas acho que está nascendo uma nova estrela.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
A
comédia francesa “O QUE AS MULHERES QUEREM” (“SOUS LES JUPES DES FILLES”), 2014, tem um time de atrizes de tirar o chapéu – ou as calças, já que
sexo é o tema predominante. Só para citar algumas: Laetitia Casta, Alice
Taglione, Isabelle Adjani, Marina Hands, Alice Blaïdi, Audrey Fleurot e Audrey
Dana, esta última estreando também como diretora. Em termos de beleza, destoa
do grupo a atriz Vanessa Paradis, que, com seus dentes da frente separados,
parece irmã do Alfred E. Neuman, personagem símbolo da revista Mad. Isabelle
Adjani, que já foi considerada uma diva do cinema francês, está gorducha, mas
não perdeu o charme. De qualquer forma, são todas ótimas atrizes e estão bem à
vontade fazendo comédia. A história reúne 11 personagens mulheres, cada qual
com seus problemas sentimentais. Uma delas é casada e tem quatro filhos, o que
não a impede de ter um caso fora do casamento. Pior, com uma mulher. Outra descobre
que o marido a trai e resolve se vingar dos dois. Tem aquela que não consegue atingir
o orgasmo e ainda outra que tem sérios tiques nervosos, que só desaparecem
quando o assunto é sexo. E assim transcorre o filme, com muitas situações
engraçadas, diálogos espertos e algumas cenas bastante hilariantes. Na França,
a comédia foi um sucesso de público, levando 1,4 milhão de espectadores aos
cinemas. Sem dúvida, um programa bastante agradável. segunda-feira, 5 de outubro de 2015
O
que os soldados norte-americanos fizeram com os prisioneiros de Abu Ghraib, no
Iraque, é conto infantil comparado ao que é mostrado no drama inglês “OPERAÇÃO IRAQUE LIVRE” (“The Mark of Cain”), 2007, dirigido por Marc Munden. No primeiro
caso, os fatos foram reais e revelados para o mundo inteiro. No caso dos
ingleses do filme, não há referência de que os fatos tenham sido baseados na
realidade. Mas mesmo assim chocam bastante. Em patrulha numa cidade do Iraque,
um pelotão do exército inglês é alvo de uma emboscada, que resulta na morte do
capitão Godber. Os ingleses prendem vários suspeitos e os levam presos. Como
forma de se vingar do que aconteceu ao seu comandante, os soldados ingleses
promovem inúmeras sessões de torturas brutais e constrangedoras. Tudo filmado e fotografado por celulares. Pano rápido e
os soldados voltam para a Inglaterra. Um deles, porém, mostra as fotos para a
namorada. Erro fatal. O material acaba nos jornais e abre caminho para o maior
escândalo. Apenas dois soldados, Mark (Gerard Kedarnes) e Shane Gulliver (Matthew
McNulty), são acusados de crimes de guerra, sofrendo uma grande pressão para
não entregar os companheiros. Um filme sério, levado o tempo todo num crescente clima de tensão
e de muito impacto. Vale a pena!
