quarta-feira, 26 de agosto de 2015
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Como
espectador comum, discordo da grande maioria dos críticos profissionais que elogiaram
o drama “MANGLEHORN” e
o trabalho do ator Al Pacino. O filme é um abacaxi dos mais azedos, sonífero
puro. E Pacino interpreta um dos personagens mais chatos do cinema nos últimos
anos, Angelo Manglehorn, um chaveiro que, em sua vida particular, é um homem recluso,
antissocial, amargurado, rancoroso e em estado crônico de mau-humor. Resumindo:
antipático ao extremo. Ele vive se lamentando com as lembranças de uma antiga
paixão, Clara, que ninguém explica quem foi ou que fim levou. Nem uma mulher
ainda bonita como Dawn (Holly Hunter), consegue despertar o interesse de Angelo.
Ela dá todas as dicas de que está a fim de uma cama a dois, mas ele prefere
falar da gata Fannie e de Clara, seu antigo amor. Angelo não se dá nem com seu
próprio filho Gary (Chris Messina). Como em seus últimos papeis, Al Pacino (vide
“O Último Ato” – “Humbling”, no original) exagera na interpretação, beirando o histriônico. E quem sofre com tudo isso é o espectador. O filme, dirigido por David Gordon Green, concorreu ao Leão de Ouro no Festival
de Veneza 2014 e, merecidamente, não ganhou. Como disse, e repito, o filme é
muito chato. O grande Al Pacino, desta vez, ficou pequeno.
Em
1978 e 1979, os assassinatos de jovens mulheres praticados na região de Oise
chocaram a França. Mais ainda depois da revelação de que o
assassino era o próprio policial encarregado de investigar as mortes. Essa
história real foi transformada em 2013 no ótimo suspense “NA
PRÓXIMA, ACERTO NO CORAÇÃO” (“La
Prochaine fois je Viserai le Coeur”) por
Cédric Anger, responsável pelo roteiro e direção. Na vida real, o nome do
assassino era Alain Lamare. No filme, foi modificado para Franck Neuhart
(Guillaume Canet). O título do filme foi inspirado numa frase dita pelo
psicopata para uma de suas vítimas. O roteiro de Cédric destaca o lado obscuro
da mente do policial, na verdade um desequilibrado mental, psicótico e
totalmente perturbado. Ele praticava seus crimes nos dias de folga. No
trabalho, mostrava-se um policial eficiente e também discreto, acima de
qualquer suspeita. O clima de suspense predomina desde o primeiro minuto, reforçado
por uma fotografia sombria e uma trilha sonora que aumenta a tensão nas cenas
de maior impacto, como fazia Hitchcock. O ator Guilhaume Canet tem uma atuação
impressionante, personificando com perfeição o policial psicopata. O filme é
muito bom. Mais um gol de placa do cinema francês. Imperdível! sábado, 22 de agosto de 2015
“ENTRE MUNDOS” (“ZWISCHEN WELTEN”), Alemanha, 2014, roteiro e direção da
austríaca Feo Aladag. Uma unidade do exército alemão, sob o comando de Jasper
(Ronald Zehrfeld), é enviada ao Afeganistão para proteger um vilarejo dos ataques
dos Talibãs. O jovem Tarik (Mohsin Ahmady) é contratado como intérprete dos
alemães, o que vai lhe causar enormes problemas com o pessoal da sua comunidade,
que o acusará de traição. O filme prioriza o choque de culturas, os alemães
tentando impor seus métodos e os afegãos fazendo questão de manter suas
tradições, não aceitando qualquer outro tipo de imposição, ainda mais dos
ocidentais. Esse conflito ideológico proporciona diálogos interessantes e
esclarecedores sobre o pensamento e o modo de vida dos afegãos. Num desses diálogos, um afegão, a
respeito das sucessivas invasões que o país sofreu nos últimos anos (séculos,
na verdade), relembra um velho ditado local: “Vocês têm o relógio, nós temos o
tempo”. Em determinado momento da história, Jasper é obrigado a tomar uma difícil
decisão: abandonar o comando do seu grupo ou salvar a vida da irmã de Tarik. Ao contrário de outras produções que exploram o tema da guerra, nesta não há profusão de tiros ou explosões. O
filme ganhou o prêmio de “Melhor Filme de Ficção” da 38ª Mostra Internacional
de Cinema de São Paulo/2014. Realmente, um belo filme que merece ser visto por
quem aprecia cinema de qualidade. quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Quem
curte cinema já deve ter ouvido falar em François Ozon ou assistido a alguns de
seus filmes. Os filmes do diretor francês acabam gerando sempre alguma
polêmica, caso de “Swimming Pool - À Beira da Piscina”, “O Refúgio”, “Jovem e
Bela” e “Dentro da Casa”, este último uma pequena obra-prima do gênero suspense.