O
elenco feminino é ótimo (Elizabeth Banks, Diane Lane, Dakota Fanning e Danielle
MacDonald, esta última uma jovem e surpreendente atriz australiana). O filme, nem tanto. “EVERY
SECRET THING” (ainda sem tradução por
aqui), 2014, EUA, é um drama policial bem pesado, inspirado no livro “Cada Segredo”, de
Laura Lippman. A história: a detetive Nancy Porter (Banks) está às voltas com
um mistério: o desaparecimento de uma menina – morta ou sequestrada? No decorrer das investigações, as
principais suspeitas recaem sobre Ronnie (Dakota) e Alice (Danielle), recém-saídas de um centro de detenção juvenil, onde cumpriram pena de 7 anos pelo assassinato
de uma criança. A policial Porter passa a exercer
marcação cerrada sobre a dupla, além de pressionar Helen Manning (Diane), mãe
de Alice. É claro que a revelação surgirá somente no final do filme. Trata-se da
estreia em longas da diretora Amy Berg, mais conhecida pela realização de
documentários. O clima de suspense até que consegue prender a atenção, mas o
filme, como um todo, está longe de uma indicação entusiasmada.domingo, 4 de outubro de 2015
“MISSÃO IMPOSSÍVEL: NAÇÃO SECRETA” (“Mission
Impossible: Rogue Nation”), 2015. Para o
espectador, missão impossível mesmo é não se divertir com tantas cenas de ação “impossíveis”,
mentirosas e deliciosas como aquelas que tanto nos divertiram nos melhores filmes
do James Bond – aliás, neste há até uma menção àquela famosa saída do mar de
Ursulla Andress em “Satânico Dr. No”, só que numa piscina e com a atriz Rebecca Ferguson. Dizem até que Tom Cruise não quis dublê nas cenas perigosas, incluindo
aquela em que o agente Ethan Hunt (Cruise) aparece agarrado, pelo lado de fora,
num avião em plena decolagem. A cena é, sem dúvida, espetacular, mas duvido que
o próprio Cruise estivesse ali pendurado. Acho que é mais uma jogada de
marketing para divulgar o filme. Este é o quinto filme da série “Missão
Impossível”, iniciada em 1996, com a participação de Cruise em todos. O filme é
dirigido pelo especialista em filmes de ação Christopher McQuarrie (do ótimo “Jack
Reacher – O Último Tiro”, também com Cruise). “Em “Nação Secreta”, o agente
especial Ethan Hunt é encarregado de desvendar quem está por trás de uma
organização secreta chamada “O Sindicato”. Só que a agência (IMF) à qual pertence
o agente Hunt é desativada pela CIA. Dessa forma, Hunt passa a trabalhar
clandestinamente e acaba sendo perseguido pela própria CIA. A maioria dos
críticos profissionais elegeu o filme como o melhor dos cinco. Tenho minhas
dúvidas, mas, de qualquer forma, o filme é muito bom, garantia de um ótimo
entretenimento. E tem Cruise em plena forma. quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Produzido no formato de minissérie para ser exibido pela TV alemã em 2013, “OS
FILHOS DA GUERRA” (“Unsere Mütter, unsere Väter”), direção de Philipp Kadelbach, é um drama
de guerra dos mais competentes. A produção é caprichada, os atores são ótimos e
a história é muito interessante, ainda mais que inspirada em fatos reais, o que
somente é revelado nos créditos finais. Em 4h30 de duração (2 DVD’s), o filme
conta a saga de cinco jovens amigos residentes em Berlim que se reúnem num
restaurante em 1941 para uma despedida, durante a qual combinam de se
reencontrar no mesmo local quando a guerra acabar. Dois deles, os irmãos
Wilhelm (Volker Bruch) e Friedhelm (Tom Schilling), alistam-se no exército,
Charlotte (Miriam Stein) também vai para a guerra como enfermeira voluntária,
Greta (Katharina Schüttler) fica em Berlim para tentar carreira como cantora e,
por fim, o judeu Viktor (Ludwig Trept) tentará escapar da perseguição nazista. O
pano de fundo de toda essa história é a malfadada campanha do Terceiro Reich
contra a Rússia. A série alemã ganhou nada menos do que 18 prêmios
internacionais, incluindo o International Emmy de 2014 (categoria “Melhor
Minissérie”).quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Para
quem gosta de curtir thrillers políticos baseados em fatos reais, “MATAR