Seu filme mais recente é “UMA NOVA AMIGA” (Une Nouvelle Amie”), que também polemiza ao tratar de um homem
casado, pai de família, que adora se vestir de mulher. No caso, é o viúvo David
(Romain Duris), que acaba de perder a esposa Laura (Isild Le Besco). Travestido,
ele se transforma em Virginia. Não sai de casa e vive para cuidar de Lucie, o
bebê que teve com Laura. Um dia, porém, ele é surpreendido pela melhor amiga de
Laura, Claire (Anaïs Demonstier). Como desculpa, ele alega que a criança sente
falta da mãe, o que ele procura compensar se vestindo com as roupas de Laura. Além
de guardar segredo sobre a nova personalidade do viúvo da sua amiga, Claire acaba
mudando seu próprio comportamento, o que implicará numa crise em seu casamento
com Gilles (Raphaël Personnaz). A história, inspirada livremente num conto da
escritora Ruth Rendell, é muito interessante e ganha ainda mais força e impacto nas mãos de Ozon. O filme é valorizado ainda mais pelos ótimos desempenhos de
Duris e, especialmente, de Demonstier, uma jovem atriz de enorme talento.
“O PEQUENO QUINQUIN” (“P’tit Quinquin”), 2014, foi produzido, originalmente, como
uma minissérie para a TV francesa, em quatro episódios. Agora chega ao cinema,
com 3h20 de duração. É um filme interessante, a começar do elenco, constituído integralmente
por atores amadores, alguns deles com defeitos físicos bem evidentes, como o
rosto disforme do próprio Quinquin (Alane Delhaye). A história é toda
ambientada num vilarejo litorâneo, provavelmente na Normandia, e gira em torno
de três macabros assassinatos. Pedaços de corpos humanos são encontrados no
interior de vacas mortas, uma delas resgatada num bunker remanescente da Segunda Grande
Guerra. Em paralelo às investigações realizadas pelo capitão Van der Weyden
(Bernard Pruvost) e seu assistente abobado Carpentier (Philippe Jore), o jovem Quinquin
e sua turma passam os dias aprontando as maiores traquinagens. Todos os atores
são amadores. Bernard Pruvost, por exemplo, que interpreta o capitão Van der
Weyden, é jardineiro na vida real. O diretor francês Bruno Dumont (“O Pecado de
Hadewijch”, “Camille Claudel”) não economizou no politicamente incorreto. Além
de Quinquin, a maioria dos atores tem um defeito físico, como o próprio capitão
Van der Weyden, manco e cheio de cacoetes. O politicamente incorreto também
está na atitude racista com relação a um negro filho de imigrantes africanos, xingado
e humilhado em várias cenas. Não é um filme comum e, com certeza, não seria exibido
em nossos canais abertos. Apesar da história trágica, tem muito humor e
momentos até hilariantes, como a cena da missa em homenagem a um dos mortos.
Trata-se, na verdade, de mais uma excentricidade do diretor Bruno Dumont. Talvez
sirva como aval o fato do filme ter sido eleito pelos críticos da Revista
Cahiers Du Cinéma como o Melhor de 2014.segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Misto
de drama romântico e thriller de suspense, “OCTOBER GALE” (ainda sem tradução por aqui;
literalmente, “Ventania de Outubro”), Canadá, traz no elenco três bons
atores - Patricia Clarkson, Scott Speedman e Tim Roth. O filme, lançado no Festival de Cinema de Toronto/2014, foi escrito e
dirigido por Ruba Nadda, cujo filme mais conhecido é o mediano “Cairo Time”, também com Clarkson. Vamos
à história. A médica Helen Mathews (Clarkson), ainda deprimida depois da
recente morte do marido, com quem teve um casamento bastante sólido, vai para a
casa de campo onde costumava ir com o falecido. A casa fica isolada numa ilha,
provavelmente na região dos Grandes Lagos. Em meio às inúmeras recordações dos
momentos românticos, acontece uma tempestade e um misterioso homem ferido à
bala aparece na casa. Ele é Will (Scott Speedman). Helen cuida dele e depois quer
saber o que aconteceu. Mas ele não quer falar sobre o assunto, o que deixa no
ar a dúvida se ele é o mocinho ou o bandido. Aí aparece na ilha outro homem
misterioso, Tom (Tim Roth), querendo acertas as contas com Will. Se a história
já é fraca e o filme entediante, o desfecho então é lamentável. Patricia Clarkson
é ótima atriz e até já foi indicada ao Oscar como melhor Atriz Coadjuvante por “Pieces
of April”, mas desta vez pisou na bola. Admira que Tim Roth, outro grande ator
mal aproveitado por Hollywood, também tenha entrado nessa barca furada. Se não
fosse minha obrigação comentar, poderia definir o filme como “Sem Comentários”.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Depois de
participar de tantas produções medíocres como “É o Fim”, “Palo Alto” e “A
Entrevista” - este último foi aquele que gerou aquela polêmica toda com o
governo norte-coreano -, o ator James Franco volta a atuar num nível mais
elevado. No drama “A HISTÓRIA VERDADEIRA” (True Story”), 2015, direção
do inglês Rupert Goold, baseado em fatos
reais, Franco é Christian Longo, norte-americano acusado de ter assassinado a
mulher e os três filhos menores. Depois do crime, Longo se refugiu no México,
onde dizia para todo mundo que era o jornalista Mike Finkel (Jonah Hill), do
New York Times, chegando até a trabalhar na profissão. Em 2002, o FBI acaba
descobrindo o seu paradeiro e ele é preso. Por seu lado, Finkel, depois de ser
demitido do NYT por causa de forjar informações numa reportagem investigativa, fica
sabendo que Longo usava sua identidade e ficou curioso em saber por que. Ele
vai visitar Longo na prisão e os dois acabam se entendendo, surgindo até a
oportunidade de Finkel escrever um livro contando toda a verdade sobre o crime.
Até então, Longo dizia que era inocente. Estaria ele manipulando o jornalista?
A ótima atuação de Franco tem jeito de mais uma indicação ao Oscar 2016, como já havia
acontecido pelo drama “127 Horas”, em 2011. Jonah Hill também está muito bem, assim
como a atriz Felicity Jones (de “Teoria de Tudo”), que interpreta Jill, a esposa do jornalista. O filme é muito bom e merece
ser visto não apenas pela história em si, pouco conhecida por aqui, mas também pela correta direção de Goold e pelo ótimo desempenho dos atores. olHolan
terça-feira, 11 de agosto de 2015
“EM TERRA ESTRANHA” (Strangerland”), 2014, Austrália, é um drama de suspense, que
marca a estreia de Kim Farrant na direção de longas. A história é centrada na
família formada pelo casal Matt (Joseph Fiennes) e Catherine (Nicole Kidman) e
os filhos adolescentes Lily (Maddison Brown) e Tommy (Nicholas Hamilton). Eles
são recém-chegados à pequena cidade de Nathgari, no meio do deserto
australiano. A família vive quase que reclusa, sem muitos amigos e nenhuma vida