A TODOS” é um prato cheio. Trata-se de uma co-produção Uruguai/Argentina, de
2007, com direção de Esteban Schoroeder. O filme já começa esclarecendo o que
foi a Operação Condor, no início dos anos 70, cujo principal objetivo era combater
os opositores aos regimes militares instalados em seis países da América do
Sul, incluindo o nosso Brasil varonil. Isso tudo com a ajuda do Tio Sam, é
claro. É com esse pano de fundo que o enredo se desenvolve. Júlia Gudari
(Roxana Blanco) é uma promotora de justiça que se envolve na investigação do desaparecimento
do bioquímico chileno Eugenio Barrios em território uruguaio. Barrios era
ligado ao grupo de extrema direita chileno chamado “Patria y Libertad” e ajudou
a fabricar o gás Sarin para o exército de Pinochet utilizar contra os
militantes de esquerda. Júlia, uma antiga militante de esquerda que na
juventude havia sido presa e torturada, desconfia que houve queima de arquivo e
insiste em prosseguir a investigação, mesmo depois das ameaças dos militares
uruguaios, incluídos seu pai, um general aposentado, e o irmão, capitão do
exército. O clima de suspense predomina do começo ao fim, o que impede o
espectador de desgrudar os olhos da telinha. Um programão!segunda-feira, 21 de setembro de 2015
“CASAMENTO SILENCIOSO” (“Nunta Muta”), 2008, direção de Horatiu Malaele, é um dos
filmes romenos mais interessantes da última década. Embora seja um drama com forte pano de fundo político – o comunismo -,
o filme é repleto de bom humor e algumas pitadas de realismo mágico. Inspirado
num caso que realmente aconteceu, o filme é ambientado num pequeno vilarejo do
interior da Romênia. O ano é 1953. Todos os habitantes do vilarejo esperam com
grande ansiedade a festa do casamento de Mara (Meda Victor) com Iancu (Alexandru
Potoceanu), casal muito querido por todos. Familiares dos noivos chegam de todas as
partes do país. Quando tudo já está pronto para o acontecimento do ano, vem a
notícia trágica: Stalin morreu. O prefeito do vilarejo e representantes do governo
comunista romeno decretam luto por uma semana, proibindo qualquer tipo de
comemoração. Mesmo com essa ordem, o casamento será comemorado de qualquer
jeito, nem que seja da forma que gerou o título do filme. Diversão garantida!
Outro
dia comecei a ver um filme italiano cuja história é ambientada na Rússia do século
19. Imagine os personagens russos – interpretados por atores italianos - falando italiano em
plena Moscou. Não deu pra assistir. Comparando, seria como se atores austríacos
fossem colocados para protagonizar o nacional “Cidade de Deus” falando alemão. Este é o tipo de defeito também cometido pelo drama de época
“UM
POUCO DE CAOS” (“A Little Chaos”), 2014, segunda incursão do ator Alan
Rickman como diretor. A história é toda ambientada na França, no século XVII.
Os personagens são franceses, os atores ingleses – com exceção do belga Mattias
Schoenherts – e, claro, totalmente falado em inglês. Não combina, soa falso demais! Vamos à
história: por ordem do Rei Luís XIV (Rickman), o arquiteto André Le Notre (Schoenherts)
fica encarregado de projetar os jardins do Palácio de Versalhes – o arquiteto
realmente existiu, sendo responsável pelo projeto do Champs Elysees, em Paris.
Voltando ao filme: Le Notre contrata a paisagista Sabine de Barra (Kate
Winslet) para ajudá-lo na construção de um anfiteatro ao ar livre. O encontro
entre os dois já prenuncia um previsível romance. Aliás, aqui surge outro defeito
do filme: Schoenherts não tem nada parecido com um galã romântico e muito menos
com um ator. É muito fraco. Kate Winslet está gorducha (filmou grávida) e
também atua no piloto automático. O filme dedica sua maior parte à construção do
tal anfiteatro e às fofocas da Corte de Luís XIV. Alan Rickman, como diretor, é
um ótimo ator. sexta-feira, 18 de setembro de 2015
À beira
dos cinquenta, a atriz francesa Sophie Marceau continua competente, bela e em
ótima forma física, sem qualquer sinal aparente de plástica ou botóx - privilegiada! Ela é a estrela da comédia romântica “SEXO,
AMOR E TERAPIA” (“Tu Veux ou Tu Veux