social. O enredo dá a entender que eles se mudaram por causa de um caso amoroso
que Lily teve com um professor na cidade grande. Lily, aliás, é a única a se
entrosar com o pessoal jovem da nova cidade, o que inclui transar com a maioria. Um dia, porém, depois de uma forte
tempestade de areia, Lily e Tommy fogem de casa e desaparecem no deserto. A
partir daí – e até o seu final -, o filme se concentra nas buscas dos jovens e
nos conflitos entre o casal Matt e Catherine, cada um acusando o outro de ser o
responsável pela fuga dos filhos. O filme é lento demais, chegando a ser
entediante, sensação reforçada pelo clima árido do deserto e pela fotografia
amarelada, quase esmaecida. Nicole Kidman não precisa provar mais que é linda e
ótima atriz, mas tem pisado feio na bola em suas últimas escolhas. segunda-feira, 10 de agosto de 2015
“AS MEDUSAS” (“Jellyfish”), 2007, direção de Etgar Keret, é uma produção israelense muito original. A história foi criada, assim como o roteiro, pela escritora
israelense Shira Geffen, esposa de Etgar. Não há uma história com começo, meio e fim, e sim histórias
envolvendo mulheres tendo como cenário a cidade litorânea de Tel-Aviv. O mar é o
único elo entre elas. Há boas pitadas de humor e um tanto de surrealismo. As principais personagens são todas mulheres: uma moça,
Keren (Noa Knoller), que acaba de se casar e que, durante a festa de casamento,
quebra a perna. A viagem de lua de mel para o Caribe é cancelada e o casal se
hospeda num hotel de Tel-Aviv defronte ao mar. Outra personagem é uma garçonete,
Batya (Sarah Adler), que trabalha num buffet
de festas e que um dia encontra uma menina perdida na praia e tenta ajudá-la a
encontrar os pais. Ainda tem uma filipina, Joy (Ma-Nenita de Latorre) em busca
de emprego como cuidadora de idosos para juntar dinheiro e comprar um navio à
vela para o filho. Outras personagens de destaque são uma fotógrafa
desempregada e uma poetisa em estado terminal de depressão. Embora não seja um
filme difícil ou hermético, não entendi a ligação entre as
mulheres – e a própria história – com o título do filme. Afinal, as medusas são
seres marinhos (a água-viva é um deles) ou, na mitologia grega, mulheres com
serpentes na cabeça. Não consegui associar as mulheres do filme com qualquer
tipo de medusa. De qualquer forma, como já escrevi no início, trata-se de um
filme bastante interessante e inovador, que vale a pena ser conferido. Uma vantagem a mais: não há qualquer referência à questão palestina ou aos inimigos árabes, como na grande maioria dos filmes produzidos no Oriente Médio. olHolan quinta-feira, 6 de agosto de 2015
O
drama francês “GAROTAS” (“Bande de Filles”), 2014, gira em torno da jovem Marieme (Karidja Touré), de 16 anos, que
mora na periferia de Paris com a mãe, faxineira de um hotel de luxo, o irmão
mais velho e duas irmãs mais jovens. Como quase todos os personagens da
história, Marieme é descendente de imigrantes africanos. Ela é tímida, péssima
aluna e está cansada de ser vigiada pelo irmão mais velho, que a trata com
violência. Ela se modifica a partir do momento em que conhece Lady, Fily e
Adiaton, três outras jovens da periferia, desajustadas, revoltadas com a
condição de rejeitadas pela sociedade branca, desbocadas e sem qualquer
perspectiva mais séria a não ser fazer coisa nenhuma e, às vezes, experimentar
roupas de grife em lojas incrementadas, roubando algumas. Elas gargalham por
qualquer bobagem, o que chega a irritar em muitos momentos. Não demora muito e Mariame
foge de casa e acaba se envolvendo com Abou, um conhecido traficante de origem
árabe. A diretora Céline Sciamma (do ótimo “Tomboy”, de 2012) provavelmente tenha
tido a intenção de fazer um filme simpático aos imigrantes, principalmente africanos,
para amenizar a rejeição da sociedade francesa – e europeia em geral. Acho que
o tiro saiu pela culatra, pois o filme mostra um tipo de comportamento social
que beira a marginalidade. De qualquer forma, trata-se de uma abordagem
interessante sobre o tema. Alguns críticos profissionais desenvolveram verdadeiros tratados sociológicos sobre o filme, exagerando na dose da costumeira afetação intelectual. segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Você
já se interessou em conhecer a história da Holanda? Ou já ouvir falar no nome
Michiel De Ruyter? Nem eu. O drama
histórico “MICHIEL DE RUYTER”, superprodução holandesa de 2014, conta uma parte da história da
Holanda no Século XVII, centrando o foco no Almirante Michiel De Ruyter, que
naqueles anos de guerra contra a Inglaterra e França foi um grande herói
daquele país. Durante 152 minutos, você assistirá a inúmeras batalhas navais,
conhecerá um pouco dos bastidores da política holandesa, onde orangistas e
republicanos rangiam os dentes uns para os outros nas sessões do parlamento, e,
principalmente, as batalhas vitoriosas comandadas por De Ruyter, um grande
estrategista, respeitado até pelos inimigos. As cenas de ação são muito bem
feitas. Aliás, o diretor Roel Reiné é especialista no gênero (“Corrida Mortal" 2
e 3). O ator Frank Lammers, que interpreta De Ruyter, é a antítese da figura
de um herói: é feio e gordo. Um dos destaques do filme é o ótimo ator inglês Charles
Dance como o Rei Charles II da Inglaterra. Embora longo, o filme é bastante
interessante sob o ponto de vista histórico, pois apresenta fatos e personagens
que pouca gente conhece por aqui. domingo, 2 de agosto de 2015
“WELCOME TO ME” (ainda sem tradução por aqui),
2014, é uma comédia independente norte-americana que comprova mais uma vez o
talento para o humor da atriz Kristen Wiig - durante sete anos (2005 a 2012),
ela foi um dos grandes destaques do Programa “Saturday Night Live”. Em “Welcome
to Me” ela interpreta Alice Krieg, uma mulher que há muitos anos sofre de
transtornos de personalidade. É bem maluquinha. E ninfomaníaca. Além de sexo, Alice
é obcecada por programas de TV de variedades, aqueles que dão dicas de
culinária, saúde, entrevistas etc. Fica evidente que o roteirista Eliot
Laurence e a diretora Shira Piven quiseram fazer uma crítica aos espectadores
desse tipo de programa, colocando uma desequilibrada mental como fã desse
gênero. Um dia, Alice ganha uma grande fortuna na loteria e resolve mudar a sua
vida. Abandona as sessões de terapia com o psiquiatra Dr. Moffat (Tim Robbins), para
de tomar os remédios, vai morar num cassino e, pior, compra um espaço de duas
horas numa emissora de TV para fazer um programa do jeito dela, o que dará
margem a situações hilariantes. O desespero da equipe de produção da TV diante
das loucuras de Alice é um dos trunfos dessa comédia bastante interessante,
inteligente e muito engraçada. Confira os coadjuvantes de luxo: Joan Cusack,
James Marsden, Linda Cardellini, Jennifer Jason Leigh, Wes Bentley e Loretta
Devine. O filme estreou no Festival de Cinema de Toronto em 2014, recebendo muitos e merecidos elogios. sexta-feira, 31 de julho de 2015
A
família de Hugo (Marcello Novaes) está em crise. Financeira e de relacionamento
entre pais e filhos, o que não é nenhuma novidade para a grande maioria das
famílias hoje em dia. Hugo está falido. Perdeu o emprego e todo o dinheiro que havia aplicado na Bolsa. Dispensa os empregados, corta despesas e tenta manter as aparências de qualquer maneira, embora se humilhe em pedir dinheiro emprestado. O drama nacional “CASA GRANDE”, 2014, explora a situação dessa família carioca de classe média alta e
suas consequências. Tudo acontece sob o ponto de vista de Jean (o estreante Thales
Cavalcanti), de 17 anos, filho de Hugo e Sônia (Suzana Pires). Ele se dá melhor
com o motorista Severino e com a empregada Rita (Clarissa Pinheiro) do que com