Pas”), 2014, roteiro e direção de Tonie
Marshal. Judith (Marceau) é uma executiva de vendas de uma grande empresa,
responsável pelo mercado asiático. Ela, porém, é ninfomaníaca, transa com
qualquer coisa que se mova, o que inclui um grande número de chineses e
japoneses. Acaba demitida e volta para a França a fim de procurar emprego. O piloto
de avião Lambert (Patrick Bruel) é viciado em sexo – antigamente, seria chamado
de tarado – e também acaba demitido por transar em pleno vôo com comissárias,
aeromoças e quem passar na sua frente. Ele vira terapeuta de casais e, nas
horas vagas, frequenta um grupo de terapia destinado a viciados em sexo. Judith
e Lambert, claro, vão se encontrar e iniciar uma relação bastante conturbada. Como
terapeuta, Lambert ainda vai ter de segurar as rédeas da sua mãe fogosa, Nadine
(a cantora Sylvie Vartan, ótima). Embora seja capaz de provocar algumas
risadas com algumas boas sacadas, o filme não é dos melhores – o desfecho, então, é constrangedor, para não
dizer lamentável -, mas a presença de Sophie Marceau vale uma indicação. terça-feira, 15 de setembro de 2015
Mais
um filme francês de qualidade, inteligente e delicioso de assistir. “GEMMA BOVERY – A Vida Imita a Arte” (“Gemma
Bovery”), 2014, direção de Anne
Fontaine. O casal Charlie (Jason Flemyng) e Gemma Bovery (Gemma Arterton) saem
da Inglaterra e vão morar numa pequena cidade francesa na Normandia. Estão em
busca de paz para trabalhar, ela como pintora e ele como restaurador de obras
de arte. Eles serão vizinhos de Martin Joubert (Fabrice Luchini) e sua esposa
Valérie (Isabelle Candelier). Apesar de ser padeiro (herdou a padaria do pai),
Martin trabalhou numa editora e não perdeu seu amor pela literatura. Ele é
obcecado pelo clássico “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Já dá para
imaginar, portanto, que Martin irá associar a vizinha à famosa personagem do
livro, Emma Bovary – não foi à toa a escolha do nome Gemma Bovery. A conexão
não ficará restrita apenas à personagem, mas também ao enredo trágico do livro - daí o subtítulo "A Vida Imita a Arte". O filme desenvolve esse paralelo com muita competência, acrescentando a paixão
platônica do velho Martin pela jovem Gemma. Ao vê-la pela primeira vez, ele
fala com seus botões: “Lá se vão dez anos de tranquilidade sexual”. Realmente,
a atriz inglesa Gemma Arterton é um fenômeno de beleza e sensualidade, além de
atuar com muita competência. E que ator é Fabrice Luchini! Enfim, o filme é ótimo,
imperdível!segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Ninguém
pode colocar em dúvida o grande talento de Kim Basinger como atriz, o que já foi
comprovado em inúmeros filmes. Nem contestar sua beleza, que continua inalterada. Suas últimas escolhas,
porém, não têm sido à sua altura. Mais uma prova disso é o recente “EU
ESTOU AQUI” (“I Am Here”), 2014. Embora falado em inglês, é uma co-produção Dinamarca/Alemanha. Trata-se de
um drama com algumas pitadas de suspense. Maria (Basinger) é uma empresária bem
sucedida que tem um sonho, na verdade uma obsessão: ser mãe. Ela e Peter (Sebastian
Schipper), o marido, tentam há mais de 10 anos. Depois de vários abortos, ela
recebe o diagnóstico do médico: não pode tentar mais, pois, além da idade, seu
útero apresenta problemas que a impedem de engravidar. Já que não pode mais ser
mãe biológica, ela agora vai tentar adotar uma criança, o que o marido não concorda.
Depois de ler uma notícia de que na República Tcheca as prostitutas jovens
estão vendendo seus bebês, é para lá que Maria decide ir. Pega o carro, cai na
estrada sozinha e, durante o caminho, acaba conhecendo Petit (Jordan Prentice),
um anão drogado, ao qual pede ajuda para a sua missão. Em meio a vozes
estranhas de crianças – os nenês abortados? -, lá vai Maria em busca do seu
bebê. O filme, dirigido pelo dinamarquês Anders Morgenthaler, é muito fraco e mal
resolvido, sem contar a forçada de barra em escalar a sessentona atriz como mãe potencial. Só para os fãs incondicionais de Basinger.