o pai e a mãe. É com esses empregados que Jean se abre. Ele sonha em fazer sexo
com Rita, que só quer a amizade do garoto. Jean se revolta com a demissão deles, o que irá piorar ainda mais seu relacionamento com o pai. Embora
o fundo dramático predomine, há espaço para situações bem-humoradas, o que
deixa o filme leve e agradável de assistir. O elenco está ótimo, desde os
experientes Marcello Novaes e Suzana Pires até os estreantes Thales Cavalcanti
e Clarissa Pinheiro, esta última responsável pelos momentos mais engraçados. Roteiro
e direção levam a assinatura de Fellipe Gamarano Barbosa, sua estreia em
longas. O filme foi premiado em vários festivais importantes, aqui e em outros
países. Merecidamente, aliás, pois é muito bom. Não deixe de ver!quarta-feira, 29 de julho de 2015
Morgan
Freeman e Diane Keaton encabeçam o elenco do insosso drama “RUTH
E ALEX”’ (“5 Flights Up”), 2014, direção de Richard Loncraine. A
história é baseada no romance “Heroic Measures”, escrito por Jill Ciment. Embora
divulgado como uma comédia dramática, gênero que une humor ao drama, este é
mesmo um drama, pois de engraçado tem pouca coisa, ou quase nada. Alex
(Freeman) e Ruth (Keaton) são casados e vivem no mesmo apartamento, no Brooklyn, em New York,
há 40 anos. Incentivados pela ambiciosa corretora Niece (Cynthia Nixon, de “Sex
and The City”), sobrinha de Ruth, louca para ganhar uma gorda comissão, eles decidem
vender o apartamento, embora não encontrem razão justificável para isso –
dilema que se arrasta até o final do filme, tornando-o ainda mais chato. Entre
cenas em flash back que mostram como
o romance entre os dois teve início, a rejeição por parte da família de Ruth em
relação a Alex – por ele ser negro – e as intermináveis negociações sobre a
venda do apartamento e a compra de outro, o filme chega ao seu desfecho tão
previsível quanto a evidente falta de química entre os atores principais. Morgan
Freeman e Diane Keaton podem ser ótimos atores, mas não funcionam e nem combinam como casal. Se
há um motivo para recomendar este filme, ainda não descobri qual.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Nos
anos 60, o produtor musical e compositor norte-americano Phil Spector (nome
artístico de Harvey Philip Spector) alcançou o auge da fama nos anos 60,
chegando a colaborar até com os Beatles. Em 2003, Spector foi acusado de ter
assassinado a atriz e modelo Lana Clarkson. Depois de dois julgamentos, Spector
foi condenado a 19 anos de prisão. O
drama “PHIL SPECTOR”, 2012, escrito e dirigido por David Mamet e
produzido pela HBO, conta a história dos bastidores do primeiro julgamento, em
2007. O filme enfoca com destaque o difícil relacionamento de Spector
(Al Pacino) com sua advogada Linda Kenney Baden (Helen Mirren). O filme foi
feito como uma peça de teatro (David Mamet sempre foi ligado à dramaturgia), é
verborrágico demais e lembra, da maneira como feito, aqueles programas da TV a
cabo que reproduzem casos policiais e judiciários. A pergunta que não quer calar é o
que dois grandes astros e ótimos atores como Al Pacino e Helen Mirren estão
fazendo nesse filmeco – Helen substituiu a atriz Bette Midler, que teve hérnia
de disco no início das filmagens. O grande Al Pacino, nos últimos anos, tem
pisado feio na bola, atuando em filmes medíocres que não condizem com sua
competência. Este é mais um deles.
“SÜSKIND”, 2013, Holanda, roteiro e direção
de Rudolf van Den Berg. O filme conta a história, baseada em fatos reais, do
alemão Walter Süskind, que, a exemplo de Oskar Schindler, foi responsável por
salvar mais de mil judeus do Extermínio. Em 1938, Süskind, a mulher e a filha fugiram
da perseguição nazista na Alemanha e foram morar na Holanda. Ele queria juntar
dinheiro e ir com a família para os EUA. Arrumou emprego de gerente de um
teatro em Amsterdam. Só que não deu tempo, pois os alemães invadiram a Holanda.
Como era alemão – embora judeu -, Süskind foi cooptado pelos nazistas e ficou
responsável pela organização das deportações de judeus holandeses para os
campos de concentração. Quando Süskind descobriu que os judeus estavam sendo
exterminados, resolveu pelo menos salvar as crianças – conseguiu salvar mais de mil. Além do trabalho corajoso de Süskind – vivido pelo ator Jeroen
Spitzeberger -, o filme mostra todas aquelas cenas chocantes de filhos se
separando dos pais, os judeus sendo atirados nos vagões de trens, agressões e
assassinatos a sangue frio. Como destaque, o filme tem a presença sempre marcante do ator austríaco Karl Markovics (“Os Falsários” e “O Grande
Hotel Budapeste”) como o oficial nazista encarregado de “limpar” Amsterdam,
deportando todos os judeus residentes na cidade. Ele domina toda cena em que aparece. Quem quiser saber mais
detalhes dessa história fantástica - e ver como ela termina - é só assistir a esta ótima produção holandesa.
olHolan
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Quem
conhece um pouco de História sabe que o estopim para a eclosão da Primeira
Guerra Mundial foi o atentado que matou o arquiduque Francisco Fernando,
herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg,
em Sarajevo, capital da Bósnia, em junho/1914. No drama histórico austríaco “SARAJEVO
1914” (“DAS ATTENTATT: SARAJEVO 1914”), 2014, filme feito para a TV, o enfoque
principal é dado às investigações para descobrir e prender os autores. O
policial Leo Pfeffer (Florian Teichmeister) é encarregado de comandar os
trabalhos. Ele vai chegar aos assassinos, todos sérvios e integrantes da facção
terrorista “Mão Negra”. Pfeffer também descobrirá que, por trás dos atentados, havia
outros interesses em jogo, o principal deles justamente o início da guerra.
Outros fatos que os livros de História não ensinam são revelados no filme, como
o interesse da Alemanha em tomar posse da Bósnia e utilizar seu território para
a construção de uma ferrovia Berlim-Bagdá. O filme também abre espaço para revelar que já havia, na época, um forte preconceito contra os judeus e os eslavos. A primorosa reconstituição de época
é outro trunfo desse ótimo filme, dirigido por Andreas Prochaska. Uma
verdadeira aula de História. Imperdível! terça-feira, 21 de julho de 2015
“ISMAEL”,
2013, Espanha, direção do argentino Marcelo Piñeyro (“Plata Quemada”). Aliás, este
é o primeiro filme espanhol dirigido por Piñeyro. A história: Félix (Mario
Casas) teve um caso com uma imigrante nigeriana (Ella Kweku) que resultou no
nascimento de Ismael. A moça e o filho sumiram da vida de Félix, que agora é
professor de um colégio para adolescentes problemáticos. Oito anos depois, o
garoto Ismael (Larsson do Amaral) foge de casa, em Madrid, pega um trem e vai
para Barcelona com o objetivo de conhecer o pai biológico. O menino só tem como
referência um endereço encontrado numa carta enviada à sua mãe por Félix. Trata-se
do endereço da mãe de Félix, Nora (Belén Rueda). O primeiro contato, portanto,
é com a avó, que, mesmo contra vontade, acaba levando o menino para encontrar o
pai. Enquanto isso, a mãe de Ismael e o seu atual marido Luís (Juan Diego
Botto) pegam estrada para buscar o filho. O cenário está preparado para
situações embaraçosas e conflitantes, como o reencontro dos antigos amantes e a
vontade de Ismael de morar com o pai biológico. O drama é simpático, agradável
de assistir, não apelando para um sentimentalismo exagerado e ainda reservando espaço para o bom humor. O filme tem um
motivo a mais para ser visto: a presença da ótima atriz espanhola Belén Rueda (“Sétimo”),
que ilumina e valoriza cada cena em que aparece.segunda-feira, 20 de julho de 2015
“KUMIKO – A CAÇADORA DE TESOUROS” (“Kumiko, The
Treasure Hunter”), 2014, é um drama do
cinema independente norte-americano. Um filme bastante interessante, aliás, que
conquistou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Sundance/2014. A história: Kumiko
(a bela atriz japonesa Rinko Kikuchi) mora num pequeno apartamento em Tóquio e
trabalha como subalterna num escritório onde o chefe vive pegando no seu pé.
Ela é bastante solitária e depressiva. Na verdade, também tem um parafuso a
menos. Num passeio à praia, ela entra numa caverna e acha enterrada uma fita
VHS com o filme “Fargo”, dos irmãos Ethan e Joel Coen, grande sucesso de 1996.