Na
minha longa peregrinação pela Sétima Arte, já vi incontáveis filmes esquisitos,
aqueles sem pé nem cabeça, indecifráveis, que os críticos profissionais e
festivais adoram exaltar e premiar. Para o grande público, que busca apenas um
entretenimento, tais filmes podem se transformar num grande fardo. Mais um
exemplo é o sueco “UM POMBO POUSOU
NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA” (“En Duva Satt pa en Gren Funderade pa Tillvaron”). Pelo título, já dá para ter ideia de que tipo de filme estamos prestes
a assistir. E, de fato, é muito esquisito. São 39 pequenos episódios (esquetes)
tragicômicos, alguns deles utilizando o mesmo cenário e, às vezes, os mesmos
personagens. A câmera é fixa, estática, e as cenas são mostradas como se fossem
um quadro, onde somente os personagens se movem. Aliás, muito lentamente. Pelos
menos há um pouco de bom humor para amenizar o non sense predominante. Só pra você ter uma ideia: num bar da
Gotemburgo atual, de repente entra o Rei Charles XII (que reinou na Suécia na
segunda metade do Século 17) e seu séquito para tomar um copo de água, enquanto
soldados da época marcham pela rua. O filme, premiado com o “Leão de Ouro” no
Festival de Veneza 2014, é o terceiro da chamada “Trilogia dos Vivos”, da qual
fazem parte “Canções do Segundo Andar” (2000) e “Tu, que Vives” (2007), todos
escritos e dirigidos pelo diretor sueco Roy Andersson. Uma mente privilegiada
ou mais um cineasta louco? Só assistindo para responder. Eu vi e respondo: é
mais um cineasta louco, mas muito criativo. sábado, 12 de setembro de 2015
O
drama “FAIR PLAY”, 2014,
baseado em fatos reais, foi o representante oficial da República Tcheca no
Oscar/2015 de “Melhor Filme Estrangeiro”. Dirigido por Andrea Sedlácková e
ambientado no início dos anos 80, conta a história da corredora Anna (Judit
Bárdos), uma das maiores promessas do atletismo da então Tchecoslováquia. Ela era
uma das esperanças de medalha do país nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984,
mas que afinal seriam boicotados pela mãe Rússia e seus “filhos” da Cortina de Ferro.
O filme destaca o duro e torturante treinamento de Anna sob o comando do
treinador Bohdan (Roman Luknár). Para melhorar seus resultados, Anna foi
obrigada a utilizar o esteroide anabolizante Stromba, mesmo contra sua vontade.
Sua mãe Irena (Anna Geislerová), chegou a aplicar-lhe injeções de Stromba
dizendo que eram vitaminas. O governo exigia que Anna fosse melhor do que as
russas e alemãs. “Se eles usam anabolizantes, também vamos usá-los”, diz um
agente do governo. Embora o enfoque de toda a história seja o esporte, a
utilização de anabolizantes e o treinamento quase desumano ao qual Anna era obrigada
a se submeter, o aspecto predominante no filme é o político. O enredo escancara
como era viver sob um regime opressor e de vigilância permanente aos cidadãos. Uma
das cenas mais impactantes mostra como eram feitas as chamadas “Buscas
Domiciliares”, quando agentes do governo invadiam as casas de suspeitos durante
a madrugada, vasculhando tudo em busca de indícios de subversão. Trata-se de um
filme bastante revelador, um verdadeiro soco no estomago em quem ainda defende os regimes comunistas. O filme é ótimo, valorizado ainda mais pelo excelente desempenho das atrizes
Judit Bárdos e Anna Geislerová. terça-feira, 8 de setembro de 2015
“ALOFT”, EUA,
2014, é o primeiro filme em língua inglesa dirigido pela peruana Claudia Llosa
(“A Teta Assustada”). O filme, cujo roteiro foi escrito por Llosa, tem um pano
de fundo místico. O filme inteiro é ambientado nos cenários gélidos de Minnesota