Kumiko fica obcecada pela história do filme, a ponto de estudá-lo detalhadamente.
Numa das cenas fundamentais de “Fargo”, um homem enterra uma mala com dinheiro perto
de uma cerca de arame perto de umas árvores. Mesmo sabendo que é um filme,
Kumiko acredita que a mala ainda está lá, à disposição de quem se dispor a desenterrá-la.
Ela então viaja para os EUA e parte para encontrar o “tesouro”. Nessa caçada,
ela recebe a ajuda de um policial, interpretado pelo próprio diretor do filme,
David Zellner. Esta segunda parte do filme, ambientada em cenários semelhantes
aos de “Fargo”, não passa de uma fábula originada de um surto criativo da
cabeça de Kumiko, mas mesmo assim o espectador é levado a acreditar, assim como
a jovem japonesa, que aquilo tudo faz parte do contexto real. Enfim, um filme
bastante criativo que vale a pena assistir. Recomendo sem fazer figa. domingo, 19 de julho de 2015
Não
lembro se “SHINER”,
direção de John Irvin, foi exibido por aqui na época em que foi lançado, em
2001. Trata-se de um drama inglês dos melhores e com uma grande atuação de
Michael Caine. Ele é Billy “Shiner” Simpson, um famoso promotor de lutas de
boxe, trambiqueiro e prepotente. Ele só anda acompanhado de seus fiéis guarda-costas,
Jeff “Stoney” Stone (Frank Harper) e Mel (Andy Serkis). “Shiner” se acha o dono
de tudo e quem tiver a coragem de contrariá-lo vai acabar nas mãos – nos punhos,
aliás – dos seus dois capangas. “Shiner” tem um filho lutador de boxe em início
de carreira, Eddie “Golden Boy” Simpson (Matthew Marsden). O sonho de “Shiner”
é ver o filho campeão mundial dos meio-pesados e, para isso, promove uma grande
luta com o campeão norte-americano da categoria. O filme gira em torno dessa
luta. Até ela acontecer, o filme esbanja bom humor, principalmente quando
mostra a truculência e os métodos adotados pelos hilários capangas de “Shiner”
para defender o chefe. Depois que a luta termina, com a derrota do “Golden Boy”,
o poderoso promotor desconfia que houve marmelada e passa a investigar o que
realmente aconteceu. Aí a história fica dramática, com direito a um assassinato
misterioso e a uma reviravolta no final. Um dos destaques do elenco é o já na época
veterano ator Martin Landau. Mas é realmente Michael Caine que dá show. Ótima
diversão!sexta-feira, 17 de julho de 2015
Se
você tem algum tipo de preconceito contra o cinema asiático, deixe-o de lado e
assista “UM DIA DIFÍCIL” (“Kkeutkkaji Ganda”). O filme sul-coreano é diversão
pura. Trata-se de um thriller policial eletrizante, com muita ação, suspense e
humor. E um roteiro bastante inteligente. O detetive Ko Gun-Soo (Lee Sun-Kyun) sai do enterro de sua mãe e, no
caminho, atropela um homem. Como tinha bebido, resolve ficar quieto. E o que
fazer com o cadáver do homem atropelado? Gun-Soo tem a “brilhante” ideia de
escondê-lo no próprio caixão onde está sua mãe. A confusão só está começando. Ele
recebe um telefonema anônimo de alguém que diz ter visto o atropelamento e
começa a chantageá-lo. Em meio a toda essa confusão, Gun-Soo ainda é
investigado pela Corregedoria da Polícia, que descobre em sua mesa dinheiro
proveniente talvez da venda de drogas. As coisas pioram quando ele descobre a identidade do homem atropelado. Gun-Soo corre pra lá e pra cá para
tentar se livrar dos problemas, mas acaba se complicando cada vez vez mais. E o
espectador acompanha tudo muito atento, pois não há espaço para conversa fiada
com tanta ação e suspense, além de uma boa dose de pancadaria. Méritos para o diretor Seong-Hoon Kim, que também
escreveu o roteiro. O filme estreou no Festival de Cannes 2014 e foi bastante elogiado. Portanto, prepare um bom pote de pipoca e curta esse ótimo entretenimento.
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