e da província de Manitoba, no Canadá. Mãe solteira de dois meninos, Nana
Kunning (Jennifer Connelly) descobre sem querer que possui o poder de curar
pessoas. Em meio ao dilema de seguir ou não esse dom, Nana é atingida por uma
tragédia envolvendo seus dois filhos. Ela some do mapa, abandonando Ivan, o
filho mais velho, mais tarde interpretado pelo ótimo ator Cilian Murphy. Vinte
e cinco anos depois, graças à interferência da jornalista Jannia (a atriz
francesa Mélanie Laurent), mãe e filho se reencontram. O filme não foi bem
recebido pela crítica após sua exibição de estreia no Festival de Berlim/2014. A
diretora exagerou na dose e fez um filme esquisito, complicado, um tanto difícil de digerir. Mas
os atores são ótimos, principalmente a bela Jennifer Connelly, uma das poucas atrizes
a ficar mais bonita sem maquiagem. Aliás, merece destaque - e elogios - a maquiagem feita em
Jennifer para torná-la 25 anos mais velha. Enfim, um filme apenas interessante,
sem muitos motivos para uma indicação entusiasmada. segunda-feira, 7 de setembro de 2015
“MORTE LIMPA” (“Good Kill”), 2014, conta o dilema do Major Tom Egan (Ethan Hawke), um veterano ex-piloto
de combate que agora trabalha no comando de drones utilizados para exterminar
terroristas, “via satélite”, em várias regiões do mundo, como Afeganistão e Iemen.
Egan gosta mesmo de voar e está insatisfeito com a nova função, principalmente
com as missões diárias de eliminar pessoas. Ele está sediado numa base da Força
Aérea no deserto de Nevada e mora em Las Vegas com a família. Cada vez mais incomodado
e estressado por causa dessa rotina de mortes, Egan passa a beber e contestar
algumas ordens, o que prejudica uma possível promoção e seu retorno aos aviões
de verdade. A situação acaba provocando uma séria crise no casamento com Molly
(January Jones). O diretor Andrew Niccol (“Gattaca”, “A Hospedeira” e “O Senhor
das Armas”), que também escreveu o roteiro, baseou a história em depoimentos de
pilotos de drones. Ao mostrar os bastidores desse trabalho, Niccol realizou um
filme bastante interessante. Ao final de sua exibição no Festival de Veneza
2014, no qual concorreu ao “Leão de Ouro”, o filme foi – injustamente, na minha
opinião - vaiado pelos jornalistas. Eu
gostei.
Menos
canastrão e longe daqueles personagens valentões dos filmes de ação que o
levaram ao estrelato, Nicolas Cage até que se sai bem no drama político “FATOR
DE RISCO” (“The Runner”), 2014, escrito e dirigido por Austin Stark.
Cage é o deputado Colin Price, do Estado de Louisiana, cuja carreira está em franca
ascensão graças a um discurso emotivo depois do vazamento de petróleo de uma
plataforma da Britishi Petroleum. Além disso, o político assume a defesa dos
pescadores da região afetada pelo acidente, inclusive angariando fundos para
mantê-los. Tudo indicava que Colin partiria com tudo para se eleger senador,
porém um escândalo provocado por um caso extraconjugal põe fim à pretensão. Ele
renuncia ao posto de deputado, o que provoca o pedido de divórcio da ambiciosa
esposa Deborah (a bela Connie Nielsen). Na tentativa de se reerguer, psicológica
e politicamente, Colin contará com a ajuda da sua ex-assessora Kate Haber
(Sarah Paulson, uma mistura malsucedida de Nicole Kidman com Maitê Proença) e
do pai, o ex-político Rayne Price (Peter Fonda, irmão de Jane), um alcoólatra
convicto. O diretor estreante Austin Stark fez um bom trabalho, conduzindo o
filme num clima tenso até o seu final. Dos filmes recentes com Nicolas Cage,
este é, disparado, o melhor, o que não significa que seja lá muito bom.
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